segunda-feira, 6 de junho de 2016

REFLEXÃO: A IGREJA E OS PECADORES

“Ó Deus, relembramos a vossa misericórdia
 no interior de vosso Santo Templo.” (Sl. 47,10)

Prof. Pedro Maria da Cruz

Resplandecente em sua beleza refulge a glória da única e verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo! Mas, me perguntareis, onde está esta beleza da qual te ufanas, se vejo Imorais, Pedófilos, Avarentos e Abortistas dizendo-se Católicos? Se vejo sacrilégios, apatia ante o santo sacrifício da missa, relativismo, hedonismo, e ignorância religiosa? Acaso tudo isso não existe qual fumaça negra, tomando todo o sagrado recinto, impregnando de fétido odor toda a dita glória que cantas, e impedindo a visão desta grandeza de que te gabas? Não será esta, a fumaça de Satanás, o sinal de um fogo devorador, que fará ruir todo o templo?

“Ó Deus, relembramos a vossa misericórdia no interior de vosso Santo Templo.” (Sl. 47,10). Acaso não te lembras das promessas de Nosso Senhor com referência à sua Igreja? Cuidado! Tal dúvida pode ser o sinal de um coração que se afastou do mistério; de alguém, que não segue o salutar exemplo da Virgem Maria, que “... guardava todas as coisas em seu coração” (Lucas 2,51). O homem que se afasta da oração profunda e verdadeira, tende a ouvir sempre mais as mediocridades advindas da ignorância de uma razão, que julgou desnecessária a iluminação divina. “Filho, que o pensamento de Deus ocupe o teu espírito, e os preceitos do altíssimo sejam a tua conversa” (Eclo. 9,23). Digamos sempre com o salmista: “... jamais esquecerei vossas palavras.” (Sal.118,16) 

"Deixai crescer juntos, o joio e o trigo" Mt 13,30 
Disse acertadamente Nosso Senhor, que as portas do inferno jamais prevaleceriam contra sua Igreja! Sim, o disse; porém, não sejamos simplórios. Nunca poderemos julgar um versículo bíblico, fora de toda uma lógica que interliga qual rede, o discurso do Cristo; caso contrário, pecaremos contra a Hermenêutica, que nos ensina o legítimo método de interpretação dos textos Sagrados; assim, devemos ler a parte sem desprezar o todo Revelado. Deste modo, recordemos à significativa “Parábola do Joio”, onde o divino Mestre nos revela que faz parte da misteriosa vontade do Pai Celestial, deixar crescerem juntos em seu Reino, os bons e os maus; de modo, que somente chegando o final dos tempos é que serão separados uns dos outros pela Justiça do Altíssimo. “Não podemos separar ‘o Reino’, da ‘Igreja’. Com certeza que esta (a Igreja) não é fim em si própria, uma vez que se ordena ao Reino de Deus (Escatológico), do qual é princípio, sinal e instrumento. Mesmo sendo distinta de Cristo e do Reino, a Igreja, todavia está unida indissoluvelmente a ambos.”1 Assim, "o filho do homem enviará seus anjos, que retirarão de seu Reino (a Igreja e o mundo) todos os escândalos e todos os que fazem o mal...” (Mateus 13,41). “Quão saborosas são para mim vossas palavras! São mais doces que o mel à minha boca”. (Sal. 118, 103); “Vossa palavra é minha esperança.” (Sal.118, 114) 

Sim! A Palavra de Deus é uma verdadeira luz que esclarece todas as trevas de nossa vã ignorância. Na única Igreja de Cristo, Católica, Apostólica, e mil vezes Romana, crescerá junto ao Trigo, o Joio; junto ao santo, o pecador; junto ao bom, o mal; pois aprouve a Deus, no mistério de sua divina vontade, o permitir. “Quão impenetráveis são os seus juízos, e inexploráveis os teus caminhos! Quem pode compreender o caminho do Senhor? Quem jamais foi seu conselheiro?” (Rom.11,34) 

Deste modo, posso cantar a beleza da casa de Deus, casa esta cujos inimigos nunca vencerão completamente. No fim, aqueles que ousaram colocar-se contra os mandamentos do Senhor, seguindo seus instintos egoístas, perdendo-se em falsas doutrinas, receberão a paga devida por suas transgressões; e já nesta vida, com a escuridão de suas vidas e seus princípios, evidenciarão com mais beleza, contra sua vontade, obviamente, a luz que brilha radiante da Única Igreja de Cristo, “coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm.3,15), pois “a luz resplandece nas trevas...” (João 1,5).



Diante da majestade do sol, o pequeno lume de uma vela mais parece um nada; porém, na escuridão da noite, mesmo aquela acanhada chama é resplandecente em sua beleza; parece seduzir todos os olhares com o bailar gracioso de seu singelo corpo nu incandescente, conduzido pelo vento, que “sopra onde quer” (João 3,8).Quem é Santo Tomás de Aquino ante a glória da Santíssima Virgem Maria, mãe de Deus Imaculada? Entretanto mesmo aquele, em meio aos mais pérfidos pecadores iníquos, é qual fogueira que assombra o mundo; com efeito, “Uma é a claridade do sol, outra a claridade da lua, e outra a claridade das estrelas; e ainda uma estrela difere da outra na claridade.” (1 Cor. 15,41) 

Assim, até mesmo a noite torna-se para Deus qual dia luminoso, e a maldade de uns, campo aberto para a manifestação da glória divina. “Onde abundou o pecado, superabundou a graça”, diz-nos o grande São Paulo de Tarso. Realmente, a desgraça do ímpio, contribui para manifestar a justiça do Pai Celestial (Pr.16,4). Deste modo, o fogo do inferno, de forma alguma perturbará os eleitos, mas ao contrário, os aquecerá, e será causa de júbilo, por serem suas chamas semelhantes a arautos da inefável justiça do Altíssimo.

