sexta-feira, 20 de novembro de 2015

A INTOLERÂNCIA CATÓLICA - PARTE 1

A Religião que vem do céu é verdade, 
e é intolerante com relação às doutrinas errôneas

Reproduzimos abaixo excertos de um sermão que trata a respeito da Intolerância! Neste texto histórico encontramo-nos perante reflexão assaz importante para os católicos em geral. A cristandade aqui apresentada é muitas vezes omitida ou esquecida pelos próprios católicos. Em um tempo de tanta confusão moral e inversão de valores,  esta verdade aqui defendida se mostra tão atual quanto indispensável. 


Sermão de Louis-Édouard, Cardeal Pie (Bispo de Poitiers) pregado na Catedral de Chartres em 1841:

Meus irmãos (...),

Cardeal Pie (1815-1880)
Nosso século clama: “tolerância, tolerância”. Tem-se como certo que um padre deve ser tolerante, que a religião deve ser tolerante. Meus irmãos, não há nada que valha mais que a franqueza, e eu aqui estou para vos dizer, sem disfarce, que no mundo inteiro só existe uma sociedade que possui a verdade e que esta sociedade deve ser necessariamente intolerante. Mas antes de entrar no mérito, distinguindo as coisas, convenhamos sobre o sentido das palavras para bem nos entendermos. Assim não nos confundiremos.

A tolerância pode ser civil ou teológica. A primeira não nos diz respeito, e não darei senão uma pequena palavra sobre ela: se a lei tolerante quer dizer que a sociedade permite todas as religiões porque, a seus olhos, elas são todas igualmente boas ou porque as autoridades se consideram incompetentes para tomar partido neste assunto, tal lei é ímpia e atéia. Ela exprime não a tolerância civil como a seguir indicaremos, mas a tolerância dogmática que, por uma neutralidade criminosa, justifica nos indivíduos a mais absoluta indiferença religiosa. Ao contrário, se, reconhecendo que uma só religião é boa, a lei suporta e permite que as demais possam exercer-se por amor à tranqüilidade pública, esta lei poderá ser sábia e necessária se assim o pedirem as circunstâncias, como outros observaram antes de mim (...).

Deixo porém este campo cheio de dificuldades, e volto-me para a questão propriamente religiosa e teológica, em que exponho estes dois princípios: primeiro, a religião que vem do céu é verdade, e é intolerante com relação às doutrinas errôneas; segundo, a religião que vem do céu é caridade, e é cheia de tolerância quanto às pessoas.

Roguemos a Nossa Senhora vir em nossa ajuda e invocar para nós o Espírito de verdade e de caridade: Spiritum veritatis et pacis. Ave Maria.

Jesus Cristo fundou uma só Igreja
 para todos os homens em todos os tempos
Faz parte da essência de toda a verdade não tolerar o princípio que a contradiz. A afirmação de uma coisa exclui a negação dessa mesma coisa, assim como a luz exclui as trevas. Onde nada é certo, onde nada é definido, podem-se partilhar os sentimentos, podem variar as opiniões. Compreendo e peço a liberdade de opinião nas coisas duvidosas: in dubiis, libertas. Mas, logo que a verdade se apresenta com as características certas que a distinguem, por isso mesmo que é verdade, ela é positiva, ela é necessária, e por conseguinte ela é una e intolerante: in necessariis, unitas. Condenar a verdade à tolerância é condená-la ao suicídio. A afirmação se aniquila se duvida de si mesma, e ela duvida de si mesma se admite com indiferença que se ponha a seu lado a sua própria negação. Para a verdade, a intolerância é o instinto de conservação, é o exercício legítimo do direito de propriedade. Quando se possui alguma coisa, é preciso defendê-la, sob pena de logo se ver despojado dela.


Assim, meus irmãos, pela própria necessidade das coisas, a intolerância está em toda a parte, porque em toda parte existe o bem e o mal, o verdadeiro e o falso, a ordem e a desordem. Que há de mais intolerante do que esta proposição: 2 mais 2 fazem 4? Se vierdes dizer-me que 2 mais 2 fazem 3 ou fazem 5, eu vos respondo que 2 mais 2 fazem 4...

Nada é tão exclusivo quanto a unidade. Ora, ouvi a palavra de São Paulo: “Unus Dominus, una fides, unum baptisma”. Há, no céu, um só Senhor: unus Dominus. Esse Deus, cuja unidade é seu grande atributo, deu à terra um só símbolo, uma só doutrina, uma só fé: una fides. E esta fé, esta doutrina, Ele confiou-as a uma só sociedade visível, uma só Igreja cujos filhos são, todos, marcados com o mesmo selo e regenerados pela mesma graça: unum baptisma. Assim, a unidade divina que esplende por todos os séculos na glória de Deus produziu-se sobre a terra pela unidade do dogma evangélico cujo depósito foi confiado por Nosso Senhor Jesus Cristo à unidade hierárquica do sacerdócio: um Deus, uma fé, uma Igreja: unus Dominus, una fides, unum baptisma.


Um pastor inglês teve a coragem de escrever um livro sobre a tolerância de Jesus Cristo, e certo filósofo de Genebra disse, falando do Salvador dos homens: “Não vejo que meu divino Mestre tenha formulado sutilezas sobre o dogma”. Bem verdadeiro, meus irmãos. Jesus Cristo não formulou sutilezas sobre o dogma, mas trouxe aos homens a verdade e disse: se alguém não for batizado na água e no Espírito Santo, se alguém se recusa a comer a minha carne e a beber o meu sangue, não terá parte em meu reino. Confesso que nisso não há sutilezas; há intolerância, há exclusão, a mais positiva, a mais franca. E mais: Jesus Cristo enviou seus Apóstolos para pregar a todas as nações, isto é, derrubar todas as religiões existentes para estabelecer em toda a terra a única religião cristã e substituir todas as crenças dos diferentes povos pela unidade do dogma católico. E, prevendo os movimentos e as divisões que esta doutrina iria incitar sobre a terra, Ele não se deteve e declarou que tinha vindo para trazer não a paz, mas a espada, e para acender a guerra não somente entre os povos, mas no seio de uma mesma família e separar, pelo menos quanto às convicções, a esposa fiel do esposo incrédulo, o genro cristão do sogro idólatra. A afirmação é verdadeira e o filósofo tem razão: Jesus Cristo não formulou sutilezas sobre o dogma (...).


