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“Ó Deus, relembramos a vossa misericórdia no interior de vosso Santo Templo.” (Sl. 47,10) |
Prof. Pedro Maria da Cruz
Resplandecente em sua beleza refulge a glória da única e verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo! Mas, me perguntareis, onde está esta beleza da qual te ufanas, se vejo Imorais, Pedófilos, Avarentos e Abortistas dizendo-se Católicos? Se vejo sacrilégios, apatia ante o santo sacrifício da missa, relativismo, hedonismo, e ignorância religiosa? Acaso tudo isso não existe qual fumaça negra, tomando todo o sagrado recinto, impregnando de fétido odor toda a dita glória que cantas, e impedindo a visão desta grandeza de que te gabas? Não será esta, a fumaça de Satanás, o sinal de um fogo devorador, que fará ruir todo o templo?
“Ó Deus, relembramos a vossa misericórdia no interior de vosso Santo Templo.” (Sl. 47,10). Acaso não te lembras das promessas de Nosso Senhor com referência à sua Igreja? Cuidado! Tal dúvida pode ser o sinal de um coração que se afastou do mistério; de alguém, que não segue o salutar exemplo da Virgem Maria, que “... guardava todas as coisas em seu coração” (Lucas 2,51). O homem que se afasta da oração profunda e verdadeira, tende a ouvir sempre mais as mediocridades advindas da ignorância de uma razão, que julgou desnecessária a iluminação divina. “Filho, que o pensamento de Deus ocupe o teu espírito, e os preceitos do altíssimo sejam a tua conversa” (Eclo. 9,23). Digamos sempre com o salmista: “... jamais esquecerei vossas palavras.” (Sal.118,16)
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| "Deixai crescer juntos, o joio e o trigo" Mt 13,30 |
Disse acertadamente Nosso Senhor, que as portas do inferno jamais prevaleceriam contra sua Igreja! Sim, o disse; porém, não sejamos simplórios. Nunca poderemos julgar um versículo bíblico, fora de toda uma lógica que interliga qual rede, o discurso do Cristo; caso contrário, pecaremos contra a Hermenêutica, que nos ensina o legítimo método de interpretação dos textos Sagrados; assim, devemos ler a parte sem desprezar o todo Revelado. Deste modo, recordemos à significativa “Parábola do Joio”, onde o divino Mestre nos revela que faz parte da misteriosa vontade do Pai Celestial, deixar crescerem juntos em seu Reino, os bons e os maus; de modo, que somente chegando o final dos tempos é que serão separados uns dos outros pela Justiça do Altíssimo. “Não podemos separar ‘o Reino’, da ‘Igreja’. Com certeza que esta (a Igreja) não é fim em si própria, uma vez que se ordena ao Reino de Deus (Escatológico), do qual é princípio, sinal e instrumento. Mesmo sendo distinta de Cristo e do Reino, a Igreja, todavia está unida indissoluvelmente a ambos.”1 Assim, "o filho do homem enviará seus anjos, que retirarão de seu Reino (a Igreja e o mundo) todos os escândalos e todos os que fazem o mal...” (Mateus 13,41). “Quão saborosas são para mim vossas palavras! São mais doces que o mel à minha boca”. (Sal. 118, 103); “Vossa palavra é minha esperança.” (Sal.118, 114)
Sim! A Palavra de Deus é uma verdadeira luz que esclarece todas as trevas de nossa vã ignorância. Na única Igreja de Cristo, Católica, Apostólica, e mil vezes Romana, crescerá junto ao Trigo, o Joio; junto ao santo, o pecador; junto ao bom, o mal; pois aprouve a Deus, no mistério de sua divina vontade, o permitir. “Quão impenetráveis são os seus juízos, e inexploráveis os teus caminhos! Quem pode compreender o caminho do Senhor? Quem jamais foi seu conselheiro?” (Rom.11,34)
Deste modo, posso cantar a beleza da casa de Deus, casa esta cujos inimigos nunca vencerão completamente. No fim, aqueles que ousaram colocar-se contra os mandamentos do Senhor, seguindo seus instintos egoístas, perdendo-se em falsas doutrinas, receberão a paga devida por suas transgressões; e já nesta vida, com a escuridão de suas vidas e seus princípios, evidenciarão com mais beleza, contra sua vontade, obviamente, a luz que brilha radiante da Única Igreja de Cristo, “coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm.3,15), pois “a luz resplandece nas trevas...” (João 1,5).