"O Juízo Final" na Capela Arena (Cappella degli Scrovegni), em Pádua
Vede irmãos, como é evidente, e coerente com a palavra de Deus, a coexistência do Santo e do pecador inveterado, na única e verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. É por esquecermos das palavras do Redentor, que não entendemos, dentro do possível, esta
realidade misteriosa; porém “quando a sabedoria penetrar em nossos corações, e o saber deleitar nossa alma, a reflexão velará sobre nós, e a razão vai nos amparar...” (Pr 2,10-11) 
Alegremo-nos! No final, “ O vencedor herdará tudo...” (AP 21, 7). Que imagem estupenda: O guerreiro em seu cavalo branco! É assim que o último escrito de São João nos apresenta o Verbo de Deus, o Cristo; “Tem olhos flamejantes. Há em sua cabeça muitos diademas (...). Está vestido com um manto tinto de sangue (...) Seguiam-no em cavalos brancos, os exércitos celestes vestidos de linho fino e de uma brancura imaculada. De sua boca sai uma espada afiada, para com ela ferir (...) Ele traz escrito no manto e na coxa: Rei dos reis, Senhor dos senhores.” (cf. Ap 19,11-21) Decididamente, irmãos, o Cristo que nos é mostrado pelo Apocalipse, é austero e viril, corajoso e voraz, aquele que vai” pisar o lagar do vinho da ardente ira do Deus dominador.” (Ap 19,15) 

Observai queridos, que não é por acaso que a Única Igreja de Cristo, enquanto caminha neste mundo rumo aos Céus é chamada de "Militante”,devendo “combater pela Fé, confiada de uma vez por todas aos Santos.” (Judas 1,3) .Verdadeiramente vivemos num contexto belicoso e revolto, pois o demônio desceu contra nós cheio de grande ira, sabendo que pouco tempo lhe resta. (Ap 12,12), além do que as próprias paixões combatem em nossos membros (Tiago 4,1), e “... há outra lei que luta contra a lei do espírito...” (Rom. 7,23). Bem disse o glorioso Apóstolo São Paulo: “Não é contra homens de carne e sangue que devemos lutar, mas contra (...) forças espirituais do mal (...) tomai (...) a espada do espírito, isto é a Palavra de Deus.” (cf. Ef 6,12-17) Em outra parte também nos dissera: "Todos os que querem viver piedosamente em Jesus Cristo, sofrerão perseguição” (IITim,3,12).

Portanto, não deveria ser estranho para nós, a existência de conflitos e combates dentro da Igreja Católica, uma vez que, inclusive, “... certos homens ímpios se introduziram furtivamente entre nós (...) eles transformam em dissolução a Graça de Deus e negam a Jesus Cristo...” (Judas 1,4). Finalmente, lembremo-nos o que disse Nosso divino Mestre: “Não vim trazer paz à terra mas sim separação”, e mais acima no mesmo texto,” Eu vim trazer fogo à terra e que tenho eu a desejar se ele já está aceso?” (Lucas 12,49-53); ainda noutra parte também dissera: “Vim trazer não a paz, mas a espada. Eu vim trazer a divisão (...) e os Inimigos do homem serão os de sua própria casa.” (cf. Mt 10,34-39).

Sim! Estamos numa guerra! Não sejamos como aquele louco, que cego e surdo, saiu em meio a um tiroteio virulento para passear... Já imaginais o que lhe aconteceu!!! Realmente, “sem a Ciência, nem mesmo o zelo é bom: quem precipita seus passos, desvia-se” (Pr19, 2). Se é verdade inexorável a vitória final da Santa Igreja Católica, como se conclui das irrevogáveis palavras de Cristo em Mateus 13,41-43, também é verdade o que está escrito no livro das revelações a respeito da Fera: “Foi-lhe dado fazer guerra aos Santos, e vencê-los” (Ap 13,7). Irmãos, a guerra já está ganha pela Fé!!! Mas as batalhas ainda não... Cair em campo ou não, depende de nossa correspondência à graça de Deus, e confiança no auxílio da Virgem Maria “... terrível como um exército...” Porém, sejamos sábios, pois uma aparente derrota pode ser, na verdade, uma astuta estratégia do Altíssimo! Não foi o que ocorreu com a gloriosa Mártir de França, Santa Joana D’arc, morta na fogueira, por culpa de seus inimigos? Bem dizia Tertuliano em sua obra “Apologético”: “Sangue de Mártires, semente de novos Cristãos.” 

 “Ele esteve comigo na hora do combate,
é natural que esteja também no momento da glória”
Santa Joana D'arc
A guerra já começou! Uns lutam, porém desistem ou são vencidos; outros, infelizmente, passam para o lado inimigo, quiçá seduzidos pela falácia dos pecadores; ainda há os que, por incrível que seja, preferem acreditar que nada está acontecendo, ou até resistem, mas preferem não atacar em legítima defesa. No entanto, graças a Deus, e confiantes na proteção indubitável de Nossa Senhora, há aqueles que lutam até a morte contra o inimigo do Senhor, combatendo o bom combate (I Tim. 6,11-12), revestidos da armadura de Deus (Ef. 6,10). Oh, Pai! Pela dolorosa paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela intercessão da Virgem Maria, Rainha do Céu e da terra, e de todos os Anjos e Santos, eu te suplico, prostrado a seus pés, que sejamos do número destes, que julgam uma honra darem a vida por vossa causa. Isso a exemplo dos grandes Mártires do início do cristianismo, e de todos os tempos, que diante do veredicto mortal dos seus algozes respondiam jubilosos: Deo gratias!!! Gostaria de continuar a desenvolver o assunto, no entanto para não parecer prolixo, termino por aqui. Este é um Mistério que cabe a nós, soldados de Cristo! O mistério da Iniqüidade. Alegrar-me-ei, no entanto, se tivermos compreendido um pouco mais, sobre a misteriosa vontade do Pai celestial de permitir a coexistência dos Santos, junto aos pecadores inveterados, até a consumação dos tempos. 


