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terça-feira, 21 de julho de 2015

AS BOAS MANEIRAS. UMA REFLEXÃO...



As boas maneiras se formam à sombra dos pais



Por Dom Tihamer Toth

"A atitude do homem para com seu próximo, bem como as relações sociais, são reguladas por certas convenções exatamente determinadas. Essas convenções sociais formaram-se no correr dos séculos, e ninguém tem o direito de subtrair-se a elas. Algumas devem sua origem a motivos religiosos; outras procedem do desejo de salvaguardar o bom entendimento entre os homens; e se, em aparência, elas só interessam à apresentação exterior, muitas vezes nos ajudam a observar as leis essenciais da moral.

Estas considerações são razões suficientes para observarmos conscienciosamente as regras da boa educação. 

As regras da cortesia outra coisa não são que um convite à prática da caridade; servem para estabelecer entre nós as relações ditadas pela sabedoria e pela moderação. Bem entendido, elas só têm sentido se inspiradas pelo coração, praticadas com sinceridade, sem afetação nem exagero, com facilidade toda natural.

Essas convenções devem regular a nossa vida inteira: atitudes, relações, cartas conversações, jogos, distrações, refeições, trabalhos, comportamento para com nossos pais e superiores, para com as senhoras, etc.

Quem quisesse subtrair-se às convenções da polidez, progressivamente estabelecidas no decurso de longos séculos, a si próprio tornaria impossível a vida no seio duma sociedade civilizada. Por exemplo, se alguém quisesse acolher os seus convivas em traje de dormir, ir à sociedade sem colarinho nem gravata, sair à rua de chinelos, tomá-lo-iam pelo menos por um grosseirão ou maluco, e muita gente, com toda a razão ficaria gravemente chocada.

" Sem o concurso da alma
tudo isso é mero verniz"
Os ingleses e os americanos toam, às vezes, um pouco à ligeira as regras das conveniências. Conta-se que um general americano, por ocasião duma audiência dada pelo Papa, abeiro-se do Santo Padre muito familiarmente com um “How do you do, Sir”. “Como vai, Sr.?” Essa falta de conveniência excede os limites, mesmo para um americano; mas nós outros devemos observar muito mais estritamente ainda as regras da polidez; toda negligência nos é vedada.

Como vês, meu filho, a presença ou ausência das maneiras cultivadas trai-se constantemente pelo teu andar, pelo modo como te sentas, por tua conversa, teus gestos, olhar, riso, por teu comportamento à mesa, na rua, em sociedade, _até mesmo pelo trajar correto e pelas mãos limpas.

Mas a observância das conveniências ainda não é a educação perfeita. Sem o concurso da alma, tudo isso é mero verniz. A verdadeira cortesia brota dum caráter puro e dum coração cheio de bondade. Impossível apropriar-se dela por formas puramente exteriores.

Se as conveniências não se associarem a um caráter íntegro, as exterioridades da polidez podem encobrir até um espertalhão. Muitas vezes, ai! Uma alma corrompida oculta-se por uma roupa elegante e bem assentada; é o fel no açúcar, é o verme na maçã, tão bela aparência. E, se eu tivesse que escolher, certamente preferiria sentar-me à mesa ao lado dum homem de alma pura, mas que _ horribile dictu _ levasse a faca à boca, a me sentar ao lado do cavalheiro de maneiras perfeitas, que come camarões com elegância suprema, mas que não se constrange de subtrair somas alheias.

Nada é mais verdadeiro do que o provérbio: Beleza sem virtude é flor sem perfume. Contrariamente, a mais singela concha pode esconder uma pérola, e o minério mais grosseiro pode conter ouro.

Na realidade, podemos muito bem escapar à necessidade de escolher. Eu quisera ver em todos os jovens não somente uma alma honesta e um caráter de boa têmpera, mas também as maneiras perfeitas dum homem bem educado."


Fonte: Livro O Moço Educado, Parte I, Capítulo 1, pág. de 07 a 09; Editora Vozes, 1960.



MARIA SEMPRE!


domingo, 28 de junho de 2015

ASTRA CASTRA, NUMEN LÚMEN ...


"Quanto mais elevado for o teu ideal, tanto mais saberás
entusiasmar-te por uma ideia." (Dom Tihamer Toth)



Por Dom Tihamer Toth


"A finalidade da nossa vida é trabalhar para a glória de Deus e para o bem do nosso próximo. Somos, pois, obrigados a desenvolver e a cultivar em nós todos os talentos que nos podem auxiliar a atingir essa finalidade. O moço cujas palavras, ações, pensamentos, todas as manifestações da vida se orientam a esses nobres pensamentos, é um moço de ideal elevado.

E, acredita-me, é o essencial: agir sempre segundo essa concepção ideal da vida! Não basta, pois, ter pensamentos nobres: é mister, ainda, que deles brotem sentimentos semelhantes, os quais, por sua vez façam nascer resoluções e ações. 'Semeia um benefício', diz um filósofo inglês, 'e colherás um hábito; semeia o hábito, e colherás um caráter; semeia caráter, e colherás teu futuro'. 'Sê um homem ideal nas tuas ações, nos teus hábitos, no teu caráter'. A quem, pois, melhor que a um jovem de alma nobre, ficaria bem a visão irreal do mundo? Por certo, é preciso que o estudante saiba assegurar a existência material pelo seu trabalho, habilidade e aplicação. Preserve-o, porém, Deus de fazê-lo segundo a receita de um dos Rotschild, que afirma não se poder ficar rico sem roçar, ao menos com um cotovelo, a porta da prisão.


