quinta-feira, 26 de maio de 2016

Pensamentos de São Pedro Julião Eymard sobre O SANTÍSSIMO SACRAMENTO


Em alusão a uma das mais belas e importantes solenidades da Igreja Católica, o Corpus Christi, reproduzimos aqui pensamentos de um grande Santo que ficou conhecido como o Apóstolo da Eucarístia, São Pedro Julião Eymard. Tomemos como exemplos estas exortações, para que possamos dar cada vez mais glórias e louvores ao Santíssimo Sacramento que é verdadeiramente o corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo!

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“Ajoelhai-vos, aos avistardes Jesus na Hóstia adorável! Prosternai-vos, com profundo respeito, perante Ele, em sinal de dependência e de amor...”.




“Urge crer na simples palavra de Jesus. Resta-nos uma pergunta: ‘Quem está ali?’. ‘Eu!’, responde Jesus... Prostremo-nos e adoremos...”.



“Assistir cada dia a Santa Missa é chamar, sobre cada dia, as bênçãos do Céu!”.



“A oração, embora boa e necessária, sem a Comunhão que vos sustente, torna-se cansativa e acabareis por deixá-la”.

“É necessário se penetrar bem dos sacrifícios do amor de Nosso Senhor, no Santíssimo Sacramento... São tão surpreendentes que eu sentia o coração acelerar e os olhos cheios de lágrimas”.

“Jesus estabeleceu a Eucaristia para reabilitar o homem, que se degradara e aviltara pelo pecado original, que esquecera sua origem celeste, perdera sua dignidade de rei da criação; o homem que, senhor dos animais, a eles se assemelhou!”.

“Quando por enfermidade, por doença ou por impossibilidade, não puderdes fazer a adoração, deixai que vosso coração se entristeça um instante... E, depois, uni-vos em espírito àqueles que adoram”.

“Reparai num Santo, ao entrar numa Igreja. Alheio às pessoas, esquecido de tudo, só a Nosso Senhor vê. Quem, em presença do Papa, pensará nos bispos ou cardeais? Só a Deus, toda honra e toda glória”.

“A criatura tem tempo para tudo, menos para visitar o seu Deus, que no seu Tabernáculo a espera”.

“Que o ato de amor dê início a toda adoração e abrireis, então, de modo delicioso vossa alma à ação divina”.

“Ah! É esta a parte grandiosa que vos cabe, a vós adoradores: é chorar aos pés de Jesus, desprezado pelos seus, crucificado em tantos corações, abandonado em tantos lugares”.

“Jesus, portanto, está conosco e, enquanto houver um adorador sequer, Ele aí estará para protegê-lo. Eis aqui o segredo da longevidade da Igreja!”.

“O que inspira receio, hoje em dia, é ver Jesus-Eucaristia abandonado em todas as cidades, sozinho, absolutamente só”.

“No Santíssimo Sacramento está Ele, por toda parte e ao mesmo tempo. Sua Humanidade participa, de certo modo, da Imensidade Divina que tudo enche. Jesus está em sua inteireza em todos e cada um dos Templos”.

“Adorai, reparai com Ele. Sabei vos sacrificar com Ele, pela glória de Nosso Salvador!”.

“O culto e a honra tributados a Jesus Cristo são a medida da fé do povo, a expressão de sua virtude. Honra, pois, a Jesus Eucaristia que, merecendo-a, a ela tem direito”.

“A Eucaristia deve incendiar o mundo inteiro e os incendiários deste fogo Eucarístico são todos que amam Jesus”.

“Ah! Como Nosso Senhor ama os nossos corações e os deseja possuir... Mendiga-os! Roga, pede com insistência, suplica. Deveríamos morrer de vergonha ao pensar que Nosso Senhor mendiga desse modo e que ninguém atira a esmola implorada!”.

“Na impossibilidade de amar a Jesus Sacramentado como Ele merece, invocai o socorro do Anjo da Guarda, fiel companheiro de vossa vida. Ser-lhe-á tão agradável fazer, desde já, convosco, o que deverá fazer, eternamente, na glória”.

“Não se afastem os adoradores da presença do seu Divino Mestre, sem lhe patentear reconhecimento pela audiência de Amor; sem lhe oferecer em homenagem de fidelidade, uma flor de virtude, um ramalhete de pequenos sacrifícios...”.

“Amemo-Lo, portanto, por nós. Amemo-Lo por aqueles que não o amam, pelos nossos pais e amigos. Paguemos-Lhe a dívida da família, da pátria!”.

“Há caminhos fictícios, atalhos na vida espiritual, estradas que podemos seguir durante algum tempo para largá-la em seguida... Nosso Senhor, no Santíssimo Sacramento, é a via estável”.

