quinta-feira, 14 de abril de 2016

OFICINA DE LATIM ECLESIÁSTICO


Por João S. de O. Junior [1]

Pela manhã do dia 03 de abril, a Sociedade da Santíssima Virgem Maria realizou na Sala Mãe do Bom Conselho, Centro de Montes Claros - MG, a primeira Oficina de Latim Eclesiástico para alguns participantes dos Grupos de Estudos e fiéis que assistem a Missa Tridentina em nossa cidade.

A Sala da SSVM favorece aos estudos.
Tendo como tutor o advogado Paulo Vinícius Costa Oliveira (de pé, na foto ao lado), a oficina se iniciou com breves mas importantes instruções teóricas sobre a pronúncia de nossa "língua mãe", voltada para orações básicas da Fé Católica[2] com muitos exemplos práticos. 

Após o lanche, a segunda parte dos estudos se deu com recitação de orações em Latim tendo ativa participação dos presentes. Por fim, foram entregues certificados a estes.

Essa oficina foi apenas mais uma, de tantas outras, voltadas para a formação católica que a SSVM busca realizar, sempre no amor à Doutrina Católica e a tudo que lhe diz respeito, isto é parte do nosso chamado. Além, é claro, de continuarmos outros projetos de Apostolado, por Caridade Cristã.

Foto dos participantes da Oficina
Caríssimos benfeitores e amigos, vossas ajudas e orações nos são muito importantes.
Que a Virgem Santíssima recompense a vós e a vossas famílias por tudo!  E como ainda há tempo (o período pascal vai até Pentecostes) desejo-vos uma Santa Páscoa!
Que reine em nossos corações o Cristo, Ressuscitado!

Mais uma vez, fazemos o convite para assistirem a Missa Tridentina que está acontecendo nas sextas-feiras, no Santuário do Bom Jesus às 18 horas. Uma benção sem igual! 


Grande abraço e Maria Sempre!


Notas:

[1] Este texto é a carta de abril/2016 do presidente da Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM aos benfeitores e amigos da associação.

[2] O Papa Bento XVI no documento pós sinodal Sacramentum Caritatis, n. 62, recomenda a recitação das orações em Latim mais tradicionais de nossa fé Católica.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

A CURIOSA HISTÓRIA DO CIGARRO

A data em que apareceu o primeiro cigarro
 entre os lábios do primeiro fumante perdeu-se no tempo...


Prof. Pedro Maria da Cruz

Gastão Pereira da Silva não é um autor recomendável; foi ele quem, de certo modo, popularizou a Psicanálise no Brasil. Entretanto, encontrei em um de seus livros essa interessante história do tabagismo, que servirá para entreter nossos leitores. Aos interessados recomendamos também o excelente texto: “A Igreja Católica e o Tabagismo”[1] onde encontrarão uma visão muito mais imparcial (por exemplo, a respeito da postura do papa Urbano VIII, citado abaixo) no tocante ao assunto abordado.

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“A história do tabagismo é muito curiosa. Deve, pois, ser contada, embora resumidamente. A data em que apareceu o primeiro cigarro entre os lábios do primeiro fumante perdeu-se no tempo. Conta-se que Cristovão Colombo, ao abordar a ilha de Cuba, vira, na boca dos índios, enormes tições acesos, que pareciam imensos cigarros feitos com folhas de tabaco.

Mas, em que se pese esse fato, o fumo só ficou conhecido depois do século XVI, com as primeiras remessas desse vegetal enviadas pelo embaixador francês João Nicot à rainha de Médicis em 1560.

João Nicot cultivava o fumo nos jardins em Lisboa, porque o julgava uma erva perfumada e dotada de propriedades terapêuticas. Apesar de Nicot haver passado à posteridade, como o introdutor do tabaco em França, um monge, chamado André Thevet, do fumo já fazia uso, dois anos antes, por presumir que os cristãos da América o usassem com o fim de destilar os humores supérfluos do cérebro... 

Contudo, a escandalosa e ambiciosa proteção de Catarina de Médicis pelo fumo celebrizou Nicot, de onde vem, hoje, nicotina. Tal importância dava a rainha ao tabaco que Buchanan lançou epigramas, nos quais dizia não se dever tocar em uma planta, oriunda de nome tão infame, e quando alguém o ouvisse, deveria tapar a boca e fechar os ouvidos...

