sexta-feira, 25 de maio de 2018

MARIA CONSERVAVA TUDO EM SEU CORAÇÃO

Dos sermões de São Lourenço Justiniano, bispo

Maria refletia consigo mesma em tudo quanto tinha conhecido, através do que lia, escutava e via; assim, progredia de modo admirável na fé, na sabedoria e em méritos, e sua alma se inflamava cada vez mais com o fogo da caridade. O conhecimento sempre mais profundo dos mistérios celestes a enchia de alegria, fazia-lhe sentir a fecundidade do Espírito, a atraía para Deus e a confirmava na sua humildade. Tais são os efeitos da graça divina: eleva do mais humilde ao mais excelso e vai transformando a alma de claridade em claridade.
Feliz o coração da Virgem que, pela luz do Espírito que nela habitava, sempre e em tudo obedecia à vontade do Verbo de Deus. Não se deixava guiar pelo seu próprio sentimento ou inclinação, mas realizava, na sua atitude exterior, as insinuações internas da sabedoria inspiradas na fé. De fato, convinha que a Sabedoria de Deus, ao edificar a Igreja para ser o templo de sua morada, apresentasse Maria Santíssima como modelo de cumprimento da lei, de purificação da alma, de verdadeira humildade e de sacrifício espiritual.

Imita-a, ó alma fiel. Se queres purificar-te espiritualmente e conseguir tirar as manchas do pecado, entra no tempo do teu coração. Aí Deus olha mais para a intenção do que para a exterioridade de tudo quanto fazemos. Por isso, quer elevemos nosso espírito à contemplação, a fim de repousarmos em Deus, quer nos exercitemos na prática das virtudes para sermos úteis ao próximo com as nossas boas obras, façamos um ou outra coisa de maneira que só a caridade de Cristo nos impulsione. É este o sacrifício perfeito da purificação espiritual, que não se oferece em templo feito por mão humana, mas no templo do coração onde Cristo Senhor entra com alegria.

Fonte: JUSTINIANO, São Lourenço. Sermo 8, in festo Purificationis B.B.V.: Opera 2, Venetiis 1751, 38-39.


MARIA SEMPRE!

terça-feira, 22 de maio de 2018

I ENCONTRO DE ESTUDOS TOMISTAS


Por Edição do Blog


Realizou-se no último domingo, dia 20/05/2018, na Sala Mãe do Bom Conselho, Sede da Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM, em Montes Claros - MG,  o I ENCONTRO DE ESTUDOS TOMISTAS, evento organizado pelo Grupo de Estudos Doutor Angélico.

Participantes do I ENCONTRO DE ESTUDOS TOMISTAS

O Encontro iniciou-se com uma breve oração, tradicional em todos os eventos ligados à SSVM. Em seguida, o coordenador do Grupo, Sr. Paulo Eustáquio, agradeceu a honrosa presença dos participantes e convidou o Diretor-Presidente da SSVM, Sr. João Júnior, para dar uma breve mensagem aos presentes.

Paulo Eustáquio, coordenador do Grupo
de Estudos Doutor Angélico,
membro da SSVM
Oração inicial, participantes voltados
para a Imagem da Mãe do Bom Conselho

A seguir, foi exibido um vídeo de apresentação, com fotos de diversos trabalhos e eventos da SSVM e com uma mensagem do Professor Carlos Nougué (fundador da Escola Tomista), saudando todos os alunos e reforçando a eminência do estudo do tomismo, como caminho inescusável para o resgate dos valores morais na sociedade atual.

Após, foi dada a palavra ao conferencista convidado, Sr. Victor Augusto, Professor e Psicólogo tomista, que, com elogiável didática, deu uma aula de Introdução à Filosofia Tomista.

Prof. Victor Augusto, psicólogo tomista,
conferencista convidado

A aula do Professor foi dividida em dois blocos. Ao fim do primeiro, o Sr. Eduardo Lino, um dos alunos presentes, fez uma magnífica apresentação artística. Com voz imponente e talento apurado para o canto, entoou o hino latino Pange Lingua Gloriosi Corporis Mysterium, composto por Santo Tomás de Aquino para a solenidade de Corpus Crhisti. O canto foi acompanhado por som de um teclado, operado pelo Sr. Raphael Scarcela. Ao fim, todos saudaram, enlevados, a performance dos artistas.

Sr. Eduardo Lino, em apresentação de canto

Logo em seguida, a palavra foi repassada ao Professor Victor Augusto, para a última parte da aula. Durante a exposição teórica, Victor pacientemente respondeu dúvidas e comentou apartes dos alunos, no intuito de deixar o conteúdo esclarecido.

Concluída a exposição, o conferencista foi saudado pelos participantes e recebeu o agradecimento do coordenador do evento, que lhe desejou sucesso em sua carreira de estudos e em sua importante missão de despertar mentes Brasil afora.

Para encerrar o evento, foi realizada mais uma apresentação artística. O Sr. Victor Alexandria brindou os participantes com três execuções de violão clássico, sendo a última delas do Adoro Te Devote, de Santo Tomás de Aquino. Essa execução foi feita em conjunto com o Sr. Rapahel Scarcela, e também encantou os presentes, fechando com chave de ouro o I ENCONTRO DE ESTUDOS TOMISTAS.

Victor Alexandria e Raphael Scarcela (membro da SSVM),
em apresentação de violão clássico

Todos os participantes conviveram agradável e fraternamente após o fim do evento, ao som de boa música erudita e enquanto degustavam um coffee break.

Ps.: Crédito das imagens: Sr. Anderson Santos

MARIA SEMPRE!

sábado, 19 de maio de 2018

BLOG "MULHERES DA TRADIÇÃO"



No dia 21/04 aconteceu uma reunião especial de inauguração do blog Mulheres da Tradição, ligado ao GESF (Grupo de Estudos Santa Filomena - SSVM) .

Na ocasião, na sala Mãe do Bom Conselho, as moças tiveram a oportunidade de dar sugestões, debater temas pertinentes e que as interessam sob a perspectiva da Santa Tradição Católica, para que sejam postados neste novo espaço de formação.
Além disso, fizeram sorteio e distribuição de brindes entre as quinze fiéis católicas que prestigiaram o evento e não faltou a agradável confraternização entre elas.


Segue o link do blog para acesso: http://mulheresdatradicao.blogspot.com.br




MARIA SEMPRE!

sábado, 12 de maio de 2018

Maria, Mãe de Cristo e Mãe dos cristãos

Por editores do Blog

Maria deu à luz um Filho único. Assim como ele é Filho único de seu Pai nos céus, é também Filho único de sua mãe na Terra. Ora, essa única Virgem Mãe, que possui a glória de ter dado à luz o Filho único de Deus Pai, abraça este mesmo Filho em todos os seus membros. Não se envergonha de ser chamada mãe de todos aqueles nos quais vê a Cristo já formado ou em formação.



