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segunda-feira, 14 de março de 2016

PAPA PAULO VI: O DIREITO CANÔNICO


“O Direito canônico, como tudo o que existe na Igreja, 
ordena-se totalmente para o bem das almas”

“A caridade ocupa, sem dúvida, o lugar mais importante. 
Mas a caridade não pode subsistir sem a justiça, expressa nas leis.”

Prof. Pedro Maria da Cruz

Papa Paulo VI
“Não ignoramos, igualmente, os numerosos e funestos preconceitos que surgem contra o Direito Canônico. São muitos aqueles que exaltando a liberdade, a caridade, os direitos da pessoa humana e a índole carismática da Igreja, criticam com hostilidade as instituições canônicas, procurando diminuir a importância das mesmas, depreciando-as e até pretendendo a sua eliminação, como se fossem ‘estruturas’ impostas extrinsecamente, que diminuem o caráter espiritual da mensagem evangélica e obrigam a liberdade de que os filhos de Deus devem gozar. Daqui nasce uma forma peculiar de comportamento em oposição a qualquer autoridade legítima, e que alguns pretendem sancionar com a autoridade do Concilio Vaticano II.

Confessamos que as leis canônicas em que o chamado ‘juridicismo’ predomina de tal forma que enfraqueça o aspecto espiritual da igreja – as leis que não se fundarem no dogma católico; que não salvaguardem suficientemente a perfeição humana; que impedirem o progresso da vida religiosa – não correspondem absolutamente ao espírito e às normas diretivas que o Concilio deu para a renovação da vida cristã.

Mas o Concilio não só não rejeita o Direito Canônico, isto é, as normas pelas quais são definidos os deveres e com as quais são salvaguardados os direitos dos membros da Igreja, mas também postula energicamente este direito como consequência lógica, necessariamente derivada do poder que Jesus Cristo confiou à sua Igreja, e como um elemento que pertence à mesma natureza da Igreja. Daqui, a exortação do mesmo Concílio: ‘no ensinamento do Direito canônico [...] tenha-se em conta o mistério da Igreja’.

Esta união do Direito canônico com o mistério da Igreja é explicitada pelo próprio Concílio [...]. Desta forma, manifesta-se claramente a natureza própria da lei eclesiástica, que é espiritual: ‘o Direito canônico, como tudo o que existe na Igreja, ordena-se totalmente para o bem das almas [...]. Tanto o administrador dos assuntos eclesiásticos, como o juiz, o ministro das coisas sagradas e o conselheiro dos fiéis devem pensar constantemente que têm de dar contas da salvação das almas.’ (AAS,45,1973,688).

‘no ensinamento do Direito canônico [...]
 tenha-se em conta o mistério da Igreja’.
De tudo o que foi dito até agora, deduz-se que a legislação canônica não deve ser considerada como um elemento estranho na Igreja, ou como um impedimento que retarda a expansão da vida cristã. Pelo contrário, a sua função própria na Igreja consiste em sancionar e proteger tudo o que se julga conveniente para viver com maior fidelidade e constância uma existência cristã. Por isso, não pode realizar-se uma ação pastoral verdadeiramente eficaz, se esta não tiver, ao mesmo tempo, uma firme tutela na sábia ordenação de alguns estatutos jurídicos.

A caridade ocupa, sem dúvida, o lugar mais importante. Mas a caridade não pode subsistir sem a justiça, expressa nas leis. As duas caminham juntas e devem completar-se mutuamente, porque derivam de uma fonte, que é Deus.”

(S.S. Paulo VI na audiência de 14 de dezembro de 1973 aos participantes no terceiro curso de atualização em Direito Canônico in Sedoc, 6, 1974, col. 1153-1155).

FONTE: GONÇALVES, Pe. Mário L. Menezes. Introdução ao Direito Canônico. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004; p. 215-217.


MARIA SEMPRE!


sábado, 3 de janeiro de 2015

RATZINGER E O CONCÍLIO VATICANO II

Concílio Vaticano II 1962 - 1965
 iniciado por São João XXIII e encerrado pelo Beato Paulo VI

Postado por editores do blog


Filósofo ateu Paolo d' Arcais (1944)
No ano 2000, o então cardeal Ratzinger (hoje papa emérito) participou de um debate acalorado com o filósofo ateu Paolo F. d´Arcais em torno do tema: Deus existe? - debate conduzido por Gad Lerner no Teatro Quirino de Roma perante uma multidão. A certa altura surge uma questão referente ao Vaticano II, evento do qual participou o próprio Ratzinger. Segue abaixo sua resposta que mostra já naquela época uma crescente preocupação a respeito das consequências surgidas devida vários fatores no período pós conciliar.

†††


"GAD LERNER: Antes de ser bispo, o jovem teólogo Ratzinger participou com entusiasmo dos trabalhos daquele Concilio, sendo até mesmo um elemento, digamos, fortemente favorável à inovação.

O Cardeal Ratzinger, quarenta anos depois, vê naquele evento um dos elementos da crise do cristianismo europeu? Ou seja, houve uma mudança no senhor?

O então pe.Ratzinger atuou no 
Concílio Vaticano II como perito.
 Ele foi eleito Papa em 2005.
JOSEPH RATZINGER: Uma mudança, não. Eu sempre penso que aquele esforço era necessário, que era o momento de abrir novos caminhos da linguagem e do pensamento teológicos e de buscar um novo encontro com o mundo e uma nova profundidade da fé, principalmente também no diálogo com nossos irmãos, as igrejas não católicas.

Nesse sentido, parece-me que foi um acontecimento providencial, necessário, mas com isso... com a comparação à intervenção cirúrgica também queria mostrar que um evento benéfico não necessariamente implica, de imediato, os efeitos positivos esperados. E nisso tenho um ilustre predecessor, o grande teólogo Gregório de Nacianceno, justamente definido como ‘o’ teólogo. Ele, tendo sido convidado pelo imperador ao Concílio de Constantinopla, após as experiências anteriores que tivera em outros concílios, disse: ‘Nunca mais irei a um Concílio, porque só cria confusão’; esse era seu desespero.

