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terça-feira, 23 de outubro de 2018

A ALEGRIA PARTICULAR DE NADA SER


Detive-me hoje diante de um verme da terra, coberto de lama e arrastando-se aos meus pés na poeira... e senti meus olhos encherem-se de lágrimas. Se este animal, dizia a mim mesmo, possuísse a razão e compreendesse sua humilde condição em face da minha e se consentisse em ser um simples verme e em mover-se com dificuldade e em nutrir-se da terra, por consideração a mim... parece que eu me sentiria sensibilizado: o amor deste ser insignificante comoveria meu coração e eu o amaria por minha vez.

E se, dirigindo-se a mim do fundo de sua baixeza, me dissesse: “Nada mais desejo na minha miserável existência, livremente aceita, senão vos ser agradável. Quisera nunca fazer o menor movimento que vos pudesse desagradar ou causar desgosto”. Como estimaria este humilde animal e como ficaria sensibilizado com tanto devotamento!

E se continuasse dizendo que queria ficar sempre verme, para me proporcionar a felicidade de ser sempre dotado de inteligência, de liberdade e de nobreza, que seu único prazer consistira sempre em me ver rico e feliz; como eu me inclinaria com gratidão e respeito ante esse pequeno ser tão generoso e tão esquecido de si mesmo!

Se, enfim, acrescentasse que me consagrou todo o amor de que um verme da terra, coberto de lodo, pode ser capaz e quereria aumentar e elevar este amor, fazendo que todos os seus semelhantes a ele se associassem, como o esforço desta humilde criatura me lançaria na admiração e me forçaria a amá-la por minha vez.

Ó Jesus! Lembrai-vos que este pequeno verme da terra, arrastando-se aos vosso pés, sou eu.

(Pe. José Shrijvers, Almas Confiantes, cap. X – Os Frutos do Espírito Santo, Art. II)

MARIA SEMPRE!

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

O CONHECIMENTO DE SI PRÓPRIO



Por Padre Anselmo Longpré - Fraternidade São Pio X


O AMOR PRÓPRIO - O AMOR DAS RIQUEZAS

MEIO PARA DELES SE LIBERTAR


Sinais que nos permitem reconhecer as nossas afeições e maneira de as combater

I
SINAIS DE AFEIÇÃO ÀS RIQUEZAS


01.Solicitude, preocupação, diligência em adquiri-las: "Não vos inquieteis pela vossa vida: que haveis de comer ou que haveis de beber; nem pelo vosso corpo: que haveis de vestir" (Mt 6,25).

02.Medo que falte alguma coisa: "Quando vos enviei sem bolsa, nem alforge, nem sandálias, faltou-vos alguma vez alguma coisa?"(Lc 22,35). 

03.Grande preocupação pelo futuro: "Buscai primeiro o Reino de Deus, e tudo mais vos será dado em acréscimo" (Lc 12,31).

04.Busca de luxo nas habitações, na mobília, nos meios de transporte, na mesa, etc.: "Posto que não temos aqui cidade permanente, mas vamos em busca da futura" (Hb 13,14). 

05.Não estar nunca contente nem satisfeito com que se tem: "Quando, porém, temos o que comer e o que vestir, com isso nos contentaremos.Mas aqueles que querem enriquecer caem em tentações, em laços e em muitas cobiças insensatas e nocivas, que mergulham os homens na perdição e na ruína.Com efeito, a raiz de todos os males é a cobiça do dinheiro, na qual alguns se desviam da fé, atormentando-se com muitas aflições" (I Tm 6,8-10).

06.Cobiçar as riquezas: "Aos ricos deste século recomenda que não sejam altivos, nem ponham a esperança em riquezas incertas, mas em Deus, que nos dá todas as coisas com abundâncias, para delas usarmos" (I Tm 6,17). 

07.Agir com espírito de propriedade e agarrar-se ao que se tem: "Não entesoureis para vós tesouros na terra (...) mas entesourai tesouros no céu" (Mt 6,19-20).

08.Dar esmola recalcitrando: "Mas quando tu deres esmola, não saiba a tua esquerda o que faz a tua direita" (Mt 6,3). 

09.Ter estima e consideração pelos ricos e pouca consideração pelos pobres: "Mas ai de vós, ricos!...Ai de vós, que estais agora fartos!"; "Bem aventurados os pobres em espírito" (Lc 6,24-25; Mt 5,3).

10.Apoiar-se nas riquezas ao fazer apostolado: "Não ponham esperança em riquezas incertas, mas em Deus" (I Tm 6,17).

Para Combater a Afeição às Riquezas

01.contentar-se com o necessário e verdadeiramente útil, no alojamento, mobiliário, alimentação, vestuário, etc..



02.Estar contente com o que se tem e agradecer a Deus o que Ele nos dá.

03.aceitar alegremente a falta, por vezes, do útil e mesmo do necessário.

04.nunca se queixar das incomodidades da pobreza.

05.não se agarrar ao que se possui ou ao que se usa: quarto, livros, vestuário, meios de transporte, etc..

06.Não se entristecer com as perdas que acontecem.

07.Dar generosamente conforme os seus meios.

08.Aceitar, por vezes, prestar serviços gratuitamente.

09.Amar e visitar os pobres.

10.Tratar com cuidado e economizar as coisas de nosso uso.

