quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

SÃO JOÃO PAULO II SOBRE FÉ E RAZÃO


São João Paulo II (1920-2005)

Postado por Editores do Blog

Convidamos nossos leitores a acompanhar abaixo uma interessante reflexão de São João Paulo II, a respeito do gradativo distanciamento ocorrido entre a fé e a razão desde a baixa Idade Média. Cremos que as palavras do papa muito ajudarão a compreender um pouco mais a triste decadência no pensamento hodierno. 


CARTA ENCÍCLICA
FIDES ET RATIO 
DO SUMO PONTÍFICE 
JOÃO PAULO II
AOS BISPOS DA IGREJA CATÓLICA


CAPÍTULO IV - A RELAÇÃO ENTRE A FÉ E A RAZÃO (45-48)


"Quando surgiram as primeiras universidades, a teologia começou a relacionar-se mais diretamente com outras formas da pesquisa e do saber científico. Santo Alberto Magno e Santo Tomás, embora admitindo uma ligação orgânica entre a filosofia e a teologia, foram os primeiros a reconhecer à filosofia e às ciências a autonomia de que precisavam para se debruçar eficazmente sobre os respectivos campos de investigação. Todavia, a partir da
Fides et Ratio,
lançada em 1998
baixa Idade Média, essa distinção legítima entre os dois conhecimentos transformou-se progressivamente em nefasta separação. Devido ao espírito excessivamente racionalista de alguns pensadores, radicalizaram-se as posições, chegando-se, de facto, a uma filosofia separada e absolutamente autónoma dos conteúdos da fé. Entre as várias consequências de tal separação, sobressai a difidência cada vez mais forte contra a própria razão.
Alguns começaram a professar uma desconfiança geral, céptica ou agnóstica, quer para reservar mais espaço à fé, quer para desacreditar qualquer possível referência racional à mesma (...) As radicalizações mais influentes são bem conhecidas e visíveis, sobretudo na história do Ocidente. Não é exagerado afirmar que boa parte do pensamento filosófico moderno se desenvolveu num progressivo afastamento da revelação cristã até chegar explicitamente à contraposição. No século passado, este movimento tocou o seu apogeu. Alguns representantes do idealismo procuraram de diversos modos, transformar a fé e os seus conteúdos, inclusive o mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo, em estruturas dialéticas racionalmente compreensíveis. Mas a esta concepção, opuseram-se diversas formas de humanismo ateu, elaboradas filosoficamente, que apontaram a fé como prejudicial e alienante para o desenvolvimento pleno do uso da razão. Não tiveram medo de se apresentar como novas religiões, dando base a projetos que desembocaram, no plano político e social, em sistemas totalitários traumáticos para a humanidade.

Idéias de Marx influenciaram
a "Teologia da Libertação"
No âmbito da investigação científica, foi-se impondo uma mentalidade positivista, que não apenas se afastou de toda a referência à visão cristã do mundo, mas sobretudo deixou cair qualquer alusão à visão metafísica e moral. Por causa disso, certos cientistas, privados de qualquer referimento ético, correm o risco de não manterem, ao centro do seu interesse, a pessoa e a globalidade da sua vida. Mais, alguns deles, cientes das potencialidades contidas no progresso tecnológico, parecem ceder à lógica do mercado e ainda à tentação dum poder demiúrgico sobre a natureza e o próprio ser humano. Como consequência da crise do racionalismo, apareceu o niilismo. Enquanto filosofia do nada, consegue exercer um certo fascínio sobre os nossos contemporâneos. Os seus seguidores defendem a pesquisa como fim em si mesma, sem esperança nem possibilidade alguma de alcançar a meta da verdade. Na interpretação niilista, a existência é somente uma oportunidade para sensações e experiências onde o efémero detém o primado. O niilismo está na origem duma mentalidade difusa, segundo a qual não se deve assumir qualquer compromisso definitivo, porque tudo é fugaz e provisório.

 Nietzsche, escreveu
sobre uma Morte de Deus
Por outro lado, é preciso não esquecer que, na cultura moderna, foi alterada a própria função da filosofia. De sabedoria e saber universal que era, foi-se progressivamente reduzindo a uma das muitas áreas do saber humano; mais, sob alguns dos seus aspectos, ficou reduzida a um papel completamente marginal. Entretanto, foram-se consolidando sempre mais outras formas de racionalidade, pondo assim em evidência o carácter marginal do saber filosófico. Em vez de apontarem para a contemplação da verdade e a busca do fim último e do sentido da vida, essas formas de racionalidade são orientadas, ou pelo menos orientáveis, como « razão instrumental » ao serviço de fins utilitaristas, de prazer ou de poder. (...) Na sequência destas transformações culturais, alguns filósofos, abandonando a busca da verdade por si mesma, assumiram como único objetivo a obtenção da certeza subjetiva ou da utilidade prática. Em consequência, deu-se o obscurecimento da verdadeira dignidade da razão, impossibilitada de conhecer a verdade e de procurar o absoluto.