"Não vejo que meu divino Mestre tenha
 formulado sutilezas sobre o dogma"
Falam da tolerância dos primeiros séculos, da tolerância dos Apóstolos. Mas isso não é assim, meus irmãos. Ao contrário, o estabelecimento da religião cristã foi, por excelência, uma obra de intolerância religiosa. No momento da pregação dos apóstolos, quase todo o universo praticava essa tolerância dogmática tão louvada. Como todas as religiões eram igualmente falsas e igualmente desarrazoadas, elas não se guerreavam; como todos os deuses valiam a mesma coisa uns para os outros, eram todos demônios, não eram exclusivos, eles se toleravam uns aos outros: Satã não está dividido contra si mesmo. O Império Romano, multiplicando suas conquistas, multiplicava seus deuses, e o estudo de sua mitologia se complica na mesma proporção que o da sua geografia. O triunfador que subia ao Capitólio fazia marchar diante dele os deuses conquistados com mais orgulho ainda do que arrastava atrás de si os reis vencidos. O mais das vezes, em virtude de um Senatus-Consulto, os ídolos dos bárbaros se confundiam desde então com o domínio da pátria, e o Olimpo nacional crescia como o Império.

Quando aparece o Cristianismo (prestem atenção a isso, meus irmãos, são dados históricos de valor com relação ao assunto presente), quando o Cristianismo surge pela primeira vez, não foi repelido imediatamente. O paganismo perguntou-se se, em vez de combater a nova religião, não devia dar-lhe acesso ao seu solo. A Judéia tinha-se tornado uma província romana. Roma, acostumada a receber e conciliar todas as religiões, recebeu a princípio, sem maiores dificuldades, o culto saído da Judéia. Um imperador colocou Jesus Cristo, como a Abraão, entre as divindades de seu oratório, assim como se viu mais tarde outro César propor prestar-lhe homenagens solenes. Mas a palavra do profeta não tardou a se verificar: as multidões de ídolos que viam, de ordinário sem ciúmes, deuses novos e estrangeiros ser colocados ao lado deles, com a chegada do deus dos cristãos, lançam um grito de terror, e, sacudindo sua tranqüila poeira, abalam-se sobre seus altares ameaçados: ecce Dominus ascendit, et commovebuntur simulacra a facie ejus. Roma estava atenta a esse espetáculo. E logo, quando se percebeu que esse Deus novo era irreconciliável inimigo dos outros deuses; quando se viu que os cristãos, cujo culto se havia admitido, não queriam admitir o culto da nação; em uma palavra, quando se constatou o espírito intolerante da fé cristã, foi então que começou a perseguição.




domingo, 15 de novembro de 2015

MANIQUEÍSMO: A RELIGIÃO GNÓSTICA

No maniqueísmo, o mundo teria dois princípios contrários , um bom e outro mau

“Mani, depois de duas ‘revelações’, recebida aos 12 e aos 24 anos de idade, por meio do anjo (...) convenceu-se de que Deus o escolhera para anunciar ao mundo a verdade.”

“A salvação consistirá, pois, em tomar conhecimento (gnose) de nossa origem celeste e em libertar-nos dos laços da matéria.”

“(...) Deus tentará libertar a ‘alma divina’, isto é, libertar-se a si mesmo
do processo evolutivo da matéria.”


Por Editores do Blog

É comum a muitas religiões a ideia de “libertação” (Religiões de Libertação), que supõe encontrar-se o homem colocado em uma situação degradante ou ao menos constrangedora, e se propõe libertá-lo da mesma mediante certos meios éticos ou técnicos. Esse é o caso do Maniqueísmo, que chegara a seduzir ao próprio Agostinho de Hipona, antes de sua conversão ao catolicismo. Em se tratando de curiosidades: o Cristianismo é classificado habitualmente entre as Religiões de Salvação, segundo o Pe. Waldomiro O. Piazza, autor do texto que apresentamos abaixo.

A RELIGIÃO DE MANI

A mais característica das religiões de ‘libertação’ é o ‘maniqueísmo’, fundado por Mani (Manes, Maniqueus), personagem histórico, nascido no início do século terceiro de nossa era, em um vilarejo perto de Babilônia (215-275, em Ctesifonte). Como movimento religioso, tem raízes mais profundas, que se prendem ao dualismo irânico e ao orfísmo grego, com eventuais tinturas cristãs.

Mani, fundador do maniqueísmo
Mani, ao que tudo indica, fez parte do grupo dos mandei, chamados também ‘batizadores’, seita religiosa do Iraque e do Irã meridional, que foi conhecida no passado como ‘cristãos de João Batista’ (At.19,3), talvez porque davam especial importância às abluções rituais. O termo manda, designa os textos rituais da chamada ‘cabana do culto’, recinto fechado onde se encontrava um pequeno lago com água corrente para os fins rituais do batismo. Alguns textos eram reservados aos ‘sacerdotes’ batizadores: contêm interpretações místicas do universo e da divindade, por meio de dois princípios complementares, um chamado ‘Pai’ e outro a ‘Mãe’, o primeiro criador e ativo, o segundo recebedor e passivo. O ‘Pai’ é puro espírito, a ‘Mãe’ é matéria. A união mística dos dois elementos dá origem ao ‘homem cósmico’, também chamado ‘homem primordial’ (Urmensch), de cujos membros é feito o mundo material e cuja coroa é o mundo divino. Cada homem repete no microcosmo esta concepção macrocósmica do homem primordial. 

Mani, depois de duas ‘revelações’, recebida aos 12 e aos 24 anos de idade, por meio do anjo at-Taum (o companheiro), ou do Espirito Santo, conforme outra versão, convenceu-se de que Deus o escolhera para anunciar ao mundo a verdade. Descendente de um príncipe iraniano, cuja família se estabelecera na Mesopotâmia, começou a pregar na Índia, no atual Belecistan, e depois na corte do imperador Shapur, do Irã, onde foi bem acolhido, e daí irradiou a sua doutrina, mas não conseguiu torná-la oficial do império. Por morte de Shapur, assumiu o imperador Bahran que, instigado pelos ‘magos’, lançou Mani na prisão, onde ele morreu aos 60 anos de idade.

