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domingo, 5 de agosto de 2018

CUIDADO: FRENESI MIDIÁTICO



Por editores do blog

São tempos frenéticos de irreverências e superficialidades. Exigem-se frutos de sementes há pouco lançadas. Os meios de comunicação comprovam nossa assertiva.


Somos bombardeados todo o tempo com mil notícias e, na correria das horas, acabamos por olhá-las, quando muito, com rasa reflexão. Turbulências sociais, políticas, econômicas e religiosas são julgadas em breves segundos, como se rápidas passadas de olhos sobre frases de internet bastassem para criar juízos sobre complexas realidades. A televisão, muitas vezes, acaba por dar nesse percurso o golpe de misericórdia, ao substituir no telespectador algum resquício de senso crítico por ideias muito bem orquestradas com o intento de validar aberrações. É, de fato, um processo de bestialização do ser humano.



O resultado da verborragia midiática e de todo o aparato de intercomunicação a que nos submetemos sem critério são também uma certa insegurança gerada pela cascata de fatos assustadores, aparentemente desconexos, que lançam sobre nós dia-a-dia. A resposta de muitos, perante tais impactos emocionais, é (ao contrário da imensa maioria entregue à inércia, às fobias ou mesmo à depressão) apresentar-se qual paladino da verdade, forte, destemido e capaz de resolver as situações; porém, no fundo, sem possuir conteúdo e necessários discernimentos... Talvez isso explique um pouco, sob algum aspecto, o alto número de "salvadores" que pululam pela internet arvorando-se como mestres e iluminados. Um ambiente altamente desequilibrado tende a gerar indivíduos desequilibrados.


Na terra sem lei desse mercado de notícias, o primeiro que surge nas mídias com ares de cultura e boa retórica conseguirá nas praças, shoppings e redes sociais inúmeros discípulos, na verdade papagaios, os quais repetirão com ar de intelectualidade, vasta erudição e suposta consciência da realidade tudo o que lograram reter do oráculo, entre mil. Com efeito, há muitos "doutores". Aqui uns dizem isso, acolá o seu oposto, e - atenção - minutos depois já teremos as novas "verdades" desmentindo as que foram incensadas com seus autores. Anexo a tudo isso surgirão montagens de fotos no universo virtual, frases absurdas atribuídas às mais diversas figuras históricas (há pouco tempo lançaram fina ironia: "Não creia em tudo que se vê pela internet." Santo Tomás de Aquino), enfim um verdadeiro mexido de marmita, tudo descendo goela a baixo sem critério e mastigação.

Sim, há muita notícia e pouca reflexão. Basta-nos pensar, por exemplo, que num simples celular há incrível concentração de inteligência superior (e temos que nos perguntar até que ponto somos capazes de organizar mentalmente tudo isso, dada a forma desordenada que nos relacionamos com essa nova modalidade de acesso ao conhecimento), livros outrora inacessíveis ao homem comum, agora, em poucos minutos, podem ser baixados por meio de sites ou estudados com auxílio de excelentes professores, os quais disponibilizam frutos de suas pesquisas em vídeos pela internet. Na palma da mão de nossos jovens, encontram-se imensas bibliotecas, obras de arte magníficas, um universo de erudição e cultura. Porém - uma lástima - eles vagueiam sem rumo, quais macacos de galho em galho ou pisando, sem prudência, por imenso campo minado. A oportunidade que se lhes abriu de elevação humana e intelectual tornou-se para muitos em causa de vícios e desorientação.

A grande maioria dos internautas aceita quase tudo sem nenhum critério. No calor do momento, impactados pelo disse me disse referente à última notícia, submetidos ao parecer dos repórteres de plantão, são arrastados por algo como uma reação em cadeia, divulgando, não poucas vezes, mentiras desvairadas como sendo a mais absoluta verdade. O que apareceu aqui e acolá pela manhã numa página do Facebook ou grupo de WhatsApp, qual mera suposição ou "zoeira", ao fim da tarde já se tornou em fato indubitável, e pobre daquele ignorante que ousar negar a suposta verdade cristalina. Esse efeito dominó, corriqueiro nas redes sociais, tem arrastado não poucos indivíduos de boa vontade. Num mesmo dia, é tão comum vermos informações tão díspares sobre determinadas pessoas de vulto (como o papa ou mesmo alguns políticos, entre outros) que assusta observar o fato de alguns navegadores ainda cederem à febre de curtir e compartilhar tudo o que veem pela frente. "Qual a origem dessa notícia? Está de acordo com a comunicação geral realizada em tantos outros sites respeitáveis, profissionais? Já houve confirmações daquilo que acabei de ler?" Nada disso importa para aquele que acredita em tudo o que vê pela "sagrada internet". Estamos diante do reino das superficialidades e irreverências... A sensação de anonimato e impunidade que o uso das redes sociais nos confere tem levado muitos à anarquia e à desordem cada vez mais enraizada, cujas consequências, em vários níveis, serão colhidas no futuro. Infelizmente...

