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quarta-feira, 8 de agosto de 2018

MISSA TRIDENTINA - FORMAÇÃO, ENTUSIASMO E PERSEVERANÇA

Sr. Fábio, Sr. Alceu (com seu filho Bernardo), Sr. Helmer e Sr. Raphael
em frente à Capela Nossa Senhora das Dores.

Interior da Capela, pouco antes da Santa Missa.
Pe. Daniel Pinheiro com as crianças
 que fizeram a primeira comunhão.
Em julho último, alguns membros da Sociedade da Santíssima Virgem Maria – SSVM partiram de Montes Claros - MG a Brasília – DF a fim de, com os Padres do IBP (Instituto Bom Pastor), aprofundarem os seus conhecimentos no que tange à liturgia da Missa Tridentina. O objetivo é melhorar cada vez mais no serviço que a confraria de Montes Claros presta na promoção da Missa de sempre no Norte de Minas Gerais. O interesse geral pela Missa Tridentina vem crescendo nessa região e, correspondendo a este anseio da população, a SSVM busca, por meio de seus membros, aprimorar os seus conhecimentos em tudo que se refere à Tradição. 

O IBP faz excelente apostolado na Capela Nossa Senhora das Dores e é atualmente uma exímia referência de promoção e defesa da Tradição Católica, especialmente, no que diz respeito à celebração da Missa Tradicional. Cônscios disso, os senhores Fábio Ribeiro, Helmer Ézion e Raphael Scarcela buscaram ter com os padres do IBP formação para acólitos, para melhor servir na Missa Tridentina em Montes Claros. 





A capela
convida à oração.
Organização dos
 paramentos antes
 da Missa.
Mas, o que se viu, foi muito além da formação litúrgica. Em um ambiente equilibrado e verdadeiramente católico, foi possível notar a reverência para com o sagrado: belas imagens, disposição lógica e ordenada das coisas, submissão ao Magistério, exaltação e propagação das famílias, e severidade para com os erros e pecados. Os visitantes ainda tiveram a oportunidade de assistir uma celebração da Missa Cantada com algumas crianças fazendo a primeira comunhão. Lamentavelmente, isso que deveria ser o mínimo de todo e qualquer sacerdote tornou-se raro e quase inacessível. Portanto, Louvado seja Deus pelo empenho dos padres do IBP. Não bastasse tudo que foi relatado, os confrades ainda receberam a melhor das hospitalidades, e puderam, com isso, ter uma melhor experiência, focando em detalhes que servirão para o apostolado em Montes Claros.

Vista da Capela de
 Nossa Senhora das Dores.
Aproveitando ainda a oportunidade, os viajantes fizeram um tour pela cidade de Brasília e conheceram alguns pontos turísticos valendo-se da gentileza dos também membros da SSVM Alceu Junior e Marcos Paulo e suas famílias, que lá residem, seguindo o que descreve a Sagrada escritura: "Vi muitas coisas em minhas viagens, muitos costumes diferentes." Eclo. 34, 12. 

Momento de agradável convivência
 na residência do Sr. Marcos Paulo.
(Membro da SSVM)
Foi uma experiência engrandecedora em todos os aspectos. Fica o agradecimento e as orações dedicadas a todos que viabilizaram esta ocasião. Espera-se que a partir de então, o trabalho de promoção da Missa Tridentina em Montes Claros fique cada vez mais atraente e que, consequentemente, atraia muito mais fiéis a conhecerem tão majestoso tesouro da Cristandade.



MARIA SEMPRE!

terça-feira, 25 de agosto de 2015

TRÊS ANOS DE MISSA TRIDENTINA (MONTES CLAROS-MG/ 25-08-2015)

Reverendo Pe. Gledson e alguns colaboradores da Missa Tridentina
Por João S. de Oliveira Junior ¹



Hoje, 25 de agosto, comemoramos 03 (três) anos de retorno da Missa Tridentina em Montes Claros – MG. Três anos de Graças e honras a Jesus no Santíssimo Sacramento pelo riquíssimo rito romano tradicional na celebração do Santo Sacrifício. Três anos de luta para que a Missa Tridentina aconteça a cada semana.

São Luís IX com a coroa de espinhos
detalhe do relicário

Não por acaso, 25/08 é dia do Soldado e do Grande São Luís IX (Rei da França, que empreendeu duas Cruzadas, morrendo na segunda). São Luís foi devotíssimo da Sagrada Paixão de Nosso Senhor e chegou a construir a famosa Saint Chapelle, como um gigante relicário em pedras e vitrais para abrigar a coroa de espinhos do Redentor². 

Desde março do ano corrente, a Santa Missa Tridentina vem acontecendo às sextas-feiras (dia da Paixão), no Santuário do Bom Jesus. Como bem lembra o Pe. Henrique Munaiz, "na Cruz, Ele mostrou realmente o quanto é Bom, Boníssimo!" 


Então, caríssimos, nestes 03 (três) anos, Graças indizíveis foram alcançadas: quantos fiéis redescobriram o valor e a sacralidade da Santa Missa?! Quantos se converteram um pouquinho mais à Igreja de Cristo?! Quantas pessoas se encantaram com o amor e o cuidado com que nosso Senhor é tratado no Rito Gregoriano?! Quantos, ainda que não podendo ir toda semana, compreenderam a importância de a Missa Tridentina acontecer em nossa arquidiocese?!


 Missa Tridentina  quando celebrada
 na Igreja Matriz pelo Pe. Henrique

Há muitos testemunhos registrados no caderno próprio e até postados na página oficial da Missa Tridentina em Montes Claros, no facebook. Mas ainda é pouco, muito pouco, diante do que nosso Senhor merece. Quantos em nossa cidade ainda estão por conhecer a maior riqueza de nossa Fé, que é a Santa Missa?! De fato, temos muito trabalho a fim de que a Santa Missa Tridentina se torne mais conhecida, para honra e glória de Deus. E não depende só de nós, mas de todos os confrades e amigos que trabalham pela promoção da Missa em nossa região. Por isso, a todos apelo: Cristo nos quer como soldados! Avante!

