terça-feira, 15 de abril de 2014

Crônica: De Volta ao Confessionário


Por João. S. de O. Jr.


Adendo: a presente história e os seus personagens são fictícios. Semelhanças com a realidade são "coincidências" propositais, verídicas e bem prováveis. Esta crônica é criada no intuito de transmitir ensinamentos de fundo moral com fatos cotidianos. No nosso caso, o meio eclesiástico frente à crise do clero, visando o bem da Igreja.

*****

Um jovem chamado Zaque, chega ao confessionário depois de várias tentativas junto ao seu pároco, o Pe. Paolo, diocesano do interior paulista, descendente de italianos:

Pe. Paolo: Quais os seus pecados?

Zaque: Padre, não tenho sido atencioso para com minha família, tenho consentido com olhares impuros para as moças, tenho visto revistas e vídeos indecentes, não tenho levado a sério meu namoro... Peguei dinheiro de meus pais sem falar com eles, desperdicei meu tempo brincando no serviço; não capricho nos estudos. Quase não leio a bíblia e o catecismo como devia. Faltei alguns domingos a Missa...

Pe. Paolo: Jovem, não se culpe tanto... Deus nos quer ver felizes! Calma, és jovem ainda para se culpar tanto... Eu te absolvo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo... Vou te indicar um livro de autoajuda.

Nas semanas seguintes, o retorno à confissão:

Zaque: Padre, caí novamente em alguns dos mesmos pecados... Não tenho vigiado corretamente, ainda me faltam mortificações... Mas quero me reconciliar.

Pe. Paolo: Jovem, está sendo muito escrupuloso... A confissão não é assim... Estás se atormentando à toa. Deus é amor! Se solte mais, não se reprima.

Zaque: Não é isso padre, preciso de...

Pe. Paolo: Já te disse para parar com escrúpulos?!! [interrompe o pároco elevando a voz].

Zaque: Ok, padre... Pode me dar a absolvição?

Pe. Paolo: Está bem. Mas, não precisa vir toda semana se confessar. Vou te dar uma absolvição logo, pois tenho uma reunião pastoral paroquial.


Passam-se algumas semanas sem que o jovem tenha voltado ao confessionário. Passam-se meses, um ano, dois anos... Sete anos! 

Um dia, o sacerdote, já aposentado, agora como vigário, separara uma hora na semana para confissões aos fiéis da paróquia. Chega a vez daquele jovem, já um adulto formado e com mais experiência na vida:


Pe. Paolo: Estou te reconhecendo rapaz, nunca mais te vi por aqui...

Zaque: É que me afastei da Igreja padre. Graças a Deus estou de volta e depois de muito tempo quero confessar novamente.

Pe. Paolo: Quais são os seus pecados?

Zaque: Traí a minha esposa, inúmeras vezes... Fiz trapaças aos meus sócios, roubei. Fiquei anos sem conversar com meus irmãos por causa de herança, ganância mesmo. Não estive ao lado de minha mãe na sua morte e nem sequer pedi-lhe perdão. Envolvi-me em uma vida de paixões, devassidões, drogas e baladas. Queria abortar o meu filho com minha esposa, a Rita, ela que resistiu. Nunca mais cumpri os preceitos da semana santa ou outros dias santos como católico... Ao contrário, até frequentei seitas protestantes e terreiros de macumba para conseguir meus objetivos. Fiquei sete anos sem ir à Missa.

Pe. Paolo: Nossa?! Isto é grave. Por que ficou tanto tempo sem ir à Missa?

Zaque: Tinha para mim que a Missa era um banquete de encontro da comunidade, assim que compreendi na paróquia. Vi que estaria sendo mais verdadeiro e menos hipócrita encontrando com meus amigos nos barezinhos do shopping. Afinal, além da curtição, eram amigos que eu conhecia e me ouviam. Não precisava ficar indo em algo que eu não via sentido.

Pe. Paolo: Deus te perdoa, filho. Mas, como foi cair gravemente? Por que se afastou tanto?

Zaque: Padre, quanto aos pecados que estou confessando, acostumei para mim que não era nada demais ver as mulheres como objetos, afinal, todo mundo olha.... Trair minha esposa com outras mulheres ou lançar olhares libidinosos sobrepondo os desejos acima da razão, não são coisas muito diferentes. Atrapalhei muito meu casamento, porém quero me esforçar por minha esposa e meu filho. Não quero deixá-los na mão como fiz com meus pais e meus irmãos. As feridas que causei não se restauram sozinhas. Estou aprendendo que dominar as paixões é possível, vencer o egoísmo quando há mortificação e que ela é sempre necessária. Quero ser honesto e devolver tudo que roubei, sejam dois ou mil reais, pois são roubos da mesma maneira. Estou arrependido e quero receber a graça da absolvição e depois continuar reparando os danos que causei.