Mas, que luzes podemos propor para tal cenário? Haveria algum modo de resolver essa triste situação? Sem dispensar o valioso contributo de ideias que outros já ofereceram, é preciso afirmar a importância de se dar valor ao tempo. Ele peneira os fatos, decanta as informações, equilibra os julgamentos. Com o tempo, novos detalhes sobre notícias vem à tona, frases são refeitas, "erratas" são lançadas. É necessário voltar aos tempos da reflexão, da troca de ideias e pesquisa demorada como método de análise antes das divulgações. Isso é o mínimo! Caso contrário, só faremos coro junto aos bobos que tomam tudo por verdade e tornam-se, desse modo, cada vez menos dignos do título de filhos de Deus.



MARIA SEMPRE!

sábado, 27 de maio de 2017

ENTREVISTA COM O SR. PATRÍCIO JR.


O Sr. Patrício Júnior, 26 anos , auxiliar de engenheiro civil, é participante assíduo dos grupos de estudos da Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM e concedeu uma entrevista relatando suas perspectivas e experiências:

Edição SSVM: 1 - Estimado Sr. Patrício Júnior, como o senhor conheceu os grupos de estudos da SSVM?

Sr. Patrício: Caríssimos, eu os conheci  na Santa Missa Tridentina na minha cidade (Montes Claros), que também é promovida pela Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM. Lá recebi o convite do Sr. João Francisco para participar do GESTA (Grupo de Estudos Santo Tomás de Aquino), que acontece aos sábados.

Edição SSVM: 2 - O que te chamou atenção nesses grupos em relação a outros movimentos e grupos católicos que conhecera anteriormente?

Sr. Patrício: O que mais me chamou a atenção nos grupos da SSVM foi por buscarem estar a cada dia fiéis a Tradição e ao Magistério da Igreja Católica. Por quererem falar, de fato, aquilo que a nossa Mãe Igreja ensina. Em alguns outros grupos e movimentos que já frequentei, falavam de tudo, menos da santa Doutrina Católica e da Verdade que é Cristo Senhor, causando ainda mais confusão aos que ali frequentavam e vi que muitos iam deixando de ser católicos autênticos.

Sr. Patrício à esquerda participando do grupo de estudos.
Edição SSVM: 3 - Em sua opinião, qual a importância do católico bem se formar para ser fiel à Tradição e ao Magistério da Igreja?

Sr. Patrício: São de suma importância os estudos, ainda mais quando falamos da Santa Igreja. Pois, como sabemos, a doutrina dela é um verdadeiro tesouro onde cada dia aprendemos sempre mais e mais. Tesouro esse tão necessário nos dias de hoje, em que temos meios que causam mais desinformação do que informação. Sabemos que o modernismo (tentativa de adaptar a doutrina aos gostos modernos) e a revolução cultural a cada dia têm afetado a vida dos fiéis e com isso tem se esquecido daquilo que a Igreja de Cristo prega. Então, é importante a frequência contínua aos grupos de estudos e à Santa Missa Tridentina; nesta para nos alimentarmos sacramentalmente, naqueles para que possamos conhecer e combater as heresias. Podemos aqui lembrar de uma conferência do GESTA sobre a importância dos estudos segundo São Josemaria Escrivá: “Ao apóstolo moderno, uma hora de estudos é uma hora de oração”, “se tens de servir a Deus com a tua inteligência, para ti estudar é uma obrigação grave” e ainda diz: “Frequentas os sacramentos, fazes oração, és casto... e não estudas...- não me digas que és bom; és apenas bonzinho”.

Edição SSVM: 4 - Gostaria de testemunhar algo que vivenciou e compreendeu, nesse tempo que viera a frequentar os grupos de estudos da SSVM?

Sr. patrício Jr. à frente como acólito
 no cortejo da Missa Tridentina.
Sr. Patrício: Primeiramente, gostaria de agradecer à SSVM por ajudar na promoção da Santa Missa Tridentina e com isso facilitar que eu tivesse acesso a esse riquíssimo tesouro da Igreja. E, depois, por meio dos grupos de estudos, ter me ajudado a compreender a importância dos sacramentos concedidos pela Santa Igreja. É sempre uma alegria estar presente nas reuniões do Santo Irineu e do Santo Tomás. Por fim, quero mencionar aqui que percebo o meu crescimento na vida espiritual e também na intelectual, tão motivado pelo apostolado da SSVM. Sei que tem mudado muito meu dia a dia, de modo a buscar estar sempre em oração e estudando o que a Igreja sempre ensinou no seu Magistério e na Tradição.


