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quinta-feira, 29 de junho de 2017

O RESPEITO DEVIDO AOS SACERDOTES –------ SANTA CATARINA DE SENA -------

"Quem vos obriga a respeitá-los é o ministério do sangue de Jesus Cristo"
"Filha querida, ao manifestar-te a grande virtude daqueles pastores, quero colocar em evidência a dignidade dos meus ministros. Pelo pecado de Adão, as portas da eternidade fecharam-se, mas o meu Filho abriu-as com a chave do seu sangue. Ao sofrer a paixão e morte, ele destruiu vossa morte e vos lavou no sangue. Sim, foram seu sangue e sua morte que, em virtude da união da natureza divina com a humana, deram acesso ao céu. E a quem deixou Cristo tal chave? Ao apóstolo Pedro e a seus sucessores, os que vieram e que virão depois dele até o dia do juízo final. Todos possuem a mesma autoridade de Pedro; nenhum pecado a diminui, do mesmo modo que não destrói a santidade do sangue de Cristo e dos Sacramentos. Já disse que o sol eucarístico não tem manchas e que o mal cometido por quem o administra ou recebe não apaga sua luz. Não, o pecado não danifica os sacramentos da santa Igreja, não lhes diminui a força; prejudica a graça e aumenta a culpa somente em quem os ministra ou recebe indignamente.

Na terra, quem possui a chave do sangue é o Cristo-na-terra. Certa vez eu te manifestei essa verdade numa visão, para indicar o grande respeito que os leigos devem ter pelos ministros, bons ou maus que eles sejam, e quanto me desagrada que alguém os ofenda. Pus diante de ti a jerarquia da Igreja sob a figura de uma dispensa contendo o sangue de meu Filho. No sangue estava a virtude de todos os sacramentos e a vida dos fiéis. À porta daquela despensa, vias o Cristo-na-terra, encarregado de distribuir o sangue e fazer-se ajudar por outros no serviço de toda a santa Igreja. Quem ele escolhia e ungia, logo se tornava ministro. Dele procedia toda a ordem clerical; ele dava a cada um sua função no ministério do glorioso sangue. E como dispunha dos seus auxiliares, possuía a força de corrigi-los nos seus defeitos.

De fato, é assim que eu quero que aconteça. Pela dignidade e autoridade confiada a meus ministros, retirei-os de qualquer sujeição aos poderes civis. A lei civil não tem poder legal para puni-los; somente o possui aquele que foi posto como senhor e ministro da lei divina.

Os ministros são ungidos meus. A respeito deles diz a Escritura: “Não toqueis nos meus cristos” (Sl 105, 15). Quem os punir cairá na maior infelicidade. Se me perguntares por que a culpa dos perseguidores da santa Igreja é a maior de todas e, ainda, por que não se deve ter menor respeito pelos meus ministros por causa de seus defeitos, respondo-te: porque, em virtude do sangue por eles ministrado, toda reverência feita a eles, na realidade não atinge a eles, mas a mim. Não fosse assim, poderíeis ter para com eles o mesmo comportamento de praxe para com os demais homens. Quem vos obriga a respeitá-los é o ministério do sangue. Quando desejais receber os sacramentos, procurais meus ministros; não por eles mesmos, mas pelo poder que lhes dei. Se recusais fazê-lo, em caso de possibilidade, estais em perigo de condenação. A reverência é dada a mim e a meu Filho encarnado, que somos uma só coisa pela união da natureza divina com a humana. Mas também o desrespeito. Afirmo-te que devem ser respeitados pela autoridade que lhes dei, e por isso mesmo não podem ser ofendidos. Quem os ofende, a mim ofende. Disto a proibição: “Não quero que mãos humanas toquem nos meus cristos”!

O valor do sacerdócio provém do
 próprio Nosso Senhor Jesus Cristo
Nem poderá alguém escusar-se, dizendo: “Eu não ofendo a santa Igreja, nem me revolto contra ela; apenas sou contra os defeitos dos maus pastores”! Tal pessoa mente sobre a própria cabeça. O egoísmo a cegou e não vê. Aliás, vê; mas finge não enxergar, para abafar a voz da consciência. Ela compreende muito bem que está perseguindo o sangue do meu Filho e não os pastores. Nestas coisas, injúria ou ato de reverência dirigem-se a mim. Qualquer injúria: caçoadas, traições, afrontas. Já disse e repito: não quero que meus cristos sejam ofendidos. Somente eu devo puni-los, não outros. No entanto, homens ímpios continuam a revelar a irreverência que têm pelo sangue de Cristo, o pouco apreço que possuem pelo amado tesouro que deixei para a vida e santificação de suas almas. Não poderíeis ter recebido maior presente que o todo-Deus e todo-Homem como alimento. Cada vez que o conceito relativo aos meus ministros não coloca em mim sua principal justificativa, torna-se inconsistente e a pessoa neles vê somente muitos defeitos e pecados. De tais defeitos falarei em outro lugar. Mas quando o respeito se fundamenta em mim, jamais desaparece, mesmo diante de defeitos nos ministros; como disse, a grandeza da eucaristia não é diminuída por causa dos pecados. A veneração pelos sacerdotes não pode cessar; se tal coisa acontecer, sinto-me ofendido.