Que a Virgem Santíssima nos abençoe sempre nesta luta por nosso Senhor e tua Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Que a Mãe do Bom Conselho encoraje e inspire a mais sacerdotes na nossa região a celebrarem neste piedoso e singular rito. São Luís, Rei da França, rogai por nós!



A Missa Tridentina atualmente
no Santuário do Bom Jesus

MARIA SEMPRE!


1 – O autor deste texto é Presidente da Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM e um dos leigos colaboradores da Missa Tridentina em Montes Claros –MG.

2 - Revista Catolicismo, edição agosto de 2015, sessão Festas e Santos do Mês.

domingo, 7 de junho de 2015

CURIOSIDADE: O PIEDOSO USO DO VÉU


O uso do véu é aconselhado na Sagrada Escritura (I Cor. 11,6)

Paulo Vinícius de Oliveira
PORQUE USAR O VÉU?

O uso do véu, também chamado de mantilha, tem sido um costume da Igreja desde sua instituição. Recomendado pelo Apóstolo Paulo, há várias razões que aconselham seu uso.

Quando uma mulher cobre sua cabeça na Igreja Católica, simboliza sua dignidade, e humildade diante de Deus. A mulher que cobre sua cabeça na presença do Senhor Jesus no Santíssimo Sacramento está lembrando para si mesma que diante de Deus se deve ser humilde. 

O véu cobre o que o Senhor, na Sagrada Escritura, chama de “a glória da mulher”, o seu cabelo. Cobrir seus cabelos é um gesto que a mulher faz espiritualmente para “mostrar” a Deus que reconhece que sua beleza é menor que a dele e que a glória Dele está muito acima da sua, simbolizando assim sua vontade de se manter velada para que só Deus seja glorificado. 

O véu simbolicamente motiva a mulher a “inclinar” a cabeça em oração, a abaixar o olhar diante da grande e misteriosa beleza e poder de Deus no Santíssimo Sacramento. Pela inclinação da cabeça e pelo abaixar dos olhos, ela está mais apta a adorar a Deus na capela interior do seu coração, sua alma. 

O véu que a mulher usa lhe confere um belo senso de dignidade. Quando ela o usa, se identifica com a maior criação de Deus, a Bem-Aventurada e Imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus. 

As mulheres devem perceber que a imitação de sua Mãe Santíssima pelo uso do véu e por outras virtudes é um pequeno sacrifício a ser feito a fim de crescer na compreensão espiritual da fé, na submissão e do amor.

O piedoso uso do véu pela mulher na Igreja é um surpreendente lembrete de modéstia, edificante não só para quem o usa mas também para todos os que o notam.

Na Sagrada Liturgia, cobre-se delicadamente a dignidade dos diversos elementos litúrgicos: o véu frontal que cobre o Sacrário, o véu que cobre o cálice e o cibório, a toalha branca que cobre o altar, a casula que cobre o sacerdote que oferece o Santo Sacrifício da Missa. 

Assim é o véu que cobre a mulher, chamada a ser pela Sagrada Comunhão, de forma especial, como a doce e bela Virgem Maria: Sacrário vivo do Corpo de Deus.

NA PRÁTICA

Pode-se usá-lo como sacramental após ter recebido a devida benção sacerdotal. 

Não há uma regra sobre a cor, mas costuma-se usar branco para as moças e preto para as senhoras casadas, viúvas ou definitivamente solteiras. Os véus coloridos não são proibidos, mas se deve usar de bom senso e evitar cores berrantes, que chamem a atenção e distraiam os fieis durante a Missa. O uso do véu é aconselhado, além das celebrações dos sacramentos, na visita ao Sacrário e nos diversos atos de piedade realizados na igreja.


ORAÇÃO AO VESTIR O VÉU

Divino Espírito Santo, hóspede da minha alma, convencida de que a minha verdadeira vida está escondida com Cristo em Deus Pai, visto este véu na minha cabeça na esperança não de aparecer, mas de desaparecer, não para atrair a atenção sobre a minha pessoa, mas para esconder-me na imitação de Maria Santíssima.
Que todos olhem para Vós Deus Pai, Filho e Espírito Santo, Amém.

                (por um monge sacerdote)


(Este artigo é um compilado de vários textos sobre o assunto encontrados na internet)


MARIA SEMPRE!

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

DOIS ANOS DE MISSA TRIDENTINA (MONTES CLAROS-MG/ 25-08-2014)


POSTADO POR EDITORES DO BLOG

_________________________________†________________________________


  Pe. Henrique preparando-se para celebrar a
     Missa Tridentina em Montes Claros - MG.
†
Santa Missa Tridentina
Na Igreja Matriz de Montes Claros
†
Primeira Missa Tridentina em Montes Claros,
após anos de ausência. (Detalhe: relíquia de S. Luiz IX)
†
25 de agosto dia de
São Luís IX, Rei da França
†
25 de agosto
 dia do Soldado
†

MARIA SEMPRE!

terça-feira, 22 de julho de 2014

O CULTO DO PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE N. S. JESUS CRISTO: INDE A PRIMIS


"(...) símbolo desse mesmo Sangue divino que corre
 em todos os sacramentos da Igreja"
 (conf.: Inde a Primis)


Postado por editores do blog

Segue abaixo trechos de uma carta apostólica redigida por São João XXIII, papa, sobre a devoção ao Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esperamos que os leitores cresçam na consciência do imenso valor desse culto e possam colher os frutos correspondentes. Maria Sempre!


 †††


CARTA APOSTÓLICA DO PAPA JOÃO XXIII 

INDE A PRIMIS

O CULTO DO PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE JESUS CRISTO



Sumo pontífice São João XXIII,  (1881 - 1963)



Veneráveis Irmãos, saudação e bênção apostólica,

São Gaspar Del Bufalo (1786 -1837)
"7. (...) a devoção ao Preciosíssimo Sangue de Jesus, da qual foi propagador admirável no século passado o sacerdote romano s. Gaspar del Bufalo, teve o merecido consentimento e o favor desta Sé Apostólica. Com efeito, importa recordar que, por ordem de Bento XIV, foram compostos a missa e o ofício em honra do Sangue adorável do divino Salvador; e que Pio IX, em cumprimento de um voto feito em Gaeta, quis que a festa litúrgica fosse estendida à Igreja universal (...)."