Eu não me expressaria assim, mas se ele disse... Um concilio é - como mensagem, como ação, digamos, como intervenção profunda na vida das Igrejas - necessário, mas, ao mesmo tempo, provoca novas complicações... e estamos em uma fase na qual temos de enfrentar essas complicações."

FONTE: RATZINGER, Joseph; D'ARCAIS, Paolo F. Deus existe? Trad. Sandra M. Dolinshy. São Paulo: Ed. Planeta do Brasil, 2009; p. 84-85. *O negrito é nosso
MARIA SEMPRE!

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O PAPA PODE ERRAR QUANDO ENSINA?

Papa Pio IX proclama Dogma da Infalibilidade papal - 1870


Prof. Pedro Maria da Cruz


“A opinião que então o Papa expunha não era conforme à verdade. A discussão entre Franciscanos e Dominicanos mais se acendeu.” (Pe. Bujanda -1953)

 Nós somos felizes por termos sido fundados em um homem de “Pedra” (São Pedro - Kephas). Ele é a base firme e visível que dá solidez ao edifício da verdade cuja causa primeira é o próprio Deus. Foi o que escrevera no século XVII, Padre Antônio Vieira: “Arruinou-se-lhe o primeiro edifício, porque o fundou em um homem de barro; para que se lhe não arruíne o segundo, funda-o em um homem de pedra”[1]

São tão grandes em dignidade e importância os sucessores de São Pedro que, em virtude de seu oficio, eles gozam, inclusive, de infalibilidade no magistério quando, em seu ensino universal, como Pastores e Doutores supremo de todos os fiéis, proclamam, por ato definitivo, que se deve aceitar uma doutrina sobre a fé e os costumes[2]

Porém, surge uma questão incômoda: “Mas, e em seu ensino privado, os papas podem errar?” Disponibilizamos a seguir aos leitores de nosso blog um interessante fato histórico que ajudará a responder essa demanda. Ademais, o próprio padre Bujanda, autor do texto, já nos esclarece a dúvida em seus comentários...


O PAPA PODE ERRAR EM SEU ENSINO PRIVADO...

O papa João XXII errou no ensino privado
 “No século XIV discutiu-se com ardor entre Franciscanos e Dominicanos se os prêmios dos bem-aventurados e os castigos dos prescritos começavam já em toda a sua plenitude após a morte ou depois do juízo final, em sendo pronunciada a sentença pelo supremo Juiz de vivos e mortos.
Houve, nessa altura, um Papa, João XXII, que se inclinava ao parecer dos Menores, os quais afirmavam que só depois do Juízo final começariam os bem-aventurados a gozar da visão de Deus no céu, e os réprobos a sofrer as penas do inferno.


Num sermão que esse Pontífice pregou no dia de Todos os Santos, em 1331, em Avinhão (França), onde então residia, expôs as seguintes ideias:

O prêmio dos santos, antes da vinda de Cristo, era o seio de Abraão. Depois da vinda de Cristo e da sua ascensão aos céus, tal prêmio até ao dia de Juízo será estar sob o altar (Alusão a certas palavras do Apocalipse, VI, 9), isto é, protegidos e consolados pela humanidade de Cristo. Depois do dia do Juízo será, pelo contrário, estar sobre o altar, porque depois desse dia verão não só a humanidade mas também a divindade, tal como é em si.

Noutro sermão expressou-se deste modo:
 
‘Dizemos que as almas separadas dos corpos não possuem a vista da divindade, na qual consiste o prêmio total dos santos, segundo S. Agostinho, nem terão antes da ressureição (final). Possui-la-ão quando ressuscitarem com os corpos porque tal prêmio se atribuirá ao composto de alma e corpo, quando o homem inteiro for feliz com essa visão. E digo com S. Agostinho: ‘Se estou em erro quem souber mais do que eu, corrija-me’.

A 5 de Janeiro do ano seguinte, disse novamente num sermão:

‘Da visão de Deus dissemos já o suficiente em dias anteriores. Como Deus não é mais pronto para castigar do que para premiar, não dará o castigo ao maus antes de dar o premio aos bons. Mas já dissemos que os bons não entram na vida eterna antes do dia de Juízo. Logo nem sequer os maus irão, antes desse dia, para os tormentos eternos do inferno onde há pranto e ranger de dentes.’ (Veja-se Dictionnaire de théologie, de Vacant Mangenot, Benoit XII, colunas 658 e segs.) 

Assim o Papa, fora do exercício das funções de Pastor e Mestre universal, defendia apenas como pregador, que a recompensa dos predestinados e o castigo dos réprobos não começariam na sua plenitude antes do dia de Juízo.

Como se vê, não se tratava de saber se com a morte ficava irrevogavelmente definido o nosso destino para toda a eternidade, mas unicamente quando começariam com toda a sua força os prêmios ou os castigos.


O papa não é infalível quando fala como
 orador particular e expõe a sua opinião
 num ponto doutrinal ainda indefinido.

Além disso, qualquer pessoa, medianamente instruída em Teologia, sabe perfeitamente que isto nada tem que ver com a infalibilidade pontifícia. O Papa é infalível quando define que uma verdade é de fé, por exemplo, a Imaculada Conceição, ou a Assunção de N. Senhora ao Céu e em outras ocasiões menos solenes. Mas já não o é quando, como no caso presente, fala como orador particular e expõe a sua opinião num ponto doutrinal que não está definitivamente resolvido ou não se sabe com certeza que o esteja

 

A opinião que então o Papa expunha não era conforme à verdade. A discussão entre Franciscanos e Dominicanos mais se acendeu. O Rei de França interveio para que se declarasse qual era a verdadeira doutrina. A morte, porém, impediu aquele Pontífice de decidir a questão. Ao morrer acreditava no contrário do que pregara. Acreditava, portanto, que prémios e castigos começavam a seguir à morte.

Bento XII, seu sucessor, logo desde o principio do seu pontificado quis pôr termo à controvérsia. Ordenou a ambos os partidos contendores que estudassem a questão. E quando tudo estava preparado, a 29 de Janeiro de 1336 durante a solene celebração da Missa, promulgou a sua celebérrima constituição Benedictus Deus da qual extraímos as seguintes passagens. 

