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sexta-feira, 17 de agosto de 2018

O CONHECIMENTO DE SI PRÓPRIO



Por Padre Anselmo Longpré - Fraternidade São Pio X


O AMOR PRÓPRIO - O AMOR DAS RIQUEZAS

MEIO PARA DELES SE LIBERTAR


Sinais que nos permitem reconhecer as nossas afeições e maneira de as combater

I
SINAIS DE AFEIÇÃO ÀS RIQUEZAS


01.Solicitude, preocupação, diligência em adquiri-las: "Não vos inquieteis pela vossa vida: que haveis de comer ou que haveis de beber; nem pelo vosso corpo: que haveis de vestir" (Mt 6,25).

02.Medo que falte alguma coisa: "Quando vos enviei sem bolsa, nem alforge, nem sandálias, faltou-vos alguma vez alguma coisa?"(Lc 22,35). 

03.Grande preocupação pelo futuro: "Buscai primeiro o Reino de Deus, e tudo mais vos será dado em acréscimo" (Lc 12,31).

04.Busca de luxo nas habitações, na mobília, nos meios de transporte, na mesa, etc.: "Posto que não temos aqui cidade permanente, mas vamos em busca da futura" (Hb 13,14). 

05.Não estar nunca contente nem satisfeito com que se tem: "Quando, porém, temos o que comer e o que vestir, com isso nos contentaremos.Mas aqueles que querem enriquecer caem em tentações, em laços e em muitas cobiças insensatas e nocivas, que mergulham os homens na perdição e na ruína.Com efeito, a raiz de todos os males é a cobiça do dinheiro, na qual alguns se desviam da fé, atormentando-se com muitas aflições" (I Tm 6,8-10).

06.Cobiçar as riquezas: "Aos ricos deste século recomenda que não sejam altivos, nem ponham a esperança em riquezas incertas, mas em Deus, que nos dá todas as coisas com abundâncias, para delas usarmos" (I Tm 6,17). 

07.Agir com espírito de propriedade e agarrar-se ao que se tem: "Não entesoureis para vós tesouros na terra (...) mas entesourai tesouros no céu" (Mt 6,19-20).

08.Dar esmola recalcitrando: "Mas quando tu deres esmola, não saiba a tua esquerda o que faz a tua direita" (Mt 6,3). 

09.Ter estima e consideração pelos ricos e pouca consideração pelos pobres: "Mas ai de vós, ricos!...Ai de vós, que estais agora fartos!"; "Bem aventurados os pobres em espírito" (Lc 6,24-25; Mt 5,3).

10.Apoiar-se nas riquezas ao fazer apostolado: "Não ponham esperança em riquezas incertas, mas em Deus" (I Tm 6,17).

Para Combater a Afeição às Riquezas

01.contentar-se com o necessário e verdadeiramente útil, no alojamento, mobiliário, alimentação, vestuário, etc..



02.Estar contente com o que se tem e agradecer a Deus o que Ele nos dá.

03.aceitar alegremente a falta, por vezes, do útil e mesmo do necessário.

04.nunca se queixar das incomodidades da pobreza.

05.não se agarrar ao que se possui ou ao que se usa: quarto, livros, vestuário, meios de transporte, etc..

06.Não se entristecer com as perdas que acontecem.

07.Dar generosamente conforme os seus meios.

08.Aceitar, por vezes, prestar serviços gratuitamente.

09.Amar e visitar os pobres.

10.Tratar com cuidado e economizar as coisas de nosso uso.

11.Adaptar a maneira de viver da gente do povo, dos trabalhadores normais.

12.Moderação na utilização das comodidades modernas.

13.Não se associar em negócios temporais, investimentos especulativos, pequenas "habilidades" que dão lucro, etc..


II
SINAIS DE AFEIÇÃO AOS BENS DO CORPO
A SAÚDE - O REPOUSO - AS SATISFAÇÕES - O CONFORTO


01.O desejo da estima dos homens, a complacência nos louvores.



02.O afeto às suas idéias, à sua maneira de ver e agir.

03.A teimosia, a obstinação na defesa do seu ponto de vista.