Assim, o dado saliente desta última parte da história da filosofia é a constatação duma progressiva separação entre a fé e a razão filosófica. É verdade que, observando bem, mesmo na reflexão filosófica daqueles que contribuíram para ampliar a distância entre fé e razão, se manifestam às vezes gérmenes preciosos de pensamento que, se aprofundados e desenvolvidos com mente e coração reto, podem fazer descobrir o caminho da verdade. Estes gérmenes de pensamento podem-se encontrar, por exemplo, nas profundas análises
João Paulo II morreu em 2005 aclamado como santo.
sobre a percepção e a experiência, a imaginação e o inconsciente, sobre a personalidade e a intersubjetividade, a liberdade e os valores, o tempo e a história. Inclusive o tema da morte pode tornar-se, para todo o pensador, um severo apelo a procurar dentro de si mesmo o sentido autêntico da própria existência. Todavia isto não pode fazer esquecer a necessidade que a atual relação entre fé e razão tem de um cuidadoso esforço de discernimento, porque tanto a razão como a fé ficaram reciprocamente mais pobres e débeis. A razão, privada do contributo da Revelação, percorreu sendas marginais com o risco de perder de vista a sua meta final. A fé, privada da razão, pôs em maior evidência o sentimento e a experiência, correndo o risco de deixar de ser uma proposta universal. É ilusório pensar que, tendo pela frente uma razão débil, a fé goze de maior incidência; pelo contrário, cai no grave perigo de ser reduzida a um mito ou superstição. Da mesma maneira, uma razão que não tenha pela frente uma fé adulta não é estimulada a fixar o olhar sobre a novidade e radicalidade do ser. (...) Ao desassombro (parresia) da fé deve corresponder a audácia da razão."




Dado em Roma, junto de S. Pedro, no dia 14 de Setembro
 Festa da Exaltação da Santa Cruz - de 1998, vigésimo ano de Pontificado.


FONTE: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jpii_enc_14091998_fides-et-ratio_po.html

sábado, 3 de janeiro de 2015

RATZINGER E O CONCÍLIO VATICANO II

Concílio Vaticano II 1962 - 1965
 iniciado por São João XXIII e encerrado pelo Beato Paulo VI

Postado por editores do blog


Filósofo ateu Paolo d' Arcais (1944)
No ano 2000, o então cardeal Ratzinger (hoje papa emérito) participou de um debate acalorado com o filósofo ateu Paolo F. d´Arcais em torno do tema: Deus existe? - debate conduzido por Gad Lerner no Teatro Quirino de Roma perante uma multidão. A certa altura surge uma questão referente ao Vaticano II, evento do qual participou o próprio Ratzinger. Segue abaixo sua resposta que mostra já naquela época uma crescente preocupação a respeito das consequências surgidas devida vários fatores no período pós conciliar.

†††


"GAD LERNER: Antes de ser bispo, o jovem teólogo Ratzinger participou com entusiasmo dos trabalhos daquele Concilio, sendo até mesmo um elemento, digamos, fortemente favorável à inovação.

O Cardeal Ratzinger, quarenta anos depois, vê naquele evento um dos elementos da crise do cristianismo europeu? Ou seja, houve uma mudança no senhor?

O então pe.Ratzinger atuou no 
Concílio Vaticano II como perito.
 Ele foi eleito Papa em 2005.
JOSEPH RATZINGER: Uma mudança, não. Eu sempre penso que aquele esforço era necessário, que era o momento de abrir novos caminhos da linguagem e do pensamento teológicos e de buscar um novo encontro com o mundo e uma nova profundidade da fé, principalmente também no diálogo com nossos irmãos, as igrejas não católicas.

Nesse sentido, parece-me que foi um acontecimento providencial, necessário, mas com isso... com a comparação à intervenção cirúrgica também queria mostrar que um evento benéfico não necessariamente implica, de imediato, os efeitos positivos esperados. E nisso tenho um ilustre predecessor, o grande teólogo Gregório de Nacianceno, justamente definido como ‘o’ teólogo. Ele, tendo sido convidado pelo imperador ao Concílio de Constantinopla, após as experiências anteriores que tivera em outros concílios, disse: ‘Nunca mais irei a um Concílio, porque só cria confusão’; esse era seu desespero.

