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domingo, 16 de julho de 2017

PROFESSOR CARLOS NOUGUÉ CRIA A ESCOLA TOMISTA

Por Edição do Blog

A Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM tem a honra e, igualmente, a alegria de divulgar a criação da Escola Tomista, idealizada e implementada pelo ilustre e renomado Professor Carlos Nougué.

Professor Carlos Nougué

Trata-se de uma universidade tomista online, concebida com o intuito de formar uma elite de pensadores com vasta formação intelectual e humana, com sólido fundamento na filosofia aristotélico-tomista. Nas palavras do próprio fundador, "só depois de formada tal elite é que será possível formar adequadamente adolescentes e jovens em escolas e em universidades efetivamente católicas ou numa educação doméstica de fato profícua."

Com início previsto para meados do próximo mês de agosto, as aulas serão disponibilizadas sempre às quintas-feiras, ficando, depois disso, acessíveis na rede para serem assistidas a qualquer momento pelos alunos. Visando alcançar o maior número possível de pessoas, a Escola Tomista terá um custo mensal bastante acessível, no valor de R$ 47,00, e que poderá ser ainda menor, conforme se opte pelo pagamento trimestral, semestral ou anual.

Por envolver uma primorosa e extensa gama de conhecimentos, nas mais diversas áreas do saber e das artes, a Escola Tomista terá verdadeiramente um status de universidade, com previsão de duração de cinco anos, e será dividida em dois cursos: o Curso 1 será voltado para temas ligados a Filosofia, Gramática, Lógica, Ética, Economia, Direito, História, Matemática, Física Geral (Cosmologia, Química, Biologia, Psicologia) e Metafísica; o Curso 2 terá como enfoque a Sagrada Teologia, ou ciência de Deus enquanto Deus - a única das ciências que é simultaneamente especulativa e prática e cujos princípios não se alcançam somente pelas luzes da razão. Este curso fundar-se-á inteiramente na Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino, incluído seu Suplemento.

Diante de tão extraordinária iniciativa, a SSVM recomenda a todos os seus leitores, amigos e benfeitores que sejam coparticipantes dessa alvorada de luminosidade intelectual e espiritual no Brasil, sobretudo nesses tempos em que, infelizmente, não se vislumbram bons horizontes no sistema de educação nacional.

Para conhecer a ementa completa dos cursos que serão ministrados e para obter outras informações sobre a Escola Tomista, acesse os links abaixo:



Santo Tomás de Aquino, Patrono dos estudantes



MARIA SEMPRE!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

BLAISE PASCAL - "O AMOR PRÓPRIO"


"(...) não fazemos outra coisa senão nos enganarmos e adularmos mutuamente."

Postado por editores do Blog

Blaise Pascal (1623-1662)
Segue abaixo uma reflexão feita por Blaise Pascal (1623-1662) a respeito do homem na sociedade. Filósofo, físico, matemático, moralista e teólogo, este pensador francês, infelizmente, morreu defendendo a heresia jansenista que tanto mal causou a inúmeros cristãos ignorantes. Em sua obra podemos perceber muitas vezes o rigor exagerado, e forte pessimismo que marcava os fautores deste erro doutrinal. Os jansenistas chegavam a pregar o absurdo da predestinação. Entretanto, não podemos negar a beleza, profundidade e acerto de muitas observações feitas por Pascal a respeito das interações humanas. 


†††



"A natureza do amor-próprio e desse eu humano é não amar senão a si e não considerar senão a si. A que pode levar? Não impedira que esse objeto que ama não esteja cheio de defeitos e misérias: quer ser grande e se vê pequeno; quer ser feliz e se vê miserável; quer ser perfeito e se vê cheio de imperfeições; quer ser o objeto do amor e da estima dos homens, e vê que seus defeitos só merecem deles aversão e desprezo. Esse embaraço em que se acha produz nele a mais injusta e criminosa paixão que se possa imaginar; pois concebe um ódio mortal contra essa verdade que o repreende e o convence de seus defeitos. Desejaria aniquilar essa verdade, e, não podendo destruí-la em si mesmo, ele a destrói, tanto quanto pode, em seu conhecimento e no dos outros; isto é, põe todo o seu cuidado em encobrir os próprios defeitos a si mesmo e aos outros, e não pode suportar que o façam vê-los, nem que os vejam.

É sem dúvida um mal ter tantos defeitos; mas é ainda um mal maior estar cheio deles e não querer reconhecê-los, pois é ajuntar-lhes ainda o de uma ilusão voluntária. Não queremos que os outros nos enganem; não achamos justo que queiram ser estimados por nós mais do que merecem; não é, portanto, justo também que nós os enganemos e queiramos que nos estimem mais do que merecemos.