Santa Catarina de Sena, “O Diálogo” Cap. 28. Paulus, 9ª edição, SP, 2005 p. 237-240













MARIA SEMPRE!

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

COMO TRATAR COM OS SUPERIORES?

Paulo III recebe as Constituições (Santuário de Loyola, Espanha)
“Nunca diga ao Superior, tratando com ele: isto ou aquilo é ou será bom assim; mas diga no condicional, se é ou se será.”

“A experiência, com o tempo, descobre muitas coisas; 
e inclusive elas mudam com o tempo.”

Nessa carta Santo Inácio escreve aos Jesuítas sobre o modo de representar aos superiores quando os subordinados achavam ser maior glória de Deus algo diferente do ordenado pelos superiores: tudo em ordem à perfeição da obediência. Poderemos observar como em tudo Inácio de Loyola conduz à humildade, inclusive no modo de os subordinados falar aos Superiores. O santo fundador experimentava desgosto com aqueles que vinham a ele com ideias formadas, sem a devida indiferença. Santo Inácio os chamava de modo aborrecido: “Decretistas”.

MODO DE TRATAR OU NEGOCIAR COM QUALQUER SUPERIOR
(Roma, 29 de Maio de 1555)

- Quem for tratar com algum Superior leve as coisas bem mastigadas e estudadas pessoalmente ou consultadas com outros, segundo forem de maior ou menor importância. Contudo, nas coisas mínimas ou de muita urgência, se não tem tempo para olhar e conferir, deixa-se à sua boa discrição se deverá ou não representá-las ao Superior sem tê-las consultado ou pensado muito.

- Assim assimiladas e bem pensadas, apresente-as dizendo: estudei este ponto pessoalmente, ou com outros, segundo for o caso; e pensei ou consideramos se seria bom assim ou assim. Nunca diga ao Superior, tratando com ele: isto ou aquilo é ou será bom assim; mas diga no condicional, se é ou se será.

- Uma vez colocadas assim as coisas, caberá ao Superior decidir ou esperar algum tempo para pensá-las, ou remetê-las àquele ou àqueles que as estudaram, ou nomear a outros para que as estudem ou decidam, segundo a coisa for mais ou menos importante ou difícil.

- Se à decisão do Superior ou àquilo que ele disser, replicar algo que lhe parecer bem, uma vez que o superior tornar a dar a sua decisão, não replique mais nem dê outras razões por enquanto.

- Depois que o Superior determinou uma coisa, se aquele que trata com ele sentir ou pensar com algum fundamento que seria melhor outra coisa, embora suspenda o sentir por enquanto, depois de três ou quatro horas ou no dia seguinte pode representar ao Superior se seria bom isto ou aquilo, conservando sempre tal modo de falar e tais palavras que não haja nem pareça haver nenhuma dissenção ou desacordo e calando diante do que for determinado naquela hora.

- Contudo, embora a coisa tenha sido já decidida uma e outra vez, depois de um mês ou mais tempo pode representar de novo o que sentir e achar da ordem dada; porque a experiência, com o tempo, descobre muitas coisas; e inclusive elas mudam com o tempo.

- Além disso, quem trata deve adaptar-se às disposições e qualidades naturais do Superior, falando claro e com voz inteligível e nos momentos oportunos, na medida do possível...” (Suprimimos o restante desta instrução contida na carta de Santo Inácio, pois tratam de normas administrativas sobre correspondência)


FONTE: CARDOSO, Armando. Cartas de Santo Inácio de Loyola. Vol. II. São Paulo: Edições               Loyola, 1990; p.137-138


MARIA SEMPRE!

segunda-feira, 14 de março de 2016

PAPA PAULO VI: O DIREITO CANÔNICO


“O Direito canônico, como tudo o que existe na Igreja, 
ordena-se totalmente para o bem das almas”

“A caridade ocupa, sem dúvida, o lugar mais importante. 
Mas a caridade não pode subsistir sem a justiça, expressa nas leis.”

