sábado, 20 de junho de 2015

INTERESSANTE! HERÁLDICA CATÓLICA

Escudo heráldico pontifício
Basílica Lateranense - Roma

Postado por Paulo Oliveira e Prof. Pedro M. da Cruz
A heráldica é a ciência ou arte dos brasões de armas de famílias, indivíduos e grupos, de suas estruturas e significados. Parece indiscutível que o uso organizado e codificado de símbolos heráldicos apenas se verificou a partir do século XII, como resultado da evolução de símbolos e marcas de posse muito mais antigas. Seu uso já se verificava nos inícios da Idade Média como forma de identidade dos contendores em guerras e também em torneios medievais.[1] Desde o século XIII, regista-se o uso de brasões de armas por parte de mulheres, o que comprova que os mesmos eram já verdadeiros emblemas pessoais, e não uma simples transposição das armas de combate dos cavaleiros.

Cruz de Jerusalém

A cruz de Jerusalém foi o brasão de armas adotado por Godofredo de Bulhão para o Reino Latino de Jerusalém, que existiu por cerca de duzentos anos após a Primeira Cruzada. A cruz maior simboliza a Jesus Cristo, e as quatro cruzes gregas nos cantos os quatro Evangelhos, ou as quatro direções nas quais a Palavra de Cristo se espalhou a partir de Jerusalém. Outra significação seria das cinco cruzes como as cinco chagas de Cristo durante a Paixão.

Águia heráldica 

A águia, símbolo da latinidade e ave de primeira categoria na heráldica, representa a audácia, a firmeza, o vôo para alturas, a força, a grandeza. A águia heráldica apresenta grandes garras e cauda estilizada, posta de frente e com a cabeça voltada para a destra. São João foi cognominado de Águia de Patmos; Bossuet, Águia de Meaux. Símbolo do Sacro Império, a vemos no túmulo de Carlos Magno. O seu uso nos brasões vem desde o séc. XI. 

Flor-de-lis

A flor-de-lis simboliza características ligadas à famílias, pessoas e locais, além de ter sido ela o símbolo da monarquia francesa. Na heráldica, é símbolo de poder e soberania, assim como de pureza de corpo e alma, candura e felicidade. Seu desenho era colocado no manto de reis já na época pré-cruzada. No século XIV começou a ser usada também para representar a Santíssima Trindade: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.

Serpente ou Biscione medieval
A serpente (ou biscione) é uma figura heráldica medieval adotada como brasão de armas da família Visconti, que deu à Igreja o Papa Beato Gregório X (1210-1276). É o símbolo da prudência, como se depreende das palavras do próprio Cristo (Mt X, 16), assim como da cura (Nm XXI, 9) e da vitalidade redentora do Divino Salvador (Jo III, 14), motivo pelo qual, provavelmente, satanás tenha tentado usurpar para si este símbolo escriturístico.

Leão rampante

O leão é uma das figuras mais empregadas na heráldica, sendo encontrado nos brasões de várias famílias e nas armas de diversos países. A presença do leão na heráldica representa a força, grandeza, coragem e nobreza, virtudes estas tão conformes ao ideal medieval; também caracteriza domínio e proteção, condições que deve ter um superior sobre os subordinados. A figura acima, mostra o chamado  "Leão rampante", sempre em pé e com suas garras e dentes à mostra

Cruz pátea

Cruz Pátea (do francês croix pattée, significando cruz patada), mais do que uma cruz específica, é uma categoria de cruzes caracterizadas por terem pontas mais amplas no seu perímetro do que no centro. Acima, na sua configuração mais conhecida, está representada com as bordas das pontas côncavas. Inicialmente, foi usada pela Ordem dos Cavaleiros Templários na cor vermelha (cruz de goles). É o símbolo do guerreiro cristão.



MARIA SEMPRE!