11.Adaptar a maneira de viver da gente do povo, dos trabalhadores normais.

12.Moderação na utilização das comodidades modernas.

13.Não se associar em negócios temporais, investimentos especulativos, pequenas "habilidades" que dão lucro, etc..


II
SINAIS DE AFEIÇÃO AOS BENS DO CORPO
A SAÚDE - O REPOUSO - AS SATISFAÇÕES - O CONFORTO


01.O desejo da estima dos homens, a complacência nos louvores.



02.O afeto às suas idéias, à sua maneira de ver e agir.

03.A teimosia, a obstinação na defesa do seu ponto de vista.

04.A independência, que leva a agir a seu modo, a desprezar o conselho dos outros, a subtrair-se à obediência.

05.A impaciência e a cólera perante a oposição.

06.A artimanha para chegar aos seus fins.

07.A presunção e a temeridade.

08.A susceptibilidade, que não pode suportar nenhuma observação.

09.A arrogância, que leva às palavras que ferem.

10.A ostentação, a afetação, que leva a fazer gala do seu saber, das suas relações, da sua influência.

11.A desobediência aos superiores e o pouco caso deles.

12.O hábito de tudo criticar, de tudo julgar, de tudo condenar.

13.A preguiça intelectual; crê-se dispensado de estudar.

14.O amor das novidades, o entusiasmo pelo inédito."Guarda o depósito, evitando as vaidades profanas de palavras e as contradições de uma pretensa ciência" (I Tm 6,20).


Para Combater As Afeições Ao Amor Próprio
01.Desconfiar de nós mesmos, dos nossos pensamentos, dos nossos julgamentos, das nossas idéias.

02.
Pedir conselho com freqüência, e aceitar com alegria aqueles que nos dão.

03.Viver na obediência a um superior.Submeter-se, em espírito e coração, à Igreja e suas autoridades.

04.Combater as afeições assinaladas com atos opostos.

IV
SINAIS DE AFEIÇÃO Á VONTADE PRÓPRIA

01.O desgosto, a apatia e a negligência em fazer um trabalho que não seja de sua escolha.

02.A inconstância, o capricho e a moleza no cumprimento do dever.

03.A indecisão, que faz com que se queira e não se queira.

04.A tristeza, o desencorajamento, o abandono da tarefa empreendida, perante dificuldades.


Para Combater as afeições à vontade própria

01.Nada fazer por nós próprios, mas submeter a nossa vontade, em tudo, à dos Superiores.

02.Não procurar fazer o que nos agrada, mas o que agrada a Deus e nos é pedido pelos Superiores.

03.Obedecer sem réplica mesmo nas mais pequenas coisas.

04.Ser fiel ao seu regulamento de vida.




V
SINAIS DE AFEIÇÃO DO CORAÇÃO

01.Amar alguém sobretudo por causa das suas qualidades naturais.

02.Procurar a companhia dessa pessoa pelo prazer que nisso se tem.

03.Estar incessantemente inquieto e atormentado a seu respeito.

04.Irritar-se com os que não partilham os mesmos sentimentos.

05.Aceitar e oferecer mutuamente prendas.

06.Dar provas sensíveis de afeição.

07.Guardar a sua simpatia para os amigos e receber friamente os outros.


VI
SINAIS DE AFEIÇÃO ESPIRITUAL


1.Orgulho espiritual

a)- Estar satisfeito consigo e não ver o que falta aperfeiçoar.
b)- Colocar-se como mestre e julgar os outros com severidade.
c)- Fazer grandes projetos e negligenciar os deveres do seu estado.
d)- Deleitar-se com a leitura dos autores espirituais sem cuidar de pôr em prática o que eles ensinam.
e)- Não ver a distância que existe entre o conhecimento teórico do Evangelho e a imitação de Jesus Cristo.
f)- Julgar-se avançado no caminho da perfeição e desprezar os outros.
g)- Sentir despeito a seguir às suas faltas e vergonha em declará-las na confissão.
h)- Procurar desculpar as suas faltas e defender-se quando se é acusado.
i)- Precipitação e pressa no estudo das coisas menos importantes para a salvação.

2.Avareza espiritual e inveja

a)- Nunca estar satisfeito com o que Deus dá.
b)- Tristeza, ciúme dos bens espirituais que se descobrem nos outros.
c)- Procurar rebaixar os outros, tentar provar que não são tão santos como se diz.
d)- Afeição a certas formas de piedade, aos seus métodos

3.Luxúria Espiritual
a)- Procurar as amizades sensíveis, com o pretexto de progresso espiritual. Necessidade de se expandir.

b)- Afeiçoar-se ao seu confessor, ao seu diretor, por motivos demasiado humanos.

c)- Simpatias demasiado humanas para com certas pessoas e antipatia para com outras.


4.Avidez espiritual
a)- Afeiçoar-se imoderadamente às consolações sensíveis que Deus às vezes concede, como um meio, mas que não se devem buscar como um fim.

b)- Procura de si próprio no apostolado exterior; necessidade de atrair a si, de ser o centro.Comprazimento nas suas obras.

5.Preguiça espiritual
a)- Arrastar-se na vida espiritual, porque já não se encontra gosto nela.

b)- Desgosto no trabalho da sua santificação, logo que se trate de avançar pela "via estreita".

c)- abandono dos meios de santificação ao nosso alcance, na espera de meios imaginários.

d)- Tristeza, pusilanimidade, perante os esforços para se santificar.

e)- Deixar para mais tarde o que se devia fazer hoje.