"9. Por isto, ao aproximar-se a festa e o mês dedicados ao culto do Sangue de Cristo, preço do nosso resgate, penhor de salvação e de vida eterna, façam-na os fiéis objeto de meditações mais devotas e de comunhões sacramentais mais freqüentes. Iluminados pelos salutares ensinamentos que promanam dos Livros sagrados e da doutrina dos padres e doutores da Igreja, reflitam no valor superabundante, infinito desse Sangue verdadeiramente preciosíssimo, do qual uma só gota pode salvar o mundo todo de toda culpa (...)."

"10. Porquanto, se infinito é o valor do Sangue do Homem-Deus, e se infinita foi a caridade que o impeliu a derramá-lo desde o oitavo dia do seu nascimento, e depois, com superabundância, na agonia do horto (cf. Lc 22,43), na flagelação e na coroação de espinhos, na subida ao Calvário e na crucifixão, e, enfim, da ampla ferida do seu lado, como símbolo desse mesmo Sangue divino que corre em todos os sacramentos da Igreja, não só é conveniente, mas é também sumamente justo que a ele sejam tributadas homenagens de adoração e de amorosa gratidão por parte de todos os que foram regenerados nas suas ondas salutares."

São João Crisóstomo (347 -407)
"11.(...). E, nutridos do corpo e do sangue de Cristo, tornados participantes do seu poder divino, que fez surgir legiões de mártires, eles irão ao encontro das lutas cotidianas, dos sacrifícios, até mesmo do martírio, se preciso, em defesa da virtude e do reino de Deus, sentindo em si mesmos aquele ardor de caridade que fazia S. João Crisóstomo exclamar: "Saímos daquela mesa quais leões expirando chamas, tornados terríveis ao demônio, pensando em quem é o nosso Chefe e quanto amor teve por nós... Esse Sangue, se dignamente recebido, afasta os demônios, chama para junto de nós os anjos e o próprio Senhor dos anjos... Esse Sangue derramado purifica o mundo todo... Este é o preço do universo, com ele Cristo redime a Igreja... Tal pensamento deve refrear as nossas paixões. Até quando, com efeito, ficaremos apegados ao mundo presente?Até quando ficaremos inertes?Até quando descuraremos pensar na nossa salvação? Reflitamos sobre os bens que o Senhor se dignou de nos conceder, sejamos-lhe gratos por eles, glorifiquemo-lo não só com a fé, mas também com as obras" (In loan., Homil. 46; PG 59, 260-26; conf. doc.)"

"12. Oh! Se os cristãos refletissem mais freqüentemente no paternal aviso do primeiro papa: "Portai-vos com temor durante o tempo do vosso exílio. Pois sabeis que não foi com coisas perecíveis, isto é, com prata ou ouro que fostes resgatados..., mas pelo sangue precioso de Cristo, como de um cordeiro sem defeito e sem mácula" (1Pd 1,17-19); se eles dessem mais solícito ouvido à exortação do apóstolo das gentes: "Alguém pagou alto preço pelo vosso resgate; glorificai, portanto, a Deus em vosso corpo" (l Cor 6,20). Quanto mais dignos, mais edificantes seriam os seus costumes, quanto mais salutar para a humanidade inteira seria a presença, no mundo, da Igreja de Cristo! E, se todos os homens secundassem os convites da graça de Deus, que os quer todos salvos (cf. 1Tm 2,4), porque ele quis que todos fossem remidos pelo Sangue de seu Unigênito, e chama todos a serem membros de um só corpo místico, do qual Cristo é a Cabeça, então quanto mais fraternas se tornariam as relações entre os indivíduos, os povos, as nações, e quanto mais pacífica, quanto mais digna de Deus e da natureza humana, criada a imagem e semelhança do Altíssimo, se tornaria a convivência social!

Dado em Roma, junto a S. Pedro, no dia 30 de junho de 1960, vigília da Festa do Preciosíssimo Sangue de N. S. J. C., segundo ano do nosso Pontificado."

S. S. João XXIII



Fonte:http://www.vatican.va/holy_father/john_xxiii/apost_letters/documents


                                               †††



MARIA SEMPRE!



segunda-feira, 7 de julho de 2014

SUMMORUM PONTIFICUM: 07 ANOS


Por João S. de O. Jr.

Hoje se completa 07 anos do Motu Proprio Summorum Pontificum de S.S. PP. Bento XVI. Publicado em uma data simbolicamente significativa, 07/07/2007; perfeição! O documento autorizou, e de certo modo, incentivou sacerdotes no mundo todo a celebrarem a Santa Missa Tridentina a fiéis que assim desejarem sem necessidade de induto (autorização) expressa da Sé apostólica ou do Ordinário (bispo local). Para ler o Summorum Pontificum no site do Vaticano: clique aqui.

Embora as barreiras encontradas nas dioceses e paróquias para as celebrações da Santa Missa Tridentina, o documento foi um marco no pontificado do atual papa emérito. Quantos fiéis puderam conhecer e nutrir desta riqueza da Igreja? Quantos se encontraram com Cristo onde ele se faz presente realmente? Ou seja, na santa comunhão, no sacrifício da Santa Missa. 
Quantos descobriram o tesouro da Tradição católica? Quantos passaram a saber que a Santa Missa é o mesmo sacrifício da Cruz, atualizado de forma incruenta, através do conhecimento da Missa de Sempre? E assim nunca mais viram uma Missa com os mesmos olhos, seja contemplando o maior acontecimento sob a face da Terra ou seja sofrendo por causa dos abusos e indiferenças com que nosso S,enhor é tantas vezes tratado no altar por próprios ministros dEle, os sacerdotes.


Muito ainda há de ser feito pela restauração da fé, da liturgia e pela salvação das almas. No meio da Crise da Igreja, é como se os desafios da evangelização se duplicassem em peso. Contudo, sendo um religioso ou um mero leigo, os verdadeiros devotos da Virgem Santíssima devem ter a coragem de trabalhar como se fossem os apóstolos dos últimos tempos, preditos por são Luís de Montfort no Tratado da Verdadeira Devoção (T.V.D. n.48). Incansavelmente, pois lembremos que é por Cristo que todo apostolado deve ser feito e Ele nos basta!


