sexta-feira, 27 de junho de 2014

RAINHA SANTA, ISABEL DE PORTUGAL



"A cruz e os espinhos do meu Senhor são o meu cetro e a minha coroa"



Postado por editores do blog

Santa Isabel, filha de D.Pedro III, rei de Aragão, nasceu em 1270, na Espanha. Conforme o costume do tempo, em que as princesas eram geralmente dadas pelos pais por esposas de outros príncipes e fortalecer, assim, a própria monarquia, Isabel foi dada como esposa, ainda muito jovem, a D.Dinis, rei de em Portugal. "Esta menina loura, de aspecto frágil e doce fala, casada em terra estranha com um marido que lhe era continuamente infiel, demonstrou uma profundidade cristã e uma elevação de alma que a colocam entre as grandes mulheres da Idade Média". 

Conservando as práticas de piedade, procurou Isabel santificar-se em seu novo estado de vida. Nunca alguém a encontrou ociosa, mas sempre ocupada em coisas úteis. Às pessoas que lhe aconselhavam maior moderação nos trabalhos, orações e penitência, Isabel respondia: "Poderá haver maior utilidade e necessidade de oração do que na minha situação, em que os perigos e as paixões se apresentam mais fortes?"

Especial atenção dedicava aos pobres e aos doentes. Isabel costumava dizer: "Outro motivo Deus não teve de me colocar sobre o trono, senão de proporcionar-me os meios de socorrer os necessitados". Dia não passava, sem que a santa rainha fizesse obras de caridade, ora socorrendo os pobres, ora visitando os doentes. Deus, por sua vez, recompensou esta dedicação com o dom dos milagres. Uma pobre mulher, cujo corpo estava coberto de úlceras, recuperou a saúde com um abraço que Isabel lhe deu.

Quando a querida rainha saía no paço, uma multidão de infelizes a seguia,
 pedindo socorro, e nunca algum deles se retirava sem ser generosamente atendido.







Os portugueses a chamavam de Rainha Santa. Santa e sofrida, podemos acrescentar. Ela teve dois filhos, que procurou educar com especial carinho. Mas foi esposa traída pelas aventuras amorosas do marido e, no entanto, teve a virtude de cuidar também dos filhos provenientes de adultérios do rei.

Perdeu cedo a filha e o genro. Não bastassem essas amarguras familiares, sofreu ainda imensamente as desavenças políticas do marido com parentes e, sobretudo, o que mais a fazia sofrer eram as desavenças com o próprio filho Afonso.

A pobre rainha tornou-se Anjo da Paz, interferindo com a sua palavra, rezando muito e acompanhando a oração com muita penitência.

Embora não tivesse sido exemplo de virtudes cristãs, D.Dinis, seu marido, morreu cristãmente nos braços de Isabel, em 1325.

Depois da morte do rei, Isabel retirou-se ao mosteiro das Clarissas de Coimbra, onde viveu como religiosa, embora sem votos comunitários. Mas nem assim a deixaram em paz: as discórdias entre os parentes, entre o filho D.Afonso e o neto, rei de Castela, reclamavam sua intervenção pacificadora.

Deixando Coimbra, Isabel pôs-se a caminho para pacificar o filho e o neto, vindo, porém, a falecer ainda em viagem, em 1336, com 66 anos de idade. Nas dores da agonia, Isabel repetia esta jaculatória: "Ó Maria, Mãe das Graças, Mãe de Misericórdia, defendei-me contra o espírito maligno e recebei-me na hora da morte". Trezentos anos depois da morte, seu corpo foi encontrado intacto.

Com muito acerto, pede a liturgia na oração de sua missa: "Que Deus, fonte de paz, nos ajude a trabalhar pela paz, assim como fez Santa Isabel".




MARIA SEMPRE!



Referência:
CONTI, Dom Servilio. O Santo do Dia. editora Vozes.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

GRANDE FESTA DE CORPUS CHRISTI


A festa de Corpus Christi teve origem em 1243,
em Liège, na Bélgica, quando Santa Juliana de Cornillon
teve visões de Nosso Senhor Jesus Cristo

Postado por editores deste blog

Segue abaixo algumas imagens que nos remetem à grandeza desta festa que tanto enleva o coração dos fiéis católicos. Pedimos à Virgem Maria que conceda aos amigos deste blog toda sorte de bençãos neste dia de imponderável beleza. Viva o Santíssimo Sacramento!

Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento

Santíssimo Sacramento
Papa Francisco demonstra amor ao Santíssimo Sacramento...
Pelicano: símbolo da Eucaristia.
Dando a própria carne para matar a fome de seus filhotes,
simboliza Cristo que se dá em alimento aos que lhe procuram.


Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento! Rogai por nós!

MARIA SEMPRE!

quarta-feira, 11 de junho de 2014

VANDALISMO na Matriz de Montes Claros

Uma das imagens quebradas na Matriz de Montes Claros
onde é celebrada aos sábados a Santa Missa Tridentina
Prof. Helmer Ézion S. Souza

Na manhã da última terça-feira,10 de junho, o jovem Ítalo Tiago Ferreira da Silva, 18 anos, invadiu a Igreja Matriz de Montes Claros localizada na Praça Dr. Chaves, e destruiu sete imagens sagradas. Membro declarado da Igreja Universal do Reino de Deus, fundada pelo auto-intitulado bispo Edir Macedo, o vândalo afirmou ser partícipe da chamada “Força Jovem Universal”(FJU).

No boletim de ocorrência da Polícia Militar consta que o meliante Ítalo Tiago F. da Silva, após o triste ato de vandalismo, refugiou-se na Igreja Universal do Reino de Deus...Onde foi capturado.


Imagens de Sto. Agostinho e Sta. Mônica quebradas na Matriz

Declarou Ana Cristina Pimenta, repórter do Jornal da Alterosa, que segundo a polícia o jovem tomaria remédios controlados, (de fato, afirma o jornal “O Tempo” que Ítalo Tiago possuía tais medicamentos). Entretanto, a mesma repórter levanta a questão se na realidade o ato de vandalismo teria sido provocado por falta medicamentosa ou por um ato de fundamentalismo próprio de uma formação anti-católica. O tempo dirá...


Grande perda! Imagem de S. Sebastião, a mais antiga da Matriz



O site fidespress.com afirma que vivemos “(...) uma epidemia de ações do tipo.” E completa: “Recentemente um grupo de protestantes urinou na imagem da Virgem Maria e causou comoção nacional.” 


Tais fatos nos trazem à memória a figura do polêmico pastor Von Helder da Igreja Universal do Reino de Deus, que ofendeu o sentimento nacional ao chutar e proferir ofensas à imagem de Nossa Senhora Aparecida em rede nacional. Von Helder, exaltado, chegou ao cúmulo de afirmar barbaridades como:

“(...) Será que Deus, o Criador do universo, pode ser comparado a um boneco desse, tão feio, tãão horrível, tããão desgraçado?!”[i]
Pastor Von Helder chuta a imagem
 de Nossa Senhora

O pastor referia-se à Virgem Maria...

Subtende-se que, de acordo com ele, os católicos comparariam Nossa Senhora a Deus, colocando-os em pé de igualdade, o que está diametralmente oposto ao pensamento católico. 

Afirmara São Luís Maria Grigniom de Montfort:

“(...) Maria é uma pura criatura saída das mãos do Altíssimo. Portanto, comparada à Majestade infinita de Deus ela é menos que um átomo, é, antes, um nada, pois só Ele é ‘Aquele que é’”.[ii]

Vemos aí como é desconhecida para muitos opositores do catolicismo a sua doutrina oficial.

Antes de finalizarmos esta postagem que oferecemos a Deus como ato de desagravo, recordemos as palavras do reverendo Pe. Antônio Brígido da Arquidiocese de Montes Claros:

“Esse irmão, destruiu nossas imagens, mas não destrói a nossa fé. Porque nossa fé está em Cristo Jesus, nosso único eterno Salvador. As imagens representam para nós católicos, pessoas queridas, santas e amadas por Deus. Não acusemos de forma alguma evangélicos, pois nós conhecemos sérios irmãos evangélicos, sérios pastores que não pregam desrespeito e violência. Que seja investigado, que seja aplicada a lei e que esse irmão, receba de nós católicos o perdão”.[iii]

Palavras sensatas... Todavia... como podemos depreender a partir deste artigo, existe em alguns meios protestantes[iv] atos nitidamente hostis para com a fé católica que impulsionam e encorajam atitudes como estas. Seria ingênuo e omisso da nossa parte não reagirmos à altura contra tais barbaridades e em prevenção a futuros vandalismos, quiçá piorados.

Ativistas, momentos antes de destruírem
uma imagem de Nossa Senhora

Para a salvação dos próprios protestantes temos o dever de mostrar em que pé de ignorância muitos se encontram. Tais vandalismos dos que se dizem fiéis a Deus, equiparam-se em muitos pontos às afrontas daqueles que são inimigos do Deus revelado por Cristo. Atos como os vistos de manifestações dos grupos de feministas e homossexuais durante a Jornada Mundial da Juventude (2013)[v] são exemplos gritantes do que afirmamos. Tais manifestantes, ao quebrar e profanar ícones católicos cometeram gestos repudiáveis e imorais; sim, manifestaram um ódio satânico. 

