segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O MINISTÉRIO DOS ANJOS DA GUARDA

Ministério exercido pelos Santos Anjos da Guarda
"Se pudéssemos não apenas crer, mas viver a realidade da permanente assistência de nosso Anjo da Guarda, como nossa posição diante da vida e dos acontecimentos iria mudar! Não haveria temores, insegurança, fobias e depressões psicológicas.

Consideremos os principais efeitos dessa atuação admirável do Anjo da Guarda em nossa vida, resumindo as condições da questão CXIII da Suma Teológica.

1. – Os homens são custodiados pelo Anjos. Isto porque, como o conhecimento e as aflições dos homens podem variar muito, vindo a desencaminhá-los do bem, foi necessário que Deus destinasse Anjos para aguarda dos homens, de modo que , por eles, fossem os homens orientados, aconselhados e movidos para o bem.

Pelo afeto ao pecado, os homens se afastam do instinto do bem natural e do cumprimento dos preceitos da lei positiva e podem também desobedecer às inspirações que os Anjos bons lhes dão invisivelmente, iluminando-os para que pratiquem o bem. Por isso, se um homem vem a perder-se, isso se deve atribuir à malícia do homem e não à negligência ou incapacidade do Anjo da Guarda.

2. – A cada homem custodiado, corresponde um Anjo Custódio distinto. Cada Anjo tem sob sua responsabilidade uma alma que lhe compete procurar salvar.

3. – O Anjo da Guarda livra constantemente seu protegido de inumeráveis males e perigos tanto da alma quanto do corpo, dos quais o homem não se dá conta. Vimos como Jacob se dirigiu a José (Gen 48,10).

4. – O Anjo da guarda impede que o demônio nos faça o mal que desejaria fazer-nos. Lembremo-nos da História de Tobias.

5. – O Anjo da Guarda suscita continuamente em nossas almas pensamentos santos e conselhos saudáveis (conforme se lê em Gen 16,18; At. 5, 8,10).

6. – O Anjo da Guarda leva a Deus nossas orações e pedidos, não porque Deus, omnisciente, necessite disso para conhecê-los, mas para que as ouça benignamente. Implora por iniciativa própria os auxílios divinos de que iremos necessitar, sem que disso nos demos conta e sem que, muitas vezes venhamos a saber que recebemos esses auxílios (Ver Tobias. 3 e 12; Atos c. 10).

7. – O Anjo da Guarda ilumina nosso entendimento, proporcionando-nos as verdades, de um modo mais fácil e compreensível, mediante o influxo que pode exercer em nossos sentidos interiores.

8. – O Anjo da Guarda nos assistirá particularmente na hora da morte quando mais dele iremos necessitar.

9. – Os Anjos da Guarda, segundo opinião piedosa de grandes teólogos, acompanham as almas de seus protegidos ao Purgatório e ao Céu depois da morte, como acompanhavam as almas dos antigos patriarcas ao 'seio de Abraão', expressão que simboliza a união com o Pai. De fato, a Igreja apoiando e confirmando essa crença, na cerimônia da encomendação da alma a Deus, ao descer o corpo à sepultura, como última oração, reza: _ 'Ide a seu encontro Anjos do Senhor; recebei sua alma conduzi-a à presença do Altíssimo...; que os Anjos te conduzam ao seio de Abraão'.

10. – O Anjo da Guarda, ainda segundo a opinião de muitos teólogos, atendem às orações dirigida pelos fiéis à alma de seu custodiado quando esta se encontra no Purgatório, 'em estado não de socorrer, mas de ser socorrida (2-2 Q. 83 a. 11. Ad 3). Por isso, as súplicas dirigidas às almas do Purgatório são das mais eficazes pois são impetradas pelo Anjo da Guarda da alma a quem se recorre'.

11. – O Anjo da Guarda acompanhará eternamente no céu a seu custodiado que alcançou a salvação, 'não mais para protegê-lo, mas para reinar com ele' (1. Q.113 a.4) e 'para exercer sobre ele algum ministério de iluminação' (1 Q. 108, a7. ad 3).

12. – O Anjo da Guarda não pode livrar-nos das penas e cruzes desta vida, quando Deus em sua infinita Bondade no-las tiver mandado ou permitido, para nossa provação, santificação e purificação. Mas nos ajudará a suportar pacientemente, resignadamente e até mesmo alegremente as provações, encaradas como nossa modesta participação de solidariedade no Mistério da Redenção da humanidade, o qual se realizou plenamente no Sacrifício do Calvário, com a morte de Jesus.

13. – O Anjo da Guarda nos protege contra a malícia humana, a injustiça, a hipocrisia, a falsidade, a mentira, a injustiça e os ciúmes daqueles que nos querem prejudicar. Sua veneração e invocação sempre nos hão de valer.

(...) Além do Anjo da Guarda que Deus destinou a cada um de nós, vários dentre os Padres da Igreja e grandes santos, baseados em trechos das Sagradas Escrituras, admitem que haja também, Anjos da Guarda para cada templo, cada comunidade, cada povo, cada nação. Esse Anjo a protege, inspira seus dirigentes e estimula seu aperfeiçoamento. Lembremo-nos a propósito, da aparição aos três pastorzinhos de Fátima do personagem que se identificou como o 'Anjo da Paz' e depois explicitou – 'Eu sou o Anjo da Guarda, o Anjo de Portugal'.

São Francisco Xavier, o apóstolo jesuíta do Japão, não teve dúvidas em recomendar seu apostolado aos Anjos da Guarda do Japão:

- 'Nada espero de mim mesmo, pois coloquei toda minha confiança em Jesus Cristo, na Santíssima Virgem e nos nove coros de Anjos, dentre os quais escolhi como protetor o Príncipe e Paladino da Igreja Militante, São Miguel. E eu tenho toda a esperança neste Arcanjo a quem foi confiada a proteção especial do grande reino do Japão. Eu me dirijo diariamente a ele e a todos os Anjos da Guarda do Japão.'

Escreveu G. Huber em seu livro 'Mon Ange marchera devante toi'

- 'Nada lucraria o mundo moderno agindo como se a energia nuclear fosse um mito ou fosse uma ideia fixa de alguns fanáticos; pelo contrário, teria muito a perder. Assim também, muito tem a perder o cristão quando procede como se não fosse assistido em todos os seus caminhos por seres invisíveis amigos, mandados por Deus'

Escreve Afonso de Santa Cruz no livro 'Alguém está do meu lado', referindo-se ao pacto de amizade que convém façamos com nosso Anjo da Guarda:

- 'Após a promessa a teu Anjo, encontrarás a mesma casa e família, os mesmos amigos e colegas, as mesmas dificuldades e lutas, as mesmas alegrias e tristezas; enfim, nada mudará. Nada mesmo?... tu.'

