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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

A LEITURA DA SAGRADA ESCRITURA

A Bíblia deve ser lida sob orientação,
 sob o legítimo magistério da Igreja

Por Alba Cañizares Nascimento.

"A Igreja Católica, bem diversamente do que propagam ignorantes ou mal intencionados, não proíbe a leitura da Bíblia. Ao ContrárioA Igreja a quer conhecida em sua divina beleza e verdade. Recomenda-a insistentemente.¹Aconselha a leitura benéfica das Santas Escrituras: Quem não quiser ouvi-la seja considerado como um pagão (Mat. 18,17).

Já S. Jerônimo considerava tão útil a lição das Escrituras, que até as meninas de tenra idade a aconselhava com empenho. Relativamente à educação de Sta. Paula, ainda criança, diz: 
"Aprenda primeiramente o Saltério. Sejam estes os cânticos com que se divirta o seu ânimo. Tire dos provérbios de Salomão os preceitos de bem viver. Acostuma-se a desprezar o mundo pela lição do Eclesiastes. Sirva-lhe o livro de Jó de exemplo de virtude e paciência. Depois passe a ler os Evangelhos, os quais nunca lhe devem sair das mãos, e beba com toda a apetência de seu espírito os Atos e Cartas dos Apóstolos."

O que a Igreja veda é a leitura de traduções não autorizadas do maior livro da história, traduções descriteriosas em que se acha prejudicada a altíssima doutrina religiosa e moral dos Oráculos Messiânicos.É preciso esclarecerA Bíblia deve ser lida sob orientação, sob o legítimo magistério da Igreja, dada a dificuldade e a transcendência das Sagradas Letras. Há necessidade de guia seguro para a devida compreensão do seu texto.

'A Bíblia, em seu profundo sentido, em suas graves lições sobre as mais altas questões da filosofia e da religião, em sua complexa dogmática, em sua moral sublime, em sua remontada poesia, fica, quantas vezes, inacessível aos espíritos desprevenidos, aos não iniciados em sua magnitude e em sua beleza.'

São Jerônimo (347-420)
 foi o principal responsável
 pela tradução da bíblia para o latim
A obra bíblica foi escrita por gênios. Os gênios têm altitude conceptual e sentimental a que não alcança a vulgaridade. Assim, mesmo os trechos que parecem mais simples não apresentam fácil exegese. 

Quanto à parte propriamente profética, no concernente à revelação divina, cresce a complexidade. Os profetas videntes da Perfeição, artistas e santos, cujo ideal de vida pura foi o mais alto que conheceu o homem ficam em sua divina linguagem ininteligíveis à mediocridade. Em muitos livros das Sagradas Escrituras usam os profetas linguagem simbólica, hiperbólica ou tropológica cujo sentido profundo, velado por grandiosas imagens, fica inextricável aos leigos. As visões proféticas são por vezes altas demais para olhos comuns. Para alcançá-las há necessidade das lentes esclarecedoras dos sábios doutores da Igreja, dum hebraísta como S. Jerônimo, o maior exegeta das Escrituras, cujo receio de errar quanto à interpretativa escriturística era tal que, a tremer, se aproximava das Sagradas Letras _ Como se ouvisse as trombetas do Juízo Eterno..."



MARIA SEMPRE!



**************************
1 - Não somente a Igreja recomenda a leitura da Bíblia, como ainda concede indulgências a todos aqueles que durante ao menos um quarto de horas lerem alguns trechos dos Evangelhos (Concessão do Papa Leão XIII).

Fonte: Excerto do Livro Introdução à Bíblia Sagrada, de Alba Canizares Nascimentos, 1936, págs. 50-51. Nihil Obstat: Rio, 08 de Maio de 1936. Padre João Baptista de Siqueira.

terça-feira, 21 de julho de 2015

AS BOAS MANEIRAS. UMA REFLEXÃO...



As boas maneiras se formam à sombra dos pais



Por Dom Tihamer Toth

"A atitude do homem para com seu próximo, bem como as relações sociais, são reguladas por certas convenções exatamente determinadas. Essas convenções sociais formaram-se no correr dos séculos, e ninguém tem o direito de subtrair-se a elas. Algumas devem sua origem a motivos religiosos; outras procedem do desejo de salvaguardar o bom entendimento entre os homens; e se, em aparência, elas só interessam à apresentação exterior, muitas vezes nos ajudam a observar as leis essenciais da moral.

Estas considerações são razões suficientes para observarmos conscienciosamente as regras da boa educação. 

As regras da cortesia outra coisa não são que um convite à prática da caridade; servem para estabelecer entre nós as relações ditadas pela sabedoria e pela moderação. Bem entendido, elas só têm sentido se inspiradas pelo coração, praticadas com sinceridade, sem afetação nem exagero, com facilidade toda natural.

Essas convenções devem regular a nossa vida inteira: atitudes, relações, cartas conversações, jogos, distrações, refeições, trabalhos, comportamento para com nossos pais e superiores, para com as senhoras, etc.

Quem quisesse subtrair-se às convenções da polidez, progressivamente estabelecidas no decurso de longos séculos, a si próprio tornaria impossível a vida no seio duma sociedade civilizada. Por exemplo, se alguém quisesse acolher os seus convivas em traje de dormir, ir à sociedade sem colarinho nem gravata, sair à rua de chinelos, tomá-lo-iam pelo menos por um grosseirão ou maluco, e muita gente, com toda a razão ficaria gravemente chocada.