Que a Virgem Imaculada proteja a Santa Igreja!



Maria Sempre!



Notas de rodapé:

[i] Sérgio Von Helder, pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, durante o programa O Despertar da Fé, exibido na madrugada de 12 de outubro de 1995. 
[ii] MONTFORT, São Luís Maria G. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem. 42ª edição. Petrópolis: Vozes, 2012. Pag. 27. 
[iv] Usamos neste texto o termo “ protestante” de modo geral entendendo a partir dele toda e qualquer denominação tradicional ou não que surgiu a partir da pseudo-reforma iniciada no séc. XVI. 
[v] Ativistas feministas e homossexuais vandalizam imagens. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=zIXDVYZDeFk 


Fontes:

protestantes quebram e urinam em imagem de Nossa senhora. Disponível em: http://www.opipoco.com.br/2014/06/evangelicos-quebram-queimam-e-urinam-em.html
VON HELDER, Sérgio. O Despertar da Fé. Rede Record. 12 de outubro de 1995. Disponível em www.youtube.com/watch?v=WPIoxanOkxI
Protestante é filmado quebrando imagem em SP. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=mQNmGJp_DPM
Ativistas feministas e homossexuais vandalizam imagens. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=zIXDVYZDeFk

sexta-feira, 6 de junho de 2014

APONTAMENTOS SOBRE O PAPADO - Final

Cristo confere autoridade à São Pedro


Prof. Pedro Maria da Cruz

Chegamos, por fim, à última parte do nosso estudo; abordemos pois uma outra questão levantada por críticos do catolicismo: ver Pedro como fundamento da Igreja contradiria a Bíblia, pois segundo esta só haveria um fundamento: Jesus Cristo. Baseiam-se em textos de São Paulo, por exemplo um que afirma: “Ninguém pode por outro fundamento senão o que já foi posto, Jesus Cristo” (1 Cor. 3, 11). 

Ora, não é preciso muita inteligência para descobrir que tal versículo encontra-se em outro contexto, portanto não se contradiz com aquele em que Nosso Senhor, falando da Instituição de Sua Igreja, coloca São Pedro como fundamento. Dizer que um texto contradiz ao outro seria afirmar que Jesus disse uma coisa e o Espírito Santo outra, o que é um absurdo de se supor, pois Deus não entra em contradição.

Além do mais, é comum na Bíblia haver afirmações “majestáticas”- digamos assim - que em outras partes do mesmo texto sagrado permitem variantes de compreensão. Por exemplo, em certo momento afirma Jesus Cristo: “Eu sou a luz do mundo” (Jo. 8,12); entretanto, em outra parte ele garante: “Vós sois a luz do mundo” (Mt. 5, 14). Haveria aqui alguma contradição? Claro que não. Basta entendermos que são expressões pedagógicas ditas em um contexto que exigia certo modo de expressão para melhor significar a mensagem que se pretendia transmitir.

Vejamos outro exemplo. Afirma Nosso Senhor: “Ninguém é bom, só Deus é bom” (Mc. 17,10); todavia, em outra oportunidade Ele mesmo faz o seguinte comentário: “O homem bom, do bom tesouro traz boas coisas” (Mt. 12, 35). De igual modo (mesmo se não levarmos em conta que os textos apresentados pelos críticos do papado estejam em contextos diferentes), podemos entender que afirmar Jesus como o único fundamento não invalida entendermos São Pedro como partícipe no “ser fundamento” do Filho de Deus. 

Por exemplo, os santos participam da santidade de Cristo

É ciente da ideia de “participação” que São Paulo mesmo conhecendo a frase de Cristo: “Ninguém chameis de pai sobre a terra” (Mt. 23,9), não deixa de escrever aos Coríntios: “Ainda que tenhais dez mil irmãos em Cristo, não tereis todavia muitos pais, pois eu sou o que vos gerou em Jesus Cristo” (1 Cor. 4, 15). E, finalmente, em outra parte, mesmo havendo afirmado: “Só a Deus seja a honra e a glória pelos séculos” (1Tm. 1,17), São Paulo não se contradiz ao proclamar o que se segue: “A honra e a glória serão dadas a quem pratica o bem.” (Rm. 2,10). 

