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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

SOBRE A VISÃO ROMÂNTICA - PARTE II

 Leia a primeira parte aqui

Romantismo é a tendência a acentuar
a primazia do sentimento sobre o pensamento
Prof. Pedro Maria da Cruz

A partir de então, o homem passou a ser encarado em sua vida total. Mais que o entendimento e a vontade se impuseram o sentimento e a fantasia. Com isso, o Romantismo instalou sua pátria, predominantemente, na região artística, de maneira especial na região da poesia. Daí ter se encaminhado para uma direção irracional, em busca de um ‘viver-com-tudo’ que, ao mesmo tempo, aparece também como intuição intelectual que repele todo conceito definitivamente perfilado e acompanha a vida em seu devir que segue para o Infinito e desfaz, reiteradamente, toda forma. Excluindo e incluindo o irracional e o racional, isto é, espontaneidade, a novidade imprevisível e a força coordenadora e unificadora que tende a fazer de um caos um cosmos, o Romantismo deixa de ser um fato principalmente literário – e filosófico só por acessão – para se transformar num fato principalmente filosófico, onde não só a Literatura, mas também a Ciência, a Religião, a História se encontram conjugadas por um mesmo esforço para conquistar uma visão total da vida.”

“(...) As imagens fazem bem à alma, já se havia dito nos primórdios do Romantismo; a poesia é a realidade absoluta, se acrescentará depois. Ao irromper em seu mistério, os poetas buscavam a total harmonia com a natureza, impulsionados com intensidade pelas representações do inconsciente. Para isso aniquilaram as aparências temporais, apreenderam a existência imediata como uma vida para âmbitos noturnos e oníricos, aplicaram novos significados à revelação das sensações, e assim a poesia se converteu numa forma de conhecimento ‘mágico’ que relacionava estreitamente o circundante com a vida obscura do poeta. (...) A concepção ‘analógica’ entre universo e alma se fez a tal grau consciente que, em geral, precedia à aventura lírica. E isto ensejou uma impetuosa corrente universal que confiava sua inspiração ao sonho e à noite e que ajudou a criar o conceito moderno de arte. Nesse sentido, a poesia passou a ser a interpretação dos fenômenos e dos mistérios do universo, por que é uma série de gestos mágicos realizados pelo poeta que não conhece claramente sua significação, mas que acredita firmemente que esses ritos são os elementos de uma magia soberana. E precisamente nessa humanização do divino, nesse pressentimento do Infinito nas intuições – como queria Uhland – está a essência do romântico. 

Wonder - Zena contemplando a lua.
Pintura Moderna de Alex Grey
Era o Romantismo a vitória do indivíduo sobre a disciplina moral e intelectual do Classicismo, que transformara a cultura humana, desde o século XVI, num jogo de princípios invariáveis e regras inflexíveis dentro dos quais o espírito se movia com dificuldade, e quase sem autonomia. Uma vitória, porém, imersa num halo mórbido, pois as linhas nítidas do Classicismo são substituídas pelos entretons românticos; uma indecisa religiosidade, a atração pelos aspectos indolentes da natureza, pelos crepúsculos silenciosos e pelas ruínas verdejantes, e tranquilas, uma vaga piedade por todas as matérias da terra e, ao mesmo tempo, um descontentamento permanente de tudo quanto existe, assim como uma constante exaltação pelo desconhecido e pelos grandes sacrifícios e heroísmos. Dos nevoentos fiordes nórdicos emerge a enigmática máscara de Odin: é o mal do século... 

E o Brasil foi colhido em cheio pelo Romantismo, fazendo do garoento planalto paulista seu reduto (...).” 


Fonte: VITA, Luís Washington. Panorama da Filosofia no Brasil. COLEÇÃO CATAVENTO: Série Universitária. Porto Alegre: Editora Globo, 1969; págs. 48-60

MARIA SEMPRE!

quinta-feira, 21 de julho de 2016

SOBRE A VISÃO ROMÂNTICA - PARTE I


"O Romantismo não se define: sente-se"

Prof. Pedro Maria da Cruz


Livro aqui indicado
Luís Washington Vita (1921-1968) é conhecido no meio acadêmico como historiador culturalista da Filosofia no Brasil. Seu livro “Panorama da Filosofia no Brasil” (do qual apresentamos alguns parágrafos abaixo referentes ao Romantismo), apresenta em várias partes uma crítica superficial e infundada à posição filosófica da Igreja Católica, assim como, ao papel que exerceu a Idade Média na história mundial. De facto, nesse livro específico, o autor parece reduzir o todo medieval ao período de decadência da escolástica, a qual, excluída em muito de sua rota por vários autores, acabou propiciando o surgimento de erros modernos.