 ‘Por esta Constituição, que há de valer para sempre, definimos com autoridade apostólica, que segundo a disposição geral de Deus, depois da ascensão aos céus do Salvador e Senhor nosso Jesus Cristo, as almas de todos os que receberam o batismo e nada tinham que expiar e também todas as que deviam dar uma satisfação, uma vez que a deram, imediatamente depois da morte, e antes de serem de novo unidas a seus corpos, antes do Juízo universal, estiveram, estão e estarão, no Céu com Cristo, no reino e paraíso celestial, agregadas à sociedade dos santos anjos; que vêem a essência divina face a face com visão intuitiva e que tal com tal visão e gozo são verdadeiramente felizes e possuem a vida e o descanso eternos. Definimos, mais, que as almas dos que morreram em pecado mortal, imediatamente depois da sua morte descem ao inferno onde são atormentadas com suplícios infernais... ’”

Fonte: BUJANDA, P. Teologia do Além. Trad. Joaquim A. de Souza. Porto: Livraria Apostolado da Imprensa, 1953; p. 14-18 (o negrito é nosso) 



MARIA SEMPRE!


BIBLIOGRAFIA:

- VIEIRA, Pe. Antônio. Sermões. Vol. VIII (De São Pedro). Erechim: ELDEBRA, 1998; p.237
- Código de Direito Canônico (CDC) - Cân. 749 - §1 e §2.
- BUJANDA, P. Teologia do Além. Trad. Joaquim A. de Souza. Porto: Livraria Apostolado da Imprensa, 1953; p. 14-18.
[1] VIEIRA, Pe. Antônio. Sermões. Vol. VIII (São Pedro). Erechim: ELDEBRA, 1998; p.237 [2] Código de Direito Canônico (CDC) - Cân. 749 - §1. Conferir o §2. (Também o colégio dos bispos goza de infalibilidade no magistério; porém a seu modo...)

quarta-feira, 23 de abril de 2014

APONTAMENTOS SOBRE O PAPADO - Parte II

  
“Dentre todos os homens do mundo, Pedro foi o único escolhido para estar à frente de todos os povos chamados à fé.” (São Leão Magno, Séc.V)

Prof. Pedro Maria da Cruz

São Pedro recebe as chaves do Reino dos Céus
A fim de compreendermos a importância do papado, olhemos para as Escrituras e, na figura de São Pedro - primeiro papa - aprendamos a grandeza e a centralidade dessa obra do Espírito Santo. O papado é, com efeito, o ponto central que (em Cristo e por Sua virtude), atrai a si todas as coisas mantendo-as suspensas em sua luz, para, com influxo sobrenatural, estabelecer de fato a ordem predestinada por Deus desde toda a eternidade.

O “Trono de Pedro” é, deste modo, a mão visível do divino Salvador atuando sobre o mundo. O perpétuo fundamento da unidade (Lumen Gentium, 18) é finalmente, o meio supremo utilizado por Deus para fazer cumprir Sua vontade sobre a terra.

Olhemos para São Pedro! Nele podemos admirar o protótipo de todos os Vigários de Cristo. Mas, será que esse humilde pescador possuía mesmo toda a grandeza que professamos? Foi ele, de fato, o primeiro líder da Igreja universal?

Sim, por graça de Deus...

Quem negará a primazia conferida a Pedro no grupo dos doze? Ele aparece sempre em primeiro lugar, o primaz, por ser o príncipe dos apóstolos (Mt. 10,2-4; Mc. 3,16-19; Lc.6,13-16; At.1,13). O termo grego PRÓTOS, traduzido na Bíblia por “primeiro”, refere-se também à posição de honra, excelência e dignidade; para além da mera designação numérica.

Ademais, é Simão Pedro - o superior - quem fala em nome de todos os Apóstolos como o chefe inconteste (Jo. 6, 69-70; Mt. 15, 16; 19, 27).Isso é tão verdade que ao citar o seu nome alguns autores bíblicos chegam a omitir o nome dos restantes (Mc. 16,7; At. 2,14; 5,29 etc.). É por sua prevalência sobre os apóstolos que Cristo lhe dedica uma atenção especial, por exemplo, ao mudar-lhe o nome para Cefas (Pedra, sobre a qual edificaria a Igreja) ou dirigir-se-lhe com destaque frente aos outros (Mt. 17,27; Mt. 26,37). É a ele, e somente a ele, que Cristo determina a obrigação de confirmar os irmãos na fé (Luc. 22, 31-32), mesmo sabendo que o negaria por três vezes.

É Pedro quem opera o primeiro milagre em confirmação do que se deve crer (At. 3, 7 ss); é ele – e não poderia ser outro - quem determina a eleição de um sucessor para Judas, o traidor (At.1, 15 ss); além do mais “indo por toda parte”  (At.9, 31-32) qual general que passa em revista às suas tropas ,demonstra sua posição de mando em todas as comunidades cristãs. Por sua superioridade no grupo apostólico é que, no Concílio de Jerusalém, após suas palavras, “toda assembleia se calou” (At. 15,12); e, se Tiago falou por último não foi senão para confirmar a decisão que ele manifestara.

É Pedro quem, como chefe da Igreja, por primeiro anuncia a boa nova aos gentios; assim como, anuncia o Evangelho aos judeus na festa de Pentecostes. A ele é dado de modo singular o “poder das chaves” (Mt. 16,19), e só em outro momento Nosso Senhor dirige-se aos demais para falar-lhes sobre o assunto - mas sempre em união com Pedro. “Ninguém, absolutamente ninguém, nenhum ser humano recebeu de Deus tamanha autoridade.” (DELLEGRAVE, pg.34). Sua primazia era, como se pode perceber, evidente para todos “(...) até ao ponto de trazerem para as ruas os enfermos e colocá-los nos leitos para que chegando Pedro, ao menos sua sombra os cobrisse” (At. 5,15). Sim, sua autoridade era de fato evidente. Por exemplo, é ante as palavras de Pedro que Ananias e Safira caem mortos, pois haviam desobedecido ao mandamento de Deus (At. 5, 1-15); assim como, é ele, o grande líder, quem condena Simão, o pérfido  Mago, decidindo quem merece ou não participar do apostolado (At. 8,20-22).