Poderíamos perguntar ao Apóstolo: “Ora, é só a Deus a honra e a glória ou é também a todos os que fizerem o bem?” Então, com certeza nos responderia: “A honra e a glória são devidas tão somente a Deus, porém dela participam os que se tornam “um” com Ele; do mesmo modo que é Cristo o fundamento de todas as coisas, mas fez de Pedro o fundamento de sua Igreja tornando-o partícipe de seu poder.” E quando o fez? Simples. Quando afirmou solenemente (e Deus não mente!): “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt. 16, 18).

Finalmente, evitemos tocar aqui na questão se de fato o túmulo de Pedro estaria ou não em Roma. Este é um ponto por demais colocado em nosso favor. Escritores antigos como Clemente Romano; Inácio de Antioquia; Clemente de Alexandria; Orígenes; Cipriano, etc.; são testemunhos que só validam a certeza histórica da Igreja. Houve mesmo quem se viu na obrigação de concluir: “Que São Pedro esteve em Roma é tão claro, que um protestante se sente vexado ao ter que confessar que houve protestante que o negou” (DELLEGRAVE, pg. 79).

Papa venera as relíquias de São Pedro no Vaticano.

Prezados leitores, este artigo já se encontra por demais alongado. Esperamos haver auxiliado ao menos um pouco no esclarecimento quanto a este assunto tão doce e combativo da fé cristã: a Instituição Divina do Papado. Suplicamos a Nossa Senhora que proteja Santo Padre e encha nossos corações de ardor na defesa de seus direitos e deveres. Maria Santíssima! Rogai por nós!


MARIA SEMPRE!



Referência Bibliográfica:


DELLEGRAVE, Geraldo E. O papado é instituição divina. São Paulo: Loyola, 1986. 

CRUZ, Prof. Pedro M. A verdadeira Igreja de Cristo. SSVM.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

2 CIVILIZAÇÕES E O "TELOS" DO HOMEM

Cidade de Dijon, França.
Por Monsenhor Henri Delassus * 
O Syllabus de Pio IX termina com esta proposição condenável e condenada: O Pontífice romano pode e deve se reconciliar e transigir com o progresso, o liberalismo e a civilização moderna”.

A última proposição do decreto que se chamou o Syllabus de Pio X, proposição igualmente condenável e condenada, está concebida assim: O catolicismo de hoje não se pode conciliar com a verdadeira ciência, a menos que se transforme num cristianismo não dogmático, isto é, num protestantismo sábio e liberal”.

Sem dúvida não foi sem intenção que essas duas proposições receberam, num e noutro Syllabus, este lugar, o último, aparecendo aí como conclusão. Dá-se que, com efeito, essas proposições resumem as precedentes e precisam-lhes o espírito.1 É necessário que a Igreja se reconcilie com a civilização moderna. E a base proposta para essa reconciliação é, não a aceitação dos dados da verdadeira ciência, que a Igreja jamais repudiou, que Ela sempre favoreceu, cujos progressos Ela sempre aplaudiu e para o qual contribuiu mais do que qualquer outra instituição; mas o abandono da verdade revelada, abandono que transformaria o catolicismo num protestantismo largo e liberal, no qual todos os homens pudessem se reencontrar, quaisquer que fossem suas idéias a respeito de Deus, de Suas revelações e de Seus mandamentos. Dizem os modernistas que é apenas através desse liberalismo que a Igreja pode ver novos dias se abrirem diante dEla, obter a honra de entrar nas vias da civilização moderna e marchar junto com o progresso.

Todos os erros assinalados num e noutro Syllabus apresentam-se como as diversas cláusulas do tratado proposto à assinatura da Igreja para essa reconciliação com o mundo, para sua admissão na cidade moderna. 

Civilização moderna. Existe, pois, civilização e civilização? Existiu, portanto, antes da era dita moderna uma civilização diversa daquela que o mundo de nossos dias usufrui, ou pelo menos, persegue?

Com efeito, existiu, e existe ainda na França e na Europa, uma civilização chamada civilização cristã.

Que motivo faz com que essas duas civilizações se diferenciem?

Elas se diferenciam pela concepção que têm do fim último do homem, e dos efeitos diversos e mesmo opostos que uma e outra concepção produzem assim na ordem social como na ordem privada.