MARIA SEMPRE!

foto:Anderson Santos

domingo, 3 de julho de 2016

NOTÍCIAS: EVENTO "APELO AO AMOR!"

Evento "Apelo ao Amor", auditório do Hospital Universitário

Ocorreu no último dia 25 de Junho o evento "Apelo ao Amor" no auditório do Hospital Universitário Clemente Farias, Montes Claros - MG. Contando com a presença de amigos e benfeitores da Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM, o encontro transcorreu em clima de intensa piedade e reflexão. O objetivo foi o lançamento do compêndio "Vinde a mim todos", organizado pelo sr. Paulo Vinícius Oliveira, advogado, membro da SSVM. Segundo explicado pelo autor, o texto é composto pelo resumo dos escritos referentes às revelações de Nosso Senhor Jesus Cristo à Irmã Josefa Menendez, da Sociedade do Sagrado Coração de Jesus.
Sr. Rafael Rocha, orador do evento.

Dado início às 19h do referido dia, o orador sr. Rafael Rocha, acadêmico do curso de Direito - UNIMONTES, tomou a palavra e convidou a todos para a recitação do Santo Terço, como ordenado por Nossa Senhora em várias de suas aparições. Conduzido pelo sr. Lucas Estefânio, jovem membro da SSVM, todos participaram da meditação dos mistérios com notória piedade, o que testemunha mais uma vez o louvável espírito mariano do povo norte-mineiro.

Após a recitação do Santo Terço, o orador expôs de modo introdutório a história da devoção ao Sagrado Coração de Jesus. No desenrolar de sua fala, apresentou exemplos atuais que explicitam o estado de crise em que vive a Igreja e consequentemente a sociedade hodierna, fato este tantas vezes evidenciado pelo hoje emérito Bento XVI.

Convidados rezando o S. Terço
Num terceiro momento, o sr. Rafael Rocha chamou para compor a mesa o reverendíssimo Sacerdote Jesuíta, Pe. Henrique Munaiz, sempre muito próximo das atividades promovidas pela Sociedade da Santíssima Virgem Maria. Foi ele quem deu à arquidiocese de Montes Claros a alegria do retorno da Santa Missa no rito Tridentino, após décadas de ausência. Compôs o quadro o sr. João Soares de Oliveira Junior, Presidente da SSVM e o sr. Paulo Vinicius Oliveira. Findados os convites, tomou a palavra o organizador do compêndio. 

Pe. Henrique  aprecia o compêndio
O sr. Paulo Vinicius expôs com maestria o conteúdo da obra em questão ("Vinde a mim todos"), fato muito edificante. Sua conferência foi acompanhada de uma aprofundada reflexão a respeito das palavras transmitidas pela serva de Deus que teve a honra de receber as visitas sobrenaturais de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não deixou de chamar a atenção à necessária verdade da reparação tão ligada à devoção ao Sagrado Coração. Com efeito, num mundo onde alastrou-se um sentimentalismo exacerbado fruto do Romantismo não combatido devidamente, corre-se o perigo de uma abordagem manca a respeito da misericórdia, tema tão ligado a essa devoção. Vem-nos à mente as palavras de Santo Tomás de Aquino (Doutor da Igreja) o qual com extrema lucidez, afirmara: "Ser misericordioso é ter de algum modo um mísero coração, isto é, atingido pela tristeza à vista da miséria do outro, como se fosse a sua própria. Segue-se então que se busca fazer cessar a miséria do próximo como se fosse a sua própria; esse é o efeito da misericórdia."1

Sr. Paulo Vinicius expôs com maestria o teor da obra.
Terminada a conferência, abriu-se um espaço para a participação dos presentes. Todas as questões apresentadas foram sanadas pelos que compunham a mesa. Os modos alegres e expressivos do Pe. Henrique completaram com eloquência as mui embasadas respostas dadas aos que recorreram à mesa.


Finalmente, feito os devidos agradecimentos, todos foram convidados para um agradável convivência, onde foi oferecido aos amigos e benfeitores um delicioso coquetel. Ali, as pessoas puderam adquirir a obra "Vinde a mim todos" assim como outros materiais de piedade: Catecismo do Escapulário do Carmo, Quadros religiosos e os já conhecidos Pugnas, boletins distribuídos gratuitamente à população católica.


Pe. Henrique ladeado por alguns membros e amigos da SSVM.

Aspectos gerais do lançamento do compêndio "Vinde a Mim todos!" (Organizado pelo Sr. Paulo Vinícius Oliveira) durante o evento "Apelo ao Amor" da SSVM.






Fotos: Sr. Renato Diniz/ Sr. Anderson Santos


MARIA SEMPRE!