“O estado velado de Jesus anima minha fraqueza. É-me dado me aproximar d’Ele, falar-lhe, contemplá-lo, sem receio algum...”.

“Nos exorcismos, quando, depois de recorrer inutilmente a todos os meios para vencer os Demônios, o exorcista lhes apresenta a Hóstia Santa, eles, soltando gritos de raiva recuam ante seu Deus presente”.

“É do Tabernáculo, sob o véu da Hóstia, que lança, sobretudo estas palavras: ‘Aprendei de mim, que sou manso e humilde de Coração’. Aprendei de mim a esconder as vossas boas obras, vossas virtudes, vossos sacrifícios... Descei! Vinde a mim!”.

“Só a posse de Deus - e na Eucaristia é Deus se dando, cabalmente a nós - nos pode dar felicidade!”.


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São Pedro Julião Eymard
Livro: Levanta-te de Joelhos! O Segredo da Adoração Eucarística
Prefácio de Dom Carmo João Rhoden, scj.
Autor: Pe. Márlon Múcio
Palavra e Prece Editora Ltda.










MARIA SEMPRE!

terça-feira, 24 de maio de 2016

AOS BENFEITORES E AMIGOS DA SSVM

Por João S. de O. Jr.

Maio é mês das mães, mês das noivas e mês das flores (é primavera no hemisfério Norte). Não por acaso é o mês que a Igreja dedica àquela que foi escolhida a ser a Mãe do Verbo Encarnado, a Esposa Puríssima do Santo Espírito e a Flor mais agraciada do jardim do Criador. Maio é mês de Maria Santíssima!

Como católicos, há muitos modos de prestarmos nossa homenagem para a Mãe de Deus: o uso do escapulário, medalhinhas, a coroação e honra de suas imagens nos templos, a oração do ofício nos sábados, etc. Estas e outras piedosas práticas de devoção, a qualquer período do ano, têm seus fundamentos e valores riquíssimos; mas, não poderíamos deixar de destacarmos a especial devoção ao Santo Terço, rezado diariamente [1], com a contemplação dos santos Mistérios.

Que, simultaneamente, em espírito, cultivemos nossa filial confiança na intercessão de Nossa Senhora junto ao seu Filho Amado, meditando nas Maravilhas que Deus (Uno e Trino!) realizou nela (Lc1,46-55). E quer, por misericórdia aos homens, realizar ainda através dela na humanidade.

São Luís Maria Grignion de Montfort, que tratou de modo singular da Verdadeira Devoção para com a Virgem Santíssima, demonstrou que a prática de devoção deve ser interior, mas com atos exteriores que lhe correspondam [2]. Que devemos superar a superficialidade! E cita, ainda, no Livro Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, algumas práticas especiais e interiores: "Consiste em quatro palavras, em fazer todas as ações por Maria, com Maria, em Maria e para Maria a fim de fazê-las mais perfeitamente por Jesus, com Jesus, em Jesus e para Jesus" [3]. Tendo como fim último desta devoção, nos modelar a Cristo [4].

Caríssimos amigos e benfeitores, em breve teremos formações sobre o Tratado de São Luís e as aparições marianas em nossa Sala. Obs: O Grupo de Estudos Santo Tomás de Aquino – GESTA, em sua reunião do dia 14/05, teve como tema: “A Atualidade da Mensagem de Fátima”.

Contemos ternamente com a Santa Mãe de Deus. A devoção mariana é um importante alicerce de nosso apostolado. Roguem a ela por nós! No mais, um muito obrigado por toda contribuição material e espiritual! Contem com as nossas orações!


MARIA SEMPRE!


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[1]- Vide Carta aos Benfeitores e Amigos da SSVM de outubro/2015.

[2]- MONTFORT, São Luís Maria Grignion. T.V.D., n.119.

[3]- Ibdem, T.V.D., n.257.

[4]- Ibdem, T.V.D., n. 33 a 36.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

OS ASTECAS: TERRÍVEIS SACRIFÍCIOS

Cerimônia de sacrifício humano asteca.
Prof. Pedro Maria da Cruz
Muito se ouve falar a respeito das terríveis cerimônias religiosas dos astecas. Com efeito, era ordinário o sacrifício de seres humanos. Mas, o que explicaria tais práticas rituais? Que pensamento haveria por trás de atos horrorosos como esse? Eis o cenário encontrado pelos colonizados no chamado tempo dos descobrimentos: totalmente em desacordo com a verdade trazida e anunciada pela Igreja (Compêndio Vat. II, Nostra Aetate, 2).