S
egue também, para um breve leitura, o link do boletim Pugna da Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM.

Clique para abrir o arquivo
Este, em especial, foi distribuído na Jornada Mundial da Juventude 2013 como convite aos jovens a conhecerem a maravilha que é a Santa Missa de São Pio V.
Recordando, os leitores poderão imprimir (frente e verso e de preferência em papel chamex colorido) e entregar aos fiéis católicos como forma de apostolado.

Mãe do Bom Conselho, rogai por nós!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

ENTREVISTA COM O LEITOR FELIPE

"Não tinha ideia da grandeza e profundidade
 do rito extraordinário da Santa Missa"

Blog: Fale um pouco sobre o senhor, prezado Felipe.

Felipe: Sou, pela graça de Deus, um jovem católico, hoje decidido pela única Igreja de Cristo e totalmente confiante na proteção e auxilio de Nossa Senhora. Nasci em 1991 e desde muito cedo me senti atraído pela vida sacerdotal, apesar de minha mãe frequentar o protestantismo. O clima em minha casa era de total indiferença para com a Igreja Católica e, até mesmo, de propensão à supertição e a leviandade. Agradeço a Deus por, apesar de estar em uma família desventurada, haver me protegido de toda uma atmosfera de aceitação de princípios, inclusive, espíritas, e de uma evidente desestrutura moral. Para se ter uma ideia só pude ser batizado aos 14 anos de idade e por iniciativa pessoal, uma vez que a fé católica não tinha valor aos olhos daqueles que conviviam comigo.

Blog: Como o senhor conheceu a Tradição?

Devoção particular do entrevistado
Felipe: Hoje sou seminarista e, durante a formação, mantive contato com um membro da SSVM a qual aprendi a respeitar por sua seriedade e dedicação. Antes eu não tinha conhecimento de toda a riqueza da Tradição. Não tinha ideia da grandeza e profundidade do rito extraordinário da Santa Missa, conhecido como de São Pio V. Desconhecia tantos pontos da doutrina hoje desprezados por padres modernistas e que incutiam em nós a heresia e o relativismo. Conhecer a Tradição através da SSVM, seus blog e boletins, abriu diante de meus olhos um universo outrora desconhecido e pelo qual quero dedicar meus esforços e minha vida.

Blog: Como o senhor analisa a situação atual da Igreja?

Felipe: Para eu responder essa questão que a meu ver poderia gerar páginas e páginas, iniciarei com uma frase belíssima de São Pio X: “Quem segue a Tradição nunca erra. Os verdadeiros católicos, são aqueles que seguem a Tradição”, disse um dia São Pio X.
São Pio X
Bem, como vimos, infelizmente, podemos classificar atualmente católicos verdadeiros e pseudo-católicos. A heresia modernista tão condenada por São Pio X foi exaltada e posta no altar que antes era de Nosso Senhor.

Hoje a “leprosidade” do relativismo corroeu de tal forma a Igreja de Cristo que já quase não sabemos como separar o joio do trigo. Muitos de nossos sacerdotes se venderam aos vícios, nossos seminários já perderam a identidade e tudo em nome de uma abertura que nunca ocorreu corretamente.

As virtudes católicas (tão exaltadas em um passado) já foram taxadas como “bregas”, nossos fieis já não possuem convicção no que creem e em quem creem. A cada dia surgem novas seitas protestantes, e novas heresias que brotam do próprio seio da Igreja, pois as pessoas começaram a achar que podem falar de seus “achismos” e apresentá-los como dogmas.

O que nos resta é rezar, e pedir a doce proteção de Maria Santíssima para que se cumpra as promessas de seu Filho: “As portas do inferno não prevalecerão”. E depositar nossa confiança em que surjam novos “cruzados” para defender, propagar e ensinar a verdade.



Maria Sempre!

sábado, 3 de novembro de 2012

Boletins Pugna - Santa Missa - Tão sublime!!! Tão desprezada!!!


É lamentável que alguns (não poucos) católicos desconheçam a divina excelência do Santo Sacrifício. Todavia, um Boletim é muito pouco para tratarmos de mistério tão sublime como esse. Ousaremos, contudo, nos limitar, nesta edição, à explicação incipiente de sua natureza (ou sobrenatureza), lançando mão de citações sobre o assunto e ressaltando as graças inestimáveis que podemos nutrir com a sua reverência. Então, o que é a Santa Missa?



Antes, digamos o que ela não é ou não deveria ser:


1 - A Santa Missa não é um “show”. O padre, no momento da celebração, não é um “astro”, apresentador de TV, cantor, ator ou palhaço de circo. A propósito, durante a Consagração, o sacerdote, independente de quem ele seja, atua “in persona Christi Capitis”, isto é, representando a pessoa do Cristo (1). Ali, o presbitério não deve ser usado como palco, palanque ou picadeiro. Afinal, “o altar representa o Corpo de Cristo, e o Corpo de Cristo está sobre o altar” (2).

2- Não é um mero “encontro fraterno”, como “teólogos” modernistas ensinam. Se o fosse, qualquer encontro de boteco entre amigos poderia ser considerado “Missa”.

3 - Não é “Grupo de Oração”. O que deve ser lembrado a alguns iniciantes (ou mesmo veteranos) da RCC.

4- Não é um “culto” (protestantes ou de paróquias – mera celebração da Palavra). E, de fato, corrigindo a muitos pa-roquianos do Brasil afora, uma “Celebração da Palavra” não é e nem se equivale à Santa Missa. Não mesmo!

5 - Não é um “ritual de candomblé”, baile de dança, festival de coreografia ou qualquer coisa sincrética e sacrílega que, infelizmente vemos acontecer pelo Brasil devido, muitas vezes, à omissão das autoridades eclesiásticas.


Então, o que é a Santa Missa?
(...)

Continue lendo aqui.



Prezados leitores, estamos divulgando e disponibilizando os boletins Pugna que a Sociedade da Santíssima Virgem - SSVM publica para conhecimento, defesa e propagação da fé. Visualise nossos boletins já publicados na pagina própria, cabeçalho superior deste blog, Boletins Pugna. Façamos apostolado, por amor a Cristo e sua Igreja!