Para Luís W. Vita, o termo Renascença é apropriado “(...) para sugerir a sensação que o homem de Quinhentos teve de renascer com alentos e modos de vida espiritual que, de certo modo, se haviam interrompido ou atrofiado durante séculos.” (p.10) Ainda segundo o mesmo autor, de modo um tanto reducionista, a Contra- Reforma católica teria levado Portugal a um “obscurantismo propositado” (p.12), ou, usando outra frase do livro, o Concilio de Trento “(...) se limitara a tão-somente a reforçar a cinta de ferro com que a Igreja, em nome da religião, comprimiu o cérebro da catolicidade.” (p.12) Reconhece, devemos dizê-lo, o papel da Igreja na formação intelectual do Brasil, porém, todo o tempo, demonstra clara aversão à visão católica (chamada “tirania do Homo credulus”, p.11) o que está alinhado, cremos, às suas estranhas referências à maçonaria. 

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“O movimento de cultura, e por isso mesmo também filosófico, que nasce como uma reação ao iluminismo, é o Romantismo. No Brasil foi a primeira afirmativa de nossos valores mais caros, atuando como centros irradiadores as duas faculdades de Direito existentes na primeira metade do século XIX: a de São Paulo e a do Recife. Ao lado desses dois institutos de estudos superiores também atuam as lojas maçônicas.”

Símbolo da maçonaria. Condenada pela Igreja
“(...) É o momento em que viceja a maçonaria, não apenas multiplicando lojas propriamente ditas, a partir de 1800, como inspirando a formação de grupos interessados na difusão do saber e no culto da liberdade. 

‘Nesse tempo – informa Antônio Cândido – tais associações desempenharam não apenas funções hoje atribuídas aos agrupamentos partidários, mas algumas das que se atribuem ao jornalismo, às sociedades profissionais, à universidade: congregaram e poliram aos patriotas, serviram de público às produções intelectuais, contribuíram para laicizar as atividades do espírito, formularam os problemas do país, tentando analisá-los à luz das referências teóricas da Ilustração. Foi um toque de reunir para os homens interessados na cultura e na política, corroborando o ponto de vista de Hipólito da Costa num dos seus melhores ensaios, onde analisa a necessidade e função das ‘sociedades particulares’: elas correspondem a uma necessidade de organização social – pois a marcha da civilização está ligada à diferenciação da sociedade – e condicionam o próprio funcionamento do Estado, ao se interporem entre ele e os indivíduos cujas atividades definem e coordenam. ’

E tudo fluía – acadêmicos e maçons – numa atmosfera romântica.

Schelling (1775–1854)
Problema prévio apaixonante, e por isso mesmo controvertido, é o da definição do Romantismo. Já na sua origem, em 1801, afirmava Sébastien Mercier que ‘o romantismo não se define: sente-se’. Para alguns o Romantismo é uma constante espiritual do homem, contraposta ao Classicismo: é a tendência a acentuar a primazia do sentimento sobre o pensamento, da intuição sobre o conceito, do dinâmico sobre o estático, do orgânico sobre o mecânico, do alusivo sobre o presente, do expressivo sobre o plástico. Assim, romântico seria o dionisíaco enquanto que o clássico seria o apolíneo, e acompanha a humanidade desde sua gênese. A esta concepção se opõe a teoria historicista, que afirma ser o Romantismo uma forma de vida humana e, por isso, constitui uma etapa da História, isto é, um dos modos de ser do homem num dado instante de sua evolução. (...) admite Roger Picard, ainda que com algumas restrições, que o Romantismo ‘foi uma época histórica’, daí explicar-se sua integração com o movimento das ideias, das reivindicações e das lutas sociais. Quer isto dizer que mais que um momento da Filosofia ou da Arte, foi o Romantismo um momento da cultura europeia, que vai precisamente dos fins do século XVIII até a metade do século XIX, e que explica seus motivos mais característicos na sua reação ao Iluminismo, que o precede. Ao império da razão e das regras opõe a exaltação da genialidade e espontaneidade do espírito nos seus aspectos a-racionais, intuitivos, sentimentais, fideístas. E à Filosofia coube interpretar esse momento espiritual nos grandes sistemas de Fichte, Schelling e Hegel, nos quais é feita a tentativa grandiosa de mostrar a fecundidade de um princípio espiritual (respectivamente, Eu, Absoluto e Ideia), no qual se integra numa unidade todo o sistema do universo. Identificando os contrários, fundindo todos os aspectos da realidade e da cultura num princípio único, e defendendo a tese da igualdade essencial da Filosofia, da Ciência, da Arte e da Religião, encontrou o Romantismo seu filósofo máximo em Schelling, que lhe imprimiu o tom peculiar de sua forma mentis.


Continua aqui.


Fonte: VITA, Luís Washington. Panorama da Filosofia no Brasil. COLEÇÃO CATAVENTO: Série Universitária. Porto Alegre: Editora Globo, 1969; págs. 48-60


MARIA SEMPRE!

domingo, 26 de junho de 2016

RUSSELL NORMAN CHAMPLIN E CIA...


A Igreja Católica sempre defendeu a doutrina da intercessão dos santos.

