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domingo, 24 de abril de 2016

REFLEXÃO: "AS DEMORAS DE DEUS"

"A virtude da paciência é uma terapia de que o mundo atual precisa muito."

Por Editores do Blog
Reproduzimos abaixo interessante reflexão do Pe. Francisco Faus, sacerdote integrante da Prelazia da Santa Cruz e do Opus Dei. Espanhol, conviveu com São José Maria Escrivá e vive em São Paulo desde 1961.
É autor de diversas obras sobre piedade cristã, entre elas "A Paciência", do qual foi extraído este trecho, que nos acenam para a confiança e esperança em Deus. 


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No mundo em que vivemos, bêbado de acelerações,
ultrassônico nas mudanças e doente de impaciências
"No mundo em que vivemos, bêbado de acelerações, ultrassônico nas mudanças e doente de impaciências, a bela arte do amor paciente é muito necessária. A virtude da paciência é uma terapia de que o mundo atual precisa muito.

Mas, num ambiente em que o egoísmo pensa que “para mim tudo tem que ser antes e ao meu gosto” e o comodismo exige 'tudo rápido, para já e com o menor trabalho possível', a impaciência grassa largamente e faz a festa. E é natural que se mostre, a toda a hora, em forma de cansaço insofrido, unido a uma revolta irritada. Não é estranho que, nesse clima, as impaciências acabem cedo ou tarde por arremessar-se contra Deus.

Tal é o caso, não infreqüente, dos que chegam a duvidar da bondade de Deus e sentem abalar-se-lhes a fé quando julgam que 'Deus não os escuta', pois – segundo pensam – não atende aos seus pedidos nem os livra das suas aflições.

Alguns falam então do 'silêncio de Deus', insinuando – ou afirmando claramente – que Deus não se interessa pelas suas criaturas, mas permanece na olímpica solidão dos céus, alheio às tribulações e anseios dos homens. Um bom número de casos de agnosticismo, ou de ateísmo inconsistente (será que há algum ateísmo que não seja inconsistente?), ou de ceticismo mais ou menos cínico, tomaram pé em alguma decepção. Esperava-se algo de Deus, e não aconteceu. Por essa razão, Fulano deixou de ir à Missa depois da morte do filho, pelo qual tanto tinha rezado; Sicrano perdeu a fé após a quinta tentativa frustrada de entrar na faculdade; e Beltrana bandeou-se para o esoterismo ao perder o último namorado.

Os 'silêncios' e as 'demoras' de Deus põem à prova a nossa paciência. Mas são precisamente essas dificuldades desconcertantes as que nos fazem compreender que uma boa paciência jamais poderá ser erguida sobre uma fé ruim.

O vosso Pai vê, o vosso Pai sabe,
 o vosso Pai cuida - Mt 6, 25
Uma das primeiras verdades – inesgotável e luminosa verdade! – que Cristo nos revelou foi a da paternidade de Deus: O vosso Pai vê, o vosso Pai sabe, o vosso Pai cuida (cf. Mt 6, 25 e segs.). Não se vendem dois passarinhos por uma moedinha? No entanto, nenhum cai por terra sem a vontade do vosso Pai. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois! Valeis mais do que muitos pássaros (Mt 10, 20-31).

Deus é um Pai que sempre nos acompanha. E esse Pai está amorosamente ativo, talvez mais do que nunca, quando parece que se cala e não intervém.'Quando nada acontece – diz, com certeira intuição, Guimarães Rosa –, há um milagre que não estamos vendo'[NOTA DE RODAPÉ: Primeiras Estórias, José Olympio, Rio de Janeiro, 1962, pág. 71.].

Quem vive realmente de fé, caminha sereno e confiante na 'mão' de Deus que, como víamos acima, muitas vezes não coincide com a nossa. Ele, que é Bom Pastor de cada um de nós, sabe, e sabe-o muito bem, por onde nos leva e nos traz. Ainda que atravesse as sombras da morte, nada temerei, porque Tu estás comigo (Sl 23, 4). Ele nos dá, ou permite que nos aconteça, aquilo que – embora não o entendamos – mais nos convém, sempre com vistas à nossa verdadeira realização, que é a que floresce e se completa na vida eterna: Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma (Mt 10, 28). Não temas, meu pequeno rebanho, porque foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino (Lc 12, 32).

