Mostrando postagens com marcador Crucifixo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crucifixo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de março de 2019

VIA SACRA - por Dom Mayer



ORAÇÃO PREPARATÓRIA

Meu Senhor Jesus Cristo, disponho-me a acompanhar-Vos no caminho que trilhastes do pretório de Pilatos ao Calvário, para Vos imolardes por minha salvação. Peço-Vos a graça de nos conceder grande dor e arrependimento de ter pecado, causando vossos atrozes sofrimentos, e que vosso Sangue preciosíssimo infunda em minha alma o propósito firme de nunca mais pecar.

ANTES DE CADA ESTAÇÃO

Dirigente: Nós Vos adoramos, Senhor, e Vos bendizemos;

Todos: Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.

No final da consideração, depois da Ave Maria:

Todos: PESA-ME, SENHOR, de todo o meu coração ter ofendido a vossa infinita bondade, proponho com vossa graça a emenda, e espero que me perdoeis por vossa infinita misericórdia. Amém.

Dirigente: Compadecei-vos de nós, Senhor!

Todos: Compadecei-vos de nós!

Dirigente: Que as almas dos fiéis defuntos, por misericórdia de Deus, descansem em paz.

Todos: Amém.

OBS.: O FIEL DEVE FICAR:

DE PÉ: Durante o Cântico e a Leitura do Texto.

DE JOELHOS: Durante a leitura do texto da 12.ª Estação e demais orações.


I ESTAÇÃO

A morrer crucificado

Teu Jesus é condenado

Por teus crimes, pecador.

Jesus é condenado à morte

Dirigente: Cedendo aos clamores dos judeus, Pilatos condenou Jesus à morte na Cruz.

O que levou os judeus a pedirem a morte de Jesus Cristo foi sua infidelidade. Quiseram seguir uma religião do seu agrado, e não a Religião revelada pelo Filho de Deus humanado. Nisto imitaram a desobediência de Adão e a rejeição da vontade de Deus.

Nós estamos na mesma miserável condição. Humilhemo-nos e peçamos a Nossa Senhora nos alcance a graça de sermos fiéis à Santíssima Vontade de seu Divino Filho.

Ave Maria…



II ESTAÇÃO

Com a cruz é carregado

E do peso acabrunhado:

Vai morrer por teu amor.

Jesus com a Cruz às costas

Dirigente: Depois da vigília no Horto das Oliveiras e da atrocíssima flagelação, Jesus se submete ainda ao sacrifício de carregar a Cruz até aa Calvário.

Jesus o fez para reparar os nossos pecados. Aprendamos que sem sacrifício e o habitual espírito de mortificação, nossa religião é vã, vazia, sem merecimento. Peçamos a Nossa Senhora a graça de aceitar com alegria as mortificações que nos impõe o cumprimento de nossos deveres de estado.

Ave Maria…






III ESTAÇÃO

Pela Cruz tão oprimido,

Cai Jesus desfalecido

Pela tua salvação.

Jesus cai pela primeira vez


Dirigente: Já esgotado pela insônia, fome e perda de sangue, Jesus sucumbe ao peso da cruz e cai por terra.

Nos desígnios de Deus, esta queda é para descontar as ofensas de nossos pecados, e 
para nos alertar contra nossa presunção. Por nós mesmos só vamos de pecado em pecado, de queda em queda.

Peçamos a Nossa Senhora nos alcance a graça da vigilância na oração e na fuga das ocasiões de pecado.

Ave Maria…




IV ESTAÇÃO

De Maria lacrimosa,

Sua Mãe tão dolorosa,

Vê a imensa compaixão.

Jesus encontra-se com sua Mãe Santíssima

Dirigente: Na agonia, do Horto do Getsêmani e no processo infame a que foi submetido seu Divino Filho, esteve ausente Maria Santíssima. Quando, porém, vai Ele consumar o sacrifício da redenção do mundo. Ela se apresenta. É que ambos, Jesus e Maria, no decretos do Altíssimo, estão como identificado na missão redentora do homem. É como Mãe dos remidos que Maria coopera na obra da salvação.

É a esta Mãe que recorremos para nos assegurar a fidelidade a seu Divino Filho, e meio da sociedade paganizada que nos envolve

Ave Maria…






V ESTAÇÃO

Em extremo desmaiado,

Deve auxílio, tão cansado,

Receber do Cirineu.

Simão Cirineu ajuda Jesus a levar a Cruz

Dirigente: A breve trecho, no caminho do Calvário, convencem-se os verdugos do Salvador de que pela extrema debilidade, conseqüência das torturas a que tinha sido submetido, Jesus Cristo não estava em condições de carregar o seu patíbulo até ao cimo do monte. Forçaram Simão de Cirene a carregar a cruz do Salvador.

Nossa salvação, por vontade de Deus, não se realiza sem nossa cooperação. Precisamos, a nosso modo, ajudar Jesus Cristo a carregar a Cruz. E o fazemos quando não nos conformamos com a maneira de proceder de uma sociedade que, na prática, se afastou da austeridade cristã. Que Nossa Senhora nos alcance esta graça.