“(...) destruímos os raciocínios presunçosos e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus. Obrigamos toda inteligência a obediência a Cristo”1

Por Prof. Pedro Maria da Cruz

Muitos estudiosos protestantes têm se aproximado pouco a pouco da fé católica. A coerência interna e a solidez da doutrina, guardada pela Igreja romana e confirmada por milagres incontestáveis, iluminam as inteligências humildes que não põem obstáculos à graça.

“Estão sempre aprendendo sem jamais
chegar ao conhecimento da verdade
”
Todavia, o coração empedernido coadjuvado por uma inteligência vigorosa, mas perdida numa selva de teorias estranhas - conhecidas, tão somente, por ceder ao “prurido de novidades”2 - pode até vislumbrar a “terra prometida” onde brilha a verdade; entretanto, jamais tomará posse dela em sua totalidade. Confuso entre mil visões diferentes e contraditórias encantar-se-á com um ponto luminoso, mas logo em seguida preferirá tal ou tal conclusão imperfeita para não ceder a nada nem a ninguém que lhe tire o gosto da multiplicidade de ideias, ainda que incoerentes.

Para o orgulhoso tal postura lhe confere certo status de pesquisador inflexível, segundo ele, muito acima do dogmatismo de crentes ignorantes, sem rigor epistemológico ou gosto pelos estudos. A ciência o incha e cega 3. Desse modo, torna-se incapaz de ver os absurdos a que muitos de seus raciocínios o conduzem se levados às últimas consequências. E não os vendo, continua a deleitar-se em suposições e ideias que abarrotam seu ego de auto complacência. “Estão sempre aprendendo sem jamais chegar ao conhecimento da verdade” 4.

Em meio às pesquisas que fizemos para o aprofundamento da fé, acabamos por deparar-nos, há tempos atrás, com a figura do professor Russell Norman Champlin (nascido em 1933, Salt Lake City, EUA), protestante de origem Batista. Ele parece ajustar-se em várias características apresentadas acima. Ademais, seus escritos acusam tendências espíritas, esotéricas, católicas e, obviamente, protestantes, para não citarmos outros aspectos. Uma verdadeira miscelânea de pensamentos, variados e desconexos entre si, os quais ele pretende harmonizar em conclusões desbaratadas. Tudo isso o torna mal quisto inclusive nos meios protestante, como é fácil deduzir.

Para conferirmos um pouco como Russell N. Champlin utiliza-se de argumentos católicos sem, contudo, inferir as devidas conclusões, acompanhemos seu texto abaixo:

Russell Norman Champlin-
 autor protestante
“Não é errado lembrar os heróis da fé; e também não é mister fazer cuidadosas distinções, entre os santos, quanto às denominações cristãs a que eles pertenceram. E apesar de não ser correto usar o termo “santo” para distinguir uma alma humana altamente desenvolvida, que se eleva acima de seus irmãos (tanto nesta vida quanto na outra), é indiscutível que há almas que estão acima das demais. Mas todas as pessoas remidas são santas, ou seja, foram separadas para o Senhor Deus, por estarem em Cristo; e todas essas pessoas merecem o epíteto.

Porém, tal como sucede nesta vida terrena, assim sucederá na existência após-túmulo; algumas almas remidas terão um grau mais elevado de transformação segundo a imagem de Cristo. É correto termos tais pessoas como objetos de admiração e emulação, pois nos servem de bons exemplos. Mas é um erro transformar tais pessoas em objetos de culto (...).

Assim afirmado, não nego que tais almas possam ajudar as outras, com base na comunhão dos santos. De fato, espero que assim suceda, porquanto precisamos de toda ajuda que pudermos obter tanto para promoção de nossa suficiência material quanto para a promoção de nosso progresso espiritual. Se anjos ministram àqueles que são os herdeiros da salvação (Heb.1,14), não vejo motivos para duvidar que os santos de Deus, já do outro lado da existência, tanto os maiores (assim reconhecidos) quanto os menores (nossos parentes e amigos crentes, etc.) possam prestar-nos sua ajuda, sem que para tanto tenhamos de prestar-lhes culto. (...) se um espírito remido chegar a mostrar interesse por minha vida, e eu puder detectá-lo, então poderei dizer-lhe: 'Alegro-me em vê-lo! Faça o que puder!'. Em outras palavras, creio que tais espíritos podem ministrar, da mesma forma que o fazem os anjos. Ocasionalmente, ouve-se o relato de alguma cura especial, operada por um espírito, dentro dos limites de uma família. Nesse caso, Deus pode ter enviado tal espírito como seu delegado e todos os delegados de Deus são bem vindos. Nem por isso, entretanto, devo prostrar-me a venerar os delegados de Deus. Acredito que o amor entre os membros de uma família continua para além da morte biológica; e que o amor pode cruzar as fronteiras entre o céu e a terra, realizando muitos feitos notáveis (...) “5 (CHAMPLIN, R.N.,1995)

Suplicamos a Nossa Senhora que interceda por todos que buscam a verdade. É preciso coragem para abandonar antigas negociatas, reconhecer-se equivocado e submeter a inteligência à verdade que exige o obséquio da razão. Ora - afirmara Santo Tomás de Aquino - algo é tanto mais compreendido pela razão quanto o contrário é mais grave e mais repugnante a ela; sendo assim, cabe a nós mostrar também a feiura do erro e o absurdo de suas afirmações. Desse modo, auxiliados pela intercessão da Virgem e socorridos por nosso esforço missionário (tudo isso, junto aos imperscrutáveis lances da Divina Providência), não poucos verão o brilho da verdade e, convertidos, dirão “sim” à única e verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo: Católica, Apostólica e Romana.


