segunda-feira, 16 de maio de 2016

OS ASTECAS: TERRÍVEIS SACRIFÍCIOS

Cerimônia de sacrifício humano asteca.
Prof. Pedro Maria da Cruz
Muito se ouve falar a respeito das terríveis cerimônias religiosas dos astecas. Com efeito, era ordinário o sacrifício de seres humanos. Mas, o que explicaria tais práticas rituais? Que pensamento haveria por trás de atos horrorosos como esse? Eis o cenário encontrado pelos colonizados no chamado tempo dos descobrimentos: totalmente em desacordo com a verdade trazida e anunciada pela Igreja (Compêndio Vat. II, Nostra Aetate, 2).



Pedra-sol asteca que representaria um calendário
Segundo Waldomiro Piazza, SJ, os astecas entendiam a si mesmos como elemento cósmico responsável pelo tempo e pela história. A boa ordem do universo, nesse sentido, dependia da colaboração humana. Eles possuíam a ideia de que lhes cabia a missão de pôr em movimento o processo cósmico. Por isso, faziam da guerra um fim em si, um culto religioso de Huitzilopochtli, deus das batalhas. A oferta dos corações dos guerreiros valentes em suas cerimônias apresentava-se como um meio mágico de pôr em movimento o universo, concebido como um grande homem cósmico, do qual o sol seria o coração.

Por mais incrível que nos pareça, segundo a mitologia desse povo, o derramamento de sangue era necessário para fazer com que o sol percorresse os espaços e fosse propício aos homens. O movimento, só poderia ser mantido com tais atos litúrgicos cruentos onde tantos seres humanos eram imolados, doados pela conservação do todo (não é, pois de admirar que os astecas tenham dado importância especial ao estudo do tempo, tanto em sua realidade cósmica como litúrgica).
Tezcatlipoca no Codex Fejervary-Mayer
Ou seja, haveria uma inexorável exigência das leis superiores, que regem o destino do cosmo e dos homens, as quais implicavam no culto horrendo e dramático dos astecas onde ocorriam os terríveis sacríficios. “Segundo um mito, Tezcatlipoca encarnava-se cada ano em um jovem fisicamente perfeito que, por isso mesmo, devia ser sacrificado, para renovar a ‘providência divina’ em favor do povo.” (PIAZZA, Waldomiro, 1991; p. 201) Durante um ano o jovem era vestido com as insígnias divinas e tratado como se fosse um deus. No dia do sacrifício, ele devia subir as escadas do templo, no topo do qual os sacerdotes revestidos de preto deitavam-no de costas sobre o altar e abriam-lhe o peito com uma faca, arrancavam-lhe o coração palpitante e o ofereciam ao sol. Cortavam-lhe a cabeça, a qual era guardada como um troféu no templo, e atiravam o cadáver escadas abaixo, para ser comido em um banquete sagrado pela família do guerreiro que aprisionara a vítima.

“Com o tempo, crescendo a sua ambição guerreira, cresceu também o número de vítimas humanas, chegando aos milhares. Assim, em 19 de fevereiro de 1487, pouco antes da conquista espanhola, foram imolados 20.000 vítimas, em apenas 4 dias, para inaugurar o novo templo de Huitzilopochtli, em México” (PIAZZA, Waldomiro, 1991; p.197)

Dados históricos como esses servem para fazer-nos entender melhor uma série de posturas tomadas pelos conquistadores espanhóis nos tempos de outrora. Infelizmente, a quase totalidade de nossos professores apresentaram uma visão romantizada e deturpada dos povos conquistados enquanto pintavam os europeus com as cores mais negras que lhes fosse possível. Claro que não nos é possível nas poucas linhas de nosso blog relatar os excessos criticáveis de muitos conquistadores; entretanto, é facto que já o fazem sobejamente por aí. A intenção aqui foi tão somente apresentar novos dados para equilibrar o julgamento dos leitores no tocante a certos temas do passado. 


Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós!


Referências: PIAZZA, Waldomiro O. Religiões da Humanidade. São Paulo: Edições Loyola, 1991; p. 194-202.


