segunda-feira, 29 de março de 2010

ORAÇÃO À MÃE DE DEUS

 
 
Sub tuum praesidium
À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades; mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita.
R. Amen.

Sub tuum praesidium confugimus, sancta Dei Genetrix; nostras deprecationes ne despicias in necessitatibus nostris, sed a periculis cunctis libera nos semper, Virgo gloriosa et benedicta.
R. Amen.













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quarta-feira, 24 de março de 2010

PADRE ANTÔNIO

Por Gustavo Corção

Numa cidadezinha perdida e esquecida, lá nos confins deste tão imenso Brasil, existe uma igreja quase sem existir. Em torno, mil ou duas mil almas mais ou menos desalmadas; dentro, um velho vigário a fazer contas intermináveis, e um padre coadjutor, na sacristia, a olhar o morro, a linha férrea lá longe, o rio, talvez o céu.
Já traz cinzas na cabeça e uma curvatura nas costas, mas naquele momento o que mais lhe pesa é a solidão que cerca a velhice que se aproxima. Está ali. Não é nada. Não sente forças para fazer nada pela vila indiferente que quer viver sua vida rotineiramente encaminhada para a morte. Sente-se inútil a mais não poder. Quer que ele celebre a única missa da féria, e com uma só porta apenas entreaberta. Precaução aliás inútil porque ninguém mais aparece nas missas dos dias da semana. O povo não gostou quando o vigário tirou os santos que há mais de cem anos povoavam a velha igrejinha. Diminuiu a assistência à missa, diminuíram as confissões. A conversa com o vigário, na hora do jantar, reduz-se a monossílabos.
Padre Antônio torna a pensar nas coisas que se perderam: a água benta, a oração do terço à noite, os santinhos que dava aos moleques na rua com magnanimidade, e tudo o mais que fazia companhia, que cercava a alma da gente nas igrejinhas da roça. Por que esta devastação? O vigário não gosta de abordar o assunto. Sofre a seu modo, com a tenacidade obtusa dos animais feridos. Cerra os dentes. Não pensa. Não fala. Faz o que o bispo mandou fazer e encerra-se num mutismo quase vegetal. Às vezes parece ter gosto de transmitir seu sofrimento fazendo um outro sofrer. É seu modo de conversar, e quem paga é padre Antônio.
Um dia padre Antônio não encontrou sua velha batina e teve de pedir uma explicação a d. Ana e ao vigário. Explicaram-lhe que estava imprestável. Ganharia nova batina? Não. Clergy-man também é muito caro. Padre Antônio deveria comprar na loja do João Mansur umas calças de lonita e duas camisas esporte. E é com esta roupa pobre que padre Antônio agora se debruça na janela e consulta o infinito. Pobre, pobre padre Antônio. Ele nunca foi propriamente vaidoso e preocupado com a roupa que haveria de vestir, como aconselha Nosso Senhor. Mas essa história da batina doía-lhe ainda como se estivesse em carne viva, como se 1he tivessem arrancado a pele. E o pior é pensar que é com esta roupa por baixo, esta roupa de rua, esta roupa sem bênçãos que deve celebrar a Santa Missa. Disseram-lhe que era mais prático usar uma só alva por cima do traje esporte. E esta alva não era mais daquelas antigas, rendadas e compridas. Padre Antônio não queria as rendas para si, já que era desgracioso e escuro: queria-as para enfeitar o louvor de Deus. Mesmo porque, descontada alguma andorinha, nenhum ser vivo aparecia para assistir ao Sacrifício de nosso Salvador. Nem valia a pena bater a campainha. As novas alvas não têm rendas. São ordinárias e curtas, sim, curtas, porque o importante é aparecerem as calças para todo o mundo ver que o padre é homem, como outro homem qualquer.
Está na hora de preparar a missa da tarde, e padre Antônio sente a tristeza aumentar. Está só. Está só. Não tem com quem falar. Poderá conversar na farmácia com a turma do gamão do Frederico, mas depois a volta para a casa é ainda mais pesada. Poderá perguntar a d. Emília se está melhor do reumatismo, e a d. Maria se o marido já voltou do Rio. Mas não tem ninguém com quem possa falar, com quem possa desabafar, a quem possa explicar a desmedida tristeza de vestir por cima das calças uma alva sem rendas, e a quem possa dizer a saudade que tem da batina preta, a batina bendita em que um dia amortalhara o homem velho para viver em Cristo Nosso Senhor. E não tem ninguém a quem possa perguntar tremendo: «O que é que está acontecendo em nossa Igreja? E o Papa?» Ou então alguém, um irmão, um padre, a quem possa dizer com medida indignação: «Não pode ser! Não pode ser! As portas do inferno não prevalecerão!»
Padre Antônio olhou mais uma vez para o horizonte que a noite já escondia. O mundo começava além daquela serra... O mundo! Padre Antonio curvou a cabeça como um condenado. Estava preso! Estava preso! Abriu então as duas mãos grandes e magras que considerou com triste ternura: um dia elas tinham recebido o poder de consagrar o Pão e o Vinho, e de trazer assim ao mundo, como a Virgem Santíssima, o Corpo de Deus. Mãos grandes, mãos nervosas e escuras, mãos consagradas. Ao menos esta pele não lhe arrancam, esta marca não lhe tiram.
Num desamparo infinito padre Antônio contemplava as duas mãos frementes, tão poderosas e tão inúteis. Turvava-se o espírito, vacilava a razão e a fé. Estão ali as mãos. E o resto. E a água benta? o Latim? as coisas da Igreja? As palmas inúteis não respondiam às suas indagações, e até pareciam pedir-lhe uma resolução, uma decisão, já que a mão foi feita mais para fazer do que para pensar... O que é isto? O que é isto nas palmas das mãos? Estará chovendo? Padre Antônio, padre Antônio, o senhor está chorando. Quem foi que falou? Ninguém. Ninguém. É o próprio padre Antônio que tomou o costume de falar com o padre Antônio.
Juntam-se as mãos. E das profundezas dos abismos que todos trazemos, mesmo debaixo de uma camisa esporte, subiu um clamor de aflição: «Usquequo exaltabitur inimicus meus super me? Respice et exaudi me! Respice et exaudi me! Respice et exaudi me, Domine Deus meus...».
E então, neste momento infinito, padre Antônio teve a incomparável certeza de que não estava só.
(15-2-69)  