MARIA SEMPRE!

Referências:
1) IICor. 10, 4-5 
2) IITm 4,3 
3) ICor. 8,1 
4) II Tm.3,7 
5) CHAMPLIN, R.N.; BENTES, J.M.. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 3 ed. Volume VI. Editora Candeia, São Paulo, 1995; págs. 117-118

domingo, 15 de novembro de 2015

MANIQUEÍSMO: A RELIGIÃO GNÓSTICA

No maniqueísmo, o mundo teria dois princípios contrários , um bom e outro mau

“Mani, depois de duas ‘revelações’, recebida aos 12 e aos 24 anos de idade, por meio do anjo (...) convenceu-se de que Deus o escolhera para anunciar ao mundo a verdade.”

“A salvação consistirá, pois, em tomar conhecimento (gnose) de nossa origem celeste e em libertar-nos dos laços da matéria.”

“(...) Deus tentará libertar a ‘alma divina’, isto é, libertar-se a si mesmo
do processo evolutivo da matéria.”


Por Editores do Blog

É comum a muitas religiões a ideia de “libertação” (Religiões de Libertação), que supõe encontrar-se o homem colocado em uma situação degradante ou ao menos constrangedora, e se propõe libertá-lo da mesma mediante certos meios éticos ou técnicos. Esse é o caso do Maniqueísmo, que chegara a seduzir ao próprio Agostinho de Hipona, antes de sua conversão ao catolicismo. Em se tratando de curiosidades: o Cristianismo é classificado habitualmente entre as Religiões de Salvação, segundo o Pe. Waldomiro O. Piazza, autor do texto que apresentamos abaixo.

A RELIGIÃO DE MANI

A mais característica das religiões de ‘libertação’ é o ‘maniqueísmo’, fundado por Mani (Manes, Maniqueus), personagem histórico, nascido no início do século terceiro de nossa era, em um vilarejo perto de Babilônia (215-275, em Ctesifonte). Como movimento religioso, tem raízes mais profundas, que se prendem ao dualismo irânico e ao orfísmo grego, com eventuais tinturas cristãs.

Mani, fundador do maniqueísmo
Mani, ao que tudo indica, fez parte do grupo dos mandei, chamados também ‘batizadores’, seita religiosa do Iraque e do Irã meridional, que foi conhecida no passado como ‘cristãos de João Batista’ (At.19,3), talvez porque davam especial importância às abluções rituais. O termo manda, designa os textos rituais da chamada ‘cabana do culto’, recinto fechado onde se encontrava um pequeno lago com água corrente para os fins rituais do batismo. Alguns textos eram reservados aos ‘sacerdotes’ batizadores: contêm interpretações místicas do universo e da divindade, por meio de dois princípios complementares, um chamado ‘Pai’ e outro a ‘Mãe’, o primeiro criador e ativo, o segundo recebedor e passivo. O ‘Pai’ é puro espírito, a ‘Mãe’ é matéria. A união mística dos dois elementos dá origem ao ‘homem cósmico’, também chamado ‘homem primordial’ (Urmensch), de cujos membros é feito o mundo material e cuja coroa é o mundo divino. Cada homem repete no microcosmo esta concepção macrocósmica do homem primordial. 

Mani, depois de duas ‘revelações’, recebida aos 12 e aos 24 anos de idade, por meio do anjo at-Taum (o companheiro), ou do Espirito Santo, conforme outra versão, convenceu-se de que Deus o escolhera para anunciar ao mundo a verdade. Descendente de um príncipe iraniano, cuja família se estabelecera na Mesopotâmia, começou a pregar na Índia, no atual Belecistan, e depois na corte do imperador Shapur, do Irã, onde foi bem acolhido, e daí irradiou a sua doutrina, mas não conseguiu torná-la oficial do império. Por morte de Shapur, assumiu o imperador Bahran que, instigado pelos ‘magos’, lançou Mani na prisão, onde ele morreu aos 60 anos de idade.

Mani anunciou que era o último sucessor de uma longa série de mensageiros divinos, a começar de Adão, passando por Zoroastro, Buda e Jesus. Considerou-se o ‘profeta sublime’, o ‘iluminado’ pelo Paráclito, prometido por Cristo, a fim de anunciar o fim do mundo.

Sua pregação tem três características:

- é universal: a igreja de Mani não se dirige só aos habitantes do Irã, como a de Zoroastro, nem só ao Oriente, como Buda, nem só ao Ocidente, como Jesus (Sic.), mas é uma verdade total que se dirige a todos os homens.