1João Paulo II, Cart.Enc.Redemptoris missio, n.18.
“O Reino é de tal modo inseparável de Cristo que, em certo sentido, identifica-se com Ele.” diz-nos a Tradição (Orígenes, Tertuliano...). Ora, Cristo é a cabeça da Igreja, que é seu corpo místico; logo, o Reino e a Igreja confundem-se também, num misterioso amplexo, onde um interpenetra o outro, fundindo-se em suas “substâncias”.



MARIA SEMPRE!


quinta-feira, 26 de maio de 2016

Pensamentos de São Pedro Julião Eymard sobre O SANTÍSSIMO SACRAMENTO


Em alusão a uma das mais belas e importantes solenidades da Igreja Católica, o Corpus Christi, reproduzimos aqui pensamentos de um grande Santo que ficou conhecido como o Apóstolo da Eucarístia, São Pedro Julião Eymard. Tomemos como exemplos estas exortações, para que possamos dar cada vez mais glórias e louvores ao Santíssimo Sacramento que é verdadeiramente o corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo!

✠ ✠ ✠

“Ajoelhai-vos, aos avistardes Jesus na Hóstia adorável! Prosternai-vos, com profundo respeito, perante Ele, em sinal de dependência e de amor...”.




“Urge crer na simples palavra de Jesus. Resta-nos uma pergunta: ‘Quem está ali?’. ‘Eu!’, responde Jesus... Prostremo-nos e adoremos...”.



“Assistir cada dia a Santa Missa é chamar, sobre cada dia, as bênçãos do Céu!”.



“A oração, embora boa e necessária, sem a Comunhão que vos sustente, torna-se cansativa e acabareis por deixá-la”.

“É necessário se penetrar bem dos sacrifícios do amor de Nosso Senhor, no Santíssimo Sacramento... São tão surpreendentes que eu sentia o coração acelerar e os olhos cheios de lágrimas”.

“Jesus estabeleceu a Eucaristia para reabilitar o homem, que se degradara e aviltara pelo pecado original, que esquecera sua origem celeste, perdera sua dignidade de rei da criação; o homem que, senhor dos animais, a eles se assemelhou!”.

“Quando por enfermidade, por doença ou por impossibilidade, não puderdes fazer a adoração, deixai que vosso coração se entristeça um instante... E, depois, uni-vos em espírito àqueles que adoram”.

“Reparai num Santo, ao entrar numa Igreja. Alheio às pessoas, esquecido de tudo, só a Nosso Senhor vê. Quem, em presença do Papa, pensará nos bispos ou cardeais? Só a Deus, toda honra e toda glória”.

“A criatura tem tempo para tudo, menos para visitar o seu Deus, que no seu Tabernáculo a espera”.

“Que o ato de amor dê início a toda adoração e abrireis, então, de modo delicioso vossa alma à ação divina”.

“Ah! É esta a parte grandiosa que vos cabe, a vós adoradores: é chorar aos pés de Jesus, desprezado pelos seus, crucificado em tantos corações, abandonado em tantos lugares”.

“Jesus, portanto, está conosco e, enquanto houver um adorador sequer, Ele aí estará para protegê-lo. Eis aqui o segredo da longevidade da Igreja!”.

“O que inspira receio, hoje em dia, é ver Jesus-Eucaristia abandonado em todas as cidades, sozinho, absolutamente só”.

“No Santíssimo Sacramento está Ele, por toda parte e ao mesmo tempo. Sua Humanidade participa, de certo modo, da Imensidade Divina que tudo enche. Jesus está em sua inteireza em todos e cada um dos Templos”.

“Adorai, reparai com Ele. Sabei vos sacrificar com Ele, pela glória de Nosso Salvador!”.

“O culto e a honra tributados a Jesus Cristo são a medida da fé do povo, a expressão de sua virtude. Honra, pois, a Jesus Eucaristia que, merecendo-a, a ela tem direito”.

“A Eucaristia deve incendiar o mundo inteiro e os incendiários deste fogo Eucarístico são todos que amam Jesus”.

“Ah! Como Nosso Senhor ama os nossos corações e os deseja possuir... Mendiga-os! Roga, pede com insistência, suplica. Deveríamos morrer de vergonha ao pensar que Nosso Senhor mendiga desse modo e que ninguém atira a esmola implorada!”.

“Na impossibilidade de amar a Jesus Sacramentado como Ele merece, invocai o socorro do Anjo da Guarda, fiel companheiro de vossa vida. Ser-lhe-á tão agradável fazer, desde já, convosco, o que deverá fazer, eternamente, na glória”.

“Não se afastem os adoradores da presença do seu Divino Mestre, sem lhe patentear reconhecimento pela audiência de Amor; sem lhe oferecer em homenagem de fidelidade, uma flor de virtude, um ramalhete de pequenos sacrifícios...”.