[1] “O uso de armaduras completas e, muito particularmente, dos elmos que cobriam completamente o rosto tornou necessário um sistema de identificação claro e facilmente visível de longe. Um cavaleiro medieval dentro da sua armadura era virtualmente impossível de distinguir, no calor de uma batalha ou desde a bancada de um torneio, de qualquer outro com uma armadura semelhante; os reis e chefes militares eram difíceis de identificar e seguir; durante um combate, amigos e inimigos confundiam-se. Estes fatores levaram, desde meados do século XII, ao uso de emblemas pessoais pintados nos escudos e elmos e, por vezes, nas roupas do cavaleiro ou na cobertura da montada. Nos torneios, os elmos eram, quase sempre, encimados por uma figura em relevo (frequentemente uma peça do escudo), o timbre, que mais facilitava a identificação dos contendores.” Disponível em: http://www.heraldicaeclesiastica.com.br/introducao/.

terça-feira, 9 de junho de 2015

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E O TEATRO

A estima de São José de Anchieta para com os nativos era mútua
Por Helmer Ézion S. Souza

Por ocasião da data dedicada ao chamado "Apóstolo do Brasil" (09/06), expomos aqui um breve relato acerca deste tão majestoso Jesuíta, que não bastasse a sua reconhecida piedade e empenho na missão catequética, ainda corroborou como um dos pioneiros do desenvolvimento da Literatura e do Teatro no Brasil.


Gramática Tupi
 Confeccionada por Anchieta
São José de Anchieta nasceu na Ilha de Tenerife, uma das Ilhas Canárias pertencente à Espanha, em 19 de março de 1534. Estudou na Universidade de Coimbra (Portugal) em meio à efervescência cultural do século XVI (período da pseudo reforma-protestante e do surgimento do iluminismo). Embarcou rumo ao Brasil em 1553 com apenas 19 anos como missionário jesuíta. Ao desembarcar, passou a dedicar parte do seu tempo a estudar tupi e latim a fim de catequizar os índios e instruir os colonos. Com efeito, possuía grande facilidade com línguas; chegou, inclusive, a confeccionar uma gramática tupi. Dessa forma Anchieta ficava como que intermediador entre os nativos, os demais missionários e a corte, sendo assim quase que um diplomata, o que lhe valia grande estima por parte de todos (algo difícil de se conseguir devido à hostilidade reinante na época entre algumas partes).


Os jesuítas fundaram muitos colégios, o que serviu de base para a evangelização do novo mundo. São José de Anchieta trabalhou lecionando nesses institutos, mesmo quando mero seminarista. De fato, sua ordenação só ocorreria em 1566.

Anchieta valia-se dos seus conhecimentos linguísticos para catequização dos nativos. Escreveu diversos poemas, sermões, cartas, e autos (foi muito influenciado por Gil Vicente e o teatro medieval). Os teatros produzidos por Anchieta tinham o objetivo principal de evangelizar, porém os mesmos eram sempre inseridos em festas e/ou acontecimentos, como, por exemplo, a chegada de oficiais da Ordem. Sendo assim, eram teatros de grande valor estético e artístico.

Devoto de Nossa Senhora,
Anchieta possuía muitos dons
O teatro era escrito e representado em várias línguas (português, espanhol, tupi e latim), além de ser às vezes inseridos elementos das culturas indígenas para que todos que assistissem entendessem a mensagem. Diz-se que o teatro Anchietano tinha estilo otimista, com constante temática do bem contra o mal (benéfica influência medieval) e presença de várias línguas e adaptações de divindades indígenas. A primeira produção teatral de Anchieta se deu por encomenda de seu superior, o Padre Manoel de Nóbrega para os festejos natalinos, foi o “Auto da Pregação Universal” (1561) que seria apresentado repetidas vezes em toda costa brasileira, sofrendo alterações em cada apresentação. Além deste auto, Anchieta escreveu diversas peças: “Auto de São Sebastião” (1584)/ “Diálogo de P. Pero Dias Mártir”(1585)“Auto de São Lourenço” (1587)/”Dia da Assunção”(1590)/”Recebimento do P. Marcos da Costa”(1596)/”Auto de Santa Ursula”(1595)/”O Auto de São Maurício”(1595)/”Na Visitação de Santa Isabel”(1597)... E vários outros.

Mesmo estando em leito de morte, São José de Anchieta ainda escrevia seus autos para atender pedidos da população. Veio a falecer em 09 de junho de 1597, deixando seu legado e sua forte influência para a formação cultural brasileira.

São José de Anchieta! Rogai por Nós!


MARIA SEMPRE!


Referências bibliográficas: 

-FERRONATO, Pe. Lourenço, EP. José de Anchieta - o Santo que amou o Brasil. 1ª edição: ACNSF.São Paulo. 2011. 32  páginas.

-ANCHIETA, José de. AYALA,Walmir;AZEVEDO FILHO, Leodegário A. de.O Auto de São Lourenço. Introdução, tradução e adaptação de Walmir Ayala. 8 ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1997.(Coleção Prestígio).