MARIA SEMPRE!


sexta-feira, 6 de maio de 2016

OS ASTECAS: O DEDO DA PROVIDÊNCIA

Pirâmide de Tenochtitlán, erguida pelos Astecas.
Prof. Pedro Maria da Cruz
Os astecas (ou, mexicas, como se auto intitulavam; palavra que originou o termo mexicanos) formaram uma grande civilização mesoamericana e pré-colombiana. Seu maior desenvolvimento ocorrera principalmente entre os séculos XIV e XVI: por volta de 1428 d.C. já possuíam um império admirável! Em 1325 d.C. fundaram sua importante capital, Tenochtitlán; a qual, sabe-se, fora habitada por mais ou menos trezentas mil pessoas em 1519 d.C.


Para formarmos uma ideia mais clara da grandeza a que chegaram os astecas, recordemo-nos que no reinado de Montezuma II (1466-1520), durante o qual se iniciara a colonização espanhola, o império alcançara em torno de 500 cidades sob seu jugo. Porém, no ano 1521 Tenochtitlán (hoje chamada cidade do México) fora tomada pelos espanhóis após um sitio de setenta e cinco dias realizado pelas tropas de Hernán Cortés (1485-1547).Tais fatos marcam o fim do Império Asteca. 

Povo de índole bélica e conquistadora, os mexicas são oriundos de uma nação maior: os nahuas (adoradores Huitzilopochtli - representado pelo Jaguar - deus sanguinário da guerra; também chamado Tizintuzumi pelos Michocas, subjugados pelos astecas). Historiadores defendem a ideia de que os astecas teriam invadido o México central aproveitando-se das contingencias de outra nação, admirável por sua arte e filosofia, a qual assimilaram: os toltecas (adoradores de Quetzalcoatl - serpente emplumada -, deus pacífico, da sabedoria, que favorecia a escrita e a ciência. A nível de curiosidade lembremos que entre os Maias, de influência tolteca, Quetzalcoatl aparece como Kukulkan, um deus civilizador). 

“Alguns autores gostam de comparar os astecas aos romanos, e os toltecas aos gregos, devido ao fato de que os astecas souberam, como os romanos, pôr em movimento um grande poder político e administrativo, assimilando, porém, a cultura dos toltecas, que tinham vencido.” (PIAZZA, Waldomiro, 1991; p.195) 

Representação das diversas divindade astecas
À medida que os astecas avançavam em seu domínio sobre a região mesoamericana, iam assimilando muitos aspectos dos povos vencidos, o que os fez adoradores de muitos deuses. Por exemplo: 1 - Tlaloc e sua companheira Chalchiuhtlicu, deuses dos chimichica; 2 - XipeTopec, cultuado pela Tribo Yopi, em cujo culto o sacerdote se revestia da pele de uma vítima humana; 3 - Tezcatlipoca, que muitas vezes é identificado com o já citado Huitzilopochtli; 4 -Tonatiuh, o sol que faz o dia, o qual só pode continuar seu trajeto se lhe forem oferecidos sacrifícios humanos (como um dia - de acordo com o mito - os deuses tiveram de sacrificar-se para que Tonatiuh executasse seu percurso diário no céu); e, 5 - o próprio Quetzalcoatl, dos toltecas, como já o dissemos. Foi a crença dos astecas em Quetzalcoatl que gerou - devido a um de seus relatos míticos - o fato interessante que expomos a seguir: 
Quando Hernán Cortés chegou a Tenochtitlan, a capital dos astecas em 1519, o então imperador Montezuma II achou que o espanhol e seus companheiros fossem mensageiros do deus Quetzacóalt, o qual havia prometido que retornaria algum dia de sua viagem feita pelo mar... Vamos ler o relato mitológico.
Ensinava-se entre os astecas que Quetzalcoatl: 
“(...)veio do Oriente, era de pele branca e densa barba negra, testa alta e elevada estatura. Chegando à cidade chamada Tula, ai introduziu a cultura agrária, a arquitetura e uma religião de sentido monoteísta e de elevado humanismo. Como condenasse os sacrifícios humanos, foi combatido pelos sacerdotes do deus Tezcatlipoca, os quais, com seus estratagemas, conseguiram expulsá-lo de Tula. O mito diz que o próprio Tezcatlipoca desceu do céu por um fio de aranha, induziu Quetzalcoatl a olhar-se em seu espelho, que retratou a decadência do herói, e ministrou-lhe uma beberagem alucinante, em cujo estado Quetzalcoatl cometeu vários desatinos que o constrangeram a retirar-se de Tula. (...) Mas, uma lenda informa que, chegando ao golfo do México, meteu-se em uma jangada e perdeu-se no mar, tendo antes anunciado que voltaria com seus irmãos brancos para conquistar o México. Por isso, quando Cortez desembarcou no golfo do México, os nativos pensaram que se tratava do retorno de Quetzalcoatl, o que muito favoreceu a conquista do vasto império asteca.” (PIAZZA, Waldomiro, 1991; p.198-199) 