Mani anunciou que era o último sucessor de uma longa série de mensageiros divinos, a começar de Adão, passando por Zoroastro, Buda e Jesus. Considerou-se o ‘profeta sublime’, o ‘iluminado’ pelo Paráclito, prometido por Cristo, a fim de anunciar o fim do mundo.

Sua pregação tem três características:

- é universal: a igreja de Mani não se dirige só aos habitantes do Irã, como a de Zoroastro, nem só ao Oriente, como Buda, nem só ao Ocidente, como Jesus (Sic.), mas é uma verdade total que se dirige a todos os homens.

- é uma pregação missionária: que obriga todos os seus membros a operar a conversão do próximo...

- é uma ‘religião do livro’: Mani atribui a ruína das religiões passadas ao fato de não terem sido ‘escritas', e por isso empenhou-se em escrever ele mesmo a sua doutrina, deixando-nos sete livros ‘canônicos’...

- por fim, é uma religião sincretista: pois reúne elementos de outras religiões, como do budismo e do cristianismo, sem falar do dualismo persa.

Sua doutrina é fundamentalmente ‘gnóstica’, pelo fato de ensinar que a salvação consiste em uma progressiva ‘libertação’ do espírito humano da condição material, sem intervenção de uma ‘graça divina’...

Ensina que no início de tudo estão dois princípios contrários, um bom e outro mau, um todo luz e outro todo trevas, que lutam entre si.

Representação artística do dualismo presente no maniqueísmo
Em uma primeira fase, o ‘reino do bem’, tendo à frente o ‘Pai’ com seus ‘leões’ e as ‘cinco habitações’ lutam em uma região de essências abstratas contra o ‘reino do mal’, chefiado pelo ‘príncipe das trevas’ com seus ‘archontes’, ‘demônios’ e ‘cinco abismos’. 

Em uma segunda fase, Deus resolve combater pessoalmente contra o mal e faz entrar no campo da luta a sua ‘alma’, personificada no ‘homem primordial’. Mas este é vencido, atirado ao abismo e os seus cinco filhos, que constituem a sua armadura luminosa, são devorados pelos demônios. Desta forma, uma parte da substância luminosa, isto é, da ‘alma divina’, mistura-se com a obscuridade da matéria e lhe fica sujeita. Daqui em diante, Deus tentará libertar a ‘alma divina’, isto é, libertar-se a si mesmo do processo evolutivo da matéria. Para tanto, envia ao mundo um novo ser, o ‘amante da luz’, que emana do ‘grande arquiteto’, o qual, por sua vez, gera o ‘espírito vivente’. Com o seu auxilio, o ‘homem primordial’ dilacera as trevas que o cercam e sobe à ‘pátria celeste’. Com o auxilio do ‘espírito vivente’, põe-se a ordenar o mundo material, libertando as ‘partículas’ de luz, misturadas com as trevas. Mas a matéria, temendo ficar sem ‘vida’, concentra toda a ‘luz’ que lhe resta em dois seres novos, um masculino, ‘Adão’, e outro feminino, ‘Eva’. Por isso, a descendência de Adão e Eva leva em si mesma a contradição desta luta, entre a luz e as trevas.

Em uma terceira fase, depois de uma calamidade apocalíptica, segue-se o Juízo final. As ‘partículas de luz’, que ainda se possam salvar, subirão ao céu. O mundo será aniquilado e os demônios sepultados em um grande túmulo. A salvação consistirá, pois, em tomar conhecimento (gnose) de nossa origem celeste e em libertar-nos dos laços da matéria. Os que praticarem uma ascese rigorosa, principalmente uma castidade integral, conhecerão a paz do nirvana. Os outros terão de renascer, para, através de várias transmigrações, purificar-se completamente da matéria e de sua concupiscência. 

Daí a rigorosa ascese maniqueísta: não gerar, não fornicar, não possuir, não cultivar, não colher, não comer, não beber vinho... ascese que inspirou alguns movimentos sectários dentro do cristianismo, como os priscilianos, os cátaros, e influiu grandemente na ascese da Idade Média. Como só poucos podiam praticar uma ascese tão rigorosa, Mani previu que a grande massa dos aderentes podia salvar-se sustentando os ‘perfeitos’ com seus recursos financeiros. 

A religião de Mani alcançou notável sucesso e, apesar de perseguida pelos Sassânidas, que declararam o Masdeísmo religião oficial, constituiu sério problema para o cristianismo, pois lançou muita confusão sobre os seus dogmas. Depois do século IV começou a declinar e desapareceu como movimento religioso independente.

Fonte: PIAZZA, Waldomiro. Religiões da Humanidade. 2ª ed. São Paulo: Loyola, 1991; p.                    227-229. (O negrito é nosso)



MARIA SEMPRE!



quinta-feira, 5 de novembro de 2015

GNOSTICISMO: DESPREZO PELA CRUZ


A gnose tem ludibriado a muitos...

“(...) o ‘gnosticismo’ é um fenômeno típico da decadência do paganismo antigo, sob a influência da espiritualidade judaica, que já se fazia sentir no Ocidente, de mistura com elementos esotéricos da região iraniana.”

“(...) desvaloriza a redenção de Cristo, pois nega a sua humanidade, o que provocou a reação do Evangelista João: O Verbo se fez carne.”


Por editores do Blog

Segue abaixo uma apresentação do gnosticismo feita pelo Pe. Waldomiro O. Piazza, SJ, em seu livro “Religiões da Humanidade”. Esperamos que o texto sirva como fonte de pesquisa para os amigos do blog “Escritos Católicos”, assim como, de referência para os membros dos grupos de estudos da SSVM que, auxiliados por outros autores, poderão chegar a uma síntese esclarecedora. 

O GNOSTICISMO

“O termo ‘gnose’ (conhecimento) é usual na literatura cristã dos primeiros séculos, tanto canônica como apócrifa.

Designa dois movimentos religiosos, de tendências contrárias. A ‘gnose autêntica’ é um ‘conhecimento aprofundado dos mistérios divinos’, revelados por Deus, e contemplados com as luzes do Espírito Santo: logo, um ‘conhecimento carismático’.

A chamada ‘gnose herética’ é também um ‘conhecimento aprofundado dos mistérios divinos’ mas sob as luzes da reflexão filosófica: logo, um conhecimento natural, e, não raro, puramente fantasioso...