A antiga Eva, que deixou aos filhos a sentença de morte ainda antes de verem a luz do dia, foi mais madrasta do que mãe. Chamam-na mãe de todos os viventes; mas se verifica, com mais verdade, que ela foi a origem da morte para os que vivem, a mãe dos que morreram, pois o seu ato de gerar não foi outra coisa senão propagar a morte. E já que Eva não correspondeu fielmente ao significado do seu nome, Maria realizou este mistério. Como a Igreja, da qual é figura, Maria é Mãe de todos os que renascem para a vida. Ela é verdadeiramente a mãe da Vida pela qual todos vivem; ao gerar a Vida, de certo modo ela regenerou todos os que hão de viver por ela.

A santa mãe de Cristo, que se reconhece mãe dos cristãos em virtude desse mistério, mostra-se também sua mãe pelo cuidado e amor que tem por eles. Não é insensível para com os filhos, como se não fossem seus; suas entranhas, fecundadas uma só vez mas nunca estéreis, jamais se cansam de dar à luz frutos de piedade. Se o Apóstolo, servo de Cristo, uma e outra vez dá à luz filhos pelos seus cuidados e ardente piedade, até Cristo ser formado neles (cf. Gl 4,19), quanto mais a própria mãe de Cristo! E Paulo, de fato, os gerou, pregando-lhes a palavra da verdade pela foram regenerados; Maria, porém, gerou-os de modo muito mais divino e santo, ao dar à luz a própria Palavra. Louvo realmente em São Paulo o ministério da pregação; porém admiro e venero muito mais em Maria o mistério da geração.

Observa, agora, se os filhos também não parecem reconhecer a sua mãe. Impelidos como que por um certo natural afeto de piedade, recorrem imediatamente à invocação do seu nome em todas as necessidades e perigos, como crianças no colo da mãe. Por isso, julgo, não sem motivo, que é destes filhos que o Profeta fala quando faz esta promessa: Os teus filhos habitarão em ti (cf. Sl 101,29). Ressalve-se, no entanto, a interpretação que atribui principalmente à Igreja esta profecia. 

Agora vivemos, na verdade, sob o amparo da mãe do Altíssimo, habitamos sob a sua proteção e como que à sombra de suas asas. Mais tarde, seremos acalentados no seu regaço com a participação na sua glória. Então ressoará, numa só voz, a aclamação dos filhos que se alegram e se congratulam com sua mãe: Todos juntos a cantar nos alegramos, pois em ti está a nossa morada (cf. Sl 86,7), santa mãe de Deus!

Fonte: Dos Sermões de São Guerrico, abade, séc. XII, retirado do Breviário, Memória de Santa Maria no Sábado, pág 1534.

MARIA SEMPRE!

terça-feira, 27 de março de 2018

QUE A CONSIDERAÇÃO DE JESUS CRUCIFICADO ANIMA A SOFRER E DÁ CONSTÂNCIA E CORAGEM


Filho meu amado, acharás decerto, como achei aos pés da cruz, o sustento nas tuas aflições!
O Servo – Treme a terra, Senhora, ante a morte de um justo! Morto Jesus, eclipsa-se o sol, fendem os rochedos, a natureza inteira desconcerta-se. Outro é o objeto, porém, que me ocupa mais do que todas essas maravilhas. Este objeto sois Vós, ó Maria, que permaneceste de pé, junto da cruz, a cada momento a renovar o sacrifício vosso ao Pai celestial, o sacrifício do vosso querido filho Jesus. 

Como pudestes sustentar, ó mãe, tal espetáculo? De onde veio essa coragem vossa? Ensinai, suplico, a esta alma que sofre tanto diante da mínima dificuldade que se lhe apresente. 

Maria – Ante os meus olhos, filho, eu tinha poderoso exemplo. Era Jesus crucificado, sofrendo com submissão todas as vontades de seu Pai. E só palavras de paz proferiram os seus lábios. E pedia ao Pai, pelos merecimentos do seu sangue, a salvação dos seus algozes. 

Os meus olhos estavam presos no divino modelo. Eu penetrava no coração de Jesus. Procurava tirar o molde dos sentimentos desse coração. 

Ao vê-lo tão generosamente sacrificar a vida pelos homens, entre suplícios horrorosos, foi que eu aprendi a fazer de minha parte a Deus o maior de todos os sacrifícios deste mundo, que era o sacrifício do próprio Jesus.
Filho meu amado, acharás decerto, como achei aos pés da cruz, o sustento nas tuas aflições, a força nas tuas fraquezas, a resignação nos sacrifícios que Deus te peça. Quando em aflição te achares, não procures consolo aos pés dos homens, porque bem depressa compreenderias como é breve e efêmera a compaixão dos homens. Depois de te queixares, acabam de se entediar com o relato das tuas queixas, senão mesmo da tua presença. Se a ti mesmo te reduzes e às tuas reflexões te abandonas, verás as penas aumentarem. Os teus esforços no sarar com os próprios recursos as tuas chagas ainda virão agravá-las mais. 

Que fazer, portanto, filho? É te armares nas horas de combate da imagem de Jesus Crucificado. 

Seja o teu crucifixo o primeiro recurso ao tempo das tribulações. 

Por muito que esteja enfraquecida a tua coragem, nele encontrarás a força necessária. Por muita amargura que te encha o coração, serás consolado. 

Sofres por parte dos homens? A cruz há de mostrar-te o maior dos Pais, dos Mestres, dos Justos, dos Amigos – ultrajado, abandonado, perseguido. 

Da parte do Inferno é que sofres? 

Vê na Cruz o bom Jesus – alvo de todas as fúrias infernais. 

Pensarás que te trate rigorosamente o Céu? Considera um momento todo o rigor que o Pai Celeste exerceu sobre o Filho bem-amado!
Castiga-te Deus os pecados com algumas penas temporais? Que são tais penas em confronto com as que sofreu Jesus por te livrar das eternas? Dirás que foste resgatado, considerando o teu crucifixo, pelos excessivos sofrimentos de um Deus. 

Ai! Filho, justo é que a alma resgatada assim guarde alguma semelhança com Aquele que a resgatou. 