Ave Maria…




VI ESTAÇÃO

O seu rosto ensangüentado,

Por Verônica enxugado,

Eis no pano apareceu.

Verônica enxuga a face de Jesus

Dirigente: Do meio daquela multidão sádica que formava o séquito nefando do Salvador no caminho do Calvário, destaca-se uma mulher forte que, arrostando a arrogância dos soldados, aproxima-se de Jesus e com uma toalha Lhe limpa o sagrado rosto desfigurado pelo sangue da coroa de espinhos pelos escarros dos sicários do Sinédrio e pelas bofetadas da soldadesca bestial.

Admiremos envergonhados a fortaleza desta mulher e peçamos a Nossa Senhora nos alcance a graça de nunca trairmos por respeito humano nossa religião, com nosso procedimento.

Ave Maria…




VII ESTAÇÃO

Outra vez desfalecido,

Pelas dores abatido,

Cai em terra o Salvador.

Jesus cai pela segunda vez

Dirigente: Não obstante o auxílio do Cirineu, a enorme fraqueza do Salvador fê-lo cair uma segunda vez no caminho do Calvário.

Esta segunda queda do Salvador lembra nossas repetidas culpas e, de outro lado, da infinita misericórdia de Deus que só espera nosso arrependimento para nos soerguer.

Que a fraqueza do Redentor que o prostrou por terra, seja a nossa fortaleza, e não nos permita aceitar um meio-catolicismo ao sabor da sensualidade feito mais de quedas do que de virtudes.

Ave Maria…





VIII ESTAÇÃO

Das matronas piedosas,

De Sião filhas chorosas

É Jesus consolador.

Jesus consola as filhas de Jerusalém

Dirigente: Ao ver os tormentos a que os sicários do Sinédrio submetiam Jesus no caminho do Calvário, umas piedosas mulheres de Jerusalém não contiveram as lágrimas e expandiram em altos prantos suas consternação. Jesus, agradecido, exortou-as a que tornassem profícuos seus prantos, chorando mais por elas e seus filhos, do que por Ele.

O que Jesus deseja é a nossa salvação. Por isso ferem-Lhe mais nossos pecados do que O afligem as chagas de seu corpo ou Lhe pesa a coroa de espinhos. “Chorai por vós e por vossos filhos” – nos repete o Senhor, quando nos vê mais preocupados com nossas moléstias e os bens terrenos do que com os nossos pecados. Abra-nos os olhos a virgem Santíssima para purificar nosso catolicismo.

Ave Maria…



IX ESTAÇÃO

Cai terceira vez prostrado,

Pelo peso redobrado

Dos pecados e da cruz.

Jesus cai pela terceira vez

Dirigente: Novamente a extrema debilidade prostra a Jesus por terra. É mais uma humilhação que se junta a todas, as outras igualmente atrozes a que se sujeitou o Salvador na sua Paixão.

Fê-lo por nosso amor, nossa salvação, mas também para que compreendêssemos que, sem a aceitação amorosa das humilhações que Nosso Senhor nos envia, não participamos da Redenção, porquanto não nos assemelhamos a Jesus Cristo.

Que a Virgem Santíssima, Mãe das Dores, nos compenetre desta verdade.

Ave Maria…



X ESTAÇÃO

Dos vestidos despojado,

Por verdugos maltratado

Eu Vos vejo, meu Jesus.

Jesus é despojado de suas vestes

Dirigente: Chegado ao Calvário, foi , Jesus despudoradamente despido de suas vestes pela soldadesca imunda.

Jesus, o cândido lírio da inocência, mais branco, mais puro do que o mais puro arminho e que a mais branca neve, é apresentado nu aos olhos da multidão, tendo apenas para velar seu corpo sagrado a túnica do seu sangue sacrossanto.

Foi certamente a mais sensível das humilhações a que nossos pecados submeteram o Filho de Deus. No entanto, é a humilhação a que mesmo as pessoas que se dizem cristãs e tementes a Deus, continuam a submeter o Divino Salvador. A Virgem Mãe, pureza alvinitente, nos alcance o apego ao recato, à modéstia, ao comedimento, que são as condições indispensáveis para a prática da virtude.

Ave Maria…



XI ESTAÇÃO

Sois por mim à Cruz pregado,

Insultado, blasfemado

Com cegueira e com furor.

Jesus é pregado na Cruz

Dirigente: Estirado Jesus sobre a Cruz, esticaram-Lhe violentamente os membros e os cravaram no madeiro com grossos e pontiagudos cravos.

O suplício da Cruz era reservado aos escravos, com os quais era legítimo não ter a menor comiseração. Além disso, Jesus Cristo foi crucificado entre dois ladrões, como a indicar – diz S. Boaventura – que era o pior deles.

Tudo concorria para levar aos extremos os sofrimentos físicos e morais do Divino Salvador. Cravado na Cruz após a flagelação e coroação de espinhos, não é possível imaginar sofrimentos mais atrozes. Considerado malfeitor vil e abjeto como os crucificados, é impossível humilhação maior.