“Amemo-Lo, portanto, por nós. Amemo-Lo por aqueles que não o amam, pelos nossos pais e amigos. Paguemos-Lhe a dívida da família, da pátria!”.

“Há caminhos fictícios, atalhos na vida espiritual, estradas que podemos seguir durante algum tempo para largá-la em seguida... Nosso Senhor, no Santíssimo Sacramento, é a via estável”.

“O estado velado de Jesus anima minha fraqueza. É-me dado me aproximar d’Ele, falar-lhe, contemplá-lo, sem receio algum...”.

“Nos exorcismos, quando, depois de recorrer inutilmente a todos os meios para vencer os Demônios, o exorcista lhes apresenta a Hóstia Santa, eles, soltando gritos de raiva recuam ante seu Deus presente”.

“É do Tabernáculo, sob o véu da Hóstia, que lança, sobretudo estas palavras: ‘Aprendei de mim, que sou manso e humilde de Coração’. Aprendei de mim a esconder as vossas boas obras, vossas virtudes, vossos sacrifícios... Descei! Vinde a mim!”.

“Só a posse de Deus - e na Eucaristia é Deus se dando, cabalmente a nós - nos pode dar felicidade!”.


✠ ✠ ✠


São Pedro Julião Eymard
Livro: Levanta-te de Joelhos! O Segredo da Adoração Eucarística
Prefácio de Dom Carmo João Rhoden, scj.
Autor: Pe. Márlon Múcio
Palavra e Prece Editora Ltda.










MARIA SEMPRE!

terça-feira, 24 de maio de 2016

AOS BENFEITORES E AMIGOS DA SSVM

Por João S. de O. Jr.

Maio é mês das mães, mês das noivas e mês das flores (é primavera no hemisfério Norte). Não por acaso é o mês que a Igreja dedica àquela que foi escolhida a ser a Mãe do Verbo Encarnado, a Esposa Puríssima do Santo Espírito e a Flor mais agraciada do jardim do Criador. Maio é mês de Maria Santíssima!


Como católicos, há muitos modos de prestarmos nossa homenagem para a Mãe de Deus: o uso do escapulário, medalhinhas, a coroação e honra de suas imagens nos templos, a oração do ofício nos sábados, etc. Estas e outras piedosas práticas de devoção, a qualquer período do ano, têm seus fundamentos e valores riquíssimos; mas, não poderíamos deixar de destacarmos a especial devoção ao Santo Terço, rezado diariamente [1], com a contemplação dos santos Mistérios.

Que, simultaneamente, em espírito, cultivemos nossa filial confiança na intercessão de Nossa Senhora junto ao seu Filho Amado, meditando nas Maravilhas que Deus (Uno e Trino!) realizou nela (Lc1,46-55). E quer, por misericórdia aos homens, realizar ainda através dela na humanidade.

São Luís Maria Grignion de Montfort, que tratou de modo singular da Verdadeira Devoção para com a Virgem Santíssima, demonstrou que a prática de devoção deve ser interior, mas com atos exteriores que lhe correspondam [2]. Que devemos superar a superficialidade! E cita, ainda, no Livro Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, algumas práticas especiais e interiores: "Consiste em quatro palavras, em fazer todas as ações por Maria, com Maria, em Maria e para Maria a fim de fazê-las mais perfeitamente por Jesus, com Jesus, em Jesus e para Jesus" [3]. Tendo como fim último desta devoção, nos modelar a Cristo [4].

Caríssimos amigos e benfeitores, em breve teremos formações sobre o Tratado de São Luís e as aparições marianas em nossa Sala. Obs: O Grupo de Estudos Santo Tomás de Aquino – GESTA, em sua reunião do dia 14/05, teve como tema: “A Atualidade da Mensagem de Fátima”.

Contemos ternamente com a Santa Mãe de Deus. A devoção mariana é um importante alicerce de nosso apostolado. Roguem a ela por nós! No mais, um muito obrigado por toda contribuição material e espiritual! Contem com as nossas orações!


MARIA SEMPRE!


************************************


[1]- Vide Carta aos Benfeitores e Amigos da SSVM de outubro/2015.

[2]- MONTFORT, São Luís Maria Grignion. T.V.D., n.119.

[3]- Ibdem, T.V.D., n.257.

[4]- Ibdem, T.V.D., n. 33 a 36.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

OS ASTECAS: TERRÍVEIS SACRIFÍCIOS

Cerimônia de sacrifício humano asteca.
Prof. Pedro Maria da Cruz
Muito se ouve falar a respeito das terríveis cerimônias religiosas dos astecas. Com efeito, era ordinário o sacrifício de seres humanos. Mas, o que explicaria tais práticas rituais? Que pensamento haveria por trás de atos horrorosos como esse? Eis o cenário encontrado pelos colonizados no chamado tempo dos descobrimentos: totalmente em desacordo com a verdade trazida e anunciada pela Igreja (Compêndio Vat. II, Nostra Aetate, 2).



Pedra-sol asteca que representaria um calendário
Segundo Waldomiro Piazza, SJ, os astecas entendiam a si mesmos como elemento cósmico responsável pelo tempo e pela história. A boa ordem do universo, nesse sentido, dependia da colaboração humana. Eles possuíam a ideia de que lhes cabia a missão de pôr em movimento o processo cósmico. Por isso, faziam da guerra um fim em si, um culto religioso de Huitzilopochtli, deus das batalhas. A oferta dos corações dos guerreiros valentes em suas cerimônias apresentava-se como um meio mágico de pôr em movimento o universo, concebido como um grande homem cósmico, do qual o sol seria o coração.