São os caminhos da Providência... 

Após a chegada dos espanhóis, milhares de nativos, tocados por evangelizadores cheios de
zelo e admirados pela extraordinária manifestação de Nossa Senhora (sob o título de Guadalupe), se converteram ao cristianismo. Nesse contexto a Igreja católica pôde espalhar a luz do evangelho por terras nunca dantes conhecidas. Sabemos, obviamente, de erros cometidos por muitos conquistadores; porém, preferimos tratar agora dos assuntos abordados acima, afim de enriquecer nossos leitores com informações, infelizmente, ocultadas, ou mesmo desconhecidas, por não poucos professores brasileiros. 



Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós! 


Referência: PIAZZA, Waldomiro. Religiões da Humanidade. São Paulo: Edições Loyola, 1991; p. 194-202. 



MARIA SEMPRE! 



domingo, 24 de abril de 2016

REFLEXÃO: "AS DEMORAS DE DEUS"

"A virtude da paciência é uma terapia de que o mundo atual precisa muito."

Por Editores do Blog
Reproduzimos abaixo interessante reflexão do Pe. Francisco Faus, sacerdote integrante da Prelazia da Santa Cruz e do Opus Dei. Espanhol, conviveu com São José Maria Escrivá e vive em São Paulo desde 1961.
É autor de diversas obras sobre piedade cristã, entre elas "A Paciência", do qual foi extraído este trecho, que nos acenam para a confiança e esperança em Deus. 


***

No mundo em que vivemos, bêbado de acelerações,
ultrassônico nas mudanças e doente de impaciências
"No mundo em que vivemos, bêbado de acelerações, ultrassônico nas mudanças e doente de impaciências, a bela arte do amor paciente é muito necessária. A virtude da paciência é uma terapia de que o mundo atual precisa muito.

Mas, num ambiente em que o egoísmo pensa que “para mim tudo tem que ser antes e ao meu gosto” e o comodismo exige 'tudo rápido, para já e com o menor trabalho possível', a impaciência grassa largamente e faz a festa. E é natural que se mostre, a toda a hora, em forma de cansaço insofrido, unido a uma revolta irritada. Não é estranho que, nesse clima, as impaciências acabem cedo ou tarde por arremessar-se contra Deus.

Tal é o caso, não infreqüente, dos que chegam a duvidar da bondade de Deus e sentem abalar-se-lhes a fé quando julgam que 'Deus não os escuta', pois – segundo pensam – não atende aos seus pedidos nem os livra das suas aflições.

Alguns falam então do 'silêncio de Deus', insinuando – ou afirmando claramente – que Deus não se interessa pelas suas criaturas, mas permanece na olímpica solidão dos céus, alheio às tribulações e anseios dos homens. Um bom número de casos de agnosticismo, ou de ateísmo inconsistente (será que há algum ateísmo que não seja inconsistente?), ou de ceticismo mais ou menos cínico, tomaram pé em alguma decepção. Esperava-se algo de Deus, e não aconteceu. Por essa razão, Fulano deixou de ir à Missa depois da morte do filho, pelo qual tanto tinha rezado; Sicrano perdeu a fé após a quinta tentativa frustrada de entrar na faculdade; e Beltrana bandeou-se para o esoterismo ao perder o último namorado.

Os 'silêncios' e as 'demoras' de Deus põem à prova a nossa paciência. Mas são precisamente essas dificuldades desconcertantes as que nos fazem compreender que uma boa paciência jamais poderá ser erguida sobre uma fé ruim.