Fonte: http://gustavocorcao.permanencia.org.br/Artigos/padreantonio.htm

quarta-feira, 17 de março de 2010

PODE O CATÓLICO AJOELHAR-SE DIANTE DE IMAGENS DE NOSSA SENHORA E DOS SANTOS?


Por P. C. Oliveira


 
  Para entrar nesta questão, vejamos primeiramente o que ensina a Igreja a respeito do culto às santas imagens:

 "Nós definimos com todo o rigor e cuidado que, à semelhança da representação da cruz preciosa e vivificante, assim as venerandas e sagradas imagens pintadas quer em mosaico quer em qualquer outro material adaptado, devem ser expostas nas santas igrejas de Deus, nas alfaias sagradas, nos paramentos sagrados, nas paredes e mesas, nas casas e ruas; sejam elas a imagem do Senhor Deus e Salvador nosso, Jesus Cristo, ou a da Imaculada Senhora nossa, a Santa Mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos justos. Quanto mais os fiéis contemplarem essas representações, mais serão levados a se recordar dos modelos originais, a se voltar para eles, a lhes testemunhar... uma veneração respeitosa, sem que isso seja adoração, pois esta só convém, segundo a nossa fé, a Deus".” (1)

Vemos então que o culto às imagens é amplamente permitido e incentivado pela Igreja, pois elas estimulam a nossa oração(2),” são objetos de instrução religiosa, lembram-nos das pessoas dos santos e das virtudes que estes praticaram, incitam-nos a imitar-lhes o exemplo, a virtude e a santidade”(3),”contribuem para dar aos lugares de culto um aspecto sagrado, e convidam ao recolhimento e à oração(8)”, entre diversos outros benefícios.

“... a exposição de um ícone figurativo permite àqueles que o contemplam ter acesso aos mistérios da Salvação mediante a vista.” (1)

“O II Concílio de Nicéia não se limita a afirmar a legitimidade das imagens, mas procura ilustrar a sua utilidade para a piedade cristã: ´´Com efeito, quanto mais frequentemente estas imagens forem contempladas, tanto mais os que as virem serão levados à recordação e ao desejo dos modelos originários e a tributar-lhes, beijando-as, respeito e veneração´´(4)

“As imagens, os ícones e as estátuas de Nossa Senhora, presentes nas casas, nos lugares públicos e em inúmeras igrejas e capelas, ajudam os fiéis a invocar a sua presença constante e o seu misericordioso patrocínio nas diferentes circunstâncias da vida.”(4)

“Deve ser encorajado, portanto, o uso de expor as imagens de Maria nos lugares de culto e noutros edifícios, para sentir a sua ajuda nas dificuldades e o apelo a uma vida cada vez mais santa e fiel a Deus.”(4)

Mas o que vem a ser culto?