" Sem o concurso da alma
tudo isso é mero verniz"
Os ingleses e os americanos toam, às vezes, um pouco à ligeira as regras das conveniências. Conta-se que um general americano, por ocasião duma audiência dada pelo Papa, abeiro-se do Santo Padre muito familiarmente com um “How do you do, Sir”. “Como vai, Sr.?” Essa falta de conveniência excede os limites, mesmo para um americano; mas nós outros devemos observar muito mais estritamente ainda as regras da polidez; toda negligência nos é vedada.

Como vês, meu filho, a presença ou ausência das maneiras cultivadas trai-se constantemente pelo teu andar, pelo modo como te sentas, por tua conversa, teus gestos, olhar, riso, por teu comportamento à mesa, na rua, em sociedade, _até mesmo pelo trajar correto e pelas mãos limpas.

Mas a observância das conveniências ainda não é a educação perfeita. Sem o concurso da alma, tudo isso é mero verniz. A verdadeira cortesia brota dum caráter puro e dum coração cheio de bondade. Impossível apropriar-se dela por formas puramente exteriores.

Se as conveniências não se associarem a um caráter íntegro, as exterioridades da polidez podem encobrir até um espertalhão. Muitas vezes, ai! Uma alma corrompida oculta-se por uma roupa elegante e bem assentada; é o fel no açúcar, é o verme na maçã, tão bela aparência. E, se eu tivesse que escolher, certamente preferiria sentar-me à mesa ao lado dum homem de alma pura, mas que _ horribile dictu _ levasse a faca à boca, a me sentar ao lado do cavalheiro de maneiras perfeitas, que come camarões com elegância suprema, mas que não se constrange de subtrair somas alheias.

Nada é mais verdadeiro do que o provérbio: Beleza sem virtude é flor sem perfume. Contrariamente, a mais singela concha pode esconder uma pérola, e o minério mais grosseiro pode conter ouro.

Na realidade, podemos muito bem escapar à necessidade de escolher. Eu quisera ver em todos os jovens não somente uma alma honesta e um caráter de boa têmpera, mas também as maneiras perfeitas dum homem bem educado."


Fonte: Livro O Moço Educado, Parte I, Capítulo 1, pág. de 07 a 09; Editora Vozes, 1960.



MARIA SEMPRE!


segunda-feira, 6 de julho de 2015

SÃO JOSÉ VAZ : CARTA DE SERVIDÃO

São José Vaz de Sri Lanka (1651-1711)

Postado por editores do blog

Segue abaixo interessante texto do século XVII que consiste numa fórmula de consagração pessoal. Quem sabe se este exemplo de amor a Nossa Senhora possa inspirar a tantos católicos de nosso tempo a prática louvável de entregar-se todo a ela com o sincero propósito de melhor servir a Deus, Nosso Senhor. Maria Sempre!


TEXTO DA CONSAGRAÇÃO DE SÃO JOSÉ VAZ DE SRI LANKA (1651-1711)


“Saibam quantos esta carta de cativeiro virem, os anjos, os homens, e todas as criaturas, como eu, o Padre José Vaz, me vendo e entrego como escravo perpétuo da Virgem Mãe de Deus por doação livre, espontânea e perfeita, que o direito chama irrevogável entre vivos, a minha pessoa e bens, para que de mim e deles disponha a sua vontade, como verdadeira Senhora Minha. E porque me acho indigno desta honra, suplico ao Anjo da minha guarda, ao glorioso patriarca São José, esposo amantíssimo desta Soberana Senhora, e santo do meu nome, e aos demais cidadãos celestiais, alcancem dela, que me receba no número de seus escravos. E por ser verdade, a firmo do meu nome, e quisera firmar com o sangue do meu coração. Feita na Igreja de Sancoale ao pé do altar da mesma Virgem Maria Mãe de Deus, Senhora da Saúde, hoje 5 de agosto de 1677.”



MARIA SEMPRE!


terça-feira, 9 de junho de 2015

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E O TEATRO

A estima de São José de Anchieta para com os nativos era mútua
Por Helmer Ézion S. Souza

Por ocasião da data dedicada ao chamado "Apóstolo do Brasil" (09/06), expomos aqui um breve relato acerca deste tão majestoso Jesuíta, que não bastasse a sua reconhecida piedade e empenho na missão catequética, ainda corroborou como um dos pioneiros do desenvolvimento da Literatura e do Teatro no Brasil.


Gramática Tupi
 Confeccionada por Anchieta
São José de Anchieta nasceu na Ilha de Tenerife, uma das Ilhas Canárias pertencente à Espanha, em 19 de março de 1534. Estudou na Universidade de Coimbra (Portugal) em meio à efervescência cultural do século XVI (período da pseudo reforma-protestante e do surgimento do iluminismo). Embarcou rumo ao Brasil em 1553 com apenas 19 anos como missionário jesuíta. Ao desembarcar, passou a dedicar parte do seu tempo a estudar tupi e latim a fim de catequizar os índios e instruir os colonos. Com efeito, possuía grande facilidade com línguas; chegou, inclusive, a confeccionar uma gramática tupi. Dessa forma Anchieta ficava como que intermediador entre os nativos, os demais missionários e a corte, sendo assim quase que um diplomata, o que lhe valia grande estima por parte de todos (algo difícil de se conseguir devido à hostilidade reinante na época entre algumas partes).


Os jesuítas fundaram muitos colégios, o que serviu de base para a evangelização do novo mundo. São José de Anchieta trabalhou lecionando nesses institutos, mesmo quando mero seminarista. De fato, sua ordenação só ocorreria em 1566.