6.Cólera espiritual

a)- Impaciência e amuo com Deus, que não nos dá o que se pede.

b)- Zelo amargo em relação ao próximo, necessidade de admoestar.

c)- Falta de doçura para consigo próprio, á vista dos nossos defeitos e imperfeições.

d)- Rudeza insuficientemente dominada pela paciência.

------------------------Por Padre Anselmo Logpré------------------------


Fonte: www.voltaparacasa.com.br - A todos aqueles que desejam se santificar!
MARIA SEMPRE!

domingo, 5 de agosto de 2018

CUIDADO: FRENESI MIDIÁTICO



Por editores do blog

São tempos frenéticos de irreverências e superficialidades. Exigem-se frutos de sementes há pouco lançadas. Os meios de comunicação comprovam nossa assertiva.


Somos bombardeados todo o tempo com mil notícias e, na correria das horas, acabamos por olhá-las, quando muito, com rasa reflexão. Turbulências sociais, políticas, econômicas e religiosas são julgadas em breves segundos, como se rápidas passadas de olhos sobre frases de internet bastassem para criar juízos sobre complexas realidades. A televisão, muitas vezes, acaba por dar nesse percurso o golpe de misericórdia, ao substituir no telespectador algum resquício de senso crítico por ideias muito bem orquestradas com o intento de validar aberrações. É, de fato, um processo de bestialização do ser humano.



O resultado da verborragia midiática e de todo o aparato de intercomunicação a que nos submetemos sem critério são também uma certa insegurança gerada pela cascata de fatos assustadores, aparentemente desconexos, que lançam sobre nós dia-a-dia. A resposta de muitos, perante tais impactos emocionais, é (ao contrário da imensa maioria entregue à inércia, às fobias ou mesmo à depressão) apresentar-se qual paladino da verdade, forte, destemido e capaz de resolver as situações; porém, no fundo, sem possuir conteúdo e necessários discernimentos... Talvez isso explique um pouco, sob algum aspecto, o alto número de "salvadores" que pululam pela internet arvorando-se como mestres e iluminados. Um ambiente altamente desequilibrado tende a gerar indivíduos desequilibrados.


Na terra sem lei desse mercado de notícias, o primeiro que surge nas mídias com ares de cultura e boa retórica conseguirá nas praças, shoppings e redes sociais inúmeros discípulos, na verdade papagaios, os quais repetirão com ar de intelectualidade, vasta erudição e suposta consciência da realidade tudo o que lograram reter do oráculo, entre mil. Com efeito, há muitos "doutores". Aqui uns dizem isso, acolá o seu oposto, e - atenção - minutos depois já teremos as novas "verdades" desmentindo as que foram incensadas com seus autores. Anexo a tudo isso surgirão montagens de fotos no universo virtual, frases absurdas atribuídas às mais diversas figuras históricas (há pouco tempo lançaram fina ironia: "Não creia em tudo que se vê pela internet." Santo Tomás de Aquino), enfim um verdadeiro mexido de marmita, tudo descendo goela a baixo sem critério e mastigação.

Sim, há muita notícia e pouca reflexão. Basta-nos pensar, por exemplo, que num simples celular há incrível concentração de inteligência superior (e temos que nos perguntar até que ponto somos capazes de organizar mentalmente tudo isso, dada a forma desordenada que nos relacionamos com essa nova modalidade de acesso ao conhecimento), livros outrora inacessíveis ao homem comum, agora, em poucos minutos, podem ser baixados por meio de sites ou estudados com auxílio de excelentes professores, os quais disponibilizam frutos de suas pesquisas em vídeos pela internet. Na palma da mão de nossos jovens, encontram-se imensas bibliotecas, obras de arte magníficas, um universo de erudição e cultura. Porém - uma lástima - eles vagueiam sem rumo, quais macacos de galho em galho ou pisando, sem prudência, por imenso campo minado. A oportunidade que se lhes abriu de elevação humana e intelectual tornou-se para muitos em causa de vícios e desorientação.

A grande maioria dos internautas aceita quase tudo sem nenhum critério. No calor do momento, impactados pelo disse me disse referente à última notícia, submetidos ao parecer dos repórteres de plantão, são arrastados por algo como uma reação em cadeia, divulgando, não poucas vezes, mentiras desvairadas como sendo a mais absoluta verdade. O que apareceu aqui e acolá pela manhã numa página do Facebook ou grupo de WhatsApp, qual mera suposição ou "zoeira", ao fim da tarde já se tornou em fato indubitável, e pobre daquele ignorante que ousar negar a suposta verdade cristalina. Esse efeito dominó, corriqueiro nas redes sociais, tem arrastado não poucos indivíduos de boa vontade. Num mesmo dia, é tão comum vermos informações tão díspares sobre determinadas pessoas de vulto (como o papa ou mesmo alguns políticos, entre outros) que assusta observar o fato de alguns navegadores ainda cederem à febre de curtir e compartilhar tudo o que veem pela frente. "Qual a origem dessa notícia? Está de acordo com a comunicação geral realizada em tantos outros sites respeitáveis, profissionais? Já houve confirmações daquilo que acabei de ler?" Nada disso importa para aquele que acredita em tudo o que vê pela "sagrada internet". Estamos diante do reino das superficialidades e irreverências... A sensação de anonimato e impunidade que o uso das redes sociais nos confere tem levado muitos à anarquia e à desordem cada vez mais enraizada, cujas consequências, em vários níveis, serão colhidas no futuro. Infelizmente...