Dá-se o nome genérico de ‘gnosticismo’ ao movimento pseudo-cristão que procurou explicar os mistérios divinos segundo estes princípios naturais, dispensando os dados da Revelação, e ensinando um dualismo radical entre matéria e espírito, que valia por uma negação da Redenção cristã. 

A gnose apresenta variadas facetas
Costuma-se, hoje, distinguir várias modalidades de ‘gnose’, a saber:

_ Gnose cristã: É muito confusa, porque varia segundo a diversidade de autores, desde Simão, o Mago, a Valentiniano. No entanto, pode-se dizer que o seu elemento distintivo é um duplo dualismo: 


- dualismo metafísico ou cósmico: princípio do bem identificado com o espírito, e principio do mal identificado com a matéria (hyle). 

- dualismo antropológico: absoluta distinção entre alma e corpo...

Este dualismo, aplicado ao cristianismo, desvaloriza a redenção de Cristo, pois nega a sua humanidade (docetismo), o que provocou a reação do Evangelista João: O Verbo se fez carne (sarx).

Parece que a origem desta ‘gnose herética’ está no dualismo órfico, por sua vez devedor do dualismo iraniano, e que influenciou o próprio dualismo de Platão (alma e corpo). H. CH. Puech assim explica a situação psicológica do gnóstico: ‘Sente-se na terra oprimido de todos os lados pelo peso tirânico do destino (a ‘moira’ dos gregos), sujeito aos limites do tempo, do corpo e da matéria, abandonado às suas tentações e humilhações... A necessidade sentimental de redenção torna-se assim uma exigência metafísica, que deve ser atendida, ao menos ideologicamente, a fim de que o homem tome consciência de seu destino na terra... ’.

Desta forma, na elaboração do gnosticismo a salvação é menos um ato moral (uma opção), do que um conhecimento místico da própria situação neste mundo (cura psicanalítica?).

Os próprios ritos e mistérios cristãos são interpretados de forma fantasiosa e exaltada, como se verifica no maniqueísmo.

Houve tempo em que o cristianismo foi tido como um produto mais equilibrado do gnosticismo (Bultmann, um protestante, tinha o 4ª Evangelho na conta de livro gnóstico). Hoje, com mais razão, pensa-se que o ‘gnosticismo’ é um fenômeno típico da decadência do paganismo antigo, sob a influência da espiritualidade judaica, que já se fazia sentir no Ocidente, de mistura com elementos esotéricos da região iraniana (dualismo persa). Assim afirma R.M. Grant, no seu livro: ‘A gnose e as origens cristãs’.

Gnose: ligada ao paganismo
- Gnose pagã: segundo A. J. Festugière, a gnose puramente pagã é de origem egípcia, e se prende ao hermetismo oriental (grupos fechados que se dedicavam a especulações de caráter cosmológico). A chamada ‘revelação’ de Hermes Trismegisto supunha um deus cósmico, impessoal, insondável, mas cheio de misteriosos desígnios, que os ‘iniciados’ procuravam descobrir através de cálculos e combinações fantasiosas, a que não estavam alheias a astrologia da Mesopotâmia e a cabala dos judeus.

- Gnose dos judeus: Enquanto a gnose pagã tem um caráter nitidamente cósmico, a judaica é fortemente moralista, fiel às suas origens bíblicas. É monoteísta, mas cultiva um conhecimento fantasioso de Deus, principalmente quanto ao mistério da ‘glória’ de Javé (Kadhoch). Nesta concepção verdadeiramente gnóstica, toda a criação está inscrita no ‘ trono de Javé’, de modo que basta conhecer esta espécie de ‘decreto da criação’ para saber tudo o que vai acontecer. Nesta ‘gnose’, os números e as esferas celestes desempenham importante papel, permitindo as mais estranhas especulações (cf. A esfinge, de Pierre Weil). 

- Cristo na gnose: A perspectiva cósmica ou metafísica de uma queda original e de uma redenção da mesma natureza, é doutrina básica de toda a ‘gnose’. Cristo, dentro desta concepção gnóstica, representa um princípio cósmico, um ‘eon’ luminoso, que desce do ‘pleroma divino’ para dar a conhecer às almas espirituais a sua origem divina e conduzi-las aos espaços siderais. Para isso assume um corpo aparente (docetismo), ou um corpo real, mas só por um momento (Jesus Histórico?). A redenção, portanto, assume um caráter formal, que nada tem a ver com a morte da Cruz (Bultmann?). Nesta ‘gnose’ nega-se a Revelação histórica e a salvação dissolve-se em um misticismo monista, que lembra a salvação na doutrina budista... 

A gnose se opõe a toda 
doutrina cristã da redenção.
Conclusão: A. M. di Nola, em seu artigo ‘Gnosi e Gnosticismo’, na Enciclopédia delle Religioni (T. III, col. 473), chega à seguinte conclusão:

‘A noção de ‘gnose’, independentemente de sua origem histórica e de suas várias manifestações (gnose cristã, gnose pagã), designa um verdadeiro e próprio módulo religioso sempre que se insere em uma forma de experiência religiosa, na qual a conotação de ‘conhecimento’ toma um sentido próprio, ou seja, uma função salvífica que só nele se justifica. 

Isto é: ao lado de religiões de tipo ético ou profético, nas quais o comportamento humano, que leva à salvação ou dá segurança neste mundo, se funda na observância de atos rituais e sacrificais, ou na adesão a uma série de mandamentos, que formam um plano divino (cf. hebraísmo, islamismo, nas suas formas mais ortodoxas), existem religiões que propõem uma série de verdades, de iluminações ou de revelações, as quais, sendo conhecidas pelos seus destinatários, determinam neles um processo de salvação pelo simples fato de serem conhecidas, pois comportam uma total transformação do fiel. ’” 


Fonte: PIAZZA, Waldomiro. Religiões da Humanidade. 2ª ed. São Paulo: Loyola, 1991; p. 230-232. (O negrito é nosso)


MARIA SEMPRE!


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

MAÇONARIA, ROTARY CLUB E AFINS

 Clubes como o Rotary são quase indissociáveis da Maçonaria 
“(...) um clube, sem ‘restrições políticas ou religiosas’, para que executivos e profissionais liberais tivessem a oportunidade de desfrutar de companheirismo e estabelecer novas amizades.”