Prof. Pedro Maria da Cruz

Papa Paulo VI
“Não ignoramos, igualmente, os numerosos e funestos preconceitos que surgem contra o Direito Canônico. São muitos aqueles que exaltando a liberdade, a caridade, os direitos da pessoa humana e a índole carismática da Igreja, criticam com hostilidade as instituições canônicas, procurando diminuir a importância das mesmas, depreciando-as e até pretendendo a sua eliminação, como se fossem ‘estruturas’ impostas extrinsecamente, que diminuem o caráter espiritual da mensagem evangélica e obrigam a liberdade de que os filhos de Deus devem gozar. Daqui nasce uma forma peculiar de comportamento em oposição a qualquer autoridade legítima, e que alguns pretendem sancionar com a autoridade do Concilio Vaticano II.

Confessamos que as leis canônicas em que o chamado ‘juridicismo’ predomina de tal forma que enfraqueça o aspecto espiritual da igreja – as leis que não se fundarem no dogma católico; que não salvaguardem suficientemente a perfeição humana; que impedirem o progresso da vida religiosa – não correspondem absolutamente ao espírito e às normas diretivas que o Concilio deu para a renovação da vida cristã.

Mas o Concilio não só não rejeita o Direito Canônico, isto é, as normas pelas quais são definidos os deveres e com as quais são salvaguardados os direitos dos membros da Igreja, mas também postula energicamente este direito como consequência lógica, necessariamente derivada do poder que Jesus Cristo confiou à sua Igreja, e como um elemento que pertence à mesma natureza da Igreja. Daqui, a exortação do mesmo Concílio: ‘no ensinamento do Direito canônico [...] tenha-se em conta o mistério da Igreja’.

Esta união do Direito canônico com o mistério da Igreja é explicitada pelo próprio Concílio [...]. Desta forma, manifesta-se claramente a natureza própria da lei eclesiástica, que é espiritual: ‘o Direito canônico, como tudo o que existe na Igreja, ordena-se totalmente para o bem das almas [...]. Tanto o administrador dos assuntos eclesiásticos, como o juiz, o ministro das coisas sagradas e o conselheiro dos fiéis devem pensar constantemente que têm de dar contas da salvação das almas.’ (AAS,45,1973,688).

‘no ensinamento do Direito canônico [...]
 tenha-se em conta o mistério da Igreja’.
De tudo o que foi dito até agora, deduz-se que a legislação canônica não deve ser considerada como um elemento estranho na Igreja, ou como um impedimento que retarda a expansão da vida cristã. Pelo contrário, a sua função própria na Igreja consiste em sancionar e proteger tudo o que se julga conveniente para viver com maior fidelidade e constância uma existência cristã. Por isso, não pode realizar-se uma ação pastoral verdadeiramente eficaz, se esta não tiver, ao mesmo tempo, uma firme tutela na sábia ordenação de alguns estatutos jurídicos.

A caridade ocupa, sem dúvida, o lugar mais importante. Mas a caridade não pode subsistir sem a justiça, expressa nas leis. As duas caminham juntas e devem completar-se mutuamente, porque derivam de uma fonte, que é Deus.”

(S.S. Paulo VI na audiência de 14 de dezembro de 1973 aos participantes no terceiro curso de atualização em Direito Canônico in Sedoc, 6, 1974, col. 1153-1155).

FONTE: GONÇALVES, Pe. Mário L. Menezes. Introdução ao Direito Canônico. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004; p. 215-217.


MARIA SEMPRE!


domingo, 19 de abril de 2015

A MAÇONARIA E A IGREJA CATÓLICA


O pensamento maçônico é incompatível com a Tradição Católica.


Por Editores do Blog

Livro indicado neste artigo

Dom João Evangelista Martins Terra, em seu livro “Maçonaria e Igreja Católica”, faz interessantes explanações sobre a incompatibilidade entre o catolicismo e o pensamento maçônico. A certa altura de seu escrito o autor cita Dom Boaventura Kloppenburg e o elenco que este apresenta de princípios maçônicos claramente contrários à Tradição cristã. Leiamos atentamente cada um deles e peçamos a Deus, pela intercessão da Virgem Maria, força na luta contra tudo que se levanta em oposição a obra de Nosso Senhor Jesus Cristo.


"I) O principio da existência de uma “força superior”, reconhecida sob a denominação de Grande Arquiteto do Universo. Trata-se de um “Deus” deísta, vago, indefinido, impessoal, uma “força construtora, ordenadora, e evolutiva”. Os maçons não podem admitir a existência do Deus da revelação cristã.

II) O princípio do livre-pensamento: direito universal e absoluto de crer no que se queira e como se queira.