O vosso Pai vê, o vosso Pai sabe,
 o vosso Pai cuida - Mt 6, 25
Uma das primeiras verdades – inesgotável e luminosa verdade! – que Cristo nos revelou foi a da paternidade de Deus: O vosso Pai vê, o vosso Pai sabe, o vosso Pai cuida (cf. Mt 6, 25 e segs.). Não se vendem dois passarinhos por uma moedinha? No entanto, nenhum cai por terra sem a vontade do vosso Pai. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois! Valeis mais do que muitos pássaros (Mt 10, 20-31).

Deus é um Pai que sempre nos acompanha. E esse Pai está amorosamente ativo, talvez mais do que nunca, quando parece que se cala e não intervém.'Quando nada acontece – diz, com certeira intuição, Guimarães Rosa –, há um milagre que não estamos vendo'[NOTA DE RODAPÉ: Primeiras Estórias, José Olympio, Rio de Janeiro, 1962, pág. 71.].

Quem vive realmente de fé, caminha sereno e confiante na 'mão' de Deus que, como víamos acima, muitas vezes não coincide com a nossa. Ele, que é Bom Pastor de cada um de nós, sabe, e sabe-o muito bem, por onde nos leva e nos traz. Ainda que atravesse as sombras da morte, nada temerei, porque Tu estás comigo (Sl 23, 4). Ele nos dá, ou permite que nos aconteça, aquilo que – embora não o entendamos – mais nos convém, sempre com vistas à nossa verdadeira realização, que é a que floresce e se completa na vida eterna: Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma (Mt 10, 28). Não temas, meu pequeno rebanho, porque foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino (Lc 12, 32).

Quem vive de fé, entende muito bem, por isso, o belo conselho do Eclesiástico: Sofre as demoras de Deus. Dedica-te a Deus, espera com paciência [...]. Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus pelo cadinho da tribulação (Ecli 2, 3-5). "

Fonte: FAUS, Francisco. A Paciência. São Paulo: Quadrante, 1998. pg. 55-57.

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MARIA SEMPRE!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

OFICINA DE LATIM ECLESIÁSTICO


Por João S. de O. Junior [1]

Pela manhã do dia 03 de abril, a Sociedade da Santíssima Virgem Maria realizou na Sala Mãe do Bom Conselho, Centro de Montes Claros - MG, a primeira Oficina de Latim Eclesiástico para alguns participantes dos Grupos de Estudos e fiéis que assistem a Missa Tridentina em nossa cidade.

A Sala da SSVM favorece aos estudos.
Tendo como tutor o advogado Paulo Vinícius Costa Oliveira (de pé, na foto ao lado), a oficina se iniciou com breves mas importantes instruções teóricas sobre a pronúncia de nossa "língua mãe", voltada para orações básicas da Fé Católica[2] com muitos exemplos práticos. 

Após o lanche, a segunda parte dos estudos se deu com recitação de orações em Latim tendo ativa participação dos presentes. Por fim, foram entregues certificados a estes.

Essa oficina foi apenas mais uma, de tantas outras, voltadas para a formação católica que a SSVM busca realizar, sempre no amor à Doutrina Católica e a tudo que lhe diz respeito, isto é parte do nosso chamado. Além, é claro, de continuarmos outros projetos de Apostolado, por Caridade Cristã.

Foto dos participantes da Oficina
Caríssimos benfeitores e amigos, vossas ajudas e orações nos são muito importantes.
Que a Virgem Santíssima recompense a vós e a vossas famílias por tudo!  E como ainda há tempo (o período pascal vai até Pentecostes) desejo-vos uma Santa Páscoa!
Que reine em nossos corações o Cristo, Ressuscitado!

Mais uma vez, fazemos o convite para assistirem a Missa Tridentina que está acontecendo nas sextas-feiras, no Santuário do Bom Jesus às 18 horas. Uma benção sem igual! 


Grande abraço e Maria Sempre!


Notas:

[1] Este texto é a carta de abril/2016 do presidente da Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM aos benfeitores e amigos da associação.