 Tihamer Toth (1889-1939)
autor do presente texto.
E, se em todos desejo ver um nobre ideal, longe estou de entender por isto os devaneios estéreis duma imaginação falseada que se extravia nas nuvens. Quem só vive a fazer castelos no ar, que imediatamente desmoronam para reaparecer mais adiante, não é um homem de ideal, mas o tipo ideal do preguiçoso. Essa concepção elevada, eu quisera vê-la acompanhada de todo o entusiasmo, de todo o ardor no trabalho e de toda a energia a que a humanidade deve o seu progresso. O melhor indício duma concepção ideal das coisas é que não admire o moço somente o progresso material, as máquinas e os motores, os barcos a vapor e os aparelhos elétricos, mas que, ao lado disso, professe uma fé sólida na realidade dos ideais invisíveis, tais como a honra, a consciência, o amor da pátria, o amor do próximo. E não só acredita nesses ideais, mas coloca-os acima de qualquer vantagem terrena. Quanto mais elevado for o teu ideal, tanto mais saberás entusiasmar-te por uma ideia. Sem dúvida, mais tarde, na idade madura reconhecerás que perfeição ideal não se acha na terra em toda a sua plenitude, e que apenas sua sombra a quando e quando nos visita. Não importa! Nada de desalentos, como os materialistas; pelo contrário, cumpre trabalhar para que a imagem esbatida dessas idéias sublimes se torne mais clara e mais nítida ao menos em ti, e no círculo restrito de tua família e das tuas relações sociais. O mal só desalenta os corardes; o homem de caráter tira dele forças para combater melhor. Sem lutas, a vida seria bem mais fácil, mas o nível da humanidade desceria certamente: ela se tornaria mole e efeminada.

A humanidade ainda é capaz de progressos gigantescos material, espiritual e moralmente; e pode-se reconhecer o jovem de ideal pelo entusiasmo ardente que o faz crer ter-lhe a Providência também confiado uma pequenina parcela dos progressos que ainda restam para realizar. A tarefa de auxiliar entre os homens, o desenvolvimento da sabedoria e da bondade aguarda-te, pois, como aos outros. O moço que tem um ideal não pergunta: “Que devo fazer para ser feliz?”, mas diz a si mesmo: “Farei o meu dever, e sei que isso me tornará feliz!”

Não te ensina pois, este livro, como evitar as dificuldades da vida, mas como vencê-las. Não sejas astucioso, mas forte; não procures as proteções, mas sê intrépido na luta a fim de alcançares o teu objetivo.

Ousado, deves empenhar a vida
Por um grande ideal acarinhado.
Empresa nenhuma hajas por perdida,
Se ainda não estás desalentado.

(Vorosmarthy)

Não imites o pessimista que vê a vida por um só lado, o da desventura e do vício; sê otimista e, ao lado de toda essa treva moral, não te esqueças de enxergar o bem e o belo. Na verdade, a juventude é a idade do otimismo; o mal é deixarem-se os jovens desanimar imediatamente pelo insucesso, que os engolfa nas ondas do pessimismo.

Mas o verdadeiro otimismo é o que faz jorrar a força ativa na alma. Sem dúvida , o estudante que anda sempre nas nuvens e sonha seu futuro sem trabalhar para ele, torna-se infalivelmente pessimista quando não o realiza. Entretanto, nada mais natural; sem esforço de sua parte, nada podia esperar do futuro. Ele se ofenderá, se eu lhe disser, é bem mais cômodo deixar-se levar ao desânimo e dizer: 'Não vale a pena trabalhar! Ninguém me convence do contrário', ao passo que do teu otimismo resultará o trabalho consciencioso e entusiasta. Não te deixarás contar entre os estudantes que são otimistas na primeira metade do ano, pessimista na segunda e horrivelmente preguiçosos o ano todo!

Cesar  (100 - 44 a.C)
O mundo não é totalmente mau, nem totalmente bom: nele, o bem e o mal acham-se misturados. Se nunca o esqueceres, podes ser, ao mesmo tempo e na justa medida, otimista e pessimista. Faze tudo o que puderes, tudo o que depender de ti, ainda que um organismo fraco, a pobreza material, limitada capacidade intelectual, defeitos de caráter herdado de teus pais, te barrarem diariamente o caminho. Não importa! Tem confiança, luta e trabalha: é assim que serás sabiamente otimista. Mas, ao mesmo tempo, vê e sente sempre que há muito mal em ti, em torno de ti e pelo mundo todo; sabe que deves estar incessantemente preparado para lutar contra esse mal e combatê-lo sem trégua: serás então sabiamente pessimista.

Júlio César, o grande vencedor, achando-se a bordo duma embarcação por ocasião de tremenda tempestade, disse a um marujo que, de remo na mão, tremia de medo: 'Quid times? Caesarem vehis!' - 'Como podes ter medo? Não sabes que levas César?' Se este pensamento foi capaz de vigorar os músculos do remador que lutava contra o furacão, quanto mais nos deveria dar sempre novas forças a certeza de que o jovem de alma pura é o templo vivo de Deus! Trazemos a Deus conosco: em todas as nossas lutas; não é César, mas o próprio Deus, que está ao nosso lado. Eis o verdadeiro otimismo que dá força invencível!

O pessimismo desanima, diminui o gosto para a vida e para o trabalho; se fores mau, certamente te tornarás pior. O otimismo faz nascer a confiança em si; dá um gosto mais pronunciado para viver, ajudar-te-á a perseverar e, pois, a vencer. Trata, logo, de ser sabiamente otimista. Recomendo-te por máxima: Astra castra, numem lúmen! 'Minha verdadeira pátria está acima das estrelas e minha luz é Deus!'"

Fonte: Tihamer Toth, O moço Educado, Parte III, capítulo 89, páginas de 211 a 215; editora Vozes, 1960.


MARIA SEMPRE!