Caríssimo leitor, perante tanta evidência bíblica podemos entender o motivo de todos os sucessores de Pedro na Diocese de Roma (onde morreu assassinado devido a sua fidelidade ao Evangelho), terem sido vistos como os legítimos superiores da Igreja cristã.
Tanto se respeitou os sucessores de Pedro em Roma que até o dia de hoje é guardada como um tesouro a lista de todos os que vieram a ocupar seu lugar naquela Diocese. Vejamos: depois de São Pedro veio Lino; morrendo este, sucedeu-lhe Anacleto; depois Clemente I, Evaristo e Alexandre I; substituindo-os na cátedra de Pedro temos Sisto I, Telésforo, Higino e Pio I; depois, Aniceto, Sotero, Eleutério e Vitor etc., etc., etc., até chegarmos aos dias atuais onde quem está como Bispo de Roma e líder de toda Igreja é S.S. Francisco, que sucede S.S. Bento XVI, após o longo pontificado do Beato João Paulo II.

São Pedro fala como Chefe da Igreja
Quem afirma que o papado não é uma Instituição divina fundada pelo próprio Jesus Cristo ainda nos primórdios do catolicismo, e quem nega que ele teve em Pedro seu primeiro representante, “(...) nunca leu um simples resumo de História Eclesiástica, nunca manuseou os documentos dos primeiros séculos do cristianismo, nunca computou as Atas dos Concílios, nunca examinou as obras dos antigos padres.” (DELLEGRAVE pg. 99). Para citarmos apenas um, vejamos Agostinho de Hipona, respeitado pelo próprio Martinho Lutero um dos fundadores do protestantismo: “Pedro, diz ele, recebeu o primado entre os discípulos: sua sede, Roma, é a mais alta autoridade; quando Roma fala está terminada a causa.” (DELLEGRAVE, pg. 95).

A força dessa frase de Santo Agostinho a ninguém deve assustar, pois os cristãos - já nos séculos segundo e terceiro - afirmavam sem medo, por exemplo, que “Roma preside a comunhão dos fieis” (Séc. II, Bispo Mártir S. Inácio de Antioquia) ou que, “Com esta Igreja (a romana, onde Pedro governava) em razão de sua primazia de poder, todas as outras Igrejas, isto é, os fiéis de todo o universo têm obrigação de se conformar” (Séc. III S. Irineu de Liâo); além do mais, desde o primeiro grande Concilio geral do Cristianismo, ocorrido após o fim das perseguições romanas, até o Vaticano II, são os sucessores de Pedro em Roma quem os convoca e confirma para serem válidos.

Ora, tudo isso não deve causar estranhamento algum, pois o próprio Cristo afirmara a Simão, o humilde pescador: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt. 16, 18). Aqui a origem de toda autoridade desse papa e seus sucessores: o próprio Filho de Deus. Que o mundo respeite ao menos as palavras de Jesus Cristo!
Maria, Mãe da Igreja! Rogai por nós!

Referência Bibliográfica
  • DELLEGRAVE, Geraldo E. O papado é instituição divina. São Paulo: Loyola, 1986.
  • LUTERO, M. Do cativeiro babilônico da Igreja. São Paulo: Martins Fontes.
  • Liturgia das Horas. Vol. III. Festa da Cátedra de São Pedro Apóstolo.
  • Documentos do Concilio Vaticano II. LG.         



domingo, 16 de dezembro de 2012

UMA VANGUARDA TRADICIONALISTA

Uma esperança na Igreja Católica pós CVII.
Tradução e link : Fratres in Unum.com

Desde o Concílio Vaticano II, em 1962, a Igreja Católica Romana se esforçou em se adaptar ao mundo moderno. Mas no Ocidente – onde muitos esperavam que uma mensagem contemporânea caísse melhor – os fiéis abandonaram a Igreja em massa. A assistência das missas dominicais na Inglaterra e País de Gales caiu para a metade dos 1,8 milhões registrados em 1960; a idade média dos paroquianos subiu dos 37, em 1980, para os 52 anos atualmente. Nos Estados Unidos, a assistência caiu mais de um terço desde 1960. Menos de 5% dos católicos franceses assistem à missa regularmente, e na Itália são apenas 15%. Contudo, enquanto a corrente principal agoniza, os tradicionalistas crescem.

Pegue a Missa em Latim, trocada pelo Vaticano em 1962 por liturgias em línguas vernáculas. Em sua forma mais tradicional, o padre consagra o pão e o vinho com sussurros de costas para o povo: anátema para aqueles que pensam que a abertura é o espírito da época. Mas o Padre John Zuhlsdorf, um padre blogueiro americano, afirma que ela desafia os fiéis, ao contrário do confortável liberalismo das liturgias ordinárias.

“Não é só uma reunião escolar”, diz ele.
Outros compartilham do seu entusiasmo. A Latin Mass Society da Inglaterra e País de Gales, iniciada em 1965, agora tem mais de 5 mil membros. O número de missas em latim semanais subiu de 26, em 2007, para atuais 157. Nos Estados Unidos subiu de 60, em 1991, para 420. No Oratório de Brompton, um dos points do tradicionalismo de Londres, 440 pessoas se reúnem para a missa em latim dominical. O número é duas vezes maior do que o das principais igrejas da Inglaterra. As mulheres usam véus. Homens vestem tweed.
Mas este não é um lugar careta: os fiéis são jovens e internacionais. Como os cristãos evangélicos, o catolicismo tradicional está atraindo pessoas que sequer tinham nascido na época em que o Vaticano II tentou rejuvenescer a igreja. Os grupos tradicionalistas têm membros em 34 países, incluindo Hong Kong, África do Sul e Bielorússia. Juventutem, um movimento para jovens católicos que gostam dos velhos costumes, ostenta grupos de ativistas em dezenas de países. Os tradicionalistas usam blogs, websites e redes sociais para difundir a palavra – e para destacar dioceses e administradores de igrejas recalcitrantes e liberais, que por muito tempo viram os “latinistas” como uma minoria auto-complacente, anacrônica e afetada. Na Colômbia, 500 pessoas que queriam a missa tradicional tiveram que usar um salão (posteriormente eles encontraram uma igreja).