Por mais incrível que nos pareça, segundo a mitologia desse povo, o derramamento de sangue era necessário para fazer com que o sol percorresse os espaços e fosse propício aos homens. O movimento, só poderia ser mantido com tais atos litúrgicos cruentos onde tantos seres humanos eram imolados, doados pela conservação do todo (não é, pois de admirar que os astecas tenham dado importância especial ao estudo do tempo, tanto em sua realidade cósmica como litúrgica).
Tezcatlipoca no Codex Fejervary-Mayer
Ou seja, haveria uma inexorável exigência das leis superiores, que regem o destino do cosmo e dos homens, as quais implicavam no culto horrendo e dramático dos astecas onde ocorriam os terríveis sacríficios. “Segundo um mito, Tezcatlipoca encarnava-se cada ano em um jovem fisicamente perfeito que, por isso mesmo, devia ser sacrificado, para renovar a ‘providência divina’ em favor do povo.” (PIAZZA, Waldomiro, 1991; p. 201) Durante um ano o jovem era vestido com as insígnias divinas e tratado como se fosse um deus. No dia do sacrifício, ele devia subir as escadas do templo, no topo do qual os sacerdotes revestidos de preto deitavam-no de costas sobre o altar e abriam-lhe o peito com uma faca, arrancavam-lhe o coração palpitante e o ofereciam ao sol. Cortavam-lhe a cabeça, a qual era guardada como um troféu no templo, e atiravam o cadáver escadas abaixo, para ser comido em um banquete sagrado pela família do guerreiro que aprisionara a vítima.

“Com o tempo, crescendo a sua ambição guerreira, cresceu também o número de vítimas humanas, chegando aos milhares. Assim, em 19 de fevereiro de 1487, pouco antes da conquista espanhola, foram imolados 20.000 vítimas, em apenas 4 dias, para inaugurar o novo templo de Huitzilopochtli, em México” (PIAZZA, Waldomiro, 1991; p.197)

Dados históricos como esses servem para fazer-nos entender melhor uma série de posturas tomadas pelos conquistadores espanhóis nos tempos de outrora. Infelizmente, a quase totalidade de nossos professores apresentaram uma visão romantizada e deturpada dos povos conquistados enquanto pintavam os europeus com as cores mais negras que lhes fosse possível. Claro que não nos é possível nas poucas linhas de nosso blog relatar os excessos criticáveis de muitos conquistadores; entretanto, é facto que já o fazem sobejamente por aí. A intenção aqui foi tão somente apresentar novos dados para equilibrar o julgamento dos leitores no tocante a certos temas do passado. 


Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós!


Referências: PIAZZA, Waldomiro O. Religiões da Humanidade. São Paulo: Edições Loyola, 1991; p. 194-202.


MARIA SEMPRE!


sexta-feira, 6 de maio de 2016

OS ASTECAS: O DEDO DA PROVIDÊNCIA

Pirâmide de Tenochtitlán, erguida pelos Astecas.
Prof. Pedro Maria da Cruz
Os astecas (ou, mexicas, como se auto intitulavam; palavra que originou o termo mexicanos) formaram uma grande civilização mesoamericana e pré-colombiana. Seu maior desenvolvimento ocorrera principalmente entre os séculos XIV e XVI: por volta de 1428 d.C. já possuíam um império admirável! Em 1325 d.C. fundaram sua importante capital, Tenochtitlán; a qual, sabe-se, fora habitada por mais ou menos trezentas mil pessoas em 1519 d.C.


Para formarmos uma ideia mais clara da grandeza a que chegaram os astecas, recordemo-nos que no reinado de Montezuma II (1466-1520), durante o qual se iniciara a colonização espanhola, o império alcançara em torno de 500 cidades sob seu jugo. Porém, no ano 1521 Tenochtitlán (hoje chamada cidade do México) fora tomada pelos espanhóis após um sitio de setenta e cinco dias realizado pelas tropas de Hernán Cortés (1485-1547).Tais fatos marcam o fim do Império Asteca. 

Povo de índole bélica e conquistadora, os mexicas são oriundos de uma nação maior: os nahuas (adoradores Huitzilopochtli - representado pelo Jaguar - deus sanguinário da guerra; também chamado Tizintuzumi pelos Michocas, subjugados pelos astecas). Historiadores defendem a ideia de que os astecas teriam invadido o México central aproveitando-se das contingencias de outra nação, admirável por sua arte e filosofia, a qual assimilaram: os toltecas (adoradores de Quetzalcoatl - serpente emplumada -, deus pacífico, da sabedoria, que favorecia a escrita e a ciência. A nível de curiosidade lembremos que entre os Maias, de influência tolteca, Quetzalcoatl aparece como Kukulkan, um deus civilizador). 