Referência:

1 AQUINO, Santo Tomás. Suma Teológica. Tomo I. Questão XXI, Art. III.

domingo, 28 de junho de 2015

ASTRA CASTRA, NUMEN LÚMEN ...


"Quanto mais elevado for o teu ideal, tanto mais saberás
entusiasmar-te por uma ideia." (Dom Tihamer Toth)



Por Dom Tihamer Toth


"A finalidade da nossa vida é trabalhar para a glória de Deus e para o bem do nosso próximo. Somos, pois, obrigados a desenvolver e a cultivar em nós todos os talentos que nos podem auxiliar a atingir essa finalidade. O moço cujas palavras, ações, pensamentos, todas as manifestações da vida se orientam a esses nobres pensamentos, é um moço de ideal elevado.

E, acredita-me, é o essencial: agir sempre segundo essa concepção ideal da vida! Não basta, pois, ter pensamentos nobres: é mister, ainda, que deles brotem sentimentos semelhantes, os quais, por sua vez façam nascer resoluções e ações. 'Semeia um benefício', diz um filósofo inglês, 'e colherás um hábito; semeia o hábito, e colherás um caráter; semeia caráter, e colherás teu futuro'. 'Sê um homem ideal nas tuas ações, nos teus hábitos, no teu caráter'. A quem, pois, melhor que a um jovem de alma nobre, ficaria bem a visão irreal do mundo? Por certo, é preciso que o estudante saiba assegurar a existência material pelo seu trabalho, habilidade e aplicação. Preserve-o, porém, Deus de fazê-lo segundo a receita de um dos Rotschild, que afirma não se poder ficar rico sem roçar, ao menos com um cotovelo, a porta da prisão.


 Tihamer Toth (1889-1939)
autor do presente texto.
E, se em todos desejo ver um nobre ideal, longe estou de entender por isto os devaneios estéreis duma imaginação falseada que se extravia nas nuvens. Quem só vive a fazer castelos no ar, que imediatamente desmoronam para reaparecer mais adiante, não é um homem de ideal, mas o tipo ideal do preguiçoso. Essa concepção elevada, eu quisera vê-la acompanhada de todo o entusiasmo, de todo o ardor no trabalho e de toda a energia a que a humanidade deve o seu progresso. O melhor indício duma concepção ideal das coisas é que não admire o moço somente o progresso material, as máquinas e os motores, os barcos a vapor e os aparelhos elétricos, mas que, ao lado disso, professe uma fé sólida na realidade dos ideais invisíveis, tais como a honra, a consciência, o amor da pátria, o amor do próximo. E não só acredita nesses ideais, mas coloca-os acima de qualquer vantagem terrena. Quanto mais elevado for o teu ideal, tanto mais saberás entusiasmar-te por uma ideia. Sem dúvida, mais tarde, na idade madura reconhecerás que perfeição ideal não se acha na terra em toda a sua plenitude, e que apenas sua sombra a quando e quando nos visita. Não importa! Nada de desalentos, como os materialistas; pelo contrário, cumpre trabalhar para que a imagem esbatida dessas idéias sublimes se torne mais clara e mais nítida ao menos em ti, e no círculo restrito de tua família e das tuas relações sociais. O mal só desalenta os corardes; o homem de caráter tira dele forças para combater melhor. Sem lutas, a vida seria bem mais fácil, mas o nível da humanidade desceria certamente: ela se tornaria mole e efeminada.

A humanidade ainda é capaz de progressos gigantescos material, espiritual e moralmente; e pode-se reconhecer o jovem de ideal pelo entusiasmo ardente que o faz crer ter-lhe a Providência também confiado uma pequenina parcela dos progressos que ainda restam para realizar. A tarefa de auxiliar entre os homens, o desenvolvimento da sabedoria e da bondade aguarda-te, pois, como aos outros. O moço que tem um ideal não pergunta: “Que devo fazer para ser feliz?”, mas diz a si mesmo: “Farei o meu dever, e sei que isso me tornará feliz!”

Não te ensina pois, este livro, como evitar as dificuldades da vida, mas como vencê-las. Não sejas astucioso, mas forte; não procures as proteções, mas sê intrépido na luta a fim de alcançares o teu objetivo.

Ousado, deves empenhar a vida
Por um grande ideal acarinhado.
Empresa nenhuma hajas por perdida,
Se ainda não estás desalentado.

(Vorosmarthy)

Não imites o pessimista que vê a vida por um só lado, o da desventura e do vício; sê otimista e, ao lado de toda essa treva moral, não te esqueças de enxergar o bem e o belo. Na verdade, a juventude é a idade do otimismo; o mal é deixarem-se os jovens desanimar imediatamente pelo insucesso, que os engolfa nas ondas do pessimismo.