Quem vive de fé, entende muito bem, por isso, o belo conselho do Eclesiástico: Sofre as demoras de Deus. Dedica-te a Deus, espera com paciência [...]. Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus pelo cadinho da tribulação (Ecli 2, 3-5). "

Fonte: FAUS, Francisco. A Paciência. São Paulo: Quadrante, 1998. pg. 55-57.

***
MARIA SEMPRE!

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

REFLEXÃO: O QUE É MESMO PERDOAR?


"Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas,
também vosso Pai celeste vos perdoará!" Mt 6,14

Por editores do blog


À diferença do ressentimento produzido por certas ofensas, o perdão não é um sentimento. Perdoar não equivale a deixar de sentir. Há quem se considere incapaz de perdoar certos agravos porque não pode eliminar seus efeitos: não pode deixar de experimentar a ferida, nem o ódio, nem o desejo de vingança. Daqui podem derivar complicações no âmbito da consciência moral, especialmente se se tem em conta que Deus espera que perdoemos para que Ele nos perdoe (Mt 6,12).

Olhai por vós mesmos.E, se teu irmão pecar contra ti,repreende-o, 
e se ele se arrepender, perdoa-lhe. Lc 17,3
A incapacidade de deixar de sentir o ressentimento, no nível emocional, pode ser, efetivamente, insuperável, ao menos a curto prazo. No entanto, se se compreende que o perdão se situa num nível diferente do ressentimento, isto é, no nível da vontade, descobrir-se-á o caminho que leva à solução.

O empregado que foi despedido injustamente da empresa, o cônjuge que sofreu a infidelidade do seu consorte, os pais a quem sequestraram um filho podem decidir perdoar - apesar do sentimento adverso que experimentam necessariamente -, porque o perdão é um ato volitivo e não um ato emocional. Entender esta diferença, entre sentir uma emoção e tomar uma decisão, já é um passo importante para esclarecer o problema.

Deus que é benevolente para 
conosco e é a Sua clemência infinita
que nos dá tudo porque 
Ele tudo perdoa. São Pe. Pio
Muitas vezes na vida devemos agir no sentido inverso ao daquele que os nossos sentimentos nos marcam, e de fato o fazemos porque a nossa vontade se sobrepõe às nossas emoções (31). Por exemplo, quando sentimos desânimo por algum fracasso que tivemos na realização de uma tarefa e, ao invés de abandoná-la, nos sobrepomos e continuamos em frente até concluí-la; quando alguém implicou conosco e sentimos o impulso de agredi-lo, mas decidimos controlar-nos e ser pacientes; quando em certo momento do dia temos um acesso de preguiça e, no entanto, optamos por trabalhar. Em todos estes casos, manifesta-se a capacidade da vontade para dominar os sentimentos. O mesmo se passa quando perdoamos, apesar de emocionalmente nos sentirmos inclinados a não o fazer.

O perdão é um ato da vontade porque consiste em uma decisão. Qual é o conteúdo desta decisão? O que é decidido quando perdoo? Quando perdoo, opto por cancelar a dívida moral que o outro contraiu comigo ao ofender-me e, portanto, liberto-o enquanto devedor.

Não se trata, evidentemente, de suprimir a ofensa cometida, de eliminá-la e fazer que nunca tenha existido, porque não temos esse poder. Só Deus pode apagar a ação ofensiva e conseguir que o ofensor volte à situação em que se encontrava antes de cometê-la. Mas nós , quando perdoamos realmente, desejaríamos que o outro ficasse completamente eximido da má ação que cometeu. Por isso, “perdoar implica pedir a Deus que perdoe, pois só assim a ofensa é aniquilada” (32).


MARIA SEMPRE!


NOTAS:
(31) - “A vontade, que pode mover o entendimento no seu exercício, pode mover também despoticamente outras potências, especialmente as motrizes: pode dar ordens aos braços e às pernas, comandar a direção do olhar, o movimento da língua, as operações das mãos... Mas não lhe foi dado mover dessa maneira os apetites, sentimentos ou moções sensíveis, os quais gozam de uma certa autonomia. Cabe à vontade, com a ajuda do entendimento, exercer um governo político, persuasivo ou de convencimento sobre as tendências sensíveis do ser humano e a isso tem de circunscrever-se: quando não as pode orientar para o bem, deve transcendê-las, passar por cima delas” (Carlos Llano, Formación de la inteligencia, la voluntad e el carácter, Trillas,México,1983. pág. 142).