04.A independência, que leva a agir a seu modo, a desprezar o conselho dos outros, a subtrair-se à obediência.

05.A impaciência e a cólera perante a oposição.

06.A artimanha para chegar aos seus fins.

07.A presunção e a temeridade.

08.A susceptibilidade, que não pode suportar nenhuma observação.

09.A arrogância, que leva às palavras que ferem.

10.A ostentação, a afetação, que leva a fazer gala do seu saber, das suas relações, da sua influência.

11.A desobediência aos superiores e o pouco caso deles.

12.O hábito de tudo criticar, de tudo julgar, de tudo condenar.

13.A preguiça intelectual; crê-se dispensado de estudar.

14.O amor das novidades, o entusiasmo pelo inédito."Guarda o depósito, evitando as vaidades profanas de palavras e as contradições de uma pretensa ciência" (I Tm 6,20).


Para Combater As Afeições Ao Amor Próprio
01.Desconfiar de nós mesmos, dos nossos pensamentos, dos nossos julgamentos, das nossas idéias.

02.
Pedir conselho com freqüência, e aceitar com alegria aqueles que nos dão.

03.Viver na obediência a um superior.Submeter-se, em espírito e coração, à Igreja e suas autoridades.

04.Combater as afeições assinaladas com atos opostos.

IV
SINAIS DE AFEIÇÃO Á VONTADE PRÓPRIA

01.O desgosto, a apatia e a negligência em fazer um trabalho que não seja de sua escolha.

02.A inconstância, o capricho e a moleza no cumprimento do dever.

03.A indecisão, que faz com que se queira e não se queira.

04.A tristeza, o desencorajamento, o abandono da tarefa empreendida, perante dificuldades.


Para Combater as afeições à vontade própria

01.Nada fazer por nós próprios, mas submeter a nossa vontade, em tudo, à dos Superiores.

02.Não procurar fazer o que nos agrada, mas o que agrada a Deus e nos é pedido pelos Superiores.

03.Obedecer sem réplica mesmo nas mais pequenas coisas.

04.Ser fiel ao seu regulamento de vida.




V
SINAIS DE AFEIÇÃO DO CORAÇÃO

01.Amar alguém sobretudo por causa das suas qualidades naturais.

02.Procurar a companhia dessa pessoa pelo prazer que nisso se tem.

03.Estar incessantemente inquieto e atormentado a seu respeito.

04.Irritar-se com os que não partilham os mesmos sentimentos.

05.Aceitar e oferecer mutuamente prendas.

06.Dar provas sensíveis de afeição.

07.Guardar a sua simpatia para os amigos e receber friamente os outros.


VI
SINAIS DE AFEIÇÃO ESPIRITUAL


1.Orgulho espiritual

a)- Estar satisfeito consigo e não ver o que falta aperfeiçoar.
b)- Colocar-se como mestre e julgar os outros com severidade.
c)- Fazer grandes projetos e negligenciar os deveres do seu estado.
d)- Deleitar-se com a leitura dos autores espirituais sem cuidar de pôr em prática o que eles ensinam.
e)- Não ver a distância que existe entre o conhecimento teórico do Evangelho e a imitação de Jesus Cristo.
f)- Julgar-se avançado no caminho da perfeição e desprezar os outros.
g)- Sentir despeito a seguir às suas faltas e vergonha em declará-las na confissão.
h)- Procurar desculpar as suas faltas e defender-se quando se é acusado.
i)- Precipitação e pressa no estudo das coisas menos importantes para a salvação.

2.Avareza espiritual e inveja

a)- Nunca estar satisfeito com o que Deus dá.
b)- Tristeza, ciúme dos bens espirituais que se descobrem nos outros.
c)- Procurar rebaixar os outros, tentar provar que não são tão santos como se diz.
d)- Afeição a certas formas de piedade, aos seus métodos

3.Luxúria Espiritual
a)- Procurar as amizades sensíveis, com o pretexto de progresso espiritual. Necessidade de se expandir.

b)- Afeiçoar-se ao seu confessor, ao seu diretor, por motivos demasiado humanos.

c)- Simpatias demasiado humanas para com certas pessoas e antipatia para com outras.


