terça-feira, 18 de novembro de 2014

O GÊNERO DE CULTO DAS IMAGENS


Imagem de Nossa Senhora de Fátima venerada em Portugal

Postado por editores do blog

Segue abaixo mais um interessante texto do Padre Júlio Maria, Missionário de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento (1878-1944), a respeito do culto devido às imagens sagradas *. É conveniente recordarmos tais ensinamentos, infelizmente não mais ensinado para nossas crianças durante a catequese.


†††

“O culto das imagens, não somente nunca foi proibido, mas foi ordenado por Deus.

Examinemos agora qual é o culto que devemos prestar às imagens.

O culto devido à imagem, como ensina São Tomás, é aquele que é devido a seu exemplar, porém de um modo diferente.

O exemplar é honrado por si mesmo, enquanto a imagem o é por causa do exemplar...

O primeiro chama-se culto ABSOLUTO, o segundo é o culto RELATIVO.

Deste modo o exemplar e a imagem formam um ÚNICO OBJETO de veneração.

Isso explica que nunca honramos uma imagem por si mesma, mas unicamente pelo objeto que representa; e que as honras que lhes tributamos são tanto maiores, quanto maior é o objeto que representam.

Deus como soberano Senhor merece um culto de adoração ABSOLUTO (latria), as imagens de Jesus Cristo merecem o mesmo culto, porém de um modo relativo.

Maria Sma., como Mãe de Deus, merece um culto de super-veneração absoluto, abaixo de Deus e acima dos santos (hiper-dulia).

As imagens de Maria Sma. merecem o mesmo culto de hiper-dulia, porém de um modo relativo.

Pe. Júlio Maria 1878-1944
Os Santos por serem amigos de Deus, merecem o culto de veneração ABSOLUTO (dulia). As suas imagens merecem o mesmo culto; porém de um modo relativo.

Se descêssemos da ordem sobrenatural à ordem natural encontraríamos a mesma distinção aceita por todos.

Os súditos de um reino devem ao seu chefe um culto de respeito; os filhos devem a seus pais um culto de amor filial – os amigos devem a seus amigos um culto de amizade, e este culto é devido de um modo absoluto às suas pessoas e de um modo relativo às imagens que os representam.

O patriota deve à sua terra um culto de patriotismo absoluto, e deve à bandeira o culto relativo, embora a bandeira como objeto material, seja apenas um pedaço de pano, porém como objeto representativo, simbólico, é o coração da pátria que pulsa em suas dobras.

Pelo que procede vê-se haver três maneiras de considerar uma imagem:

Como objeto material, isso é, a matéria de que é feita – A esse ponto de vista nenhuma imagem merece um culto.

Como um objeto santo, como seria uma coisa Sagrada, por exemplo, a Bíblia. A este ponto de vista o objeto merece respeito e veneração, porém inferior que se tributa ao protótipo.

Como objeto formal, isto é como representação do protótipo. A esse ponto de vista merecem também um culto relativo, como sendo a expressão de um objeto que merece um culto absoluto.

Assim, a Cruz, os pregos, a lança, devem ser honrados de um culto de LATRIA relativo. As imagens de Maria Sma. de um culto de HIPERDULIA relativo, e as imagens e relíquias dos Santos, de um culto de DULIA relativo.

Eis a doutrina da Bíblia e da Igreja a respeito das imagens. Tudo isso é claro, é lógico, é irrefutável.”


*MARIA, Padre Julio. A mulher e a serpente. Manhumirim: O lutador, 1930; p. 65 -68.

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MARIA SEMPRE!


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O PAPA PODE ERRAR QUANDO ENSINA?

Papa Pio IX proclama Dogma da Infalibilidade papal - 1870


Prof. Pedro Maria da Cruz


“A opinião que então o Papa expunha não era conforme à verdade. A discussão entre Franciscanos e Dominicanos mais se acendeu.” (Pe. Bujanda -1953)

 Nós somos felizes por termos sido fundados em um homem de “Pedra” (São Pedro - Kephas). Ele é a base firme e visível que dá solidez ao edifício da verdade cuja causa primeira é o próprio Deus. Foi o que escrevera no século XVII, Padre Antônio Vieira: “Arruinou-se-lhe o primeiro edifício, porque o fundou em um homem de barro; para que se lhe não arruíne o segundo, funda-o em um homem de pedra”[1]

São tão grandes em dignidade e importância os sucessores de São Pedro que, em virtude de seu oficio, eles gozam, inclusive, de infalibilidade no magistério quando, em seu ensino universal, como Pastores e Doutores supremo de todos os fiéis, proclamam, por ato definitivo, que se deve aceitar uma doutrina sobre a fé e os costumes[2]

Porém, surge uma questão incômoda: “Mas, e em seu ensino privado, os papas podem errar?” Disponibilizamos a seguir aos leitores de nosso blog um interessante fato histórico que ajudará a responder essa demanda. Ademais, o próprio padre Bujanda, autor do texto, já nos esclarece a dúvida em seus comentários...