A pouco e pouco, porém, o fumo foi sendo importado em outros centros europeus. Na Itália, por exemplo, o tabaco viu-se acatado pelo cardeal SainteCroix que o introduziu nos conventos, e nos colégios porque o supunha dotado de qualidades anafrodisíacas e, assim, aumentaria o número dos santos e dos castos!


Outros tantos predicados deram ao fumo os povos da antiguidade e, também, infinitas denominações foram-lhe consagradas. Assim: erva-sagrada, erva-santa, erva do embaixador, erva da rainha, erva de SainteCroix, remédio de todos os males, panacéia antártica, etc., etc.


Foi utilizado em pílulas, poções, pomadas, xaropes, infusões, banhos... Nicot afirma que, em Portugal, ele curou um parente de uma úlcera nasal com poucas aplicações de folhas de tabaco...

Os médicos usavam-no na asma, na escrófula, na hidropisia e no câncer.Hivernius e Fowler, notáveis esculápios, trataram várias dermatoses com folhas ligeiramente aquecidas, de fumo...

As indicações terapêuticas eram muitas e os acidentes, as intoxicações e os envenenamentos – alguns criminosos – eram, por outro lado, frequentes...

Em pouco tempo, então, levantou-se uma cruzada contra o uso do fumo, à frente da qual se viu como patrono o monarca Jacques I, de Inglaterra. Tal foi o seu ódio pelo tabaco que, dentro em pouco, esse famoso rei publicou a Mesocapnea (horror ao fumo) e fez encerrar, na Torre de Londres, a curiosa figura de Raleigh sob pretexto de complot, aprisionando-o e mais tarde decapitando-o no antigo palácio de Westminster. 
Alguns jesuítas protestaram. Escreveram trabalhos inteligentes, em oposição ao rei Jacques I. Aos seus escritos deram os religiosos o nome de anti-mesocapneos.

E a campanha continuou.

O sultão Amaraut IX ordenou cortar a ponta do nariz aos tabaquistas e os lábios aos fumantes. 

Miguel Federowich mandava aplicar 50 chibatadas na sola dos pés dos fumantes. Em seguida colocava um cigarro na boca dos desgraçados e ...enforcava-os!...

Sham Albas, soberano da Pérsia, no final de um jantar oferecido por ele aos cortesãos, deu-lhes cachimbos contendo excremento de cavalo, seco e dessecado! Nenhum dos convivas reclamou... o soberano, colérico, disse então: “Maldita seja a droga que não pode ser distinta das fezes de um animal”. 

“Queres, então, assustar uma folha levada pelo vento,
ou perseguir uma folha ressequida?” Jó 13, 25
Perguntavam os Jesuítas ao Papa Urbano VIII
O papa Urbano VIII [favor conferir o artigo citado abaixo para entender melhor o facto referido ao papa de modo tão difuso nesse texto], através de uma bula, lançada em 1649, excomungou todos aqueles que do tabaco faziam uso. Essa bula mereceu dos Jesuítas uma pergunta satírica: “Perseguir uma fôlha sêca? Levantar armas contra uma coisa que o vento leva?”
Segundo êles, a Igreja não podia condenar o fumo.
O tempo corre. Novos estudos são feitos em torno de tão importante vegetal.

E Bayllard assinala, pela primeira vez, uma quinta-essência, existente no fumo, da qual uma só gota, injetada na pele do corpo seria capaz de matar uma pessoa, na mesma hora. 

Cabe, porém, a Stass, célebre químico belga, a descoberta, verdadeiramente científica, do alcaloide do fumo, no ano de 1850. Daí por diante, a questão do tabagismo tomou outros rumos, passando do empirismo, propriamente dito, ao terreno experimental da ciência. 

Assim, já Gustavo Fougnies, envenenado por seu cunhado, o Conde de Bocarnus, provoca na época celeuma entre pesquisas médico-legais, o que dá motivo a Stass de escrever o mais vigoroso trabalho, talvez, desse gênero, empreendido na ciência do seu século.

Com o notável químico belga, o alcaloide do fumo recebeu o nome de Nicotina, e foi por ele classificado entre os venenos neuro-mióticos.”


FONTE: DA SILVA, Gastão Pereira. Vícios da Imaginação. Meios de Corrigí-los. 5 ed. revista. Rio de Janeiro: José Olympio, 1952; p. 21-24.