Prossegue o mesmo autor:

- 'As coisas não mudam, mas nós é que passamos a dar-lhes outro sentido. Muda o nosso olhar. O Anjo mudará tudo em ti pelo simples fato de estar do teu lado. Não estarás mais só... já é uma mudança total em tua personalidade. Ele será testemunha sempre e de tudo. Tudo é realizado à luz do Anjo, na sua presença. Com o tempo, surgirão surpresas de belos pensamentos, contatos de luzes interiores e uma alegria do outro mundo. Até as relações humanas se projetarão na luz dos Anjos, daqueles, com os quais te comunicares.'

No dia 3 de outubro de 1958, o Papa Pio XII, poucos dias antes de seu falecimento, pronunciou uma alocução, da qual vale a pena ler o trecho abaixo:

- 'Ontem festejamos o dia dos Santos Anjos. Não disse Cristo, referindo-se ás crianças, sempre tão caras ao seu coração amoroso – ‘Seus Anjos contemplam sem cessar a face de meu Pai que está no Céu’?

E quando crescidas e adultas seus Anjos haveriam de abandoná-las? Sem dúvida que não! Ninguém é tão pequeno e tão insignificante que não tivesse Anjos para a sua proteção. Eles vos vigiam e guardam para que não vos afasteis de Cristo vosso Senhor (...). Nós queremos avivar vossos sentimentos de vivência fraterna e amiga para com os Anjos. Eles são sempre perseverantes em seu zelo por vossa salvação e santificação. Durante toda a eternidade – que Deus vo-la conceda – estareis unidos com eles em santa alegria. Começai já agora a conhecê-los!'

Este foi o conselho do Papa.

Qual será nossa resposta?..."

Fonte: MACINTYRE, Archibald Joseph. Os anjos, uma realidade admirável. 1986. Pg. 323-326.

MARIA SEMPRE!

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

A VOZ DO CRUCIFICADO


Por editores do blog

No povoado de Furelos, na Igreja Paroquial de San Juan de Furelos (Espanha) se venera um crucifixo que tem o braço direito desprendido da cruz e abaixado.
Aos pés desta imagem de Jesus um dia um pecador confessou as suas culpas, mas o confessor hesitava em absolvê-lo.
Ele o perdoou mas disse:
— Procura de não recair mais.
O penitente prometeu, mas era fraco e recaiu. Tornou então ao sacerdote que o acolheu com muita severidade:
— Desta vez não te absolvo!
O penitente replicou:
— Quando eu prometi fui sincero, mas também sou fraco. Padre me dê o perdão do senhor.
Também desta vez o confessor o perdoou mas disse:
— É a última vez!
Algum tempo depois o penitente voltou, mas, o sacerdote disse asperamente:
— Você recai sempre e o seu propósito não é sincero.
O penitente respondeu:
— É verdade padre eu recaio sempre mas é porque sou fraco, sou um doente. Mas o meu arrependimento é sincero.
E o padre responde:
— Não, não tem perdão para você!
Do crucifixo se sentiu um pranto. O Cristo desprendeu a mão direita da cruz e levantando-a traçou sobre a cabeça daquele pecador o sinal da absolvição.
Contemporaneamente uma voz da cruz disse ao sacerdote:
— Tu, não derramastes o teu sangue por ele!

MARIA SEMPRE!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

ESCOLA TOMISTA: PROFESSOR CARLOS NOUGUÉ DIVULGA LISTA DE OBRAS. INÍCIO DAS AULAS EM 17/08/2017

Por Edição do Blog

A Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM vem a público informar que o Professor Carlos Nougué publicou recentemente a lista das obras que servirão de base para os estudos da Escola Tomista, que podem ser conferidas neste link.

Professor Carlos Nougué: fundador da Escola Tomista

Além disso, em nota publicada aos 08 de agosto, em seu perfil pessoal do Facebook, Nougué confirmou, como já estava previsto, que o início das aulas será em 17/08/2017, próxima quinta-feira, mesmo dia em que serão abertas as inscrições. Conforme anteriormente anunciado, as aulas serão realizadas integralmente em ambiente virtual, o que permitirá ao aluno participante assistir a essas aulas em momento posterior, caso não possa, por algum imprevisto, acompanhá-las ao vivo.

A SSVM recomenda, novamente e de modo convicto, aos seus amigos e benfeitores, bem como a todos os seus leitores, que não deixem de aproveitar essa singular oportunidade, por acreditar firmemente que tal iniciativa pode constituir um verdadeiro divisor de águas em sua formação humana e intelectual.



MARIA SEMPRE!


SANTA FILOMENA, VIRGEM E MÁRTIR

Hoje, 10/08/2017, é o dia da festa litúrgica de Santa Filomena, virgem e mártir italiana que viveu no século III, em Roma. A Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM, que tem especial veneração por esta tão ilustre santa, a ponto de tê-la como padroeira de um de seus grupos de estudo*, publica abaixo pequeno excerto de uma obra biográfica:

“Num povoado perto de Nola [Itália], vivia uma mulher casada, muito devota de nossa Santa [Filomena]. Todos os anos costumava celebrar-lhe a festa na igreja, com grande solenidade. Em junho de 1830, caiu tão gravemente enferma que a julgaram morta, pois havia três dias que tinha perdido os sentidos. No entanto, faziam orações públicas por ela, e todos que a estimavam muito, por causa mesmo de sua devoção à Santa, queixavam-se amorosamente a esta, por assim desamparar sua devota. 

No fim do terceiro dia, a família, desconsolada, já preparava os funerais; quando, repentinamente, a enferma senta-se no leito e com voz firme começa a chamar seu marido, seus filhos e seus conhecidos, que não a tinham abandonado, e diz-lhes:
- Oh! Como é grande o poder de nossa Santa! Ajudai-me a agradecer-lhe. Bendita! Bendita seja mil vezes! Se não fosse ela, já estaria condenada....

Contou depois, com voz afogada pelos soluços, como sua alma tinha comparecido aos pés do Supremo Juiz, e como, pouco antes da sentença irrevogável, Santa Filomena advogou por ela, fazendo valer suas virtudes e obras; mas, como o Senhor parecesse inflexível, ela apresentou-lhe então todas as angústias e dores de seu martírio e morte, ao que o Soberano Juiz, olhando-a com bondade, disse-lhe: - Faze o que te apraz, Filomena! Restitui-lhe a vida, para que faça penitência e não pense mais senão em sua salvação.