- é uma pregação missionária: que obriga todos os seus membros a operar a conversão do próximo...

- é uma ‘religião do livro’: Mani atribui a ruína das religiões passadas ao fato de não terem sido ‘escritas', e por isso empenhou-se em escrever ele mesmo a sua doutrina, deixando-nos sete livros ‘canônicos’...

- por fim, é uma religião sincretista: pois reúne elementos de outras religiões, como do budismo e do cristianismo, sem falar do dualismo persa.

Sua doutrina é fundamentalmente ‘gnóstica’, pelo fato de ensinar que a salvação consiste em uma progressiva ‘libertação’ do espírito humano da condição material, sem intervenção de uma ‘graça divina’...

Ensina que no início de tudo estão dois princípios contrários, um bom e outro mau, um todo luz e outro todo trevas, que lutam entre si.

Representação artística do dualismo presente no maniqueísmo
Em uma primeira fase, o ‘reino do bem’, tendo à frente o ‘Pai’ com seus ‘leões’ e as ‘cinco habitações’ lutam em uma região de essências abstratas contra o ‘reino do mal’, chefiado pelo ‘príncipe das trevas’ com seus ‘archontes’, ‘demônios’ e ‘cinco abismos’. 

Em uma segunda fase, Deus resolve combater pessoalmente contra o mal e faz entrar no campo da luta a sua ‘alma’, personificada no ‘homem primordial’. Mas este é vencido, atirado ao abismo e os seus cinco filhos, que constituem a sua armadura luminosa, são devorados pelos demônios. Desta forma, uma parte da substância luminosa, isto é, da ‘alma divina’, mistura-se com a obscuridade da matéria e lhe fica sujeita. Daqui em diante, Deus tentará libertar a ‘alma divina’, isto é, libertar-se a si mesmo do processo evolutivo da matéria. Para tanto, envia ao mundo um novo ser, o ‘amante da luz’, que emana do ‘grande arquiteto’, o qual, por sua vez, gera o ‘espírito vivente’. Com o seu auxilio, o ‘homem primordial’ dilacera as trevas que o cercam e sobe à ‘pátria celeste’. Com o auxilio do ‘espírito vivente’, põe-se a ordenar o mundo material, libertando as ‘partículas’ de luz, misturadas com as trevas. Mas a matéria, temendo ficar sem ‘vida’, concentra toda a ‘luz’ que lhe resta em dois seres novos, um masculino, ‘Adão’, e outro feminino, ‘Eva’. Por isso, a descendência de Adão e Eva leva em si mesma a contradição desta luta, entre a luz e as trevas.

Em uma terceira fase, depois de uma calamidade apocalíptica, segue-se o Juízo final. As ‘partículas de luz’, que ainda se possam salvar, subirão ao céu. O mundo será aniquilado e os demônios sepultados em um grande túmulo. A salvação consistirá, pois, em tomar conhecimento (gnose) de nossa origem celeste e em libertar-nos dos laços da matéria. Os que praticarem uma ascese rigorosa, principalmente uma castidade integral, conhecerão a paz do nirvana. Os outros terão de renascer, para, através de várias transmigrações, purificar-se completamente da matéria e de sua concupiscência. 

Daí a rigorosa ascese maniqueísta: não gerar, não fornicar, não possuir, não cultivar, não colher, não comer, não beber vinho... ascese que inspirou alguns movimentos sectários dentro do cristianismo, como os priscilianos, os cátaros, e influiu grandemente na ascese da Idade Média. Como só poucos podiam praticar uma ascese tão rigorosa, Mani previu que a grande massa dos aderentes podia salvar-se sustentando os ‘perfeitos’ com seus recursos financeiros. 

A religião de Mani alcançou notável sucesso e, apesar de perseguida pelos Sassânidas, que declararam o Masdeísmo religião oficial, constituiu sério problema para o cristianismo, pois lançou muita confusão sobre os seus dogmas. Depois do século IV começou a declinar e desapareceu como movimento religioso independente.

Fonte: PIAZZA, Waldomiro. Religiões da Humanidade. 2ª ed. São Paulo: Loyola, 1991; p.                    227-229. (O negrito é nosso)



MARIA SEMPRE!



segunda-feira, 27 de julho de 2015

IMAGEM DE SATANÁS EXPOSTA NO EUA


Imagem de Baphomet
 ladeada por duas crianças
Por editores do blog

O mundo parece caminhar a passos largos para um sempre mais vergonhoso estado de apostasia. É sabido por muitos o triste fato ocorrido nos Estados Unidos da América: Uma Imagem de Baphomet, símbolo do Satanismo, foi exposta para apreciação popular (25/07/2015 - Detroit).