MARIA SEMPRE!


[1] Favor conferir o seguinte artigo: BUESCHER, John B. A Igreja Católica e o Tabagismo. Disponível em: <http://apologistascatolicos.com.br/index.php/idademedia/moral/640-a-igreja-catolica-e-o-tabagismo-uma-revisao-historica>. Traduzido por: Rafael Rodrigues. Desde: 05/05/2014 .

domingo, 27 de março de 2016

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO: IMAGENS

Resurrection of Christ unknown flemish Master 1400, Antwerp

Por Ambrogio de Stefano Borgognone,  Resurrection, 1510.

Por Carl Bloch, dinamarquês do século XIX.

The Resurrection  Hendrick van den Broeck  Cappela Sistina

Resurrection,  por Fra Angélico pintando nas paredes do Convento de São Marcos, 1440 na cidade de Florença
Resurrection of Christ by Giotto di Bondone
Ícone na Igreja Ortodoxa da Rússia
The Resurrection of Christ  Mikhail Nesterov 1890
Ícone Ortodoxo

Resurrection  Passignano, 1600-25, Pinacoteca Vaticano

Por Simon Dewey , "Ele Vive", final do séc. XX

Esta não se trata de nenhum anúncio do Woodstock de 1969, nem é propaganda de uma feira hippie... É a imagem principal do folheto semanario litúrgico, 'O Domingo', Editora Paulus, no domingo de Páscoa do dia 08/04/2012. Folheto costumeiramente usado em várias paróquias do Brasil. Quem fez a observação da estranheza da imagem não foi algum conservador litúrgico e nenhum crítico artístico mas sim a sobrinha de minha namorada, àquela, uma criança de nove anos de idade. Além de enxergar o óbvio que muitas autoridades não perceberam ainda, ela questionou: "Por que ele está cantando?"  (Comentário de Junior Soares)

As imagens postadas aqui e muitas outras podem ser visualizadas em tulacampos.blogspot.com.br

segunda-feira, 14 de março de 2016

PAPA PAULO VI: O DIREITO CANÔNICO


“O Direito canônico, como tudo o que existe na Igreja, 
ordena-se totalmente para o bem das almas”

“A caridade ocupa, sem dúvida, o lugar mais importante. 
Mas a caridade não pode subsistir sem a justiça, expressa nas leis.”

Prof. Pedro Maria da Cruz

Papa Paulo VI
“Não ignoramos, igualmente, os numerosos e funestos preconceitos que surgem contra o Direito Canônico. São muitos aqueles que exaltando a liberdade, a caridade, os direitos da pessoa humana e a índole carismática da Igreja, criticam com hostilidade as instituições canônicas, procurando diminuir a importância das mesmas, depreciando-as e até pretendendo a sua eliminação, como se fossem ‘estruturas’ impostas extrinsecamente, que diminuem o caráter espiritual da mensagem evangélica e obrigam a liberdade de que os filhos de Deus devem gozar. Daqui nasce uma forma peculiar de comportamento em oposição a qualquer autoridade legítima, e que alguns pretendem sancionar com a autoridade do Concilio Vaticano II.

Confessamos que as leis canônicas em que o chamado ‘juridicismo’ predomina de tal forma que enfraqueça o aspecto espiritual da igreja – as leis que não se fundarem no dogma católico; que não salvaguardem suficientemente a perfeição humana; que impedirem o progresso da vida religiosa – não correspondem absolutamente ao espírito e às normas diretivas que o Concilio deu para a renovação da vida cristã.

Mas o Concilio não só não rejeita o Direito Canônico, isto é, as normas pelas quais são definidos os deveres e com as quais são salvaguardados os direitos dos membros da Igreja, mas também postula energicamente este direito como consequência lógica, necessariamente derivada do poder que Jesus Cristo confiou à sua Igreja, e como um elemento que pertence à mesma natureza da Igreja. Daqui, a exortação do mesmo Concílio: ‘no ensinamento do Direito canônico [...] tenha-se em conta o mistério da Igreja’.