Filho meu, tão pouco pareces com o teu crucifixo, pelas virtudes que ele próprio te dirá, que muito consolador será para ti se lhe pareceres ao menos um pouco pelas dores. A este recorre, pois, nas tuas dores, tristezas e tentações. Beija-o mesmo com amor, rega-o com lágrimas, aperta-o estreitamente de encontro ao coração. Imagina que te achas no Calvário e te é permitido abraçar os pés do teu Deus sofrendo e morrendo por ti. Fala-lhe das tuas penas unindo-as às penas dele, e pede-lhe o alívio para elas. Conjura esse misericordioso Salvador a fazer-te ouvir de sua voz alguma palavra de consolação que te ajude a suportar o rigor das tuas penas. Dize-lhe que o não abandonarás enquanto não te restituir a tranquilidade e a paz à alma, enquanto a não haja fortalecido pela unção da sua graça. Se fiel te mostrares a esse santo exercício, as tuas lágrimas serão enxutas, a paz voltará ao teu coração, a coragem sucederá à fraqueza, não mais amarga te será a cruz; pois o seu amargor se converterá em doçura. Ou, se ainda tens de sofrer, ao menos sofrerás com os sentimentos de paciência, resignação e amor, os quais faziam o Apóstolo dizer: “ Alegro-me nos opróbrios, misérias, perseguições, desgostos extremos que sofro por Jesus Cristo” (2Cor 12, 10). 


[Religioso Anônimo. Imitação de Maria. Cultor de livros, 2014. Pg. 271-274]

MARIA SEMPRE!

segunda-feira, 19 de março de 2018

SÃO JOSÉ: O CULTO AO CORAÇÃO DE SÃO JOSÉ (STATUS QUAESTIONIS)


INTRODUÇÃO
Por Msgr. Arthur Burton Calkins

“Coração do Jesus, eu te adoro; Coração da Maria, eu te imploro; Coração de José, puro e justo; nestes três corações ponho minha confiança.” Estas são invocações piedosas que recordo desde minha infância. Embora não posso indicar sua procedência, elas atestam um certo impulso espontâneo da parte dos fiéis a unir os Corações da Sagrada Família, a “Trindade terrestre”, de venerar o Coração de José junto com os Corações do Jesus e de Maria. Obviamente, tal impulso foi precedido pelo largo desenvolvimento do culto [1] aos Corações do Jesus e da Maria. Inclusive tomando em consideração a lenta e alguma complexa evolução da devoção ao Coração de Jesus, o falecido Papa João Paulo II estabeleceu categoricamente em sua carta de 5 de outubro de 1986 ao Padre Peter-Hans Kolvenback, S.J., Superior General dos Jesuítas, que:

”De fato, se o Senhor em sua providência desejou que no século XVII saísse do Paray-le-Monial um poderoso impulso a favor da devoção ao Coração de Cristo, sob as formas indicadas nas revelações recebidas pela Santa Margarida Maria, na soleira dos tempos modernos, “os elementos essenciais desta devoção pertencem de modo permanente à espiritualidade da igreja através de sua história; pois desde o começo, a Igreja olhou ao Coração de Cristo transpassado na Cruz, do qual brotou sangue e água como símbolos dos Sacramentos que constituem a Igreja; e, no Coração do Verbo Encarnado, os Padres do Oriente e Ocidente cristão viram o começo de toda a obra de nossa salvação, fruto do amor do divino Redentor. Este Coração transpassado é um símbolo particularmente expressivo desse amor.” [2]

Desejo sublinhar dois pontos desta declaração: (1) que os elementos essenciais da devoção ao Sagrado Coração do Jesus “pertencem de modo permanente à espiritualidade da Igreja através de sua história”, e (2) que o Coração físico do Jesus agora em glória celestial é um símbolo particularmente expressivo do amor divino-humano do Homem-Deus.[3] Deve-se notar além disso que o que resumimos aqui em umas poucas e breves declarações a respeito ao culto ao Sacratíssimo Coração do Jesus representa uma evolução da teologia e devoção ao Coração do Jesus no curso dos séculos [4] e um largo processo por parte do Magistério que foi marcado inicialmente por julgamentos negativos que eventualmente tiveram que ser revertidos.[5]

Embora, historicamente, a evolução do culto dos Corações de Jesus e de Maria seja muitas vezes simultaneamente e profundamente interligada, como em São João Eudes (1601-1680), assim também o esclarecimento do objeto do culto do Coração de Maria veio apenas em tempos relativamente recentes. [6] Em um discurso muito significativo sobre os Corações de Jesus e Maria dados em 22 de setembro de 1986, o Papa João Paulo II estabeleceu:

"Vale ressaltar que o Decreto com o qual o Papa Pio XII instituiu para a Igreja universal a celebração em homenagem ao Imaculado Coração de Maria declara: ‘Com esta devoção, a Igreja faz a sua honra devido ao Imaculado Coração da Santíssima Virgem Maria , uma vez que, sob o símbolo deste coração, ela venera com reverência a santidade eminente e singular da Mãe de Deus e especialmente o seu amor muito ardente por Deus e o seu Filho Jesus, e também a sua compaixão maternal por todos os que foram redimidos pelo seu divino Sangue. (SRC, 4 de maio de 1944, AAS 37, 1945, página 50). Portanto, pode-se dizer que nossa devoção ao Imaculado Coração de Maria expressa nossa reverência pela sua compaixão maternal tanto para Jesus quanto para todos nós, seus filhos espirituais, já que ela ficou ao pé da Cruz ... No coração de Maria, vemos simbolizado seu amor maternal, sua singular santidade e seu papel central na missão redentora de seu Filho. É com relação ao seu papel especial na missão de seu Filho que a devoção ao Coração de Maria tem importância primordial, porque através do amor de seu Filho e de toda a humanidade ela exerce uma ação única para nos levar a Ele ". [7]

Mais uma vez, quero enfatizar que o coração físico de Maria, agora em glória, é designado como o símbolo de sua pessoa e explicitamente "de seu amor maternal, sua singular santidade e seu papel central na missão redentora de seu Filho".

A questão, então, de que temos diante de nós é esta: há espaço para um culto legítimo ao Coração de José? Pode-se dizer que os elementos fundamentais da devoção ao Coração de José pertencem de alguma forma à espiritualidade perene da Igreja? O Coração de José pode ser reconhecido como símbolo de sua pessoa, de seu amor paterno pelo Filho de Deus e de seu papel único na missão redentora de seu Filho? Isto, é claro, implicaria necessariamente uma proporcionalidade devida. [8] Finalmente, a Igreja sancionou esse culto?

PRIMEIRAS INICIATIVAS

Uma vez que o culto de São José no Ocidente só surge no segundo milênio [9] e vem ser solenemente afirmado pela Igreja somente na segunda metade do século XIX [10], é um tanto surpreendente que a devoção aos Corações de Jesus Maria e José fazem sua primeira aparição pública, tanto quanto podemos dizer, já em 1733 em Portugal e no Brasil, e que a fervorosa devoção ao Coração de José floresceu mais tarde no México, nos séculos XVIII e XIX. [11] Há uma indicação de que um certo Carmelita descalço, o Padre Elias dos Três Corações, fez um voto para espalhar a devoção ao "justo e muito humilde" Coração de São José em uma peregrinação pela Itália e pela França por um período de cinco anos, começando em 1843, e que esta empresa foi aprovada pelo Papa Gregório XVI em 28 de abril de 1843, embora não se saiba nada sobre os resultados de sua atividade. [12] Ainda mais detalhada e facilmente acessível é a informação sobre a Pia União do Coração Puríssimo de São José (Pia Unione del Cuore purissimo de San Giuseppe) fundada em 1846 pelo Oblato da Virgem Maria, o Padre Michele Bocca, que sempre considerou a devoção ao Coração de José como inseparável da devoção aos Corações de Jesus e Maria. [13] O Padre Stramare aponta que, na segunda metade do século XIX, havia uma boa quantidade de literatura dedicada ao Coração de São José e que o culto foi promovido por uma série de eclesiásticos notáveis. [14] Certamente, muito mais pesquisas são necessárias para completar esta breve revisão histórica.