Uma grande guinada veio em 2007, quando o Papa Bento XVI formalmente endossou o uso do antigo rito da missa em latim. Até então, uma inclinação para a liturgia tradicional poderia arruinar a carreira de um padre. A causa também recebeu novo vigor do Ordinariato, um agrupamento patrocinado pelo Vaticano para ex-anglicanos. Dúzias de padres anglicanos “cruzaram o Tibre” da ultra ritualista “smells and bells” [ndr: “cheiros e sinos”, tradução literal] ala da “alta igreja” anglicana; eles encontraram uma pronta acolhida entre os católicos romanos tradicionalistas.

O retorno do rito antigo causa uma consternação silenciosa entre os católicos mais modernos. Timothy Radcliffe, outrora superior dos dominicais da Inglaterra, vê nisso “uma espécie de nostalgia de ‘Memórias de Brideshead’”. O renascimento tradicionalista, acredita ele, é uma reação contra o “liberalismo da moda” de sua geração. Algumas oscilações no pêndulo podem ser inevitáveis. Mas para uma igreja nos países do ocidente assaltada por escândalos e declínios, o surgimento de uma vanguarda tradicionalista é preocupante. Trata-se meramente de um afloramento de excentricidade, ou de um sinal de que a igreja tomou um caminho errado há 50 anos?


MARIA SEMPRE!


domingo, 11 de novembro de 2012

A VIRGEM DE FÁTIMA, A MAÇONARIA E O CONCÍLIO VATICANO II

Dom Manoel Pestana Filho (1928-2011)
 Prof. Pedro M. da Cruz

No dia 7 de maio de 2010, Dom Manoel Pestana Filho discursou no “The Fatima Challenge Conference”, Roma, onde fez interessantes comentários a respeito de temas da atualidade. Apresentaremos a seguir para informação de nossos leitores alguns trechos de seu discurso que têm causado muitos comentários:

Excelências, irmãos padres, religiosos e religiosas,

“Algo que me parece sempre incerto é a questão do Concílio Vaticano II. Na última sessão, da qual participei, uma comissão foi até a Irmã Lucia, em Coimbra, e eu lhe encaminhei uma pergunta por escrito. Minha pergunta foi a seguinte: o terceiro segredo de Fátima tem alguma relação com o Concílio Vaticano II? A Irmã Lucia respondeu — não a mim, mas a um padre que fora com a comissão — “não estou autorizada a responder esta pergunta”. Isso é muito interessante. [...] é um sinal de alguma reserva no terceiro segredo e esta reserva tinha alguma relação com o Concílio Vaticano II.

Estudo sobre perseguição à Igreja
Mas, como reversas com o Concílio Vaticano II? Estudei aqui em Roma, estudei Teologia, e isso me impressionava muito[...]. E uma coisa interessante para mim era entender esta razão. E nesse meio tempo, soube que o Santo Padre Pio XI desejava reabrir o Concílio do Vaticano. O Cardeal Billot o advertiu: “Santidade, me parece que isso é um perigo, porque estamos no tempo dos modernistas e esses modernistas criaram muita confusão na Igreja. Se o concílio for aberto agora, todos estarão em condição de participar, porque muitos também eram hierarcas da Igreja e creio que isso seria uma magnífica confusão entre os teólogos, sacerdotes, religiosos e até o povo, porque todas estas questões que já haviam sido esclarecidas e algumas condenadas pela Igreja desde Pio X e também um pouco por Bento XV, estas questões estariam livres para discussão e creio que não seria bom para a comunicação e para a opinião católica”. Soube que o Papa levou em consideração o que havia dito o Cardeal Billot – o Cardeal Billot foi retirado do cardinalato alguns anos depois, mas esta é outra questão – mas o Papa teria dito sim, [o Cardeal] tem razão.”

“Mas retornemos. Seria possível que Nossa Senhora tivesse dito que não era de seu gosto, que não lhe agradava uma realização do Concílio? Eu não sei, mas se pode pensar. Com isso eu não quero dizer que o Concílio Vaticano não seja legítimo… e não seja também uma benção para a Igreja.

Não sei se vocês conhecem este livro de Brunero Gherardini, Concilio Vaticano II – Un discorso da fare – publicado pelos Franciscanos da Imaculada, aquela congregação fundada pelo padre Manelli, que é interessantíssimo… terrível este livro… mas mantém uma posição muito justa, muito bem fundamentada. Ele diz que no Concílio foram ditas muitas coisas que não são boas. Um comentarista francês dizia que era necessário distinguir aquilo que foi dito no Concílio, e foram ditas tantas coisas tolas, por exemplo, quando se discutia – e com todo respeito – a maternidade divina de Maria e também Maria mãe da Igreja; um bispo mexicano, Méndez Arceo, provocou risos, muitos risos, quando disse: “isso não me agrada, pois, se Maria é mãe da Igreja, e se a Igreja é nossa mãe, Maria não será nossa mãe, mas nossa avó”. Uma piada fora de lugar, mas, em suma, tudo era possível, e era uma Excelência que falava. E outras coisas que foram ditas; evidentemente, num ambiente de discussão, pode-se dizer tanta coisa tola [...] o delito que o homem usa e abusa de dizer o que pensa. Portanto, é necessário compreendê-lo.”

“Mas é ainda mais interessante que muitos daqueles que foram condenados por Pio XII – De Lubac, De Le Blond, Danielou, Congar, etc – eram homens do dia, atuais, durante o Concílio.”

“Mas, verdadeiramente, eu soube de uma coisa interessante: um professor da Universidade Gregoriana, que fora responsável pela comissão para os textos preliminares para o Concílio – Padre Tromp – um teólogo magnífico [...] eu perguntei como ele avaliava esta situação e ele me respondeu o seguinte: o Concílio foi um concílio bastante difícil, muito difícil, tanta energia desperdiçada, mas, em suma, uma coisa que se deve dizer é que o Concílio Vaticano II, com todas estas discussões, declarações, documentos, etc, etc, é também a indicação dada por João XXIII de ser um concílio pastoral. Até hoje não se compreende bem este sentido, sentido bem profundo de concílio pastoral. Mas sabemos que não era um concílio de definições, que terminava assim: “todos que disserem o contrário sejam anátemas, etc, etc,” como era praxe. Mas era um concílio que tratava questões católicas, religiosas e mesmo questões não religiosas, mas não concluía mais como os outros concílios, com condenações, excomunhões. Não era um concílio dogmático.”