Pe. Paolo: Por que abandonou a Igreja por este tempo todo? [pergunta o padre com voz trêmula]

Zaque: Bem padre, diziam-me que para ser católico não precisava de grandes esforços e deixei me levar por isto. Assim, perdi a vontade de aprender as coisas da Igreja como elas realmente são. Caí no relativismo, como não ouvia a defesa (apologética) da Igreja nem dos próprios religiosos, passei a dar crédito a qualquer baboseira que dissessem contra ela. E como fui aprendendo que toda religião é igual e é boa desde quando nos faz sentir bem, passei pelas seitas. Pois me sentiria bem conseguindo as coisas que eu desejasse em cada momento. Estou voltando para a Igreja graças a um apostolado de amigos, todos devotos da Santíssima Virgem Maria. Estou conhecendo a doutrina autêntica da Igreja Católica Apostólica Romana. Padre, eu tinha me esquecido da Cruz de Cristo, estou redescobrindo-a. Redescobrindo também o valor da Santa Missa, do santo terço, do catecismo, , da vida dos Santos... Estou conhecendo a Tradição da Igreja! Padre, eu poderia muito bem ter morrido sem ter voltado ao catolicismo. Se estou aqui é por graça e misericórdia de Deus!

Um instante de silêncio. Atônito, e com o olhar voltado para dentro, responde o velho sacerdote dando um grande suspiro: 

Pe. Paolo: Vou te dar a absolvição e a penitência...

Zaque: Padre, obrigado! Só outra coisa: sempre voltarei a confessar porque sei que sempre estarei propício a pecados. Quero ser santo, caso contrário, serei apenas medíocre. Quando recebo esta absolvição, não é alívio psicológico, é a graça sacramental que Nosso Senhor Jesus Cristo deu aos apóstolos. Hoje, na tua pessoa como sacerdote. Permita-me beijar a tua mão!?

Pe. Paolo: Meu jovem, eu estava morto e não sabia...

Zaque e o Pe. Paolo foram para frente do sacrário. Permanecendo o sacerdote mais tempo diante do Senhor, derramava lágrimas. Talvez, redescobrira a vocação. O fato é que o Pe. Paolo esteve mais presente no confessionário a partir daquele dia e nunca mais foi o mesmo.

Conclusões: Nossa história teve um final feliz, oxalá sempre fosse assim. Em breve conheceremos a história do Pe. Paolo, entretanto, por esta, já sabemos:

- Só se vence grandes batalhas se antes vencer as “pequenas”. "Aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas grandes. E quem é injusto nas coisas pequenas, sê-lo-á também nas grandes." (são Lucas 16,10).

- Quando não se és "quente", és morno, e estar morno ou frio, não há diferença. És morto espiritualmente pensando que se estás vivo (Apocalipse 3, 15-16); 

- Confissão e conversão nunca são demais. O que estás esperando?

domingo, 13 de abril de 2014

Santa Gema Galgani



É uma santa dos nossos dias. Faleceu no início do século passado, mas é uma santa em contraste com o materialismo desta época, pois foi uma das maiores místicas da Igreja.

Gema nasceu na cidade de Lucca, no centro da Itália, em 1878.

Seu nome foi uma profecia, pois significa pérola, diamante e de fato foi uma alma altamente predestinada à santidade sublime.

Ficou sem pais antes de completar os dez anos e foi acolhida por uma família amiga que continuou a educação esmeradamente cristã dos pais.

Mas não precisou de tanto, pois o Espírito Santo guiava visivelmente esta alma nos caminhos da santidade.

Sua modelar conduta, recolhimento espiritual no meio dos trabalhos domésticos, seu amor á oração, seus atos de abnegação e mortificação lhe conferiram um aspecto celestial; no entanto, era visível nela o esforço de corrigir-se dos defeitos e de crescer em perfeição. Desde cedo, sentiu-se tocada por um amor terníssimo a Jesus crucificado, sua especial devoção, de tal modo que, crescida nos anos, insistiu para ser admitida entre as Irmãs Passionistas, que cultuam de modo especial a paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mas seu ardente pedido não foi atendido, o que lhe causou imensa dor e tristeza. “As Irmãs passionistas não me quiseram em sua comunidade, disse Gema, pois com elas eu quero estar espiritualmente! Emitiu os votos de consagração total a Cristo crucificado, em espírito de vítima de expiação dos pecados do mundo.”