Virgem Santíssima, rogai por nós!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

SOBRE A "MISSA DE PAULO VI"

 S.S. Paulo VI
                                                         
Prof. Pedro Maria da Cruz

É conhecido por muitos um documento enviado ao papa Paulo VI no mesmo ano da promulgação do Novo Ordo (para alguns, “Missa de Paulo VI” ou “Missa Nova”). Referimo-nos à “Carta dos Cardeais Ottaviani e Bacci” (25 de setembro de 1969) onde se trata de pontos referentes à versão preliminar do que se pretendia para o Novo Rito da Santa Missa.

Comenta-se que, apesar de ter sido assinado por dois cardeais da Igreja, entre eles o Cardeal Alfredo Ottaviani (então Prefeito da atual Congregação para a Doutrina da Fé), Paulo VI nunca teria respondido a essa importante carta. Outros, por sua vez, supõem - mesmo que a meia boca - alguma manifestação do Pontífice...

É fato que posteriormente o Cardeal Ottaviani reclamou de certo uso indevido que alguns teriam feito de seus esforços:

“... De minha parte, eu lamento somente que se tenha abusado de meu nome em um sentido que eu não desejaria, pela publicação de uma carta que eu tinha dirigido ao Santo Padre sem autorizar ninguém a publicá-la.” (Cardeal Ottaviani, carta a Dom Lafondo, ordem dos cavaleiros de Notre-Dame – Notre Doctrinale sur lê Nouvel Ordo Missae – cf. La Croix, de 23 de março de 1970, confirmation; Documentation Catholique, 67, 1970, pág. 215-216 e 343)

Porém, o conteúdo do documento é interessantíssimo e já foi objeto de relações curiosas com outros textos por parte de respeitosos autores:


Ademais, a “Carta dos Cardeais Ottaviani e Bacci”, de fato, deixam algumas interrogações que podem muito bem nos animar na continuidade dos estudos que se referem à Reforma Litúrgica de Paulo VI.

Segue abaixo um link onde se poderá ver o Documento na íntegra a nível de curiosidade. Esperamos que todos os nossos amigos possam lê-lo com muita atenção.


 Paulo VI sucedeu ao Beato João XXIII,
 e encerrou o Concilio Vaticano II
      

CARTA DOS CARDEAIS OTTAVIANI E BACCI

Roma, 25 de setembro de 1969.

Santíssimo Padre,

Tendo cuidadosamente examinado e apresentado ao escrutínio de outros a Nova Ordenação da Missa preparada pelos especialistas do Comitê para a Implementação da Constituição da Sagrada Liturgia (Consilium ad exequendam Constitutionem de Sacra Liturgia), e após longa oração e reflexão, sentimo-nos obrigados perante Deus e Sua Santidade a apresentar as seguintes considerações:

1. O seguinte Estudo Crítico é o trabalho de um grupo seleto de bispos, teólogos, liturgistas e pastores de almas. A despeito de sua brevidade, o estudo demonstra de forma bastante clara que a Novus Ordo Missae – considerando-se os novos elementos amplamente suscetíveis a muitas interpretações diferentes que estão nela implícitos ou são tomados como certos -- representa, tanto em seu todo como nos detalhes, um surpreendente afastamento da teologia católica da Missa tal qual formulada na sessão 22 do Concílio de Trento. Os “cânones” do rito definitivamente fixado naquele tempo constituíam uma barreira intransponível contra qualquer tipo de heresia que pudesse atacar a integridade do Mistério.

2. As razões pastorais apresentadas para justificar uma ruptura tão grave, ainda que tais razões pudessem ser sustentadas em face das considerações doutrinárias, não parecem ser suficientes. As inovações na Novus Ordo e o fato de que tudo o que possui um valor perene encontra ali apenas um lugar secundário – se é que continua a existir – poderiam muito bem transformar em certeza as suspeitas, infelizmente já dominantes em muitos círculos, de que as verdades que sempre foram objeto de crença pelos cristãos podem ser alteradas ou ignoradas sem infidelidade ao sagrado depósito da doutrina ao qual a fé católica está para sempre ligada. As reformas recentes demonstraram amplamente que novas alterações na liturgia não podem ser efetuadas sem levar à completa confusão por parte dos fiéis, os quais já demonstram sinais de relutância e um indubitável afrouxamento da fé. Entre os melhores clérigos, o resultado é uma agonizante crise de consciência, da qual um sem número de exemplos chega a nós diariamente.

3. Estamos certos, instigados pelo que ouvimos da voz dos pastores e do rebanho, de que estas considerações encontrarão eco no coração de Sua Santidade, sempre tão profundamente solícito às necessidades espirituais dos filhos da Igreja. Os sujeitos a quem uma lei se dirige sempre tiveram o direito, mais do que isto, o dever, de pedir ao legislador que ab-rogue esta lei uma vez que ela prove ser danosa. Portanto, em um momento em que a pureza da fé e a unidade da Igreja sofrem cruéis lacerações e um perigo ainda maior, diária e dolorosamente ecoado nas palavras de nosso Pai comum, nós fervorosamente rogamos a Vossa Santidade para que não nos prive da possibilidade de continuarmos a ter acesso à integridade fecunda do Missale Romanun de São Pio V, tão louvado por Sua Santidade e tão profundamente amado e venerado por todo o mundo católico.

Card. A. Ottaviani, Card A. Bacci

Para conferir o restante do documento:

http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=cartas&subsecao=doutrina&artigo=20070303023113&lang=bra



Maria Santíssima, rogai por nós!

sábado, 3 de dezembro de 2011

RATZINGER E O MISSAL DE PAULO VI


O então Cardeal Ratzinger



O segundo grande acontecimento no início de meus anos de Ratisbona foi a publicação do missal de Paulo VI, com a interdição quase completa do missal anterior, depois de uma fase de transição de cerca de seis meses. O fato de que, depois de um período de experiências que não raro haviam desfigurado profundamente a liturgia, se voltasse a ter um texto litúrgico obrigatório, devia ser saudado como algo de certamente positivo. Mas fiquei pasmo com a interdição do missal antigo, uma vez que nunca ocorrera algo parecido em toda a história da liturgia.