Anchieta valia-se dos seus conhecimentos linguísticos para catequização dos nativos. Escreveu diversos poemas, sermões, cartas, e autos (foi muito influenciado por Gil Vicente e o teatro medieval). Os teatros produzidos por Anchieta tinham o objetivo principal de evangelizar, porém os mesmos eram sempre inseridos em festas e/ou acontecimentos, como, por exemplo, a chegada de oficiais da Ordem. Sendo assim, eram teatros de grande valor estético e artístico.

Devoto de Nossa Senhora,
Anchieta possuía muitos dons
O teatro era escrito e representado em várias línguas (português, espanhol, tupi e latim), além de ser às vezes inseridos elementos das culturas indígenas para que todos que assistissem entendessem a mensagem. Diz-se que o teatro Anchietano tinha estilo otimista, com constante temática do bem contra o mal (benéfica influência medieval) e presença de várias línguas e adaptações de divindades indígenas. A primeira produção teatral de Anchieta se deu por encomenda de seu superior, o Padre Manoel de Nóbrega para os festejos natalinos, foi o “Auto da Pregação Universal” (1561) que seria apresentado repetidas vezes em toda costa brasileira, sofrendo alterações em cada apresentação. Além deste auto, Anchieta escreveu diversas peças: “Auto de São Sebastião” (1584)/ “Diálogo de P. Pero Dias Mártir”(1585)“Auto de São Lourenço” (1587)/”Dia da Assunção”(1590)/”Recebimento do P. Marcos da Costa”(1596)/”Auto de Santa Ursula”(1595)/”O Auto de São Maurício”(1595)/”Na Visitação de Santa Isabel”(1597)... E vários outros.

Mesmo estando em leito de morte, São José de Anchieta ainda escrevia seus autos para atender pedidos da população. Veio a falecer em 09 de junho de 1597, deixando seu legado e sua forte influência para a formação cultural brasileira.

São José de Anchieta! Rogai por Nós!


MARIA SEMPRE!


Referências bibliográficas: 

-FERRONATO, Pe. Lourenço, EP. José de Anchieta - o Santo que amou o Brasil. 1ª edição: ACNSF.São Paulo. 2011. 32  páginas.

-ANCHIETA, José de. AYALA,Walmir;AZEVEDO FILHO, Leodegário A. de.O Auto de São Lourenço. Introdução, tradução e adaptação de Walmir Ayala. 8 ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1997.(Coleção Prestígio).

- João Paulo II. Carta de João Paulo II aos artistas. N. 167. S. Paulo: Paulinas, 32 pgs.

- QUEVEDO, Luiz González. Manoel da Nóbrega. O enamorado do Brasil. Coleção Heroes, N. 51. São Paulo: Editora Salesiana, 1988. 52 pgs.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

SÃO NICOLAU! MODELO DE CARIDADE!

São Nicolau, Bispo de Mira (275- 342)
Por Editores do blog.


São Nicolau foi um dos santos mais populares de todos os tempos.

Contudo, nem sempre a devoção popular sabe das razões de seu extremado devotamento, pois se deixa facilmente levar pelas lendas fantasiosas que a tradição tece sobre a sua vida.

Mesmo livre das estórias lendárias, a figura de São Nicolau emerge como um gigante. Filho de pais ricos e piedosos, Nicolau nasceu por volta do ano de 275 na Lícia, hoje Turquia. Tornou-se sacerdote da diocese de Mira, onde exerceu seu ministério. Como sacerdote desdobrou-se em amor e dedicação na evangelização e conversão dos pagãos, num clima de perseguição religiosa.

São Nicolau se destacou por sua  caridade
Nicolau é conhecido, sobretudo, pela extremada caridade para com os pobres. Distribuiu entre eles a fortuna herdada de seus pais. Entre outros fatos da sua vida, registra-se o caso de três moças cujo pai pobre, não podendo fornecer dotes para o casamento, aconselhava as filhas a se entregarem à prostituição. Nicolau, ao saber disso, jogou pela janela da casa das moças três bolsas com o dinheiro suficiente para os dotes das jovens.

Este episódio deu motivo à fantasia dos países do norte da Europa de verem Nicolau, sob o nome de Claus, o velho de barbas brancas, que leva presente às crianças, exatamente no dia 6 de Dezembro.

Após a morte do bispo de Mira, Nicolau foi eleito seu sucessor. A obediência obrigou Nicolau a deixar o doce remanso da solidão e assumir as responsabilidades de bispo.

Em pouco tempo conquistou a simpatia de todos. Sua caridade bondade sem par, seu zelo, seu espírito de oração o tornaram conhecido e amado por toda a Ásia Menor. Deus, por sua vez, brindou-o com o poder de milagres em favor, sobretudo dos doentes.

Historiadores gregos afirmam que Nicolau foi preso durante a perseguição de Diocleciano por volta do ano 310. O santo bispo sustentou corajosamente a dura prisão e várias torturas e já estava para ser processado e condenado à morte, quando foi publicado o edito de Milão, em 313, concedendo a liberdade religiosa.

São Nicolau participou no Concilio de Nicéia (325)
 quando foi condenada a doutrina de Ario
Nicolau foi um dos bispos que participaram do Concílio de Nicéia em 325, onde, contra a heresia ariana, foi definida a divindade de Cristo declarado consubstancial ao Pai. No início do concílio, Nicolau presenciou uma cena de indescritível emoção: Constantino Magno, o imperador da Roma que havia perseguido por 250 anos os cristãos, ajoelhou-se para beijar as cicatrizes de Nicolau e dos outros varões torturados na última perseguição.

Os mesmos soldados que os tinham preso e torturado, agora lhes prestavam honras de heróis! Parecia um sonho!

Ao que parece, Nicolau faleceu em Mira no ano de 342, com grande fama de santidade e de poder taumatúrgico.