III) O princípio da tolerância: tolerância em relação à verdade. Não se podem impor dogmas. A única coisa que não se pode discutir são os “dogmas maçônicos”. 

IV) O princípio da autonomia da razão. “A maçonaria não reconhece outras verdades além das fundadas na razão e na ciência.” No grau 19 se impõe o seguinte juramento: “ Juro e prometo não reconhecer outro guia senão a razão.” Eis aí o “pecado grave contra a virtude da fé”. Não se pode aceitar a Revelação divina.

V) O princípio da liberdade de culto: é o próprio indivíduo que deve regular suas relações com o Ser Supremo e o modo de cultuá-lo. A Igreja fica sobrando.

VI) O princípio da liberdade de consciência: qualquer coação ou influência externa, mesmo de ordem moral, no sentido de dirigir ou orientar a consciência do indivíduo, é um atentado contra o direito natural da pessoa. Pergunta: será que a própria maçonaria não comete este atentado?

VII) O princípio do indiferentismo religioso. Neutralidade: não hostilizar nem favorecer religião alguma. Supõe que jamais houve Revelação divina. Nega Jesus Cristo como o Verbo revelador e Deus salvador.


Leão XIII condenou a Maçonaria (Humanum Genus, 1884)

VIII) O princípio do Estado neutro. A sociedade deve manter-se neutra perante qualquer religião. Os poderes públicos podem desviar-se das leis divinas. Esse laicismo extremo leva inevitavelmente ao anticlericalismo.


IX) O princípio do ensino leigo: o ensino público, mantido pelo estado, deve ser absolutamente neutro em assuntos religiosos. De fato, a escola laica, promovida pelos maçons, transforma-se em educação atéia. Os maçons lutam para formar agnósticos, mesmo quando proclamam a existência de um inoperante, impessoal e vago Grande Arquiteto do Universo. 

X) O princípio da Moral independente: a Moral não deve estar ligada a nenhuma crença religiosa nem fundar-se em pretensas revelações divinas.

XI) O princípio da religião natural: a religião oficial e pública da humanidade deve manter-se nos limites da religião natural.

XII) O princípio da imanência: a maçonaria ignora a Transcendência da pessoa humana, a graça divina, a justificação cristã, a ressurreição, a vida eterna, a consumação soteriológica, a visão beatífica, a comunhão dos santos. É um puro pelagianismo naturalista."


MARIA SEMPRE!

Fonte: TERRA,D.João E.Martins.Maçonaria e Igreja Católica.São Paulo:Santuário,1996; p.103-106

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O PAPA PODE ERRAR QUANDO ENSINA?

Papa Pio IX proclama Dogma da Infalibilidade papal - 1870


Prof. Pedro Maria da Cruz


“A opinião que então o Papa expunha não era conforme à verdade. A discussão entre Franciscanos e Dominicanos mais se acendeu.” (Pe. Bujanda -1953)

 Nós somos felizes por termos sido fundados em um homem de “Pedra” (São Pedro - Kephas). Ele é a base firme e visível que dá solidez ao edifício da verdade cuja causa primeira é o próprio Deus. Foi o que escrevera no século XVII, Padre Antônio Vieira: “Arruinou-se-lhe o primeiro edifício, porque o fundou em um homem de barro; para que se lhe não arruíne o segundo, funda-o em um homem de pedra”[1]

São tão grandes em dignidade e importância os sucessores de São Pedro que, em virtude de seu oficio, eles gozam, inclusive, de infalibilidade no magistério quando, em seu ensino universal, como Pastores e Doutores supremo de todos os fiéis, proclamam, por ato definitivo, que se deve aceitar uma doutrina sobre a fé e os costumes[2]. 

Porém, surge uma questão incômoda: “Mas, e em seu ensino privado, os papas podem errar?” Disponibilizamos a seguir aos leitores de nosso blog um interessante fato histórico que ajudará a responder essa demanda. Ademais, o próprio padre Bujanda, autor do texto, já nos esclarece a dúvida em seus comentários...
†

O PAPA PODE ERRAR EM SEU ENSINO PRIVADO...

O papa João XXII errou no ensino privado
 “No século XIV discutiu-se com ardor entre Franciscanos e Dominicanos se os prêmios dos bem-aventurados e os castigos dos prescritos começavam já em toda a sua plenitude após a morte ou depois do juízo final, em sendo pronunciada a sentença pelo supremo Juiz de vivos e mortos.
Houve, nessa altura, um Papa, João XXII, que se inclinava ao parecer dos Menores, os quais afirmavam que só depois do Juízo final começariam os bem-aventurados a gozar da visão de Deus no céu, e os réprobos a sofrer as penas do inferno.