Esta união do Direito canônico com o mistério da Igreja é explicitada pelo próprio Concílio [...]. Desta forma, manifesta-se claramente a natureza própria da lei eclesiástica, que é espiritual: ‘o Direito canônico, como tudo o que existe na Igreja, ordena-se totalmente para o bem das almas [...]. Tanto o administrador dos assuntos eclesiásticos, como o juiz, o ministro das coisas sagradas e o conselheiro dos fiéis devem pensar constantemente que têm de dar contas da salvação das almas.’ (AAS,45,1973,688).

‘no ensinamento do Direito canônico [...]
 tenha-se em conta o mistério da Igreja’.
De tudo o que foi dito até agora, deduz-se que a legislação canônica não deve ser considerada como um elemento estranho na Igreja, ou como um impedimento que retarda a expansão da vida cristã. Pelo contrário, a sua função própria na Igreja consiste em sancionar e proteger tudo o que se julga conveniente para viver com maior fidelidade e constância uma existência cristã. Por isso, não pode realizar-se uma ação pastoral verdadeiramente eficaz, se esta não tiver, ao mesmo tempo, uma firme tutela na sábia ordenação de alguns estatutos jurídicos.

A caridade ocupa, sem dúvida, o lugar mais importante. Mas a caridade não pode subsistir sem a justiça, expressa nas leis. As duas caminham juntas e devem completar-se mutuamente, porque derivam de uma fonte, que é Deus.”

(S.S. Paulo VI na audiência de 14 de dezembro de 1973 aos participantes no terceiro curso de atualização em Direito Canônico in Sedoc, 6, 1974, col. 1153-1155).

FONTE: GONÇALVES, Pe. Mário L. Menezes. Introdução ao Direito Canônico. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004; p. 215-217.


MARIA SEMPRE!


terça-feira, 1 de março de 2016

SIMPÓSIO CONTRA-REVOLUCIONÁRIO

A "comitiva" de Montes Claros juntamente com S.A. Dom Bertrand
Por Helmer Ézion                                                                                                     

Os intervalos eram propícios para interação
Depois de receber um convite especial, membros e amigos da SSVM participaram do XVI Simpósio de estudos e ação contra-revolucionária no Hotel Tryp Higienópolis, na cidade de São Paulo, nos dias 06 a 09 de fevereiro (período de carnaval). O evento, promovido pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira (IPCO), contou com a participação de jovens de diversas partes do Brasil e alguns estrangeiros, que, assim como a SSVM, trabalham em defesa e promoção da tradição católica. 

Durante o evento foram apresentadas diversas palestras sobre temas atuais e relevantes para bem viver a cristandade e a contra-revolução. As conferências foram proferidas por diversos homens de ação reconhecida no cenário nacional, como os ilustres Pe. Sávio Fernandes e S.A Dom Bertrand, que com suas amplas experiências, nos brindavam com sábias palavras, que nos alertam da necessidade e urgência em contrapor-se aos erros modernistas e nos deu esperança da vitória em Cristo. Além das palestras, teve celebração da Santa Missa em rito Tridentino todos os dias e a imposição do escapulário de Nossa Senhora do Carmo e da medalha milagrosa de Nossa Senhora das Graças. Ainda, foi distribuído diversos brindes (livros e objetos sacramentais e de piedade), regado a momentos de agradável convivência e troca de experiências.

Hóspedes lendo Pugna
É importante ressaltar que mesmo estando ali na condição de assistente para aprender e aproveitar a experiência, o caráter apostólico da SSVM não era deixado de lado. Ao longo de todo evento foi distribuído "Pugnas" sobre o carnaval , não somente aos que participavam do evento mas também aos hóspedes, vizinhos e transeuntes do hotel.

Segue abaixo as considerações dos que puderam ter esta tão profunda experiência:

"Participar do Simpósio contra-revolucionário foi uma experiência riquíssima e gratificante. Me permitiu ter um melhor vislumbre da situação da crise na Igreja e me ajudou a refletir sobre o que eu poderia fazer de concreto em meu apostolado."