Pois esses sofrimentos, essas humilhações foram o preço de nossos pecados. Foi assim que Ele nos libertou da escravidão do demônio da morte eterna, e nos mereceu o céu no seio de Deus.

Com o coração agradecido, aprendamos a apreciar as humilhações e os sofrimentos com que Deus purifica a nossa alma, especialmente quando exigidos pelo cumprimento dos deveres de nosso estado.

Ave Maria…



XII ESTAÇÃO

Por meus crimes padecestes.

Meus Jesus, por mim morrestes.

Como é grande a minha dor!

Jesus morre na Cruz

Dirigente: Depois de três horas de tormentosa agonia, Jesus inclinou a cabeça e morreu.

Consumou-se o sacrifício. O véu do templo rasgou-se de alto a baixo anunciando a abolição da lei mosaica substituída pela lei de Cristo que a aperfeiçoa e supera, e atinge todos os homens.

Exclama São Paulo: “Estou pregado na cruz com Cristo.” É este também o ideal da vida do fiel: unir-se a Jesus Crucificado. Ou seja, tomar o caminho da renúncia de si mesmo na obediência aos legítimos superiores, nas humilhações, no espírito de mortificação, nos sacrifícios exigidos para o cumprimento dos próprios deveres. São as disposições da alma que pedimos à Virgem Santíssima presente ao pé da Cruz.

Ave Maria…




XIII ESTAÇÃO

Do madeiro Vos tiraram

E à Mãe Vos entregaram,

Com que dor e compaixão.

Jesus é descido da Cruz

Dirigente: Nicodemos e José de Arimatéia obtiveram de Pilatos o corpo de Jesus. Cuidadosamente O retiraram da Cruz e O entregaram à sua Mãe, Maria Santíssima, a quem Ele pertencia por direito materno.

A Virgem Mãe contemplou em silêncio a retidão profunda daquele rosto sempre senhor de si mesmo, embora desfigurado pelos atrozes sofrimentos e morte violenta. Contemplou, adorou, e O apresentou ao Padre Eterno como propiciação pelos nossos pecados, nossos de seus filhos adotivos.

Habituemo-nos a viver com Maria. Ela nos levará a Jesus. Ela nos dará sua graça e seu vigor para triunfarmos da multidão dos atrativos para o mal que emergem de uma sociedade imersa no egoísmo e na sensualidade.

Ave Maria…



XIV ESTAÇÃO

No sepulcro Vos deixaram,

Sepultado Vos choraram,

Magoado o coração.

Jesus é depositado no sepulcro

Dirigente: Atendida a exigência de seu direito materno, Maria Santíssima acompanho o enterro de Seu Divino Filho organizado por Nicodemos e José de Arimatéia. Foi Ele deposto num sepulcro novo, aberto na rocha, no qual ninguém tinha ainda sido sepultado.

Sobre todos desceu um ambiente de paz que sepultou o alarido da multidão infrene, quando pedia a morte do Salvador.

A paz do Senhor é a paz de consciência que repercute no homem todo, dando-lhe a sensação de um profundo bem-estar. Esta paz encontramo-la quando desalojamos de nosso coração os sentimentos egoístas e sensuais para enche-lo de caridade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Virtude que obteremos pela intercessão de Maria Santíssima.

Ave Maria…

Meu Jesus, por vossos passos,

Recebei-me em vossos braços,

A mim, pobre pecador.



ORAÇÃO FINAL À VIRGEM DOLOROSA

Ó Maria, minha Mãe, compartilho conVosco as dores e sofrimentos que suportastes no corpo e na alma, ao acompanhardes Vosso Divino Filho no caminho do Calvário, e ao assistirdes à sua dolorosa e humilhante morte na Cruz.

Peço-Vos que me guardeis sob vossa proteção para que não torne a pecar, renovando a Paixão de Vosso Divino Filho.

(Padre-Nosso e Ave-Maria, na intenção do Sumo Pontífice para se lucrarem as indulgências).

Pela Virgem Dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

Perdoai-me, meu Jesus!

terça-feira, 27 de março de 2018

QUE A CONSIDERAÇÃO DE JESUS CRUCIFICADO ANIMA A SOFRER E DÁ CONSTÂNCIA E CORAGEM


Filho meu amado, acharás decerto, como achei aos pés da cruz, o sustento nas tuas aflições!
O Servo – Treme a terra, Senhora, ante a morte de um justo! Morto Jesus, eclipsa-se o sol, fendem os rochedos, a natureza inteira desconcerta-se. Outro é o objeto, porém, que me ocupa mais do que todas essas maravilhas. Este objeto sois Vós, ó Maria, que permaneceste de pé, junto da cruz, a cada momento a renovar o sacrifício vosso ao Pai celestial, o sacrifício do vosso querido filho Jesus. 

Como pudestes sustentar, ó mãe, tal espetáculo? De onde veio essa coragem vossa? Ensinai, suplico, a esta alma que sofre tanto diante da mínima dificuldade que se lhe apresente. 