Mas, que luzes podemos propor para tal cenário? Haveria algum modo de resolver essa triste situação? Sem dispensar o valioso contributo de ideias que outros já ofereceram, é preciso afirmar a importância de se dar valor ao tempo. Ele peneira os fatos, decanta as informações, equilibra os julgamentos. Com o tempo, novos detalhes sobre notícias vem à tona, frases são refeitas, "erratas" são lançadas. É necessário voltar aos tempos da reflexão, da troca de ideias e pesquisa demorada como método de análise antes das divulgações. Isso é o mínimo! Caso contrário, só faremos coro junto aos bobos que tomam tudo por verdade e tornam-se, desse modo, cada vez menos dignos do título de filhos de Deus.



MARIA SEMPRE!

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O MINISTÉRIO DOS ANJOS DA GUARDA

Ministério exercido pelos Santos Anjos da Guarda
"Se pudéssemos não apenas crer, mas viver a realidade da permanente assistência de nosso Anjo da Guarda, como nossa posição diante da vida e dos acontecimentos iria mudar! Não haveria temores, insegurança, fobias e depressões psicológicas.

Consideremos os principais efeitos dessa atuação admirável do Anjo da Guarda em nossa vida, resumindo as condições da questão CXIII da Suma Teológica.

1. – Os homens são custodiados pelo Anjos. Isto porque, como o conhecimento e as aflições dos homens podem variar muito, vindo a desencaminhá-los do bem, foi necessário que Deus destinasse Anjos para aguarda dos homens, de modo que , por eles, fossem os homens orientados, aconselhados e movidos para o bem.

Pelo afeto ao pecado, os homens se afastam do instinto do bem natural e do cumprimento dos preceitos da lei positiva e podem também desobedecer às inspirações que os Anjos bons lhes dão invisivelmente, iluminando-os para que pratiquem o bem. Por isso, se um homem vem a perder-se, isso se deve atribuir à malícia do homem e não à negligência ou incapacidade do Anjo da Guarda.

2. – A cada homem custodiado, corresponde um Anjo Custódio distinto. Cada Anjo tem sob sua responsabilidade uma alma que lhe compete procurar salvar.

3. – O Anjo da Guarda livra constantemente seu protegido de inumeráveis males e perigos tanto da alma quanto do corpo, dos quais o homem não se dá conta. Vimos como Jacob se dirigiu a José (Gen 48,10).

4. – O Anjo da guarda impede que o demônio nos faça o mal que desejaria fazer-nos. Lembremo-nos da História de Tobias.

5. – O Anjo da Guarda suscita continuamente em nossas almas pensamentos santos e conselhos saudáveis (conforme se lê em Gen 16,18; At. 5, 8,10).

6. – O Anjo da Guarda leva a Deus nossas orações e pedidos, não porque Deus, omnisciente, necessite disso para conhecê-los, mas para que as ouça benignamente. Implora por iniciativa própria os auxílios divinos de que iremos necessitar, sem que disso nos demos conta e sem que, muitas vezes venhamos a saber que recebemos esses auxílios (Ver Tobias. 3 e 12; Atos c. 10).

7. – O Anjo da Guarda ilumina nosso entendimento, proporcionando-nos as verdades, de um modo mais fácil e compreensível, mediante o influxo que pode exercer em nossos sentidos interiores.

8. – O Anjo da Guarda nos assistirá particularmente na hora da morte quando mais dele iremos necessitar.

9. – Os Anjos da Guarda, segundo opinião piedosa de grandes teólogos, acompanham as almas de seus protegidos ao Purgatório e ao Céu depois da morte, como acompanhavam as almas dos antigos patriarcas ao 'seio de Abraão', expressão que simboliza a união com o Pai. De fato, a Igreja apoiando e confirmando essa crença, na cerimônia da encomendação da alma a Deus, ao descer o corpo à sepultura, como última oração, reza: _ 'Ide a seu encontro Anjos do Senhor; recebei sua alma conduzi-a à presença do Altíssimo...; que os Anjos te conduzam ao seio de Abraão'.

10. – O Anjo da Guarda, ainda segundo a opinião de muitos teólogos, atendem às orações dirigida pelos fiéis à alma de seu custodiado quando esta se encontra no Purgatório, 'em estado não de socorrer, mas de ser socorrida (2-2 Q. 83 a. 11. Ad 3). Por isso, as súplicas dirigidas às almas do Purgatório são das mais eficazes pois são impetradas pelo Anjo da Guarda da alma a quem se recorre'.

11. – O Anjo da Guarda acompanhará eternamente no céu a seu custodiado que alcançou a salvação, 'não mais para protegê-lo, mas para reinar com ele' (1. Q.113 a.4) e 'para exercer sobre ele algum ministério de iluminação' (1 Q. 108, a7. ad 3).