“[...] João XXIII, vocês sabem disso, se amedrontou e disse: “sim sim, faremos um Concílio pastoral” Não há Constituições Dogmáticas num Concílio Pastoral. Faremos um Concílio para discutir as questões do momento, e não as questões de sempre, e dar a resposta convencida pela prudência e sabedoria evangélica.

O estudo feito por Gherardini considera todas essas questões e diz claramente: o Concílio é uma grande graça para o mundo, e também é este concílio, tantas coisas são ditas, mas não há nenhum peso dogmático. [...] Há coisas que podemos chamar de incertas… até alguns teólogos depois do Concílio Vaticano II disseram que a linguagem da teologia de hoje é uma linguagem de incertezas, não há nenhuma certeza em suas declarações.”

Nossa Senhora de Fátima (1917)
“[...] Dentro do Concílio Vaticano II, não nas reuniões, foram feitos acordos com os representantes da Rússia para que não se falasse do comunismo, não se falasse de Rússia. Mas isso é o contrário da mensagem de Fátima. O centro da mensagem [...] era a Rússia, da qual virão grandes males para a Igreja e para o mundo. Mas fizeram um acordo. Ah sim! Porque havia bispos ortodoxos [para participar do Concílio]. E nós sabemos hoje que muitos bispos não só na Rússia, mas na Polônia e outros lugares, para não terem obstáculos da parte do governo comunista, faziam vistas grossas a certas coisas. Por exemplo: nós sabemos que este escândalo ocorreu na Polônia de um arcebispo que fora nomeado e que no momento de tomar posse da diocese ele simplesmente disse: “não, não posso tomar posse, porque encontraram um documento assinado por mim que me permitia sair da Polônia para estudar em Roma com a condição de colaborar com o governo sobre as coisas da Igreja que lhe interessavam.”. Este é o problema. [...] O arcebispo de Kiev, que era um homem que se aproximou muito de João Paulo I, na última audiência, morreu lá diante do Papa. Ele não era ninguém menos que um chefe da KGB e era arcebispo de Kiev. Coronel da KGB. [...] É um trabalho de muito tempo de infiltração na Igreja Católica [...]



Símbolo da Maçonaria
“Por outro lado, por exemplo, nós sabemos da influência da maçonaria no último Concílio não foi pouca, porque o próprio Monsenhor encarregado da liturgia – Bugnini – tinha escrito uma carta ao chefe da maçonaria italiana, dizendo que pela liturgia havia feito tudo que era possível; tudo aquilo, segundo recebeu instruções, mais não poderia ser feito. [...] Um padre polonês que encontrou este ofício o levou imediatamente a Paulo VI, que o mandou para fora de Roma, na nunciatura no Irã. Até Monsenhor Benelli, que era o braço direito do Papa, também foi retirado de Roma e estranhamente ambos morreram pouco depois em circunstâncias misteriosas. Dizíamos que era uma queima de arquivo. Entendem, não?”

“Creio que poderia dizer – digo como uma palavra minha — e suspeitar que o Concílio Vaticano II está relacionado [...] com o terceiro segredo de Fátima [...]”


Maria Santíssima, rogai por nós!


Os que quiserem ler o discurso publicado na íntegra poderão consultar o seguinte link: http://fratresinunum.com/2010/05/24/roma-discurso-de-dom-manoel-pestana-filho-bispo-emerito-de-anapolis-em-conferencia-sobre-fatima/

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

SOBRE A "MISSA DE PAULO VI"

 S.S. Paulo VI
                                                         
Prof. Pedro Maria da Cruz

É conhecido por muitos um documento enviado ao papa Paulo VI no mesmo ano da promulgação do Novo Ordo (para alguns, “Missa de Paulo VI” ou “Missa Nova”). Referimo-nos à “Carta dos Cardeais Ottaviani e Bacci” (25 de setembro de 1969) onde se trata de pontos referentes à versão preliminar do que se pretendia para o Novo Rito da Santa Missa.

Comenta-se que, apesar de ter sido assinado por dois cardeais da Igreja, entre eles o Cardeal Alfredo Ottaviani (então Prefeito da atual Congregação para a Doutrina da Fé), Paulo VI nunca teria respondido a essa importante carta. Outros, por sua vez, supõem - mesmo que a meia boca - alguma manifestação do Pontífice...

É fato que posteriormente o Cardeal Ottaviani reclamou de certo uso indevido que alguns teriam feito de seus esforços:

“... De minha parte, eu lamento somente que se tenha abusado de meu nome em um sentido que eu não desejaria, pela publicação de uma carta que eu tinha dirigido ao Santo Padre sem autorizar ninguém a publicá-la.” (Cardeal Ottaviani, carta a Dom Lafondo, ordem dos cavaleiros de Notre-Dame – Notre Doctrinale sur lê Nouvel Ordo Missae – cf. La Croix, de 23 de março de 1970, confirmation; Documentation Catholique, 67, 1970, pág. 215-216 e 343)

Porém, o conteúdo do documento é interessantíssimo e já foi objeto de relações curiosas com outros textos por parte de respeitosos autores:


Ademais, a “Carta dos Cardeais Ottaviani e Bacci”, de fato, deixam algumas interrogações que podem muito bem nos animar na continuidade dos estudos que se referem à Reforma Litúrgica de Paulo VI.

Segue abaixo um link onde se poderá ver o Documento na íntegra a nível de curiosidade. Esperamos que todos os nossos amigos possam lê-lo com muita atenção.


 Paulo VI sucedeu ao Beato João XXIII,
 e encerrou o Concilio Vaticano II
      

CARTA DOS CARDEAIS OTTAVIANI E BACCI

Roma, 25 de setembro de 1969.