Gema foi favorecida por numerosas visões de Cristo, que, querendo associá-la à sua paixão e morte, gravou no corpo de Gema os sagrados estigmas da paixão e morte, isto é os sinais sangrentos dos pregos nas mãos e nos pés, além da ferida no peito, privilégio este concedido a poucos santos, como a São Francisco de Assis e Santa Catarina de Sena. Assim foi destinada a experimentar todas as sextas-feiras as dolorosas sensações do suor de sangue, da flagelação, da coroação de espinhos, da crucifixão com toda a agonia de Jesus na Cruz.

Consumida mais por amor a Deus do que por enfermidade, faleceu em Lucca, aos 11 de Abril de 1903, na idade de 25 anos. Admirável é Deus em seus santos! Gema foi uma pérola admirável, uma rosa perfumada crescida nos espinhos nos espinhos dos sofrimentos já vividos pelo seu Divino Esposo: Cristo.

Livro: O Santo do Dia, Dom Servilio Conti, ed. Vozes.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Oração para pedir a Deus a luz do entendimento



Iluminai-me, interiormente, ó bom Jesus! Fazei brilha vossa luz em meu coração e dissipai todas as trevas que o escurecem. Refreai as divagações de meu espírito e quebrantai as tentações violentas que me combatem.

Pelejai fortemente por mim, e afugentai essas feras péssimas, esse apetites que nos lisonjeiam para perder-nos, a fim de que a minha alma consiga a paz pelo vosso esforço, e venha a ser um templo puro, onde se entoam à vossa gloria perenes louvores.
Mandai aos ventos e às tempestades; dizei ao mar: “Sossega-te; ao vento: não sopres; e haverá grande bonança” (Mc 4,39).

Envia vossa luz e vossa verdade para que resplandeçam em minha alma, porque sou uma terra estéril e tenebrosa até que Vós me alumieis.
Derramai sobre mim as graças do céu; regai meu coração com orvalho celestial; chovam sobre esta terra árida as fecundas águas da piedade, para que produza frutos bons e saudáveis.

Levantai-me o ânimo oprimido com o peso dos pecados; transportai todos os meus desejos ao céu, para que, gostando a doçura dos bens eternos não possa sem desgosto pensar nas coisas da terra.

Arrebatai-me, desprendei-me das fugitivas consolações das criaturas, porque nenhuma coisa criada pode aquietar e satisfazer plenamente meu coração.
Uni-me a Vós pelo vínculo indissolúvel do vosso amor: porque Vós só bastais a quem vos ama, e sem Vós tudo é sombra e fumo.

Livro Imitação de Cristo, Livro III capítulo XXIII, oração para pedir a Deus a luz do entendimento.

sábado, 29 de março de 2014

Apontamentos sobre o Papado – Parte I

“O poder é dado a Pedro de modo singular, porque a sua dignidade é superior à de todos os que governam a Igreja.” (São leão Magno, Sec. V)
Mosaico retratando Jesus entregando a Chave da Igreja para o Apostolo São Pedro junto Cúpula da Basílica São Pedro na Cidade do Vaticano - Roma - Itália

Prof. Pedro Maria da Cruz

É urgente a defesa do papado; sublime instituição formada por Nosso Senhor Jesus Cristo! Com efeito, o mundo hodierno (sempre mais relativista, secularizado e materialista) tende a desacreditar todo e qualquer arauto da realidade sobrenatural; quanto mais ao “Trono de São Pedro” em cujo campo gravitacional foi gerada uma verdadeira e gloriosa civilização de memória indelével e profética.
A sociedade contemporânea, fixada como está no extremo oposto da cristandade medieval, deseja, com a opulência faraônica do seu edifício, sufocar o que resta do teocentrismo católico. Qual o último bastião dos poucos “prédios góticos” que resistem entre escombros? A quem ainda voltam-se esperançosos aqueles que insistem em manter a Fé? Ninguém ignora ser à linhagem dos romanos pontífices; ela em cuja cátedra reina a verdade revelada.

São os sucessores de Pedro quem sustentam o essencial de tudo o que se deve crer; e assim o fazem por ordem de Nosso Senhor, no Pai, e conduzidos pelo Espírito. Ora, sendo deste modo, que louco ousaria colocar-se contra eles? Entretanto, há sempre quem o faça. Reconheçamos a confusão do mundo em que habitamos.