Martírio de Santa Filomena

Foi profunda a impressão que produziu a narração, feita por essa mulher; muitos foram vê-la e ouvi-la e não se cansavam de repetir, entre soluços:
- Ah! Se esta mulher era considerada como sendo tão boa, e no entanto ia ser condenada, que será de nós, se não nos emendarmos?

Muitos mudaram de vida, reformaram seus costumes; a devoção à nossa Santa aumentou admiravelmente e o povo, temeroso e agradecido, resolveu levantar-lhe uma estátua, em memória de tão extraordinário caso."

(Vida de Santa Filomena, Virgem e Mártir: Cognominada A Taumaturga do Século XIX. - Por D. Francisco de Paula e Silva, 1925 - com adaptações).

Nota: * O Grupo de Estudos Santa Filomena - GESF, voltado à formação de moças católicas, realiza apostolado virtual e também por meio de encontros presenciais nos fins de semana, na cidade de Montes Claros - MG.

Grupo GESF no Facebook: https://www.facebook.com/groups/1405344763055162/

Sancta Filomena, Ora pro nobis!


MARIA SEMPRE!

domingo, 16 de julho de 2017

PROFESSOR CARLOS NOUGUÉ CRIA A ESCOLA TOMISTA

Por Edição do Blog

A Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM tem a honra e, igualmente, a alegria de divulgar a criação da Escola Tomista, idealizada e implementada pelo ilustre e renomado Professor Carlos Nougué.

Professor Carlos Nougué

Trata-se de uma universidade tomista online, concebida com o intuito de formar uma elite de pensadores com vasta formação intelectual e humana, com sólido fundamento na filosofia aristotélico-tomista. Nas palavras do próprio fundador, "só depois de formada tal elite é que será possível formar adequadamente adolescentes e jovens em escolas e em universidades efetivamente católicas ou numa educação doméstica de fato profícua."

Com início previsto para meados do próximo mês de agosto, as aulas serão realizadas ao vivo, sempre às quintas-feiras, ficando, depois disso, disponíveis na rede para serem assistidas a qualquer momento pelos alunos. Visando alcançar o maior número possível de pessoas, a Escola Tomista terá um custo mensal bastante acessível, no valor de R$ 47,00, e que poderá ser ainda menor, conforme se opte pelo pagamento trimestral, semestral ou anual.

Por envolver uma primorosa e extensa gama de conhecimentos, nas mais diversas áreas do saber e das artes, a Escola Tomista terá verdadeiramente um status de universidade, com previsão de duração de cinco anos, e será dividida em dois cursos: o Curso 1 será voltado para temas ligados a Filosofia, Gramática, Lógica, Ética, Economia, Direito, História, Matemática, Física Geral (Cosmologia, Química, Biologia, Psicologia) e Metafísica; o Curso 2 terá como enfoque a Sagrada Teologia, ou ciência de Deus enquanto Deus - a única das ciências que é simultaneamente especulativa e prática e cujos princípios não se alcançam somente pelas luzes da razão. Este curso fundar-se-á inteiramente na Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino, incluído seu Suplemento.

Diante de tão extraordinária iniciativa, a SSVM recomenda a todos os seus leitores, amigos e benfeitores que sejam coparticipantes dessa alvorada de luminosidade intelectual e espiritual no Brasil, sobretudo nesses tempos em que, infelizmente, não se vislumbram bons horizontes no sistema de educação nacional.

Para conhecer a ementa completa dos cursos que serão ministrados e para obter outras informações sobre a Escola Tomista, acesse os links abaixo:



Santo Tomás de Aquino, Patrono dos estudantes



MARIA SEMPRE!

quinta-feira, 29 de junho de 2017

O RESPEITO DEVIDO AOS SACERDOTES –------ SANTA CATARINA DE SENA -------

"Quem vos obriga a respeitá-los é o ministério do sangue de Jesus Cristo"
"Filha querida, ao manifestar-te a grande virtude daqueles pastores, quero colocar em evidência a dignidade dos meus ministros. Pelo pecado de Adão, as portas da eternidade fecharam-se, mas o meu Filho abriu-as com a chave do seu sangue. Ao sofrer a paixão e morte, ele destruiu vossa morte e vos lavou no sangue. Sim, foram seu sangue e sua morte que, em virtude da união da natureza divina com a humana, deram acesso ao céu. E a quem deixou Cristo tal chave? Ao apóstolo Pedro e a seus sucessores, os que vieram e que virão depois dele até o dia do juízo final. Todos possuem a mesma autoridade de Pedro; nenhum pecado a diminui, do mesmo modo que não destrói a santidade do sangue de Cristo e dos Sacramentos. Já disse que o sol eucarístico não tem manchas e que o mal cometido por quem o administra ou recebe não apaga sua luz. Não, o pecado não danifica os sacramentos da santa Igreja, não lhes diminui a força; prejudica a graça e aumenta a culpa somente em quem os ministra ou recebe indignamente.

Na terra, quem possui a chave do sangue é o Cristo-na-terra. Certa vez eu te manifestei essa verdade numa visão, para indicar o grande respeito que os leigos devem ter pelos ministros, bons ou maus que eles sejam, e quanto me desagrada que alguém os ofenda. Pus diante de ti a jerarquia da Igreja sob a figura de uma dispensa contendo o sangue de meu Filho. No sangue estava a virtude de todos os sacramentos e a vida dos fiéis. À porta daquela despensa, vias o Cristo-na-terra, encarregado de distribuir o sangue e fazer-se ajudar por outros no serviço de toda a santa Igreja. Quem ele escolhia e ungia, logo se tornava ministro. Dele procedia toda a ordem clerical; ele dava a cada um sua função no ministério do glorioso sangue. E como dispunha dos seus auxiliares, possuía a força de corrigi-los nos seus defeitos.

De fato, é assim que eu quero que aconteça. Pela dignidade e autoridade confiada a meus ministros, retirei-os de qualquer sujeição aos poderes civis. A lei civil não tem poder legal para puni-los; somente o possui aquele que foi posto como senhor e ministro da lei divina.