“Rotary, que chegamos a apelidar de ‘Maçonaria Branca’, já que acreditamos que Paul Harris tenha se baseado na Maçonaria para elaborar o manual de procedimentos rotários (...)”

Por Prof. Pedro M. da Cruz
Navegando pela Internet encontrei por acaso o texto abaixo que defende supostas ligações entre o Rotary Club (entre outros grupos como, por exemplo, o Lions Club) e a Maçonaria. O site que publicou o artigo pertence a uma Loja Maçônica, o que torna ainda mais interessante o tema. Achei por bem solicitar aos editores do blog que o relançassem aqui, a fim de que sirva como fonte de pesquisa e curiosidade. Deste modo, qualquer erro ou equívoco será de inteira responsabilidade dos escritores que o produziram. Nossa Senhora do Bom Conselho, rogai por nós!

ROTARY CLUB E MAÇONARIA

“Entre a metade do século XIX e os primeiros anos do século XX vários grupos de ajuda humanitária surgiram em todo o mundo. Em torno deles, a polêmica: seriam clubes de serviço ou sociedades secretas? São muitas as opiniões a esse respeito. Elks (1868), Rotary (1905), Kiwanis (1915) e Lions (1917) entraram em evidência. Foram os precursores de uma nova modalidade de clube, onde ao invés de lazer prega-se a ‘ajuda humanitária’. Os membros se reúnem semanalmente com o objetivo de unir esforços e recursos financeiros a fim de financiar projetos de ajuda a pessoas carentes e comunidades necessitadas. No entanto, para alguns pesquisadores a ‘ajuda humanitária’ seria apenas uma fachada para esconder sua verdadeira identidade.

Entre os clubes de serviço, o Rotary é o que mais se destacou e em nosso país.

O QUE É O ROTARY

Segundo nos informa o site oficial da organização, o Rotary é uma rede mundial de voluntários dedicados à prestação de serviço social. Fundada pelo maçom Paul Harris, em 23/2/1905, em Chicago, EUA, a instituição tem como lema “dar tudo de si sem pensar em si” (sic.) [Dar de si antes de pensar em si]. Suas metas são “melhorar a qualidade de vida da humanidade reduzindo disparidades mundiais em áreas como saúde, educação, agricultura, saneamento, recursos hídricos e pequenos negócios”, assim como promover a paz e a harmonia entre os homens. Não sectários e apolíticos, os Rotary Clubes são abertos a todas as raças, culturas e credos, e estão espalhados por diversas partes do Brasil e do mundo. Homens, mulheres, jovens e adolescentes integram os diversos programas da ONG. Para os jovens de 14(sic.) [ou 12] a 18 anos, o INTERACT. Para os universitários formados entre 18 e 30 anos, o ROTORACT. Após os 30 anos, o cidadão pode ser membro efetivo do Rotary.

COMO TUDO COMEÇOU

Paul Percy Harris - Fundador do Rotary
Nascido em Racine, Wisconsen (EUA), no dia 19/5/1868, Paul Percy Harris foi o segundo dos seis filhos de Gerg N. Herris e Cornélia Bryan Herris. Aos três anos de idade foi morar em Wallingford, Vermont, com seus avôs paternos, que o criaram. Casou-se com Jean Thompson (1881-1963), mas não tiveram filhos. Formou-se em Direito pela universidade de Iowa e obteve o título honorário da universidade de Vermont.

Paul Herris trabalhou como repórter de um jornal, foi professor de economia, ator e caubói. Em 1896 decidiu advogar em Chicago. Certa noite, durante uma caminhada após jantar na casa de outro advogado, Paul Harris, depois de ser apresentado a alguns amigos do seu colega que eram proprietários de casas comerciais naquele bairro residencial de Chicago se lembrou da vida na cidade de New England onde cresceu. Esse episódio inspirou Harris a organizar um clube, sem ‘restrições políticas ou religiosas’, para que executivos e profissionais liberais tivessem a oportunidade de desfrutar de companheirismo e estabelecer novas amizades.

Juntamente com Silvester Shile, comerciante de carvão, Gustavus Loehn, engenheiro de minas e Hiram Shorey, alfaiate, Harris formou o primeiro clube. O clube recebeu o nome de ‘Rotary’ devido ao fato de que seus membros se reuniam em rodízio nos respectivos locais de trabalho. No terceiro ano do clube, Harris assumiu a presidência e decidiu que a ideia do Rotary deveria ser expandida para outras cidades e países. Em 1912, após a formação de clubes no Canadá e Inglaterra, a organização passou a se cha
mar “Associação Internacional dos Rotary Clubes”. Com o passar do tempo, abriram-se filiais na Europa, América do Sul, África e Ásia. Em 27 de janeiro de 1947, por ocasião da morte o Presidente Emérito do Rotary Internacional, Paul Herris, havia cerca de 6.000, Rotary clubes pelo mundo todo.

UMA ENTIDADE FILANTRÓPICA?

Usando a mesma estratégia da Maçonaria e de outras sociedades secretas, o Rotary Clube afirma ser apenas uma ‘entidade filantrópica’, não sectária e apolítica. Entretanto, sabemos que isso não é verdade. Além de algumas semelhanças com a Maçonaria, os rotarianos estão profundamente envolvidos com a política. A maioria dos rotarianos são políticos e muitos deles estão envolvidos na administração de várias cidades e estados do Brasil.

PROVAS DOCUMENTAIS

Símbolo do Rotary, fotografado em Brasília-DF.
Na imagem é clara a relação entre Rotary e maçonaria,
 pois o "G" é um símbolo constante da maçonaria.
A relação entre o Rotary Clube e a Maçonaria é algo incontestável. Prova disso é que Lojas maçônicas amplamente divulgam na Internet destacam ambos os fundados do Rotary e Lions, Paul Herris e Melvin Jones, como maçons.

‘Maçons famosos fundaram entidades que prestam serviços a humanidade, como Os Escoteiros, por Robert Power; o Rotary, por Paul Harris; o Lions, por Melvin Jones; o Grupo de Jovens de Demolay, por Frank Sherman Lan.’

É praticamente impossível desassociar a imagem do Rotary da Maçonaria, até porque existem muitas evidências entre uma e outra sociedade. As características comuns a essas organizações como a composição, do seu quadro de membros efetivos e o método de ingresso dos novos sócios, isto é, previamente selecionados por uma comissão eletiva, são evidências que demonstram a ligação entre as sociedades.