Este santo tornou-se sobremaneira popular também na Rússia, onde foi declarado padroeiro principal. Motivo pelo qual muitos czares adotaram este nome. Antes da revolução comunista, muitos eram os Russos que visitavam o sepulcro de São Nicolau em Bári - para onde as relíquias foram transferidas após a invasão muçulmana- .

São Nicolau é invocado contra os perigos de incêndio e é padroeiro dos marinheiros.

São Nicolau! Rogai por nós!


MARIA SEMPRE!


Referência:
CONTI, Dom Servilio. O Santo do Dia. editora Vozes.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

RAINHA SANTA, ISABEL DE PORTUGAL



"A cruz e os espinhos do meu Senhor são o meu cetro e a minha coroa"



Postado por editores do blog

Santa Isabel, filha de D.Pedro III, rei de Aragão, nasceu em 1270, na Espanha. Conforme o costume do tempo, em que as princesas eram geralmente dadas pelos pais por esposas de outros príncipes e fortalecer, assim, a própria monarquia, Isabel foi dada como esposa, ainda muito jovem, a D.Dinis, rei de em Portugal. "Esta menina loura, de aspecto frágil e doce fala, casada em terra estranha com um marido que lhe era continuamente infiel, demonstrou uma profundidade cristã e uma elevação de alma que a colocam entre as grandes mulheres da Idade Média". 

Conservando as práticas de piedade, procurou Isabel santificar-se em seu novo estado de vida. Nunca alguém a encontrou ociosa, mas sempre ocupada em coisas úteis. Às pessoas que lhe aconselhavam maior moderação nos trabalhos, orações e penitência, Isabel respondia: "Poderá haver maior utilidade e necessidade de oração do que na minha situação, em que os perigos e as paixões se apresentam mais fortes?"

Especial atenção dedicava aos pobres e aos doentes. Isabel costumava dizer: "Outro motivo Deus não teve de me colocar sobre o trono, senão de proporcionar-me os meios de socorrer os necessitados". Dia não passava, sem que a santa rainha fizesse obras de caridade, ora socorrendo os pobres, ora visitando os doentes. Deus, por sua vez, recompensou esta dedicação com o dom dos milagres. Uma pobre mulher, cujo corpo estava coberto de úlceras, recuperou a saúde com um abraço que Isabel lhe deu.

Quando a querida rainha saía no paço, uma multidão de infelizes a seguia,
 pedindo socorro, e nunca algum deles se retirava sem ser generosamente atendido.







Os portugueses a chamavam de Rainha Santa. Santa e sofrida, podemos acrescentar. Ela teve dois filhos, que procurou educar com especial carinho. Mas foi esposa traída pelas aventuras amorosas do marido e, no entanto, teve a virtude de cuidar também dos filhos provenientes de adultérios do rei.

Perdeu cedo a filha e o genro. Não bastassem essas amarguras familiares, sofreu ainda imensamente as desavenças políticas do marido com parentes e, sobretudo, o que mais a fazia sofrer eram as desavenças com o próprio filho Afonso.

A pobre rainha tornou-se Anjo da Paz, interferindo com a sua palavra, rezando muito e acompanhando a oração com muita penitência.

Embora não tivesse sido exemplo de virtudes cristãs, D.Dinis, seu marido, morreu cristãmente nos braços de Isabel, em 1325.

Depois da morte do rei, Isabel retirou-se ao mosteiro das Clarissas de Coimbra, onde viveu como religiosa, embora sem votos comunitários. Mas nem assim a deixaram em paz: as discórdias entre os parentes, entre o filho D.Afonso e o neto, rei de Castela, reclamavam sua intervenção pacificadora.

Deixando Coimbra, Isabel pôs-se a caminho para pacificar o filho e o neto, vindo, porém, a falecer ainda em viagem, em 1336, com 66 anos de idade. Nas dores da agonia, Isabel repetia esta jaculatória: "Ó Maria, Mãe das Graças, Mãe de Misericórdia, defendei-me contra o espírito maligno e recebei-me na hora da morte". Trezentos anos depois da morte, seu corpo foi encontrado intacto.

Com muito acerto, pede a liturgia na oração de sua missa: "Que Deus, fonte de paz, nos ajude a trabalhar pela paz, assim como fez Santa Isabel".




MARIA SEMPRE!



Referência:
CONTI, Dom Servilio. O Santo do Dia. editora Vozes.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

GRANDE FESTA DE CORPUS CHRISTI


A festa de Corpus Christi teve origem em 1243,
em Liège, na Bélgica, quando Santa Juliana de Cornillon
teve visões de Nosso Senhor Jesus Cristo

Postado por editores deste blog

Segue abaixo algumas imagens que nos remetem à grandeza desta festa que tanto enleva o coração dos fiéis católicos. Pedimos à Virgem Maria que conceda aos amigos deste blog toda sorte de bençãos neste dia de imponderável beleza. Viva o Santíssimo Sacramento!

Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento

Santíssimo Sacramento
Papa Francisco demonstra amor ao Santíssimo Sacramento...
Pelicano: símbolo da Eucaristia.
Dando a própria carne para matar a fome de seus filhotes,
simboliza Cristo que se dá em alimento aos que lhe procuram.


Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento! Rogai por nós!

MARIA SEMPRE!

segunda-feira, 28 de abril de 2014

XXVIII DE ABRIL: FESTA DE SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT



Hoje é dia de um dos santos mais eloquentes e missionários da história da Igreja. Seus escritos são verdadeiras profecias e ecoam como grande chamado ao heroísmo por Cristo. É considerado o apóstolo da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem.