- João Paulo II. Carta de João Paulo II aos artistas. N. 167. S. Paulo: Paulinas, 32 pgs.

- QUEVEDO, Luiz González. Manoel da Nóbrega. O enamorado do Brasil. Coleção Heroes, N. 51. São Paulo: Editora Salesiana, 1988. 52 pgs.

domingo, 7 de junho de 2015

CURIOSIDADE: O PIEDOSO USO DO VÉU


O uso do véu é aconselhado na Sagrada Escritura (I Cor. 11,6)

Paulo Vinícius de Oliveira
PORQUE USAR O VÉU?

O uso do véu, também chamado de mantilha, tem sido um costume da Igreja desde sua instituição. Recomendado pelo Apóstolo Paulo, há várias razões que aconselham seu uso.

Quando uma mulher cobre sua cabeça na Igreja Católica, simboliza sua dignidade, e humildade diante de Deus. A mulher que cobre sua cabeça na presença do Senhor Jesus no Santíssimo Sacramento está lembrando para si mesma que diante de Deus se deve ser humilde. 

O véu cobre o que o Senhor, na Sagrada Escritura, chama de “a glória da mulher”, o seu cabelo. Cobrir seus cabelos é um gesto que a mulher faz espiritualmente para “mostrar” a Deus que reconhece que sua beleza é menor que a dele e que a glória Dele está muito acima da sua, simbolizando assim sua vontade de se manter velada para que só Deus seja glorificado. 

O véu simbolicamente motiva a mulher a “inclinar” a cabeça em oração, a abaixar o olhar diante da grande e misteriosa beleza e poder de Deus no Santíssimo Sacramento. Pela inclinação da cabeça e pelo abaixar dos olhos, ela está mais apta a adorar a Deus na capela interior do seu coração, sua alma. 

O véu que a mulher usa lhe confere um belo senso de dignidade. Quando ela o usa, se identifica com a maior criação de Deus, a Bem-Aventurada e Imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus. 

As mulheres devem perceber que a imitação de sua Mãe Santíssima pelo uso do véu e por outras virtudes é um pequeno sacrifício a ser feito a fim de crescer na compreensão espiritual da fé, na submissão e do amor.

O piedoso uso do véu pela mulher na Igreja é um surpreendente lembrete de modéstia, edificante não só para quem o usa mas também para todos os que o notam.

Na Sagrada Liturgia, cobre-se delicadamente a dignidade dos diversos elementos litúrgicos: o véu frontal que cobre o Sacrário, o véu que cobre o cálice e o cibório, a toalha branca que cobre o altar, a casula que cobre o sacerdote que oferece o Santo Sacrifício da Missa. 

Assim é o véu que cobre a mulher, chamada a ser pela Sagrada Comunhão, de forma especial, como a doce e bela Virgem Maria: Sacrário vivo do Corpo de Deus.

NA PRÁTICA

Pode-se usá-lo como sacramental após ter recebido a devida benção sacerdotal. 

Não há uma regra sobre a cor, mas costuma-se usar branco para as moças e preto para as senhoras casadas, viúvas ou definitivamente solteiras. Os véus coloridos não são proibidos, mas se deve usar de bom senso e evitar cores berrantes, que chamem a atenção e distraiam os fieis durante a Missa. O uso do véu é aconselhado, além das celebrações dos sacramentos, na visita ao Sacrário e nos diversos atos de piedade realizados na igreja.


ORAÇÃO AO VESTIR O VÉU

Divino Espírito Santo, hóspede da minha alma, convencida de que a minha verdadeira vida está escondida com Cristo em Deus Pai, visto este véu na minha cabeça na esperança não de aparecer, mas de desaparecer, não para atrair a atenção sobre a minha pessoa, mas para esconder-me na imitação de Maria Santíssima.
Que todos olhem para Vós Deus Pai, Filho e Espírito Santo, Amém.

                (por um monge sacerdote)


(Este artigo é um compilado de vários textos sobre o assunto encontrados na internet)


MARIA SEMPRE!

quinta-feira, 14 de maio de 2015

HOMENAGEM DA SSVM: DOM GERALDO


A SSVM por meio de alguns membros teve a grande satisfação
de estar ao lado de Dom Geraldo pouco tempo antes de seu falecimento

Apresentamos abaixo uma filial homenagem de nós, membros da Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM, ao Reverendíssimo Dom Geraldo Magela de Castro, pessoa com quem tivemos a honra e a satisfação de conviver muitas vezes ao longo dos anos. Este texto foi enviado aos amigos e benfeitores de nosso apostolado em fevereiro do ano corrente. Perante a notícia de seu falecimento, nesta quinta-feira (14/05/2015), contristamo-nos sobremaneira. A vários dias havíamos intensificado nossas orações por sua pessoa e agora rogamos a Deus que o receba nas moradas eternas.