Mas o verdadeiro otimismo é o que faz jorrar a força ativa na alma. Sem dúvida , o estudante que anda sempre nas nuvens e sonha seu futuro sem trabalhar para ele, torna-se infalivelmente pessimista quando não o realiza. Entretanto, nada mais natural; sem esforço de sua parte, nada podia esperar do futuro. Ele se ofenderá, se eu lhe disser, é bem mais cômodo deixar-se levar ao desânimo e dizer: 'Não vale a pena trabalhar! Ninguém me convence do contrário', ao passo que do teu otimismo resultará o trabalho consciencioso e entusiasta. Não te deixarás contar entre os estudantes que são otimistas na primeira metade do ano, pessimista na segunda e horrivelmente preguiçosos o ano todo!

Cesar  (100 - 44 a.C)
O mundo não é totalmente mau, nem totalmente bom: nele, o bem e o mal acham-se misturados. Se nunca o esqueceres, podes ser, ao mesmo tempo e na justa medida, otimista e pessimista. Faze tudo o que puderes, tudo o que depender de ti, ainda que um organismo fraco, a pobreza material, limitada capacidade intelectual, defeitos de caráter herdado de teus pais, te barrarem diariamente o caminho. Não importa! Tem confiança, luta e trabalha: é assim que serás sabiamente otimista. Mas, ao mesmo tempo, vê e sente sempre que há muito mal em ti, em torno de ti e pelo mundo todo; sabe que deves estar incessantemente preparado para lutar contra esse mal e combatê-lo sem trégua: serás então sabiamente pessimista.

Júlio César, o grande vencedor, achando-se a bordo duma embarcação por ocasião de tremenda tempestade, disse a um marujo que, de remo na mão, tremia de medo: 'Quid times? Caesarem vehis!' - 'Como podes ter medo? Não sabes que levas César?' Se este pensamento foi capaz de vigorar os músculos do remador que lutava contra o furacão, quanto mais nos deveria dar sempre novas forças a certeza de que o jovem de alma pura é o templo vivo de Deus! Trazemos a Deus conosco: em todas as nossas lutas; não é César, mas o próprio Deus, que está ao nosso lado. Eis o verdadeiro otimismo que dá força invencível!

O pessimismo desanima, diminui o gosto para a vida e para o trabalho; se fores mau, certamente te tornarás pior. O otimismo faz nascer a confiança em si; dá um gosto mais pronunciado para viver, ajudar-te-á a perseverar e, pois, a vencer. Trata, logo, de ser sabiamente otimista. Recomendo-te por máxima: Astra castra, numem lúmen! 'Minha verdadeira pátria está acima das estrelas e minha luz é Deus!'"

Fonte: Tihamer Toth, O moço Educado, Parte III, capítulo 89, páginas de 211 a 215; editora Vozes, 1960.


MARIA SEMPRE!


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

PARA OS CATÓLICOS UNIVERSITÁRIOS!!

Universidade Medieval



“Àquele que puder ser sábio, não lhe perdoamos que não o seja”
(São José Maria Escrivá)

Por Tomás Afonso Maria

Há muitos católicos que ao participar do ambiente acadêmico sentem-se desanimados e perdidos diante da triste realidade ali encontrada. Doutrinação marxista, ateísmo militante, decadência moral e uma visão deturpada do catolicismo, entre tantas outras coisas, são constantes nas universidades. 

Nosso intuito neste artigo é oferecer alguns conselhos para o direcionamento dos jovens. Graças a Deus ainda há estudantes que intentam ser fiéis a Cristo!

1- Não se isole!


Fuja do Isolamento.
O universitário não é um monge de clausura. Atitudes de isolamento podem levar à depressão e à tristeza. 


Forme um círculo de amigos; busque aproximar-se de outros católicos praticantes ou de pessoas que tenham um mínimo de virtude. Faça uma sincera amizade com os bons. 

Fuja do isolamento, cultive boas amizades. 



2- Seja Apóstolo!

Não pense que estudar o dispense da necessária evangelização. É preciso conquistar as almas dos colegas para Cristo.


Marcelo Câmara 1 

Busque, num primeiro momento, os mais receptivos à Fé. Conheça a realidade de cada um e faça apostolados pessoais. Seja prudente! Por exemplo: a um ateu deve-se mostrar a existência da realidade espiritual; a um protestante deve-se refutá-lo com argumentos bíblicos.

Mostre aos colegas - através de palavras e ações- a beleza de Deus e da Sua Igreja. Conte-lhes sobre a Eucaristia, sobre Nossa Senhora, a vida dos santos, o céu, a misericórdia Divina; enfim, sobre tudo aquilo que os leve apaixonar-se pela Verdade.