“Alguns autores gostam de comparar os astecas aos romanos, e os toltecas aos gregos, devido ao fato de que os astecas souberam, como os romanos, pôr em movimento um grande poder político e administrativo, assimilando, porém, a cultura dos toltecas, que tinham vencido.” (PIAZZA, Waldomiro, 1991; p.195) 

Representação das diversas divindade astecas
À medida que os astecas avançavam em seu domínio sobre a região mesoamericana, iam assimilando muitos aspectos dos povos vencidos, o que os fez adoradores de muitos deuses. Por exemplo: 1 - Tlaloc e sua companheira Chalchiuhtlicu, deuses dos chimichica; 2 - XipeTopec, cultuado pela Tribo Yopi, em cujo culto o sacerdote se revestia da pele de uma vítima humana; 3 - Tezcatlipoca, que muitas vezes é identificado com o já citado Huitzilopochtli; 4 -Tonatiuh, o sol que faz o dia, o qual só pode continuar seu trajeto se lhe forem oferecidos sacrifícios humanos (como um dia - de acordo com o mito - os deuses tiveram de sacrificar-se para que Tonatiuh executasse seu percurso diário no céu); e, 5 - o próprio Quetzalcoatl, dos toltecas, como já o dissemos. Foi a crença dos astecas em Quetzalcoatl que gerou - devido a um de seus relatos míticos - o fato interessante que expomos a seguir: 
Quando Hernán Cortés chegou a Tenochtitlan, a capital dos astecas em 1519, o então imperador Montezuma II achou que o espanhol e seus companheiros fossem mensageiros do deus Quetzacóalt, o qual havia prometido que retornaria algum dia de sua viagem feita pelo mar... Vamos ler o relato mitológico.
Ensinava-se entre os astecas que Quetzalcoatl: 
“(...)veio do Oriente, era de pele branca e densa barba negra, testa alta e elevada estatura. Chegando à cidade chamada Tula, ai introduziu a cultura agrária, a arquitetura e uma religião de sentido monoteísta e de elevado humanismo. Como condenasse os sacrifícios humanos, foi combatido pelos sacerdotes do deus Tezcatlipoca, os quais, com seus estratagemas, conseguiram expulsá-lo de Tula. O mito diz que o próprio Tezcatlipoca desceu do céu por um fio de aranha, induziu Quetzalcoatl a olhar-se em seu espelho, que retratou a decadência do herói, e ministrou-lhe uma beberagem alucinante, em cujo estado Quetzalcoatl cometeu vários desatinos que o constrangeram a retirar-se de Tula. (...) Mas, uma lenda informa que, chegando ao golfo do México, meteu-se em uma jangada e perdeu-se no mar, tendo antes anunciado que voltaria com seus irmãos brancos para conquistar o México. Por isso, quando Cortez desembarcou no golfo do México, os nativos pensaram que se tratava do retorno de Quetzalcoatl, o que muito favoreceu a conquista do vasto império asteca.” (PIAZZA, Waldomiro, 1991; p.198-199) 

São os caminhos da Providência... 

Após a chegada dos espanhóis, milhares de nativos, tocados por evangelizadores cheios de
zelo e admirados pela extraordinária manifestação de Nossa Senhora (sob o título de Guadalupe), se converteram ao cristianismo. Nesse contexto a Igreja católica pôde espalhar a luz do evangelho por terras nunca dantes conhecidas. Sabemos, obviamente, de erros cometidos por muitos conquistadores; porém, preferimos tratar agora dos assuntos abordados acima, afim de enriquecer nossos leitores com informações, infelizmente, ocultadas, ou mesmo desconhecidas, por não poucos professores brasileiros. 



Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós! 


Referência: PIAZZA, Waldomiro. Religiões da Humanidade. São Paulo: Edições Loyola, 1991; p. 194-202. 



MARIA SEMPRE! 



domingo, 24 de abril de 2016

REFLEXÃO: "AS DEMORAS DE DEUS"

"A virtude da paciência é uma terapia de que o mundo atual precisa muito."

Por Editores do Blog
Reproduzimos abaixo interessante reflexão do Pe. Francisco Faus, sacerdote integrante da Prelazia da Santa Cruz e do Opus Dei. Espanhol, conviveu com São José Maria Escrivá e vive em São Paulo desde 1961.
É autor de diversas obras sobre piedade cristã, entre elas "A Paciência", do qual foi extraído este trecho, que nos acenam para a confiança e esperança em Deus. 


***

No mundo em que vivemos, bêbado de acelerações,
ultrassônico nas mudanças e doente de impaciências
"No mundo em que vivemos, bêbado de acelerações, ultrassônico nas mudanças e doente de impaciências, a bela arte do amor paciente é muito necessária. A virtude da paciência é uma terapia de que o mundo atual precisa muito.

Mas, num ambiente em que o egoísmo pensa que “para mim tudo tem que ser antes e ao meu gosto” e o comodismo exige 'tudo rápido, para já e com o menor trabalho possível', a impaciência grassa largamente e faz a festa. E é natural que se mostre, a toda a hora, em forma de cansaço insofrido, unido a uma revolta irritada. Não é estranho que, nesse clima, as impaciências acabem cedo ou tarde por arremessar-se contra Deus.

Tal é o caso, não infreqüente, dos que chegam a duvidar da bondade de Deus e sentem abalar-se-lhes a fé quando julgam que 'Deus não os escuta', pois – segundo pensam – não atende aos seus pedidos nem os livra das suas aflições.

Alguns falam então do 'silêncio de Deus', insinuando – ou afirmando claramente – que Deus não se interessa pelas suas criaturas, mas permanece na olímpica solidão dos céus, alheio às tribulações e anseios dos homens. Um bom número de casos de agnosticismo, ou de ateísmo inconsistente (será que há algum ateísmo que não seja inconsistente?), ou de ceticismo mais ou menos cínico, tomaram pé em alguma decepção. Esperava-se algo de Deus, e não aconteceu. Por essa razão, Fulano deixou de ir à Missa depois da morte do filho, pelo qual tanto tinha rezado; Sicrano perdeu a fé após a quinta tentativa frustrada de entrar na faculdade; e Beltrana bandeou-se para o esoterismo ao perder o último namorado.

Os 'silêncios' e as 'demoras' de Deus põem à prova a nossa paciência. Mas são precisamente essas dificuldades desconcertantes as que nos fazem compreender que uma boa paciência jamais poderá ser erguida sobre uma fé ruim.