Houve tempo em que a filosofia do evangelho reinava em todos os espaços e instituições de modo louvável. Hoje em dia, onde o laicismo impera e o relativismo parece ter seu trono erguido em incontáveis corações, estes tempos áureos mais parecem um sonho longínquo pronto a perder-se nas trevas do esquecimento. Nós, pela fé, alimentamos a certeza de que a sociedade cristã será restaurada por católicos valorosos que, auxiliados pela graça e genuflexos aos pés da Santíssima Virgem Maria, varrerão da Terra todos os indícios do satanismo e instaurarão o reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nossa Senhora esmaga a cabeça da serpente,
um dos símbolos baldeados pelo satanismo.

Rezemos pela conversão de todos os homens e pela mais completa ruína de Satanás! Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria! Nós temos confiança em Vós!


MARIA SEMPRE!


domingo, 3 de maio de 2015

MATRIMÔNIO E CELIBATO:REFLEXÃO


O  matrimônio e o celibatos são abençoados por Deus através da Igreja Católica

Por editores do blog


Joviniano - Herege do fim do séc. IV
TESE. A Igreja Católica afirma como uma verdade que o estado de celibato é mais excelente que o matrimonial 

“937. Explicação. – Entendemos por estado de celibato, não o simples facto de não contrair matrimônio, mas a razão de o deixar para melhor praticar a virtude. Afirmamos que é mais excelente e perfeito esse gênero de vida, comparado com o matrimonial, prescindindo do facto concreto se é preferível para muitos o casar-se e de que muitos casados sejam mais perfeitos.

938. Adversários. - Joviniano [1] no século IV, os protestantes e muitos modernos que não sentem em uníssono com a Igreja.

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Katharina Von Bora (1499-1552)
Freira apóstata que veio a ser
esposa de Martinho Lutero
Para Martinho Lutero (1483-1546), fundador do protestantismo - o qual abandonara seu voto de celibato para casar-se com um freira apóstata, Katharina Von Bora (1499-1552) - o matrimônio, ainda que seja o estado mais comum, é mais nobre que o celibato. Segundo ele, o casamento é cem vezes mais nobre que o próprio estado monástico. Para Lutero, o celibato seria uma “peste”, mesmo diante da evidente postura de São Paulo a respeito da superioridade da virgindade em relação ao casamento. Todavia, jamais combateu a virgindade em sí mesma. “No principio ele considerava a virgindade superior ao matrimônio; depois considerou-os iguais e, por fim, pôs o matrimônio acima da virgindade. Todavia, em certo sentido, ele conservou sentimentos de monge, até o fim, pois em 1540 louvava ainda a virgindade como descida do céu, como uma joia de ouro, como um adorno precioso.” 


FONTE: BARTMANN, Bernardo.Teologia Dogmática. VOL. III - Sacramentos e Escatologia.SP: Paulinas,1964; p.393 e 401 
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QUAIS PROVAS PODEM SER APRESENTADAS EM FAVOR DA TESE CATÓLICA?

939. A) Tradição. – ‘Se alguém disser que é preferível o estado matrimonial ao de virgindade ou de celibato, e que não é melhor e mais ditoso permanecer no estado de virgindade ou de celibato do que unir-se em matrimônio, seja anátema.’[2]

940. B) Escritura. – 1. Tendo Jesus dito aos Apóstolos que o matrimônio é indissolúvel retorquiram-lhe estes: ‘Se é assim... é preferível não casar. Respondeu-lhes Jesus: Nem todos compreendem esta palavra, mas só aqueles a quem Deus o dá a entender. Há quem voluntariamente renuncia ao matrimônio (eunucos) para conseguir o reino dos céus. Quem for capaz de compreender, compreenda’ (Mateus 19,10 ss). Portanto, segundo este testemunho de Cristo abster-se do matrimônio pelo reino dos céus é um favor ou graça de Deus.

São Jerônimo (347 - 420)
Defendeu contra Joviniano
a superioridade do celibato.
2. Se ‘estais sem mulher, não procures tê-la. Se a tomas, não pecaste... Quem liga pelo matrimônio a virgem que está a seu cuidado procede bem, mas quem a não ligar procede melhor.’(I Coríntios 7,27,28 e 38)

3. Diz São João no Apocalipse que no céu ‘as almas virgens seguem o Cordeiro para toda parte e cantam um cântico que só elas podem cantar’ (Apocalipse 14,3-4).

Quer a palavra virgens signifique o que por ela entendemos correntemente quer signifique os que não se afastaram do verdadeiro Deus, nem da sua doutrina como se entendem algumas vezes na Escritura, o que é certo é que a virgindade é preferida ao matrimônio, visto que se apresenta, mesmo no segundo caso, como modelo de fidelidade a Deus.”

FONTE: BUJANDA, J. Manual de Teologia Dogmática. Trad. Dionísio de O., SJ. 3º Ed. Porto: Apost. da Imprensa, 1958; p. 574-575


MARIA SEMPRE!


[1] Monge italiano que, cerca de 388, ensinou em Roma, depois em Milão, morrendo em 412. Ele abandonou a vida monástica e defendeu contra São Jerônimo, o que mais tarde os protestantes diriam: Que a virgindade não é superior ao matrimônio. 