[2] O Papa Bento XVI no documento pós sinodal Sacramentum Caritatis, n. 62, recomenda a recitação das orações em Latim mais tradicionais de nossa fé Católica.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

A CURIOSA HISTÓRIA DO CIGARRO

A data em que apareceu o primeiro cigarro
 entre os lábios do primeiro fumante perdeu-se no tempo...


Prof. Pedro Maria da Cruz

Gastão Pereira da Silva não é um autor recomendável; foi ele quem, de certo modo, popularizou a Psicanálise no Brasil. Entretanto, encontrei em um de seus livros essa interessante história do tabagismo, que servirá para entreter nossos leitores. Aos interessados recomendamos também o excelente texto: “A Igreja Católica e o Tabagismo”[1] onde encontrarão uma visão muito mais imparcial (por exemplo, a respeito da postura do papa Urbano VIII, citado abaixo) no tocante ao assunto abordado.

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“A história do tabagismo é muito curiosa. Deve, pois, ser contada, embora resumidamente. A data em que apareceu o primeiro cigarro entre os lábios do primeiro fumante perdeu-se no tempo. Conta-se que Cristovão Colombo, ao abordar a ilha de Cuba, vira, na boca dos índios, enormes tições acesos, que pareciam imensos cigarros feitos com folhas de tabaco.

Mas, em que se pese esse fato, o fumo só ficou conhecido depois do século XVI, com as primeiras remessas desse vegetal enviadas pelo embaixador francês João Nicot à rainha de Médicis em 1560.

João Nicot cultivava o fumo nos jardins em Lisboa, porque o julgava uma erva perfumada e dotada de propriedades terapêuticas. Apesar de Nicot haver passado à posteridade, como o introdutor do tabaco em França, um monge, chamado André Thevet, do fumo já fazia uso, dois anos antes, por presumir que os cristãos da América o usassem com o fim de destilar os humores supérfluos do cérebro... 

Contudo, a escandalosa e ambiciosa proteção de Catarina de Médicis pelo fumo celebrizou Nicot, de onde vem, hoje, nicotina. Tal importância dava a rainha ao tabaco que Buchanan lançou epigramas, nos quais dizia não se dever tocar em uma planta, oriunda de nome tão infame, e quando alguém o ouvisse, deveria tapar a boca e fechar os ouvidos...

A pouco e pouco, porém, o fumo foi sendo importado em outros centros europeus. Na Itália, por exemplo, o tabaco viu-se acatado pelo cardeal SainteCroix que o introduziu nos conventos, e nos colégios porque o supunha dotado de qualidades anafrodisíacas e, assim, aumentaria o número dos santos e dos castos!


Outros tantos predicados deram ao fumo os povos da antiguidade e, também, infinitas denominações foram-lhe consagradas. Assim: erva-sagrada, erva-santa, erva do embaixador, erva da rainha, erva de SainteCroix, remédio de todos os males, panacéia antártica, etc., etc.


Foi utilizado em pílulas, poções, pomadas, xaropes, infusões, banhos... Nicot afirma que, em Portugal, ele curou um parente de uma úlcera nasal com poucas aplicações de folhas de tabaco...

Os médicos usavam-no na asma, na escrófula, na hidropisia e no câncer.Hivernius e Fowler, notáveis esculápios, trataram várias dermatoses com folhas ligeiramente aquecidas, de fumo...

As indicações terapêuticas eram muitas e os acidentes, as intoxicações e os envenenamentos – alguns criminosos – eram, por outro lado, frequentes...

Em pouco tempo, então, levantou-se uma cruzada contra o uso do fumo, à frente da qual se viu como patrono o monarca Jacques I, de Inglaterra. Tal foi o seu ódio pelo tabaco que, dentro em pouco, esse famoso rei publicou a Mesocapnea (horror ao fumo) e fez encerrar, na Torre de Londres, a curiosa figura de Raleigh sob pretexto de complot, aprisionando-o e mais tarde decapitando-o no antigo palácio de Westminster. 
Alguns jesuítas protestaram. Escreveram trabalhos inteligentes, em oposição ao rei Jacques I. Aos seus escritos deram os religiosos o nome de anti-mesocapneos.

E a campanha continuou.

O sultão Amaraut IX ordenou cortar a ponta do nariz aos tabaquistas e os lábios aos fumantes. 