Pedra-sol asteca que representaria um calendário
Segundo Waldomiro Piazza, SJ, os astecas entendiam a si mesmos como elemento cósmico responsável pelo tempo e pela história. A boa ordem do universo, nesse sentido, dependia da colaboração humana. Eles possuíam a ideia de que lhes cabia a missão de pôr em movimento o processo cósmico. Por isso, faziam da guerra um fim em si, um culto religioso de Huitzilopochtli, deus das batalhas. A oferta dos corações dos guerreiros valentes em suas cerimônias apresentava-se como um meio mágico de pôr em movimento o universo, concebido como um grande homem cósmico, do qual o sol seria o coração.

Por mais incrível que nos pareça, segundo a mitologia desse povo, o derramamento de sangue era necessário para fazer com que o sol percorresse os espaços e fosse propício aos homens. O movimento, só poderia ser mantido com tais atos litúrgicos cruentos onde tantos seres humanos eram imolados, doados pela conservação do todo (não é, pois de admirar que os astecas tenham dado importância especial ao estudo do tempo, tanto em sua realidade cósmica como litúrgica).
Tezcatlipoca no Codex Fejervary-Mayer
Ou seja, haveria uma inexorável exigência das leis superiores, que regem o destino do cosmo e dos homens, as quais implicavam no culto horrendo e dramático dos astecas onde ocorriam os terríveis sacríficios. “Segundo um mito, Tezcatlipoca encarnava-se cada ano em um jovem fisicamente perfeito que, por isso mesmo, devia ser sacrificado, para renovar a ‘providência divina’ em favor do povo.” (PIAZZA, Waldomiro, 1991; p. 201) Durante um ano o jovem era vestido com as insígnias divinas e tratado como se fosse um deus. No dia do sacrifício, ele devia subir as escadas do templo, no topo do qual os sacerdotes revestidos de preto deitavam-no de costas sobre o altar e abriam-lhe o peito com uma faca, arrancavam-lhe o coração palpitante e o ofereciam ao sol. Cortavam-lhe a cabeça, a qual era guardada como um troféu no templo, e atiravam o cadáver escadas abaixo, para ser comido em um banquete sagrado pela família do guerreiro que aprisionara a vítima.

“Com o tempo, crescendo a sua ambição guerreira, cresceu também o número de vítimas humanas, chegando aos milhares. Assim, em 19 de fevereiro de 1487, pouco antes da conquista espanhola, foram imolados 20.000 vítimas, em apenas 4 dias, para inaugurar o novo templo de Huitzilopochtli, em México” (PIAZZA, Waldomiro, 1991; p.197)

Dados históricos como esses servem para fazer-nos entender melhor uma série de posturas tomadas pelos conquistadores espanhóis nos tempos de outrora. Infelizmente, a quase totalidade de nossos professores apresentaram uma visão romantizada e deturpada dos povos conquistados enquanto pintavam os europeus com as cores mais negras que lhes fosse possível. Claro que não nos é possível nas poucas linhas de nosso blog relatar os excessos criticáveis de muitos conquistadores; entretanto, é facto que já o fazem sobejamente por aí. A intenção aqui foi tão somente apresentar novos dados para equilibrar o julgamento dos leitores no tocante a certos temas do passado. 


Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós!


Referências: PIAZZA, Waldomiro O. Religiões da Humanidade. São Paulo: Edições Loyola, 1991; p. 194-202.


MARIA SEMPRE!


sexta-feira, 6 de maio de 2016

OS ASTECAS: O DEDO DA PROVIDÊNCIA

Pirâmide de Tenochtitlán, erguida pelos Astecas.
Prof. Pedro Maria da Cruz
Os astecas (ou, mexicas, como se auto intitulavam; palavra que originou o termo mexicanos) formaram uma grande civilização mesoamericana e pré-colombiana. Seu maior desenvolvimento ocorrera principalmente entre os séculos XIV e XVI: por volta de 1428 d.C. já possuíam um império admirável! Em 1325 d.C. fundaram sua importante capital, Tenochtitlán; a qual, sabe-se, fora habitada por mais ou menos trezentas mil pessoas em 1519 d.C.


Para formarmos uma ideia mais clara da grandeza a que chegaram os astecas, recordemo-nos que no reinado de Montezuma II (1466-1520), durante o qual se iniciara a colonização espanhola, o império alcançara em torno de 500 cidades sob seu jugo. Porém, no ano 1521 Tenochtitlán (hoje chamada cidade do México) fora tomada pelos espanhóis após um sitio de setenta e cinco dias realizado pelas tropas de Hernán Cortés (1485-1547).Tais fatos marcam o fim do Império Asteca. 