(32) - Leonardo Polo, Quién es el hombre?, Rialp, Madrid, 1983, pág. 140.

Fonte:
UGARTE, Francisco. Do ressentimento ao perdão. Trad.: Roberto Vidal da Silva Martins. Editora: Quadrante - 2002.Páginas: 36-38.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

IMAGEM DE SATANÁS EXPOSTA NO EUA


Imagem de Baphomet
 ladeada por duas crianças
Por editores do blog

O mundo parece caminhar a passos largos para um sempre mais vergonhoso estado de apostasia. É sabido por muitos o triste fato ocorrido nos Estados Unidos da América: Uma Imagem de Baphomet, símbolo do Satanismo, foi exposta para apreciação popular (25/07/2015 - Detroit).

Houve tempo em que a filosofia do evangelho reinava em todos os espaços e instituições de modo louvável. Hoje em dia, onde o laicismo impera e o relativismo parece ter seu trono erguido em incontáveis corações, estes tempos áureos mais parecem um sonho longínquo pronto a perder-se nas trevas do esquecimento. Nós, pela fé, alimentamos a certeza de que a sociedade cristã será restaurada por católicos valorosos que, auxiliados pela graça e genuflexos aos pés da Santíssima Virgem Maria, varrerão da Terra todos os indícios do satanismo e instaurarão o reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nossa Senhora esmaga a cabeça da serpente,
um dos símbolos baldeados pelo satanismo.

Rezemos pela conversão de todos os homens e pela mais completa ruína de Satanás! Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria! Nós temos confiança em Vós!


MARIA SEMPRE!


segunda-feira, 30 de março de 2015

O PECADO CONTRA O ESPÍRITO SANTO


"(...) Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão
 nem neste século nem no século vindouro." (Mt.12,32)

Tomás Afonso Maria

"Por isso, eu vos digo: todo pecado e toda blasfêmia serão perdoados aos homens, mas o pecado contra o Espírito não lhes será perdoado." (Mt.12.31)

O pecado contra o Espírito Santo: pecado que não tem perdão. Muitos, ao ouvirem essas palavras de Cristo ficam angustiados e aflitos. Não é raro pensarem assim: "Como pode existir um pecado sem perdão, já que Deus é infinitamente bom e cheio de misericórdia?" ou " O que é esse pecado imperdoável? Será que eu mesmo o cometi? O que fazer?".

No primeiro momento, é preciso saber que o inferno e a condenação eterna existem; e lembrar que é possível que uma pessoa vá para esse lugar terrível.

Deus é sim, bom e misericordioso. Entender o inferno é compreender que somos seres livres, Deus não nos força a fazer a Sua vontade. Somos livres para dizer "Sim" ao amor e projeto de Deus para a humanidade (tendo consciência de que é a graça Divina que nos conduz) ou de dizer "Não" a esse amor e desígnios Divinos através do pecado.

"Deus não se cansa de perdoar;
nós é que cansamos de pedir perdão."
Logo, pelo pecado, o homem se afasta de Deus. Se alguém manteve a alma distante do Criador durante a vida e não se tenha convertido nem mesmo na hora da morte; não há condições dele estar na glória do paraíso; pois, durante a existência negou ao Senhor através de palavras, obras e omissões. O próprio condenado fez-se condenado. Oportunidade não faltou para que se arrependesse. Após a morte é tarde demais.

O Papa Francisco já dizia: "Deus não se cansa de perdoar; nós é que cansamos de pedir perdão." O Senhor  sempre nos espera para nos perdoar. 

Mas, o pecado contra o Espírito Santo tira do homem a certeza do Amor de Deus. É cometer o mesmo pecado que Satanás cometeu. É achar que de algum modo Deus é mal, que Ele não quer o nosso bem, pensar que eu sou mais bondoso e santo que o próprio Deus. 

No pecado imperdoável existe uma verdadeira rejeição e ódio ao Amor de Deus, que é atribuído ao Espírito Santo.