Estude e combata as críticas à Igreja; evite discussões tolas e intermináveis. Prefira o apostolado particular, silencioso e tranquilo. A experiência demonstra ser mais eficaz.

Encomende a Deus e a Santíssima Virgem Maria as pessoas com quem faz apostolado. Lembre-se, ademais, de pedir ajuda aos anjos da guarda.


3- Dilate o coração no amor aos irmãos!

Sedes misericordiosos!
 (N. S.Jesus Cristo)
Ao ver as pobres almas de tantos colegas dilaceradas pelo pecado, tenha a compaixão que Cristo manifesta aos pecadores. Console os que passam por tribulações; dê bons conselhos; estude com alguém que tenha dificuldades numa matéria, com o fim de também instruí-lo nas verdades da fé; disponibilize seus materiais, seja gentil e prestativo.

Em suma, ame! Seja caridoso e amável para com todos! Não para ganhar "status", mas por amor a Deus e pela salvação das almas.

4- Seja Católico!

Não envergonhe-se da fé católica!
Professe abertamente a sua fé; não a negue por nada. É com alegria que se deve carregar a graça de ser católico.

Seja um "papagaio" da Igreja; não tenha medo. Lembre-se: professores e colegas não são “frades franciscanos” confirmados em graça; por isso, devem ser introduzidos paulatinamente na Verdade, de uma forma que a compreendam.


5- Evite as más companhias

Evite os "lobos"
“A maioria dos jovens entra no caminho do vício por força do conselho e seduções de companheiros corrompidos", diz Dom Tihamer Toth².

Cuidado! Evite amizades com pessoas que podem corromper a sua alma. Não sejas muito íntimo daqueles que estão mergulhados em vícios e erros graves, no entanto não despreze-os conforme já indicado no terceiro conselho. 

6- Lidando com opiniões erradas

Santo Tomás de Aquino3
Em todos os cursos (em especial os de Ciências Humanas) é fácil encontrar diversos pensadores e ensinamentos contrários à doutrina católica: Marxismo, Relativismo, Existencialismo, Psicologia freudiana, Positivismo, deturpações históricas (sobre a Idade Média, Inquisição, papas...), etc. Não tenha medo de estudar estes assuntos, desde que sua mente esteja amparada por bons orientadores e saudável fonte bibliográfica; deste modo, não correrá riscos quanto à fé. Não é abandonando autores e textos nos momentos de pesquisa acadêmica que auxiliaremos a Igreja na luta contra o erro. Afirmara São José Maria Escrivá “Frequentas os sacramentos, fazes orações, és casto... e não estudas... Não me digas que és bom; és apenas bonzinho.”4

Estude o erro com penetração e perspicácia; elenque suas contradições e deturpações da realidade; por fim, julgue-o à luz da doutrina católica - nosso blog, por exemplo, oferece material de qualidade para refutar os adversários da fé. Cada erro refutado fortalece a alma na rocha sólida do cristianismo.

Santo Tomás de Aquino conhecia de antemão a opinião dos inimigos da Verdade, e através da refutação destas opiniões errôneas chegava a Verdade. 

7- Cuide da sua vida espiritual

N. Sra.Sede da Sabedoria
Mais importante que a vida intelectual é a vida espiritual, porém uma não dispensa a outra. 

Escrevera São José Maria Escrivá. “Está certo que ponhas esse empenho no estudo, sempre que ponhas o mesmo empenho em adquirir a vida interior”; em outra parte também afirmara: “Para um apóstolo moderno, uma hora de estudo é uma hora de oração.”5 Portanto, jamais abandone a oração. 

E, finalmente, tenha uma grande devoção a Nossa Senhora; Ela é a Sede da Sabedoria e iluminará a sua passagem pela universidade.

MARIA SEMPRE!

1 Mais informações sobre Marcelo Câmara em : http://marcelocamara.org.br/?page_id=37

2 TOTH, Tihamer. O moço educado. V. S.C. J, 1938; p.69 (adaptação nossa) 
3 Santo Tomás de Aquino conhecia de antemão a opinião dos inimigos da Verdade, e através da refutação destas opiniões errôneas chegava a Verdade.
4 ESCRIVÁ, José Maria. Caminho. 9ª ed. São Paulo: Quadrante, 1999; p.118.
5 ESCRIVÁ, José Maria. Caminho... Idem; p. 117.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

TESTEMUNHO DE FIEL DA MISSA TRIDENTINA EM MONTES CLAROS-MG


Entrevista do Blog Escritos Católicos com o fiel Marlan Alves (foto).


Marlan Alves Santana Batista, 31 anos, é professor de Geografia da rede pública de ensino, casado à 5 anos com Michele Patrícia Silva Batista Santana, tem um filho, frequenta a Missa Tridentina em Montes Claros-MG.