Santo Agostinho e as duas cidades.
O objetivo último do homem é ser feliz”,2 diz Bossuet. Isto não é exclusivo dele: é o fim para o qual tendem todas as inteligências, sem exceção. O grande orador não falha em reconhecer isso: “As naturezas inteligentes não têm vontade nem desejo  senão para sua felicidade”. E acrescenta: “Nada de mais razoável, porque o que há de melhor do que desejar o bem, quer dizer, a felicidade?”3 Assim, encontramos no coração do homem um impulso invencível, que o impele a procurar a felicidade. Se quisesse, não poderia se desfazer dele. É o fundo de todos os seus pensamentos, o grande móvel de todas as suas ações; e mesmo quando ele se atira à morte, é por estar persuadido de achar no nada uma sorte preferível àquela na qual ele se vê. 

O homem pode se enganar, e de fato ele se engana muito freqüentemente na busca da felicidade, na escolha da via que deve levá-lo a ela. “Colocar a felicidade onde ela está é a fonte de todo o bem, diz ainda Bossuet; e a fonte de todo o mal consiste em colocá-la onde não é preciso”.4 Isto é tão verdadeiro para a sociedade como para o homem individual. O impulso em direção à felicidade vem do Criador, e Deus nele acrescenta Sua luz para iluminar o caminho, diretamente por Sua graça, indiretamente pelos ensinamentos de Sua Igreja. Mas pertence ao homem, indivíduo ou sociedade, pertence ao livre arbítrio dirigir-se, ir buscar sua felicidade ali onde lhe agrada colocá-la, no que é realmente bom, e, acima de toda bondade, no Bem absoluto, Deus; ou naquilo que têm apenas as aparências do bem, ou que não é senão um bem relativo. 

Desde a criação do gênero humano o homem se desviou do bom caminho. Ao invés de crer na palavra de Deus e de obedecer à Sua determinação, Adão deu ouvidos à voz encantadora que lhe dizia para colocar seu fim nele mesmo, na satisfação de sua sensualidade, nas ambições de seu orgulho. “Sereis como deuses”; o fruto da árvore era bom de comer, belo de ver, e de um aspecto que excitava o desejo”. Tendo assim se desviado desde o primeiro passo, Adão arrastou sua descendência na direção que ele acabava de tomar. 

Nessa direção ela caminhou, nessa direção ela avançou, nessa direção ela submergiu durante longos séculos. A história aí está para contar os males que ela encontrou nesse longo extravio. Deus teve piedade dela. No Seu conselho de infinita misericórdia e de infinita sabedoria, Ele resolveu recolocar o homem sobre o caminho da felicidade. E a fim de tornar Sua intervenção mais eficaz, Ele quis que uma Pessoa divina viesse sobre a terra mostrar o caminho por Sua palavra, tocar os homens por Seu exemplo. O Verbo de Deus se encarnou e veio passar trinta e três anos entre nós, para nos tirar da via da perdição e para nos abrir a estrada de uma felicidade não enganosa. 

Suas palavras e Seus atos derrubavam todas as idéias até então aceitas. Ele dizia: Bem-aventurados os pobres! Bem-aventurados os mansos, os pacíficos, os misericordiosos! Bem-aventurados os puros! Até a vinda dEle, dizia-se: Bem aventurados os ricos! Bem-aventurados aqueles que dominam! Bem-aventurados os que vivem sem nada recusar às suas paixões! Ele tinha nascido em um estábulo, fizera-Se o servidor de todos, sofrera morte e paixão, a fim de que não se considerassem suas palavras meras declamações, mas lições, as mais persuasivas lições que possam ser concebidas, dadas que eram por um Deus, e um Deus que Se aniquilou por amor a nós. 

Jesus e o jovem rico. Marcos 10,17-22.
Ele quis perpetuar essas lições, torná-las sempre expressivas e operantes aos olhos e nos ouvidos de todas as gerações que deviam vir. Para isso Ele fundou a Santa Igreja. Estabelecida no centro da humanidade, Ela não cessou, pelos ensinamentos de seus doutores e pelos exemplos de seus santos, de dizer a todos os que Ela viu passar sob seus olhos: “Procurais, ó mortais, a felicidade, e procurais uma coisa boa; ficai atentos apenas para não procurardes onde ela não está. Vós a procurais na terra, mas não é aí que ela está estabelecida, nem aí que se encontram esses dias felizes dos quais nos falou o divino Salmista: Diligit dies videre bonos... Aí estão os dias de miséria, os dias de suor e de trabalhos, os dias de gemidos e de penitência, aos quais nós podemos aplicar as palavras do profeta Isaías: “Meu povo. Os que te dizem feliz, abusam de ti e perturbam tua conduta”. E ainda: “Os que fazem o povo acreditar que é feliz, são enganadores”. Pois onde se encontra a felicidade e a verdadeira vida, senão na terra dos vivos? Quem são os homens felizes, senão aqueles que estão com Deus? Esses vêem dias bonitos, porque Deus é a luz que os ilumina. Esses vivem na abundância, porque Deus é o tesouro que os enriquece. Esses, enfim, são felizes, porque Deus é o bem que os contenta e que, somente Ele, é tudo para todos”.5