Os ministros são ungidos meus. A respeito deles diz a Escritura: “Não toqueis nos meus cristos” (Sl 105, 15). Quem os punir cairá na maior infelicidade. Se me perguntares por que a culpa dos perseguidores da santa Igreja é a maior de todas e, ainda, por que não se deve ter menor respeito pelos meus ministros por causa de seus defeitos, respondo-te: porque, em virtude do sangue por eles ministrado, toda reverência feita a eles, na realidade não atinge a eles, mas a mim. Não fosse assim, poderíeis ter para com eles o mesmo comportamento de praxe para com os demais homens. Quem vos obriga a respeitá-los é o ministério do sangue. Quando desejais receber os sacramentos, procurais meus ministros; não por eles mesmos, mas pelo poder que lhes dei. Se recusais fazê-lo, em caso de possibilidade, estais em perigo de condenação. A reverência é dada a mim e a meu Filho encarnado, que somos uma só coisa pela união da natureza divina com a humana. Mas também o desrespeito. Afirmo-te que devem ser respeitados pela autoridade que lhes dei, e por isso mesmo não podem ser ofendidos. Quem os ofende, a mim ofende. Disto a proibição: “Não quero que mãos humanas toquem nos meus cristos”!

O valor do sacerdócio provém do
 próprio Nosso Senhor Jesus Cristo
Nem poderá alguém escusar-se, dizendo: “Eu não ofendo a santa Igreja, nem me revolto contra ela; apenas sou contra os defeitos dos maus pastores”! Tal pessoa mente sobre a própria cabeça. O egoísmo a cegou e não vê. Aliás, vê; mas finge não enxergar, para abafar a voz da consciência. Ela compreende muito bem que está perseguindo o sangue do meu Filho e não os pastores. Nestas coisas, injúria ou ato de reverência dirigem-se a mim. Qualquer injúria: caçoadas, traições, afrontas. Já disse e repito: não quero que meus cristos sejam ofendidos. Somente eu devo puni-los, não outros. No entanto, homens ímpios continuam a revelar a irreverência que têm pelo sangue de Cristo, o pouco apreço que possuem pelo amado tesouro que deixei para a vida e santificação de suas almas. Não poderíeis ter recebido maior presente que o todo-Deus e todo-Homem como alimento. Cada vez que o conceito relativo aos meus ministros não coloca em mim sua principal justificativa, torna-se inconsistente e a pessoa neles vê somente muitos defeitos e pecados. De tais defeitos falarei em outro lugar. Mas quando o respeito se fundamenta em mim, jamais desaparece, mesmo diante de defeitos nos ministros; como disse, a grandeza da eucaristia não é diminuída por causa dos pecados. A veneração pelos sacerdotes não pode cessar; se tal coisa acontecer, sinto-me ofendido.



Santa Catarina de Sena, “O Diálogo” Cap. 28. Paulus, 9ª edição, SP, 2005 p. 237-240













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quinta-feira, 22 de junho de 2017

NOVENA MAGNA - ENCERRAMENTO

Por Edição do Blog

Encerrou-se, oficialmente, no dia 13 de junho (após nove meses completos) a Novena Magna em honra a Nossa Senhora de Fátima, realizada pela Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM.

A Novena consistia na recitação, por parte de fiéis católicos, do Santo Rosário por uma intenção particular, pela Santa Igreja e pela SSVM, especificamente nos dias 13 de cada mês, desde setembro/2016. Participaram da novena mais de 100 pessoas, residentes em Montes Claros - MG ou em outras cidades do Brasil. E, mensalmente, além das orações, contribuíram espontaneamente com itens de cesta básica, que foram doados a famílias necessitadas, indicadas por eles. Alternativamente às doações, os fiéis faziam um ato de misericórdia espiritual em nome da Novena.

Entregas das feiras às famílias contempladas

No total, foram 28 famílias atendidas com cestas básicas, sendo R$ 2065,00 (dois mil e sessenta e cinco reais) arrecadados ao longo desses nove meses para a composição das feiras.

Para a honra e glória de Deus, houve muitos testemunhos de graças alcançadas, conversões e tomada de consciência acerca da reza diária do Santo Terço, sem contar outras bençãos que só Deus conhece.

A SSVM, nas pessoas do seu presidente e coordenadores, agradece mais uma vez a todos os participantes por frutuoso empreendimento. Que a Virgem de Fátima recompense a cada um!

Segue, abaixo, o vídeo oficial de encerramento da Novena Magna e de agradecimento aos participantes, apresentado no Centenário de Fátima. Fica também o convite a se inscreverem em nosso canal.




MARIA SEMPRE!

domingo, 4 de junho de 2017

INFORMATIVO SSVM

Apresentamos abaixo a mais nova edição do "INFORMATIVO SSVM", referente ao período janeiro-maio de 2017. Essa produção visa divulgar alguns dos diversos trabalhos e projetos de apostolado da Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM e também chamar a atenção das pessoas para o bem que podemos fazer quando temos clareza do nosso fim último, Deus, Nosso Senhor. Esse "Informativo" é periodicamente enviado aos domicílios dos amigos e benfeitores da SSVM. Ei-lo agora disponibilizado a todos neste espaço. Boa Leitura!

MARIA SEMPRE!








sábado, 27 de maio de 2017

ENTREVISTA COM O SR. PATRÍCIO JR.


O Sr. Patrício Júnior, 26 anos , auxiliar de engenheiro civil, é participante assíduo dos grupos de estudos da Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM e concedeu uma entrevista relatando suas perspectivas e experiências:

Edição SSVM: 1 - Estimado Sr. Patrício Júnior, como o senhor conheceu os grupos de estudos da SSVM?

Sr. Patrício: Caríssimos, eu os conheci  na Santa Missa Tridentina na minha cidade (Montes Claros), que também é promovida pela Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM. Lá recebi o convite do Sr. João Francisco para participar do GESTA (Grupo de Estudos Santo Tomás de Aquino), que acontece aos sábados.

Edição SSVM: 2 - O que te chamou atenção nesses grupos em relação a outros movimentos e grupos católicos que conhecera anteriormente?

Sr. Patrício: O que mais me chamou a atenção nos grupos da SSVM foi por buscarem estar a cada dia fiéis a Tradição e ao Magistério da Igreja Católica. Por quererem falar, de fato, aquilo que a nossa Mãe Igreja ensina. Em alguns outros grupos e movimentos que já frequentei, falavam de tudo, menos da santa Doutrina Católica e da Verdade que é Cristo Senhor, causando ainda mais confusão aos que ali frequentavam e vi que muitos iam deixando de ser católicos autênticos.

Sr. Patrício à esquerda participando do grupo de estudos.
Edição SSVM: 3 - Em sua opinião, qual a importância do católico bem se formar para ser fiel à Tradição e ao Magistério da Igreja?