A PROIBIÇÃO

Tendo em conta o itinerário tortuoso do culto do Sagrado Coração de Jesus e a reserva inicial por parte do magistério, não é surpreendente que a promoção do culto ao Coração de São José deva enfrentar uma oposição semelhante. Isso veio à luz em uma audiência concedida pelo Papa Bem-aventurado Pio IX do Coração Puríssimo de São José. Aqui está o seu testemunho sobre essa audiência:

"Falando sobre os Sacratíssimos Corações de Jesus e Maria, lembrei-me de que alguns acrescentam "e de São José". Hoje,18 de dezembro de 1873, o Papa me disse que isso é um abuso; não se deve representar o coração de São José; a devoção ao Coração de São José não é aprovada pela Igreja. O próprio Papa me disse isso hoje. [15]

O padre Stramare, em cujo valioso trabalho baseio-me neste ponto, pergunta: "Qual é a posição da Santa Sé sobre este assunto?" Como a mais de cem anos, não houve uma resposta oficial a esta questão, parece oportuno formulá-la de novo à luz dos desenvolvimentos subsequentes.

Vamos começar rastreando o histórico da proibição à luz da documentação disponível no momento. Sobre este assunto, é necessário recorrer à Pontifícia Josephina, o excelente catálogo e resumo dos documentos magisteriais e romanos fornecidos pelo Padre Blaine Burkey, O.F.M. Cap. Nas páginas de Cahiers de Joséphologie (Montreal) de 1962 a 1994. [16]

A primeira intervenção negativa em nome da Santa Sé, que já está disponível, é a resposta da Sagrada Congregação de Ritos ao bispo de Nantes, que perguntou se a invocação Cor Sancti Joseph purissimum, ou um pro nobis, poderia ser usado em funções não litúrgicas. Em 14 de junho de 1873, a Sagrada Congregação instruiu seu Secretário a escrever ao bispo de Nantes alertando-o de que o culto ao Coração de São José não foi aprovado pela Santa Sé [Monendum esse per epistolam Rmum. Dominum Episcopum cultum Cordis S. Iosephi non esse ab Apostolica See approbatum]. [17]

A Sagrada Congregação dos Ritos emitiu uma segunda resposta em 19 de fevereiro de 1879, alertando o Arcebispo de Chambéry de que o Papa Gregório XVI desaprovou o culto ao Coração de São José e que, portanto, se proíbem as medalhas que mostram o Coração de São José junto com os Corações de Jesus e Maria. Os autores de Le Messager de S. Joseph também devem ser avisados ​​sobre isso [Cultus cordis S. Joseph, jam a s.m. Gregorio XVI reprobatus fuit e idcirco prohibita numismata quæ, una com SS. Cordibus Jesu et Mariæ, ilud S. Joseph expositor. Hinc admonendus orator et forte etiam auctores ephemeridis Le Messager de S. Joseph, hanc devotionem non licere]. [18]

A terceira intervenção veio do Vicariato de Roma em resposta à dubia (dúvidas) apresentada pelo editor da Analecta Ecclesiastica sobre a Pia Associação da Sagrada Família com referência específica às medalhas da Sagrada Família que mostram os Corações de Jesus, Maria e José nos respectivos seios. A resposta foi que não é conveniente usar medalhas que mostrem os Corações do Menino Jesus e Maria e, no caso de São José, não é lícito [Non expedire quoad Corda D. Infantis et B. Matris. Quoad S. Josephum, non licere]. [19]

Assim como descobrimos que há lacunas óbvias na história deste culto, também descobrimos que existem lacunas notáveis ​​em relação à sua proibição. Tanto quanto eu consegui determinar, a proibição do culto pelo Papa Gregório XVI, referido à impressão em 19 de fevereiro de 1879 durante o pontificado do Papa Leão XIII, nunca foi encontrada. [20] Infelizmente, a Pontifícia Josephina, publicada pelo padre Blaine Burkey só começa com o pontificado de Pio IX e, portanto, não lança luz sobre o assunto.

Assim, toda uma série de questões vem espontaneamente à mente. [21] Gregório XVI realmente aprovou a pregação e a propagação da devoção ao Coração de São José pelo Padre Elias dos Três Corações? Por que ele proibiu a devoção mais tarde? Quando ele fez isso e em que base? Por que era necessário esperar até 1879 para notificação oficial de que a devoção já havia sido proibida no pontificado de Gregório XVI? Por que nunca foi publicado sobre esta proibição durante o longo reinado do Papa Beato Pio IX? Por que a Sagrada Congregação dos Ritos e o Vicariato de Roma não esclarecem nas suas respostas os fundamentos da proibição e por que não citam nenhum documento? Estas são perguntas sobre o passado que permanecem sem resposta, mas também há perguntas sobre o presente. Qual é o status atual da proibição, uma vez que existe uma associação pública dos fiéis na Arquidiocese de Los Angeles conhecida como "Servos dos Sagrados Corações de Jesus, Maria e José", com revelações particulares sobre devoção para o Coração de São José e outras iniciativas das quais não tenho conhecimento no momento?

Na medida em que eu consigo avaliar o status quaestionis no momento sem a luz de novas documentações históricas, acredito que se possa explorar com sucesso a questão de quais fundamentos teológicos poderiam, eventualmente, permitir o culto do Coração de São José e se poderia explorar o assunto à luz do ensino papal mais recente.

BASES TEOLÓGICAS: A ASSUNÇÃO DE SÃO JOSÉ

Eu acredito que a melhor explicação teológica oferecida até hoje para a proibição do culto do Coração de São José, sem outras indicações explícitas do Magistério, vem do Padre Roland Gauthier, CSC, que certamente foi uma das grandes figuras no campo da investigação josefológica no século XX. Ao explorar a questão de se poderia afirmar que São José estava imaculadamente concebido, uma questão mais tarde descartada pelo magistério [22], ele formulou outra questão fascinante.