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1-  Por ocasião da deliberação da lei sobre a liberdade do ensino superior, Challemel-Lacourt disse: “As universidades católicas quererão preparar nos futuros médicos, advogados e magistrados, auxiliares do espírito católico que procurarão sustentar e aplicar os princípios do Syllabus. Ora, a França, na sua grande maioria, considera as proposições condenadas pelo Syllabus como os próprios fundamentos da nossa sociedade”.

2- Meditações sobre o Evangelho.

3- Oeuvres oratoires de Bossuet. Edição crítica e completa, pelo abade J. Lebarq. Sermão para a Festa de Todos os Santos, v. 325.

4- Meditações sobre o Evangelho.

5-  Oeuvres oratoires de Bossuet. Sermão para a Festa de Todos os Santos, v. 325.


* Fonte: A Conjuração Antricristã, Tomo I, Monsenhor Henri Delassus, Doutor em Teologia.
Traduzido do original francês: “La Conjuration Antichrétienne - Le Temple Maçonnique  voulant s'élever sur les ruines de l'Église Catholique”, impresso por Societé Saint-Augustin Desclée, De Brouwer et Cie. LILLE, 41, Rue du Metz. NIHIL OBSTAT: Insulis, die 11 Novembris 1910. H. QUILLIET, s. th. d. librorum censor

domingo, 25 de maio de 2014

O QUE É O PECADO ORIGINAL

Quadro de Cornelis van Haarlem
retratando o pecado original


Por Helmer Ézion S. Souza


Segue abaixo interessante texto escrito pelo Reverendo Padre Julio Maria, missionário de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento. As linhas aqui expostas foram retiradas de seu livro “A mulher e a serpente” (1930), onde apresenta de modo fácil e ardoroso, substanciosas defesas contra inúmeros ataques daqueles que perseguem a única e verdadeira Igreja de N. Sr. Jesus Cristo.

Desejamos aos nossos leitores uma excelente reflexão! Maria Sempre!


†††



“Quando Deus creou os nossos primeiros pais Adão e Eva, outorgou-lhes dons de três qualidades, naturais, sobrenaturais e preternaturais; este estado é chamado: o estado de inocência, ou estado de justiça original.

O Creador, para lembrar aos nossos primeiros pais a sua dependência de creatura, proibiu-lhes que comessem do fruto da árvore do bem e do mal (Gen.II. 17).

Adão e Eva desobedeceram a Deus, e esta desobediência constitui o pecado original. Tudo isso figura na Bíblia (Gen.III. 6).

O tal pecado, sendo cometido pelo primeiro homem, passa a toda a sua posteridade. «Adão viveu, diz a Bíblia, e gerou a sua semelhança e conforme a sua imagem» (Gen. V. 3). Adão pecador, gerou outro pecador.

E lógico. Por um só homem, entrou o pecado no mundo, diz S. Paulo (Rom V. 12).

Todos nós, como filhos de Adão e Eva, nascemos com a alma manchada pelo pecado original.
Adão e Eva sendo expulsos do paraíso

O testemunho de São Paulo é explícito. «Assim como o pecado entrou no mundo por um só homem e pelo pecado a morte, assim também passou a morte a todos os homens, porque todos pecaram num só. (Rom V. 12).

Segundo São Paulo, houve, pois, pecado num homem só, e este pecado, com as consequências tornou-se universal, transmitido a todas as gerações. É o que fazia dizer ao Santo Rei David: Fui gerado na iniqüidade, e minha mãe concebeu-me no pecado. (Sal.50.7)

Eis a lei geral: Todos o homens, como filhos de um pai decaído, como o era Adão, nascem decaídos, do mesmo modo como de um Rei decaído, nascem filhos decaídos.”




                                               †††



Referência bibliográfica:


MARIA, Padre Julio. A mulher e a serpente. Manhumirim: O lutador, 1930. Pág. 10 -11.

terça-feira, 20 de maio de 2014

APONTAMENTOS SOBRE O PAPADO - Parte III

S.S. Pio XII em sua sedia gestatória.
“Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (São Mateus)



Prof. Pedro Maria da Cruz

Abordemos rapidamente algumas questões levantadas por críticos do papado. Acreditamos que será de grande utilidade para todos nós que pugnamos na defesa das coisas de Deus. Sabemos das muitas barreiras que são colocadas perante os olhos de católicos sinceros tantas vezes mal formados por certa catequese superficial e desnorteada. 