12. – O Anjo da Guarda não pode livrar-nos das penas e cruzes desta vida, quando Deus em sua infinita Bondade no-las tiver mandado ou permitido, para nossa provação, santificação e purificação. Mas nos ajudará a suportar pacientemente, resignadamente e até mesmo alegremente as provações, encaradas como nossa modesta participação de solidariedade no Mistério da Redenção da humanidade, o qual se realizou plenamente no Sacrifício do Calvário, com a morte de Jesus.

13. – O Anjo da Guarda nos protege contra a malícia humana, a injustiça, a hipocrisia, a falsidade, a mentira, a injustiça e os ciúmes daqueles que nos querem prejudicar. Sua veneração e invocação sempre nos hão de valer.

(...) Além do Anjo da Guarda que Deus destinou a cada um de nós, vários dentre os Padres da Igreja e grandes santos, baseados em trechos das Sagradas Escrituras, admitem que haja também, Anjos da Guarda para cada templo, cada comunidade, cada povo, cada nação. Esse Anjo a protege, inspira seus dirigentes e estimula seu aperfeiçoamento. Lembremo-nos a propósito, da aparição aos três pastorzinhos de Fátima do personagem que se identificou como o 'Anjo da Paz' e depois explicitou – 'Eu sou o Anjo da Guarda, o Anjo de Portugal'.

São Francisco Xavier, o apóstolo jesuíta do Japão, não teve dúvidas em recomendar seu apostolado aos Anjos da Guarda do Japão:

- 'Nada espero de mim mesmo, pois coloquei toda minha confiança em Jesus Cristo, na Santíssima Virgem e nos nove coros de Anjos, dentre os quais escolhi como protetor o Príncipe e Paladino da Igreja Militante, São Miguel. E eu tenho toda a esperança neste Arcanjo a quem foi confiada a proteção especial do grande reino do Japão. Eu me dirijo diariamente a ele e a todos os Anjos da Guarda do Japão.'

Escreveu G. Huber em seu livro 'Mon Ange marchera devante toi'

- 'Nada lucraria o mundo moderno agindo como se a energia nuclear fosse um mito ou fosse uma ideia fixa de alguns fanáticos; pelo contrário, teria muito a perder. Assim também, muito tem a perder o cristão quando procede como se não fosse assistido em todos os seus caminhos por seres invisíveis amigos, mandados por Deus'

Escreve Afonso de Santa Cruz no livro 'Alguém está do meu lado', referindo-se ao pacto de amizade que convém façamos com nosso Anjo da Guarda:

- 'Após a promessa a teu Anjo, encontrarás a mesma casa e família, os mesmos amigos e colegas, as mesmas dificuldades e lutas, as mesmas alegrias e tristezas; enfim, nada mudará. Nada mesmo?... tu.'

Prossegue o mesmo autor:

- 'As coisas não mudam, mas nós é que passamos a dar-lhes outro sentido. Muda o nosso olhar. O Anjo mudará tudo em ti pelo simples fato de estar do teu lado. Não estarás mais só... já é uma mudança total em tua personalidade. Ele será testemunha sempre e de tudo. Tudo é realizado à luz do Anjo, na sua presença. Com o tempo, surgirão surpresas de belos pensamentos, contatos de luzes interiores e uma alegria do outro mundo. Até as relações humanas se projetarão na luz dos Anjos, daqueles, com os quais te comunicares.'

No dia 3 de outubro de 1958, o Papa Pio XII, poucos dias antes de seu falecimento, pronunciou uma alocução, da qual vale a pena ler o trecho abaixo:

- 'Ontem festejamos o dia dos Santos Anjos. Não disse Cristo, referindo-se ás crianças, sempre tão caras ao seu coração amoroso – ‘Seus Anjos contemplam sem cessar a face de meu Pai que está no Céu’?

E quando crescidas e adultas seus Anjos haveriam de abandoná-las? Sem dúvida que não! Ninguém é tão pequeno e tão insignificante que não tivesse Anjos para a sua proteção. Eles vos vigiam e guardam para que não vos afasteis de Cristo vosso Senhor (...). Nós queremos avivar vossos sentimentos de vivência fraterna e amiga para com os Anjos. Eles são sempre perseverantes em seu zelo por vossa salvação e santificação. Durante toda a eternidade – que Deus vo-la conceda – estareis unidos com eles em santa alegria. Começai já agora a conhecê-los!'

Este foi o conselho do Papa.

Qual será nossa resposta?..."

Fonte: MACINTYRE, Archibald Joseph. Os anjos, uma realidade admirável. 1986. Pg. 323-326.

MARIA SEMPRE!

domingo, 25 de dezembro de 2016

ENTRE JARDINS E GRUTAS SOMBRIAS


Por Prof. Pedro M. da Cruz

Um rei extraordinário em seu trono de marfim revestido de ouro fino,[i]cercado por milhares de cavaleiros, servido em taças do mais nobre metal! Um dominador supremo resguardado em seu palácio de cedro e cipreste maravilhosamente combinado com o mais límpido cristal! Banquetes, festas, cânticos ... Assim imaginavam - iludidos em sua ignorância e orgulho - muitos daqueles que aguardavam o “Rei dos Judeus”[ii]. 


Entretanto, quão impenetráveis são os juízos do Altíssimo e inexploráveis os Seus caminhos. Quem pode compreender os pensamentos de Deus?![iii] Indo à procura do Salvador, chamado, mesmo por anjos, “Senhor”[iv], o que encontraram os pastores? Maria, José e um menino deitado num cocho onde serviam comida aos animais[v]. 