Eu não me expressaria assim, mas se ele disse... Um concilio é - como mensagem, como ação, digamos, como intervenção profunda na vida das Igrejas - necessário, mas, ao mesmo tempo, provoca novas complicações... e estamos em uma fase na qual temos de enfrentar essas complicações."

FONTE: RATZINGER, Joseph; D'ARCAIS, Paolo F. Deus existe? Trad. Sandra M. Dolinshy. São Paulo: Ed. Planeta do Brasil, 2009; p. 84-85. *O negrito é nosso
MARIA SEMPRE!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

CEM ANOS DA TRÉGUA DA NATIVIDADE

Cruz erguida em Ypres, Bélgica, em homenagem a Trégua da Natividade

Postado por João S. de O. Jr.


A data de hoje em que comemoramos o nascimento do Menino Deus marca 100 anos de um dos fatos mais inusitados, considerado um Milagre na história contemporânea, a Trégua da Natividade ocorrida no Natal de 1914 [1]. 

Em meio às trincheiras da Primeira Grande Guerra Mundial (1914-1918), ao redor da cidade belga de Ypres, alemães, franceses e britânicos, espontaneamente (sem ordem prévia de seus comandantes), baixaram as armas e se confraternizaram na manhã do dia 25 frente ao caos (mortes e destruição) do campo de batalha nas famosas e extensas trincheiras. Local esse chamado também de “terra de ninguém”, numa guerra que ao seu final deixara 16 milhões de mortos e 20 milhões de feridos.


A Primeira Guerra Mundial ficou conhecida por "guerra das trincheiras"
O fato começou sob o som de cantos natalinos que soldados alemães entoavam à noite e passaram a ser acompanhados pelas tropas adversárias, britânicas e francesas. Há relatos de que estes viam velas e enfeites de Natal nos lados adversários. Em seguida, sob a tensão da guerra mas movidos pelo espírito natalino, lentamente e sob gritos de trégua, levantaram-se das trincheiras e se encontraram. Houve cumprimentos e felicitações natalinas, troca de presentes (fumo, álcool, chocolates, cigarros, botões, fotografias...), tiraram fotos e até jogaram partidas de futebol.

Notícia da Trégua em trecho de
 jornal no Brasil
Trincheira de soldados alemães
Trincheira de soldados franceses
Soldados alemães do 134 Regimento da Saxônia e os soldados
britânicos do Real Warwickshire Regiment reunidos em 26/12/1914.
Na oportunidade da trégua, o capelão escocês J. Esslemont Adams organizou um funeral coletivo para mais de 100 vítimas, com ambos os lados ajudando a enterrar mutuamente seus mortos. Adams abriu a cerimônia com o Salmo 23: “O senhor é meu pastor e nada me faltará...” acompanhado por um ex-seminarista alemão que repetia em seu idioma. Ao final, soldados dos dois lados rezavam a oração do Pai-Nosso.

Sem armas, soldados franceses e alemães posam juntos para foto.
A trégua informal propagou-se para outras áreas e em muitos lugares durou até janeiro do ano seguinte. Perceberam que havia mais semelhanças do que as diferenças impostas pela guerra. O ocorrido fora amplamente documentado em diários dos soldados, repercutindo em diversos noticiários da época, mesmo com os comandos superiores da guerra censurando a divulgação do mesmo.

Britânicos e alemães jogando futebol na Trégua da Natividade
Nos anos seguintes do terrível conflito que terminou em 1918, houve ainda registros de trégua, com menor proporção. Uma vez que, os comandantes do auto escalão, temendo que os atos do Natal de 1914 se repetissem, ordenaram reforçar a artilharia antes da data natalina.

Jornal Inglês da época

O que temos a meditar diante desse fato histórico?

O homem ao virar as costas para o seu Criador provoca a morte de si mesmo e de seus semelhantes. Revoluções e guerras são como conseqüência do pecado e da falta de conversão, como lembrou a Virgem Santíssima nas aparições em Fátima (1917). Contudo, a Esperança, a Fé e a Caridade trazidas por Cristo, ainda fumega como brasa no coração da humanidade. Tal fato milagroso ocorrido em 1914, numa sangrenta guerra que foi parte de um terrível processo revolucionário [2], só poderia acontecer pelo espírito natalino, no mistério do nascimento do Salvador. Os soldados de lados inimigos entre si tinham muito mais em comum do que o desejo de voltarem para casa e encontrarem seus familiares. Pois, ainda que por um dia, o amor a Cristo, ao Menino Deus que veio nos salvar, os uniu.