EDUARDO LINO, 26

"O simpósio foi uma experiência agradabilíssima. Em poucos dias pude usufruir de conferências belíssimas, com aprendizado que levarei por toda minha vida.Creio que muitos gostaria de uma oportunidade como esta, para poder viver e adquirir um pouquinho de conhecimento sobre os assuntos extremamente relevantes para a vida de um CATÓLICO passados por homens que honram a sua masculinidade e a Igreja de Cristo."
ANDERSON SANTOS,25

O ambiente do simpósio foi amistoso apesar de austero
"Uma experiência indescritível. Mente e olhos abertos para uma nova visão onde mesmo as vezes ficando chocado com a realidade, percebi que algo a mais poderia apresentar , saciar - me com a verdade! É bom saber que ainda existem pessoas inteiramente fiéis a tradição e a sã doutrina Católica, poder saber que nem todos os homens perderam a esperança! Poder tomar como exemplo pessoas que ainda estão vivas! Realmente fiquei maravilhado com a postura e cumprimento de todos no Simpósio!"
CAIO CARVALHO,17

"Foi a primeira vez que participei de um evento religioso durante o Carnaval. E a vontade que tenho é de poder participar todos os próximos anos do Simpósio. É quase impossível encontrar palavras para descrever a importância e a urgência de ações como essa no combate ao inimigo diabólico chamado 'Revolução'".
PAULO EUSTÁQUIO, 31

"Poder participar de um simpósio dessa envergadura, certamente foi uma graça concedida por Nossa Senhora. Do lado de verdadeiros Contra-Revolucionários, pude perceber e aprender a seriedade que é lutar para viver em estado de graça. Agradeço a SSVM- Sociedade da Santíssima Virgem Maria, pela oportunidade concedida a minha pessoa, e nessa oportunidade me coloco a disposição dos senhores."
LUCÍLIO RIBEIRO,30

A SSVM agradece a S.A.I.R. Dom Bertrand pelo convite e pela recepção, e roga a Deus para que,pela intercessão de Nossa Senhora, a causa contra-revolucionária ganhe cada vez mais força e adeptos!

MARIA SEMPRE!


*Fotos: Anderson Santos

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

PARA DESTRUIR EM NÓS O PECADO


A penitência é a virtude pela qual destruímos em nós o pecado
 e satisfazemos por ele a Deus.
“Se não fizermos penitência cairemos nas mãos do Senhor.”[1]

“Se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis.”[2]

“Convertei-vos e fazei penitência.”[3]

Por Prof. Pedro M. da Cruz.

Academias lotadas.
Crianças, jovens, adultos e anciãos exercitam-se por praças e avenidas. Uns correm, outros andam... Dietas, cirurgias, e massagens compõem o resto do cenário.
Como vemos, o corpo está bem servido.
Mas, e a alma?
Dada a superioridade desta em relação ao corpo, entende-se que, se alguns dão tanto pela vida material, muito mais devem estar fazendo pela Vida Espiritual. Afinal, é de justiça tributar a cada um a parte que lhe cabe.
Assim, ao físico a atenção que lhe é devida![4] Sem mais nem menos...
E, de igual maneira, à alma, o cuidado que lhe é de direito.
Pensando nesta necessidade cristã, transcrevemos abaixo interessante reflexão do Pe. Alexandrino Monteiro. Baseado nos “Exercícios Espirituais” de Santo Inácio de Loyola, o autor nos apresenta uma profunda reflexão sobre a penitência.
Que nossos esforços pela santidade sejam sempre auxiliados pela maternal intercessão da Santíssima Virgem Maria. Amém.

DA PENITÊNCIA

A penitência permanecerá sempre
 obrigatória para quem naufragou na inocência.
“1. Natureza. - A penitência é a virtude pela qual destruímos em nós o pecado e satisfazemos por ele a Deus. Ora, o pecado apresenta um duplo caráter: um interior, enquanto nos afasta de Deus; e outro exterior, enquanto nos inclina à criatura. Portanto, a penitência apresenta um duplo efeito; converte-nos a Deus, e afasta-nos da criatura. A conversão a Deus constitui a penitência interna. Por outras palavras: a penitência interior consiste nos atos de contrição e propósito; a penitência exterior consiste na punição dos abusos das nossas faculdades exteriores e das criaturas, e caracteriza-se pelo sofrimento que exerce nos sentidos do corpo.

A penitência interior é a principal, e, por assim dizer, a alma da penitência, visto o pecado residir propriamente na vontade. Sem penitência interior, a exterior de nada vale. A penitência exterior é o fruto da interior, porque é o castigo dos pecados cometidos.