Que Mistério desconcertante! Uma criança pobre, envolta em faixas numa gruta escura e suja, rodeada por animais, velada pelo olhar virginal da mãe - mas, que mãe!- e protegida pela virtude do pai – e, que pai! - tão justo e casto! “O mistério por seu próprio segredo desperta veneração.”[vi]

O filho eterno descera dos céus e deste não sentira saudades, pois sua Mãe, com sublimes encantos, compensava esplendores celestiais[vii]. Em Maria, aquela virgindade, pureza e graça sobrenaturais propagavam uma luz tão radiosa e imponderável, que somente Nosso Senhor era capaz de abarcá-la em sua totalidade. Ela era aos seus olhos, e numa medida só a Ele perceptível, seu amor, como também, seu jardim de delícias toda bela e graciosa[viii].

Temos ante os olhos duas realidades tão verdadeiras quanto paradoxais: uma exterior e natural, ao alcance de todo e qualquer observador; outra, por sua vez, interior e mística, da qual são capazes somente os que têm um coração dilatado pela graça. O olhar superficial pararia nas chamadas injustiças, mesquinharias, loucuras e fracassos de Belém. Todavia, aos olhares profundos e místicos, descortina-se imenso oceano de infinitas torrentes da sabedoria divina. Ali se encontram esplendor, grandeza e glória: realidades espirituais secretamente veladas. 

Este é um dos caminhos da Providência! Esconder pérolas preciosas em campos desvalorizados, a fim de que somente os puros e mais ousados possam encontrá-las: oculta em fatos, à primeira vista ordinários, verdadeiros tesouros jamais concebíveis em toda sua riqueza. 

De fato, é exatamente assim que se dá nas coisas de Deus: entrando, pelas brechas da vida, nos mais recônditos cantos da alma humana, acende ali um lume de verdade! Talvez para aquecer-se em um lugar mórbido e sombrio, ausente da graça... E vai, pouco a pouco, fixando aqui e acolá pequenas tochas de virtudes nos corredores escuros, secretamente interiores, inacessíveis aos outros mortais. Objetiva fazer com que o deserto de infelicidade ceda lugar a um vergel estupendo, povoado de maravilhas. 

O homem, mesmo em pecado, é sempre “desejo”. Perante a realidade mística que atua em sua alma, torna-se lhe impossível a total indiferença. Ainda que ao final da vida opte pelo absurdo de negar o Deus que o buscava em sua alma, jamais poderá negar esta realidade não poucas vezes lancinante. Neste misterioso processo de buscas e encontros entre Deus e o homem a novidade está sempre presente: sim, o Pai Celeste a todo tempo surpreende a alma humana. Isso para não ocorrer que “saciado o apetite, calce aos pés o favo de mel.”[ix]Desejando e saciando-se ininterruptamente o homem é sempre busca e gozo num Deus imenso. Aqueles que se deixam seduzir pelos encantos divinos, muitas vezes, sem o perceber, alcançam a graça de uma oração constante, como referida por São Paulo em uma de suas cartas.[x] Esta verdade não poderia passar despercebida ao Santo Bispo de Hipona (354-430) que em sua vida de mortificações e penitências escrevera “O teu próprio desejo é a tua Oração: e o contínuo desejo é uma constante oração.”[xi]

Voltemos, entretanto, ao foco inicial de nossa reflexão. Após havermos rapidamente percebido a confusão dos que encontraram a sagrada família em Belém, a sublime realidade escondida por detrás da pobreza que envolveu a vinda do Messias, e cogitado, mesmo que modestamente, sobre o mistério da ação Divina, detenhamo-nos num ponto de particular luminosidade, antes de encerrarmos nossa singela meditação.

Por que quis o rei dos reis nascer exatamente num estábulo, numa gruta? Por quê? “Mal podemos conhecer o que há na terra, e com muito custo compreendemos o que está ao alcance de nossas mãos”.[xii] Nos abismos da sabedoria divina, quanto mais se lançam os homens mais profundos eles ficam. Poderia o Pai Celestial haver preparado ao Seu filho unigênito ao menos uma casa minúscula, humilde? Sim! Poderia; mas, não o fez. À gruta sombria, marcada pela feiura, caberia prefigurar mui acertadamente as almas as quais o menino Deus fora enviado. A gruta suja, fétida, desconfortável, em meio à noite, povoada de animais... eis uma imagem gritante da alma humana decaída após o Pecado Original. Ei-la prefigurada aí, agravada por tantas faltas cotidianas e povoada por vícios, traumas, angústias e tantos outros sofrimentos. Ali quis encontrar abrigo o Salvador, porque, de fato, são os doentes que necessitam do médico.[xiii]

A Virgem Maria distinguia-se entre os seres humanos qual lírio de pureza entre os espinhos.[xiv] Por isso, torna-se compreensível que o Verbo Encarnado viesse primeiramente a ela em seu seio castíssimo. Cumpria-se assim de algum modo a justiça. [xv] Enterrava, deste modo, o antigo ato adâmico que colhera o fruto da desobediência daquela que era o extremo oposto da Virgem Mãe de Deus. Pudemos vislumbrar assim algo do que intentara o Divino Redentor antes mesmo de vir às grutas fétidas e infrutíferas das almas restantes.