Num sermão que esse Pontífice pregou no dia de Todos os Santos, em 1331, em Avinhão (França), onde então residia, expôs as seguintes ideias:

O prêmio dos santos, antes da vinda de Cristo, era o seio de Abraão. Depois da vinda de Cristo e da sua ascensão aos céus, tal prêmio até ao dia de Juízo será estar sob o altar (Alusão a certas palavras do Apocalipse, VI, 9), isto é, protegidos e consolados pela humanidade de Cristo. Depois do dia do Juízo será, pelo contrário, estar sobre o altar, porque depois desse dia verão não só a humanidade mas também a divindade, tal como é em si.

Noutro sermão expressou-se deste modo:
 
‘Dizemos que as almas separadas dos corpos não possuem a vista da divindade, na qual consiste o prêmio total dos santos, segundo S. Agostinho, nem terão antes da ressureição (final). Possui-la-ão quando ressuscitarem com os corpos porque tal prêmio se atribuirá ao composto de alma e corpo, quando o homem inteiro for feliz com essa visão. E digo com S. Agostinho: ‘Se estou em erro quem souber mais do que eu, corrija-me’.

A 5 de Janeiro do ano seguinte, disse novamente num sermão:

‘Da visão de Deus dissemos já o suficiente em dias anteriores. Como Deus não é mais pronto para castigar do que para premiar, não dará o castigo ao maus antes de dar o premio aos bons. Mas já dissemos que os bons não entram na vida eterna antes do dia de Juízo. Logo nem sequer os maus irão, antes desse dia, para os tormentos eternos do inferno onde há pranto e ranger de dentes.’ (Veja-se Dictionnaire de théologie, de Vacant Mangenot, Benoit XII, colunas 658 e segs.) 

Assim o Papa, fora do exercício das funções de Pastor e Mestre universal, defendia apenas como pregador, que a recompensa dos predestinados e o castigo dos réprobos não começariam na sua plenitude antes do dia de Juízo.

Como se vê, não se tratava de saber se com a morte ficava irrevogavelmente definido o nosso destino para toda a eternidade, mas unicamente quando começariam com toda a sua força os prêmios ou os castigos.


O papa não é infalível quando fala como
 orador particular e expõe a sua opinião
 num ponto doutrinal ainda indefinido.

Além disso, qualquer pessoa, medianamente instruída em Teologia, sabe perfeitamente que isto nada tem que ver com a infalibilidade pontifícia. O Papa é infalível quando define que uma verdade é de fé, por exemplo, a Imaculada Conceição, ou a Assunção de N. Senhora ao Céu e em outras ocasiões menos solenes. Mas já não o é quando, como no caso presente, fala como orador particular e expõe a sua opinião num ponto doutrinal que não está definitivamente resolvido ou não se sabe com certeza que o esteja. 

 

A opinião que então o Papa expunha não era conforme à verdade. A discussão entre Franciscanos e Dominicanos mais se acendeu. O Rei de França interveio para que se declarasse qual era a verdadeira doutrina. A morte, porém, impediu aquele Pontífice de decidir a questão. Ao morrer acreditava no contrário do que pregara. Acreditava, portanto, que prémios e castigos começavam a seguir à morte.

Bento XII, seu sucessor, logo desde o principio do seu pontificado quis pôr termo à controvérsia. Ordenou a ambos os partidos contendores que estudassem a questão. E quando tudo estava preparado, a 29 de Janeiro de 1336 durante a solene celebração da Missa, promulgou a sua celebérrima constituição Benedictus Deus da qual extraímos as seguintes passagens. 

 ‘Por esta Constituição, que há de valer para sempre, definimos com autoridade apostólica, que segundo a disposição geral de Deus, depois da ascensão aos céus do Salvador e Senhor nosso Jesus Cristo, as almas de todos os que receberam o batismo e nada tinham que expiar e também todas as que deviam dar uma satisfação, uma vez que a deram, imediatamente depois da morte, e antes de serem de novo unidas a seus corpos, antes do Juízo universal, estiveram, estão e estarão, no Céu com Cristo, no reino e paraíso celestial, agregadas à sociedade dos santos anjos; que vêem a essência divina face a face com visão intuitiva e que tal com tal visão e gozo são verdadeiramente felizes e possuem a vida e o descanso eternos. Definimos, mais, que as almas dos que morreram em pecado mortal, imediatamente depois da sua morte descem ao inferno onde são atormentadas com suplícios infernais... ’”

Fonte: BUJANDA, P. Teologia do Além. Trad. Joaquim A. de Souza. Porto: Livraria Apostolado da Imprensa, 1953; p. 14-18 (o negrito é nosso) 

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MARIA SEMPRE!