Deu-se a impressão de que isso fosse completamente normal. O missal anterior fora realizado por Pio V em 1570, dando seqüência ao Concílio de Trento; era, pois, normal que, depois de quatrocentos anos e um novo Concílio, um novo papa publicasse um novo missal. Mas a verdade histórica é outra. Pio V limitara-se a mandar reelaborar o missal romano então em uso, como no decurso vivo da história sempre ocorrera ao longo de todos os séculos. Não diferentemente dele, também muitos dos seus sucessores haviam novamente reelaborado esse missal, sem nunca contrapor um missal a outro. Sempre se tratou de um processo contínuo de crescimento e de purificação, em que, porém, a continuidade jamais era destruída. 



O então Cardeal Ratzinger celebrando o Rito Tridentino na FSSP 

Não existe um missal de Pio V que tenha sido criado por ele. Existe só a reelaboração por ele ordenada, como fase de um longo processo de crescimento histórico. O novo, depois do Concílio de Trento, tinha outra natureza: a irrupção da reforma protestante ocorrera sobretudo sob a forma de "reformas" litúrgicas. Não havia simplesmente uma Igreja católica e uma Igreja protestante uma ao lado da outra; a divisão da Igreja deu-se quase imperceptivelmente e teve a sua manifestação mais visível e historicamente mais incisiva na mudança da liturgia, que, por sua vez, foi muito diversificada no plano local, tanto que as fronteiras entre o que ainda era católico e o que  não mais o era, muitas vezes eram muito difíceis de definir. Nessa situação de confusão, possibilitada pela falta de uma norma litúrgica unitária e pelo pluralismo litúrgico herdado da Idade Média, o Papa decidiu que o Missale Romanum, o texto litúrgico da cidade de Roma, uma vez que seguramente católico, devia ser introduzido em todos os lugares onde não se pudesse reivindicar uma liturgia que datasse de pelo menos duzentos anos antes. Onde isto ocorria, podia-se conservar a liturgia precedente, dado que o seu caráter católico podia ser considerado certo. Não se pode de fato, pois, falar de um interdito em relação aos missais anteriores e até aquele momento regularmente aprovados. Agora, ao contrário, a promulgação da interdição do missal que se desenvolvera ao longo dos séculos, desde o tempo dos sacramentais da antiga Igreja, implicou uma ruptura na história da liturgia, cujas conseqüências só podiam ser trágicas.

Como já ocorrera muitas vezes antes, era totalmente razoável e estava plenamente em linha com as disposições do Concílio que se chegasse a uma revisão do missal, sobretudo em consideração da introdução das línguas nacionais. Mas naquele momento ocorreu algo mais: fez-se em pedaços o edifício antigo e se costruiu um outro, ainda que com o material de que era feito o edifício antigo e utilizando também os projetos anteriores. Não há nenhuma dúvida de que esse novo missal continha em muitas das suas partes autênticas melhorias e um real enriquecimento, mas o fato de que ele tenha sido apresentado como um edifício novo, contraposto ao que se formara ao longo da história, que se proibisse este último e se fizesse de certo modo a liturgia aparecer não mais como um processo vital, mas como um produto de erudição especializada e de competência jurídica, trouxe-nos danos extremamente graves. 



A chamada "missa afro" 

 Foi assim, de fato, que se desenvolveu a impressão de que a liturgia seja "feita", que não seja algo que existe antes de nós, algo de " dado", mas que dependa das nossas decisões. Segue-se daí, por conseguinte, que não se reconheça esta capacidade decisional só aos especialistas ou a uma autoridade central, mas, em definitivo, cada "comunidade" queira fazer sua própria liturgia. Mas quando a liturgia se torna algo que cada um faz por si mesmo, ela não nos dá mais aquela que é a sua verdadeira qualidade: o encontro com o mistério, que não é um produto nosso, mas a nossa origem e a fonte da nossa vida.


Virgo Mariae, ora pro nobis!

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Cardeal Ratzinger, A Minha Vida.


quarta-feira, 1 de junho de 2011

"Cardeal kurt Koch: "Bento XVI bem sabe..."



Apresentamos abaixo os principais excertos da conferência pronunciada pelo Cardeal Kurt Koch, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos,  no congresso Summorum Pontificum, em Roma, no último sábado, publicados no Osservatore Romano. Na mesma conferência, acrescenta Messa in Latino, o Cardeal se referiu jocosamente à mudança de posicionamento dos altares no pós-concílio: “Não ocorre que ninguém jamais tenha lamentado o fato de um motorista de ônibus olhar para a estrada e dar as costas aos passageiros!”.
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Do antigo rito, uma ponte para o Ecumenismo.

“Uma esperança para toda a Igreja” é o título do III congresso sobre o motu proprio Summorum Pontificum de Bento XVI que ocorreu hoje, sábado, 14 de maio, junto à Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino, do qual participaram, entre outros, o Cardeal Antônio Cañizares Llovera, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, o Cardeal Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e o Secretário da Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei”.