Maria – Ante os meus olhos, filho, eu tinha poderoso exemplo. Era Jesus crucificado, sofrendo com submissão todas as vontades de seu Pai. E só palavras de paz proferiram os seus lábios. E pedia ao Pai, pelos merecimentos do seu sangue, a salvação dos seus algozes. 

Os meus olhos estavam presos no divino modelo. Eu penetrava no coração de Jesus. Procurava tirar o molde dos sentimentos desse coração. 

Ao vê-lo tão generosamente sacrificar a vida pelos homens, entre suplícios horrorosos, foi que eu aprendi a fazer de minha parte a Deus o maior de todos os sacrifícios deste mundo, que era o sacrifício do próprio Jesus.
Filho meu amado, acharás decerto, como achei aos pés da cruz, o sustento nas tuas aflições, a força nas tuas fraquezas, a resignação nos sacrifícios que Deus te peça. Quando em aflição te achares, não procures consolo aos pés dos homens, porque bem depressa compreenderias como é breve e efêmera a compaixão dos homens. Depois de te queixares, acabam de se entediar com o relato das tuas queixas, senão mesmo da tua presença. Se a ti mesmo te reduzes e às tuas reflexões te abandonas, verás as penas aumentarem. Os teus esforços no sarar com os próprios recursos as tuas chagas ainda virão agravá-las mais. 

Que fazer, portanto, filho? É te armares nas horas de combate da imagem de Jesus Crucificado. 

Seja o teu crucifixo o primeiro recurso ao tempo das tribulações. 

Por muito que esteja enfraquecida a tua coragem, nele encontrarás a força necessária. Por muita amargura que te encha o coração, serás consolado. 

Sofres por parte dos homens? A cruz há de mostrar-te o maior dos Pais, dos Mestres, dos Justos, dos Amigos – ultrajado, abandonado, perseguido. 

Da parte do Inferno é que sofres? 

Vê na Cruz o bom Jesus – alvo de todas as fúrias infernais. 

Pensarás que te trate rigorosamente o Céu? Considera um momento todo o rigor que o Pai Celeste exerceu sobre o Filho bem-amado!
Castiga-te Deus os pecados com algumas penas temporais? Que são tais penas em confronto com as que sofreu Jesus por te livrar das eternas? Dirás que foste resgatado, considerando o teu crucifixo, pelos excessivos sofrimentos de um Deus. 

Ai! Filho, justo é que a alma resgatada assim guarde alguma semelhança com Aquele que a resgatou. 

Filho meu, tão pouco pareces com o teu crucifixo, pelas virtudes que ele próprio te dirá, que muito consolador será para ti se lhe pareceres ao menos um pouco pelas dores. A este recorre, pois, nas tuas dores, tristezas e tentações. Beija-o mesmo com amor, rega-o com lágrimas, aperta-o estreitamente de encontro ao coração. Imagina que te achas no Calvário e te é permitido abraçar os pés do teu Deus sofrendo e morrendo por ti. Fala-lhe das tuas penas unindo-as às penas dele, e pede-lhe o alívio para elas. Conjura esse misericordioso Salvador a fazer-te ouvir de sua voz alguma palavra de consolação que te ajude a suportar o rigor das tuas penas. Dize-lhe que o não abandonarás enquanto não te restituir a tranquilidade e a paz à alma, enquanto a não haja fortalecido pela unção da sua graça. Se fiel te mostrares a esse santo exercício, as tuas lágrimas serão enxutas, a paz voltará ao teu coração, a coragem sucederá à fraqueza, não mais amarga te será a cruz; pois o seu amargor se converterá em doçura. Ou, se ainda tens de sofrer, ao menos sofrerás com os sentimentos de paciência, resignação e amor, os quais faziam o Apóstolo dizer: “ Alegro-me nos opróbrios, misérias, perseguições, desgostos extremos que sofro por Jesus Cristo” (2Cor 12, 10). 


[Religioso Anônimo. Imitação de Maria. Cultor de livros, 2014. Pg. 271-274]

MARIA SEMPRE!

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

"O DESAFIO": O QUE HÁ POR DEBAIXO?


"...para que o tempo não nos perturbe, ele, esse terrível
 arauto de compromissos e responsabilidades."

* Oferecemos a seguir interessante artigo lançado por um membro da SSVM no Informativo Mensal Salvatoriano (Junho de 2012). Esperamos que todos gostem da reflexão. Maria Sempre!



Vivemos no tempo das fugacidades. Tudo é por demais passageiro, descartável. As coisas se esvaem rapidamente como fumaça pelo ar. Mas, onde há fumaça há fogo; ou, pelo menos possibilidade de incêndio, o que nos faz recordar algumas palavras do Cristo que dissera: “Eu vim lançar fogo sobre a Terra, e como gostaria que ele já estivesse aceso!” (Luc. 12,49)

Detalhe Catedral de Nottinghan
Lembremo-nos das antigas catedrais góticas, até hoje tão sólidas e robustas. Dão-nos a suave impressão de eternidade. Parecem impossíveis de ser destruídas. O homem que ousasse modificá-las seria taxado imediatamente como louco e insensato. Ora, o mesmo não se diz daqueles que reformam nossas modernas catedrais. Alias cada novo sacerdote ao deixar sua marca nos edifícios de culto da atualidade é saudado por sua eficiência e criatividade. Sim, para hoje “competente” é quem transforma e não mais aquele que mantém.