Todavia, mesmo em meio às oposições, muitas vezes cruéis, são os papas quem confirmam nossa fé. São eles quem, apesar de todas as adversidades, repetem com autoridade o que jamais deveria ser esquecido. São eles a rocha firme contra a qual todas as ondas se quebram e grandes navios se arrebentam.
Ali, à sombra de Pedro, encontramos abrigo seguro... Que tremam os inimigos da Igreja!
Taxamos de louco o tempo em que vivemos. Louco o bastante para desferir golpes de ódio contra a coluna e o sustentáculo da verdade. Mas, como não o chamaríamos assim? Afinal, o próprio Deus, quando não Lhe negam a existência, fica relegado a um plano inacessível e termina figurado como uma difusa energia impessoal, esotérica, ou mesmo, um mero antropomorfismo pedagógico-cultural.
Não é verdade que nosso tempo descarta a doutrina da mediação? O homem está entregue a si mesmo; ciência e tecnologia tornaram-se panacéia universal; e, por fim, um humanismo super-otimista acaba por convencer o mundo de que a técnica erguerá na terra um verdadeiro paraíso; onde todas as pessoas poderão viver, quiçá, para sempre...
Qual o papel da religião nesta atmosfera anti-católica? Ela é vista como mais um fenômeno de caráter puramente sociológico. É importante – dizem - desde que libertada de convicções ultrapassadas, obscurantistas, medievais e imperialistas. É preciso que arranquem de si as algemas do Dogma; pois, doutrinas imutáveis impedem a evolução das ideias à luz da ciência. Ela deve aceitar que é um instrumento a mais nas mãos do Estado, e que o Estado é a soma das vontades individuais ou pelo menos da vontade de uma maioria privilegiada.
Perceba o leitor que estamos perante uma visão totalmente intramundana da realidade; nesse contexto nada há de sobrenatural. Tudo se reduz ao cientificamente mensurável e aquilo que parece avançar para além da perspectiva imanente seria fruto de certa ignorância que o futuro – acredita-se –conseguirá inscrever nas dimensões do natural por hora desconhecida em suas fibras mais remotas.
Ou seja, dia virá em que todas as coisas serão explicadas plenamente por nossa inteligência; inclusive Deus...
Ora, o dia em que Deus se limitar às dimensões da racionalidade humana deixará de ser infinito; portanto, Deus... Então, não haverá mais um ser divino? Eis a questão!
É nessa altura do campeonato que a modernidade mostrará seu incrível caráter gnóstico-panteísta com magistral habilidade: Sim, há “deus”; porém, ele não está para além desse mundo, mas, de algum modo se confunde com a matéria; semelhante, digamos assim, à criança em gestação no útero materno.
A matéria, em certo momento, odiada, é trampolim inconsciente para a descoberta de si por parte do indivíduo; depois, essa mesma matéria, agora supervalorizada, é o laboratório de um espírito divinizado que transforma em ouro tudo o que toca. Ambos os processos - um pessimista, outro otimista - não se dão necessariamente na mesma ordem nem se privam de voltar e “re-voltar”, o quando seja possível ou conveniente, a julgar pelo desenrolar dos fatos.
É esse o esquema geral dos inimigos de Pedro: negam-lhe a origem divina por defender uma diferença essencial entre criador e criatura; para, finalmente, declararem-se a si mesmos “deuses” e senhores do trono de toda verdade. Dizendo de outro modo: armam-se contra Pedro; entretanto, seu objetivo não é destruir sua Cátedra, mas sentar-se orgulhosamente sobre ela.
Perguntemo-nos: o que é tudo isso que descrevemos de modo geral e incipiente com referência ao nosso tempo? É o Agnosticismo que avança impetuosa e inconfessadamente em meio aos homens arrastando-os a mais triste solidão, angústia e infelicidade. A negação do papado em sua realidade querida por Cristo só manifesta a ponta das garras de certo ateísmo prático escondido na maciez enganadora da pseudo-intelectualidade e ilustração que hoje é ovacionada. A negação do Trono de Pedro é semelhante à grande ferida, podre e fétida, que surge em um corpo doente desde muito, mas que infelizmente não foi tratado.
Após essa breve introdução, convidamos nossos leitores a estudar conosco os traços do papado presente na figura de Simão Pedro. As informações que tiraremos da Sagrada Escritura muito nos ajudarão a vislumbrar um pouco mais a grandeza vocacional dos papas, assim como o respeito e veneração a que nos convida. Que Nossa Senhora do Bom Conselho, infunda em nossos corações por sua intercessão o devido amor pela Cátedra de São Pedro, assim como por todos os seus sucessores.
Santíssima Virgem Maria, rogai por nós!

  
Referência Bibliográfica
DELLEGRAVE, Geraldo E. O papado é instituição divina. São Paulo: Loyola, 1986.
CRUZ, Prof. Pedro M. A verdadeira Igreja de Cristo. SSVM.