Diante da majestade do sol, o pequeno lume de uma vela mais parece um nada; porém, na escuridão da noite, mesmo aquela acanhada chama é resplandecente em sua beleza; parece seduzir todos os olhares com o bailar gracioso de seu singelo corpo nu incandescente, conduzido pelo vento, que “sopra onde quer” (João 3,8).Quem é Santo Tomás de Aquino ante a glória da Santíssima Virgem Maria, mãe de Deus Imaculada? Entretanto mesmo aquele, em meio aos mais pérfidos pecadores iníquos, é qual fogueira que assombra o mundo; com efeito, “Uma é a claridade do sol, outra a claridade da lua, e outra a claridade das estrelas; e ainda uma estrela difere da outra na claridade.” (1 Cor. 15,41)
Assim, até mesmo a noite torna-se para Deus qual dia luminoso, e a maldade de uns, campo aberto para a manifestação da glória divina. “Onde abundou o pecado, superabundou a graça”, diz-nos o grande São Paulo de Tarso. Realmente, a desgraça do ímpio, contribui para manifestar a justiça do Pai Celestial (Pr.16,4). Deste modo, o fogo do inferno, de forma alguma perturbará os eleitos, mas ao contrário, os aquecerá, e será causa de júbilo, por serem suas chamas semelhantes a arautos da inefável justiça do Altíssimo.
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| "O Juízo Final" na Capela Arena (Cappella degli Scrovegni), em Pádua |
Vede irmãos, como é evidente, e coerente com a palavra de Deus, a coexistência do Santo e do pecador inveterado, na única e verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. É por esquecermos das palavras do Redentor, que não entendemos, dentro do possível, esta
realidade misteriosa; porém “quando a sabedoria penetrar em nossos corações, e o saber deleitar nossa alma, a reflexão velará sobre nós, e a razão vai nos amparar...” (Pr 2,10-11)
Alegremo-nos! No final, “ O vencedor herdará tudo...” (AP 21, 7). Que imagem estupenda: O guerreiro em seu cavalo branco! É assim que o último escrito de São João nos apresenta o Verbo de Deus, o Cristo; “Tem olhos flamejantes. Há em sua cabeça muitos diademas (...). Está vestido com um manto tinto de sangue (...) Seguiam-no em cavalos brancos, os exércitos celestes vestidos de linho fino e de uma brancura imaculada. De sua boca sai uma espada afiada, para com ela ferir (...) Ele traz escrito no manto e na coxa: Rei dos reis, Senhor dos senhores.” (cf. Ap 19,11-21) Decididamente, irmãos, o Cristo que nos é mostrado pelo Apocalipse, é austero e viril, corajoso e voraz, aquele que vai” pisar o lagar do vinho da ardente ira do Deus dominador.” (Ap 19,15)
Observai queridos, que não é por acaso que a Única Igreja de Cristo, enquanto caminha neste mundo rumo aos Céus é chamada de "Militante”,devendo “combater pela Fé, confiada de uma vez por todas aos Santos.” (Judas 1,3) .Verdadeiramente vivemos num contexto belicoso e revolto, pois o demônio desceu contra nós cheio de grande ira, sabendo que pouco tempo lhe resta. (Ap 12,12), além do que as próprias paixões combatem em nossos membros (Tiago 4,1), e “... há outra lei que luta contra a lei do espírito...” (Rom. 7,23). Bem disse o glorioso Apóstolo São Paulo: “Não é contra homens de carne e sangue que devemos lutar, mas contra (...) forças espirituais do mal (...) tomai (...) a espada do espírito, isto é a Palavra de Deus.” (cf. Ef 6,12-17) Em outra parte também nos dissera: "Todos os que querem viver piedosamente em Jesus Cristo, sofrerão perseguição” (IITim,3,12).