Segue-se daqui que a penitência exterior é tão necessária, que, sem ela, se pode duvidar da interior, da qual a exterior é parte integrante e natural complemento. Pelos frutos se conhece a árvore. Assim como pelos frutos se conhece a boa qualidade da árvore, assim pelos frutos da penitência exterior se conhece a boa qualidade da penitência interior, donde eles procedem. Uma alma revela-se verdadeiramente penitente pelas lágrimas, suspiros, golpes no peito, jejuns e disciplinas. Pelo contrários, um pecador que não manifesta em algum ato a sua compunção, dá, por isso mesmo, um indício de impenitência interior.

Desta doutrina se deduz que a penitência exterior é uma virtude universal, de todas as pessoas e de todos os tempos, não só dos monges e anacoretas, mas também das rainhas e dos reis, dos servos e dos senhores: não só da idade média, mas também da moderna; porque em todas as classes e em todas as idades há pecadores.

A penitência nunca passará de moda. As leis, os costumes, as praxes sociais mudam-se com os tempos: a penitência permanecerá sempre obrigatória para quem naufragou na inocência. O eco da pregação do Batista : - Fazei penitência! - continuará a ressoas desde as margens do Jordão até aos mais longínquos âmbitos da terra, a até a consumação dos séculos.”[5]

“Penitência exterior. – O homem não peca só com a alma, mas também com o corpo: os dois são cúmplices no ato do pecado. É justo, por conseguinte, que não só se doa a alma, mas também o corpo; e que o corpo e a alma conspirem, a uma, no exercício da penitência.

Motivos da penitência externa. – Os motivos que nos induzem a esta penitência, podem ser quatro:
1. Conserva melhor a sensibilidade na submissão ao espírito e no cumprimento de tudo o que nos impõem os deveres do nosso estado. Se damos ao corpo tudo o que ele reclama, se afastamos dele tudo o que mortifica, tornamo-lo indolente, inapto para o trabalho, revoltoso e indomável. Mas, à força de penitência, o corpo se torna dócil, submisso, não se revolta tão facilmente contra o espírito e se torna mais apto para a virtude.

2. Ajuda-nos a obter certas graças: como luzes na meditação, solução de certas dificuldades, socorro nas tentações, diminuição nos ataques da impureza, fervor na oração e união com Deus. Para todas estas graças é excelente a prática da penitência. S. Inácio derramou muitas lágrimas e fez muitos jejuns para obter a luz celeste na redação de suas Regras e Constituições.S. Tomás de Aquino se dispôs com sangrentas disciplinas para a interpretação das passagens difíceis da Sagrada Escritura.

No Prefácio da Missa no tempo quaresmal diz-se: ‘Com o jejum corporal reprimis os vícios, elevais a mente, concedeis virtudes e prêmios.’ É por isso que no tempo da Quaresma nos sentimos mais inclinados à virtude, santos e consoladores pensamentos nos iluminam a mente e nos movem o coração...

Em Fátima, Nossa Senhora nos exortou
a fazermos penitência incessantemente.
3. Satisfaz pelos pecados passados e pela pena temporal que lhes é devida. Desta maneira a penitência é uma réplica do espírito à rebelião da carne, e torna-se um ato de justiça, restabelecendo a ordem. Por este motivo, a prática da penitência nos é, todos os dias, necessária, pois, todos os dias pecamos. Somos como um barco, que mete água, e que todo o dia deve ser esvaziado. É, pois, uma loucura deixar a solução desta dívida para a eternidade, onde a expiação será mais longa e penosa. Agora tudo o que fazemos pela satisfação dos nossos pecados é fácil, proveitoso e meritório. É bom que nos exercitemos, cada dia, em algum ato de penitência para satisfazer a Deus pelos nossos pecados.

4. O exemplo dos Santos nos deve também mover à penitência, e , em primeiro lugar, o de Nosso Senhor Jesus Cristo, que passou quarenta dias de rigoroso jejum. E dos Santos, qual é o que não fez penitência? Todos se deram a ela com ardor, e só a obediência e a consideração de um bem maior lhes punha limites a suas rigorosas austeridades. O espírito de penitência é, pois, próprio de todo o cristão.[6]

(O negrito é nosso)



MARIA SEMPRE!


Referência Bibliográfica:
MONTEIRO, Pe. Alexandrino. Exercícios de Santo Inácio de Loiola. II Edição. Petrópolis: Editora Vozes, 1959. 422 pg.