"Pode-se perguntar, junto com o grande teólogo alemão Scheeben, se durante esse período, ou seja, de 1854 a 1905, talvez a Igreja não desaprovou, pelo menos, implicitamente, essa visão da imaculada concepção de São José. Sabe-se que, em diversas ocasiões, Roma desaprovava o culto ao Coração de São José, que foi invocado sob o título de "Coração Puríssimo" e que estava representado em imagens ou medalhas em união com os Sagrados Corações de Jesus e Maria. Em nossa opinião, por outro lado, nada nos autoriza a interpretar os atos das Congregações romanas neste sentido, nem mesmo a atitude dos propagadores dessa devoção, já que nunca disseram uma única palavra sobre a imaculada concepção de São José. Não se poderia alguém acreditar que Roma não queria aprovar uma devoção que assumisse, como objeto próprio e específico, o órgão corporal e o amor sensível do Coração de São José e que, consequentemente, envolve o problema da assunção do santo patriarca? "[23]

Eu acredito que sua pergunta realmente fornece a chave para a base teológica para o possível culto do Coração de São José. Já assinalamos a precisão magistral de que "o coração físico de Jesus agora na glória celestial" é descrito como o símbolo particularmente expressivo do amor divino-humano do Deus-Homem e que "o coração físico de Maria agora em glória é designado como o símbolo de sua pessoa" e explicitamente "de seu amor maternal, sua singular santidade e seu papel central na missão redentora de seu Filho". Enquanto os corações físicos de Jesus e Maria são apenas os objetos materiais do culto e não os objetos formais ou finais, parece que o fato de que eles estão agora "batendo na glória" fornece a base necessária para o culto. No caso de Jesus, isto é verificado pela profissão de fé da Igreja em sua ascensão triunfante ao céu. No caso de Maria, isso é verificado pela firme crença da Igreja em sua gloriosa Assunção.

Uma crença semelhante pode ser afirmada para São José? Passemos à pesquisa do Padre Francis L. Filas, S.J.

"Independentemente de qualquer referência na Escritura, a doutrina da ressurreição de São José e a assunção de seu corpo glorificado ao céu poderiam ser propostas com base na aptidão. Geralmente, no entanto, baseou-se nas palavras de São Mateus: "E muitos corpos de santos mortos ressuscitaram. E, saindo dos sepulcros após a ressurreição, eles entraram na Cidade Santa e apareceram para muitos" (27,52-53) ...

Desde a época dos Padres da Igreja, a opinião predominante foi que essas almas se encontraram com seus corpos para nunca mais morrerem; e quando Cristo subiu ao céu, entraram no céu com ele, corpo e alma, por toda a eternidade. Portanto, sua ressurreição não seria um mero retorno à vida terrena, mas um avivamento e glorificação de seus corpos, como acontecerá no último dia para o resto dos justos. Se esta interpretação é correta, é lógico assumir (como muitos autores fizeram) que São José recebeu a glorificação de seu corpo no momento da ressurreição de Cristo. De todo, ele mereceria muito o privilégio. [24] "

É claro que a opinião sobre este assunto não foi unânime. Santo Agostinho afirmou que a Páscoa da ressurreição dos justos era meramente temporária (como no caso de Lázaro), e que essas pessoas tinham que morrer novamente. Nos seus primeiros anos, Santo Tomás de Aquino afirmou que esses santos entraram no céu com Cristo, mas depois abandonou essa opinião em favor de Santo Agostinho. [25] Juntamente com Agostinho, talvez a outra opinião mais forte seja a de Bento XIV na sua qualidade como teólogo privado. [26] Por outro lado, Martin Jugie, A.A., cujo trabalho sobre a morte e assunção de Nossa Senhora ainda é um clássico, declara:

"Se tivermos que decidir esta questão simplesmente pelas autoridades, parece que a tese de uma ressurreição permanente pode ser manifestada pela qualidade e pelo número de comentaristas que a apoiaram no passado e ainda a mantêm hoje. Em nossos dias, prevaleceu claramente. "[27]

Sobre a questão específica da inclusão de São José entre aqueles que entraram no céu com Cristo, Jugie afirmou ainda: "Nós não acreditamos que Suarez, Francisco de Sales e Cardinal Lepicier fizeram 'uma conjectura vazia' ao inferir que São José estava entre aqueles que foram ressuscitados ". [28] Entre os mais fortes defensores dessa crença estavam Jean Gerson, São Bernardino de Siena e São Francisco de Sales. [29]

O padre James J. David, O.P., também observa que

"O Papa João XXIII, numa homilia sobre a Festa da Ascensão em 1960, explicitamente interpretou que Santo Tomás, em seu comentário sobre Mateus, afirmava que aqueles que saíram de suas tumbas logo após a ressurreição de Cristo entraram no céu com Cristo, e o Papa chegou a dizer que se pode aceitar como plausível a assunção corpórea de São João Batista e São José. "[30]

O texto do Papa Beato João XXIII é o seguinte:

"Entre os Padres e Doutores que variadamente interpretam esta passagem de São Mateus, Santo Tomás de Aquino em seu comentário decisivamente toma seu lugar com aqueles que afirmam que "ressuscitaram os corpos dos santos que dormiam "acrescentando", e acrescenta “para entrar no céu com Cristo”.

Isto então, diz respeito aos mortos do Antigo Testamento que estavam mais próximos a Jesus – nomeemos a dois dos mais próximos em sua vida: São João Batista, o Precursor, e José de Nazaré, seu cuidador e tutor, pertence a eles – assim podemos piedosamente acreditar – a honra e o privilégio de encabeçar este maravilhoso acompanhamento através dos caminhos para o céu. [Tra i Padri e i Dottori che variamente interpretano questo passo di S. Matteo, l’Aquinate nel suo Commentario prende posto decisamente presso quanti asseriscono che corpora sanctorum qui dormierant surrexerunt – egli aggiunge – tanquam intraturi cum Christo in coelum. Spetta quindi ai morti dell’Antico Testamento i più vicini a Gesù – niminiamone due di più intimi alla sua vita, Giovanni Battista il Precursore e Giuseppe di Nazareth, il suo nutricatore e custode – aspetta a loro – così piamente noi possiamo credere – l’onore ed il privilegio di aprire questo mirabile accompagnamento per le vie del cielo.] [31]

Vou deixar a última palavra sobre este tema fascinante para o Padre Bonifacio Llamera, O.P. (1913-1959), um dos mais prestigiados josefólogos espanhóis dominicanos do século XX. [32] Depois de ter abordado o assunto com amplitude e profundidade, ele afirma:

"Parece razoável que a Sagrada Família --- Jesus, Maria e José --- predestinados para iniciar a nova vida divina da raça humana, também deviam começar a vida gloriosa da ressurreição. É verdade que Jesus e Maria são de longe superiores a São José, mas essa superioridade não impediu que o santo pertencesse à Sagrada Família, mesmo tomando o lugar de marido e pai. Parece pouco provável, então, que quando Jesus ressuscitou seu pai providencial também não foi ressuscitado com Ele, ou que Maria ressuscitou sem o seu marido muito digno. Portanto, acreditamos que São José, nosso querido patriarca, triunfou e desfruta com todos os santos, absolutamente, a vida da alma assim como a vida do corpo, na companhia eterna de Jesus e Maria. "[ 33]

Gostaria apenas de acrescentar este comentário: embora eu não acho que há alguma probabilidade séria de uma definição dogmática sobre a questão da Assunção de São José, eu acho que é uma opinião muito provável que tem um peso de autoridade notável. Opino que, possivelmente, forneceria base suficiente para legitimar o Culto ao Coração de São José, se a autoridade da Igreja assim o decidir.
(...)