BIBLIOGRAFIA:

- VIEIRA, Pe. Antônio. Sermões. Vol. VIII (De São Pedro). Erechim: ELDEBRA, 1998; p.237
- Código de Direito Canônico (CDC) - Cân. 749 - §1 e §2.
- BUJANDA, P. Teologia do Além. Trad. Joaquim A. de Souza. Porto: Livraria Apostolado da Imprensa, 1953; p. 14-18.
[1] VIEIRA, Pe. Antônio. Sermões. Vol. VIII (São Pedro). Erechim: ELDEBRA, 1998; p.237 [2] Código de Direito Canônico (CDC) - Cân. 749 - §1. Conferir o §2. (Também o colégio dos bispos goza de infalibilidade no magistério; porém a seu modo...)

terça-feira, 22 de julho de 2014

O CULTO DO PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE N. S. JESUS CRISTO: INDE A PRIMIS


"(...) símbolo desse mesmo Sangue divino que corre
 em todos os sacramentos da Igreja"
 (conf.: Inde a Primis)


Postado por editores do blog

Segue abaixo trechos de uma carta apostólica redigida por São João XXIII, papa, sobre a devoção ao Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esperamos que os leitores cresçam na consciência do imenso valor desse culto e possam colher os frutos correspondentes. Maria Sempre!


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CARTA APOSTÓLICA DO PAPA JOÃO XXIII 

INDE A PRIMIS

O CULTO DO PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE JESUS CRISTO



Sumo pontífice São João XXIII,  (1881 - 1963)



Veneráveis Irmãos, saudação e bênção apostólica,

São Gaspar Del Bufalo (1786 -1837)
"7. (...) a devoção ao Preciosíssimo Sangue de Jesus, da qual foi propagador admirável no século passado o sacerdote romano s. Gaspar del Bufalo, teve o merecido consentimento e o favor desta Sé Apostólica. Com efeito, importa recordar que, por ordem de Bento XIV, foram compostos a missa e o ofício em honra do Sangue adorável do divino Salvador; e que Pio IX, em cumprimento de um voto feito em Gaeta, quis que a festa litúrgica fosse estendida à Igreja universal (...)."

"9. Por isto, ao aproximar-se a festa e o mês dedicados ao culto do Sangue de Cristo, preço do nosso resgate, penhor de salvação e de vida eterna, façam-na os fiéis objeto de meditações mais devotas e de comunhões sacramentais mais freqüentes. Iluminados pelos salutares ensinamentos que promanam dos Livros sagrados e da doutrina dos padres e doutores da Igreja, reflitam no valor superabundante, infinito desse Sangue verdadeiramente preciosíssimo, do qual uma só gota pode salvar o mundo todo de toda culpa (...)."

"10. Porquanto, se infinito é o valor do Sangue do Homem-Deus, e se infinita foi a caridade que o impeliu a derramá-lo desde o oitavo dia do seu nascimento, e depois, com superabundância, na agonia do horto (cf. Lc 22,43), na flagelação e na coroação de espinhos, na subida ao Calvário e na crucifixão, e, enfim, da ampla ferida do seu lado, como símbolo desse mesmo Sangue divino que corre em todos os sacramentos da Igreja, não só é conveniente, mas é também sumamente justo que a ele sejam tributadas homenagens de adoração e de amorosa gratidão por parte de todos os que foram regenerados nas suas ondas salutares."

São João Crisóstomo (347 -407)
"11.(...). E, nutridos do corpo e do sangue de Cristo, tornados participantes do seu poder divino, que fez surgir legiões de mártires, eles irão ao encontro das lutas cotidianas, dos sacrifícios, até mesmo do martírio, se preciso, em defesa da virtude e do reino de Deus, sentindo em si mesmos aquele ardor de caridade que fazia S. João Crisóstomo exclamar: "Saímos daquela mesa quais leões expirando chamas, tornados terríveis ao demônio, pensando em quem é o nosso Chefe e quanto amor teve por nós... Esse Sangue, se dignamente recebido, afasta os demônios, chama para junto de nós os anjos e o próprio Senhor dos anjos... Esse Sangue derramado purifica o mundo todo... Este é o preço do universo, com ele Cristo redime a Igreja... Tal pensamento deve refrear as nossas paixões. Até quando, com efeito, ficaremos apegados ao mundo presente?Até quando ficaremos inertes?Até quando descuraremos pensar na nossa salvação? Reflitamos sobre os bens que o Senhor se dignou de nos conceder, sejamos-lhe gratos por eles, glorifiquemo-lo não só com a fé, mas também com as obras" (In loan., Homil. 46; PG 59, 260-26; conf. doc.)"