[1] Conf. Eclo. 2,22
[2] Conf. Lc. 13,5
[3] Conf. Mt. 3,2
[4] Claro, uma é a atenção devida na penitência, outra na ordinariedade da vida; porém, em ambos os casos o corpo tem sua parcela de cuidado. (Comentário do autor)
[5] Conf. Pg. 346-347. Obra citada.
[6] Conf. pag. 349-350. Obra citada.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

II ENCONTRO FORMATIVO DA SSVM

Foto com alguns participantes do Encontro
Postado por Editores do Blog

Aconteceu nos dias trinta e trinta e um de Janeiro (sábado e domingo) um encontro formativo para membros e amigos da SOCIEDADE DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA, na chácara São Bento, no bairro Planalto (Montes Claros-MG), gentilmente cedida pela Irmã Maria Luiza.

No sábado a tarde, após a recitação do Santo Terço, iniciaram-se as conferências com tema central: A VISÃO PANORÂMICA SOBRE AS BASES DA CRISE E PROCESSO DE DECADÊNCIA DO PENSAMENTO. 

Os presentes participaram ativamente das conferências

No domingo, pela manhã, após um breve café, as atividades foram reiniciadas com o Santo Terço. O restante das horas foi dedicado ao desenvolvimento do tema. Por se tratar de um assunto tão amplo e atual, os presentes assistiram ativamente as conferências demonstrando interesse em aprofundar nos assuntos apresentados.



As conferências eram alternadas com coffe-breaks, permitindo agradável convivência e diálogos vinculados ao tema desenvolvido. No fim das palestras foi proposto aos participantes retomarem um saudável hábito de todo bom católico, que é o de fazer a adoração à Jesus Eucarístico todos os dias. 


As conferências eram alternadas com coffe-breaks

Todos saíram do encontro com intuito de buscar desenvolver maior conhecimento e consequentemente ter uma maior prática de vida cristã. Louvemos a Nosso Senhor Jesus Cristo por tantos jovens preocupados com as coisas de Deus e ardorosos em sua devoção à Santíssima Virgem Maria.


MARIA SEMPRE!


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

BLAISE PASCAL - "O AMOR PRÓPRIO"


"(...) não fazemos outra coisa senão nos enganarmos e adularmos mutuamente."

Postado por editores do Blog

Blaise Pascal (1623-1662)
Segue abaixo uma reflexão feita por Blaise Pascal (1623-1662) a respeito do homem na sociedade. Filósofo, físico, matemático, moralista e teólogo, este pensador francês, infelizmente, morreu defendendo a heresia jansenista que tanto mal causou a inúmeros cristãos ignorantes. Em sua obra podemos perceber muitas vezes o rigor exagerado, e forte pessimismo que marcava os fautores deste erro doutrinal. Os jansenistas chegavam a pregar o absurdo da predestinação. Entretanto, não podemos negar a beleza, profundidade e acerto de muitas observações feitas por Pascal a respeito das interações humanas. 


†††



"A natureza do amor-próprio e desse eu humano é não amar senão a si e não considerar senão a si. A que pode levar? Não impedira que esse objeto que ama não esteja cheio de defeitos e misérias: quer ser grande e se vê pequeno; quer ser feliz e se vê miserável; quer ser perfeito e se vê cheio de imperfeições; quer ser o objeto do amor e da estima dos homens, e vê que seus defeitos só merecem deles aversão e desprezo. Esse embaraço em que se acha produz nele a mais injusta e criminosa paixão que se possa imaginar; pois concebe um ódio mortal contra essa verdade que o repreende e o convence de seus defeitos. Desejaria aniquilar essa verdade, e, não podendo destruí-la em si mesmo, ele a destrói, tanto quanto pode, em seu conhecimento e no dos outros; isto é, põe todo o seu cuidado em encobrir os próprios defeitos a si mesmo e aos outros, e não pode suportar que o façam vê-los, nem que os vejam.

É sem dúvida um mal ter tantos defeitos; mas é ainda um mal maior estar cheio deles e não querer reconhecê-los, pois é ajuntar-lhes ainda o de uma ilusão voluntária. Não queremos que os outros nos enganem; não achamos justo que queiram ser estimados por nós mais do que merecem; não é, portanto, justo também que nós os enganemos e queiramos que nos estimem mais do que merecemos.