O que a Revolução destruiu, só a Cristandade pode restaurar.

Menino Deus, motivo da trégua de 1914.


MARIA SEMPRE!


Referências:
[1] O Milagre do Natal de 1914, disp. em http://tokdehistoria.com.br/tag/tregua-no-natal-de-1914/
[2] Aos Cem Anos da Grande Guerra, disp. em http://ipco.org.br/ipco/noticias/aos-cem-anos-da-grande-guerra#.VJq-GsCo

SÃO NICOLAU! MODELO DE CARIDADE!

São Nicolau, Bispo de Mira (275- 342)
Por Editores do blog.


São Nicolau foi um dos santos mais populares de todos os tempos.

Contudo, nem sempre a devoção popular sabe das razões de seu extremado devotamento, pois se deixa facilmente levar pelas lendas fantasiosas que a tradição tece sobre a sua vida.

Mesmo livre das estórias lendárias, a figura de São Nicolau emerge como um gigante. Filho de pais ricos e piedosos, Nicolau nasceu por volta do ano de 275 na Lícia, hoje Turquia. Tornou-se sacerdote da diocese de Mira, onde exerceu seu ministério. Como sacerdote desdobrou-se em amor e dedicação na evangelização e conversão dos pagãos, num clima de perseguição religiosa.

São Nicolau se destacou por sua  caridade
Nicolau é conhecido, sobretudo, pela extremada caridade para com os pobres. Distribuiu entre eles a fortuna herdada de seus pais. Entre outros fatos da sua vida, registra-se o caso de três moças cujo pai pobre, não podendo fornecer dotes para o casamento, aconselhava as filhas a se entregarem à prostituição. Nicolau, ao saber disso, jogou pela janela da casa das moças três bolsas com o dinheiro suficiente para os dotes das jovens.

Este episódio deu motivo à fantasia dos países do norte da Europa de verem Nicolau, sob o nome de Claus, o velho de barbas brancas, que leva presente às crianças, exatamente no dia 6 de Dezembro.

Após a morte do bispo de Mira, Nicolau foi eleito seu sucessor. A obediência obrigou Nicolau a deixar o doce remanso da solidão e assumir as responsabilidades de bispo.

Em pouco tempo conquistou a simpatia de todos. Sua caridade bondade sem par, seu zelo, seu espírito de oração o tornaram conhecido e amado por toda a Ásia Menor. Deus, por sua vez, brindou-o com o poder de milagres em favor, sobretudo dos doentes.

Historiadores gregos afirmam que Nicolau foi preso durante a perseguição de Diocleciano por volta do ano 310. O santo bispo sustentou corajosamente a dura prisão e várias torturas e já estava para ser processado e condenado à morte, quando foi publicado o edito de Milão, em 313, concedendo a liberdade religiosa.

São Nicolau participou no Concilio de Nicéia (325)
 quando foi condenada a doutrina de Ario
Nicolau foi um dos bispos que participaram do Concílio de Nicéia em 325, onde, contra a heresia ariana, foi definida a divindade de Cristo declarado consubstancial ao Pai. No início do concílio, Nicolau presenciou uma cena de indescritível emoção: Constantino Magno, o imperador da Roma que havia perseguido por 250 anos os cristãos, ajoelhou-se para beijar as cicatrizes de Nicolau e dos outros varões torturados na última perseguição.

Os mesmos soldados que os tinham preso e torturado, agora lhes prestavam honras de heróis! Parecia um sonho!

Ao que parece, Nicolau faleceu em Mira no ano de 342, com grande fama de santidade e de poder taumatúrgico.

Este santo tornou-se sobremaneira popular também na Rússia, onde foi declarado padroeiro principal. Motivo pelo qual muitos czares adotaram este nome. Antes da revolução comunista, muitos eram os Russos que visitavam o sepulcro de São Nicolau em Bári - para onde as relíquias foram transferidas após a invasão muçulmana- .

São Nicolau é invocado contra os perigos de incêndio e é padroeiro dos marinheiros.

São Nicolau! Rogai por nós!


MARIA SEMPRE!


Referência:
CONTI, Dom Servilio. O Santo do Dia. editora Vozes.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

NO NATAL, GRAÇAS ESPECIALÍSSIMAS!

A natividade pintada pelo Beato Fra Angélico (1395-1455)

Prof. Pedro Maria da Cruz

“As noites são boas. Nenhum planeta exerce então os seus malefícios, 
e nenhuma fada feiticeira tem poderes para encantar.” (Hamlet).