[2] Concilio de Trento, ses.24,cân.10.D.981. (A expressão “seja anátema” costuma ser usada quando se pretende indicar uma doutrina como herética. Essa expressão ou fórmula, no entanto, não é usada tão somente para condenar uma doutrina como herética ou oposta à revelação, mas também para punir com a excomunhão a inobservância de algum preceito, ou até de algum erro teológico que pode não ser heresia.)

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

PUGNA: Espiritismo - Um Terrível Veneno


“Não se achará entre vós quem interrogue os mortos, porque aquele
que pratica tais coisas é abominável aos olhos do Senhor.” (Dt. 18,11)


Postado por blog Escritos Católicos [1]


"Em vários ambientes encontra-se presente uma mentira que se oculta sob a aparência de verdadeiro cristianismo: a doutrina espírita.

Católicos, muitas vezes por razões emocionais (quiçá geradas pela morte de um ente querido), se deixam levar por tal sorte de ensinamentos. Famílias inteiras, sob o pretexto de ganharem a paz e receberem supostas mensagens do “além”, colocam em risco a salvação de suas almas. Por isso, caríssimo leitor, urge-nos afirmar, desde o início deste boletim, a total incompatibilidade dos ensinamentos espíritas com a fé católica.

COMUNICAÇÃO COM OS MORTOS

Segundo a doutrina espírita, os espíritos são seres humanos desencarnados que “através dos médiuns podem comunicar-se com o mundo material”[1]. Em contrapartida, para a doutrina católica, quando as pessoas morrem, suas almas são separadas dos seus corpos (não “desencarnadas” no sentido espírita).

Mas, é possível que uma alma separada venha a comunicar-se com os vivos? Habitualmente não! Não é comum que os mortos se comuniquem conosco. Mas é possível. Deus, por um milagre, pode autorizar extraordinariamente este tipo de comunicação (são raríssimas situações. Lembremo-nos das aparições dos santos).Uma alma do purgatório, para citarmos outro exemplo, poderia (se Deus assim o quisesse e não por evocação como ocorre no espiritismo) manifestar-se a alguém pedindo-lhe orações.


(...) continua no link da imagem seguinte, clique-o para ler o texto completo: 


Visualize e baixe o boletim
                             
                                  †††

  [1] NOTA DO EDITOR: 

Prezados leitores, estamos divulgando os boletins "Pugna" que a Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM publica para conhecimento, defesa e propagação da fé católica. Visualize nossos boletins já publicados em pagina própria, "Boletins Pugna" - cabeçalho superior deste blog. 

Façamos apostolado, por amor a Cristo, a Virgem e a Santa Igreja!

†

MARIA SEMPRE!

terça-feira, 1 de julho de 2014

MEUS PROFESSORES MENTIRAM...


S. Domingos  de Gusmão defendendo a fé católica
contra o catarismo.


Prof. Rafael Maria da Cruz

Prezados leitores, segue abaixo uma breve exposição referente à heresia cátara que tanto mal fez à Igreja e à sociedade civil. Chamamos a atenção dos senhores sobre o fato lastimável de vários professores mal formados ou maliciosos haverem nos privado das terríveis características desta seita gnóstica e apresentado a Igreja Católica como a "vilã da história", cruel e manchada de sangue inocente. 

Os parágrafos seguintes, cremos, bastarão para termos o mínimo de noção da periculosidade desta seita atacada primeiro pela sociedade civil e depois, a pedido desta, pela mão zelosa da Igreja. Os mais lúcidos saberão criticar com prudência os excessos daqueles que agiram em nome da Igreja mas que muitas vezes não se deixaram conduzir pela sabedoria milenar desta mesma instituição. Boa leitura.



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OS ALBIGENSES 

“Do antigo fermento do gnosticismo que tinha envenenado por tanto tempo os primeiros séculos da Igreja, havia germinado uma seita perigosa. Habilmente explorada por espíritos inquietos e ambiciosos aos quais irritavam a riqueza e o poder da Igreja, havia ela invadido pouco a pouco o norte da Itália, a Provença, o Delfinado e o Languedoc, e aí tomou o nome sob que é mais conhecida: o Albigeísmo, da cidade de Albi, capital de seus sectários. Era a heresia cátara, ramificada sob os nomes diversos de seitas irmãs: Publicanos, Búlgaros, Valdezes, Pobres de Lyon, Patarins e Albigenses. 

No Languedoc sob o céu enervante do sul, onde tudo falava de vida fácil e voluptuosa, ela fez em breve grandes progressos. Suas doutrinas eram um perigo para sociedade não só pelos princípios que enunciavam como pelas desordens e sedições que suscitavam. Proibiam todo contato com a matéria, emanada do princípio mal, e condenavam o casamento, fonte da sociedade, permitindo embora, a seus sectários, a prática das mais vergonhosas orgias. 

Negadores da base de toda ordem, atacavam tanto a autoridade do poder secular como a da Igreja. Os sectários que tinham recebido o consolamentum, espécie de batismo espiritual, para evitar recaírem no pecado, condenavam-se ao suicídio, deixando-se morrer de fome, tomando veneno ou vidro moído, ou abrindo as veias. E se um consolado recusava suicidar-se, era proibido à sua família nutri-lo; viu-se assim filhos deixarem morrer de fome seus pais e pais deixarem perecer de inanição seus filhos. 