O PAPA PODE ERRAR EM SEU ENSINO PRIVADO...

O papa João XXII errou no ensino privado
 “No século XIV discutiu-se com ardor entre Franciscanos e Dominicanos se os prêmios dos bem-aventurados e os castigos dos prescritos começavam já em toda a sua plenitude após a morte ou depois do juízo final, em sendo pronunciada a sentença pelo supremo Juiz de vivos e mortos.
Houve, nessa altura, um Papa, João XXII, que se inclinava ao parecer dos Menores, os quais afirmavam que só depois do Juízo final começariam os bem-aventurados a gozar da visão de Deus no céu, e os réprobos a sofrer as penas do inferno.


Num sermão que esse Pontífice pregou no dia de Todos os Santos, em 1331, em Avinhão (França), onde então residia, expôs as seguintes ideias:

O prêmio dos santos, antes da vinda de Cristo, era o seio de Abraão. Depois da vinda de Cristo e da sua ascensão aos céus, tal prêmio até ao dia de Juízo será estar sob o altar (Alusão a certas palavras do Apocalipse, VI, 9), isto é, protegidos e consolados pela humanidade de Cristo. Depois do dia do Juízo será, pelo contrário, estar sobre o altar, porque depois desse dia verão não só a humanidade mas também a divindade, tal como é em si.

Noutro sermão expressou-se deste modo:
 
‘Dizemos que as almas separadas dos corpos não possuem a vista da divindade, na qual consiste o prêmio total dos santos, segundo S. Agostinho, nem terão antes da ressureição (final). Possui-la-ão quando ressuscitarem com os corpos porque tal prêmio se atribuirá ao composto de alma e corpo, quando o homem inteiro for feliz com essa visão. E digo com S. Agostinho: ‘Se estou em erro quem souber mais do que eu, corrija-me’.

A 5 de Janeiro do ano seguinte, disse novamente num sermão:

‘Da visão de Deus dissemos já o suficiente em dias anteriores. Como Deus não é mais pronto para castigar do que para premiar, não dará o castigo ao maus antes de dar o premio aos bons. Mas já dissemos que os bons não entram na vida eterna antes do dia de Juízo. Logo nem sequer os maus irão, antes desse dia, para os tormentos eternos do inferno onde há pranto e ranger de dentes.’ (Veja-se Dictionnaire de théologie, de Vacant Mangenot, Benoit XII, colunas 658 e segs.) 

Assim o Papa, fora do exercício das funções de Pastor e Mestre universal, defendia apenas como pregador, que a recompensa dos predestinados e o castigo dos réprobos não começariam na sua plenitude antes do dia de Juízo.

Como se vê, não se tratava de saber se com a morte ficava irrevogavelmente definido o nosso destino para toda a eternidade, mas unicamente quando começariam com toda a sua força os prêmios ou os castigos.


O papa não é infalível quando fala como
 orador particular e expõe a sua opinião
 num ponto doutrinal ainda indefinido.

Além disso, qualquer pessoa, medianamente instruída em Teologia, sabe perfeitamente que isto nada tem que ver com a infalibilidade pontifícia. O Papa é infalível quando define que uma verdade é de fé, por exemplo, a Imaculada Conceição, ou a Assunção de N. Senhora ao Céu e em outras ocasiões menos solenes. Mas já não o é quando, como no caso presente, fala como orador particular e expõe a sua opinião num ponto doutrinal que não está definitivamente resolvido ou não se sabe com certeza que o esteja

 

A opinião que então o Papa expunha não era conforme à verdade. A discussão entre Franciscanos e Dominicanos mais se acendeu. O Rei de França interveio para que se declarasse qual era a verdadeira doutrina. A morte, porém, impediu aquele Pontífice de decidir a questão. Ao morrer acreditava no contrário do que pregara. Acreditava, portanto, que prémios e castigos começavam a seguir à morte.

Bento XII, seu sucessor, logo desde o principio do seu pontificado quis pôr termo à controvérsia. Ordenou a ambos os partidos contendores que estudassem a questão. E quando tudo estava preparado, a 29 de Janeiro de 1336 durante a solene celebração da Missa, promulgou a sua celebérrima constituição Benedictus Deus da qual extraímos as seguintes passagens. 