“É o complexo de atos com que exprimimos, em particular ou em público, com a alma só ou com toda a nossa pessoa, as nossas relações com Deus. O culto a Deus se chama culto de latria ou de adoração. O culto aos Anjos e Santos se diz culto de dulia ou de veneração aos servos de Deus(do grego dúlos: servos). Devido ao excepcional privilégio de Mãe de Deus, a Virgem Santíssima recebe o culto de hiperdulía, ou seja, de especialíssima veneração devida à mais santa das criaturas de Deus.”(6)

Mas não seria errado ajoelhar-se diante de imagens da Mãe de Deus, dos Anjos e Santos, visto que eles não representam Deus para nós? No Catecismo da Igreja Católica encontramos o seguinte ensinamento:

“O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos.De fato, ‘a honra prestada a uma imagem se dirige ao modelo original’, e ‘quem venera a imagem venera a pessoa que nela está pintada’.A honra prestada às santas imagens é uma ‘veneração respeitosa’, e não uma adoração, que só compete a Deus: O culto da religião não se dirige às imagens em si como realidades, mas as considera em seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado.Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não termina nela, mas tende para a realidade da qual é a imagem.”(5)

“O Concílio Niceno II, portanto, reafirmou solenemente a distinção tradicional entre ´a verdadeira adoração (latria)´ que, ´segundo a nossa fé, é devida somente à natureza divina´ e ´a prosternação de honra´ (timetiké proskynesis), que é prestada aos icones, porque ´aquele que se prostra diante do icone, prostra´se diante da pessoa (a hipóstase) daquele que na figuração é representado´.”(1)

O ato de se ajoelhar, embora seja “por excelência o gesto litúrgico de adoração a Deus”(6), emprega-se também “como sinal de veneração”(7) diante de pessoas ou coisas sagradas”(6). Todos os santos da Igreja rezavam ajoelhados diante das imagens; papas rezam ajoelhados diante dos túmulos de santos(9) e diante da imagem da Mãe de Deus(10).Também bispos e padres de todo o mundo em sinal de veneração se ajoelham aos pés do Papa ao se aproximarem dele para lhe pedir a bênção. Entendemos então que para a Igreja não existe nenhuma proibição quanto ao referido ato, e que ele, como já vimos anteriormente, contribui de diversos modos para o crescimento na vida cristã.

(1) Carta Apostólica Duodecim Saeculum sobre a veneração de Imagens.
(2) Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 1162.
(3) Livro “Na Luz Perpétua’’, vol.1, pg 366.
(4) Audiência geral do Papa João Paulo II de 29 de outubro de 1998.
(5) C.I.C., parágrafo 2132.
(6) Missal cotidiano – Dicionário Litúrgico - D. Gaspar Lefebvre
(7) Veneração: Culto prestado aos servos de Deus
(8) Artigo sobre as sagradas imagens do site www.seminario-campos.org.br – na Bíblia, cf. Ex. 25,22; 1 Reis 6,23 a 28.
(9) Cf. como exemplo a foto da contra-capa do livro O Segredo do Rosário – São Luiz Maria Grignion de Montfort
(10) Cf. foto do livro Aos Sacerdotes, filhos prediletos de Nossa Senhora, do Movimento Sacerdotal Mariano, pg. 1137

segunda-feira, 15 de março de 2010

"Poucos são os que o encontram..."



Por P. C. Oliveira 

Existem no Evangelho passagens que, de um modo todo particular, nos dizem algo de muito especial. É claro que todo o Evangelho é obra perfeita e belíssima, mas certos versículos tendem a sobrelevarem-se na nossa identidade espiritual. Desde muito tempo, um destes versículos é para mim o que se encontra no número 14 do capítulo 7 do Evangelho de Mateus. Jesus, ao falar dois caminhos – um que leva à vida e outro à morte – arremata dizendo do caminho que leva à vida: “poucos são os que o encontram”.

Lembro-me da primeira vez que me deparei com este versículo. Um misto de surpresa e conscientização tomou o meu coração. Minha vontade inicial era de, sem perder mais um segundo sequer, sair a anunciar a todos os homens que eles precisariam ser do número dos eleitos, e que estes eleitos seriam poucos, a minoria do mundo! É óbvio que Deus quer a salvação de todos (cf. I Tim 2,4), e, se poucos se salvam, só se pode imputar àqueles que não se salvam o peso de culpa por não terem querido a própria salvação, visto que Nosso Senhor não se agrada com a perdição de ninguém, nem precipita alguém à ela. Se Nosso Deus quer que todos se salvem, é porque pode levar todos à salvação, visto que Ele não pode querer algo que não pode fazer, nem fazer algo que não pode querer...