Segundo Santo Tomás de Aquino para se consumar esse terrível pecado é necessária a pura malícia. Ou seja, se por falta de conhecimento alguém tivesse uma visão deturpada sobre  Deus, então não cometeu esse pecado.

Comete esse pecado aqueles que conhecendo o Amor e bondade de Deus, o rejeitaram e negaram conscientemente. Também sendo necessário constância e obstinação nessas malditas resoluções.

Segundo o mesmo Santo há seis formas de pecar contra o Espírito Santo

 "(...) o pecado contra o Espírito
 não lhes será perdoado." (Mt.12,31)
1º. Desesperação da salvação - Acreditar que Deus não me salvará, achando que os meus pecados são maiores que a misericórdia Divina.

2º. Presunção de se salvar sem merecimento - Pensar que sou tão bom que não preciso de Deus para me salvar. Serei salvo por mim mesmo.

3º. Negar a verdade conhecida como tal - É não querer conhecer os Mandamentos Divinos para assim pecar sem peso na consciência.

4º. Ter inveja das graças que Deus faz a outrem - Invejar o bem e crescimento espiritual que Deus dá a uma pessoa. - Lembre-se por "pura malícia".

5º. Obstinação no pecado - É não querer abandonar o pecado, fazer o propósito de permanecer no pecado. Ex.: Namorados que sabendo da Bondade de Deus e que o sexo fora do casamento é pecado, decidem continuar mantendo relações sexuais.

6º. Impenitência final - Não se arrepender de um pecado, tendo consciência de sua gravidade.

Sabendo disso, o pecado contra o Espírito Santo é algo que devemos temer. Mas, é fundamental que confiemos na Bondade Divina, no seu Amor infinito por cada um de nós. Essa confiança no amor de Deus nos afastará desse terrível pecado.

O arrependimento e o sincero desejo de pedir perdão a Deus pelos pecados cometidos, é um sinal de que não se cometeu o pecado contra o Espírito Santo. 

Peçamos a Maria Santíssima a sua proteção. Pois ao contrário de Satanás, Ela reconheceu o Amor de Deus e o fez transparecer em toda a sua vida . Ao ponto de alguns santos dizerem que Ela "morreu de amor". Ensinai-nos ó Virgem a amar a Deus.


MARIA SEMPRE!

REFERÊNCIA:
“Deus jamais se cansa de nos perdoar. Nós é que nos cansamos de pedir perdão” Veja mais em: http://www.franciscanos.org.br/?p=34139#sthash.Lvgoo70Y.dpuf

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

REFLEXÃO: CARNAVAL E REPARAÇÃO


"Jesus, silencioso,
 gemia e suspirava"

Por Paulo Oliveira


Nos próximos dias, acontecerá o carnaval, sabemos que são dias, pelos acontecimentos que neles ocorrem, em que Nosso Senhor Jesus é particularmente ofendido pelos pecados dos homens. Pensando nisso, segue abaixo dois trechos tirados do Diário de Santa Faustina, onde a santa fala sobre os sofrimentos que estes dias causam em Jesus. Diante de tamanha exaltação do pecado e do vício, cabe-nos rezar em reparação pelos sofrimentos que Jesus irá suportar em sua alma, pois se é verdade que o Senhor já não pode sofrer em seu corpo glorioso, a sua alma ainda experimenta angústias e dores pelo desamor daqueles que ele tanto amou e ama. Mais abaixo uma bela oração de reparação.



"O dia todo senti a dor da coroa de espinhos"
“Nos últimos dias do Carnaval, quando rezei a hora santa, vi Nosso Senhor no momento da flagelação. - Oh, que suplício inconcebível - Como Jesus sofreu terrivelmente quando foi flagelado. - Oh pobres pecadores, como será o vosso encontro no dia do julgamento com esse Jesus a quem agora martirizais? - O Seu Sangue corria para o chão, e em alguns lugares o corpo começou a desprender-se. E vi nas costas alguns dos Seus ossos despidos de carne... Jesus, silencioso, gemia e suspirava.” (nº. 188)



27 de fevereiro de 1938 últimos dias do Carnaval: 



 “Os meus sofrimentos físicos aumentaram. Procurei unir-me mais estreitamente com o Salvador, pedindo-Lhe misericórdia para o mundo todo, que enlouquece em sua maldade. O dia todo senti a dor da coroa de espinhos. Quando fui me deitar, não podia encostar a cabeça no travesseiro, porém às dez horas desapareceram as dores e adormeci, sentindo contudo no dia seguinte, um grande aniquilamento.” (n°1619).