 ‘Por esta Constituição, que há de valer para sempre, definimos com autoridade apostólica, que segundo a disposição geral de Deus, depois da ascensão aos céus do Salvador e Senhor nosso Jesus Cristo, as almas de todos os que receberam o batismo e nada tinham que expiar e também todas as que deviam dar uma satisfação, uma vez que a deram, imediatamente depois da morte, e antes de serem de novo unidas a seus corpos, antes do Juízo universal, estiveram, estão e estarão, no Céu com Cristo, no reino e paraíso celestial, agregadas à sociedade dos santos anjos; que vêem a essência divina face a face com visão intuitiva e que tal com tal visão e gozo são verdadeiramente felizes e possuem a vida e o descanso eternos. Definimos, mais, que as almas dos que morreram em pecado mortal, imediatamente depois da sua morte descem ao inferno onde são atormentadas com suplícios infernais... ’”

Fonte: BUJANDA, P. Teologia do Além. Trad. Joaquim A. de Souza. Porto: Livraria Apostolado da Imprensa, 1953; p. 14-18 (o negrito é nosso) 



MARIA SEMPRE!


BIBLIOGRAFIA:

- VIEIRA, Pe. Antônio. Sermões. Vol. VIII (De São Pedro). Erechim: ELDEBRA, 1998; p.237
- Código de Direito Canônico (CDC) - Cân. 749 - §1 e §2.
- BUJANDA, P. Teologia do Além. Trad. Joaquim A. de Souza. Porto: Livraria Apostolado da Imprensa, 1953; p. 14-18.
[1] VIEIRA, Pe. Antônio. Sermões. Vol. VIII (São Pedro). Erechim: ELDEBRA, 1998; p.237 [2] Código de Direito Canônico (CDC) - Cân. 749 - §1. Conferir o §2. (Também o colégio dos bispos goza de infalibilidade no magistério; porém a seu modo...)

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

AS CONTRADIÇÕES "PROTESTANTES"!


"Evangélicos" ajoelhados diante da Arca com duas imagens


Postado por editores do blog


Os chamados "evangélicos"[1] sempre atacaram a Igreja Católica pelo uso que ela faz das imagens sagradas. Entretanto, à medida em que o tempo passa, os "herdeiros de Lutero" estudam e reconhecem pouco a pouco que a Igreja Romana nunca esteve errada ao utilizar-se destes objetos de catequese. Por isso (talvez seja esta a explicação), muitos deles passaram a utilizar-se destes mesmos recursos devocionais.

Segue abaixo algumas fotografias de grupos "evangélicos" (Igreja Universal do Reino de Deus-IURD, Batistas, Presbiterianos, Mórmons, Luteranos, etc...) no usufruto deste método católico de evangelização:


Imagens no templo Adventista em Toronto
 
http://session2000.adventist.org/photo_of_day/pod_30june2000.html  

Busto do Pastor Glynn Lowry,
Igreja Assembléia de Deus

http://www.randynew.net/sculpture.htm

Imagem de escultura homenageando o
"evangélico" Billy Graham na convenção 

da Igreja Batista em Greensboro.
 http://www.floridabaptistwitness.com/6122.article

Todos ficaram boquiabertos ao verem representantes
 da Igreja Universal levarem em procissão imagens de escultura
 sobre os ombros como os católicos em suas festas religiosas.

Pastores evangélicos da Igreja
Apostólica Novo Cântico oram prostrados
diante de imagens de escultura.

Imagem de Jesus Cristo presente na
Igreja Metodista de Houston (EUA).

Imagem de Jesus ladeada por duas velas 
na Igreja dos Mórmons - Dinamarca.

Membros da Igreja Quadrangular carregando imagens
nas costas, como ocorre nas procissões católicas.

Confira estes e outros exemplo no link abaixo:
http://mentiras-evanglicas-e-outras.blogspot.com.br/2011/08/imagens-de-escultura-em-templos.html


MARIA SEMPRE!




[1] Chamamos aqui de “evangélicos” todos os grupos autodenominados cristãos que surgiram a partir da pseudo-reforma protestante no séc. XVI .

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

"O DESAFIO": O QUE HÁ POR DEBAIXO?


"...para que o tempo não nos perturbe, ele, esse terrível
 arauto de compromissos e responsabilidades."

* Oferecemos a seguir interessante artigo lançado por um membro da SSVM no Informativo Mensal Salvatoriano (Junho de 2012). Esperamos que todos gostem da reflexão. Maria Sempre!