O vosso Pai vê, o vosso Pai sabe,
 o vosso Pai cuida - Mt 6, 25
Uma das primeiras verdades – inesgotável e luminosa verdade! – que Cristo nos revelou foi a da paternidade de Deus: O vosso Pai vê, o vosso Pai sabe, o vosso Pai cuida (cf. Mt 6, 25 e segs.). Não se vendem dois passarinhos por uma moedinha? No entanto, nenhum cai por terra sem a vontade do vosso Pai. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois! Valeis mais do que muitos pássaros (Mt 10, 20-31).

Deus é um Pai que sempre nos acompanha. E esse Pai está amorosamente ativo, talvez mais do que nunca, quando parece que se cala e não intervém.'Quando nada acontece – diz, com certeira intuição, Guimarães Rosa –, há um milagre que não estamos vendo'[NOTA DE RODAPÉ: Primeiras Estórias, José Olympio, Rio de Janeiro, 1962, pág. 71.].

Quem vive realmente de fé, caminha sereno e confiante na 'mão' de Deus que, como víamos acima, muitas vezes não coincide com a nossa. Ele, que é Bom Pastor de cada um de nós, sabe, e sabe-o muito bem, por onde nos leva e nos traz. Ainda que atravesse as sombras da morte, nada temerei, porque Tu estás comigo (Sl 23, 4). Ele nos dá, ou permite que nos aconteça, aquilo que – embora não o entendamos – mais nos convém, sempre com vistas à nossa verdadeira realização, que é a que floresce e se completa na vida eterna: Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma (Mt 10, 28). Não temas, meu pequeno rebanho, porque foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino (Lc 12, 32).

Quem vive de fé, entende muito bem, por isso, o belo conselho do Eclesiástico: Sofre as demoras de Deus. Dedica-te a Deus, espera com paciência [...]. Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus pelo cadinho da tribulação (Ecli 2, 3-5). "

Fonte: FAUS, Francisco. A Paciência. São Paulo: Quadrante, 1998. pg. 55-57.

***
MARIA SEMPRE!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

OFICINA DE LATIM ECLESIÁSTICO


Por João S. de O. Junior [1]

Pela manhã do dia 03 de abril, a Sociedade da Santíssima Virgem Maria realizou na Sala Mãe do Bom Conselho, Centro de Montes Claros - MG, a primeira Oficina de Latim Eclesiástico para alguns participantes dos Grupos de Estudos e fiéis que assistem a Missa Tridentina em nossa cidade.

A Sala da SSVM favorece aos estudos.
Tendo como tutor o advogado Paulo Vinícius Costa Oliveira (de pé, na foto ao lado), a oficina se iniciou com breves mas importantes instruções teóricas sobre a pronúncia de nossa "língua mãe", voltada para orações básicas da Fé Católica[2] com muitos exemplos práticos. 

Após o lanche, a segunda parte dos estudos se deu com recitação de orações em Latim tendo ativa participação dos presentes. Por fim, foram entregues certificados a estes.

Essa oficina foi apenas mais uma, de tantas outras, voltadas para a formação católica que a SSVM busca realizar, sempre no amor à Doutrina Católica e a tudo que lhe diz respeito, isto é parte do nosso chamado. Além, é claro, de continuarmos outros projetos de Apostolado, por Caridade Cristã.

Foto dos participantes da Oficina
Caríssimos benfeitores e amigos, vossas ajudas e orações nos são muito importantes.
Que a Virgem Santíssima recompense a vós e a vossas famílias por tudo!  E como ainda há tempo (o período pascal vai até Pentecostes) desejo-vos uma Santa Páscoa!
Que reine em nossos corações o Cristo, Ressuscitado!

Mais uma vez, fazemos o convite para assistirem a Missa Tridentina que está acontecendo nas sextas-feiras, no Santuário do Bom Jesus às 18 horas. Uma benção sem igual! 


Grande abraço e Maria Sempre!


Notas:

[1] Este texto é a carta de abril/2016 do presidente da Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM aos benfeitores e amigos da associação.

[2] O Papa Bento XVI no documento pós sinodal Sacramentum Caritatis, n. 62, recomenda a recitação das orações em Latim mais tradicionais de nossa fé Católica.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

A CURIOSA HISTÓRIA DO CIGARRO

A data em que apareceu o primeiro cigarro
 entre os lábios do primeiro fumante perdeu-se no tempo...


Prof. Pedro Maria da Cruz

Gastão Pereira da Silva não é um autor recomendável; foi ele quem, de certo modo, popularizou a Psicanálise no Brasil. Entretanto, encontrei em um de seus livros essa interessante história do tabagismo, que servirá para entreter nossos leitores. Aos interessados recomendamos também o excelente texto: “A Igreja Católica e o Tabagismo”[1] onde encontrarão uma visão muito mais imparcial (por exemplo, a respeito da postura do papa Urbano VIII, citado abaixo) no tocante ao assunto abordado.

____________________________________________________

“A história do tabagismo é muito curiosa. Deve, pois, ser contada, embora resumidamente. A data em que apareceu o primeiro cigarro entre os lábios do primeiro fumante perdeu-se no tempo. Conta-se que Cristovão Colombo, ao abordar a ilha de Cuba, vira, na boca dos índios, enormes tições acesos, que pareciam imensos cigarros feitos com folhas de tabaco.

Mas, em que se pese esse fato, o fumo só ficou conhecido depois do século XVI, com as primeiras remessas desse vegetal enviadas pelo embaixador francês João Nicot à rainha de Médicis em 1560.