Algumas lojas maçônicas são compostas, exclusivamente, por rotarianos. Um dos casos é da loja Rotaria número 4195 de Londres, cujas correspondências destacavam carimbos da ONG e os típicos compassos com a letra “G” em evidência, símbolo internacional do Rito Escocês.

Entre os anos de 1928 e 29 houve uma campanha internacional contra o Rotary liderado pelo jornal La Civilla, de Roma, que destacava que o ‘código de ética do Rotary apregoava princípios semelhantes ao da Maçonaria, e que os ensinamentos filosóficos e morais tinham cunho religioso’. Distribuído em vários países, o jornal defendia a ideia que o clube era ‘demasiadamente amigo dos maçons’ e ‘perigosamente inclinado ao erro de tratar todas as religiões de igual valor’”.

“A Maçonaria caminha como o Rotary, em busca de FRATERNIDADE, RESPEITO E TOLERÂNCIA. A liberdade de ação e a igualdade de direitos, não poderiam, por isto, deixar de orientar a conduta de seus membros na luta por ideais elevados.

Traçando este paralelo, a Ordem Maçônica palude (sic.) [aplaude?] a existência do Rotary, que chegamos a apelidar de ‘Maçonaria Branca’, já que acreditamos que Paul Harris tenha se baseado na Maçonaria para elaborar o manual de procedimentos rotários, e isto facilmente poderá ser comparado por qualquer rotariano observando uma sessão branca maçônica”.




MARIA SEMPRE!



quarta-feira, 14 de outubro de 2015

IDEOLOGIA DE GÊNERO vs. BIOLOGIA

A biologia supera os argumentos falaciosos da ideologia de gênero

Postado por editores do Blog

Segue abaixo interessante reflexão do filósofo e escritor José Ramón Ayllón a respeito dos conflitos entre uma Ideologia esquerdista (que se quer sobrepor tanto à natureza quanto a legítima Tradição) e a Biologia (com suas regras e leis instituídas pelo Criador). Num mundo onde tantos homens pretendem entronizar a liberdade desvinculada da razão e da verdade, serão bem vindas as palavras do autor que insiste em defender o que desde sempre foi ensinado e comprovado pela observação mais elementar: “Pode-se opinar o que se queira, mas o que opinemos é irrelevante quando é a biologia que tem a última palavra.” 

Desejamos sinceramente que as palavras do autor auxiliem aos amigos da Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM, assim como a todos os visitantes de nosso Blog, em suas lutas pela defesa da Fé e da Moral Católicas. Mãe do Bom Conselho! Rogai por nós! 

IDEOLOGIA CONTRA A BIOLOGIA 

“Por um elementar respeito pela linguagem sobre o qual se fundamenta a possibilidade de comunicação inteligente, a humanidade tem costumado chamar pão ao pão e vinho ao vinho, e matrimônio à união conjugal de um homem e uma mulher. Também é verdade que sempre existiram Quixotes que chamaram gigantes aos moinhos, castelos às estalagens e castas donzelas às moçoilas de aldeia. 

Hoje, uma moderna escola quixotesca, conhecida como ideologia de gênero, empenha-se em chamar matrimônio a outras ligações, contradizendo a evidência mais irrefutável; dizem que essas combinações poderiam gerar filhos se fosse possível fecundá-las, mas que a biologia lhes nega essa possibilidade. A obsessão da ideologia de gênero é talvez o último cartucho da luta de classes marxista, disparado pelo lobby cor-de-rosa. 

A citada escola quer fazer-nos acreditar que o matrimônio é pura convenção, regulada pelo Direito para dar um verniz de honorabilidade às relações sexuais estáveis entre adultos de diferentes sexos. Mas a verdade é que, em todos os tempos e em todos os lugares – desde os homens da caverna de Altamira até o século XXI - se protegeu essa união por estar diretamente associada à origem da vida e à sobrevivência da espécie, por ser a instituição que nos traz mais riqueza humana, laços de solidariedade e qualidade de vida. 

Família: União estável e fecunda
entre homem e mulher
A introdução artificial – por reprodução assistida ou adoção – de uma criança na casa de duas pessoas do mesmo sexo não converte essas pessoas em casadas nem os três em família. Dois homens podem ser bons pais, mas nunca serão uma mãe, nem boa nem má; duas mulheres podem ser duas boas mães, mas nunca serão um pai, nem bom nem mau. “Não desejo a nenhuma criança o que não desejei para mim mesma”, diz a psicóloga Alejandra Vallejo-Nágera: “Gosto, sempre gostei, de ter um pai e uma mãe. Qualquer outra combinação de progenitores parece-me incompleta e imperfeita”. 

Mais do que um tema jurídico ou religioso, mais do que uma questão de tolerância ou liberdade, mais do que um assunto progressista ou retrógrado, estamos diante de um problema basicamente biológico. Pode-se opinar o que se queira, mas o que opinemos é irrelevante quando é a biologia que tem a última palavra. 

Apesar disso, a ideologia de gênero - tão amiga da quadratura do círculo - diz-nos que a sexualidade masculina e feminina é opcional, não determinada pela condição biológica do homem e da mulher. Por isso, ao atribuir à liberdade um poder que não tem, ao confrontá-la tão violentamente com a biologia, torna inevitáveis sérios conflitos, morais e psicológicos, dos quais não se livram as possíveis crianças adotadas. 

A Associação Mundial de Psiquiatria sublinhou que uma criança ‘paternizada’ por um casal de homens entrará necessariamente em conflito com as outras crianças, comportar-se-á psicologicamente como uma criança em luta constante com o seu ambiente e com os outros, incubará frustração e agressividade. 

Que caminho percorreu o feminismo até chegar à ideologia de gênero? A pretensão do primeiro feminismo – nos tempos da Revolução francesa – foi legítima e positiva: a equiparação de direitos entre homem e mulher. Mas aos direitos seguiram-se as funções, e o feminismo começou a exigir a eliminação da tradicional distribuição de papéis, considerada como um arbítrio. Assim se chegou a rejeitar a maternidade, o casamento e a família. 