Mas somos livres. E a nossa liberdade, grandioso dom, é a ferramenta que usamos para decidirmos nosso caminho. Sei que é racionalmente desconfortável pensar que alguém não queira ser salvo, mas sei também que seria uma pobre presunção pensar que nosso limitadíssimo intelecto é capaz de entender toda a realidade presente, dada as conseqüências do pecado original e da nossa própria natureza. Assim, a condenação eterna existe, é uma verdade assim como é verdadeiro o fato de que muitos optam com maior ou menor consciência, mas nunca sem culpa, por herdá-la.

Porém, a palavra final não pertence à morte e à decepção, mais sim à vida e à esperança. Ao pensarmos que uma eternidade de glória está reservada àqueles esforçados do tempo presente, todas as dores e penas momentâneas não conseguem resistir. O que são 70 ou 80 anos em comparação com uma vida que não passa? Acho que os católicos pensam muito pouco no Céu. Oxalá se fossemos como uma Santa Teresa D´ávila, que ao badalar das horas do relógio exclamava: “Menos uma hora!”. Há muitas vezes um apego quase doentio pelos bens presentes. Sei que poderiam me objetar dizendo: ”mas os bens presentes não são ruins!”. Eu complementaria: sim, em si mesmos não são absolutamente! Porém, percebe-se que aqueles que melhor uso fazem deles são os que mais se dedicam a entrar para o Céu. Isto porque são livres, sabendo viver – nos dizeres de São Paulo – na riqueza e na carestia. Esforcemo-nos pois, irmãos, porque pela nossa salvação só podemos responder nós mesmos diante de Deus.

MARIA SEMPRE!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Missa Tridentina: Por que ainda estás oculta?

Missa Tridentina em Montes Claros - MG


Por  Pabhlo A. A. Oliveira


Caríssimos, no dia 14/02/2010 tive a graça de assistir uma Santa Missa no rito Tridentino. Para quem não sabe o Rito Tridentino ou Missa de São Pio V, leva este nome por ter sido promulgada pelo Santo Padre em 05/12/1570, em face das recomendações propostas pelo Concílio de Trento, por isso o nome Tridentina. Nesta oportunidade única pude constatar a beleza e a profundidade da Santa Missa celebrada em tal rito.
Ao chegar me deparei com mulheres e crianças cobertas com véus belos. Quanto respeito! O silêncio naquela pequena capela era gritante... a atenção se voltava tão somente para o altar! O sacerdote com belíssimas vestes, quase que entronizava em nossos corações o sentido sacrifical da missa... Suas orações quase imperceptíveis demonstravam q verdadeiramente não havia mais padre e sim o CRISTO... O genuflexório (objeto quase extinto) na hora da comunhão, juntamente com a Patena só demonstravam a presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento. E as orações em latim só demonstram a universalidade da Santa Missa. Sem sombras de dúvida, foi visível a atualização do sacrifício. Quanta beleza!
“Em seu semblante, a majestade e a beleza” 1º Cr 16, 27.
Guardei cada momento daquela Santa Missa na memória, pois não sabia quando teria mais a oportunidade de assistir tão sublime rito. Isso porque a Missa Tridentina foi esquecida. Apagada como se a Igreja Católica tivesse se iniciado somente após o Concílio Vaticano II. Muitos se esquecem que a Igreja Católica cresceu na Europa graças à beleza das imagens, dos vitrais, das catedrais, mas acima de tudo da Santa Missa. Os povos pagãos se sentiam atraídos por uma força silenciosa que os vivificava.
Um fato histórico interessante é o ocorrido quando da primeira Missa celebrada no Brasil, por Frei Henrique de Coimbra, em Porto Seguro. Os curiosos indígenas se aproximavam do altar e contemplavam aqueles estranhos homens se humilhando em frente a uma Cruz. Quando um segundo grupo de índios se aproximou do local o seu líder questionou o que era aquilo, o chefe do primeiro bando, prontamente, apontou para o céu e apontou para a terra, expondo com perfeição o caráter horizontal da Missa; a ligação do homem com Deus.
É por isso que a minha razão não consegue entender uma pergunta: Por que a Missa Tridentina ainda está oculta? Por que Bispos, Padres e leigos ainda franzem a testa ao ouvir falar da Missa Tridentina?
Rezemos para que neste ano Sacerdotal, mais sacerdotes celebrem a Santa Missa neste sublime rito! Que São Pio V rogue por nós!
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Referências:
1º Crônicas 16,27

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