O STATUS QUÆSTIONIS

O que tentei fazer nessa apresentação foi recompilar diversos fatores que influem sobre o assunto do culto ao Coração de São José, o quanto fosse possível. Revisemos os principais acontecimentos que anotamos:

1. Assinalamos que, segundo o falecido Papa João Paulo II, o culto ao Sacratíssimo Coração de Jesus, ainda que não se expressasse no primeiro milênio da vida da Igreja e reconhecido por seu magistério só depois de juízos iniciais negativos, pertence “de modo permanente à espiritualidade da Igreja através de sua história”.

2. Também podemos assinalar um reconhecimento análogo do culto ao Imaculado Coração de Maria, por parte da Igreja. 

3. Em ambos os casos o objeto material do culto são os Corações físicos de Jesus e Maria, que estão agora “pulsando em glória”, enquanto que o objeto final do culto são suas pessoas.

4. Há evidências de um culto ao Coração de São José desde 1733 no Brasil e em Portugal, e posteriormente no México, na Espanha, na França e na Itália. Há uma escassez de estudos sobre o assunto no momento. Não sabemos se o desenvolvimento do culto se disseminou de um lugar ao outro ou se começou espontaneamente em vários lugares. A literatura disponível necessita ser estudada, organizada e avaliada.

5. O culto ao Coração de São José foi proibido no século XIX, mas a proibição original pelo Papa Gregório XVI nunca foi encontrada ou publicada e assim não está clara a base para a proibição. Há uma necessidade de investigação histórica adicional e de clarificação para esta área também.

6. A melhor opinião teológica para a base da proibição pareceria ser a carência de certeza da igreja sobre se o Coração de São José está agora “pulsando em glória”. Esta posição foi sustentada pelo Padre Roland Gauthier, C.S.C., mas como em muitas obras, não está clara. Esta é outra área que requer mais investigação. 

7. Há uma tradição bastante venerável para a crença na Assunção de São José, que existiu durante séculos na Igreja, e a qual foi reconhecida como legítima pelo Papa Beato João XXIII e a qual, por tanto, proporcionaria uma base para a crença de que o coração de São José está agora “pulsando em glória”. Deve acrescentar-se, apesar disso, que esta crença é certamente menos universal que a crença na gloriosa Assunção de Nossa Senhora. Não é próxima fidei e não é provável que seja definida [como dogma].

Todos esses fatores, em si mesmos, e em seu conjunto, NÃO anulam a proibição de um culto ao Coração de São José. Por outro lado, não creio que se possa afirmar que a porta está definitivamente fechada sobre esse assunto. Como já indiquei, parece que várias áreas relacionadas que incidem sobre essa questão necessitam ser estudadas e avaliadas minuciosamente. A história nos ensinou que as proibições ao culto do Sacratíssimo Coração de Jesus e à Divina Misericórdia foram transitórias e não permanentes. Todavia é possível que o Senhor queira estabelecer um culto ao Coração de São José a fim de chamar a atenção sobre seu papel único na história da salvação e para associá-lo de modo mais próximo às mentes dos fieis, com Jesus e Maria? A Igreja está avançando neste assunto – sob a guia do Espírito Santo – para a plenitude da verdade divina? [49] Só o tempo dirá.



MARIA SEMPRE!


Selección: José Manuel Gálvez Krüger
Traducido del inglés por Luz María Hernández Medina
Traduzido para o Português pelo Prof. Flavio Alves Ribeiro
Organizado por editores do blog. O negrito é nosso.



Fonte: aciprensa.com

REFERÊNCIAS

[1] Prefiro usar a palavra latina cultus ao falar da devoção aos Corações de Jesus e Maria – e possivelmente ao Coração de José – por três razões: (1) a palavra cultus tem uma ampla gama de significados em latim, que permite referir-se tanto ao culto [latria], que se rende ao Sagrado Coração de Jesus, à veneração [hyperdulia], que se rende ao Imaculado Coração de Maria, e à veneração [dulia], que se rende aos santos; (2) a palavra inglesa derivativa “culto” não tem a mesma extensão de significado que a latina e tem associações desagradáveis que gostaria de evitar; (3) a palavra inglesa “devoção” é bastante débil e não é um sinônimo apropriado para culto ou em referência à liturgia como em “culto litúrgico”.

[2] Inseg IX/2 (1986) 843 = Insegnamenti di Giovanni Paolo II (Cidade do Vaticano: Libreria Editrice Vaticana) [ORE 960:5, 7 = (L’Osservatore Romano, edição semanal em inglês; Primeiro número = número de edição acumulativa, segundo número = número da página]. Os itálicos são meus.

[3] Sobre este segundo ponto cf. Pío XII, Haurietis Aquas, Heinrich Denzinger, S.I., Enchiridion Symbolorum Definitionem et Declarationum de Rebus Fidei et Morum. Edizione Bilingue (XXXVII) a cure di Peter Hünermann (Bolonia: Edizioni Dehoniane, 2000) #3922-3925 (daqui por diante, será citado como D-H).

[4] Cf. Bertrand de Margerie, S.J., Histoire Doctrinale du Culte au Coeur de Jésus t. 1 Premières Lumière(s) sur L’Amour (París: Ediciones Mame, 1992) y Histoire Doctrinale du Culte envers le Coeur de Jésus t. 2 L’Amour devenu Lumière(s) (París: Edições São Paulo, 1995).

[5] Cf. Margaret Williams, R.S.C.J., The Sacred Heart in the Life of the Church (Nueva York: Sheed y Ward, 1957) esp. 121-138; Arthur R. McGratty, S.J., The Sacred Heart Yesterday and Today (Nueva York: Benziger Brothers, Inc., 1951) esp. 151-210.

[6] Cf. John F. Murphy, Mary’s Immaculate Heart: The Meaning of the Devotion to the Immaculate Heart of Mary (Milwaukee: The Bruce Publishing Co., 1951); Théodore A. Koehler, S.M., “The Heart of Mary in the Latin Tradition from the Seventh to the Sixteenth Century” Marian Library Studies Nova Série 25 (1996-1997) 91-175.

[7] Inseg IX/2 (1986) 699-700 [ORE 959:12]. Os itálicos no segundo parágrafo são meus.