João Nicot cultivava o fumo nos jardins em Lisboa, porque o julgava uma erva perfumada e dotada de propriedades terapêuticas. Apesar de Nicot haver passado à posteridade, como o introdutor do tabaco em França, um monge, chamado André Thevet, do fumo já fazia uso, dois anos antes, por presumir que os cristãos da América o usassem com o fim de destilar os humores supérfluos do cérebro... 

Contudo, a escandalosa e ambiciosa proteção de Catarina de Médicis pelo fumo celebrizou Nicot, de onde vem, hoje, nicotina. Tal importância dava a rainha ao tabaco que Buchanan lançou epigramas, nos quais dizia não se dever tocar em uma planta, oriunda de nome tão infame, e quando alguém o ouvisse, deveria tapar a boca e fechar os ouvidos...

A pouco e pouco, porém, o fumo foi sendo importado em outros centros europeus. Na Itália, por exemplo, o tabaco viu-se acatado pelo cardeal SainteCroix que o introduziu nos conventos, e nos colégios porque o supunha dotado de qualidades anafrodisíacas e, assim, aumentaria o número dos santos e dos castos!


Outros tantos predicados deram ao fumo os povos da antiguidade e, também, infinitas denominações foram-lhe consagradas. Assim: erva-sagrada, erva-santa, erva do embaixador, erva da rainha, erva de SainteCroix, remédio de todos os males, panacéia antártica, etc., etc.


Foi utilizado em pílulas, poções, pomadas, xaropes, infusões, banhos... Nicot afirma que, em Portugal, ele curou um parente de uma úlcera nasal com poucas aplicações de folhas de tabaco...

Os médicos usavam-no na asma, na escrófula, na hidropisia e no câncer.Hivernius e Fowler, notáveis esculápios, trataram várias dermatoses com folhas ligeiramente aquecidas, de fumo...

As indicações terapêuticas eram muitas e os acidentes, as intoxicações e os envenenamentos – alguns criminosos – eram, por outro lado, frequentes...

Em pouco tempo, então, levantou-se uma cruzada contra o uso do fumo, à frente da qual se viu como patrono o monarca Jacques I, de Inglaterra. Tal foi o seu ódio pelo tabaco que, dentro em pouco, esse famoso rei publicou a Mesocapnea (horror ao fumo) e fez encerrar, na Torre de Londres, a curiosa figura de Raleigh sob pretexto de complot, aprisionando-o e mais tarde decapitando-o no antigo palácio de Westminster. 
Alguns jesuítas protestaram. Escreveram trabalhos inteligentes, em oposição ao rei Jacques I. Aos seus escritos deram os religiosos o nome de anti-mesocapneos.

E a campanha continuou.

O sultão Amaraut IX ordenou cortar a ponta do nariz aos tabaquistas e os lábios aos fumantes. 

Miguel Federowich mandava aplicar 50 chibatadas na sola dos pés dos fumantes. Em seguida colocava um cigarro na boca dos desgraçados e ...enforcava-os!...

Sham Albas, soberano da Pérsia, no final de um jantar oferecido por ele aos cortesãos, deu-lhes cachimbos contendo excremento de cavalo, seco e dessecado! Nenhum dos convivas reclamou... o soberano, colérico, disse então: “Maldita seja a droga que não pode ser distinta das fezes de um animal”. 

“Queres, então, assustar uma folha levada pelo vento,
ou perseguir uma folha ressequida?” Jó 13, 25
Perguntavam os Jesuítas ao Papa Urbano VIII
O papa Urbano VIII [favor conferir o artigo citado abaixo para entender melhor o facto referido ao papa de modo tão difuso nesse texto], através de uma bula, lançada em 1649, excomungou todos aqueles que do tabaco faziam uso. Essa bula mereceu dos Jesuítas uma pergunta satírica: “Perseguir uma fôlha sêca? Levantar armas contra uma coisa que o vento leva?”
Segundo êles, a Igreja não podia condenar o fumo.
O tempo corre. Novos estudos são feitos em torno de tão importante vegetal.

E Bayllard assinala, pela primeira vez, uma quinta-essência, existente no fumo, da qual uma só gota, injetada na pele do corpo seria capaz de matar uma pessoa, na mesma hora. 

Cabe, porém, a Stass, célebre químico belga, a descoberta, verdadeiramente científica, do alcaloide do fumo, no ano de 1850. Daí por diante, a questão do tabagismo tomou outros rumos, passando do empirismo, propriamente dito, ao terreno experimental da ciência. 

Assim, já Gustavo Fougnies, envenenado por seu cunhado, o Conde de Bocarnus, provoca na época celeuma entre pesquisas médico-legais, o que dá motivo a Stass de escrever o mais vigoroso trabalho, talvez, desse gênero, empreendido na ciência do seu século.

Com o notável químico belga, o alcaloide do fumo recebeu o nome de Nicotina, e foi por ele classificado entre os venenos neuro-mióticos.”


FONTE: DA SILVA, Gastão Pereira. Vícios da Imaginação. Meios de Corrigí-los. 5 ed. revista. Rio de Janeiro: José Olympio, 1952; p. 21-24.


MARIA SEMPRE!


[1] Favor conferir o seguinte artigo: BUESCHER, John B. A Igreja Católica e o Tabagismo. Disponível em: <http://apologistascatolicos.com.br/index.php/idademedia/moral/640-a-igreja-catolica-e-o-tabagismo-uma-revisao-historica>. Traduzido por: Rafael Rodrigues. Desde: 05/05/2014 .