"12. Oh! Se os cristãos refletissem mais freqüentemente no paternal aviso do primeiro papa: "Portai-vos com temor durante o tempo do vosso exílio. Pois sabeis que não foi com coisas perecíveis, isto é, com prata ou ouro que fostes resgatados..., mas pelo sangue precioso de Cristo, como de um cordeiro sem defeito e sem mácula" (1Pd 1,17-19); se eles dessem mais solícito ouvido à exortação do apóstolo das gentes: "Alguém pagou alto preço pelo vosso resgate; glorificai, portanto, a Deus em vosso corpo" (l Cor 6,20). Quanto mais dignos, mais edificantes seriam os seus costumes, quanto mais salutar para a humanidade inteira seria a presença, no mundo, da Igreja de Cristo! E, se todos os homens secundassem os convites da graça de Deus, que os quer todos salvos (cf. 1Tm 2,4), porque ele quis que todos fossem remidos pelo Sangue de seu Unigênito, e chama todos a serem membros de um só corpo místico, do qual Cristo é a Cabeça, então quanto mais fraternas se tornariam as relações entre os indivíduos, os povos, as nações, e quanto mais pacífica, quanto mais digna de Deus e da natureza humana, criada a imagem e semelhança do Altíssimo, se tornaria a convivência social!

Dado em Roma, junto a S. Pedro, no dia 30 de junho de 1960, vigília da Festa do Preciosíssimo Sangue de N. S. J. C., segundo ano do nosso Pontificado."

S. S. João XXIII



Fonte:http://www.vatican.va/holy_father/john_xxiii/apost_letters/documents


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MARIA SEMPRE!



segunda-feira, 7 de julho de 2014

SUMMORUM PONTIFICUM: 07 ANOS


Por João S. de O. Jr.

Hoje se completa 07 anos do Motu Proprio Summorum Pontificum de S.S. PP. Bento XVI. Publicado em uma data simbolicamente significativa, 07/07/2007; perfeição! O documento autorizou, e de certo modo, incentivou sacerdotes no mundo todo a celebrarem a Santa Missa Tridentina a fiéis que assim desejarem sem necessidade de induto (autorização) expressa da Sé apostólica ou do Ordinário (bispo local). Para ler o Summorum Pontificum no site do Vaticano: clique aqui.

Embora as barreiras encontradas nas dioceses e paróquias para as celebrações da Santa Missa Tridentina, o documento foi um marco no pontificado do atual papa emérito. Quantos fiéis puderam conhecer e nutrir desta riqueza da Igreja? Quantos se encontraram com Cristo onde ele se faz presente realmente? Ou seja, na santa comunhão, no sacrifício da Santa Missa. 
Quantos descobriram o tesouro da Tradição católica? Quantos passaram a saber que a Santa Missa é o mesmo sacrifício da Cruz, atualizado de forma incruenta, através do conhecimento da Missa de Sempre? E assim nunca mais viram uma Missa com os mesmos olhos, seja contemplando o maior acontecimento sob a face da Terra ou seja sofrendo por causa dos abusos e indiferenças com que nosso S,enhor é tantas vezes tratado no altar por próprios ministros dEle, os sacerdotes.


Muito ainda há de ser feito pela restauração da fé, da liturgia e pela salvação das almas. No meio da Crise da Igreja, é como se os desafios da evangelização se duplicassem em peso. Contudo, sendo um religioso ou um mero leigo, os verdadeiros devotos da Virgem Santíssima devem ter a coragem de trabalhar como se fossem os apóstolos dos últimos tempos, preditos por são Luís de Montfort no Tratado da Verdadeira Devoção (T.V.D. n.48). Incansavelmente, pois lembremos que é por Cristo que todo apostolado deve ser feito e Ele nos basta!


S
egue também, para um breve leitura, o link do boletim Pugna da Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM.

Clique para abrir o arquivo
Este, em especial, foi distribuído na Jornada Mundial da Juventude 2013 como convite aos jovens a conhecerem a maravilha que é a Santa Missa de São Pio V.
Recordando, os leitores poderão imprimir (frente e verso e de preferência em papel chamex colorido) e entregar aos fiéis católicos como forma de apostolado.

Mãe do Bom Conselho, rogai por nós!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A SUPOSTA ‘CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II AOS JOVENS', o que realmente é, o que nunca foi e o que poderia ser.


Por João S. de O. Jr.