"[...] ouve-se alguém citar, quase que por acaso,
o nome três vezes santo do Menino Deus"

No natal, um certo aroma sobrenatural paira sobre nossas vidas, invade furtivamente nossos tratos cotidianos, toma de assalto todas as conversações. Aqui, ouve-se alguém citar, quase que por acaso, o nome três vezes santo do Menino Deus; acolá, outro que critica ousadamente, e com ares de ortodoxia, a mesquinharia comercial dos hodiernos; e por fim, um último que comenta, meio que perdido, sobre as tristezas e desmandos de uma vida sem luz, denunciando, sem o perceber, a graça que bate silenciosa na porta de sua alma... nem todos os estratagemas do Demônio, ainda que corroborados pelas mil leviandades de tantos homens medíocres que pretendem um mundo sem Deus, conseguirão expulsar deste dias que antecedem o Natal a atmosfera sacrossanta que repousa sobre o universo.

É uma realidade que se impõe: tudo se torna alegre! As luzes povoam ruas, praças e fachadas! O colorido anuncia o júbilo de uma data especialíssima, afinal é o nascimento do menino Jesus, o Deus encarnado, aquele que veio ao mundo para nos salvar! Milhares de preces sobem aos céus; umas, abafadas pelo orgulho, outras, como último recurso... não importa! Algo impera sobre as almas; uma força insiste em manter a esperança. Há, sim - se prestarmos bem atenção – uma espécie de “toque” singelo, um certo “sussurro” suave, um “não sei o que”, lá no centro mais intimo da alma... mas há algo! É um mistério ... o mistério do Natal!

"É um mistério... o mistério do Natal"
Vem-me agora ao espírito a recordação de algumas palavras ditas por Horácio a seus amigos em Hamlet, uma famosa tragédia composta por William Shakespeare. Creio que expressam, mesmo que a seu modo, um pouco de tudo aquilo que temos ansiado por demonstrar através destas linhas:

“Dizem que sempre que se aproxima a época em que se celebra o nascimento de nosso Salvador, a ave da manhã passa toda a noite a cantar, e então, segundo afirmam, nenhum espírito se atreve a sair da sua morada. As noites são boas. Nenhum planeta exerce então os seus malefícios, e nenhuma fada feiticeira tem poderes para encantar. Tão benfazejo e cheio de graça é aquele tempo.”[1]

Que Nossa Senhora nos torne sensíveis às constantes graças enviadas por Deus às nossas almas. E, de modo particular, suplicamos por todos aqueles que nos deram a alegria de sua visita a este blog ao longo do ano. Feliz Natal!

MARIA SEMPRE!



[1] SHAKESPEARE, William. Hamlet. Trad. Ricardo Alberty. Gigantes da literatura clássica. Lisboa: Editorial Verbo, 1972, p. 16

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

SOBRE A IMACULADA CONCEIÇÃO...

Imaculada Conceição, 08 de dezembro

Postado por editores do blog

Prezados leitores, neste mês de dezembro em que celebramos tão grandes festas como a do Natal, disponibilizamos abaixo uma edificante reflexão de nosso já conhecido Padre Júlio Maria Lombaerde, a respeito da imaculada conceição de Nossa Senhora, cuja festa é celebrada no dia 8 deste mês. Que Nossa Senhora de Guadalupe, também celebrada em data próxima, nos proteja e ilumine nas lutas em prol do verdadeiro cristianismo. 

III
A Imaculada Conceição


"Eis-nos, com uma lógica Irrefutável em frente do mistério da Imaculada Conceição... que não é outra coisa senão a preservação do pecado original, em previsão dos merecimentos futuros do Salvador.


Diga, amigo protestante, não é lógico isso?...não é conveniente?... não é necessário?...


Pois bem a tal preservação, é o que nós chamamos: Imaculada Conceição.


Está vendo, que tal privilégio, outorgado à pura Mãe de Jesus, não é como os protestantes se lhes afiguram, um bicho de sete cabeças, um espantalho misterioso!... É coisa mais lógica do mundo, que os sres. negam por não saber o que é, e que seus Pastores combatem, unicamente para dar-se um jeitinho bíblico, para passar por homens inteligentes, entendido, zelosos discípulos da Bíblia, que nem compreendem.


Em 1854, o Beato Pio IX proclama o 
dogma da Imaculada Conceição
A Imaculada Conceição abrange dois pontos importantes, que convém salientar, porque destroem, de antemão, as objeções protestantes.