Cardeal Kurt Koch no Congresso Summorum Pontificum de 2011. Foto: Messa in Latino.
“A reforma da Liturgia não pode ser uma revolução. Essa deve tentar colher o verdadeiro sentido e a estrutura fundamental dos ritos transmitidos pela Tradição e, valorizando prudentemente o que já está presente, devendo-o desenvolver  ulteriormente de maneira orgânica, indo ao encontro das exigências pastorais de uma liturgia vital”. Com estas palavras iluminadoras, o grande liturgista Josef Andreas Jungmann comentou o artigo 23 da constituição sobre a sagrada Liturgia do Concílio Vaticano II, onde são indicados os ideais que “devem servir de critério para toda reforma litúrgica”e sobre os quais Jungmann disse: “São os mesmos que foram seguidos por todos aqueles que com acuidade pediram a renovação litúrgica”. Diversamente, o liturgista Emil Lengeling afirmou que a constituição do Concílio ensinou o “fim da idade media na Liturgia e operou uma revolução copernicana na compreensão e na práxis litúrgica”.
Eis aqui mencionadas as duas faces interpretativas e opostas, que constituem o ponto crucial da controvérsia desenvolvida em torno da Liturgia depois do Concílio Vaticano II: a reforma Litúrgica pós-conciliar deve ser tomada como “re-forma” no sentido de um retorno à forma originária e, portanto, como ulterior fase ao interior de um desenvolvimento orgânico da Liturgia, ou esta reforma vai entendida como uma ruptura com toda a tradição católica e mesmo a ruptura mais evidente que o Concílio tenha realizado, ou seja, como a criação de uma nova forma?
O fato que os padres conciliares entendessem a reforma somente no sentido da primeira afirmação foi mostrado profundamente por Alcuin Reid. Todavia, em amplos círculos no interior da Igreja Católica se impôs cada vez mais a segunda impostação, que vê na reforma litúrgica uma ruptura radical com a Tradição e quer mesmo promovê-la. Este desenvolvimento conduziu, na compreensão e na prática litúrgica, a novos dualismos.
É certo que o Motu próprio poderá dar passos avante no ecumenismo somente se as duas formas do único Rito Romano, nele mencionado, ou seja, a forma ordinária de 1970 e a extraordinária de 1962, não forem consideradas como uma antítese, mas como um mútuo enriquecimento.  Porque o problema ecumênico se encerra nesta questão hermenêutica fundamental.
Um primeiro dualismo afirma que antes do Concílio a Santa Missa era entendida sobretudo como sacrifício e que depois do Concílio ela foi redescoberta como ceia comum. No passado naturalmente se falou da Eucaristia como de um “sacrifício da Missa”. Hoje, porém, este aspecto não somente é menos conhecido, mas foi até mesmo deixado de lado ou simplesmente esquecido.
Nenhuma dimensão do mistério eucarístico se tornou tanto contestada depois do Concílio Vaticano II quanto a definição da Eucaristia como sacrifício, seja como sacrifício de Jesus Cristo, seja como sacrifício da Igreja, ao ponto que este conteúdo fundamental da fé católica acabe completamente no esquecimento. Contra tal dualismo, o  Catecismo da Igreja Católica mantém unido o que é indivisível: “A Missa é ao mesmo tempo e inseparavelmente o memorial do sacrifício no qual se perpetua o sacrifício da Cruz, e o sagrado banquete da comunhão no Corpo e Sangue do Senhor”.
Um ulterior dualismo em torno do qual tende a polarizar-se a visão de uma liturgia pré-conciliar e de uma pós-conciliar sustenta que, antes do Concílio, era somente o sacerdote o sujeito da liturgia, enquanto que depois do Concílio, a assembléia foi elevada ao papel de honra de sujeito da celebração litúrgica. É certo e indiscutível que, no curso da história, o papel originário de todos os fiéis como co-sujeitos da liturgia foi pouco a pouco diminuindo e que o ofício divino comunitário da Igreja Primitiva, no sentido de uma liturgia que via partícipe a inteira comunidade tenha assumido sempre mais o caráter de uma missa privada do clero. A existência de uma continuidade de fundo entre a liturgia antiga e a reforma litúrgica promovida pelo Concílio Vaticano II transparece da ampla e profunda visão da Constituição Litúrgica, segundo a qual o culto público e integral é exercitado “pelo Corpo Místico de Jesus Cristo, isto é, pela Cabeça e membros” e toda celebração litúrgica deve portanto ser considerada como “obra de Cristo Sacerdote e do seu corpo, que é a Igreja”. O Catecismo acrescenta depois: “alguns fiéis são ordenados mediante o sacramento da Ordem para representar Cristo como Cabeça do Corpo”.
À luz do primado cristológico deveria ser evidente que a liturgia cristã encontra o seu sentido mais profundo na glorificação e na adoração do Deus Trino e, portanto, na santificação dos homens. Também esta dimensão fundamental da liturgia se tronou vítima de um ulterior dualismo no Período pós-conciliar, ou seja, foi sempre mais absorvida pelo conceito de participação. Aqui se trata, porém, de uma falsa contraposição. Nós podemos e devemos comer o alimento eucarístico também com os olhos e penetrar assim no mistério eucarístico, a fim de que ele depois se revele plenamente no comer o Corpo do Senhor e beber seu Sangue. Mesmo Santo Agostinho gostava de sublinhar que ninguém deve comer “desta Carne” se antes não a adorou: “Nemo autem illam carnem manducat, nisi prius adoravit”.
Entre a liturgia antiga e a reforma pós-conciliar não há ruptura radical, mas uma continuidade de fundo. Somente sob essa luz é possível compreender o Motu próprio Summorum Pontificum do Papa Bento XVI. O Santo Padre não entende a história litúrgica como uma série de rupturas, mas como um processo orgânico de crescimento, de maturação e auto-purificação no qual, naturalmente, se podem verificar desenvolvimentos e progressos sem que continuidade e identidade sejam destruídas. Para o Papa, portanto, não pode haver uma contraposição entre a liturgia de 1962 e a liturgia reformada pós-conciliar. Em contraste com esta clara visão de desenvolvimento orgânico,  a reforma conciliar é considerada em amplos círculos da Igreja Católica como uma ruptura com a tradição e uma nova criação; essa gerou uma controvérsia sobre a liturgia que, vivida emocionalmente, continua ainda hoje a fazer-se ouvir. Com o motu próprio Summorum Pontificum, Papa Bento XVI quis contribuir à resolução de tal disputa e à reconciliação no interior da Igreja. O motu proprio promove, de fato, se assim se pode dizer, um “ecumenismo intra-católico”. Mas isto pressupõe que a antiga liturgia antiga seja entendida também como uma “ponte-ecumênica”. De fato, se o ecumenismo intra-católico falha, a controvérsia católica sobre a liturgia se estenderá também ao ecumenismo e a liturgia antiga não poderá desenvolver a sua função ecumênica de construir pontes.