Povo de índole bélica e conquistadora, os mexicas são oriundos de uma nação maior: os nahuas (adoradores Huitzilopochtli - representado pelo Jaguar - deus sanguinário da guerra; também chamado Tizintuzumi pelos Michocas, subjugados pelos astecas). Historiadores defendem a ideia de que os astecas teriam invadido o México central aproveitando-se das contingencias de outra nação, admirável por sua arte e filosofia, a qual assimilaram: os toltecas (adoradores de Quetzalcoatl - serpente emplumada -, deus pacífico, da sabedoria, que favorecia a escrita e a ciência. A nível de curiosidade lembremos que entre os Maias, de influência tolteca, Quetzalcoatl aparece como Kukulkan, um deus civilizador). 

“Alguns autores gostam de comparar os astecas aos romanos, e os toltecas aos gregos, devido ao fato de que os astecas souberam, como os romanos, pôr em movimento um grande poder político e administrativo, assimilando, porém, a cultura dos toltecas, que tinham vencido.” (PIAZZA, Waldomiro, 1991; p.195) 

Representação das diversas divindade astecas
À medida que os astecas avançavam em seu domínio sobre a região mesoamericana, iam assimilando muitos aspectos dos povos vencidos, o que os fez adoradores de muitos deuses. Por exemplo: 1 - Tlaloc e sua companheira Chalchiuhtlicu, deuses dos chimichica; 2 - XipeTopec, cultuado pela Tribo Yopi, em cujo culto o sacerdote se revestia da pele de uma vítima humana; 3 - Tezcatlipoca, que muitas vezes é identificado com o já citado Huitzilopochtli; 4 -Tonatiuh, o sol que faz o dia, o qual só pode continuar seu trajeto se lhe forem oferecidos sacrifícios humanos (como um dia - de acordo com o mito - os deuses tiveram de sacrificar-se para que Tonatiuh executasse seu percurso diário no céu); e, 5 - o próprio Quetzalcoatl, dos toltecas, como já o dissemos. Foi a crença dos astecas em Quetzalcoatl que gerou - devido a um de seus relatos míticos - o fato interessante que expomos a seguir: 
Quando Hernán Cortés chegou a Tenochtitlan, a capital dos astecas em 1519, o então imperador Montezuma II achou que o espanhol e seus companheiros fossem mensageiros do deus Quetzacóalt, o qual havia prometido que retornaria algum dia de sua viagem feita pelo mar... Vamos ler o relato mitológico.
Ensinava-se entre os astecas que Quetzalcoatl: 
“(...)veio do Oriente, era de pele branca e densa barba negra, testa alta e elevada estatura. Chegando à cidade chamada Tula, ai introduziu a cultura agrária, a arquitetura e uma religião de sentido monoteísta e de elevado humanismo. Como condenasse os sacrifícios humanos, foi combatido pelos sacerdotes do deus Tezcatlipoca, os quais, com seus estratagemas, conseguiram expulsá-lo de Tula. O mito diz que o próprio Tezcatlipoca desceu do céu por um fio de aranha, induziu Quetzalcoatl a olhar-se em seu espelho, que retratou a decadência do herói, e ministrou-lhe uma beberagem alucinante, em cujo estado Quetzalcoatl cometeu vários desatinos que o constrangeram a retirar-se de Tula. (...) Mas, uma lenda informa que, chegando ao golfo do México, meteu-se em uma jangada e perdeu-se no mar, tendo antes anunciado que voltaria com seus irmãos brancos para conquistar o México. Por isso, quando Cortez desembarcou no golfo do México, os nativos pensaram que se tratava do retorno de Quetzalcoatl, o que muito favoreceu a conquista do vasto império asteca.” (PIAZZA, Waldomiro, 1991; p.198-199) 

São os caminhos da Providência... 

Após a chegada dos espanhóis, milhares de nativos, tocados por evangelizadores cheios de
zelo e admirados pela extraordinária manifestação de Nossa Senhora (sob o título de Guadalupe), se converteram ao cristianismo. Nesse contexto a Igreja católica pôde espalhar a luz do evangelho por terras nunca dantes conhecidas. Sabemos, obviamente, de erros cometidos por muitos conquistadores; porém, preferimos tratar agora dos assuntos abordados acima, afim de enriquecer nossos leitores com informações, infelizmente, ocultadas, ou mesmo desconhecidas, por não poucos professores brasileiros. 



Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós! 


Referência: PIAZZA, Waldomiro. Religiões da Humanidade. São Paulo: Edições Loyola, 1991; p. 194-202. 



MARIA SEMPRE!