Eis aqui, caro leitor, um dos motivos sublimes de o Bem-amado haver decido antes de tudo ao dulcíssimo jardim de sua alma virginal e imaculada; aos canteiros perfumados de suas virtudes elevadíssimas. Com este ato singular, exaltava, primeiramente, a nova Eva, já que a antiga mulher havia tido a primazia entre os seres humanos, porém no tocante ao castigo reparador. Além do que - reconheçamos - o novo Adão desejava colher os frutos das fidelidades marianas...

Não exageramos neste texto o triste estado das criaturas que jazem no pecado. Santa Teresa D’ávila (1515-1582) escrevera no mesmo sentido: “Não há trevas mais densas, nem coisa mais escura e negra: a tudo excede a sua escuridão”[xvi]. A Mãe de Deus era toda de seu filho e Ele todo dela! Naquela alma, qual jardim, Ele apascentava entre lírios... Enquanto isso, nas grutas brumosas de nossas almas pecadoras Ele deve lutar contra os animais indômitos de nossos vícios e más inclinações. Portanto, repitamos sem receios: a gruta de Belém é, nesta perspectiva, a prefiguração das almas pecadoras que, apesar de suas limitações, abrem-se gradativamente ao Verbo Encarnado que nos vem pelas mãos maternais de Maria Santíssima.

Há nestas moradas interiores, graças ocultas; graças que germinam quase que imperceptivelmente, mas que ali estão, serpenteando, predispondo seu hospedeiro ao lance súbito do amor divino. É bem verdade, o Senhor abusa de nossa ingenuidade, seduzindo-nos. Usa de força para conosco, dominando-nos. É realmente uma luta desigual...[xvii]

Ao reler o que escrevemos acima, parece-nos ouvir uma oração silenciosa da rainha celeste após seu “Fiat”. Perante ela, absorto em profunda veneração, encontra-se o anjo Gabriel, humildemente ajoelhado a reconhecer a grandeza daquela cujo excelso esplendor arrebata os próprios seres angelicais. Então, no silêncio de sua alma, a Virgem dá-nos a sublime impressão de exalar estas palavras: “Entre em Seu jardim meu bem amado; prove-lhe os frutos deliciosos.”[xviii]

Finalmente, peçamos a Nosso Senhor que nos seja possível, ao menos neste Natal, à imagem de sua Mãe, apresentarmo-nos quais jardins lacrados, com frutos e flores de virtudes; a fim de que possa dizer-se de nós ao menos sob algum aspecto o que fora escrito pelo Divino Espírito nas Sagradas Escrituras:

“És um Jardim fechado (...) uma fonte selada. (...) És a fonte de meu jardim, uma fonte de água viva, um riacho que corre do Líbano. Levanta-te, vento do norte, vem tu, vento do sul. Sopra no meu Jardim para que se espalhem os meus perfumes. (...) Entro no meu jardim (...) colho a minha mirra e o meu bálsamo, como o meu favo com o meu mel, e bebo o meu vinho com o meu leite. (...) O meu bem amado desceu aos canteiros perfumados, para apascentar em meu jardim e colher os lírios. (...) Ó tu que habitas nos jardins, faze-me ouvir a tua voz.” [xix]

Cremos haver nos estendido por demais nesta reflexão. No entanto, ao depararmos com o tema do Natal é quase impossível não nos encantarmos com tantos e tantos pontos de reflexão que pululam ante nossos olhos. Fixemo-nos portanto num último ponto final, o
mais importante: o divino infante deitado em sua manjedoura: Oh, Senhor! Meu céu, meu tudo! Tens sono? Sim, bem sei que tens... Estás cansado. Dorme em paz, dorme enquanto velo com a Virgem teu sono. Descansa de tantos crimes, tantas ofensas, que povoam o mundo. Tu que foste tão agravado, humilhado, esquecido, desprezado. Ninguém faz caso de tuas palavras, das tantas chagas que te cobrem o corpo crucificado. É com dor que reconheço: sois um Rei abandonado... Dorme meu Senhor, dorme meu menino, dorme. Ao menos neste natal, dorme! Mãe - digo-o baixinho, quase sussurrando - enquanto acaricias a fronte perfumada de teu Filho: peça por nós. Temos medo Senhora. Enquanto Ele dorme o mar está revolto. Seguramos dum lado, ferimo-nos de outro, as ondas avançam impiedosas sobre nós. Ai meu Deus! Oh, meu amor! Os homens nos abandonaram também. E quantos caem...quantos! Sorrindo enquanto afogam... É gritando, entre soluços e lágrimas, que suplico: Salva-nos!!! Salva-nos enquanto dormes ...

“...Jesús dormía, como de costumbre.(...) Tal vez no se despierte hasta mi gran retiro de la eternidad; pero esto, en lugar de entristecerme, me causa un contento grándísimo...”[xx] (Santa Teresinha de Lisieux).


MARIA SEMPRE!