No link abaixo pode-se ler a obra intitulada "Cartas aos amigos da Cruz", meditações que são fruto do retiro de oito dias feito por São Luís Maria na cidade francesa de Rennes. A obra apresenta o ardor de um apóstolo consumido pelo desejo de atrair as almas para o caminho da cruz.

http://a-grande-guerra.blogspot.com.br/2010/10/carta-aos-amigos-da-cruz.html


São Luís de Montfort, rogai por nós!

domingo, 13 de abril de 2014

SANTA GEMA GALGANI



É uma santa dos nossos dias. Faleceu no início do século passado, mas é uma santa em contraste com o materialismo desta época, pois foi uma das maiores místicas da Igreja.


Gema nasceu na cidade de Lucca, no centro da Itália, em 1878.

Seu nome foi uma profecia, pois significa pérola, diamante e de fato foi uma alma altamente predestinada à santidade sublime.

Ficou sem pais antes de completar os dez anos e foi acolhida por uma família amiga que continuou a educação esmeradamente cristã dos pais.

Mas não precisou de tanto, pois o Espírito Santo guiava visivelmente esta alma nos caminhos da santidade.

Sua modelar conduta, recolhimento espiritual no meio dos trabalhos domésticos, seu amor á oração, seus atos de abnegação e mortificação lhe conferiram um aspecto celestial; no entanto, era visível nela o esforço de corrigir-se dos defeitos e de crescer em perfeição. Desde cedo, sentiu-se tocada por um amor terníssimo a Jesus crucificado, sua especial devoção, de tal modo que, crescida nos anos, insistiu para ser admitida entre as Irmãs Passionistas, que cultuam de modo especial a paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mas seu ardente pedido não foi atendido, o que lhe causou imensa dor e tristeza. “As Irmãs passionistas não me quiseram em sua comunidade, disse Gema, pois com elas eu quero estar espiritualmente! Emitiu os votos de consagração total a Cristo crucificado, em espírito de vítima de expiação dos pecados do mundo.”

Gema foi favorecida por numerosas visões de Cristo, que, querendo associá-la à sua paixão e morte, gravou no corpo de Gema os sagrados estigmas da paixão e morte, isto é os sinais sangrentos dos pregos nas mãos e nos pés, além da ferida no peito, privilégio este concedido a poucos santos, como a São Francisco de Assis e Santa Catarina de Sena. Assim foi destinada a experimentar todas as sextas-feiras as dolorosas sensações do suor de sangue, da flagelação, da coroação de espinhos, da crucifixão com toda a agonia de Jesus na Cruz.

Consumida mais por amor a Deus do que por enfermidade, faleceu em Lucca, aos 11 de Abril de 1903, na idade de 25 anos. Admirável é Deus em seus santos! Gema foi uma pérola admirável, uma rosa perfumada crescida nos espinhos nos espinhos dos sofrimentos já vividos pelo seu Divino Esposo: Cristo.


MARIA SEMPRE!


Livro: O Santo do Dia, Dom Servilio Conti, ed. Vozes.

quarta-feira, 19 de março de 2014

SOLENIDADE DO GLORIOSO SÃO JOSÉ


Canto popular a são José

Vinde alegres cantemos,
A Deus demos louvor.
E ao Pai exaltemos,
Sempre com mais fervor.
São José a vós nosso amor,
Sede nosso bom protetor,
Aumentai o nosso fervor. (...)

Por Lucas Silva



O esposo castíssimo da Virgem Maria e pai adotivo de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Glorioso São José, é venerado com o culto de protodulia pelos fiéis católicos. Ele recebeu o título de Patrono Universal da Igreja do Papa Pio XI.


Este virtuoso e santo varão foi escolhido por Deus para ser o marido da mais Santa das Mulheres, Maria Santíssima, pois ele era o mais santo de todos os homens. 

São Francisco de Sales (†1655), doutor da Igreja, diz: "São José ultrapassou, na pureza, os Anjos da mais alta hierarquia".

São Jerônimo (†420), doutor da Igreja, diz: “José mereceu o nome de “Justo”, porque possuía de modo perfeito todas as virtudes”.

Honremos a São José, ele que foi o guardião do Menino Deus e da Virgem foi obediente à voz de Deus, paciente nas perseguições e humilhações que sofrera e permaneceu na castidade perfeita.

Ele que é o terror dos demônios e o patrono da boa morte (pois morreu assistido por Jesus e Maria).
São José, patrono da boa Morte. Imagem em tamanho real atrás do
presbitério da igreja histórica de são José, Centro do Rio de Janeiro. 

Para inflamar em nossas almas o amor e devoção ao pai nutrício de Jesus vejamos o que diz Santa Teresa de Ávila:

“Tomei por advogado e senhor o glorioso São José, encomendando-me muito a ele. Vi com clareza que esse pai e senhor meu me salvou, fazendo mais do que eu podia pedir, tanto dessa necessidade como de outras maiores, referentes à honra e à perda da alma. Não me lembro até hoje de ter-lhe suplicado algo que ele não tenha feito. Espantam-me muito os grandes favores que Deus me concedeu através desse bem-aventurado Santo, e os perigos, tanto do corpo como da alma, de que me livrou. Se a outros santos o Senhor parece ter concedido a graça de socorrer numa dada necessidade, a esse Santo glorioso, a minha experiência mostra que Deus permite socorrer em todas, querendo dar a entender, que São José, por ter-Lhe sido submisso na terra, na qualidade de pai adotivo, tem no céu todos os seus pedidos atendidos. Quem não encontrar mestre que ensine a rezar tome por mestre esse glorioso Santo, e não errará no caminho.” (Livro da Vida. Capítulo 6, 6)


Neste tempo de provações, perseguições e dificuldades na Igreja, nesta sociedade decadente que perdeu a fé e pôs Deus de lado, recorramos ao poderoso patrocínio de São José, para que ele, o guardião do Cristo e o maior dos devotos da Santíssima Virgem nos auxilie e apresse o triunfo do Imaculado Coração de Maria.