Sr. Patrício: São de suma importância os estudos, ainda mais quando falamos da Santa Igreja. Pois, como sabemos, a doutrina dela é um verdadeiro tesouro onde cada dia aprendemos sempre mais e mais. Tesouro esse tão necessário nos dias de hoje, em que temos meios que causam mais desinformação do que informação. Sabemos que o modernismo (tentativa de adaptar a doutrina aos gostos modernos) e a revolução cultural a cada dia têm afetado a vida dos fiéis e com isso tem se esquecido daquilo que a Igreja de Cristo prega. Então, é importante a frequência contínua aos grupos de estudos e à Santa Missa Tridentina; nesta para nos alimentarmos sacramentalmente, naqueles para que possamos conhecer e combater as heresias. Podemos aqui lembrar de uma conferência do GESTA sobre a importância dos estudos segundo São Josemaria Escrivá: “Ao apóstolo moderno, uma hora de estudos é uma hora de oração”, “se tens de servir a Deus com a tua inteligência, para ti estudar é uma obrigação grave” e ainda diz: “Frequentas os sacramentos, fazes oração, és casto... e não estudas...- não me digas que és bom; és apenas bonzinho”.

Edição SSVM: 4 - Gostaria de testemunhar algo que vivenciou e compreendeu, nesse tempo que viera a frequentar os grupos de estudos da SSVM?

Sr. patrício Jr. à frente como acólito
 no cortejo da Missa Tridentina.
Sr. Patrício: Primeiramente, gostaria de agradecer à SSVM por ajudar na promoção da Santa Missa Tridentina e com isso facilitar que eu tivesse acesso a esse riquíssimo tesouro da Igreja. E, depois, por meio dos grupos de estudos, ter me ajudado a compreender a importância dos sacramentos concedidos pela Santa Igreja. É sempre uma alegria estar presente nas reuniões do Santo Irineu e do Santo Tomás. Por fim, quero mencionar aqui que percebo o meu crescimento na vida espiritual e também na intelectual, tão motivado pelo apostolado da SSVM. Sei que tem mudado muito meu dia a dia, de modo a buscar estar sempre em oração e estudando o que a Igreja sempre ensinou no seu Magistério e na Tradição.


MARIA SEMPRE!

foto:Anderson Santos

domingo, 23 de abril de 2017

PROVAÇÕES, TENTAÇÕES E O TRATADO DA VERDADEIRA DEVOÇÃO

Por João S. de O. Jr

Uma das queixas mais comuns entre aqueles que se propõem a ler o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem e a se consagrarem a Ela pelo método de São Luís de Montfort seria quanto às provações e às tentações. Essas, "do nada" surgem para impedir os fiéis devotos de irem adiante no estudo e na vivência da Verdadeira Devoção. Entretanto, devemos estranhar essa realidade? Recordemos: "Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação." (Eclesiástico 2,1).

Já é bem conhecida a profecia presente no número 114 do Tratado:

São Luís Maria Grignion de Montfort (1673-1716)
"Vejo, no futuro, animais frementes, que se precipitam furiosos para dilacerar com seus dentes diabólicos este pequeno manuscrito e aquele de quem o Espírito Santo se serviu para escrevê-lo, ou ao menos para fazê-lo ficar envolto nas trevas e no silêncio de uma arca, a fim de que ele não apareça. (...)". [1]

Certeiro! Como sabido, o manuscrito só foi encontrado em 1842. Ou seja, mais de cem anos após a morte do santo.

Porém, atenção para o que nos é mais importante! Continua São Luís ainda no número 114 de seu livro:

"(...) Atacarão até, e perseguirão aqueles e aquelas que o lerem e o puserem em prática. Mas não importa! Tanto melhor! Esta visão me encoraja e me dá a esperança de um grande sucesso, isto é, um esquadrão de bravos e destemidos soldados de Jesus e de Maria, de ambos os sexos, para combater o mundo, o demônio e a natureza corrompida, nos tempos perigosos que virão, e como ainda não houve." [2]

São João Maria Vianney (1786-1859)
Podemos fazer disso uma relação com o que são João Maria Vianney exortava em um dos seus famosos sermões: "Cuidado se você não sofre tentações!" [3]. E ensinava que o Demônio não perde tempo com quem já estaria sob a vontade dele, e sim trabalha para desviar aqueles que estão no caminho de Deus. Continuando, São João Vianney narra que se deram terríveis tentações nas vidas de Santo Agostinho e São Jerônimo quando estes santos decidiram se entregar totalmente a Jesus Cristo, pois o Maligno, prevendo que muitos seriam influenciados por eles, encheu-se de fúria e desespero.

Por outro lado, o próprio Cura D'Ars diz também que: "As tentações são necessárias para que possamos perceber que não somos nada por nós mesmos" [4] e que Deus "permite que o Demônio se aproxime um pouquinho mais de nós". Por quê? Para "nos conhecermos", ou melhor, "para reconhecermos que não somos absolutamente nada".

Meus irmãos, vejamos a conexão com o que São Luís menciona sobre a Verdadeira Devoção: essa nos leva ao "aniquilamento do próprio eu" (T.V.D. n. 82); para bem vivê-la é necessário "despojarmos de nós mesmos" (T.V.D. n. 81). Afinal, nós nos confiaremos melhor à Medianeira de Todas as Graças quanto mais nos conhecermos e vermos o quão miseráveis somos. Isso justifica a semana para conhecimento de si nos exercícios preparatórios.

Distinguindo provações de tentações:

Não devemos desistir perante as provações, que são dificuldades tempestivas neste vale de lágrimas que é esta vida. Elas são permitidas pela providência divina, e, uma vez suportando-as, crescemos na Virtude e na Fé (CIC §1808; §2847). Muitas provações e sofrimentos são até necessários para aumentarmos o valor meritório de nossos bons atos, desde que esses sofrimentos sejam oferecidos por amor a Deus. A exemplo: no colóquio da primeira aparição da Virgem aos três pastorinhos em Fátima, Portugal, em 13 de maio de 1917, Ela os indagou:

Os três pastorinhos de Fátimas
passaram por grandes sofrimentos
por Nossa Senhora
“(...) Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?” Tendo Lúcia respondido “sim”, Nossa Senhora continuou: “Ide, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto.”[5].

Por tudo isso, aqueles que começarem devem persistir na leitura do Tratado, no conhecimento da Verdadeira Devoção e nos exercícios da Consagração, ainda que titubeantes sob as mais severas tribulações e sofrimentos.