Mesmo que o motu proprio queira favorecer a paz intra-eclesial, não seria justo vê-lo somente como uma concessão aos católicos que propendem à liturgia antiga, como a Fraternidade Sacerdotal São Pedro ou os seguidores do Arcebispo Marcel Lefebvre. O Papa Bento XVI está convicto que a forma extraordinária do rito romano seja um patrimônio precioso que não deve ser relegado ao passado, mas que deve ser acessível também no presente como no futuro,como sublinhou na carta que acompanhou o motu proprio: “Isto que para as gerações anteriores era sagrado, também para nós permanece sagrado, e não pode ser repentinamente totalmente proibido ou, mesmo, julgado como danoso. Nos faz bem a todos conservar as riquezas que cresceram na fé e da oração da Igreja, e lhes dar o justo lugar”.
Isto revela claramente qual é a intenção que anima o motu próprio. O Papa retém que hoje é indispensável um novo movimento litúrgico, que no passado ele definiu como uma “reforma da reforma” da liturgia. O Santo Padre, de fato, é do parecer que a reforma litúrgica pós-conciliar tenha trazido muitos frutos positivos, mas que também os desenvolvimentos litúrgicos do pós-Concílio apresentem também muitas zonas de sombra, devidas em grande parte ao fato que: “o conceito de mistério pascal do Concílio não foi suficientemente mantido presente”: “Se parou em demasia em muitos aspectos puramente práticos, correndo o risco de perder de vista o essencial”. Eis porque é licito perguntar-se, de modo crítico, se na reforma litúrgica pós-conciliar foram verdadeiramente realizados todos os desejos dos padres conciliares, ou se, sob diversos aspectos, as afirmações fundamentais da constituição sobre a sagrada liturgia permaneceram não cumpridas ou mesmo se, nos desenvolvimentos litúrgicos do pós-Concílio se tenha ido intencionalmente além de tais afirmações. Que seja não só legítimo mas também apropriado fazer uma distinção entre a constituição sobre a sagrada liturgia, a reforma litúrgica pós-conciliar e os sucessivos desenvolvimentos litúrgicos é provado pelo fato que os próprios Teólogos que se empenharam no movimento litúrgico ou que tinham participado nos trabalhos do Concílio se tornaram logo sérios críticos dos desenvolvimentos litúrgicos pós-conciliares.
A partir daqui transparece também o sentido mais profundo da reforma da reforma iniciada pelo Papa Bento XVI com o motu próprio: assim como o Concílio Vaticano II foi precedido por um movimento litúrgico, cujos frutos maduros foram levados para o seio da constituição sobre a sagrada liturgia, também hoje há necessidade de um novo movimento litúrgico, que se proponha como objetivo, o de fazer frutificar o verdadeiro patrimônio do Concílio Vaticano II na atual situação da Igreja, consolidando ao mesmo tempo, os fundamentos teológicos da liturgia. Para fazer isto é necessário não somente a revitalização do primado cristológico, da dimensão cósmica e do caráter latrêutico da liturgia, mas também, e sobretudo, a redescoberta do significado basilar do mistério pascal na celebração da liturgia cristã.
Deste novo movimento litúrgico, o motu proprio constitui somente o início. Bento XVI, de fato, bem sabe que, a longo termo, não podemos permanecer numa coexistência entre a forma ordinária e a forma extraordinária do rito romano, mas que a Igreja terá novamente necessidade no futuro de um rito comum. Todavia, porque uma nova reforma litúrgica não pode ser decidida sobre uma mesa de escritório, mas requer um processo de crescimento e de purificação, o Papa para o momento sublinha sobretudo que as duas formas do uso do rito romano podem e devem se enriquecer mutuamente. Ele indica também como: “Na celebração da missa segundo o missal de Paulo VI poderá manifestar-se, de maneira mais forte do que o é agora, aquela sacralidade que atrai muitos ao antigo uso. A garantia mais segura que o missal de Paulo VI possa unir as comunidades paroquiais e seja por eles amado consiste no celebrar com grande reverência em conformidade com as prescrições, o que torna visível a riqueza espiritual e a profundidade teológica deste missal”.
Aqueles que, ao contrário, refutam o postulado de um novo movimento litúrgico e vêem no motu próprio um passo atrás com respeito ao Vaticano II, verossimilmente entendem a reforma litúrgica pós-conciliar como um ponto de chegada, que deve ser defendido com todas as forças, segundo o rígido conservadorismo de muitos progressistas. Esses não somente não consideram os desenvolvimentos históricos da liturgia como um processo orgânico de crescimento e de maturação, mas rejeitam também a hermenêutica da reforma solicitada por Bento XVI para a interpretação do Concílio Vaticano II. Preferem, de fato, sustentar a hermenêutica da descontinuidade e da ruptura, considerada inadequada pelo Papa, aplicando-a, sobretudo, ao campo da liturgia e do ecumenismo. Também o decreto sobre o ecumenismo tem, de fato, assinalado um novo início nas relações entre a Igreja Católica, as Igrejas e as Comunidades eclesiais não católicas. Mas nem mesmo esta nova reviravolta ecumênica comportou uma ruptura com a tradição, como mostra o simples fato que não seria nunca possível se no período pré-conciliar não fossem já presentes, no seu estado embrionário, também no interior da Igreja Católica.
Aflora, assim, a real importância ecumênica do motu próprio Summorum Pontificum. Posto que Bento XVI não aplicou simplesmente a hermenêutica da reforma somente à liturgia, mas solicitou esta hermenêutica, em primeiro lugar, justamente, para a constituição conciliar sobre a sagrada liturgia. É precisamente neste campo que aparecem com clareza os dois diversos tipos de hermenêutica que podem ser seguidos: a hermenêutica da reforma, que toma consciência de desenvolvimentos e progressos, mas que vê uma continuidade de fundo com a tradição; ou a hermenêutica da descontinuidade e da ruptura, que contrapõe liturgia e portanto também a Igreja, pré-conciliar e a liturgia e a Igreja pós-conciliar e rescinde o ligame com a tradição. É justamente aqui que reside a questão fundamental para o futuro da Igreja Católica e, ao mesmo tempo, para a credibilidade do seu ecumenismo. Também neste sentido o motu proprio Summorum Pontificum se revela importante em nível ecumênico verdadeiramente sólido, somente se ele é, antes de tudo, percebido e recebido como “uma esperança para toda a Igreja”.
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Kurt Koch
Tradução: Pe. Samuel Pereira Viana, a quem agradecemos a gentileza.