Mãe do Bom Conselho, rogai por nós!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O ESCRITOR G.K. CHESTERTON


Por Gustavo Nogy


Tanto já se disse acerca de Gilbert Keith Chesterton, que qualquer outra coisa que se escreva a seu respeito muito provavelmente não será mais do que lugar-comum. Ocorre que os clichês não deixam de ser verdadeiros por serem clichês, e uma verdade dita mais de uma vez não deixa de ser verdade, a despeito do nosso tédio. Dizer que Chesterton é grande, e grande a ponto de ser incontornável, é dessas verdades que, ditas uma, dez ou mil vezes, continuam a causar estupor.

O século XX foi pródigo em escritores e moralistas sombrios, como se ao século correspondessem seus cronistas. O mundo ardia e, muito compreensivelmente, as almas ardiam com o mundo. Mas Chesterton foi um tipo especial de escritor e de moralista. Foi, dos escritores geniais, o menos literário; e, entre os moralistas, o menos farisaico. 

Ele escrevia livros e artigos com a facilidade com que trocamos ofensas, e sempre estava atento à menor possibilidade de um duelo; se o desafiassem, logo escolhia suas armas: as palavras, as parábolas, os quase inacreditáveis paradoxos que dominava com mestria alucinante.

Mas Chesterton foi também o mais alegre dos moralistas cristãos, e moralista de um modo tão peculiar que seria capaz de convencer, e ajudar a converter, o mais acabrunhado dos ateus. Ele percebeu que num ateu havia mais de acabrunhamento que de ateísmo. 

A história de sua conversão ao cristianismo é a história da conversão que toda alma deveria desejar: o retorno feliz, satisfeito e sinceramente ingênuo à Casa donde não deveríamos ter saído. “Tentei criar uma nova heresia, mas quando lhe dava os últimos retoques, descobri que era a Ortodoxia.

MARIA SEMPRE!



terça-feira, 15 de outubro de 2013

FESTA DE SANTA TERESA DE JESUS




Fulcite me floribus, stipate me malis; quia amore langueo – “Acudi-me com confortativos de flores, trazei-me pomos que me alentem, porque desfaleço de amor” (Cant 2,5).

Summario. Consideremos o ardente amor que tinha a Deus esta seráfica Santa. Parecia-lhe impossível que pudesse haver no mundo uma pessoa que não amasse a Deus, e chegou a dizer que não teria pena de ver outros no céu mais felizes do que ela, porém que não poderia consentir em ver alguém amar a Deus mais do que ela. Pondo os seus atos em harmonia com as palavras, esforçava-se por cumprir tudo que sabia ser agradável a Deus. Se, à imitação da Santa, quisermos fazer progressos no amor, desapeguemos o nosso coração das criaturas, com a resolução de obrar e padecer por Jesus Cristo.

I. Consideremos o ardente amor que tinha a Deus esta seráfica Santa. Parecia-lhe impossível que pudesse haver no mundo uma só pessoa que não amasse a Deus, e costumava dizer: “Deus meu, não sois excessivamente amável por causa das vossas perfeições infinitas e do infinito amor que nos tendes? Como pode, pois haver alguém que não Vos ame?” Ela era muito humilde, mas, ao falar de amor, não hesitava em dizer: “Sou toda imperfeição, exceto nos desejos e no amor.” A Santa deixou-nos este excelente ensino: Desprende o teu coração de todas as coisas: busca a Deus e achá-lo-ás.

Costumava dizer, por outra parte, que é fácil para o que ama a Deus desprender-se da terra. “Ah, meu Deus!” exclamava, “só necessitamos amar-Vos deveras, para que nos torneis tudo fácil.” E em outro lugar escreve: “Já que devemos viver, vivamos para Vós; desapareçam os nossos interesses próprios. Que maior vantagem podemos conseguir, do que a de Vos agradar? Ó delícia minha e Deus meu! Que farei para Vos dar gosto?” Ela chegou até a dizer que não teria pena de ver os outros no céu mais felizes do que ela mesma, mas que não poderia consentir em ver alguém amar a Deus mais do que ela.

O que há de mais admirável em nossa Santa, é a firmeza de ânimo com que se esforçava por cumprir tudo o que sabia ser agradável a Deus: “Nada há”, dizia, “por penoso que seja, que não me animasse a empreender, se me apresentasse ocasião de o fazer”. Dali ensinava que o amor a Deus se alcança pela resolução de obrar e padecer por Deus, porque o demônio não teme as almas irresolutas. Para agradar a Deus, chegou ainda, como é sabido, a fazer o voto de executar sempre o que fosse mais perfeito. – E como o amor se conhece no sofrer por Deus, desejava ela não viver senão para sofrer. Por isso escrevia: “Parece-me que não há razão para viver, que não seja para padecer, e isto é o que mais ardentemente peço a Deus. Digo-lhe de todo o coração: Senhor, ou padecer ou morrer, só isto Vos peço para mim.” Chegou o seu amor a ser tão ardente, que Jesus Cristo lhe disse um dia: “Teresa, tu és toda minha, e eu sou todo teu”, e enviou um Serafim para lhe ferir o coração com uma seta de fogo.