SSVM - EDIFICANTE VISITA A DOM GERALDO MAGELA
Por João Soares de O. Junior

No dia 29 de Janeiro de 2015, a Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM fez uma visita ao querido Arcebispo Emérito Dom Geraldo Magela de Castro, Opraem. Ele encontra-se internado no Hospital Santa Casa de Misericórdia - Montes Claros - MG. Carinhosamente chamado de "Dom" pelos servidores do hospital, Dom Geraldo se encontra acamado há mais de dois anos, pois sofre de uma grave doença degenerativa em que vai perdendo gradativamente os movimentos do corpo. Restam-lhe apenas alguns movimentos com a cabeça, olhos e boca. Contudo, encontra-se muito lúcido.


Embora esteja respirando com o auxílio de aparelhos e alimentando-se somente por sondas, mantém-se atencioso aos que lhe visitam. Também se comunica pela leitura labial, onde seus filhos (fiéis de seu rebanho e cuidadores mais próximos) compreendem suas palavras. De fato, são frequentes as visitas e constante a presença de pessoas que auxiliam ao Bispo; por isso, bem o lembrou um membro da SSVM: "Um celibato que lhe rendeu muitos filhos".

Em ocasião da visita, foi levada a bela imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho e diante dela rezamos o Santo Terço. Ao final do mesmo, os membros da SSVM cantaram para o querido Bispo Emérito a canção "Ave Verum"; muito ouvida na Missa Tridentina. E... todos ficaram impressionados ao ver o bispo esforçando-se para cantar conosco.

Tivemos a honra de uma extensa e agradável conversa envolvendo fatinhos, histórias e atualidades da Igreja contadas e ouvidas por religiosos e leigos no quarto do hospital. Dom Geraldo falou-nos que, desde 1948, é um consagrado a Maria Santíssima pelo método de São Luís de Montfort; método esse que todos os membros da SSVM fazem e indicam. Como bom "Escravo da Virgem", afirmou que renova a consagração todos os dias recitando a fórmula, com o auxílio de sua irmã, também religiosa.

Rimos muito quando, em conversa sobre as dificuldades que os bispos têm nos tempos atuais frente à crise na Igreja, Dom Geraldo dissera que houve situação em que teve de transferir um padre pelo camburão policial em nossa região.

Dom Geraldo mostrou-se paciente e acolhedor para com todos
como havia sido ao longo de todo o seu  espiscopado
Na oportunidade da visita, a SSVM declarou toda a estima das pessoas de nosso apostolado ao Arcebispo Emérito; desejou-lhe votos de força e conforto neste momento da vida e, por fim, foi-lhe pedido que abençoasse nossa missão, já que dedicara toda sua trajetória a Cristo e à Igreja Católica. Dom Geraldo, neste último estágio de sua caminhada está podendo ofertar seu sofrimento unindo-o ao sacrifício de Cristo pela conversão dos pecadores; “Como um sacrifício oblativo.” - Assim nos comunicou o Bispo que ainda concelebra a Santa Missa todos os dias com auxílio de outros sacerdotes que vão ao hospital.

Após mais de duas horas deste privilegiado encontro, e abençoados pelo “Dom”, despedimo-nos dos presentes no quarto. Entretanto, não terminou por aí a nossa visita. Em breve passeio pelo hospital, atendemos ao pedido de uma senhora que acompanhava, muito serenamente, sua mãe em grave estado de saúde. Com infecção generalizada, a paciente se encontrava em uma situação extremamente difícil. Seu corpo apresentava feridas evidentes e repulsivas, isto agravado pela idade avançada em que se encontrava.  Com todo carinho, fizemos uma visita ao seu quarto, rezando e levando a imagem da Mãe do Bom Conselho como ato de conforto.