Quanto às tentações: são comumente ciladas diretas do "Pai da Mentira" (CIC §538-540; §566) para perdermos a Vida da Graça ou muitas vezes são consequentes da debilidade de nossa natureza ferida pelo Pecado Original. Entretanto, também só acontecem pela permissão de Deus, que não nos deixa sermos tentados para além de nossas forças (1Coríntios 10,13), no desígnio de crescermos ou mesmo nos humilharmos. Para vencê-las, é necessário "fugir das ocasiões de pecado" - nos exorta Santo Afonso de Ligório [6] - como um dos mais graves deveres da vida espiritual. Uma questão é ter tentações, e todos nós sempre as teremos; outra é consentir nelas, e aí estaria o pecado (Catecismo de S. Pio X, 312-315). E se desgraçadamente viermos a cair, que nos prostremos em sincero arrependimento perante o Altíssimo, como o salmista [7]. Além disso, busquemos recuperar e nutrir a vida da graça com os sacramentos da Igreja.

Complementando e concluindo:

Detalhe da Catedral de Notre Dame
Nossa Senhora derrota Satanás
Em certa medida, não tenhamos medo do Demônio porque ele é que "teme a alma unida a Deus como ao próprio Deus" [8], já dizia São João da Cruz. E com isso compreenderemos melhor o número 52 do Tratado de São Luís: "(...) Deus concedeu a Maria tão grande poder sobre os demônios, que, como muitas vezes se viram obrigados a confessar, pela boca dos possessos, infunde-lhes mais temor um só de seus suspiros por uma alma, que as orações de todos os santos; e uma só de suas ameaças que todos os outros tormentos."[9]. E esse santo, por sua vez, enxergou não apenas a fúria do Diabo contra quem lesse e pusesse em prática o Tratado da Verdadeira Devoção, mas sobretudo viu o quão benéficos seriam os ensinamentos sobre a Virgem Santíssima a formar grandes santos (T.V.D. n. 43 e 47).

Ademais, percebamos: nessas questões de tentações e provações, nada poderemos sem a Graça divina. Este é mais um motivo para fazermos uma entrega total (santa escravidão) à Virgem Santíssima, a mais agraciada e humilde das criaturas, cuja descendência esmagou a cabeça da Antiga Serpente infernal (Gên. 3,15).

MARIA SEMPRE!

Referências:

[1] - Montfort, São Luís Maria Grignion de. T.V.D.: Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria, 44ª edição, Rio de Janeiro: Vozes, 2014. Página 114;

[2] - Montfort, São Luís Maria Grignion de. T.V.D.: Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria, 44ª edição, Rio de Janeiro: Vozes, 2014. Páginas 114-115;

[3] - Vianney, São João Maria. Sermões do Cura Dars - parte I. Disponível em http://www.sendarium.com/2014/06/sermoes-do-cura-dars-i.html. Acesso em 10/04/2017.

[4] - Ibidem;

[5] Machado, Antônio Augusto Borelli. As aparições e a mensagem de FÁTIMA conforme os manuscritos da Irmã Lúcia, 39ª edição. São Paulo: Artpress, 1995. Página 40.

[6] - Ligório, Santo Afonso Maria de. Escola da Perfeição Cristã, Compilação de textos do Santo Doutor pelo Padre Saint-Omer, CSSR. 4ª edição. Rio de Janeiro: Vozes, 1955. Páginas 44-48. Disponível em:http://www.lepanto.com.br/catolicismo/leitura-espiritual/fuga-das-ocasioes-de-pecado-um-dos-mais-graves-deveres-da-vida-espiritual/. Acesso em 11/04/2017

[7] - BÍBLIA. A.T. Salmos (51/50). In: BÍBLIA. Português. Bíblia de Jerusalém. Tradução de Paulo Bazaglia et al. 1ª edição. 12ª reimpressão. São Paulo: Paulus, 2015. Página 915;

[8] - Frases de Santos. Disponível em https://frasesdesantos.wordpress.com/category/sao-joao-da-cruz/. . Acesso em 13/04/2017;

[9] - Montfort, São Luís Maria Grignion de. T.V.D.: Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria, 44ª edição, Rio de Janeiro: Vozes, 2014. Página 57.

terça-feira, 11 de abril de 2017

PAIXÃO: CRUZ, TRAIÇÃO, REDENÇÃO

O Beijo de Judas. Por Giotto di Bondone.
Prof. Helmer Ézion

Semana Santa! Momento que requer de nós cristãos mais piedade e zelo para com a causa de Nosso Senhor que é a nossa própria salvação. Momento em que a Cruz (em variadas denotações e conotações) se faz mais pungente!

No cenário atual do mundo, a exigência e o peso da cruz, talvez, sejam ainda maiores. A moral católica é devastada, denegrida e atacada por todos os lados. Inimigos da Cristandade avançam cada vez mais nos seus propósitos, impondo sobre nós leis absurdas baseadas em ideologias péssimas e contraditórias. Deste cenário já nos alertava o então Cardeal Ratzinger:“Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, é frequentemente catalogado como fundamentalismo, ao passo que o relativismo, isto é, o deixar-se levar ao sabor de qualquer vento de doutrina, aparece como a única atitude à altura dos tempos atuais. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que usa como critério último apenas o próprio 'eu' e os seus apetites.”[1]

Ora, aquele que  sucumbe à ditadura do relativismo faz tal qual os Judeus tentando justificar porque queriam a crucificação de Cristo: “Nós temos uma Lei, e, segundo esta Lei, ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus”[2] Cientes de tudo isso, resta perguntarmo-nos qual a nossa posição: será que faremos tal qual a multidão que gritava "crucifica-o!"[3]e como Pilatos que lavou as suas mãos?[4] Ou carregaremos a cruz como fez Simão Cireneu[5] e subiremos ao Calvário com coragem como Nossa Senhora e o Apóstolo João?[6]Enfim, muitas são as reflexões que podemos fazer acerca de nós mesmos em relação à paixão de Nosso Senhor. As respostas para estes questionamentos nos elucidarão a autenticidade da nossa vivência cristã. 

Há algum tempo, o Papa nos apresentou a seguinte questão: "Sou como Judas, capaz de trair Jesus, ou sou como os discípulos que não entendem nada, que dormiam enquanto que o Senhor sofria? Minha vida está adormecida?”[7]Esta pergunta abre um leque de considerações a serem feitas, afinal, em que consiste exatamente a traição? Qual é a medida da ignorância? A figura de Judas Iscariotes ainda é bastante emblemática, meditar sob ela à luz da tradição, em relação as nossas vidas, pode ser muito proveitoso para nossa santificação. 

