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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

HANS KÜNG: DESPREZO PELA IGREJA




Por Prof. Pedro Maria da Cruz


Teólogo do Vaticano II

Condecorado por maçons...

Afastado da Integridade da fé...

Já não pode ser considerado teólogo católico...


“Eu propus no meu livro uma série de terapias ecumênicas, a Igreja teria de (...) assumir sua responsabilidade social (...) a Inquisição deve ser finalmente abolida e as formas de repressão têm de ser eliminadas. (...) o casamento deve ser permitido a padres e bispos e os postos da Igreja devem ser abertos a mulheres.” (3) (Hans Küng em entrevista à Jürgen Zurheide)

“O padre Católico Hans Küng no momento proclama a maior de todas as heresias e não foi excomungado. Pelo contrário, em 18 de Maio de 2007 ele recebeu uma condecoração pública dos maçons. Nessa ocasião um Mestre Maçônico disse de Hans Küng: “O que você fala provêm de nossa alma maçônica”. (2) (Ordem de São Basílio Mágno)

“Hans Küng não só deixou de ser Católico, mas ele deixou de ser Cristão. Negando a Divindade de Cristo e O colocando no mesmo nível com Maomé ou Buda – isto não é mais ser cristão. (...) então ele é absolutamente escandaloso”. (3) (Radomir Maly)


Hans Küng na casa da Fundação
 Etos Mundial, Tubingen - Alemanha


SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

DECLARAÇÃO
ACERCA DE ALGUNS PONTOS
DA DOUTRINA TEOLÓGICA
DO PROF. HANS KÜNG

“Como alguns escritos do sacerdote Professor Hans Küng, difundidos em tantos países, e a sua doutrina produzem perturbação na alma dos fiéis, os Bispos da Alemanha e a própria Congregação para a Doutrina da Fé, de comum acordo, repetidamente o aconselharam e admoestaram pretendendo levá-lo a exercer a sua actividade de teólogo em plena comunhão com o Magistério autêntico da Igreja.

Com tal espírito, a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, cumprindo a sua missão de promover e tutelar a doutrina da fé e dos costumes na Igreja universal, com público documento de 15 de Fevereiro de 1975 declarou que algumas opiniões do Professor Hans Küng se opõem, em diversos graus, à doutrina da Igreja que todos os fiéis devem seguir. Entre elas indicou, como de maior importância, o dogma de fé na infalibilidade da Igreja e a missão de interpretar autenticamente o único depósito sagrado da palavra de Deus, confiado só ao Magistério vivo da Igreja, e também a consagração válida da Eucaristia.

Ao mesmo tempo esta Sagrada Congregação avisou o mencionado Professor que não continuasse a ensinar tais doutrinas, mantendo-se entretanto à espera de que ele harmonizasse as próprias opiniões com a doutrina do Magistério autêntico.Todavia nenhuma mudança houve até agora nas citadas opiniões.

Consta isto, em especial no que diz respeito à opinião, que põe peio menos em dúvida o dogma dá infalibilidade na Igreja ou o reduz a certa indefectibilidade fundamental da Igreja na verdade, com a possibilidade de erro nas doutrinas que o Magistério da Igreja ensina deverem ser cridas de maneira definitiva. Neste ponto Hans Küng nada se conformou com a doutrina do Magistério; pelo contrário, recentemente apresentou de novo, ainda mais expressamente, a sua opinião, embora esta Sagrada Congregação tivesse então afirmado que ela contradiz a doutrina definida pelo Concílio Vaticano I e depois confirmada pelo Concílio Vaticano II.

Além disso, as consequências de tal opinião, sobretudo o desprezo pelo Magistério da Igreja, encontram-se ainda noutras obras por ele publicadas, sem dúvida com detrimento de vários pontos essenciais de fé católica (por exemplo, os relativos a Cristo consubstancial com o Pai, e à Bem-aventurada Virgem Maria), pois é atribuído a esses pontos um significado diverso daquele que entendeu e entende a Igreja.

A Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, no documento de 1975, absteve-se, na altura, de nova acção quanto às mencionadas opiniões do Prof. Küng, presumindo que ele as viria a abandonar. Uma vez, porém que tal presunção já não se pode manter, esta Sagrada Congregação, em virtude do seu cargo, sente-se obrigada a declarar actualmente que o Professor Hans Küng se afastou, nos seus escritos, da integridade da verdade da fé católica, e portanto já não pode ser considerado teólogo católico nem pode, como tal, exercer o cargo de ensinar.
No decurso da Audiência concedida ao abaixo assinado Cardeal Prefeito, o Sumo Pontífice João Paulo II aprovou a presente Declaração, decidida na reunião ordinária desta Congregação, e ordenou que fosse publicada.”

Dado em Roma, na Sede da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, 15 de Dezembro de 1979.

Franjo Cardeal Šeper
Prefeito

(Grifos nossos)
Maria Santíssima, ora pro nobis!


(1) http://www.teleios.com.br/2011/hans-kung-teologo-alemao-questiona-beatificacao-de-joao-paulo-2%C2%B0/

(2) http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=veritas&subsecao=religiao&artigo=condecoracao-maconica-hans-kung&lang=bra

(3) http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=veritas&subsecao=religiao&artigo=condecoracao-maconica-hans-kung&lang=bra

quarta-feira, 13 de abril de 2011

FRATERNIDADE E NATUREZA


Por Denis Lerrer Rosenfield

Com grande alarde, a CNBB lançou um documento intitulado Fraternidade e a Vida no Planeta como orientação da Campanha da Fraternidade de 2011. Tratando-se de um documento teológico-político, sua preocupação central consiste em influir no atual debate sobre as relações entre civilização moderna e meio ambiente. Mais especificamente, seu objetivo reside em participar diretamente da discussão atual sobre a revisão do Código Florestal. Não estamos diante de uma preocupação religiosa politicamente neutra, mas que obedece a diretrizes contempladas nas pastorais da Igreja, nos ditos movimentos sociais e na doutrina da Teologia da Libertação.