Uma questão levantada refere-se à antiguidade do exercício da autoridade do Bispo de Roma (o papa) sobre a Igreja universal. Afirmam os desinformados que o papado seria uma instituição medieval inventada pela Igreja Católica (ou mesmo pelo Império Romano) como forma de centralização do poder. 

...ora, jamais poderiam ser verdadeiras tais afirmações. 

Há provas cabais de que o exercício de poder dos Bispos de Roma - os papas – remonta inclusive ao primeiro século da era cristã; o que prova sua irrefutável continuidade em relação à autoridade de São Pedro. 

Tiara papal
O pensador G. E. Dellegrave, em sua interessante obra por nós já citada, apresenta uma série de interferências papais nos cinco primeiros séculos da era cristã, o que comprova nossa assertiva. De acordo com ele, já no primeiro século da era cristã o papa Clemente Romano, terceiro sucessor de São Pedro, escreve aos Corintos resolvendo desavenças locais. Segundo consta, quem não obedecesse à sua carta incorreria em falta e se envolveria em grande perigo (DELLEGRAVE, pg. 100). Que bispo poderia interferir em outras comunidades cristãs senão o sucessor de Pedro? Afinal, só ele possuía autoridade sobre toda a Igreja e não simplesmente sobre seu rebanho local.

No século segundo o papa São Vitor ordenou aos bispos de todo o mundo cristão que se reunissem em Concilio para estabelecer definitivamente o dia da celebração pascal; e mais, ameaça de excomunhão aqueles que ousarem não obedecer a suas determinações como sucessor de São Pedro. Vemos aqui a clara manifestação do poder de jurisdição do papa sobre todas as Igrejas, independente do lugar onde estejam.

O papa São Calixto no século terceiro condena heresias (Patripassianos) e manifesta sua autoridade universal fazendo determinações para a África, depondo, inclusive bispos. Quem poderia fazer isso e ser respeitado como passível de fazê-lo senão o sucessor do próprio São Pedro, chefe de todas as Igrejas cristãs? 

No século quarto com o papa Júlio I, percebemos a consciência tanto do ocidente quanto do oriente no que tange à autoridade papal, pois é explicitado com clareza que é de Roma que se deve decretar o que é ideal para a Igreja como um todo (DELLEGRAVE, pg. 102). 

As duas chaves: símbolo do poder
temporal e espiritual
Finalmente, no século quinto, o papa Bonifácio I afirma numa carta com ousadia aos bispos da Tessália:“É certa por palavra divina que a Igreja romana é a cabeça de todas as Igrejas disseminadas no mundo; quem dela se aparta desmembra-se da religião cristã [...]” (DELLEGRAVE, pg. 103). Poderíamos citar muitos outros exemplos, como aqueles que estão apresentados em nosso livro “A verdadeira Igreja de Cristo”, composto pela Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM, porém cremos que esses bastam para demonstrar aos nossos leitores o quanto é infundada a opinião de que o papado teria surgido na Idade Média ou que teria sido criado pelo Império Romano como forma de dominação universal. Temos assim mais uma prova de como são infundados certos ataques dos inimigos da Igreja Católica. 

Cremos que esta primeira questão está por demais esclarecida. Deixamos para uma quarta e última parte a conclusão desta nossa série de artigos referentes ao papado. Nossa Sra. De Las Lajes! Rogai por nós!

MARIA SEMPRE!


Referência Bibliográfica

DELLEGRAVE, Geraldo E. O papado é instituição divina. São Paulo: Loyola, 1986. 

CRUZ, Prof. Pedro M. A verdadeira Igreja de Cristo. SSVM.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

DA BOA E MÁ TRISTEZA

São Francisco de Sales

A tristeza pode ser boa ou má.
A tristeza que vem de Deus, diz São Paulo, opera a penitência para a salvação; e a tristeza que vem do mundo opera a morte. A tristeza pode pois ser boa ou má, segundo os efeitos que em nós produz. É verdade que há mais efeitos maus do que bons; porque só há dois bons: misericórdia e penitência; e seis maus: angústia, preguiça, indignação, inveja, impaciência e ciúme. É por isso que diz o sábio: "A tristeza mata muita gente, e nada com ela ganhamos"; porque há dois bons regatos que dele provém, há seis maus.