"É sem dúvida um mal ter tantos defeitos; mas é ainda
 um mal maior estar cheio deles e não querer reconhecê-los(...)"
Assim, quando só descobrem em nós imperfeições e vícios, que na realidade temos, é claro que não cometem uma ofensa, pois não são eles os causadores, e nos fazem um benefício, pois nos ajudam a nos livrarmos desse mal que é a ignorância das imperfeições. Não nos devemos zangar pelo fato de eles as conhecerem e de nos desprezarem, pois é justo que nos conheçam pelo que somos, e que nos desprezem se somos desprezíveis. Tais seriam os sentimentos naturais em um coração cheio de equidade e de justiça. Que devemos dizer do nosso, vendo nele uma disposição tão contrária? Pois não é verdadeiro que odiamos a verdade e aqueles que no-la dizem, e que gostamos que se enganem a nosso favor, e que desejamos que nos tomem por outro que não somos na realidade?

A religião católica não nos obriga a revelar nossos pecados indiferentemente a todo mundo: permite que os ocultemos de todos os outros homens; mas excetua alguém ao qual ordena que abramos o fundo do coração, e que o mostremos tal qual é.

Somente a esse único homem, no mundo, ela nos ordena confessar, mas obriga a um segredo inviolável, que faz com que o seu conhecimento de nossos pecados permaneça nele como se não existisse.

Será possível imaginar algo mais caritativo e mais suave? E, contudo, é tal a corrupção do homem que acha ainda dureza nessa lei; e foi uma das principais razões que fizeram grande parte da Europa se revoltar contra a Igreja. Tão injusto e desarrazoado é o coração do homem que lhe parece um mal ser obrigado a fazer, em relação a um só homem, o que seria justo, de certa maneira, que fizesse em relação a todos os homens! Pois será justo os enganarmos?

"Ninguém fala de nós em nossa presença
 como se fala em nossa ausência."
Há diferentes graus nessa aversão à verdade; mas pode se dizer que até certo ponto ela existe em todos, porque é inseparável do amor próprio. Assim essa falsa delicadeza que obriga os que estão na necessidade de repreender os outros a escolherem tantos rodeios e manejos para não ferí-los. Precisam diminuir os nossos defeitos, fingir desculpá-los, misturar louvores e testemunhos de afeição e de estima. E, mesmo assim, essa medicina não deixa de ser amarga ao amor próprio. Tomamos dela o menos que podemos, e sempre com desgosto, e muitas vezes com secreto despeito contra os que no-la oferecem. Por isso acontece que, quando alguém tem interesse, em ser amado por nós, foge de prestar-nos um serviço que sabe ser-nos desagradável; trata-nos como desejamos ser tratados: odiamos a verdade, a verdade nos é ocultada; desejamos ser adulados, adula-nos; gostamos de ser enganados, engana-nos. Donde, ao mesmo tempo que nos eleva no mundo da sorte, os afasta da verdade, pois teme-se mais ferir aquele cuja afeição é mais útil e cuja aversão é mais perigosa.

Um príncipe pode tornar-se o divertimento de toda a Europa, e ser o único a ignorá-lo. Não me admira: a verdade é útil àquele a quem é dita, mas desvantajosa para os que a dizem, porque se tornam odiosos. Ora, os que vivem com os príncipes preferem os seus interesses aos do príncipe que servem; e por isso não se preocupam em lhe proporcionar uma vantagem prejudicando-se a si mesmos. Essa infelicidade é sem dúvida maior e mais comum nas fortunas mais avantajadas; mas as menores não estão isentas dela, porque há sempre algum interesse em se tornar amável. Assim a vida humana nada mais é que uma perpétua ilusão; não fazemos outra coisa senão nos enganarmos e adularmos mutuamente. Ninguém fala de nós em nossa presença como se fala em nossa ausência. A união existente entre os homens assenta apenas nesse mútuo engano; e poucas amizades subsistiriam se todos soubessem o que dizem deles os amigos quando não estão presentes; mesmo quando falam com sinceridade e sem paixões.

O homem não passa, pois, de disfarce, mentira e hipocrisia, tanto ante si próprio como em relação aos outros. Não quer que lhe digam verdades e evita dizê-las aos outros (...)"


MARIA SEMPRE!


Fonte: MAURIAC, François. O pensamento vivo de Pascal. São Paulo: Martins, 1941; p.109-112.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O ENSINO NA IDADE MÉDIA

Universidade de Vilnius fundada em 1579, Lituania.
"certos escritores, entre outros, Aubigné e Michelet, têm afirmado com um ar de triunfo que, no momento da reforma protestante, a instrução se achava num estado deplorável. Nada mais errado. Nessa época, havia na Europa 72 universidades, todas católicas. Ao redor dessas, agrupavam-se numerosos colégios e escolas: contavam-se 300 em Oxford, 60 em Paris, mais de 40 em Louvain, etc., sem contar as casas de estudos fundadas pelas ordens religiosas e os seminários organizados pelos bispos"

Riboulet- Noções de história da educação, Theobaldo Miranda Santos