Bem, é importante lembrarmo-nos do que disse Nosso Senhor Jesus Cristo aos seus apóstolos, inclusive a Judas: "Se guardares os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor." Portanto, "já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; Mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer. Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça (...)."[8] Judas era escolhido e querido por Cristo, sendo assim, um privilegiado. Certamente, no princípio ele correspondeu a tão belo chamado e rendeu alguns frutos. Aliás, todo e qualquer autêntico cristão recebe alto privilégio, pois, existe dádiva maior do que a de ser reconhecido como filho de Deus a partir do batismo? Desta forma, somos todos chamados a dar testemunho do evangelho, cada um de acordo com sua condição. A potencialidade de Judas Iscariotes era imensurável, afinal ele era apóstolo e convivia diretamente com Nosso Senhor. 

No entanto, alguns chegam a supor absurdamente que Judas foi escolhido para ser o traidor, afinal Jesus sabia a malícia que Judas carregava consigo.[9]Grande falácia! De fato Jesus sabe de todas as coisas e sabia da traição que em sua liberdade, Judas viria a cometer. Mas Judas, assim como todos os apóstolos fora tocado pela misericórdia de Cristo e demonstrava grande disposição em servir Nosso Senhor. Era, portanto, um verdadeiro amigo de Cristo e junto a ele também operou prodígios. Como, então, alguém que vive na companhia constante e real do Amor humanado, encontra razões e ocasiões para cometer tamanha perversidade de traí-lo? 

Judas cedeu às investidas demoníacas
Não é possível que tamanho ato de iniquidade tenha sido espontâneo. Ou seja, Judas não resolveu trair repentinamente, muito menos estando ele na companhia constante de Jesus. A situação de apóstolo não o dispensou da necessidade de vigilância e prudência, pois Jesus nos fornece todas as graças necessárias para vivermos em comunhão com Ele, mas é preciso uma disposição pessoal em conformidade com esta graça. Isto significa que Judas teria vacilado aqui e ali em momentos de prova. Estando ele em tão alta posição, era de se esperar também grandes provações e tentações.[10]
Por misericórdia, Deus nos prova a fim de nos santificar (nunca para além de nossas forças) e até mesmo permite que o demônio (alimentado pelo seu ódio) nos tente. Mas, Deus não quer que pereçamos, e sim,  que auxiliados por Sua graça, vençamos, com Ele, o pecado. Portanto, Judas distanciava-se de Cristo, mesmo estando na presença dEle, na medida em que ia permitindo a ação do demônio.[11]Claro que ele não permitia deliberadamente, mas ao passo em que voltava-se para o seu ego e suas vaidades, ia, por mais disparate que isso pareça, se esquecendo de Deus e tolerando uma "sugestão demoníaca", até cair em uma possessão. 

Judas, com seu beijo, traiu Aquele que lhe chamava de amigo! [12]– Cristo ainda o chamava assim porque ainda o amava e o queria com Ele, e era ainda possível o arrependimento – Obstinado em sua malícia, executou o seu perverso ato! É justo que reprovemos, rechacemos e repudiemos a traição de Judas. Mas, é preciso que pensemos se não estamos sendo hipócritas... 

"Bom seria para o tal homem não haver nascido"
Quantas vezes deixamos de prestar culto a Deus por causa de nossa tibieza? Deixamos de rezar um dia, faltamos à missa em outro, questionamos a doutrina em um ponto, não nos esforçamos em evitar os pecados (ainda que veniais)... As ocasiões mínimas que vão abrindo brechas para o demônio são incontáveis. Se não nos atentarmos no básico mais cedo ou mais tarde cairemos em coisas mais graves, a apostasia, por exemplo, que corresponde totalmente a uma traição. Ou seja, de certa perspectiva, somos traidores sempre que consentimos com a ditadura do relativismo e os pecados, tão presentes no mundo. Ao pensar isso, não devemos nos desesperar como fez Judas. Mas, ter a consciência da nossa mazela (até mesmo da nossa vulnerabilidade diante das provações) já é um sinal da misericórdia de Deus. É o mesmo que Cristo nos chamando de amigo no momento de fraqueza. 

Portanto, devemos nos lembrar que a Redenção de Jesus na cruz é extensiva a todos, por mais iníquos que possamos ser. Porque Cristo, ao derramar seu sangue quis salvar a todos. Porém, cabe a nós reconhecermos e nos arrependermos de nossos pecados, suplicando a Deus que, por intercessão de Nossa Senhora, possamos integrar nossos sofrimentos à cruz de Cristo. Pois, quanto mais somos tocados pela misericórdia do Senhor, tanto mais entramos em solidariedade com o seu sofrimento – tornamo-nos disponíveis para completar na nossa carne o que falta à Paixão de Cristo.[13]


MARIA SEMPRE! 


Referência bibliográfica: 
HOPHAN, Otto. Judas Iscariote. tradução de Roberto Vidal da Silva Martins, Ed. Quadrante, São Paulo, 1996, 56 páginas.

NOTAS:
[1] Texto da homilia do então Cardeal Joseph Ratzinger, futuro Bento XVI, pronunciada na Missa Pro Eligendo Pontífice, celebrada no dia 18 de abril de 2005. 
[2] Jo 19,7. 
[3] Jo19,6. 
[4] Mt 27,24 
[5] Mt 27:32 
[6] Mt 27,25-27 
[8] Jo 15:10-16 
[9] Jo 6, 70 
[10] Lc 12:48 
[11] Lc 22, 3 e Jo 13, 27 
[12] Mt 26:50 
[13] Col 1, 24 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

CARNAVAL: NOVA CRUCIFICAÇÃO


Por João S. de O. Jr 

A semana mal terminou e já se fala tanto no malfadado Carnaval, na mídia, nas ruas, nas músicas. Mas não é uma festa popular brasileira? Não, é uma festa pagã e em prol do paganismo. Não que esperaríamos coisa diferente do mundão, só que, "se calarmos, as pedras falarão". Infelizmente, é um tempo de pecados e ofensas contra Nosso Senhor, e o pior, sob aspecto de "normalidade" numa suposta "alegria" sem causa, tudo pela satifação da carne, como se nos outros dias já não sofressemos de natureza corrompida pelo Pecado Original. Não julgamos que todas as pessoas que vão para o carnaval, o façam por malícia conscientemente. Mas é inegavel o quão ofensivo para as almas é este tempo de embriagues coletiva. Pedimos que quem for fazer um Retiro Espiritual, não deixe de fazer ou ofertar uma oração em desagravo ao Nosso Senhor por tantos ultrajes e indiferenças dos homens. 