Estar num hospital nem sempre é fácil. Quando o fazemos é porque adoecemos ou pelo fato de um ente querido encontrar-se ali como paciente. É quase inevitável um estresse ou abalo emocional pelas preocupações. Porém, nesta visita nos foi possível ver de perto, apesar da debilidade, a esperança humana refletida na fé dos que ali estavam. Podemos afirmar que este ato de misericórdia foi uma grande benção que nos trouxe frutos e muitas graças.

MARIA SEMPRE!

domingo, 3 de maio de 2015

MATRIMÔNIO E CELIBATO:REFLEXÃO


O  matrimônio e o celibatos são abençoados por Deus através da Igreja Católica

Por editores do blog


Joviniano - Herege do fim do séc. IV
TESE. A Igreja Católica afirma como uma verdade que o estado de celibato é mais excelente que o matrimonial 

“937. Explicação. – Entendemos por estado de celibato, não o simples facto de não contrair matrimônio, mas a razão de o deixar para melhor praticar a virtude. Afirmamos que é mais excelente e perfeito esse gênero de vida, comparado com o matrimonial, prescindindo do facto concreto se é preferível para muitos o casar-se e de que muitos casados sejam mais perfeitos.

938. Adversários. - Joviniano [1] no século IV, os protestantes e muitos modernos que não sentem em uníssono com a Igreja.

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Katharina Von Bora (1499-1552)
Freira apóstata que veio a ser
esposa de Martinho Lutero
Para Martinho Lutero (1483-1546), fundador do protestantismo - o qual abandonara seu voto de celibato para casar-se com um freira apóstata, Katharina Von Bora (1499-1552) - o matrimônio, ainda que seja o estado mais comum, é mais nobre que o celibato. Segundo ele, o casamento é cem vezes mais nobre que o próprio estado monástico. Para Lutero, o celibato seria uma “peste”, mesmo diante da evidente postura de São Paulo a respeito da superioridade da virgindade em relação ao casamento. Todavia, jamais combateu a virgindade em sí mesma. “No principio ele considerava a virgindade superior ao matrimônio; depois considerou-os iguais e, por fim, pôs o matrimônio acima da virgindade. Todavia, em certo sentido, ele conservou sentimentos de monge, até o fim, pois em 1540 louvava ainda a virgindade como descida do céu, como uma joia de ouro, como um adorno precioso.” 


FONTE: BARTMANN, Bernardo.Teologia Dogmática. VOL. III - Sacramentos e Escatologia.SP: Paulinas,1964; p.393 e 401 
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QUAIS PROVAS PODEM SER APRESENTADAS EM FAVOR DA TESE CATÓLICA?

939. A) Tradição. – ‘Se alguém disser que é preferível o estado matrimonial ao de virgindade ou de celibato, e que não é melhor e mais ditoso permanecer no estado de virgindade ou de celibato do que unir-se em matrimônio, seja anátema.’[2]

940. B) Escritura. – 1. Tendo Jesus dito aos Apóstolos que o matrimônio é indissolúvel retorquiram-lhe estes: ‘Se é assim... é preferível não casar. Respondeu-lhes Jesus: Nem todos compreendem esta palavra, mas só aqueles a quem Deus o dá a entender. Há quem voluntariamente renuncia ao matrimônio (eunucos) para conseguir o reino dos céus. Quem for capaz de compreender, compreenda’ (Mateus 19,10 ss). Portanto, segundo este testemunho de Cristo abster-se do matrimônio pelo reino dos céus é um favor ou graça de Deus.

São Jerônimo (347 - 420)
Defendeu contra Joviniano
a superioridade do celibato.
2. Se ‘estais sem mulher, não procures tê-la. Se a tomas, não pecaste... Quem liga pelo matrimônio a virgem que está a seu cuidado procede bem, mas quem a não ligar procede melhor.’(I Coríntios 7,27,28 e 38)

3. Diz São João no Apocalipse que no céu ‘as almas virgens seguem o Cordeiro para toda parte e cantam um cântico que só elas podem cantar’ (Apocalipse 14,3-4).

Quer a palavra virgens signifique o que por ela entendemos correntemente quer signifique os que não se afastaram do verdadeiro Deus, nem da sua doutrina como se entendem algumas vezes na Escritura, o que é certo é que a virgindade é preferida ao matrimônio, visto que se apresenta, mesmo no segundo caso, como modelo de fidelidade a Deus.”

FONTE: BUJANDA, J. Manual de Teologia Dogmática. Trad. Dionísio de O., SJ. 3º Ed. Porto: Apost. da Imprensa, 1958; p. 574-575


MARIA SEMPRE!