Santíssimo Padre,

Tendo cuidadosamente examinado e apresentado ao escrutínio de outros a Nova Ordenação da Missa preparada pelos especialistas do Comitê para a Implementação da Constituição da Sagrada Liturgia (Consilium ad exequendam Constitutionem de Sacra Liturgia), e após longa oração e reflexão, sentimo-nos obrigados perante Deus e Sua Santidade a apresentar as seguintes considerações:

1. O seguinte Estudo Crítico é o trabalho de um grupo seleto de bispos, teólogos, liturgistas e pastores de almas. A despeito de sua brevidade, o estudo demonstra de forma bastante clara que a Novus Ordo Missae – considerando-se os novos elementos amplamente suscetíveis a muitas interpretações diferentes que estão nela implícitos ou são tomados como certos -- representa, tanto em seu todo como nos detalhes, um surpreendente afastamento da teologia católica da Missa tal qual formulada na sessão 22 do Concílio de Trento. Os “cânones” do rito definitivamente fixado naquele tempo constituíam uma barreira intransponível contra qualquer tipo de heresia que pudesse atacar a integridade do Mistério.

2. As razões pastorais apresentadas para justificar uma ruptura tão grave, ainda que tais razões pudessem ser sustentadas em face das considerações doutrinárias, não parecem ser suficientes. As inovações na Novus Ordo e o fato de que tudo o que possui um valor perene encontra ali apenas um lugar secundário – se é que continua a existir – poderiam muito bem transformar em certeza as suspeitas, infelizmente já dominantes em muitos círculos, de que as verdades que sempre foram objeto de crença pelos cristãos podem ser alteradas ou ignoradas sem infidelidade ao sagrado depósito da doutrina ao qual a fé católica está para sempre ligada. As reformas recentes demonstraram amplamente que novas alterações na liturgia não podem ser efetuadas sem levar à completa confusão por parte dos fiéis, os quais já demonstram sinais de relutância e um indubitável afrouxamento da fé. Entre os melhores clérigos, o resultado é uma agonizante crise de consciência, da qual um sem número de exemplos chega a nós diariamente.

3. Estamos certos, instigados pelo que ouvimos da voz dos pastores e do rebanho, de que estas considerações encontrarão eco no coração de Sua Santidade, sempre tão profundamente solícito às necessidades espirituais dos filhos da Igreja. Os sujeitos a quem uma lei se dirige sempre tiveram o direito, mais do que isto, o dever, de pedir ao legislador que ab-rogue esta lei uma vez que ela prove ser danosa. Portanto, em um momento em que a pureza da fé e a unidade da Igreja sofrem cruéis lacerações e um perigo ainda maior, diária e dolorosamente ecoado nas palavras de nosso Pai comum, nós fervorosamente rogamos a Vossa Santidade para que não nos prive da possibilidade de continuarmos a ter acesso à integridade fecunda do Missale Romanun de São Pio V, tão louvado por Sua Santidade e tão profundamente amado e venerado por todo o mundo católico.

Card. A. Ottaviani, Card A. Bacci

Para conferir o restante do documento:

http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=cartas&subsecao=doutrina&artigo=20070303023113&lang=bra



Maria Santíssima, rogai por nós!

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A ESPERTEZA DOS MAUS. VERGONHA!


Lobo à espera para o ataque...


Prof. Pedro Maria da Cruz

“O demônio se disfarça em anjo de luz”

Está ocorrendo no Brasil o Congresso Continental de Teologia, cujo término se dará no dia onze deste mês: iniciativa ousada dos “progressistas” em sua tentativa de reanimar obscuras teorias do passado, agora travestidas em “Anjos de luz”. Afinal, é próprio do mal fantasiar-se, enquanto dormem os vigias de Israel...

Acredite quem quiser, mas coube aos Jesuítas (Ordem fundada por Santo Inácio de Loyola - 1540), abrir as portas de sua universidade (Unisinos – São Leopoldo, RS) para receber os Gurus da “Nova Igreja”, (Queiruga, Jon Sobrino, Gustavo Gutiérrez, Leonardo Boff, João Batista Libânio, entre outros...), antigos mestres da Teologia da Libertação, tantas vezes criticada pela hierarquia católica. Porém, se nos assustou o fato de os Jesuítas haverem aceitado tal engodo, mais surpresos ainda ficaram outros com a divulgação do congresso realizada pelo departamento brasileiro da Rádio Vaticano.

Como se o Papa estivesse conivente com o erro.

Ora, estava claro que, se os mentores do congresso divulgaram o evento como uma forma de celebrar os cinqüenta anos da inauguração do Concilio Vaticano II e os quarenta anos do Livro de Gustavo Gutiérrez, “Teologia da Libertação. Perspectivas”, é porque buscavam formas de reorganizar seus trabalhos entorno de antigos objetivos, como sabemos, distantes do que prega a Tradição.

Para validar o que afirmamos, basta que se confira em certa entrevista realizada ha poucos dias, o que Jon Sobrino, um dos nomes mais esperados no congresso, deixou escapar como se o que transmitia fosse a perfeita expressão da ortodoxia católica: “Outro cristianismo é possível (...). Isso produziu alegria e esperança de que, como se diz hoje, não sei se com demasiada facilidade, outra Igreja, outra fé, outro cristianismo ‘é possível’(...)”. Na mesma linha de raciocínio, depois de haver citado pensadores reprovados pelo magistério, não deixou de taxá-los como “fontes de água viva até o dia de hoje”; e, por fim, convidou-nos a voltar-nos a elas como se as criticas da Igreja de nada valessem. Perguntado sobre as “perseguições” da Igreja à Teologia da Libertação, respondeu que as mesmas teriam ocorrido “(...) por ignorância, por medo de perder o poder ou por obstinação de não querer reconhecer a verdade com que se respondiam às críticas.”

Eis o espírito que anima o Congresso Continental... Apoiado pelos Jesuítas do Rio Grande do Sul...

Ademais, esse propósito de revigorar o que já havia sido reprovado pela Igreja estava bem debaixo do nariz daqueles que se colocaram a favor do Congresso. Basta conferirmos um ouro objetivo expresso pelos organizadores: “Contribuir para que a teologia latino-americana continue sendo instância retro alimentadora das comunidades eclesiais inseridas no mundo em perspectiva libertadora, frente aos novos desafios oriundos de um mundo pluralista e globalizado.”

Bom, não insistamos demais no que é evidente. Este é o fato: os promotores da Teologia da Libertação, ao contrário do que crêem os mais inocentes, continuam ativos em seus projetos; e se essa heresia, como dizem alguns, não é mais apresentada em nossos púlpitos (pelo menos claramente), não é isso devido ao fato de ela estar morta, mas simplesmente porque se travestiu de novos nomes e formas de atuação. Foi exatamente o que ficou subtendido em outro conferencista do mesmo congresso, o “teólogo” Jung Mo Sung. Para ele, a Teologia da Libertação apenas está em crise. “E só está em crise quem está vivo, quem já morreu não tem crise.”