Não só no meio virtual, mas mesmo em meio a grupos de jovens de oração nas paróquias e comunidades, há uma ampla divulgação de uma famosa “Carta de João Paulo II aos jovens”. Acontece que é uma carta que nunca foi escrita pelo então pontífice da maneira que é apresentada. O Papa João Paulo II escreveu e assinou diversas cartas, documentos, encíclicas. Dentre essas, algumas muito boas como a “Veritatis Splendor”, a “Encíclica da Eucaristia” e a “Rosarium Virginis Mariae”, mas curioso é que essas cartas aos jovens de hoje, de ontem e de amanhã (de todos os fiéis) são oficiais e não são divulgadas com tanto entusiasmo pelos grupos como a falsa carta é. Tempos de crise...

A Verdadeira Carta de João Paulo II aos Jovens é o documento Carta Apostólica Dilecti Amici (aos amigos diletos), de 1985, por ocasião do ano internacional da Juventude. Inicia-se com a citação "Sempre pronto a dar razão da esperança a quem o solicite para você." O único trecho que de fato é igual à pseudo-carta é mínimo no documento verdadeiro bata uma leitura atenta: Confira tudo aqui.


Enfim, quero vos apresentar a famosa pseudo-carta e uma paródia de autoria deste também jovem leigo e esporádico autor que vos escreve em confronto com aquela. A paródia é uma visão da necessidade gritante que se observa para os jovens católicos da atualidade.

A pseudo-carta aos Jovens (sempre divulgada)

Precisamos de Santos sem véu ou batina.

Precisamos de Santos de calças jeans e tênis.

Precisamos de Santos que vão ao cinema, ouvem música e passeiam com os amigos.

Precisamos de Santos que coloquem Deus em primeiro lugar, mas que se "lascam" na faculdade.

Precisamos de Santos que tenham tempo todo dia para rezar e que saibam namorar na pureza e castidade, ou que consagrem sua castidade.

Precisamos de Santos modernos, Santos do século XXI com uma espiritualidade inserida em nosso tempo.

Precisamos de Santos comprometidos com os pobres e as necessárias mudanças sociais.

Precisamos de Santos que vivam no mundo se santifiquem no mundo, que não tenham medo de viver no mundo.

Precisamos de Santos que bebam Coca-Cola e comam hot dog, que usem jeans, que sejam internautas, que escutem disc man.

Precisamos de Santos que amem a Eucaristia e que não tenham vergonha de tomar um refri ou comer pizza no fim de semana com os amigos.

Precisamos de Santos que gostem de cinema, de teatro, de música, de dança, de esporte.

Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais, amigos, alegres, companheiros.

“Precisamos de Santos que estejam no mundo; e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo, mas que não sejam mundanos”



Sejamos Santos!
(falsamente atribuída como a Carta de João Paulo II)


Paródia (como a “carta” poderia ser para os jovens de hoje)


Santa Gemma Galgani

Precisamos de muitos Santos e Santas, que não tenham medo de usarem o santo véu ou porem sua batina.

Precisamos de Santos modestos, que buscam a beleza sem futilidade.

Precisamos de santos que conheçam um bom cinema católico, belas músicas clássicas, que tenham senso crítico para a mídia e que saibam fazer amigos para Cristo. Que não temem os inimigos deste mesmo Cristo.

Precisamos de Santos que coloquem Deus em primeiro lugar em tudo, sobretudo, na faculdade e que não larguem Aquele depois desta última.

Precisamos de Santos que rezem e saibam lembrar de Deus em qualquer hora do dia, e que estudem também a doutrina da Igreja. Santos que buscam sua vocação, seja matrimonial, seja celibatária, mas que seja por amor a Cristo.

Precisamos de Santos Tradicionais, Conservadores, de todos os tempos, de sempre. Que não se envergonhem de dois mil anos de história.

Precisamos de santos que saibam de política, mas que nunca afaste a caridade como ferramenta em tudo que fizer socialmente.

Precisamos de santos que estejam no mundo, mas que não sejam do mundo. Que não tenham medo de viver para Cristo neste mundo.

Precisamos de Santos que bebam cerveja moderadamente, que apreciem uma boa culinária e não tenham medo de vestir o social ou usarem a saia, que saibam mostrar a cortesia em sociedade. Que apreciem a cultura clássica e não tenham medo de serem chamados de cafonas por isso.

Precisamos de santos que amem o Santíssimo Sacramento com atos externos e internos.

Santos que sejam humildes o suficiente para sempre se confessarem quando preciso.

Precisamos de jovens que sejam santos, mas que busquem ser santos mesmo, pois, de mediocridade, o mundo já está cheio.

Sejamos Santos guerreiros nesta terra!


Beato Pier Giorgio Frassati

Mãe do Bom Conselho, rogai por nós!