II. Finalmente Teresa morreu como havia vivido, toda abrasada em amor. Aproximando-se-lhe o fim da vida, todos os seus suspiros eram por morrer, a fim de poder unir-se ao seu Deus. “Ó morte!” dizia, “não sei quem pode temer-te, porque em ti está a vida. Serve, ó minha alma, ao teu Deus e espera que ele dê remédio às tuas penas.” Por isso compôs aquela afetuosa glosa: “Vivo sem viver em mim; e tenho tamanho desejo da outra vida, que morro por não morrer.” – Quando lhe levaram o Viático, exclamou: “Ó meu Senhor, chegou, enfim, o momento por tanto tempo anelado: agora começa o tempo em que nos veremos face a face.” Depois morreu de puro amor, como ela mesma revelou depois. Foi vista voando ao céu em forma de uma pomba branca; e de seu corpo virginal se espalhou pelo mosteiro todo um suavíssimo perfume.

Ó minha seráfica Santa, regozijo-me convosco, agora que vos contemplo no céu, onde amais o vosso Deus com um amor que enche de contentamento o vosso coração, que tanto desejou amá-lo sobre a terra. Mas já que no céu o desejo de ver a Deus amado se confirmou juntamente com o amor do vosso próprio coração, assisti, ó santa Mãe, a esta minha alma miserável, que deseja, como vós, arder em santo amor desta Bondade infinita, que merece o amor de uma infinidade de corações. Dizei por mim a Jesus o que uma vez lhe dissestes por um servo seu: Senhor, tomemo-lo por amigo. Pedi-lhe que me faça tomar a resolução de lhe consagrar de uma vez para sempre a minha inteira vontade, nada mais buscando em todas as coisas senão o seu maior agrado e glória.

Agora, minha Santa, volvei-vos à divina Mãe que tudo pode; e já que ela se gloria de ser a Mãe do belo amor, dizei-lhe que me abrase todo nestas santas chamas. Dizei-lhe também que pelas suas mãos espero receber a salvação eterna; e que de hoje em diante lance sobre mim, como protegido vosso, os seus mais piedosos olhos. Como esta grande Rainha é minha poderosa advogada junto de Jesus, vós também, ó Teresa, sede minha advogada junto de Maria. – “E Vós, ó Senhor, concedei-me que, como me comprazo em celebrar a memória da vossa bem-aventurada virgem Teresa, seja nutrido pelo pão da sua celeste doutrina e penetrado pelo sentimento de uma terna devoção.” 

MARIA SEMPRE!

Obs.: Grifos nossos.

FONTE: Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Terceiro: Desde a Duodécima semana depois de Pentecostes até ao fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 377-379.

domingo, 16 de junho de 2013

S. JOSÉ DE LEONISSA, DEFENSOR DA FÉ


Prof. Pedro Maria da Cruz

“Sereis odiados por causa de meu nome.”
                                                                    (Mt.10,22)

“Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos.”
                                                                                                       (Mt.10,16)

São José de Leonissa (sua cidade de origem na região do Lázio) nasceu na Itália, aos 8 de janeiro de 1556. Desde cedo fatos extraordinários manifestaram a singularidade daquela criança. Certa vez, sua mãe, adormecendo sobre ele ainda bebê, foi subitamente despertada por mão invisível que salvara da morte iminente. Noutra ocasião, quando o menino chorava, sua mãe presenciou o berço agitar-se docemente, como que embalado por misterioso anjo.

Em 1572 ingressou na Ordem dos Capuchinhos. Desde então, perde seu nome de batismo, Eufrânio, e passa a chamar-se Frei Giuseppe da Leonessa (Frei José de Leonissa). Em 24 de setembro de 1580 é ordenado sacerdote na cidade de Amélia; e, em 21 de maio de 1581 recebe a faculdade de Pregador. Torna-se, deste modo, missionário aos 26 anos de idade. Seria conhecido desde então como incansável e destemido pregador do Evangelho.

Em 1587 recebe de seu superior capuchinho a permissão para agregar-se à Missão de Constantinopla, onde poderia pregar entre bárbaros e infiéis. Durante a longa viagem, faltaram alimentos para a tripulação do barco onde viajava. Tocado pelo desespero dos marinheiros, Frei José benzeu alguns poucos pães e o alimento bastou para todo o período da travessia. Iniciava-se deste modo seu apostolado que seria marcado por verdadeiros prodígios sobrenaturais.

Devido a uma peste de que foram vítimas o superior e outros frades da missão de Constantinopla, Frei José de Leonissa foi nomeado superior e, desafiando o perigo, entrou a pregar o Evangelho aos muçulmanos. Pela coragem de afrontar o edito do Sultão Murad III, foi condenado à Pena do gancho – consistia em ser a vítima pendurada em dois ganchos presos ao patíbulo por uma das mãos e um pé. Frei José ficou pendurado sobre uma fogueira com lenha e palha umedecidos, cujo calor o faria morrer em terríveis convulsões. Porém, ao terceiro dia, foi libertado milagrosamente por um anjo.” (Cf. RESENDE, Henrique. São José de Leonissa. Pg. 5).

Em 1612, o missionário adoeceu violentamente. Nessa ocasião, em vez de quedar-se em sua cama cheio de lamentações, arrastava-se ate a Igreja para celebrar a Santa Missa. Depois, não conseguindo mais se manter de pé deslocava-se até à Igreja para comungar o Santíssimo Sacramento. A doença causava-lhe dores terríveis e tão cruéis que não mais lhe permitiam repouso. Chegando a hora da morte, o santo de Leonissa disse ao ouvir soarem os sinos: “Hoje é sábado, dia consagrado a Nossa Senhora, e sábado morreu o nosso amado São Francisco. Em um sábado morrerei também eu.” Ao recitar o Oficio divino, como fazia todos os dias, exclamou: “Deixemos o Ofício; Deus me chama a si.” Eram 21 horas do dia 4 de fevereiro de 1612. O Frei José de Leonessa contava 56 anos de idade...