Miguel Federowich mandava aplicar 50 chibatadas na sola dos pés dos fumantes. Em seguida colocava um cigarro na boca dos desgraçados e ...enforcava-os!...

Sham Albas, soberano da Pérsia, no final de um jantar oferecido por ele aos cortesãos, deu-lhes cachimbos contendo excremento de cavalo, seco e dessecado! Nenhum dos convivas reclamou... o soberano, colérico, disse então: “Maldita seja a droga que não pode ser distinta das fezes de um animal”. 

“Queres, então, assustar uma folha levada pelo vento,
ou perseguir uma folha ressequida?” Jó 13, 25
Perguntavam os Jesuítas ao Papa Urbano VIII
O papa Urbano VIII [favor conferir o artigo citado abaixo para entender melhor o facto referido ao papa de modo tão difuso nesse texto], através de uma bula, lançada em 1649, excomungou todos aqueles que do tabaco faziam uso. Essa bula mereceu dos Jesuítas uma pergunta satírica: “Perseguir uma fôlha sêca? Levantar armas contra uma coisa que o vento leva?”
Segundo êles, a Igreja não podia condenar o fumo.
O tempo corre. Novos estudos são feitos em torno de tão importante vegetal.

E Bayllard assinala, pela primeira vez, uma quinta-essência, existente no fumo, da qual uma só gota, injetada na pele do corpo seria capaz de matar uma pessoa, na mesma hora. 

Cabe, porém, a Stass, célebre químico belga, a descoberta, verdadeiramente científica, do alcaloide do fumo, no ano de 1850. Daí por diante, a questão do tabagismo tomou outros rumos, passando do empirismo, propriamente dito, ao terreno experimental da ciência. 

Assim, já Gustavo Fougnies, envenenado por seu cunhado, o Conde de Bocarnus, provoca na época celeuma entre pesquisas médico-legais, o que dá motivo a Stass de escrever o mais vigoroso trabalho, talvez, desse gênero, empreendido na ciência do seu século.

Com o notável químico belga, o alcaloide do fumo recebeu o nome de Nicotina, e foi por ele classificado entre os venenos neuro-mióticos.”


FONTE: DA SILVA, Gastão Pereira. Vícios da Imaginação. Meios de Corrigí-los. 5 ed. revista. Rio de Janeiro: José Olympio, 1952; p. 21-24.


MARIA SEMPRE!


[1] Favor conferir o seguinte artigo: BUESCHER, John B. A Igreja Católica e o Tabagismo. Disponível em: <http://apologistascatolicos.com.br/index.php/idademedia/moral/640-a-igreja-catolica-e-o-tabagismo-uma-revisao-historica>. Traduzido por: Rafael Rodrigues. Desde: 05/05/2014 .

domingo, 27 de março de 2016

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO: IMAGENS

Resurrection of Christ unknown flemish Master 1400, Antwerp

Por Ambrogio de Stefano Borgognone,  Resurrection, 1510.

Por Carl Bloch, dinamarquês do século XIX.

The Resurrection  Hendrick van den Broeck  Cappela Sistina

Resurrection,  por Fra Angélico pintando nas paredes do Convento de São Marcos, 1440 na cidade de Florença
Resurrection of Christ by Giotto di Bondone
Ícone na Igreja Ortodoxa da Rússia
The Resurrection of Christ  Mikhail Nesterov 1890
Ícone Ortodoxo

Resurrection  Passignano, 1600-25, Pinacoteca Vaticano

Por Simon Dewey , "Ele Vive", final do séc. XX

Esta não se trata de nenhum anúncio do Woodstock de 1969, nem é propaganda de uma feira hippie... É a imagem principal do folheto semanario litúrgico, 'O Domingo', Editora Paulus, no domingo de Páscoa do dia 08/04/2012. Folheto costumeiramente usado em várias paróquias do Brasil. Quem fez a observação da estranheza da imagem não foi algum conservador litúrgico e nenhum crítico artístico mas sim a sobrinha de minha namorada, àquela, uma criança de nove anos de idade. Além de enxergar o óbvio que muitas autoridades não perceberam ainda, ela questionou: "Por que ele está cantando?"  (Comentário de Junior Soares)

As imagens postadas aqui e muitas outras podem ser visualizadas em tulacampos.blogspot.com.br

segunda-feira, 14 de março de 2016

PAPA PAULO VI: O DIREITO CANÔNICO


“O Direito canônico, como tudo o que existe na Igreja, 
ordena-se totalmente para o bem das almas”

“A caridade ocupa, sem dúvida, o lugar mais importante. 
Mas a caridade não pode subsistir sem a justiça, expressa nas leis.”