[i] 1Reis 10,18
[ii] Mateus 2,2
[iii] Romanos 11,33-34
[iv] Lucas 2,11
[v] Lucas 2,16
[vi] GRACIAM,Baltasar.A arte da prudência.Trad. Davina Moscoso de Araujo.Coleção Auto- Estima. Rio de Janeiro, Sextante, 2006,93p
[vii] Afirmação em sentido poético utilizada por Michel Quoist para mostrar a grandeza da Virgem Maria: QUOIST, M. Poemas para rezar. trad. Lucas Moreira Alvez.25 Edição. São Paulo , Livraria Duas Cidades, 1970 206 p.
[viii] Cântico dos cânticos 7,7
[ix] Provérbios 27,7
[x] 1Tessalonicenses 5,17. “ Orai sem cessar.”
[xi] João Paulo II. Carta Apostólica sobre Santo Agostinho de Hipona. Documentos pontifícios. N.210.Petrópolis, Vozes, 1986.pg.37
[xii] Sabedoria 9,16
[xiii] Mateus 9,12
[xiv] Cântico dos cânticos 2,2
[xv] Cântico dos cânticos 6,2
[xvi] DE JESUS, Santa Teresa. Castelo interior ou Moradas. Trad. Carmelitas descalças do convento Santa Teresa. 3 Edição. Edições Paulinas, Rio de Janeiro,1984,pg.26
[xvii] Jeremias 20,7
[xviii] Cântico dos Cânticos 4,16
[xix] Trechos do livro Cânticos dos cânticos retirados dos capítulos IV – VIII. Santo Ambrósio de Milão, falando sobre este livro Bíblico escrevera: “Queres aplicar isso a Cristo? Nada mais agradável . Queres aplicar à tua alma? Nada mais doce.” ( Coleção Patrística. Número 5. Ambrósio de Milão. Tradução: Célia Mariana Franchi Fernandes da Silva. São Paulo, Paulus, 1996;pg .62 )
[xx] LISIEUX, Teresa de. Historia de un alma, manuscritos autobiográficos. Trad. Setién de Jesús María O.C.D. Colección Teresita. Segunda edição. Editorial Monte Carmelo, Burgos, 1978;pg.217

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

COMO TRATAR COM OS SUPERIORES?

Paulo III recebe as Constituições (Santuário de Loyola, Espanha)
“Nunca diga ao Superior, tratando com ele: isto ou aquilo é ou será bom assim; mas diga no condicional, se é ou se será.”

“A experiência, com o tempo, descobre muitas coisas; 
e inclusive elas mudam com o tempo.”

Nessa carta Santo Inácio escreve aos Jesuítas sobre o modo de representar aos superiores quando os subordinados achavam ser maior glória de Deus algo diferente do ordenado pelos superiores: tudo em ordem à perfeição da obediência. Poderemos observar como em tudo Inácio de Loyola conduz à humildade, inclusive no modo de os subordinados falar aos Superiores. O santo fundador experimentava desgosto com aqueles que vinham a ele com ideias formadas, sem a devida indiferença. Santo Inácio os chamava de modo aborrecido: “Decretistas”.

MODO DE TRATAR OU NEGOCIAR COM QUALQUER SUPERIOR
(Roma, 29 de Maio de 1555)

- Quem for tratar com algum Superior leve as coisas bem mastigadas e estudadas pessoalmente ou consultadas com outros, segundo forem de maior ou menor importância. Contudo, nas coisas mínimas ou de muita urgência, se não tem tempo para olhar e conferir, deixa-se à sua boa discrição se deverá ou não representá-las ao Superior sem tê-las consultado ou pensado muito.

- Assim assimiladas e bem pensadas, apresente-as dizendo: estudei este ponto pessoalmente, ou com outros, segundo for o caso; e pensei ou consideramos se seria bom assim ou assim. Nunca diga ao Superior, tratando com ele: isto ou aquilo é ou será bom assim; mas diga no condicional, se é ou se será.

- Uma vez colocadas assim as coisas, caberá ao Superior decidir ou esperar algum tempo para pensá-las, ou remetê-las àquele ou àqueles que as estudaram, ou nomear a outros para que as estudem ou decidam, segundo a coisa for mais ou menos importante ou difícil.

- Se à decisão do Superior ou àquilo que ele disser, replicar algo que lhe parecer bem, uma vez que o superior tornar a dar a sua decisão, não replique mais nem dê outras razões por enquanto.

- Depois que o Superior determinou uma coisa, se aquele que trata com ele sentir ou pensar com algum fundamento que seria melhor outra coisa, embora suspenda o sentir por enquanto, depois de três ou quatro horas ou no dia seguinte pode representar ao Superior se seria bom isto ou aquilo, conservando sempre tal modo de falar e tais palavras que não haja nem pareça haver nenhuma dissenção ou desacordo e calando diante do que for determinado naquela hora.

- Contudo, embora a coisa tenha sido já decidida uma e outra vez, depois de um mês ou mais tempo pode representar de novo o que sentir e achar da ordem dada; porque a experiência, com o tempo, descobre muitas coisas; e inclusive elas mudam com o tempo.

- Além disso, quem trata deve adaptar-se às disposições e qualidades naturais do Superior, falando claro e com voz inteligível e nos momentos oportunos, na medida do possível...” (Suprimimos o restante desta instrução contida na carta de Santo Inácio, pois tratam de normas administrativas sobre correspondência)


FONTE: CARDOSO, Armando. Cartas de Santo Inácio de Loyola. Vol. II. São Paulo: Edições               Loyola, 1990; p.137-138


MARIA SEMPRE!