ORAÇÃO REPARADORA

"Do esquecimento
 e ingratidão dos homens"

Divino Salvador Jesus! Dignai-vos baixar um olhar de misericórdia sobre vossos filhos, que reunidos em um mesmo pensamento de Fé, Reparação e Amor, vêm chorar a vossos pés suas infidelidades e a de seus irmãos, os pobres pecadores! Possamos nós, pelas promessas unânimes e solenes que vamos fazer, tocar o vosso divino Coração, e dele alcançar misericórdia para o mundo infeliz e criminoso e para todos aqueles que não têm a felicidade de vos amar!

Daqui por diante, sim, todos nós vo-lo prometemos:

Do esquecimento e da ingratidão dos homens, 
R.: Nós vos consolaremos, Senhor! (responder assim a cada intenção)

Do abandono em que sois deixado no santo Tabernáculo,
Dos crimes dos pecadores,
Do ódio dos ímpios,
Das blasfêmias que se vomitam contra vós,
Das injúrias feitas à vossa divindade,
Dos sacrilégios com que se profana o vosso Sacramento de amor,
Das imodéstias e irreverências cometidas em vossa presença adorável,
Da tibieza do maior número de vossos filhos,
Do desprezo que se faz de vossos convites cheios de amor,
Das infidelidades daqueles que se dizem vossos amigos,
Do abuso de vossas graças,
De nossas próprias infidelidades,
Da incompreensível dureza de nossos corações,
De nossa longa demora em vos amar,
De nossa frouxidão em vosso santo serviço,
Da amarga tristeza em que sois abismado pela perda das almas,
Do vosso longo esperar às portas de nossos corações,
Das amargas repulsas de que sois saciado,
De vossos suspiros de amor,
De vossas lágrimas de amor,
De vosso cativeiro de amor,
De vosso martírio de amor,
R.: Nós vos consolaremos, Senhor!

ORAÇÃO

Divino Salvador Jesus, que de vosso Coração deixastes escapar esta queixa dolorosa: "Eu procurei consoladores e não os achei", dignai-vos aceitar o pequeno tributo de nossas consolações e assistir-nos tão poderosamente com o socorro de vossa graça que, para o futuro, fugindo cada vez mais de tudo o que vos poderia desagradar, nos mostremos em tudo, por toda a parte e sempre, vossos filhos, os mais fiéis e devotados. Nós vo-lo pedimos por vós mesmo, que sendo Deus, com o Pai e o Espírito Santo, viveis e reinais nos séculos dos séculos. Amém.


MARIA SEMPRE!


FONTE: WWW.SOCIEDADEAPOSTOLADO.BLOGSPOT.COM

quinta-feira, 15 de maio de 2014

DA BOA E MÁ TRISTEZA

São Francisco de Sales

A tristeza pode ser boa ou má.
A tristeza que vem de Deus, diz São Paulo, opera a penitência para a salvação; e a tristeza que vem do mundo opera a morte. A tristeza pode pois ser boa ou má, segundo os efeitos que em nós produz. É verdade que há mais efeitos maus do que bons; porque só há dois bons: misericórdia e penitência; e seis maus: angústia, preguiça, indignação, inveja, impaciência e ciúme. É por isso que diz o sábio: "A tristeza mata muita gente, e nada com ela ganhamos"; porque há dois bons regatos que dele provém, há seis maus.