Maria Santíssima, rogai por nós!



Referências:


http://www.unisinos.br/eventos/congresso-de-teologia/pt/o-congresso/apresentacao

http://www.unisinos.br/eventos/congresso-de-teologia/pt/component/content/article/4-vitrine/206-o-absoluto-e-deus-e-o-coabsoluto-sao-os-pobres-entrevista-especial-com-jon-sobrino

http://www.unisinos.br/eventos/congresso-de-teologia/pt/o-congresso/apresentacao

http://www.unisinos.br/eventos/congresso-de-teologia/pt/o-congresso/noticias/207-teologia-da-libertacao-e-a-experiencia-de-encontrar-deus-na-face-dos-pobres

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

HANS KÜNG: DESPREZO PELA IGREJA




Por Prof. Pedro Maria da Cruz


Teólogo do Vaticano II

Condecorado por maçons...

Afastado da Integridade da fé...

Já não pode ser considerado teólogo católico...


“Eu propus no meu livro uma série de terapias ecumênicas, a Igreja teria de (...) assumir sua responsabilidade social (...) a Inquisição deve ser finalmente abolida e as formas de repressão têm de ser eliminadas. (...) o casamento deve ser permitido a padres e bispos e os postos da Igreja devem ser abertos a mulheres.” (3) (Hans Küng em entrevista à Jürgen Zurheide)

“O padre Católico Hans Küng no momento proclama a maior de todas as heresias e não foi excomungado. Pelo contrário, em 18 de Maio de 2007 ele recebeu uma condecoração pública dos maçons. Nessa ocasião um Mestre Maçônico disse de Hans Küng: “O que você fala provêm de nossa alma maçônica”. (2) (Ordem de São Basílio Mágno)

“Hans Küng não só deixou de ser Católico, mas ele deixou de ser Cristão. Negando a Divindade de Cristo e O colocando no mesmo nível com Maomé ou Buda – isto não é mais ser cristão. (...) então ele é absolutamente escandaloso”. (3) (Radomir Maly)


Hans Küng na casa da Fundação
 Etos Mundial, Tubingen - Alemanha


SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

DECLARAÇÃO
ACERCA DE ALGUNS PONTOS
DA DOUTRINA TEOLÓGICA
DO PROF. HANS KÜNG

“Como alguns escritos do sacerdote Professor Hans Küng, difundidos em tantos países, e a sua doutrina produzem perturbação na alma dos fiéis, os Bispos da Alemanha e a própria Congregação para a Doutrina da Fé, de comum acordo, repetidamente o aconselharam e admoestaram pretendendo levá-lo a exercer a sua actividade de teólogo em plena comunhão com o Magistério autêntico da Igreja.

Com tal espírito, a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, cumprindo a sua missão de promover e tutelar a doutrina da fé e dos costumes na Igreja universal, com público documento de 15 de Fevereiro de 1975 declarou que algumas opiniões do Professor Hans Küng se opõem, em diversos graus, à doutrina da Igreja que todos os fiéis devem seguir. Entre elas indicou, como de maior importância, o dogma de fé na infalibilidade da Igreja e a missão de interpretar autenticamente o único depósito sagrado da palavra de Deus, confiado só ao Magistério vivo da Igreja, e também a consagração válida da Eucaristia.

Ao mesmo tempo esta Sagrada Congregação avisou o mencionado Professor que não continuasse a ensinar tais doutrinas, mantendo-se entretanto à espera de que ele harmonizasse as próprias opiniões com a doutrina do Magistério autêntico.Todavia nenhuma mudança houve até agora nas citadas opiniões.

Consta isto, em especial no que diz respeito à opinião, que põe peio menos em dúvida o dogma dá infalibilidade na Igreja ou o reduz a certa indefectibilidade fundamental da Igreja na verdade, com a possibilidade de erro nas doutrinas que o Magistério da Igreja ensina deverem ser cridas de maneira definitiva. Neste ponto Hans Küng nada se conformou com a doutrina do Magistério; pelo contrário, recentemente apresentou de novo, ainda mais expressamente, a sua opinião, embora esta Sagrada Congregação tivesse então afirmado que ela contradiz a doutrina definida pelo Concílio Vaticano I e depois confirmada pelo Concílio Vaticano II.

Além disso, as consequências de tal opinião, sobretudo o desprezo pelo Magistério da Igreja, encontram-se ainda noutras obras por ele publicadas, sem dúvida com detrimento de vários pontos essenciais de fé católica (por exemplo, os relativos a Cristo consubstancial com o Pai, e à Bem-aventurada Virgem Maria), pois é atribuído a esses pontos um significado diverso daquele que entendeu e entende a Igreja.

A Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, no documento de 1975, absteve-se, na altura, de nova acção quanto às mencionadas opiniões do Prof. Küng, presumindo que ele as viria a abandonar. Uma vez, porém que tal presunção já não se pode manter, esta Sagrada Congregação, em virtude do seu cargo, sente-se obrigada a declarar actualmente que o Professor Hans Küng se afastou, nos seus escritos, da integridade da verdade da fé católica, e portanto já não pode ser considerado teólogo católico nem pode, como tal, exercer o cargo de ensinar.
No decurso da Audiência concedida ao abaixo assinado Cardeal Prefeito, o Sumo Pontífice João Paulo II aprovou a presente Declaração, decidida na reunião ordinária desta Congregação, e ordenou que fosse publicada.”

Dado em Roma, na Sede da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, 15 de Dezembro de 1979.

Franjo Cardeal Šeper
Prefeito

(Grifos nossos)
Maria Santíssima, ora pro nobis!


(1) http://www.teleios.com.br/2011/hans-kung-teologo-alemao-questiona-beatificacao-de-joao-paulo-2%C2%B0/

(2) http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=veritas&subsecao=religiao&artigo=condecoracao-maconica-hans-kung&lang=bra

(3) http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=veritas&subsecao=religiao&artigo=condecoracao-maconica-hans-kung&lang=bra