Em manifestações, aliás, muito sensatas, de alguns altos dignitários da Igreja, aparece uma preocupação muito genuína com a preservação ambiental, sem ranços ideológicos. Cuidados relativos à coleta seletiva de lixo, contra os desperdícios de água, a poluição de rios e do ar e o uso abusivo de agrotóxicos, por exemplo, entram nessa linha de conduta.

Essa é, no entanto, a apresentação pública, em muito distinta do que consta no documento, eivado de ranços contra o capitalismo, a propriedade privada, o lucro e o agronegócio. Convém, preliminarmente, ressaltar que foi graças ao capitalismo e ao agronegócio que a sociedade atual veio a produzir abundantemente alimentos em escala planetária e a baixo custo. Nunca tantos comeram e jamais foram tão boas as condições de vida.

Os países que aboliram a propriedade privada e 'produziram' sem o lucro foram os que sucumbiram à miséria. A URSS abandonou à morte milhões de seus cidadãos por falta de comida e pela desorganização completa da agricultura. A China de Mao seguiu o mesmo caminho, com camponeses morrendo de fome nas estradas. Os admiradores atuais de Cuba, muitos dos quais compartilham os pressupostos da Teologia da Libertação, nada têm a dizer de um partido que nem consegue produzir alimentos para a sua população. Outro representante do 'socialismo', Hugo Chávez, está conduzindo seu país à bancarrota, também com a desorganização completa da agricultura e da pecuária.

Se tivéssemos de caracterizar a ideologia do documento o qualificaríamos como uma mistura de ludismo e marxismo. Ludismo porque corresponde a uma corrente política e ideológica inglesa do século 19 que recusava toda e qualquer modernização do processo produtivo, no caso, industrial, pela destruição de máquinas, cuja inovação não era aceita. Marxismo porque adota as categorias dessa corrente ideológica, propugnando uma via anticapitalista, que não estaria mais orientada pelas relações de mercado alicerçadas no lucro e nos contratos. Desta última resgata também a ideia socialista, que ganha uma nova denominação, a de uma sociedade 'solidária', não consumista, não capitalista, apoiada na 'vida', e não na ganância. Mudou de denominação por conveniências retóricas.

Assim, a CNBB postula que os alimentos produzidos para o mercado, sob a forma de 'commodities', sejam caracterizados como produtos de um mercado voltado para o 'lucro', que não visa à 'disponibilização de alimentos para todas as pessoas'. Prossegue em suas diatribes criticando um mercado 'dominado por poucas empresas que monopolizam o mercado internacional, impondo preços segundo suas conveniências'. Mas é obrigada a reconhecer que esse processo, baseado em 'distorções', 'se reflete nos preços relativamente baixos dos alimentos'. Ou seja, na verdade, é o mercado que produz alimentos abundantes e a baixos preços, o que contradiz sua tese de que a escassez seria a resultante desse processo.

O documento retoma a tese do MST e da Comissão Pastoral da Terra de que o agronegócio termina prejudicando e excluindo a agricultura familiar. Ao contrário, porém, o fato é que o excedente da agricultura familiar é vendido no mercado e em alguns setores, como fumo, aves e suínos, há toda uma rede de relações entre o agronegócio e a agricultura familiar, denominada 'sistema integrado de produção'. Na verdade, a CNBB adota a postura dos assentamentos da reforma agrária, identificando-os com a agricultura familiar, o que é um equívoco, pois eles não possuem títulos de propriedade, não se voltam para o mercado e estão apoiados na economia de subsistência, a qual, aliás, nem conseguem atingir. Vivem de subsídios governamentais como o Bolsa-Família, o que significa dizer: à custa do contribuinte.

Todo o setor da agropecuária e do agronegócio em geral é tido como praticante de 'crimes ambientais', como se esse fosse o seu costume. Evidentemente, a prática agrícola, como ocorre em qualquer lugar do mundo, transforma a natureza, tendo em vista a produção de alimentos. Se assim não fosse, a humanidade morreria de fome. Há uma clara confusão entre desmatar por desmatar, sem nenhuma preocupação agropecuária, e a atividade propriamente agrícola, que também conserva a natureza. Agricultura e natureza marcham de mãos dadas. Se não for assim, ambas acabam perdendo. O agricultor ou a empresa que não conserva a natureza dá um tiro no próprio pé.

A CNBB apoia-se numa concepção religiosa segundo a qual tudo o que existe na natureza é resultado da criação divina, que, enquanto tal, deve ser preservada. Trata-se de 'cultivar' a 'criação'. O ambientalismo estaria, nesse sentido, fundado numa cosmovisão religiosa. Eis por que é defendida a ideia de que os comportamentos que contrariam essa cosmovisão devem ser 'corrigidos', por serem 'pecaminosos', por atentarem precisamente contra a 'criação divina'. Ou seja, a Igreja assume a política dos que sabem o que é o 'correto' comportamento humano, devendo adotar medidas que o implementem. A correção do comportamento humano seria empreendida pela 'tirania dos bons', dos 'virtuosos'. Isso significa que todo aquele que advoga pela atualização do Código Florestal seria pecador.
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Fonte: O Estado de São Paulo, 28 de março de 2011