Simone de Beauvoir (1908 - 1986)
Encontramos na base desta nova pretensão as ideias de Simone de Beauvoir, publicadas em 1949 no seu revolucionário livro ‘O segundo sexo’. Beauvoir previne contra a ‘trapaça da maternidade’, anima a mulher a libertar-se dos ‘grilhões da sua natureza’ e recomenda que se passe a educação dos filhos para a sociedade, que se fomentem as relações lésbicas e a prática do aborto. 

Hoje, os promotores do feminismo radical de gênero lutam pelo
triunfo de novos modelos de família, educação e relações, em que o masculino e o feminino estejam abertos a todas as opções possíveis. Nos livros de texto de alguns países sobre a disciplina ‘Educação para a Cidadania’, não se fala em nenhum caso da verdade, nem do bem, nem da consciência; em pouquíssimas ocasiões se fala em família e dos pais. Em contrapartida, reivindica-se em dezenas de lugares a liberdade de orientação afetivo-sexual.” 

FONTE: AYLLÓN, J. Ramón. Mitologias modernas. Trad.: Emérico da Gama – São Paulo: Quadrante, 2011; p. 29-33. (Temas cristãos; 145)



MARIA SEMPRE!


sexta-feira, 9 de outubro de 2015

GRUPOS DE ESTUDOS DA SSVM

Por editores do blog

A Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM tem os Grupos de Estudos como um dos principais meios de apostolado. Seguem-se fotos de uma breve apresentação dos mesmos:


Informativo: em auxílio financeiro a estes apostolados como a outros projetos da SSVM, foi organizada uma rifa que presenteará um belo relógio e um "kit devoções". O sorteio pela loteria federal aconteceu no dia 26 de setembro, os bilhetes sorteados de números xx144 (1º prêmio) e xx251 (2º prêmio) não foram vendidos. Por isso, neste sábado 10/10/2015, no Grupo de Estudos Santa Filomena, teremos o sorteio para os bilhetes já vendidos.

Generosa doação de brinde para a rifa.

Muitos dos materiais do Kit são 
produzidos pela SSVM.

Há muitas maneiras de ajudar esta causa católica! Pedimos para aqueles que quiserem conhecer um pouco mais a SSVM e seus projetos, entrarem em contato conosco pelo e-mail: sociedadeapostolado@gmail.com

MARIA SEMPRE!

terça-feira, 6 de outubro de 2015

ALBERT CAMUS: SEM DEUS, NONSENSE


“Sem Deus e sem um mestre, o peso dos dias é terrível.”[1]


Postado por editores do Blog


Albert Camus foi um filósofo, romancista, jornalista, ativista, ensaísta e dramaturgo[2] nascido na Argélia [3] (1913), então colônia francesa, e morto (1960) vítima de um acidente automobilístico. Há quem afirme ter ele sido assassinado por ordem de Moscou; com efeito, era crítico do comunismo soviético - motivo pelo qual sofrera desentendimentos com Sartre (1905-1980) também comunista. 

Albert Camus (1913-1960)
Marcado por densas experiências pessoais[4], Camus fez do absurdo, da tragédia, do desespero, do suicídio, e do sofrimento, entre outros temas afins, o universo de seus conflitos interiores e reflexões filosóficas. Para ele, o homem é um revoltado no tocante à sua condição contra a qual deve ser mais forte, um estrangeiro solitário nesse mundo (onde nada teria valor ou sentido), destituído de qualquer moral ou verdade, e sempre angustiado perante o nada: veem-se aqui traços de suas notas existencialistas. 

Albert Camus foi e continua sendo um homem confuso. Apresentado por muitos como descrente, anti-teísta ou cético, não há quem deixe de taxá-lo pura e simplesmente "ateu", ou mesmo agnóstico para quem a questão de Deus é insolúvel; o que talvez explique sua estranha afirmação: “Eu não acredito em Deus e não sou ateu”. Interessante o fato de que em certo momento pensara em ser Dominicano... Foi seduzido em muitos pontos pelo cristianismo (admirava a pessoa de Jesus - mesmo lhe negando a ressureição -, Santo Agostinho, São Francisco de Assis e Pascal); o facto é que se deixava transformar pelo universo cristão, mas não converter (pensemos em "Albert Camus e o Teólogo", de Howard Mumma). Um ponto é claro: o argelino optou por uma existência sem Deus e crítica da Religião:

“A crítica do cristianismo de Camus é largamente tributária de Nietzsche. Assim como ele, Camus se vê ‘fiel à terra’. Ele critica os ‘mundos do além’ que oferecem a ilusão de uma outra vida, quando conta apenas a existência presente (...). Quanto à Igreja institucional, Camus reprova (...) sua aliança com as ‘forças conservadoras’”[5]

José Ramón Ayllón,
Bom, não alonguemos ainda mais essas notas introdutórias. Nossa intenção foi tão somente preparar o leitor para compreender melhor o texto abaixo escrito pelo filósofo José Ramón Ayllón. Que esse artigo nos anime na luta apostólica, a fim de que, mostrando aos outros a beleza e o amor de Deus, possamos livrá-los dos caminhos de trevas que perigam perder as almas. Albert Camus foi um filho de seu tempo e, infelizmente, nos revela até onde poder chegar o homem quando distante da graça de Deus e subjugado por seu próprio ego. Virgem de Guadalupe, Rogai por nós! 

O CÉU NÃO RESPONDE

“Depois de termos visto por alto alguns motivos que levam o ser humano a procurar a Deus necessariamente, compreendemos que Hegel tenha dito que não perguntar-se sobre Deus equivale a dizer que não se deve pensar. Mas também sabemos – como Albert Camus – que qualquer dia a peste pode acordar de novo os seus ratos e enviá-los a uma cidade feliz para dizimá-la.

Os biógrafos de Camus, prêmio Nobel de literatura em 1957, atribuem a sua profunda incredulidade a uma ferida que as garras do mal lhe causaram na adolescência e que nunca cicatrizou. Vivia em Argel, tinha quinze ou dezesseis anos e passeava com um amigo à beira-mar. Depararam com um rebuliço de gente. No chão, jazia o cadáver de um menino árabe, esmagado por um ônibus. A mãe chorava em altos gritos e o pai soluçava em silêncio. Depois de uns momentos, Camus apontou para o cadáver, levantou os olhos ao céu e disse ao amigo: ‘Veja, o céu não responde’.