[1] Monge italiano que, cerca de 388, ensinou em Roma, depois em Milão, morrendo em 412. Ele abandonou a vida monástica e defendeu contra São Jerônimo, o que mais tarde os protestantes diriam: Que a virgindade não é superior ao matrimônio. 

[2] Concilio de Trento, ses.24,cân.10.D.981. (A expressão “seja anátema” costuma ser usada quando se pretende indicar uma doutrina como herética. Essa expressão ou fórmula, no entanto, não é usada tão somente para condenar uma doutrina como herética ou oposta à revelação, mas também para punir com a excomunhão a inobservância de algum preceito, ou até de algum erro teológico que pode não ser heresia.)

domingo, 19 de abril de 2015

A MAÇONARIA E A IGREJA CATÓLICA


O pensamento maçônico é incompatível com a Tradição Católica.


Por Editores do Blog

Livro indicado neste artigo

Dom João Evangelista Martins Terra, em seu livro “Maçonaria e Igreja Católica”, faz interessantes explanações sobre a incompatibilidade entre o catolicismo e o pensamento maçônico. A certa altura de seu escrito o autor cita Dom Boaventura Kloppenburg e o elenco que este apresenta de princípios maçônicos claramente contrários à Tradição cristã. Leiamos atentamente cada um deles e peçamos a Deus, pela intercessão da Virgem Maria, força na luta contra tudo que se levanta em oposição a obra de Nosso Senhor Jesus Cristo.


"I) O principio da existência de uma “força superior”, reconhecida sob a denominação de Grande Arquiteto do Universo. Trata-se de um “Deus” deísta, vago, indefinido, impessoal, uma “força construtora, ordenadora, e evolutiva”. Os maçons não podem admitir a existência do Deus da revelação cristã.

II) O princípio do livre-pensamento: direito universal e absoluto de crer no que se queira e como se queira.

III) O princípio da tolerância: tolerância em relação à verdade. Não se podem impor dogmas. A única coisa que não se pode discutir são os “dogmas maçônicos”. 

IV) O princípio da autonomia da razão. “A maçonaria não reconhece outras verdades além das fundadas na razão e na ciência.” No grau 19 se impõe o seguinte juramento: “ Juro e prometo não reconhecer outro guia senão a razão.” Eis aí o “pecado grave contra a virtude da fé”. Não se pode aceitar a Revelação divina.

V) O princípio da liberdade de culto: é o próprio indivíduo que deve regular suas relações com o Ser Supremo e o modo de cultuá-lo. A Igreja fica sobrando.

VI) O princípio da liberdade de consciência: qualquer coação ou influência externa, mesmo de ordem moral, no sentido de dirigir ou orientar a consciência do indivíduo, é um atentado contra o direito natural da pessoa. Pergunta: será que a própria maçonaria não comete este atentado?

VII) O princípio do indiferentismo religioso. Neutralidade: não hostilizar nem favorecer religião alguma. Supõe que jamais houve Revelação divina. Nega Jesus Cristo como o Verbo revelador e Deus salvador.


Leão XIII condenou a Maçonaria (Humanum Genus, 1884)

VIII) O princípio do Estado neutro. A sociedade deve manter-se neutra perante qualquer religião. Os poderes públicos podem desviar-se das leis divinas. Esse laicismo extremo leva inevitavelmente ao anticlericalismo.


IX) O princípio do ensino leigo: o ensino público, mantido pelo estado, deve ser absolutamente neutro em assuntos religiosos. De fato, a escola laica, promovida pelos maçons, transforma-se em educação atéia. Os maçons lutam para formar agnósticos, mesmo quando proclamam a existência de um inoperante, impessoal e vago Grande Arquiteto do Universo. 

X) O princípio da Moral independente: a Moral não deve estar ligada a nenhuma crença religiosa nem fundar-se em pretensas revelações divinas.

XI) O princípio da religião natural: a religião oficial e pública da humanidade deve manter-se nos limites da religião natural.

XII) O princípio da imanência: a maçonaria ignora a Transcendência da pessoa humana, a graça divina, a justificação cristã, a ressurreição, a vida eterna, a consumação soteriológica, a visão beatífica, a comunhão dos santos. É um puro pelagianismo naturalista."


MARIA SEMPRE!

Fonte: TERRA,D.João E.Martins.Maçonaria e Igreja Católica.São Paulo:Santuário,1996; p.103-106