[8] Cf. Boniface Llamera, O.P., Saint Joseph trans. Sr. Mary Elizabeth, O.P. (St. Louis: B Herder Book Co., 1962) 296-298.

[9] Cf. Francis L. Filas, S.J., Joseph: The Man Closest to Jesus: The Complete Life, Theology and Devotional History of St. Joseph (Boston: Edições São Paulo, 1962, 2da. ed.) 493-569.

[10] Cf. Filas 576-636.

[11] Cf. Tarcisico Stramare, O.S.J., “Storia della devozione al cuore di San Giuseppe,” (hereafter cited as Storia) Tabor 51:2 (1997) 14. Este ensaio foi publicado por primeira vez em espanhol como “Devoción al corazón de San José” em Estudios Josefinos 50, N° 100 (julio-diciembre 1996) 179-194.

[12] Cf. Storia 15.

[13] Cf. Storia 14-20.

[14] Cf. Storia 24-25, notas al calce 8-11.

[15] Storia 21 (mi trad.).

[16] Cf. Larry Toschi, O.S.J., “Liturgical Feasts of Saint Joseph in the 19th and 20th Centuries” en Larry Toschi, O.S.J. (ed.), Saint Joseph Studies: Papers in English from the Seventh and Eighth international St. Joseph Symposia: Malta 1997 and El Salvador 2001 (Santa Cruz, CA: Guardian of the Redeemer Books, 2002) 25, nota al calce 1.

[17] Blaine Burkey, O.F.M. Cap., Pontificia Josephina C558 [197-198] in Cahiers de Joséphologie 12 (1964) 377-378.

[18] Pontificia Josephina D45 [263] en Cahiers de Joséphologie 17 (1969) 339.

[19] Pontificia Josephina D487 [426-427] in Cahiers de Joséphologie 20 (1972) 168-169.

[20] Cf. Alfred de Bonhome, “Dévotions Prohibées,” Dictionaire de Spiritualité 3:788-789.

[21] Cf. Storia 23-24.

[22] Em sua Encíclica Fulgens Corona, Pío XII falou de “o mui singular privilégio” da Imaculada Conceição de Maria, “o qual nunca foi concedido a pessoa alguma” [AAS = Acta Apostolicæ Sedis 45 (1953) 580] e em sua audiência general de 12 de junho de 1996 João Paulo II declara explicitamente que isto excluía o atribuir este privilegio a São José [Inseg XIX/1 (1996) 1498].

[23] Roland Gauthier, C.S.C., “Immaculée Conception de Marie, privilège singulier ou unique? Étude historique sur l’opinion de l’immaculéè conception de S. Joseph”, Cahiers de Joséphologie 2 (1954) 193-194 (mi trad.).

[24] Filas 421-422.

[25] Cf. James J. Davis, O.P., A Thomistic Josephology (Montreal: Centro Oratório de Investigação de São José; Universidade de Montreal, Faculdade de Teologia, 1967) 285-289; Filas 422.

[26] Filas 425.

[27] Martin Jugie, A.A., La mort et l’assomption de la Sainte Vierge (Ciudad del Vaticano, 1944) 52 (trad. en Filas 424).

[28] Jugie 54 (trans. in Filas 425).

[29] Cf. Filas 425-428.

[30] Davis 289.

[31] AAS 52 (1960) 455-456 (mi trad.). Deve assinalar-se que o Papa citava o Comentário sobre Mateus de Santo Tomás, o qual representa um período anterior. O texto completo em inglês se encontra em Davis 287.

[32] Cf. James J. Davis, O.P., “Spanish Dominican Josephologists of the Twentieth Century,” en Toschi, Saint Joseph Studies 11-13.

[33] Boniface Llamera, O.P., Saint Joseph trad. por Hna. Mary Elizabeth, O.P. (San Luis: B. Herder Book Co., 1962) 272.

[49] Cf. Constituição Dogmática sobre a Revelação Divina, Dei Verbum #8.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

LADAINHA DA QUARESMA



Oração devocional, de uso restrito para meditação particular, para ser rezada durante a Quaresma, contendo uma série de invocações relacionadas a passagens bíblicas penitenciais do Antigo e do Novo Testamento, particularmente aquelas que fazem referência a súplicas, a obras de mortificação e ao jejum. 


Ladainha da Quaresma

Senhor, tende piedade de nós.

Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.
Pai Santo, ouvi-nos.
Pai de Justiça, atendei-nos.
Deus Pai do céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Deus (antes de cada invocação):
que não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva, tende piedade de nós.
Que destes a Moisés, depois dele ter jejuado por quarenta dias, as tábuas da Lei no Monte Sinai, tende piedade de nós.
Que, pelo jejum e orações de Moisés, perdoastes os pecados do seu povo, tende piedade de nós.
Que, pelo jejum de Daniel, o preservastes incólume na cova dos leões, tende piedade de nós.
Que poupastes os ninivitas quando jejuaram e clamaram por Vós, tende piedade de nós.
Que livrastes os ninivitas da destruição da sua cidade, quando se arrependeram e fizeram penitência vestidos de saco, cilício e cinza, tende piedade de nós.
Que perdoastes o pecado do rei Davi, quando este confessou o seu pecado e se cingiu com o cilício e se arrependeu, tende piedade de nós.
Que ouvistes e consolastes Judite, quando ela se prostrou diante de Vós, vestindo o cilício e cobrindo a cabeça com cinzas, tende piedade de nós.
Que salvastes a Jonas quando clamou por Vós no ventre da baleia, tende piedade de nós.
Que libertastes Ezequiel do exército dos assírios, quando ele e seu povo jejuaram e se vestiram de sacos e cinzas, tende piedade de nós.
Que concedestes a Ester, enquanto jejuava, que achasse graça aos olhos do rei, tende piedade de nós.
Que libertastes Mardoqueu da forca, quando este clamou pelo Vosso auxílio, vestido de saco e cinza, tende piedade de nós. 
Que intercedestes pelos macabeus enquanto jejuavam, vestidos de saco e cinza, e clamaram por Vós, tende piedade de nós.
Que manifestastes a Ana no templo enquanto jejuava e orava constantemente a Vós, tende piedade de nós. 
Que revelastes muitos mistérios aos Profetas enquanto jejuavam e se afligiam com muitas penitências, tende piedade de nós.
Que ouvistes as preces dos sacerdotes de Israel enquanto se penitenciavam com cilício e oravam e ofereciam sacrifícios pelo seu povo, tende piedade de nós.
Que jejuastes durante quarenta dias e quarenta noites no deserto, tende piedade de nós.
Que instituístes o tempo quaresmal por meio dos Vossos apóstolos,tende piedade de nós.
Que iluminastes Paulo enquanto orava e jejuava por três dias, tende piedade de nós.
Que perdoais os pecados dos homens por causa do seu arrependimento, tende piedade de nós.
Que nos escolhestes e nos temperastes na fornalha da humildade, tende piedade de nós.
Que julgais os Vossos escolhidos como ouro no cadinho, tende piedade de nós.
Que concedeis um tempo e um lugar para o arrependimento dos pecadores, tende piedade de nós.
Que castigais a todo filho de Vossa predileção, tende piedade de nós.
Que desejais que ninguém se perca, mas que volvam a Vós arrependidos, tende piedade de nós.
Que por Vossa graça chamastes Mateus, sentado no posto de coleta de impostos, tende piedade de nós.
Que justificastes o publicano que golpeava o peito em arrependimento, tende piedade de nós.
Que recebestes de forma paternal o filho pródigo que voltou a Vós, tende piedade de nós.
Que fizestes brotar a fonte da água viva para a mulher samaritana, tende piedade de nós.
Que recebia coletores de impostos e pecadores e comia com eles, tende piedade de nós.
Que amastes muito Maria Madalena e a perdoastes de muitos pecados, tende piedade de nós.
Que olhastes com ternura para Pedro, que três vezes Vos negastes, tende piedade de nós.
Que prometestes o Paraíso ao ladrão penitente, tende piedade de nós.
Que nos livrais de nossas iniquidades e pecados, tende piedade de nós.
Que nos clamais por penitência, pela imposição do cilício e pela cabeça coberta com cinzas, para não nos alcançar a Vossa ira santa, tende piedade de nós.
Que tendes misericórdia de todos os que se voltam para Vós em jejum, dor e arrependimento, tende piedade de nós.
Que esqueceis por completo todos os nossos pecados depois que nos arrependemos, tende piedade de nós.