O povo correu em massa para venerar e recolher relíquias do santo. O barão de Orsine e os magistrados de Amatrice deliberaram ser o corpo embalsamado e conduzido em segredo para uma Igreja. Deste modo, pretendiam evitar que os habitantes de Leonissa tomassem o corpo e levassem o consigo; tamanha a veneração que lhe manifestavam. Enquanto embalsamavam o corpo, o padre guardião conseguiu apoderar do coração. Afirmava que os corpos dos santos não precisam de recursos humanos para se manter, pois o poder divino os preserva da corrupção. Com efeito, o coração de São José de Leonissa se conserva milagrosamente intacto desde então. É guardado com grande veneração em precioso relicário. Queira Deus que, guardando também seu exemplo, possam todos os cristãos se destacar na defesa da fé católica.

São José de Leonissa, rogai por nós.

Maria Sempre!

domingo, 9 de junho de 2013

NHÁ CHICA BEATA, MUITA HONRA!



Por João S. de O. Jr.

Em 04 de maio de 2013, tivemos a beatificação de Francisca de Paula de Jesus, mais conhecida como Nhá Chica, a primeira mineira oficialmente beata. Nasceu em São João Del Rei (MG), mas viveu a maior parte da sua vida em Baependi (MG). Era pobre e muito simples, leiga, virgem, decidiu não casar e ter uma vida dedicada a Religião seguindo o conselho da mãe. Filha de escravos, passou uma vida dedicada a oração dando ajuda material e sobretudo espiritual ao próximo. Analfabeta, mas tinha o dom da ciência infusa e da clarividência. Coisas assim, só na Igreja Católica...

“Eu não sou santa... Sou só uma pobre mulher analfabeta...” _repetia ela _ "...eu rezo a Deus e através dos méritos de sua Santíssima Mãe, Ele me atende”.

Veja abaixo outras informações sobre Nhá Chica, mas que não são vistas nos noticiários seculares que cobriram a beatificação:

“(...) Nhá Chica era analfabeta, pois não aprendeu a ler nem escrever, desejava somente ler as Escrituras Sagradas, mas alguém as lia para ela, e a fazia feliz. Compôs uma Novena à Nossa Senhora da Conceição e em Sua honra, construiu, ao lado de sua casa, uma Igrejinha, onde venerava uma pequena Imagem de Nossa Senhora da Conceição que era de sua mãe e, diante da qual, rezava piedosamente para todos aqueles que a ela se recomendavam. Essa Imagem, ainda hoje, se encontra na sala da casinha onde ela viveu, sobre o Altar da antiga Capela.

Em 1954, a Igreja de Nhá Chica foi confiada à Congregação das Irmãs Franciscanas do Senhor. Desde então teve início bem ao lado da Igreja, uma obra de assistência social para crianças necessitadas que vem sendo mantida por benfeitores devotos de Nhá Chica. Hoje a "Associação Beneficente Nhá Chica" (ABNC) acolhe mais de 160 crianças entre meninas e meninos.

Ao longo dos anos, a "Igrejinha de Nhá Chica", depois de ter passado por algumas reformas, é hoje o "Santuário Nossa Senhora da Conceição" que acolhe Peregrinos de todo o Brasil e de diversas partes do mundo. Muitos fiéis que visitam o lugar, pedem graças e oram com fé. Tantos voltam para agradecer e registram suas graças recebidas. Atualmente, no "Registro de graças do Santuário", podem-se ler aproximadamente 20.000 graças alcançadas por intermédio de Nhá Chica.

A Venerável morreu no dia 14 de junho de 1895, estando com 87 anos de idade, mas foi sepultada somente no dia 18, no interior da Capela por ela construída. As pessoas que ali estiveram sentiram exalar-se de seu corpo um misterioso perfume de rosas durante os quatro dias de seu velório. Tal perfume foi novamente sentido no dia 18 de junho de 1998, 103 anos depois, por Autoridades Eclesiásticas e por membros do Tribunal Eclesiástico pela Causa de Beatificação de Nhá Chica e, também, pelos pedreiros, por ocasião da exumação do seu corpo. Os restos Mortais da Venerável se encontram hoje no mesmo lugar, no interior do Santuário Nossa Senhora da Conceição em Baependi, protegidos por uma Urna de acrílico colocada no interior de uma outra de granito, onde são venerados pelos fiéis.(...)”

Estas e outras informações são vistas no site oficial de sua causa: http://www.nhachica.org.br/

Filha de Minas

O motivo da Nhá Chica ser a primeira mineira a ser elevada aos altares, honra muito nosso povo de Minas Gerais dado a religiosidade dele, tão refletida nas suas cidades e Igrejas antigas. Significativo também, pois a figura da agora beata espelha bem tantas senhoras nos interiores do Brasil e nestas Minas Gerais que, com simplicidade e muita piedade, levam a fé e a tradição adiante. Com a reza do Rosário, a devoção aos santos, a oração de novenas e assistindo a Santa Missa. Com pouco conhecimento teológico, contudo com muito respeito à fé da Igreja, pois, estão inseridas nela, fielmente.

Bento XVI diz que "há santos que só Deus conhece o nome", certamente, beata Nhá Chica foi uma que Deus permitiu o nome ser revelado para subir aos altares representado dezenas neste Brasil que não aparecerão nas mídias e, em sua maioria, mal sabem escrever o próprio nome. Porém, pela devoção a Virgem Santíssima, através santo terço, elas amam e dão glórias ao nosso Senhor.


MARIA SEMPRE!