É o mundo da técnica. Tudo deve ser renovado a cada dia. O celular de ontem já não nos serve mais. E aquela televisão?Muito pequena. Talvez aquele computador? De forma alguma, pois todos têm comprado outro modelo. Já pensou em Strauss-Kahn? Não, não, prefiro Nicolas Sarkozy! Por fim – quem diria!- escolhem François Hollande. Socialista? Ah, não importa o partido; para que servem as ideologias? Só queremos alguém diferente; como diferente é o celular, a televisão, enfim as tecnologias de hoje que substituíram as fumarentas de ontem. Elas já não servem mais à nossa ânsia suprema por novidades...

Queremos tudo novo! Mesmo que o novo seja sombrio, como o “Amanhecer Dourado” de extrema-direita na Grécia crepuscular. Não mais nos assusta seu símbolo tão próximo à suástica nazista. Mera coincidência... Todavia, alguém poderia citar Vladimir Putin de volta ao Kremlin para o terceiro mandato. Entretanto, esse exemplo só valida nossa exposição, uma vez que “manter-se”, não esvair-se, “permanecer” exige a “fraude” e o “uso indevido da força”. Precisamos citar nossa querida Venezuela? Ou, a mídia brasileira?

 
"...cujos corredores levam
    ao altar dos sacrifícios..."
Jesus, Igreja, casamento... Ai! Essas coisas são muito estáticas, rígidas, e, além do mais, exigentes. A nostalgia pelo eterno já está devidamente satisfeita pelo tombamento histórico. Mas, tudo bem! Se não podemos desaparecer com o Cristo, por exemplo, que pelo menos Ele seja agradável: vamos retirá-lo da Cruz e apresentá-lo, tão somente, ressuscitado, vitorioso, bem sucedido; da forma como nós queremos ser! Afinal, após dura semana de trabalho ninguém merece diante de si a imagem de um derrotado, pobre, crucificado e judeu. Não! Caso contrário, preferimos o Shopping...

   
Onze milhões de pessoas frequentam
 shopping por dia [1]
Ah, o Shopping! Lá sim, ao contrário da Igreja, tudo está aggiornado, atualizado, à altura do homem moderno. Verdade! Pense bem: no Shopping não colocam relógios nem janelas em sua descente “via sacra” para que o tempo não nos perturbe, ele, esse terrível arauto de compromissos e responsabilidades. Seu piso é liso, sem atritos, para que andemos lentamente; assim há mais chance de percebermos as vitrines, essas, graças a Deus, mais agradáveis que cristos crucificados. Espelhos? Têm aos montes! Para que vejamos o quanto estamos ultrapassados, necessitados e fora do padrão. Já observaram como seus corredores mais parecem labirintos? É o golpe de misericórdia! Quem ao sair de um shopping nunca teve a grata impressão de que deixou um daqueles corredores sem visitação, mesmo havendo passado mil vezes por cada um deles? Entretanto, nós os preferimos à Nave Central de nossas Igrejas, cujos corredores levam ao altar dos sacrifícios... 

Antes de encerrarmos, dada a limitação do espaço, vale apena perguntar: haveria algo que “permanece” em toda essa febre pelo diferente? Talvez ali, escondido por debaixo do frenesi moderno, como brasa, disfarçada pelas cinzas, acusada pela fumaça, esteja a busca do homem por felicidade. Entre erros e acertos aprenderá com o passado a grandeza do Imutável, e, com o presente, o valor das coisas supérfluas; importantes, se bem que perecíveis. Sim, dar o valor devido às coisas que passam, sem olvidar as que não passam... Como fez Maria, Nossa Mãe, nas bodas de Caná.

[1] http://vitrinedefranquias.com.br/2012/08/10/shoppings-brasileiros-recebem-11-milhoes-de-pessoas-por-dia/

MARIA SEMPRE!

Fonte:http://www.salvatorianos.org.br/wp-content/uploads/2012/06/O-Desafio-n%C2%BA-227-junho-de-2012-l-PDF-img.pdf

quarta-feira, 16 de maio de 2012

POR QUE NÃO RETIRAM OS FERIADOS?



Por João S. O. Jr.