Deus misericordioso e pronto a nos perdoar, tende piedade de nós.
Sede propício, perdoai-nos Senhor.
Sede propício, atendei-nos Senhor.

De todo mal, livrai-nos, Senhor.
De todo pecado, livrai-nos, Senhor.
De todo perigo do corpo e da mente, livrai-nos, Senhor.
De toda malícia e ira, livrai-nos, Senhor.
Dos pecados da carne e dos vícios, livrai-nos, Senhor.
De toda impureza e luxúria, livrai-nos, Senhor.
De todas as disputas e contendas, livrai-nos, Senhor.
De toda negligência e preguiça, livrai-nos, Senhor.
Da impenitência e dureza de coração, livrai-nos, Senhor.
De uma morte súbita e inesperada, livrai-nos, Senhor.
Da condenação eterna, livrai-nos, Senhor.

Pelo Vosso batismo e jejum, livrai-nos, Senhor.
Pelas Vossas três tentações no deserto, livrai-nos, Senhor.
Pela Vossa sede e fome, livrai-nos, Senhor.
Pelos Vossos trabalhos e Vossas dores, livrai-nos, Senhor.
Pela Vossa sentença de morte, livrai-nos, Senhor.
Pelo Vosso sacrifício cruento na Cruz, livrai-nos, Senhor.
No dia do Juízo, livrai-nos, Senhor.

Pecadores que somos, Vos rogamos, ouvi-nos.
Para que sejais misericordioso conosco, Vos rogamos, ouvi-nos.
Para que nos digneis a buscar o verdadeiro arrependimento, Vos rogamos, ouvi-nos.
Para que possamos obter frutos dignos de arrependimento, Vos rogamos, ouvi-nos.
Para que nos digneis lamentar os nossos pecados e buscar a Vossa graça, Vos rogamos, ouvi-nos.
Para que nos digneis pelo jejum purificar a Vossa Igreja e libertá-la de toda iniquidade, Vos rogamos, ouvi-nos.
Para que possamos nos apresentar sempre como um sacrifício vivo, santo e agradável a Vós, Vos rogamos, ouvi-nos.
Para que possamos obter o perdão e a remissão de todos os nossos pecados, Vos rogamos, ouvi-nos.
Para que, por meio das tribulações desta vida, sejamos dignos de alcançar a glória futura, Vos rogamos, ouvi-nos.
Para que Vos digneis acolher as nossas súplicas, Vos rogamos, ouvi-nos.
Filho de Deus, Vos rogamos, ouvi-nos.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, atendei-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Pai Nosso...
e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.

V. Entre o pórtico e o altar, os sacerdotes, os servos do Senhor, hão de lamentar:
R. Tende piedade de vosso povo, Senhor.
V. Não nos trateis segundo os nossos pecados, 
R. Nem nos castigueis em proporção às nossas faltas.
V. Não leveis em consideração as nossas iniquidades passadas,
R. Nem tomeis tento de nossos pecados.
V. Ajudai-nos, ó Deus nosso Salvador,
R. E livrai-nos em nome da glória do Vosso nome, Senhor.
V. Sede misericordioso diante os nossos pecados, ó Senhor,
R. Em favor do vosso Santo Nome.
V. Ó Senhor, ouvi a minha oração,
R. E chegue a Vós o meu clamor.

Oremos

Ó Deus onipotente e eterno, tende piedade dos que se arrependem sinceramente e Vos imploram o perdão dos seus pecados e que, invocando humildemente o Vosso Santo Nome, prestam penitência das suas faltas; concedei-lhes, nesta Quaresma, as graças necessárias para o perdão dos pecados e a saúde do corpo e da alma e, assim, em nome da recompensa que prometestes, possam ser contados entre Vossos Filhos e alcançarem um dia as eternas bem aventuranças.

Ó Deus, que por Graça suprema criastes o homem e por Graça ainda maior o redimistes, concedei-nos, nós Vos suplicamos, novas graças de mente e coração para resistir às tentações do pecado e Vos servir fielmente. Ouvi com clemência as nossas orações, nós Vos suplicamos, para que sejamos libertados dos pecados que nos afligem, pela glória e misericórdia do Vosso Santo Nome. Como Vossos filhos, nós Vos suplicamos, guardai-nos de todo mal e protegei-nos nas adversidades e dai-nos a graça de Vos servir sempre com zelo e devoção.


Ó Deus, que não desejais a morte, mas o arrependimento dos pecadores, olhai com clemência para a fragilidade da nossa natureza humana e auxiliai, com a Vossa benevolência, os nossos esforços de arrependimento e penitência para alcançarmos, pela Vossa misericórdia, o perdão dos nossos pecados, a perseverança nas nossas ações e o prêmio da felicidade eterna. Amém.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que vive e reina Convosco na unidade do Espírito Santo, como um só Deus, pelos séculos dos séculos. Amém.
V. Ó Senhor, ouvi a minha oração,
R. E chegue a Vós o meu clamor.
V. Bendigamos ao Senhor.
R. Demos graças a Deus.
V. Que as almas dos fiéis defuntos, por meio da misericórdia de Deus, descansem em paz.

R. Amém.


MARIA SEMPRE!