4.Avidez espiritual
a)- Afeiçoar-se imoderadamente às consolações sensíveis que Deus às vezes concede, como um meio, mas que não se devem buscar como um fim.

b)- Procura de si próprio no apostolado exterior; necessidade de atrair a si, de ser o centro.Comprazimento nas suas obras.

5.Preguiça espiritual
a)- Arrastar-se na vida espiritual, porque já não se encontra gosto nela.

b)- Desgosto no trabalho da sua santificação, logo que se trate de avançar pela "via estreita".

c)- abandono dos meios de santificação ao nosso alcance, na espera de meios imaginários.

d)- Tristeza, pusilanimidade, perante os esforços para se santificar.

e)- Deixar para mais tarde o que se devia fazer hoje.

6.Cólera espiritual

a)- Impaciência e amuo com Deus, que não nos dá o que se pede.

b)- Zelo amargo em relação ao próximo, necessidade de admoestar.

c)- Falta de doçura para consigo próprio, á vista dos nossos defeitos e imperfeições.

d)- Rudeza insuficientemente dominada pela paciência.

------------------------Por Padre Anselmo Logpré------------------------


Fonte: www.voltaparacasa.com.br - A todos aqueles que desejam se santificar!
MARIA SEMPRE!

sábado, 12 de maio de 2018

Maria, Mãe de Cristo e Mãe dos cristãos

Por editores do Blog

Maria deu à luz um Filho único. Assim como ele é Filho único de seu Pai nos céus, é também Filho único de sua mãe na Terra. Ora, essa única Virgem Mãe, que possui a glória de ter dado à luz o Filho único de Deus Pai, abraça este mesmo Filho em todos os seus membros. Não se envergonha de ser chamada mãe de todos aqueles nos quais vê a Cristo já formado ou em formação.



A antiga Eva, que deixou aos filhos a sentença de morte ainda antes de verem a luz do dia, foi mais madrasta do que mãe. Chamam-na mãe de todos os viventes; mas se verifica, com mais verdade, que ela foi a origem da morte para os que vivem, a mãe dos que morreram, pois o seu ato de gerar não foi outra coisa senão propagar a morte. E já que Eva não correspondeu fielmente ao significado do seu nome, Maria realizou este mistério. Como a Igreja, da qual é figura, Maria é Mãe de todos os que renascem para a vida. Ela é verdadeiramente a mãe da Vida pela qual todos vivem; ao gerar a Vida, de certo modo ela regenerou todos os que hão de viver por ela.

A santa mãe de Cristo, que se reconhece mãe dos cristãos em virtude desse mistério, mostra-se também sua mãe pelo cuidado e amor que tem por eles. Não é insensível para com os filhos, como se não fossem seus; suas entranhas, fecundadas uma só vez mas nunca estéreis, jamais se cansam de dar à luz frutos de piedade. Se o Apóstolo, servo de Cristo, uma e outra vez dá à luz filhos pelos seus cuidados e ardente piedade, até Cristo ser formado neles (cf. Gl 4,19), quanto mais a própria mãe de Cristo! E Paulo, de fato, os gerou, pregando-lhes a palavra da verdade pela foram regenerados; Maria, porém, gerou-os de modo muito mais divino e santo, ao dar à luz a própria Palavra. Louvo realmente em São Paulo o ministério da pregação; porém admiro e venero muito mais em Maria o mistério da geração.

Observa, agora, se os filhos também não parecem reconhecer a sua mãe. Impelidos como que por um certo natural afeto de piedade, recorrem imediatamente à invocação do seu nome em todas as necessidades e perigos, como crianças no colo da mãe. Por isso, julgo, não sem motivo, que é destes filhos que o Profeta fala quando faz esta promessa: Os teus filhos habitarão em ti (cf. Sl 101,29). Ressalve-se, no entanto, a interpretação que atribui principalmente à Igreja esta profecia. 