Blog Escritos C.: Caro Marlan, como conheceu a santa Missa no rito antigo?
Eu conheci este Rito através de pesquisas na internet. Lia alguns artigos acerca do Latim na Missa, quando deparei com um vídeo, extraído de um DVD feito na França (se não estou enganado), para ensinar os sacerdotes a celebrar a Missa Tridentina. Fiquei ansioso por assistir uma Missa Tridentina, mas aqui ainda não havia Padre que celebrasse nesse Rito. Depois de certo tempo, e de uma tentativa frustrada de conhecê-la quando fui à São Paulo. Tive o conhecimento que em Montes Claros tinha começado a ter essa Celebração aos sábados, não perdi tempo, fui a Missa e vivi esta experiência maravilhosa.
 
Imagens do momento do Ofertório na Missa Tridentina em Montes Claros
Blog Escritos C.: O que de início te chamou atenção no rito Tridentino?
Fiquei maravilhado ao ver que neste Rito há um zelo pelo Cristo presente no Altar, pela celebração do Sacrifício, como ele é rezado, o latim e todo o gestual que o padre faz tocou minha alma. Ao assistir esta Missa você é levado a uma participação mais orante, mais piedosa do Santo Sacrifício, é privilegiado o silencio e a meditação. Assim você acaba por aprender a assistir a Missa Ordinária com mais zelo e piedade pois aprende a ser mais sóbrio e desejoso a um momento de silêncio e de intimidade com Jesus na Eucaristia.
 
Papa Emértio Bento XVI em  recolhimento e oração

Blog Escritos C.: Como vê este movimento simultâneo de jovens que buscam a riqueza da Tradição da Igreja?
Vejo este movimento de jovens que buscam a tradição duas coisas bem marcantes. A primeira delas é a repulsa pelo que o mundo moderno vem nos oferecendo atualmente, que podemos destacar dentre elas a banalização e relativização das relações interpessoais que acabam também por refletir na nossa relação com Deus, nossa fé e prática Cristã acaba sendo afetada por essa relativização e buscar na Tradição este suporte para nossa prática está se tornando uma excelente arma contra este mal que vem deteriorando cada vez mais nossa sociedade. A segunda está mais centrada na nossa fé. A Igreja sempre guardou a fé e a Tradição Cristã através dos séculos. Os Apóstolos anunciavam a Boa Nova do Senhor e transmitiam ao povo esse tesouro e sempre zelavam para que esta Tradição não transviasse e nem morresse, mas florescesse e desse frutos, assim como havia prometido Nosso Senhor Jesus a eles. Então na busca de uma vivencia mais intima com Cristo e Sua amada Esposa, a Igreja Católica, muitos jovens estão encontrando na tradição católica, vivida por tantos Santos, um caminho seguro até Jesus Cristo.

Blog Escritos C.: Além da frequência regular aos sacramentos, na sua opinião, o quê os leigos católicos devem fazer para vivenciarem melhor a fé?
Antes de qualquer coisa, buscar uma vivencia intima com Jesus e dos caminhos existentes o mais perfeito e seguro é por Maria Santíssima. Ela que, com seu “fiat”, nos abriu a salvação, Ela que amou a Cristo desde quando estava em seu ventre, nos conduzirá a Ele por suas amorosas mãos de Mãe e nos protegerá de todas a ciladas do inimigo, que teima e nos colocar em caminho oposto aos de Jesus. Por isso devemos sempre estar em oração, rezar diariamente o Santo Rosário, ou ao menos o terço. Além das nossas orações, devemos buscar alimentar nosso conhecimento acerca das coisas relativas à fé, à Santa Igreja e da Doutrina e Tradição Católica. Quanto mais se conhece mais se ama e quanto mais se ama, mais se busca conhecer. Sem este conhecimento nos tornamos também presas fáceis dos inimigos de Cristo e Sua Igreja. Para se fazer uma boa apologética é necessário que se estude sempre.

Regina Decor Carmeli; Málaga, Espanha.
Blog Escritos Católicos: Muito obrigado prezado Marlan pela disponibilidade em nos responder! Fique à vontade para direcionar palavras aos leitores do blog.
A você caro leitor, eu desejo toda sorte de bençãos oriundas das mãos puríssimas da Santíssima Virgem, que Ela sempre lhe acompanhe e guarde e te leve direto a Jesus Cristo e dEle não te afaste nunca. Deus abençoe a Todos e um fraterno abraço!

PAX DOMINI IESU CHRISTI!
IN CORDE IESU ET MARIA SEMPER!


                                                   †††

MARIA SEMPRE!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A SUPOSTA ‘CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II AOS JOVENS', o que realmente é, o que nunca foi e o que poderia ser.


Por João S. de O. Jr.