1. O primeiro é ter sido a Sma. Virgem preservada da mancha original, desde o princípio da sua conceição.

2. O segundo que tal privilégio não lhe era devido por direito, mas foi lhe concedido em previsão dos merecimentos de Jesus Cristo.

Como tal Maria Sma. foi resgatada por Jesus Cristo, como qualquer um de nós; porém convém notar que há duas maneiras de resgatar, ou salvar uma pessoa: Antes da queda, pela preservação, e depois da queda pelo levantamento.

O primeiro resgate é de Maria Sma.; o segundo é o nosso.



O Cristo morreu para todos, diz o Apóstolo (IICor. V.15) e ainda: Um só morreu para todos (IICor. 14) Morreu de fato para todos, e em previsão dos merecimentos de sua morte preservou a sua Mãe da mancha do pecado, sendo ela, deste modo a primeira resgatada, e a mais bela conquista do seu sangue."


IV
As provas da Bíblia.

"O que acabamos de dizer é lógico, meu caro protestante, e se impõe a uma inteligência não viciada pelo preconceito. Eu sei que isso não é o bastante para vós, por isso apoiemos tal doutrina sobre a Bíblia.
Abrindo o Gênesis, encontramos no capítulo III.15, estas palavras que Deus dirigiu ao demônio depois da queda original: Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua semente e a sua semente, esta te esmagará a cabeça e tu, te esforçarás por mordê-la no calcanhar. (Gen.III,15).
"Evangélicos" negam o dogma da 

Imaculada conceição

Eis um passo, meu querido protestante que é impossível explicar, nem compreender, sem admitir que ele se refira à Maria Sma. a mulher bendita, e significa sua pureza imaculada.

Certos protestantes, no triste intuito de rebaixar a Virgem Santa, ditam logo a objeção que o texto original traz «este» te esmagará a cabeça, em vez de esta... (ipsum em vez de ipsa) o que vem a ser que é a semente que deveria esmagar a cabeça da serpente, em vez de a mulher.

Repondo logo que, S. Jerônimo ao traduzir do hebraico em latim tal texto, tinha diante de si 5 cópias, entre as quais três trazem ela (ipsa) e uma ele (ipse) e uma outra grega que traz: ipsum.

S. Jerônimo, como sábio e filólogo exímio, escolheu o pronome ela (ipsa) como mais autêntico e dando ele mesmo a razão desta preferência «Não pode ser outra semente da mulher, senão aquele que o Apóstolo diz ter sido feito da mulher...isso é a mãe de Jesus Cristo...O Cristo é verdadeiramente a semente da mulher, havendo ele nascido sem a cooperação do homem.

Qualquer que seja o texto adotado, a interpretação é a mesma e sempre de acordo com a explicação da Igreja Católica.

O texto hebraico diz que é a semente da mulher (Cristo) que deve esmagar a cabeça da serpente – isso é: diretamente, - porém indiretamente é também a mulher; pois Deus diz que porá inimizade entre a mulher e a serpente e entre a semente de ambos...

Ora tal inimizade não seria completa se a mulher bendita, que é Maria Sma. houvesse ficado um instante no poder do demônio, pelo pecado original.

Para não ficar a mínima dúvida o Espírito Santo ajunta: Ela te esmagará a cabeça e tu te esforçarás por mordê-la no calcanhar (insidiaberis calcaneo ejus).

Aqui a Bíblia protestante é falsificada e não traduz nem o latim, nem o texto hebraico originais.

Podia-se citar ainda do Antigo Testamento este texto de Isaías:O Senhor vos dará um sinal: Eis que a Virgem conceberá e dará a luz um filho, e chamarão o seu nome Emanuel, isso é: Deus conosco. (Isaías VII. 14).

E este outro de Jeremias: Deus creou uma novidade na terra; uma mulher cercará um homem (Jerem. XXXI. 22).

Estes passos provam diretamente a virgindade perpétua da Sma. Virgem, e indiretamente a sua Conceição Imaculada."

VII
A Conclusão

"Tiremos a conclusão.

Maria Sma. é imaculada. É certo.

O fim da Encarnação inclui a imaculada Conceição.

Este fim é resgatar-nos do pecado original; em conseqüência a encarnação e o pecado original excluem-se mutuamente.

São dois termos opostos, como serão opostos os termos de luz e trevas, de dia e noite.

Como é que a Virgem, pela qual deve vir a libertação, possa ser escrava de Satanás?

Como é que a Virgem que deve dar ao Cristo, um corpo e um sangue imaculados, possa estar manchada pelo pecado original?

Seria isso dizer que pode circular uma água cristalina num canal imundo.