Mais uma vez o tema da retirada dos crucifixos em repartições públicas , desta vez, num tribunal do Rio Grande do Sul e, na argumentação, a velha história de que “o estado é laico”. Creio que todos estão cheios deste blablabla... Destaco a bravura, embora solitária, do bispo Dom Antônio Rossi Keller em favor dos crucifixos e de nossa cultura Cristã Católica. Vejam aqui também

Só queria deixar algumas considerações para os desavisados favoráveis à retirada dos crucifixos:

O Estado é laico? Ok, mas a nação é Cristã! Pronto. E o é, antes mesmo daquele Estado nela se constituir.
Fico impressionado com a birra de quem bate o pé e insisti na retirada dos crucifixos das repartições, como se não estivem ali ha séculos, como se não fizessem parte de nossas culturas e histórias, como se fossem uma tremenda ofensa aos não crentes, mas só agora o neo-ateísmo decidiu reclamar, por quê? Não suportam mais viver em meio aos crentes?
Que reclamem então para tirar o monumento do Cristo Redentor, mudem os nomes de santos em nossas Cidades, mudem os bairros e ruas também. Bom, reclamem dos dias de feriados santos: sexta feira da Paixão, Corpus Christi, Natal, São João e por aí vai, pois “é um absurdo minha gente, num país laico, as repartições públicas se isentarem de seus deveres e aderirem em unanime aos costumes dos supersticiosos”.
 
Via Rio - Santos em dia de feriadão

Ei, você! Neo-ateu, secularista, comunista, antirreligioso, mostre que você tem voz e vez, que não tolera mais estar num país cristão católico, proteste e reclame seus direitos indo trabalhar nos feriados! A propósito, assine a petição para mudança do calendário semanal habitual, pois este tem resquícios de religiosidade e você não precisa ser conivente. Afinal, se Deus trabalhou seis dias e descansou no sétimo, você não é obrigado a crer em Deus e tem o direito de renunciar ao seu domingo de folga. É uma infâmia e humilhação, estar adentro nesta cultura cristão-católica e pouco fazer para mudar, apesar de que, a passagem aérea para o exterior barateou.

Irônico? Sim. Ridículo? Também, esta é a insistência de “banir” Deus (ou tudo aquilo que remete a Ele) de nossa sociedade.  No ocorrido no Rio Grande do Sul, os “revolucionários dos sem deus” estão representados no grupo lésbico, mas por que tanta persistência? Simples, a ideia de Deus é um grande obstáculo moral aos interesses. Já dizia Dostoiévski, “se Deus não existe e a alma é mortal, tudo é permitido” ainda que indevido.

Não é tal retirada de crucifixos de um tribunal que vai extinguir a fé dos brasileiros, mas a mediocridade de quem cala a amornece. Pior que os frios são os mornos, nos revelou são João no Apocalipse (Ap.3,14-16) e temos motivos de sobra para gritar um não à imposição secularista. Que o restante de nossas autoridades eclesiásticas despertem e aprendam a lutar pela fé que professam.

Cristo Redentor no Rio de Janeiro, patrimônio nacional.
Que a Virgem Santíssima interceda pelos filhos desta Terra de Santa Cruz!
Disse Terra de Santa Cruz? Sim, o neo-ateísmo também vai ter que retirar parte ou engolir da história.

MARIA SEMPRE!


quinta-feira, 5 de abril de 2012

A VIA-CRÚCIS

Por Saulo Eleazer

“...vós o matastes, crucificando-o por mãos de ímpios.”
(Atos dos Apóstolos 2,23)
Patologia forense é a especialidade médica que lida com os mecanismos e as causas de sofrimento e morte devidos a circunstâncias violentas, como, por exemplo, a crucificação. O patologísta forense é, deste modo, um detetive médico, um expert em reconstituições, cujo testemunho em juízo deve oferecer alto grau de precisão médica. Frederick T. Zugibe, PhD, MD, é um pesquisador amplamente reconhecido nesta área. Inclusive, muito respeitado enquanto estudioso no que se refere ao Santo Sudário. É recorrendo à sua ampla experiência profissional (35 anos como investigador criminal) que propõe-se a determinar as causas da morte de Nosso Senhor.
Segue abaixo uma pequena parte de seu livro “A Crucificação de Jesus”. Esperamos que esta interessante Meditação sobre a “Via-Crucis” traga inúmeros frutos espirituais aos leitores deste Blog. É o que pedimos pela intercessão da Santíssima Virgem Maria!

