segunda-feira, 16 de maio de 2016

OS ASTECAS: TERRÍVEIS SACRIFÍCIOS

Cerimônia de sacrifício humano asteca.
Prof. Pedro Maria da Cruz
Muito se ouve falar a respeito das terríveis cerimônias religiosas dos astecas. Com efeito, era ordinário o sacrifício de seres humanos. Mas, o que explicaria tais práticas rituais? Que pensamento haveria por trás de atos horrorosos como esse? Eis o cenário encontrado pelos colonizados no chamado tempo dos descobrimentos: totalmente em desacordo com a verdade trazida e anunciada pela Igreja (Compêndio Vat. II, Nostra Aetate, 2).



Pedra-sol asteca que representaria um calendário
Segundo Waldomiro Piazza, SJ, os astecas entendiam a si mesmos como elemento cósmico responsável pelo tempo e pela história. A boa ordem do universo, nesse sentido, dependia da colaboração humana. Eles possuíam a ideia de que lhes cabia a missão de pôr em movimento o processo cósmico. Por isso, faziam da guerra um fim em si, um culto religioso de Huitzilopochtli, deus das batalhas. A oferta dos corações dos guerreiros valentes em suas cerimônias apresentava-se como um meio mágico de pôr em movimento o universo, concebido como um grande homem cósmico, do qual o sol seria o coração.

Por mais incrível que nos pareça, segundo a mitologia desse povo, o derramamento de sangue era necessário para fazer com que o sol percorresse os espaços e fosse propício aos homens. O movimento, só poderia ser mantido com tais atos litúrgicos cruentos onde tantos seres humanos eram imolados, doados pela conservação do todo (não é, pois de admirar que os astecas tenham dado importância especial ao estudo do tempo, tanto em sua realidade cósmica como litúrgica).
Tezcatlipoca no Codex Fejervary-Mayer
Ou seja, haveria uma inexorável exigência das leis superiores, que regem o destino do cosmo e dos homens, as quais implicavam no culto horrendo e dramático dos astecas onde ocorriam os terríveis sacríficios. “Segundo um mito, Tezcatlipoca encarnava-se cada ano em um jovem fisicamente perfeito que, por isso mesmo, devia ser sacrificado, para renovar a ‘providência divina’ em favor do povo.” (PIAZZA, Waldomiro, 1991; p. 201) Durante um ano o jovem era vestido com as insígnias divinas e tratado como se fosse um deus. No dia do sacrifício, ele devia subir as escadas do templo, no topo do qual os sacerdotes revestidos de preto deitavam-no de costas sobre o altar e abriam-lhe o peito com uma faca, arrancavam-lhe o coração palpitante e o ofereciam ao sol. Cortavam-lhe a cabeça, a qual era guardada como um troféu no templo, e atiravam o cadáver escadas abaixo, para ser comido em um banquete sagrado pela família do guerreiro que aprisionara a vítima.

“Com o tempo, crescendo a sua ambição guerreira, cresceu também o número de vítimas humanas, chegando aos milhares. Assim, em 19 de fevereiro de 1487, pouco antes da conquista espanhola, foram imolados 20.000 vítimas, em apenas 4 dias, para inaugurar o novo templo de Huitzilopochtli, em México” (PIAZZA, Waldomiro, 1991; p.197)

Dados históricos como esses servem para fazer-nos entender melhor uma série de posturas tomadas pelos conquistadores espanhóis nos tempos de outrora. Infelizmente, a quase totalidade de nossos professores apresentaram uma visão romantizada e deturpada dos povos conquistados enquanto pintavam os europeus com as cores mais negras que lhes fosse possível. Claro que não nos é possível nas poucas linhas de nosso blog relatar os excessos criticáveis de muitos conquistadores; entretanto, é facto que já o fazem sobejamente por aí. A intenção aqui foi tão somente apresentar novos dados para equilibrar o julgamento dos leitores no tocante a certos temas do passado. 


Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós!


Referências: PIAZZA, Waldomiro O. Religiões da Humanidade. São Paulo: Edições Loyola, 1991; p. 194-202.


MARIA SEMPRE!


2 comentários:

bruno disse...

É muito engraçado esses hipócritas cristitas, que criticam os costumes de um povo que fazia sacríficos humanos (mas tratava o sacrificado como um rei por UM ANO) mas não olha para o seu próprio traseiro, pois essa mesma igreja matou milhares de pessoas na inquisição, por superstições ridículas de bruxas e outras histórias estapafúrdias.
Se alguém deveria ter sido degolado pelos espanhóis, são os próprios sacerdotes da igreja cristita infernal romana,que mataram muito mais e com muito mais crueldade do que qualquer povo nativo americano.

Clér ES disse...

Difícil falar de algo que aconteceu a tanto tempo, mas uma coisa que é certa, nem asteca e nem espanhol tem direito de tirar a vida de ninguém, os astecas eram nativos loucos, bárbaros,e jamais eu iria querer conhecer um, mas os espanhóis ou qualquer outro católico da época se mostrava louco também, matavam sem dó em nome da fé, os espanhóis civilizados na verdade foram piores que os astecas, por mais de uma vez usaram a traição para chegar aos seus objetivos.