Agora vivemos, na verdade, sob o amparo da mãe do Altíssimo, habitamos sob a sua proteção e como que à sombra de suas asas. Mais tarde, seremos acalentados no seu regaço com a participação na sua glória. Então ressoará, numa só voz, a aclamação dos filhos que se alegram e se congratulam com sua mãe: Todos juntos a cantar nos alegramos, pois em ti está a nossa morada (cf. Sl 86,7), santa mãe de Deus!

Fonte: Dos Sermões de São Guerrico, abade, séc. XII, retirado do Breviário, Memória de Santa Maria no Sábado, pág 1534.

MARIA SEMPRE!

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

REFLEXÃO: O QUE É MESMO PERDOAR?


"Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas,
também vosso Pai celeste vos perdoará!" Mt 6,14

Por editores do blog


À diferença do ressentimento produzido por certas ofensas, o perdão não é um sentimento. Perdoar não equivale a deixar de sentir. Há quem se considere incapaz de perdoar certos agravos porque não pode eliminar seus efeitos: não pode deixar de experimentar a ferida, nem o ódio, nem o desejo de vingança. Daqui podem derivar complicações no âmbito da consciência moral, especialmente se se tem em conta que Deus espera que perdoemos para que Ele nos perdoe (Mt 6,12).

Olhai por vós mesmos.E, se teu irmão pecar contra ti,repreende-o, 
e se ele se arrepender, perdoa-lhe. Lc 17,3
A incapacidade de deixar de sentir o ressentimento, no nível emocional, pode ser, efetivamente, insuperável, ao menos a curto prazo. No entanto, se se compreende que o perdão se situa num nível diferente do ressentimento, isto é, no nível da vontade, descobrir-se-á o caminho que leva à solução.

O empregado que foi despedido injustamente da empresa, o cônjuge que sofreu a infidelidade do seu consorte, os pais a quem sequestraram um filho podem decidir perdoar - apesar do sentimento adverso que experimentam necessariamente -, porque o perdão é um ato volitivo e não um ato emocional. Entender esta diferença, entre sentir uma emoção e tomar uma decisão, já é um passo importante para esclarecer o problema.

Deus que é benevolente para 
conosco e é a Sua clemência infinita
que nos dá tudo porque 
Ele tudo perdoa. São Pe. Pio
Muitas vezes na vida devemos agir no sentido inverso ao daquele que os nossos sentimentos nos marcam, e de fato o fazemos porque a nossa vontade se sobrepõe às nossas emoções (31). Por exemplo, quando sentimos desânimo por algum fracasso que tivemos na realização de uma tarefa e, ao invés de abandoná-la, nos sobrepomos e continuamos em frente até concluí-la; quando alguém implicou conosco e sentimos o impulso de agredi-lo, mas decidimos controlar-nos e ser pacientes; quando em certo momento do dia temos um acesso de preguiça e, no entanto, optamos por trabalhar. Em todos estes casos, manifesta-se a capacidade da vontade para dominar os sentimentos. O mesmo se passa quando perdoamos, apesar de emocionalmente nos sentirmos inclinados a não o fazer.

O perdão é um ato da vontade porque consiste em uma decisão. Qual é o conteúdo desta decisão? O que é decidido quando perdoo? Quando perdoo, opto por cancelar a dívida moral que o outro contraiu comigo ao ofender-me e, portanto, liberto-o enquanto devedor.

Não se trata, evidentemente, de suprimir a ofensa cometida, de eliminá-la e fazer que nunca tenha existido, porque não temos esse poder. Só Deus pode apagar a ação ofensiva e conseguir que o ofensor volte à situação em que se encontrava antes de cometê-la. Mas nós , quando perdoamos realmente, desejaríamos que o outro ficasse completamente eximido da má ação que cometeu. Por isso, “perdoar implica pedir a Deus que perdoe, pois só assim a ofensa é aniquilada” (32).


MARIA SEMPRE!