Seria afirmar que uma mãe preta pode gerar um filho branco. Isso é contrário à Bíblia que diz « Quem pode tirar um fruto puro de uma semente impura?(Jo XIV.4).»

A Mãe do Cordeiro Imaculado foi Imaculada.
Como então, mais tarde, Jesus poderia expulsar os espíritos imundos (Luc. IV, 36) se ele mesmo é o fruto do pecado, pelo nascimento de uma mãe pecadora?

Não está vendo que isso é insensato?

Ela nos traz a luz... e ela estaria nas trevas! Ela nos traz o preço do nosso resgate e ela seria devedora! Ela seria mãe da pureza infinita: e ela seria impura. Ela seria mãe de Deus e filha do pecado! Ela seria revestida do sol, da lua, e de estrelas, como a descreve S. João e ela teria nascido nas trevas! (Apoc. XII.1). Não vê que isso é uma blasfêmia... uma insulta a Deus! Concluamos, pois, dizendo que Maria Sma. devia ser Imaculada, e que o foi conforme o bom senso e a Sagrada Escritura nos indicam."

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Fonte: MARIA, Pe. Júlio. A mulher e a serpente. Manhumirim: O lutador, 1930; p. 65 -68. (Usamos o negrito de forma autônoma).Conferir também: NEUBERT, Pe. Émile. Maria Santíssima como a Igreja ensina.S.P: Petrus, 2012; 236 pg.



MARIA SEMPRE!

terça-feira, 25 de novembro de 2014

INCRÍVEL: A MEDALHA MILAGROSA!


N. Sra. das Graças, vista por Santa Catarina


Por Lucas Silva Vieira

No dia 27 de Novembro a Igreja faz memória em seu calendário litúrgico de Santa Catarina Labouré. Nascida em uma França pré-revolucionária, numa nação agitada pelas guerras napoleônicas domina- da pelo sentimento anticlerical, Catarina veio de uma família numerosa da qual recebeu uma educação católica.

Desde cedo Catarina nutria uma terna devoção à Virgem Maria. Logo na infância veio a perder sua mãe. Após o ocorrido foi para diante de uma imagem de Nossa Senhora e consagrando-se a Ela declarou à Virgem que agora Ela era sua única mãe. Após cumprir o dever de cuidar dos seus irmãos menores, entra para a Congregação das Filhas da Caridade, fundada por São Vicente de Paula.

Mal sabia Catarina, mas a Santíssima Virgem havia de lhe conceder graças extraordinárias. No início, já no convento, a Santa passou a ter visões de São Vicente de Paula e mais tarde começou a ter visões de Nosso Senhor durante a Santa Missa. Em uma dessas aparições, Catarina vê Jesus Cristo revestido com vestes reais cheio de glória e esplendor, logo em seguida, os paramentos e coroas do Senhor foram jogados ao chão, simbolizando a queda do Rei da França que se seguiria nos anos seguintes às aparições.

Mas, a mais sublime aparição aconteceu na noite do dia de 27 de Novembro de 1830. Nessa noite, Catarina é acordada pela suave e infantil voz do seu Anjo da Guarda, que a leva até à Capela do Convento, onde a Santíssima Virgem a espera. Com as suas próprias palavras Catarina descreve esse celestial encontro:
“A Santíssima Virgem apareceu ao lado do altar, de pé, sobre um globo com o semblante de uma senhora de beleza indizível; de veste branca, manto azul, com as mãos elevadas até à cintura, sustentava um globo figurando o mundo encimado por uma cruzinha. A Senhora era toda rodeada de tal esplendor que era impossível fixá-la. O rosto radiante de claridade celestial conservava os olhos elevados ao céu, como para oferecer o globo a Deus. Formou-se em torno da Virgem um quadro oval onde, em letras de ouro, se liam estas palavras: ‘Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós’. Ouvi então uma voz que me dizia: ‘Manda cunhar uma medalha por este modelo; as pessoas que a trouxerem com fé e devoção receberão grandes graças’. A outra parte da medalha, trazia a letra M encimada por uma cruz, embaixo os corações de Jesus e Maria: o primeiro cercado de espinhos e o segundo transpassado por uma espada”[1].
A medalha milagrosa, como é tradicionalmente forjada.
Foram cunhadas e distribuídas a época, cerca de um milhão de medalhas, espalhando-se a devoção por toda a Cristandade. Recebeu a alcunha de “Milagrosa”, em função dos milagres que a Virgem concedia aos seus portadores como, por exemplo, a cura e/ou a imunidade à doença de cólera que assolava a França naquele tempo.