‘Veja, o céu não responde’.
A partir de então, cada vez que tentava superar esse impacto, levantava-se nele uma onda de rebeldia. Parecia-lhe que toda a solução religiosa tinha que ser uma falácia, uma forma de escamotear uma tragédia que nunca deveria ter ocorrido. Daí em diante, o futuro escritor dá as costas a Deus e abraça a religião da felicidade. ‘Todo o meu reino é deste mundo’, dirá. E também: ‘Desejei ser feliz como se não tivesse outra coisa que fazer”.

Mas, ataca-o o golpe brutal de uma doença. Dois focos de tuberculose truncam a sua
carreira universitária e obscurecem o horizonte azul de um jovem que reconhece a sua paixão hedonista pelo sol, pelo mar e por outros prazeres naturais. Instala-se o absurdo numa vida que só queria cantar. E é então que o escritor faz Calígula dizer uma verdade tão simples, tão profunda e tão dura: ‘Os homens morrem e não são felizes’.

Para Camus, a felicidade será a disciplina sempre deixada para trás no currículo da humanidade. Para ele uma vida destinada à morte converte a existência humana num sem-sentido e faz de cada homem um absurdo. É contra esse destino que Camus escreverá ‘O mito de Sísifo’, em que a sua solução voluntarista se resume numa linha: ‘É preciso imaginar Sísifo feliz’. E a felicidade de seu Sísifo – que bem pode ser Mersault, o protagonista de O estrangeiro – é a autossugestão de julgar-se feliz.

O romance ‘A peste’ será uma nova tentativa de tornar possível a vida feliz num mundo mergulhado no caos e destinado à morte. Mais que um romance, é a radiografia da geração que viveu a Segunda Guerra Mundial. Camus já não fala do seu sofrimento individual, mas dessa imensa vaga de dor que submergiu o mundo a partir de 1939. Nas suas páginas finais, recorda-nos que as guerras, as doenças, o sofrimento dos inocentes, a maldade com que o homem trata o homem... só conhecem tréguas incertas, após as quais recomeçará o ciclo do pesadelo.” 

FONTE: AYLLÓN, J. Ramón. Mitologias modernas. Trad.: Emérico da Gama – São Paulo: Quadrante, 2011; p. 54-56. (Temas cristãos; 145)




MARIA SEMPRE!





[2] Em 1957 Albert Camus conquistou o Prêmio Nobel de Literatura
[3] Pertencera ao partido comunista e a grupos de resistência politica
[4] A doença, a guerra, a morte, a fome e a pobreza.
[5] Conferir: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/noticias-anteriores/30891-albert-camus-e-sensivel-a-humanidade-de-cristo

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

A LEITURA DA SAGRADA ESCRITURA

A Bíblia deve ser lida sob orientação,
 sob o legítimo magistério da Igreja

Por Alba Cañizares Nascimento.

"A Igreja Católica, bem diversamente do que propagam ignorantes ou mal intencionados, não proíbe a leitura da Bíblia. Ao ContrárioA Igreja a quer conhecida em sua divina beleza e verdade. Recomenda-a insistentemente.¹Aconselha a leitura benéfica das Santas Escrituras: Quem não quiser ouvi-la seja considerado como um pagão (Mat. 18,17).

Já S. Jerônimo considerava tão útil a lição das Escrituras, que até as meninas de tenra idade a aconselhava com empenho. Relativamente à educação de Sta. Paula, ainda criança, diz: 
"Aprenda primeiramente o Saltério. Sejam estes os cânticos com que se divirta o seu ânimo. Tire dos provérbios de Salomão os preceitos de bem viver. Acostuma-se a desprezar o mundo pela lição do Eclesiastes. Sirva-lhe o livro de Jó de exemplo de virtude e paciência. Depois passe a ler os Evangelhos, os quais nunca lhe devem sair das mãos, e beba com toda a apetência de seu espírito os Atos e Cartas dos Apóstolos."

O que a Igreja veda é a leitura de traduções não autorizadas do maior livro da história, traduções descriteriosas em que se acha prejudicada a altíssima doutrina religiosa e moral dos Oráculos Messiânicos.É preciso esclarecerA Bíblia deve ser lida sob orientação, sob o legítimo magistério da Igreja, dada a dificuldade e a transcendência das Sagradas Letras. Há necessidade de guia seguro para a devida compreensão do seu texto.

'A Bíblia, em seu profundo sentido, em suas graves lições sobre as mais altas questões da filosofia e da religião, em sua complexa dogmática, em sua moral sublime, em sua remontada poesia, fica, quantas vezes, inacessível aos espíritos desprevenidos, aos não iniciados em sua magnitude e em sua beleza.'

São Jerônimo (347-420)
 foi o principal responsável
 pela tradução da bíblia para o latim
A obra bíblica foi escrita por gênios. Os gênios têm altitude conceptual e sentimental a que não alcança a vulgaridade. Assim, mesmo os trechos que parecem mais simples não apresentam fácil exegese. 

Quanto à parte propriamente profética, no concernente à revelação divina, cresce a complexidade. Os profetas videntes da Perfeição, artistas e santos, cujo ideal de vida pura foi o mais alto que conheceu o homem ficam em sua divina linguagem ininteligíveis à mediocridade. Em muitos livros das Sagradas Escrituras usam os profetas linguagem simbólica, hiperbólica ou tropológica cujo sentido profundo, velado por grandiosas imagens, fica inextricável aos leigos. As visões proféticas são por vezes altas demais para olhos comuns. Para alcançá-las há necessidade das lentes esclarecedoras dos sábios doutores da Igreja, dum hebraísta como S. Jerônimo, o maior exegeta das Escrituras, cujo receio de errar quanto à interpretativa escriturística era tal que, a tremer, se aproximava das Sagradas Letras _ Como se ouvisse as trombetas do Juízo Eterno..."



MARIA SEMPRE!



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1 - Não somente a Igreja recomenda a leitura da Bíblia, como ainda concede indulgências a todos aqueles que durante ao menos um quarto de horas lerem alguns trechos dos Evangelhos (Concessão do Papa Leão XIII).

Fonte: Excerto do Livro Introdução à Bíblia Sagrada, de Alba Canizares Nascimentos, 1936, págs. 50-51. Nihil Obstat: Rio, 08 de Maio de 1936. Padre João Baptista de Siqueira.