NOTAS:
(31) - “A vontade, que pode mover o entendimento no seu exercício, pode mover também despoticamente outras potências, especialmente as motrizes: pode dar ordens aos braços e às pernas, comandar a direção do olhar, o movimento da língua, as operações das mãos... Mas não lhe foi dado mover dessa maneira os apetites, sentimentos ou moções sensíveis, os quais gozam de uma certa autonomia. Cabe à vontade, com a ajuda do entendimento, exercer um governo político, persuasivo ou de convencimento sobre as tendências sensíveis do ser humano e a isso tem de circunscrever-se: quando não as pode orientar para o bem, deve transcendê-las, passar por cima delas” (Carlos Llano, Formación de la inteligencia, la voluntad e el carácter, Trillas,México,1983. pág. 142).

(32) - Leonardo Polo, Quién es el hombre?, Rialp, Madrid, 1983, pág. 140.

Fonte:
UGARTE, Francisco. Do ressentimento ao perdão. Trad.: Roberto Vidal da Silva Martins. Editora: Quadrante - 2002.Páginas: 36-38.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A MODÉSTIA CONFORME OS SANTOS E AS VIRTUDES DA SANTÍSSIMA VIRGEM

A modéstia é a virtude que regula todos os atos externos!

Por Géssika S. S. de Oliveira

Embora a modéstia seja tratada em diversos textos, muito ainda se questiona sobre como vivê-la. Surgem, graças a Deus, grupos e pessoas que aqui ou acolá se reúnem para discutir temas católicos da tradição e para difundir as verdades sempre presentes e sempre atuais na história da Igreja.

A modéstia, conforme Santo Tomás de Aquino,[é] "uma virtude que serve para refrear e moderar o apetite em matérias mais fáceis do que as da temperança, da continência, da clemência e da mansidão. Exerce o seu influxo sobre o desejo imoderado de grandezas, de saber e aprender; sobre os ademanes [maneiras] e movimentos do corpo e a maneira de vestir”[1].

Ainda segundo o Doutor Angélico, a virtude da Modéstia éO ápice da perfeição nos movimentos afetivos, cujo resultado é que todas as ações exteriores, como sejam movimentos, gestos, palavras, tom de voz, atitudes, etc, convenham ao decoro da pessoa e se acomodem às suas circunstâncias, estado e situação, de forma que nada destoe, senão que resplandeça em tudo a mais perfeita harmonia. Neste conceito se relaciona a modéstia com a amizade ou afabilidade e com a verdade (CLXVIII, 1)[2].

Casamento em rito Tridentino, atual e modesto [4].
Consequentemente, a modéstia está também ligada à forma de vestir. Neste caso, a virtude regula as afeições desmedidas aos vestidos caros e luxuosos e leva a pessoa a não fazer ostentação dos pobres. Mas, aqueles que, seguindo seus exageros e preocupados com as tendências da moda, não se atentam de buscar tal virtude, pecam contra a modéstia e também contra a castidade, e segundo Santo Tomás “são dignas de severa repreensão”[3]. 

No entanto, outro aspecto das vestes também deve ser levado em consideração. Conforme São Francisco de Sales, uma pessoa devota deveria ser a mais bem vestida de uma reunião, “mas a menos pomposa e afetada, e que fosse ornada, como se lê nos Provérbios de graça, de decência e dignidade”[5].

Portar-se modestamente é, também, um ato de caridade que fazemos ao nosso irmão. São Francisco de Sales nos admoesta queÉ um desprezo das pessoas com quem se convive andar no meio delas com roupas que as podem desgostar; mas guarda-te cuidadosamente das vaidades e afetações, das curiosidades e das modas levianas. Observa as regras de simplicidade e modéstia, que são indubitavelmente o mais precioso ornato da beleza e a melhor escusa da fealdade[6].

Nossa Senhora, maior exemplo de modéstia!
Segundo Santo Tomás de Aquino, a humildade e a modéstia são as virtudes que vencem o vício do orgulho. Portanto, andam juntas. Uma pessoa modesta, antes de qualquer coisa é humilde. E ambas as virtudes são odiadas pelo demônio.

A Santíssima Virgem, a mais bela entre todas as mulheres, mais perfeita, mais humilde e mais casta que todas, bem viveu a modéstia. Ela é o modelo para as moças do tempo presente. Ela que, conforme São Luís Maria Grignion de Montfort, permaneceu oculta em toda a sua vida. Pois, “tão profunda era a sua humildade, que, para ela, o atrativo mais poderoso, mais constante era esconder-se de si mesma e de toda criatura, para ser conhecida somente de Deus”[7]. 
Caríssimos irmãos e irmãs, eis aí o nosso modelo.