"É sem dúvida um mal ter tantos defeitos; mas é ainda
 um mal maior estar cheio deles e não querer reconhecê-los(...)"
Assim, quando só descobrem em nós imperfeições e vícios, que na realidade temos, é claro que não cometem uma ofensa, pois não são eles os causadores, e nos fazem um benefício, pois nos ajudam a nos livrarmos desse mal que é a ignorância das imperfeições. Não nos devemos zangar pelo fato de eles as conhecerem e de nos desprezarem, pois é justo que nos conheçam pelo que somos, e que nos desprezem se somos desprezíveis. Tais seriam os sentimentos naturais em um coração cheio de equidade e de justiça. Que devemos dizer do nosso, vendo nele uma disposição tão contrária? Pois não é verdadeiro que odiamos a verdade e aqueles que no-la dizem, e que gostamos que se enganem a nosso favor, e que desejamos que nos tomem por outro que não somos na realidade?

A religião católica não nos obriga a revelar nossos pecados indiferentemente a todo mundo: permite que os ocultemos de todos os outros homens; mas excetua alguém ao qual ordena que abramos o fundo do coração, e que o mostremos tal qual é.

Somente a esse único homem, no mundo, ela nos ordena confessar, mas obriga a um segredo inviolável, que faz com que o seu conhecimento de nossos pecados permaneça nele como se não existisse.

Será possível imaginar algo mais caritativo e mais suave? E, contudo, é tal a corrupção do homem que acha ainda dureza nessa lei; e foi uma das principais razões que fizeram grande parte da Europa se revoltar contra a Igreja. Tão injusto e desarrazoado é o coração do homem que lhe parece um mal ser obrigado a fazer, em relação a um só homem, o que seria justo, de certa maneira, que fizesse em relação a todos os homens! Pois será justo os enganarmos?

"Ninguém fala de nós em nossa presença
 como se fala em nossa ausência."
Há diferentes graus nessa aversão à verdade; mas pode se dizer que até certo ponto ela existe em todos, porque é inseparável do amor próprio. Assim essa falsa delicadeza que obriga os que estão na necessidade de repreender os outros a escolherem tantos rodeios e manejos para não ferí-los. Precisam diminuir os nossos defeitos, fingir desculpá-los, misturar louvores e testemunhos de afeição e de estima. E, mesmo assim, essa medicina não deixa de ser amarga ao amor próprio. Tomamos dela o menos que podemos, e sempre com desgosto, e muitas vezes com secreto despeito contra os que no-la oferecem. Por isso acontece que, quando alguém tem interesse, em ser amado por nós, foge de prestar-nos um serviço que sabe ser-nos desagradável; trata-nos como desejamos ser tratados: odiamos a verdade, a verdade nos é ocultada; desejamos ser adulados, adula-nos; gostamos de ser enganados, engana-nos. Donde, ao mesmo tempo que nos eleva no mundo da sorte, os afasta da verdade, pois teme-se mais ferir aquele cuja afeição é mais útil e cuja aversão é mais perigosa.

Um príncipe pode tornar-se o divertimento de toda a Europa, e ser o único a ignorá-lo. Não me admira: a verdade é útil àquele a quem é dita, mas desvantajosa para os que a dizem, porque se tornam odiosos. Ora, os que vivem com os príncipes preferem os seus interesses aos do príncipe que servem; e por isso não se preocupam em lhe proporcionar uma vantagem prejudicando-se a si mesmos. Essa infelicidade é sem dúvida maior e mais comum nas fortunas mais avantajadas; mas as menores não estão isentas dela, porque há sempre algum interesse em se tornar amável. Assim a vida humana nada mais é que uma perpétua ilusão; não fazemos outra coisa senão nos enganarmos e adularmos mutuamente. Ninguém fala de nós em nossa presença como se fala em nossa ausência. A união existente entre os homens assenta apenas nesse mútuo engano; e poucas amizades subsistiriam se todos soubessem o que dizem deles os amigos quando não estão presentes; mesmo quando falam com sinceridade e sem paixões.

O homem não passa, pois, de disfarce, mentira e hipocrisia, tanto ante si próprio como em relação aos outros. Não quer que lhe digam verdades e evita dizê-las aos outros (...)"


MARIA SEMPRE!


Fonte: MAURIAC, François. O pensamento vivo de Pascal. São Paulo: Martins, 1941; p.109-112.