O inimigo serve-se da tristeza para exercitar a perseverança dos bons; porque, assim como procura alegrar os maus no pecado, procura entristecer os bons nas boas obras; e assim como não pode atrair para o mal senão tornando-o agradável, também não pode afastar do bem, senão tornando-o aborrecido.
O demônio só pede tristeza e melancolia; porque assim como ele está para toda a eternidade triste e melancólico, assim desejaria que todos o estivessem também.
A tristeza má perturba a alma e inquieta-a, incute-lhe temores desregrados, afasta-a da oração; atormenta o cérebro, e priva a alma do conselho, resolução, juízo e coragem, absorvendo-lhe completamente as forças. Em breve tempo estará como um rigoroso inverno, que apaga toda a beleza da terra e atormenta todos os animais; porque priva a alma de toda a consolação e torna impotentes as suas faculdades.
O rei Davi não se queixa só da tristeza, quando diz: "Porque estás triste, minha alma?", mas somente do custo e da vacilação dizendo: "Porque te perturbas?" A tristeza boa deixa uma grande paz e tranquilidade no espírito. É por isso que Nosso Senhor, dizendo aos seus apóstolos: "Vós estareis tristes", acrescenta: "não se perturbe o vosso coração; nada temais". Eis que a minha grande amargura esta em paz, diz Isaías.
A tristeza má vem como saraiva, com uma mudança inopinada e grandes terrores e impetuosidade, e de repente, sem que se possa dizer donde vem, porque não se deixa adivinhar. Entretanto que a tristeza boa chega docemente à alma, como uma chuva fina, que tempera os ardores das consolações, e com algumas razões precedentes.
A tristeza má perde o coração e atormenta-o tornando-o inútil, fazendo-lhe perder o cuidado das boas obras, como diz o salmista, e como Agar, que deixou o filho debaixo da árvore para chorar. A tristeza boa dá força e coragem, e não deixa nem abandona um bom desígnio; esta foi a tristeza de Nosso Senhor, que embora fosse a maior que existiu, não lhe impediu a oração nem o cuidado dos seus apóstolos. E Nossa Senhora, tendo perdido seu filho, ficou muito triste; mas nem por isso deixou de o procurar com diligência, como também fez Madalena, sem se demorar a lamentar-se e chorar inutilmente.
A tristeza pecaminosa obscurece o entendimento, priva as almas de conselho, de resolução e discernimento, como sucede aqueles de quem diz o Salmista que "os perturbaram e abalaram como um ébrio, e ficaram privados de sabedoria"(Salmo CVI, 27). Procuram-se remédios aqui e além, confusamente sem tino e às apalpadelas. A tristeza santa abre o espírito, torna-o claro e luminoso, e como diz o Salmista, dá inteligência.
A pecaminosa impede a oração e a contemplação, e faz desconfiar da benignidade divina; pelo contrário a santa fortalece-nos na bondade de Deus, e impele-nos a invocar a sua misericórdia. "As tribulações e angústias perturbaram-me; mas os vossos mandamentos foram a minha meditação".
Em suma, os que estão possuídos da tristeza pecaminosa mergulham-se em uma infinidade de horrores, erros e temores inúteis, receando ser abandonados por Deus de incorrerem na sua desgraça e de se lhe não apresentaram para lhe pedir perdão. Tudo lhe parece contrário à sua salvação; são como Caim, que pensava que todos os que encontrava o queriam matar. Julgam que Deus será injusto e severo só com eles por toda a eternidade; pensam que os outros são muito mais felizes do que eles. É da soberba que provém tal crença a qual lhes persuade que deveriam ser muito melhores do que os outros e mais perfeitos do que ninguém.
A tristeza santa, porém discorre assim; "Sou uma criatura miserável, vil, e abjeta: logo Deus usará de misericórdia para comigo; porque a virtude acrisola-se na doença, e não se aflige por ser pobre, miserável."
Ora o fundamento da oposição que se oferece entre a boa e má tristeza, é que o Espírito Santo é o autor da tristeza santa e por ser o único consolador, as suas operações trazem consigo luz e claridade. Por consequência, essas operações são inseparáveis do verdadeiro bem; porque os frutos do Espírito Santo, diz São Paulo, são: caridade, gozo, paz, paciência, begnidade, longaminidade.
Pelo contrário, o espírito maligno, autor da má tristeza, (porque não aludo à tristeza natural que tem mais necessidade de medicina do que de teologia) é um verdadeiro estrago, tenebroso e aniquilador, e os seus frutos só podem ser: ódio, tristeza, inquietação, pesar, malignidade e desalento. Ora todos os sinais da tristeza má são os mesmos que os do mau temor.

MARIA SEMPRE!


Fonte: São Francismo de Sales, Livro Filotéia.