Não só no meio virtual, mas mesmo em meio a grupos de jovens de oração nas paróquias e comunidades, há uma ampla divulgação de uma famosa “Carta de João Paulo II aos jovens”. Acontece que é uma carta que nunca foi escrita pelo então pontífice da maneira que é apresentada. O Papa João Paulo II escreveu e assinou diversas cartas, documentos, encíclicas. Dentre essas, algumas muito boas como a “Veritatis Splendor”, a “Encíclica da Eucaristia” e a “Rosarium Virginis Mariae”, mas curioso é que essas cartas aos jovens de hoje, de ontem e de amanhã (de todos os fiéis) são oficiais e não são divulgadas com tanto entusiasmo pelos grupos como a falsa carta é. Tempos de crise...

A Verdadeira Carta de João Paulo II aos Jovens é o documento Carta Apostólica Dilecti Amici (aos amigos diletos), de 1985, por ocasião do ano internacional da Juventude. Inicia-se com a citação "Sempre pronto a dar razão da esperança a quem o solicite para você." O único trecho que de fato é igual à pseudo-carta é mínimo no documento verdadeiro bata uma leitura atenta: Confira tudo aqui.


Enfim, quero vos apresentar a famosa pseudo-carta e uma paródia de autoria deste também jovem leigo e esporádico autor que vos escreve em confronto com aquela. A paródia é uma visão da necessidade gritante que se observa para os jovens católicos da atualidade.

A pseudo-carta aos Jovens (sempre divulgada)

Precisamos de Santos sem véu ou batina.

Precisamos de Santos de calças jeans e tênis.

Precisamos de Santos que vão ao cinema, ouvem música e passeiam com os amigos.

Precisamos de Santos que coloquem Deus em primeiro lugar, mas que se "lascam" na faculdade.

Precisamos de Santos que tenham tempo todo dia para rezar e que saibam namorar na pureza e castidade, ou que consagrem sua castidade.

Precisamos de Santos modernos, Santos do século XXI com uma espiritualidade inserida em nosso tempo.

Precisamos de Santos comprometidos com os pobres e as necessárias mudanças sociais.

Precisamos de Santos que vivam no mundo se santifiquem no mundo, que não tenham medo de viver no mundo.

Precisamos de Santos que bebam Coca-Cola e comam hot dog, que usem jeans, que sejam internautas, que escutem disc man.

Precisamos de Santos que amem a Eucaristia e que não tenham vergonha de tomar um refri ou comer pizza no fim de semana com os amigos.

Precisamos de Santos que gostem de cinema, de teatro, de música, de dança, de esporte.

Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais, amigos, alegres, companheiros.

“Precisamos de Santos que estejam no mundo; e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo, mas que não sejam mundanos”



Sejamos Santos!
(falsamente atribuída como a Carta de João Paulo II)


Paródia (como a “carta” poderia ser para os jovens de hoje)


Santa Gemma Galgani

Precisamos de muitos Santos e Santas, que não tenham medo de usarem o santo véu ou porem sua batina.

Precisamos de Santos modestos, que buscam a beleza sem futilidade.

Precisamos de santos que conheçam um bom cinema católico, belas músicas clássicas, que tenham senso crítico para a mídia e que saibam fazer amigos para Cristo. Que não temem os inimigos deste mesmo Cristo.

Precisamos de Santos que coloquem Deus em primeiro lugar em tudo, sobretudo, na faculdade e que não larguem Aquele depois desta última.

Precisamos de Santos que rezem e saibam lembrar de Deus em qualquer hora do dia, e que estudem também a doutrina da Igreja. Santos que buscam sua vocação, seja matrimonial, seja celibatária, mas que seja por amor a Cristo.

Precisamos de Santos Tradicionais, Conservadores, de todos os tempos, de sempre. Que não se envergonhem de dois mil anos de história.

Precisamos de santos que saibam de política, mas que nunca afaste a caridade como ferramenta em tudo que fizer socialmente.

Precisamos de santos que estejam no mundo, mas que não sejam do mundo. Que não tenham medo de viver para Cristo neste mundo.

Precisamos de Santos que bebam cerveja moderadamente, que apreciem uma boa culinária e não tenham medo de vestir o social ou usarem a saia, que saibam mostrar a cortesia em sociedade. Que apreciem a cultura clássica e não tenham medo de serem chamados de cafonas por isso.

Precisamos de santos que amem o Santíssimo Sacramento com atos externos e internos.

Santos que sejam humildes o suficiente para sempre se confessarem quando preciso.

Precisamos de jovens que sejam santos, mas que busquem ser santos mesmo, pois, de mediocridade, o mundo já está cheio.

Sejamos Santos guerreiros nesta terra!


Beato Pier Giorgio Frassati

Mãe do Bom Conselho, rogai por nós!