Tendo em vista que muitas pessoas - entre eles, vários cristãos - usam dos dias de carnaval como pretexto para darem vazão à prática de uma infinidade de pecados, achamos por bem publicarmos aqui uma pequena coletânea sobre este tempo nefasto, tirada de relatos e escritos da vida de santos e de pessoas piedosas. Intentamos assim levar os verdadeiros católicos a se dedicarem de maneira especial a nesses dias, reparar de alguma forma as ofensas cometidas contra Deus, que já está por demais ofendido pelos pecados do mundo. Que seja para nós o tempo do carnaval um período de oração e sacrifício. E que usemos todo o nosso tempo, ainda que dispendido em ocupações que não sejam propriamente a oração, em oferecermo-nos -juntamente com o que temos, somos e fazemos -, em reparação pela conversão dos pecadores.
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“Numa outra vez, no tempo de carnaval, apresentou-me (Jesus), após a santa comunhão, sob a forma de Ecce Homo, carregando a cruz, todo coberto de chagas e ferimentos. O Sangue adorável corria de toda parte, dizendo com voz dolorosamente triste: Não haverá ninguém que tenha piedade de mim e queira compadecer-se e tomar parte na minha dor no lastimoso estado em que me põem os pecadores, sobretudo, agora?” (Santa Margarida Maria Alacoque, Escritos Espirituais). 

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São Francisco de Sales dizia: “O carnaval: tempo de minhas dores e aflições”. 

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São Vicente Ferrer dizia: “O carnaval é um tempo infelicíssimo, no qual os cristãos cometem pecados sobre pecados, e correm à rédea solta para a perdição”. 

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Santa Catarina de Sena, referindo-se ao carnaval, exclamava entre soluços: “Oh! Que tempo diabólico!" 

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Santo Afonso Maria de Ligório escreve: “Não é sem razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação, Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. Deseja a nossa boa Mãe que nós, seus filhos, nos unamos a ela na compaixão de seu divino Esposo, e o consolemos com os nossos obséquios; porquanto, os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam os ultrajes descritos no Evangelho. Nestes tristes dias os cristãos, e quiçá entre eles alguns dos mais favorecidos, trairão, como Judas, o seu divino Mestre e o entregarão nas mãos do demônio. Eles o trairão, já não às ocultas, senão nas praças e vias públicas, fazendo ostentação de sua traição! Eles o trairão, não por trinta dinheiros, mas por coisas mais vis ainda: pela satisfação de uma paixão, por um torpe prazer e por um divertimento momentâneo. Uma das baixezas mais infames que Jesus Cristo sofreu em sua Paixão, foi que os soldados lhe vendaram os olhos e, como se ele nada visse, o cobriram de escarros, e lhe deram bofetadas, dizendo: Profetiza agora, Cristo, quem te bateu? Ah, meu Senhor! Quantas vezes esses mesmos ignominiosos tormentos não Vos são de novo infligidos nestes dias de extravagância diabólica? Pessoas que se cobrem o rosto com uma máscara, como se Deus assim não pudesse reconhecê-las, não têm vergonha de vomitar em qualquer parte palavras obscenas, cantigas licenciosas, até blasfêmias execráveis contra o Santo Nome de Deus. Sim, pois se, segundo a palavra do Apóstolo, cada pecado é uma renovação da crucifixão do Filho de Deus. Nestes dias Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes” (Meditações). 



São Pedro Claver e o carnaval 
Um oficial espanhol viu um dia São Pedro Claver com um grande saco às costas. 
— Padre, aonde vai com esse saco? 

— Vou fazer carnaval; pois não é tempo de folgança? 

O oficial quer ver o que acontece: acompanha-o. 

O Santo entra num hospital. Os doentes alvoroçam-se e fazem-lhe festa; muitos o rodeiam, porque o Santo, passando com eles uma hora alegre, lhes reparte presentes e regalos até esvaziar completamente o saco. 

— E agora? – pergunta o oficial. 

— Agora venha comigo; vamos à igreja rezar por esses infelizes que, lá fora, julgam que têm o direito de ofender a Deus livremente por ser tempo de carnaval. 

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Santo Afonso Maria de Ligório e o carnaval 

“ Jesus Cristo, (...) especialmente nestes dias de carnaval é deixado sozinho pelos homens ingratos e como que reduzido à extrema penúria. Se um só pecado, como dizem as Escrituras, já desonra a Deus, o injuria e o despreza, imagina quanto o divino Redentor deve ficar aflito neste tempo em que são cometidos milhares de pecados de toda a espécie, por toda a condição de pessoas, e quiçá por pessoas que lhe estão consagradas. Jesus Cristo não é mais suscetível de dor; mas, se ainda pudesse sofrer, havia de morrer nestes dias desgraçados e havia de morrer tantas vezes quantas são as ofensas que lhe são feitas. 

É por isso que os santos, a fim de desagravarem o Senhor de tantos ultrajes, aplicavam-se no tempo de carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à penitência, à oração, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor para com o seu Bem-Amado. No tempo do carnaval, Santa Maria Madalena de Pazzi passava as noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento, oferecendo a Deus o sangue de Jesus Cristo pelos pobres pecadores. O Bem-aventurado Henrique Suso guardava um jejum rigoroso a fim de expiar as intemperanças cometidas. São Carlos Borromeu castigava o seu corpo com disciplinas e penitências extraordinárias. São Filipe Néri convocava o povo para visitar com ele os santuários e realizar exercícios de devoção. O mesmo praticava São Francisco de Sales, que, não contente com a vida mais recolhida que então levava, pregava ainda na igreja diante de um auditório numerosíssimo. Tendo conhecimento que algumas pessoas por ele dirigidas, que se relaxavam um pouco nos dias de carnaval, repreendia-as com brandura e exortava-as à comunhão frequente. 

Numa palavra, todos os santos, porque amaram a Jesus Cristo, esforçaram-se por santificar o mais possível o tempo de carnaval. Meu irmão, se amas também este Redentor amabilíssimo, imita os santos. Se não podes fazer mais, procura ao menos ficar, mais do que em outros tempos, na presença de Jesus Sacramentado ou bem recolhido em tua casa, aos pés de Jesus crucificado, para chorar as muitas ofensas que lhe são feitas. 

O meio para adquirires um tesouro imenso de méritos e obteres do céu as graças mais assinaladas, é seres fiel a Jesus Cristo em sua pobreza e fazer-lhe companhia neste tempo em que é mais abandonado pelo mundo. Como Jesus agradece e retribui as orações e os obséquios que nestes dias de carnaval lhe são oferecidos pelas suas almas prediletas!” (Meditações).