Portanto, não deveria ser estranho para nós, a existência de conflitos e combates dentro da Igreja Católica, uma vez que, inclusive, “... certos homens ímpios se introduziram furtivamente entre nós (...) eles transformam em dissolução a Graça de Deus e negam a Jesus Cristo...” (Judas 1,4). Finalmente, lembremo-nos o que disse Nosso divino Mestre: “Não vim trazer paz à terra mas sim separação”, e mais acima no mesmo texto,” Eu vim trazer fogo à terra e que tenho eu a desejar se ele já está aceso?” (Lucas 12,49-53); ainda noutra parte também dissera: “Vim trazer não a paz, mas a espada. Eu vim trazer a divisão (...) e os Inimigos do homem serão os de sua própria casa.” (cf. Mt 10,34-39).
Sim! Estamos numa guerra! Não sejamos como aquele louco, que cego e surdo, saiu em meio a um tiroteio virulento para passear... Já imaginais o que lhe aconteceu!!! Realmente, “sem a Ciência, nem mesmo o zelo é bom: quem precipita seus passos, desvia-se” (Pr19, 2). Se é verdade inexorável a vitória final da Santa Igreja Católica, como se conclui das irrevogáveis palavras de Cristo em Mateus 13,41-43, também é verdade o que está escrito no livro das revelações a respeito da Fera: “Foi-lhe dado fazer guerra aos Santos, e vencê-los” (Ap 13,7). Irmãos, a guerra já está ganha pela Fé!!! Mas as batalhas ainda não... Cair em campo ou não, depende de nossa correspondência à graça de Deus, e confiança no auxílio da Virgem Maria “... terrível como um exército...” Porém, sejamos sábios, pois uma aparente derrota pode ser, na verdade, uma astuta estratégia do Altíssimo! Não foi o que ocorreu com a gloriosa Mártir de França, Santa Joana D’arc, morta na fogueira, por culpa de seus inimigos? Bem dizia Tertuliano em sua obra “Apologético”: “Sangue de Mártires, semente de novos Cristãos.”
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“Ele esteve comigo na hora do combate,
é natural que esteja também no momento da glória”
Santa Joana D'arc |
A guerra já começou! Uns lutam, porém desistem ou são vencidos; outros, infelizmente, passam para o lado inimigo, quiçá seduzidos pela falácia dos pecadores; ainda há os que, por incrível que seja, preferem acreditar que nada está acontecendo, ou até resistem, mas preferem não atacar em legítima defesa. No entanto, graças a Deus, e confiantes na proteção indubitável de Nossa Senhora, há aqueles que lutam até a morte contra o inimigo do Senhor, combatendo o bom combate (I Tim. 6,11-12), revestidos da armadura de Deus (Ef. 6,10). Oh, Pai! Pela dolorosa paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela intercessão da Virgem Maria, Rainha do Céu e da terra, e de todos os Anjos e Santos, eu te suplico, prostrado a seus pés, que sejamos do número destes, que julgam uma honra darem a vida por vossa causa. Isso a exemplo dos grandes Mártires do início do cristianismo, e de todos os tempos, que diante do veredicto mortal dos seus algozes respondiam jubilosos: Deo gratias!!! Gostaria de continuar a desenvolver o assunto, no entanto para não parecer prolixo, termino por aqui. Este é um Mistério que cabe a nós, soldados de Cristo! O mistério da Iniqüidade. Alegrar-me-ei, no entanto, se tivermos compreendido um pouco mais, sobre a misteriosa vontade do Pai celestial de permitir a coexistência dos Santos, junto aos pecadores inveterados, até a consumação dos tempos.
1João Paulo II, Cart.Enc.Redemptoris missio, n.18.
“O Reino é de tal modo inseparável de Cristo que, em certo sentido, identifica-se com Ele.” diz-nos a Tradição (Orígenes, Tertuliano...). Ora, Cristo é a cabeça da Igreja, que é seu corpo místico; logo, o Reino e a Igreja confundem-se também, num misterioso amplexo, onde um interpenetra o outro, fundindo-se em suas “substâncias”.
MARIA SEMPRE!