A VIA-CRÚCIS FORENSE

UMA MEDITAÇÃO
“Nossa jornada começa no Jardim do Getsêmani, localizado no Monte das Oliveiras, de onde Jesus e Seus discípulos partiram depois que Ele anunciou que Sua hora havia chegado. Quando eles chegaram, Jesus afastou-se para orar: ‘A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui e vigiai.’ (Marcos 14:34). Jesus estava totalmente ciente dos sofrimentos que teria que suportar. De repente, Seu coração começou a bater forte em Seu peito, aceleradamente. Ele empalideceu, Suas pupilas dilataram-se por completo; Sua respiração tornou-se mais rápida; Seus joelhos vacilaram e Ele caiu ao chão, incapaz de manter-se em pé. A adrenalina era bombardeada por todo o Seu corpo; uma reação ‘lutar ou fugir’ havia sido desencadeada. A profunda angústia mental de Seus sofrimento tinha começado, drenando as forças de Seu corpo. Ele começou a coxear, caiu ao chão e orou repetidamente. Ele repetiu as orações a noite toda. Então olhou para os Céus e pediu; ‘Pai, se queres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e, sim, a tua.’ E então apareceu para Ele um anjo do Céu para conforta-lo; e, estando em agonia, Ele orou mais intensamente. Seu suor caiu ao chão como se fossem gotas de sangue (Lucas 22: 42-44). Ele tinha aceitado Seu destino! Agora o ritmo de Seu coração começou a tornar-se mais lento. Seu rosto recobrou as cores, Seus músculos relaxaram e Seu corpo se encharcou de suor sanguinolento, enquanto coágulos de sangue caíam ao chão, porejando de pequenas hemorragias que surgiam de Suas glândulas sudoríparas. Jesus ficou debilitado devido à extrema exaustão mental.
Pouco depois, Ele foi preso e levado ao Sinédrio, onde foi molestado e acusado de blasfêmia e então levado diante de Pilatos, onde foi acusado de estar ‘pervertendo a nossa nação, vedando pagar tributo a César e afirmando ser ele mesmo Cristo, Rei.’ (Lucas 23:1-2). Pilatos enviou Jesus a Herodes, que o devolveu a Pilatos. Nenhum dos dois pôde apontar as faltas deste homem. Mas a multidão frenética queria que Jesus fosse crucificado a qualquer custo, até ao ponto de libertar Barrabás, um assassino brutal, em vez de Jesus. Numa última tentativa de evitar a crucificação, Pilatos ordenou um açoitamento brutal, mais severo do que o normal: ‘Então, por isso, Pilatos tomou a Jesus, e mandou açoitá-lo.’ (João 19:1). Ele então foi curvado e amarrado a um pilar baixo, onde foi flagelado nas costas, peito e pernas, com um Flagrum multifaçetado, que continha pedaços de metal em suas extremidades. Os scorpiones penetraram profundamente em sua carne, dilacerando pequenos vasos, nervos, músculos e a pele. O peso dos scorpiones fazia com que as cintas de couro fossem projetadas para a parte da frente de seu corpo, dilacerando a carne dali também. Seu corpo deformou-se em função da dor, fazendo com que Ele caísse ao chão, somente para que O colocassem e pé novamente. Breves movimentos convulsivos ocorreram, seguidos por tremores, vômitos e suores frios. Gritos ecoavam a cada golpe recebido. Sua boca ficou seca e a língua colou-se ao céu da boca. Ele foi reduzido a um estado lamentável, já que Pilatos queria aplacar a sanha da multidão, de modo a dissuadi-la de sua exigência para que Ele fosse crucificado. Pilatos ofereceu à turba uma escolha ente Barrabás, um assassino brutal, e Jesus, mas a multidão preferiu que Jesus fosse crucificado e Barrabás libertado. O castigo de Pilatos não satisfizera à multidão ensandecida; que, sedenta de sangue, clamava: ‘Crucifiquem-no!’ Jesus respirava com dificuldade. Sua respiração tornou-se menos profunda e mais rápida, uma vez que Ele não conseguia respirar por causa das fortes dores no peito, decorrentes dos ferimentos em Sua caixa torácica, costelas e pulmões. Cada passo era doloroso, obrigando-O a segurar Seu peito.
Os soldados então ‘vestiram-no de púrpura e, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram na cabeça; e o saudavam, dizendo: ‘Salve, rei dos judeus!’ (Marcos 15:17-18) Eles apanharam o arbusto típico da Síria, a ‘espinho-de-Cristo’, com suas fileiras de espinho afiados e recurvos, que crescia ao lado do pretório, fabricaram uma coroa com os ramos entrelaçados e a fixaram em Sua cabeça. Esta era a coroa para o ‘Rei dos Judeus’ e um graveto foi Seu cetro. Eles prestaram homenagem ao novo rei desfilando à Sua frente, ajoelhando-se diante Dele e golpeando-lhe as faces com o cetro e cuspindo em Jesus. Suas bochechas e nariz ficaram vermelhos, feridos e inchados. Dores agudas e lancinantes, que pareciam choques elétricos ou pontadas com ferro em brasa revelavam-se em Seu rosto, imobilizando-o fazendo com que Ele evitasse voltá-lo para qualquer direção, tornando a dor ainda mais intensa – uma condição médica conhecida como neuralgia do trigêmeo ou tic douloureux. Suas feições distorceram-se e Seu corpo ficou tão tenso que não conseguia mais mover-se, pois cada movimento provocava novos ataques agonizantes.