Prof. Pedro Maria da Cruz

Papa Paulo VI
“Não ignoramos, igualmente, os numerosos e funestos preconceitos que surgem contra o Direito Canônico. São muitos aqueles que exaltando a liberdade, a caridade, os direitos da pessoa humana e a índole carismática da Igreja, criticam com hostilidade as instituições canônicas, procurando diminuir a importância das mesmas, depreciando-as e até pretendendo a sua eliminação, como se fossem ‘estruturas’ impostas extrinsecamente, que diminuem o caráter espiritual da mensagem evangélica e obrigam a liberdade de que os filhos de Deus devem gozar. Daqui nasce uma forma peculiar de comportamento em oposição a qualquer autoridade legítima, e que alguns pretendem sancionar com a autoridade do Concilio Vaticano II.

Confessamos que as leis canônicas em que o chamado ‘juridicismo’ predomina de tal forma que enfraqueça o aspecto espiritual da igreja – as leis que não se fundarem no dogma católico; que não salvaguardem suficientemente a perfeição humana; que impedirem o progresso da vida religiosa – não correspondem absolutamente ao espírito e às normas diretivas que o Concilio deu para a renovação da vida cristã.

Mas o Concilio não só não rejeita o Direito Canônico, isto é, as normas pelas quais são definidos os deveres e com as quais são salvaguardados os direitos dos membros da Igreja, mas também postula energicamente este direito como consequência lógica, necessariamente derivada do poder que Jesus Cristo confiou à sua Igreja, e como um elemento que pertence à mesma natureza da Igreja. Daqui, a exortação do mesmo Concílio: ‘no ensinamento do Direito canônico [...] tenha-se em conta o mistério da Igreja’.

Esta união do Direito canônico com o mistério da Igreja é explicitada pelo próprio Concílio [...]. Desta forma, manifesta-se claramente a natureza própria da lei eclesiástica, que é espiritual: ‘o Direito canônico, como tudo o que existe na Igreja, ordena-se totalmente para o bem das almas [...]. Tanto o administrador dos assuntos eclesiásticos, como o juiz, o ministro das coisas sagradas e o conselheiro dos fiéis devem pensar constantemente que têm de dar contas da salvação das almas.’ (AAS,45,1973,688).

‘no ensinamento do Direito canônico [...]
 tenha-se em conta o mistério da Igreja’.
De tudo o que foi dito até agora, deduz-se que a legislação canônica não deve ser considerada como um elemento estranho na Igreja, ou como um impedimento que retarda a expansão da vida cristã. Pelo contrário, a sua função própria na Igreja consiste em sancionar e proteger tudo o que se julga conveniente para viver com maior fidelidade e constância uma existência cristã. Por isso, não pode realizar-se uma ação pastoral verdadeiramente eficaz, se esta não tiver, ao mesmo tempo, uma firme tutela na sábia ordenação de alguns estatutos jurídicos.

A caridade ocupa, sem dúvida, o lugar mais importante. Mas a caridade não pode subsistir sem a justiça, expressa nas leis. As duas caminham juntas e devem completar-se mutuamente, porque derivam de uma fonte, que é Deus.”

(S.S. Paulo VI na audiência de 14 de dezembro de 1973 aos participantes no terceiro curso de atualização em Direito Canônico in Sedoc, 6, 1974, col. 1153-1155).

FONTE: GONÇALVES, Pe. Mário L. Menezes. Introdução ao Direito Canônico. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004; p. 215-217.