O inimigo serve-se da tristeza para exercitar a perseverança dos bons; porque, assim como procura alegrar os maus no pecado, procura entristecer os bons nas boas obras; e assim como não pode atrair para o mal senão tornando-o agradável, também não pode afastar do bem, senão tornando-o aborrecido.
O demônio só pede tristeza e melancolia; porque assim como ele está para toda a eternidade triste e melancólico, assim desejaria que todos o estivessem também.
A tristeza má perturba a alma e inquieta-a, incute-lhe temores desregrados, afasta-a da oração; atormenta o cérebro, e priva a alma do conselho, resolução, juízo e coragem, absorvendo-lhe completamente as forças. Em breve tempo estará como um rigoroso inverno, que apaga toda a beleza da terra e atormenta todos os animais; porque priva a alma de toda a consolação e torna impotentes as suas faculdades.
O rei Davi não se queixa só da tristeza, quando diz: "Porque estas triste, minha alma?", mas somente do custo e da vacilação dizendo: "Porque te perturbas?" A tristeza boa deixa uma grande paz e tranquilidade no espírito. É por isso que Nosso Senhor, dizendo aos seus apóstolos: "Vós estareis tristes", acrescenta: "não se perturbe o vosso coração; nada temais". Eis que a minha grande amargura esta em paz, diz Isaías.
A tristeza má vem como saraiva, com uma mudança inopinada e grandes terrores e impetuosidade, e de repente, sem que se possa dizer donde vem, porque não se deixa adivinhar. Entretanto que a tristeza boa chega docemente à alma, como uma chuva fina, que tempera os ardores das consolações, e com algumas razões precedentes.
A tristeza má perde o coração e atormenta-o tornando-o inútil, fazendo-lhe perder o cuidado das boas obras, como diz o salmista, e como Agar, que deixou o filho debaixo da árvore para chorar. A tristeza boa dá força e coragem, e não deixa nem abandona um bom desígnio; esta foi a tristeza de Nosso Senhor, que embora fosse a maior que existiu, não lhe impediu a oração nem o cuidado dos seus apóstolos. E Nossa Senhora, tendo perdido seu filho, ficou muito triste; mas nem por isso deixou de o procurar com diligência, como também fez Madalena, sem se demorar a lamentar-se e chorar inutilmente.
A tristeza pecaminosa obscurece o entendimento, priva as almas de conselho, de resolução e discernimento, como sucede aqueles de quem diz o Salmista que "os perturbaram e abalaram como um ébrio, e ficaram privados de sabedoria"(Salmo CVI, 27). Procuram-se remédios aqui e além, confusamente sem tino e às apalpadelas. A tristeza santa abre o espírito, torna-o claro e luminoso, e como diz o Salmista, dá inteligência.
A pecaminosa impede a oração e a contemplação, e faz desconfiar da benignidade divina; pelo contrário a santa fortalece-nos na bondade de Deus, e impele-nos a invocar a sua misericórdia. "As tribulações e angústias perturbaram-me; mas os vossos mandamentos foram a minha meditação".
Em suma, os que estão possuídos da tristeza pecaminosa mergulham-se em uma infinidade de horrores, erros e temores inúteis, receando ser abandonados por Deus de incorrerem na sua desgraça e de se lhe não apresentaram para lhe pedir perdão. Tudo lhe parece contrário à sua salvação; são como Caim, que pensava que todos os que encontrava o queriam matar. Julgam que Deus será injusto e severo só com eles por toda a eternidade; pensam que os outros são muito mais felizes do que eles. É da soberba que provém tal crença a qual lhes persuade que deveriam ser muito melhores do que os outros e mais perfeitos do que ninguém.
A tristeza santa, porém discorre assim; "Sou uma criatura miserável, vil, e abjeta: logo Deus usará de misericórdia para comigo; porque a virtude acrisola-se na doença, e não se aflige por ser pobre, miserável."
Ora o fundamento da oposição que se oferece entre a boa e má tristeza, é que o Espírito Santo é o autor da tristeza santa e por ser o único consolador, as suas operações trazem consigo luz e claridade. Por consequência, essas operações são inseparáveis do verdadeiro bem; porque os frutos do Espírito Santo, diz São Paulo, são: caridade, gozo, paz, paciência, begnidade, longaminidade.
Pelo contrário, o espírito maligno, autor da má tristeza, (porque não aludo à tristeza natural que tem mais necessidade de medicina do que de teologia) é um verdadeiro estrago, tenebroso e aniquilador, e os seus frutos só podem ser: ódio, tristeza, inquietação, pesar, malignidade e desalento. Ora todos os sinais da tristeza má são os mesmos que os do mau temor.

MARIA SEMPRE!


Fonte: São Francismo de Sales, Livro Filotéia.