Pilatos, então, desistiu e ordenou que Jesus fosse crucificado e o centurião e o quaternio (quatro soldados, sob as ordens de Seu comandante) colocaram a barra horizontal da cruz, que pesava entre 23 e 24 quilos, sobre Seus ombros, que já se encontravam severamente lacerados pelo açoitamento. Ele sentiu dores ainda mais agudas, que O fizeram cair de joelhos. Os soldados fizeram com que Ele se levantasse novamente. As pessoas se amontoavam nos dois lados da rua, com uma companhia de soldados mantendo a ordem. Jesus, num princípio de estado de choque traumático, mal conseguia manter o equilíbrio e ofegava. Ele continuou em Seu caminho, colina a cima, caindo várias vezes, com a barra sobre Suas costas. O sol do meio-dia estava quente; o suor pingava de Seu corpo, desidratando-O e fazendo piorar sua sede. Ele não conseguia mover a língua, que parecia ter aumentado muitas vezes seu tamanho. Seu corpo inteiro reagia ao sofrimento proveniente dos múltiplos ferimentos causados pelo açoitamento. Era fácil para o centurião perceber que Ele não chegaria ao Calvário nesse passo. Assim, Simão de Cirene, que visitava a cidade, foi forçado a ajudá-lo a carregar a trave da cruz pelo resto do caminho. Jesus continuou a tropeçar e cair, ofegando e segurando o próprio peito no caminho para o Gólgota. Colina acima, pela ladeira íngreme e empoeirada. Ele respirava cada vez com mais dificuldade, devido ao lento acúmulo de fluido ao redor e Seus pulmões – condição médica chamada de efusão pleural, resultante do brutal açoitamento. No Calvário, os soldados lançaram dados para disputar quem ficaria com Suas vestimentas, e o vencedor descobriu que elas estavam grudadas às inúmeras lacerações causadas pelo açoitamento. O soldado agarrou as vestes e arrancou-as violentamente. Jesus sentiu como se seu corpo inteiro estivesse em chamas.
A barra horizontal da cruz foi depositada no chão e Jesus foi colocado sobre ela, com três homens imobilizando-O; um deles, em cima de seu peito. Isto trouxe uma dor terrível e mais dificuldade para respirar, pelos danos causados às paredes da caixa torácica, devido ao açoitamento. Jesus gritava em agonia. Enquanto os soldados o seguravam, um prego grande e quadrado foi fincado através da palma de Sua mão, na proeminência muscular localizada na base de Seu polegar. Ele soltou um grito de fazer gelar o sangue de quem o ouvia. O prego penetrou no nervo mediano, causando uma das piores dores que um ser humano pode sofrer, chamada causalgia. Durante a Primeira Guerra Mundial, soldados que sofriam ferimentos no nervo mediano, devido a estilhaços de granadas e bombas de fragmentação, entravam em choque profundo, se não fossem medicados imediatamente. Apesar da exaustão, Jesus se contorcia e lutava: a dor era insuportável e queimava como se um raio tivesse atravessado Seu braço. A segunda mão foi pregada à trave da mesma maneira, fazendo com que Ele desse outro berro de agonia. Jesus, então, foi forçado a ficar de pé, com Suas mãos pregadas à barra. Seus joelhos dobraram. Dois soldados levantaram cada extremidade da barra enquanto outros dois agarraram Jesus ao redor de Seu Corpo. Então, eles colocaram a barra no encaixe que havia sido escavado no topo da estaca. Enquanto seguravam Jesus pela parte inferior de seu corpo, dois membros do quaternio dobraram seus joelhos e forçaram Seus calcanhares contra a estaca, até que eles ficassem firmemente apoiados à cruz. Um dos homens fincou um prego em cada pé, enquanto um outro homem mantinha-os seguros sobre a cruz. A dor era excruciante, e novamente Jesus gritou em agonia. Ele estava completamente exausto, com falta de ar e sofrendo dores terríveis. Sua língua grudou-se ao céu da boca, que estava repleta de muco espesso. O suor porejava de todo o seu corpo, deixando-O encharcado e seu rosto assumiu uma coloração pálida e amarelada. Sua respiração tornou-se menos profunda e mais rápida, e fortes cãibras dominaram suas panturrilhas. Isto obrigou-lhe a contorcer-se, curvar e arquear Seu corpo para tentar estender as pernas a aliviar as cãibras. As dores eram profundas e dilacerantes, como se uma corrente elétrica atravessasse seus braços e pernas, irradiando-se dos pregos nas mãos e nos pés; através de seu rosto, pela irritação causada pelos espinhos da coroa; as dores excruciantes do açoitamento, o grande impacto recebido sobre os ombros, as cãibras intensas nas panturrilhas e a sede extrema uniram-se para causar uma sinfonia de dores implacável. ‘Eloí, Eloí, lamá sabactãni?’, que quer dizer ‘Deus meu, deus meu, por que me desamparaste?’ (marcos 15:34). Depois de várias horas de agonia insuportável na cruz, Jesus clamou em voz alta: ‘Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!’. E, tendo dito isto, expirou. (Lucas 23:46).”

(O negrito é nosso)
______________________
Referência Bibliográfica:
ZUGIBE, Frederick. A Crucificação de Jesus. As conclusões surpreendentes sobre a morte de Cristo na visão de um investigador criminal. Trad. Paulo Cavalcanti. São Paulo: Idéia e Ação, 2008. Pag. 432-438