Vivemos no tempo das fugacidades. Tudo é por demais passageiro, descartável. As coisas se esvaem rapidamente como fumaça pelo ar. Mas, onde há fumaça há fogo; ou, pelo menos possibilidade de incêndio, o que nos faz recordar algumas palavras do Cristo que dissera: “Eu vim lançar fogo sobre a Terra, e como gostaria que ele já estivesse aceso!” (Luc. 12,49)

Detalhe Catedral de Nottinghan
Lembremo-nos das antigas catedrais góticas, até hoje tão sólidas e robustas. Dão-nos a suave impressão de eternidade. Parecem impossíveis de ser destruídas. O homem que ousasse modificá-las seria taxado imediatamente como louco e insensato. Ora, o mesmo não se diz daqueles que reformam nossas modernas catedrais. Alias cada novo sacerdote ao deixar sua marca nos edifícios de culto da atualidade é saudado por sua eficiência e criatividade. Sim, para hoje “competente” é quem transforma e não mais aquele que mantém.

É o mundo da técnica. Tudo deve ser renovado a cada dia. O celular de ontem já não nos serve mais. E aquela televisão?Muito pequena. Talvez aquele computador? De forma alguma, pois todos têm comprado outro modelo. Já pensou em Strauss-Kahn? Não, não, prefiro Nicolas Sarkozy! Por fim – quem diria!- escolhem François Hollande. Socialista? Ah, não importa o partido; para que servem as ideologias? Só queremos alguém diferente; como diferente é o celular, a televisão, enfim as tecnologias de hoje que substituíram as fumarentas de ontem. Elas já não servem mais à nossa ânsia suprema por novidades...

Queremos tudo novo! Mesmo que o novo seja sombrio, como o “Amanhecer Dourado” de extrema-direita na Grécia crepuscular. Não mais nos assusta seu símbolo tão próximo à suástica nazista. Mera coincidência... Todavia, alguém poderia citar Vladimir Putin de volta ao Kremlin para o terceiro mandato. Entretanto, esse exemplo só valida nossa exposição, uma vez que “manter-se”, não esvair-se, “permanecer” exige a “fraude” e o “uso indevido da força”. Precisamos citar nossa querida Venezuela? Ou, a mídia brasileira?

 
"...cujos corredores levam
    ao altar dos sacrifícios..."
Jesus, Igreja, casamento... Ai! Essas coisas são muito estáticas, rígidas, e, além do mais, exigentes. A nostalgia pelo eterno já está devidamente satisfeita pelo tombamento histórico. Mas, tudo bem! Se não podemos desaparecer com o Cristo, por exemplo, que pelo menos Ele seja agradável: vamos retirá-lo da Cruz e apresentá-lo, tão somente, ressuscitado, vitorioso, bem sucedido; da forma como nós queremos ser! Afinal, após dura semana de trabalho ninguém merece diante de si a imagem de um derrotado, pobre, crucificado e judeu. Não! Caso contrário, preferimos o Shopping...

   
Onze milhões de pessoas frequentam
 shopping por dia [1]
Ah, o Shopping! Lá sim, ao contrário da Igreja, tudo está aggiornado, atualizado, à altura do homem moderno. Verdade! Pense bem: no Shopping não colocam relógios nem janelas em sua descente “via sacra” para que o tempo não nos perturbe, ele, esse terrível arauto de compromissos e responsabilidades. Seu piso é liso, sem atritos, para que andemos lentamente; assim há mais chance de percebermos as vitrines, essas, graças a Deus, mais agradáveis que cristos crucificados. Espelhos? Têm aos montes! Para que vejamos o quanto estamos ultrapassados, necessitados e fora do padrão. Já observaram como seus corredores mais parecem labirintos? É o golpe de misericórdia! Quem ao sair de um shopping nunca teve a grata impressão de que deixou um daqueles corredores sem visitação, mesmo havendo passado mil vezes por cada um deles? Entretanto, nós os preferimos à Nave Central de nossas Igrejas, cujos corredores levam ao altar dos sacrifícios... 

Antes de encerrarmos, dada a limitação do espaço, vale apena perguntar: haveria algo que “permanece” em toda essa febre pelo diferente? Talvez ali, escondido por debaixo do frenesi moderno, como brasa, disfarçada pelas cinzas, acusada pela fumaça, esteja a busca do homem por felicidade. Entre erros e acertos aprenderá com o passado a grandeza do Imutável, e, com o presente, o valor das coisas supérfluas; importantes, se bem que perecíveis. Sim, dar o valor devido às coisas que passam, sem olvidar as que não passam... Como fez Maria, Nossa Mãe, nas bodas de Caná.

[1] http://vitrinedefranquias.com.br/2012/08/10/shoppings-brasileiros-recebem-11-milhoes-de-pessoas-por-dia/

MARIA SEMPRE!

Fonte:http://www.salvatorianos.org.br/wp-content/uploads/2012/06/O-Desafio-n%C2%BA-227-junho-de-2012-l-PDF-img.pdf