Catarina de Labouré viveu uma vida escondida e simples, propagando a devoção a Santíssima Virgem e o uso da medalha.

O conhecimento público da vidente só se dera após a sua morte em 1876. A medalha não é simplesmente um amuleto ou um objeto que transmite “energias positivas”, mas um claro instrumento da misericórdia Divina e do materno auxílio de Maria para os seus filhos. Por isso, deve ser usada com amor e devoção como um sinal da presença de Deus e proteção contra as dificuldades temporais e espirituais. Antes de ser usada deve ser abençoada por um sacerdote.

Estejamos atentos as palavras da Virgem:

"Manda cunhar uma Medalha por este modelo; as pessoas que a trouxerem indulgenciada, receberão grandes graças, mormente se a trouxerem ao pescoço; hão de ser abundantes as graças para as pessoas que a trouxerem com confiança."



†††


MARIA SEMPRE!


Referência bibliográfica:
[1] CONTI, Dom Servilio- O Santo do Dia. Editora vozes, 1983; p. 529.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

O GÊNERO DE CULTO DAS IMAGENS


Imagem de Nossa Senhora de Fátima venerada em Portugal

Postado por editores do blog

Segue abaixo mais um interessante texto do Padre Júlio Maria, Missionário de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento (1878-1944), a respeito do culto devido às imagens sagradas *. É conveniente recordarmos tais ensinamentos, infelizmente não mais ensinado para nossas crianças durante a catequese.


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“O culto das imagens, não somente nunca foi proibido, mas foi ordenado por Deus.

Examinemos agora qual é o culto que devemos prestar às imagens.

O culto devido à imagem, como ensina São Tomás, é aquele que é devido a seu exemplar, porém de um modo diferente.

O exemplar é honrado por si mesmo, enquanto a imagem o é por causa do exemplar...

O primeiro chama-se culto ABSOLUTO, o segundo é o culto RELATIVO.

Deste modo o exemplar e a imagem formam um ÚNICO OBJETO de veneração.

Isso explica que nunca honramos uma imagem por si mesma, mas unicamente pelo objeto que representa; e que as honras que lhes tributamos são tanto maiores, quanto maior é o objeto que representam.

Deus como soberano Senhor merece um culto de adoração ABSOLUTO (latria), as imagens de Jesus Cristo merecem o mesmo culto, porém de um modo relativo.

Maria Sma., como Mãe de Deus, merece um culto de super-veneração absoluto, abaixo de Deus e acima dos santos (hiper-dulia).

As imagens de Maria Sma. merecem o mesmo culto de hiper-dulia, porém de um modo relativo.

Pe. Júlio Maria 1878-1944
Os Santos por serem amigos de Deus, merecem o culto de veneração ABSOLUTO (dulia). As suas imagens merecem o mesmo culto; porém de um modo relativo.

Se descêssemos da ordem sobrenatural à ordem natural encontraríamos a mesma distinção aceita por todos.

Os súditos de um reino devem ao seu chefe um culto de respeito; os filhos devem a seus pais um culto de amor filial – os amigos devem a seus amigos um culto de amizade, e este culto é devido de um modo absoluto às suas pessoas e de um modo relativo às imagens que os representam.

O patriota deve à sua terra um culto de patriotismo absoluto, e deve à bandeira o culto relativo, embora a bandeira como objeto material, seja apenas um pedaço de pano, porém como objeto representativo, simbólico, é o coração da pátria que pulsa em suas dobras.

Pelo que procede vê-se haver três maneiras de considerar uma imagem:

Como objeto material, isso é, a matéria de que é feita – A esse ponto de vista nenhuma imagem merece um culto.

Como um objeto santo, como seria uma coisa Sagrada, por exemplo, a Bíblia. A este ponto de vista o objeto merece respeito e veneração, porém inferior que se tributa ao protótipo.

Como objeto formal, isto é como representação do protótipo. A esse ponto de vista merecem também um culto relativo, como sendo a expressão de um objeto que merece um culto absoluto.

Assim, a Cruz, os pregos, a lança, devem ser honrados de um culto de LATRIA relativo. As imagens de Maria Sma. de um culto de HIPERDULIA relativo, e as imagens e relíquias dos Santos, de um culto de DULIA relativo.

Eis a doutrina da Bíblia e da Igreja a respeito das imagens. Tudo isso é claro, é lógico, é irrefutável.”


*MARIA, Padre Julio. A mulher e a serpente. Manhumirim: O lutador, 1930; p. 65 -68.

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MARIA SEMPRE!