MARIA SEMPRE!


REFERÊNCIAS:
[1] PÈGUES, R. P. Tomaz. (O.P.). A Suma Teológica de Santo Tomaz de Aquino em forma de Catecismo. Editora Taubaté: 1942. p. 130. 
[2] ------. ------ . p. 132 
[3] ------. ------. p. 133 
[4] Créditos da foto ao fotógrafo Renato Diniz, de Montes Claros - MG.
[5] DE SALES, São Francisco. Filoteia ou introdução à vida devota. Vozes: 2012. p. 233.
[6] ------. ------. p. 234 
[7] DE MONTFORT, São Luís Maria Grignion. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. 45ª ed. Vozes: 2014. p. 19.

sábado, 5 de setembro de 2015

SOBRE VIRTUDES, PECADO E GRAÇA

As quatro virtudes naturais: Prudência, Força, Justiça e Temperança

“(...) todas as potências da alma ficaram, de certo modo, destituídas da ordem própria, pela qual naturalmente se orientavam para a virtude” 

Por editores do blog
“'O perfil do pecador é descrito com traços nítidos por Santo Tomás. O pecado é ‘corruptio naturalis boni’. É ‘a desviação da tendência à virtude que brota necessariamente da Natureza Racional.’

O pecado limitou os dons naturais do homem
‘A corrupção do bem natural, por desordenar-se a natureza humana pela não sujeição da vontade a Deus; pois, desaparecida esta ordem, há de por consequência ficar desordenada a natureza toda do homem pecador.’ 

‘Pela justiça original, a razão continha perfeitamente as potências inferiores da alma, sendo ela mesma aperfeiçoada por Deus, a quem estava sujeita. Ora, essa justiça original perdeu-se pelo pecado do primeiro pai, como já dissemos. Por isso, todas as potências da alma ficaram, de certo modo, destituídas da ordem própria, pela qual naturalmente se orientavam para a virtude. E essa destituição mesma se chama lesão da natureza. ’

Ora, são quatro as potências da alma capazes de serem sujeitos das virtudes, como já se disse, e são as seguintes. A razão, sujeito da prudência; a vontade, da justiça; o irascível, da fortaleza; a concupiscência, da temperança. Por onde, a lesão da ignorância consiste em a razão ter ficado privada de ordenar-se para a verdade. A da malícia, em a vontade ter ficado privada de ordenar-se para o bem. A da fraqueza, em o ter o irascível ficado privado de ordenar-se para o árduo. E, enfim, a da concupiscência em o ter a concupiscência ficado privada de ordenar-se ao prazer moderado pela razão.’

Os sete vícios capitais são disposições psíquicas contra a ordem da razão. Aquilo que é contra a ordem da Razão é contra a Natureza do Homem enquanto Homem.

- Como a Graça cura?

Quando somos curados pela Graça
reconhecemos e adoramos a Deus
Se a doença da alma é a desordem nascida da rejeição consciente ou inconsciente do fim Último verdadeiro, a cura está em restituir o acatamento ao Fim do Ser Racional, que é Deus. ‘ Amar a Deus sobre todas as coisas é de fato algo conatural ao Homem’. ‘O Homem pelas suas forças naturais pode amar a Deus mais do que a si mesmo e sobre todas as coisas’.

A Graça aumenta e fortalece a tendência natural do Homem ao seu Fim Último, Deus, e assim restitui a ordem do próprio ser para Deus. Sua mente percebe a Lei Natural, acata a Moral Natural, respeita o Direito Natural. A voz autêntica da essência humana é atendida. A sabedoria carnal e diabólica é rejeitada. O espírito deiforme é construído pela aceitação da Graça, que refaz a imagem e semelhança d´Aquele que o criou.” 

FONTE: RODRIGUES, Pe. Afonso. Psicologia da Graça. São Paulo: Companhia da Jesus, 1983; p. 93-94


MARIA SEMPRE!