MARIA SEMPRE!


terça-feira, 1 de março de 2016

SIMPÓSIO CONTRA-REVOLUCIONÁRIO

A "comitiva" de Montes Claros juntamente com S.A. Dom Bertrand
Por Helmer Ézion                                                                                                     

Os intervalos eram propícios para interação
Depois de receber um convite especial, membros e amigos da SSVM participaram do XVI Simpósio de estudos e ação contra-revolucionária no Hotel Tryp Higienópolis, na cidade de São Paulo, nos dias 06 a 09 de fevereiro (período de carnaval). O evento, promovido pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira (IPCO), contou com a participação de jovens de diversas partes do Brasil e alguns estrangeiros, que, assim como a SSVM, trabalham em defesa e promoção da tradição católica. 

Durante o evento foram apresentadas diversas palestras sobre temas atuais e relevantes para bem viver a cristandade e a contra-revolução. As conferências foram proferidas por diversos homens de ação reconhecida no cenário nacional, como os ilustres Pe. Sávio Fernandes e S.A Dom Bertrand, que com suas amplas experiências, nos brindavam com sábias palavras, que nos alertam da necessidade e urgência em contrapor-se aos erros modernistas e nos deu esperança da vitória em Cristo. Além das palestras, teve celebração da Santa Missa em rito Tridentino todos os dias e a imposição do escapulário de Nossa Senhora do Carmo e da medalha milagrosa de Nossa Senhora das Graças. Ainda, foi distribuído diversos brindes (livros e objetos sacramentais e de piedade), regado a momentos de agradável convivência e troca de experiências.

Hóspedes lendo Pugna
É importante ressaltar que mesmo estando ali na condição de assistente para aprender e aproveitar a experiência, o caráter apostólico da SSVM não era deixado de lado. Ao longo de todo evento foi distribuído "Pugnas" sobre o carnaval , não somente aos que participavam do evento mas também aos hóspedes, vizinhos e transeuntes do hotel.

Segue abaixo as considerações dos que puderam ter esta tão profunda experiência:

"Participar do Simpósio contra-revolucionário foi uma experiência riquíssima e gratificante. Me permitiu ter um melhor vislumbre da situação da crise na Igreja e me ajudou a refletir sobre o que eu poderia fazer de concreto em meu apostolado."

EDUARDO LINO, 26

"O simpósio foi uma experiência agradabilíssima. Em poucos dias pude usufruir de conferências belíssimas, com aprendizado que levarei por toda minha vida.Creio que muitos gostaria de uma oportunidade como esta, para poder viver e adquirir um pouquinho de conhecimento sobre os assuntos extremamente relevantes para a vida de um CATÓLICO passados por homens que honram a sua masculinidade e a Igreja de Cristo."
ANDERSON SANTOS,25

O ambiente do simpósio foi amistoso apesar de austero
"Uma experiência indescritível. Mente e olhos abertos para uma nova visão onde mesmo as vezes ficando chocado com a realidade, percebi que algo a mais poderia apresentar , saciar - me com a verdade! É bom saber que ainda existem pessoas inteiramente fiéis a tradição e a sã doutrina Católica, poder saber que nem todos os homens perderam a esperança! Poder tomar como exemplo pessoas que ainda estão vivas! Realmente fiquei maravilhado com a postura e cumprimento de todos no Simpósio!"
CAIO CARVALHO,17

"Foi a primeira vez que participei de um evento religioso durante o Carnaval. E a vontade que tenho é de poder participar todos os próximos anos do Simpósio. É quase impossível encontrar palavras para descrever a importância e a urgência de ações como essa no combate ao inimigo diabólico chamado 'Revolução'".
PAULO EUSTÁQUIO, 31

"Poder participar de um simpósio dessa envergadura, certamente foi uma graça concedida por Nossa Senhora. Do lado de verdadeiros Contra-Revolucionários, pude perceber e aprender a seriedade que é lutar para viver em estado de graça. Agradeço a SSVM- Sociedade da Santíssima Virgem Maria, pela oportunidade concedida a minha pessoa, e nessa oportunidade me coloco a disposição dos senhores."
LUCÍLIO RIBEIRO,30

A SSVM agradece a S.A.I.R. Dom Bertrand pelo convite e pela recepção, e roga a Deus para que,pela intercessão de Nossa Senhora, a causa contra-revolucionária ganhe cada vez mais força e adeptos!

MARIA SEMPRE!


*Fotos: Anderson Santos