Ao passo que para o cristão toda prova, toda tentação mesmo, é um meio de santificação, e a vida tem um preço infinito porque ela permite ganhar o céu – para o maniqueu ou albigense, a vida espiritual não pode existir nesta terra, porque alma é prisioneira num corpo que é obra de Satanás. O suicídio é a conseqüência lógica de tal sistema: já que o corpo é uma prisão, é preciso sair dela; já que a vida é um mal, é necessário destruí-la. 

Usando de todos os meios para espalhar seus erros, acharam amigos e partidários não só entre os leigos como até entre o clero, mas foram sobretudo os representantes da alta aristocracia feudal que se tornaram seus defensores. 

Batalha de Muret 1213, realizada contra as barbáries
 praticadas pelos Albigenses.
Muitos dos príncipes os mais poderosos, como os Condes Raimundo VI e VII de Tolosa, os Viscondes de Béziers, os Condes de Bearn, d’Armagnac, de Foix e de Comminges, os tomaram abertamente debaixo de sua proteção. Era raro mesmo encontrar entre eles um homem do povo, operário ou camponês. A seita recrutava-se entre a aristocracia e a burguesia. (...) Bem disse Bossuet: ‘A heresia cátara ameaçava a terra de uma conflagração geral’(...) Foi certamente pensando em todos esses excessos e nas doutrinas fanáticas que os haviam inspirado que num momento de sinceridade, um dos inimigos da inquisição, Lea, fez a seguinte interessante confissão: 'Por mais horror que nos possa inspirar os meios empregados para combatê-los, por mais compaixão que devamos sentir por aqueles que morreram vítimas de suas convicções, reconhecemos sem hesitação que A CAUSA DA ORTODOXIA NÃO ERA SENÃO A MESMA QUE A DA CIVILIZAÇÃO E DO PROGRESSO. Se o catarismo houvesse dominado, ou mesmo emparelhado com, o catolicismo, não é duvidosos que a sua influência teria sido simplesmente desastrosa’. [i]

Compreende-se agora porque os príncipes do século XI e XII foram mais enérgicos do que os bispos e os papas na repressão da heresia e porque eles não cessaram de atiçar nesse ponto o zelo da hierarquia eclesiástica (...). ”


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FONTE: OTTONI, Pio Benedito. A Inquisição.7ª edição, Gráfica Jacyra: Niterói, 1964, p.18-24


MARIA SEMPRE! 


[i] Lea, Histoire da l’Inquisition I, p. 120. (Nb.: O itálico e o negrito são nossos.) 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

MARTINHO LUTERO E OS ANTOLHOS



Por Leonardo Nunes


Diversas são as linguagens utilizadas, mas uma só é a palavra anunciada. Lutero foi um cara que descobriu como por antolhos na cabeça de muita gente e até hoje continuam sendo utilizados. 

Mas o que são antolhos? Antolhos são viseiras que são colocadas na cabeça dos cavalos para serem guiados mais tranquilamente sem o risco daqueles se assustarem com possíveis vultos no meio do percurso. Veja que são os cavalos que usam, porque quem guia sabe exatamente aonde vai. Mas o que eu quero dizer? 

Não há dúvidas de que existe linguagem visual ou imagética, linguagem oral, linguagem escrita, linguagem verbal, não verbal, de programação, linguagem corporal, musical e uma série de outras que eu não me lembro ou desconheço, são tantos tipos de linguagem que Lutero, nosso "desbravador", resolveu então facilitar a vida do seus seguidores evitando que eles vissem o que ocorria a sua volta (para não se assustarem). A partir de então só a linguagem escrita tornou-se válida, e um novo conceito foi criado: "Deus só fala por meio da palavra escrita, o que Jesus disse só vale se estiver escrito, o que os apóstolos fizeram só é relevante se estiver escrito, a sagrada Tradição é irrelevante pois eu só enxergo aquilo que está escrito, inclusive só vou me comunicar com meus filhos e familiares por meio de cartas, nada de fotos, nada de comunicação por meio da arte, escultura nem pensar, nada de palavras faladas, só escritas, e ai de Deus se ele tentar falar por outro meio que não seja a palavra escrita". 

E Lutero disse: "Façamos assim" e assim foi feito, façamos porque com certeza ele não fez sozinho! E Lutero se foi, mas até hoje "continua entre nós", guiando seu povo... Pois é! Já que os olhos estão tapados, parece que as pessoas precisam abrir bem os ouvidos para realmente ouvirem a voz do verdadeiro e único Pastor e entender que a bíblia toda fala de Cristo, que a Igreja fala de Cristo, que a Santa Tradição fala de Cristo, que os Santos falam de Cristo e que Deus fala conosco através de cada uma dessas linguagens utilizadas para anunciar uma única Palavra: o Cristo.