segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O ESCRITOR G.K. CHESTERTON


Por Gustavo Nogy


Tanto já se disse acerca de Gilbert Keith Chesterton, que qualquer outra coisa que se escreva a seu respeito muito provavelmente não será mais do que lugar-comum. Ocorre que os clichês não deixam de ser verdadeiros por serem clichês, e uma verdade dita mais de uma vez não deixa de ser verdade, a despeito do nosso tédio. Dizer que Chesterton é grande, e grande a ponto de ser incontornável, é dessas verdades que, ditas uma, dez ou mil vezes, continuam a causar estupor.

O século XX foi pródigo em escritores e moralistas sombrios, como se ao século correspondessem seus cronistas. O mundo ardia e, muito compreensivelmente, as almas ardiam com o mundo. Mas Chesterton foi um tipo especial de escritor e de moralista. Foi, dos escritores geniais, o menos literário; e, entre os moralistas, o menos farisaico. 

Ele escrevia livros e artigos com a facilidade com que trocamos ofensas, e sempre estava atento à menor possibilidade de um duelo; se o desafiassem, logo escolhia suas armas: as palavras, as parábolas, os quase inacreditáveis paradoxos que dominava com mestria alucinante.

Mas Chesterton foi também o mais alegre dos moralistas cristãos, e moralista de um modo tão peculiar que seria capaz de convencer, e ajudar a converter, o mais acabrunhado dos ateus. Ele percebeu que num ateu havia mais de acabrunhamento que de ateísmo. 

A história de sua conversão ao cristianismo é a história da conversão que toda alma deveria desejar: o retorno feliz, satisfeito e sinceramente ingênuo à Casa donde não deveríamos ter saído. “Tentei criar uma nova heresia, mas quando lhe dava os últimos retoques, descobri que era a Ortodoxia.

MARIA SEMPRE!



terça-feira, 24 de dezembro de 2013

UM FELIZ NATAL!

"Pelo mistério do Verbo feito carne, de vossa luminosidade, surgiu uma nova luz para deslumbrar os olhos de nossas almas, a fim de que tornando-se Deus visível a nós, nos possamos elevar ao amor das coisas invisíveis"
(Prefácio da Missa de Natal)


Abaixo, uma animação antiga, simples, mas que mostra o verdadeiro espírito de Natal, vale a pena acompanhar!


A Sociedade da Santíssima Virgem Maria deseja a todos um santo e feliz Natal. Que o menino Deus reine em cada coração!

Salve Maria Santíssima!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

MARTINHO LUTERO E OS ANTOLHOS



Por Leonardo Nunes


Diversas são as linguagens utilizadas, mas uma só é a palavra anunciada. Lutero foi um cara que descobriu como por antolhos na cabeça de muita gente e até hoje continuam sendo utilizados. 

Mas o que são antolhos? Antolhos são viseiras que são colocadas na cabeça dos cavalos para serem guiados mais tranquilamente sem o risco daqueles se assustarem com possíveis vultos no meio do percurso. Veja que são os cavalos que usam, porque quem guia sabe exatamente aonde vai. Mas o que eu quero dizer? 

Não há dúvidas de que existe linguagem visual ou imagética, linguagem oral, linguagem escrita, linguagem verbal, não verbal, de programação, linguagem corporal, musical e uma série de outras que eu não me lembro ou desconheço, são tantos tipos de linguagem que Lutero, nosso "desbravador", resolveu então facilitar a vida do seus seguidores evitando que eles vissem o que ocorria a sua volta (para não se assustarem). A partir de então só a linguagem escrita tornou-se válida, e um novo conceito foi criado: "Deus só fala por meio da palavra escrita, o que Jesus disse só vale se estiver escrito, o que os apóstolos fizeram só é relevante se estiver escrito, a sagrada Tradição é irrelevante pois eu só enxergo aquilo que está escrito, inclusive só vou me comunicar com meus filhos e familiares por meio de cartas, nada de fotos, nada de comunicação por meio da arte, escultura nem pensar, nada de palavras faladas, só escritas, e ai de Deus se ele tentar falar por outro meio que não seja a palavra escrita". 

E Lutero disse: "Façamos assim" e assim foi feito, façamos porque com certeza ele não fez sozinho! E Lutero se foi, mas até hoje "continua entre nós", guiando seu povo... Pois é! Já que os olhos estão tapados, parece que as pessoas precisam abrir bem os ouvidos para realmente ouvirem a voz do verdadeiro e único Pastor e entender que a bíblia toda fala de Cristo, que a Igreja fala de Cristo, que a Santa Tradição fala de Cristo, que os Santos falam de Cristo e que Deus fala conosco através de cada uma dessas linguagens utilizadas para anunciar uma única Palavra: o Cristo.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

NOVENA A VIRGEM DE GUADALUPE


Começamos hoje a novena de Nossa Senhor ade Guadalupe, padroeira do México e da América latina. Também, nós, Apostolado SSVM a temos com estima especial, a invocamos por este ano que está chegando ao seu término e pelo próximo com tantos projetos de apostolado. 
Que a Virgem Santíssima nos auxilie em tudo que realizarmos para maior honra e glória de Deus!

Salve Maria Santíssima!



Ó gloriosa Mãe de Deus, Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira das Américas, Vós sois nossa mãe compassiva, Curai nossas penas, nossas misérias e dores.

Acolhei-nos no aconchego do Vosso manto.

Escutai mãe as nossas preces.

(Faça o seu pedido)

Amparai os doentes e desempregados.

Abençoai nossas casas e as nossas famílias.

Protegei nossos filhos, livrando-os das maldades e dos perigos desse mundo.

Guardai nossos lares escondendo-os dos olhos dos maus.

Que neles o nome de Deus seja sempre invocado com respeito e amor.

Que os seus mandamentos sejam observados com fidelidade.

Que Vosso bendito nome, ó Mãe querida, seja sempre lembrado com muita devoção.

Que a palavra de Deus seja sempre meditada, e seguida todos os dias da nossa vida.

Que a nossa obediência a Vosso Filho Jesus, exale como rosa um perfume de santidade. 

Amém.

Rezar Pai-nosso, Ave-Maria e Glória.

Repita-se a oração durante nove dias.


terça-feira, 12 de novembro de 2013

A CONVERSÃO DOS NORMANDOS

Monte Saint Michel e sua abadia e igreja beneditina, Normandia - França.

Prof. Pietro Mariano dos Santos



Reinava na Igreja de Roma o papa Anastácio III (911-913) louvado pela doçura de seu governo, sabedoria e prudência. Durante seu pontificado, num século tão atacado pelos inimigos da religião católica, ocorreu um fato de extraordinária Beleza: A conversão dos Normandos.

“O século décimo da era cristã é dos mais desgraçados que a humanidade teve de atravessar; respirava por toda parte a confusão (...) eram tais as calamidades que deu-se a este século o nome de século de ferro.”( CHANTREL, J. História dos papas. Vol. II. pg. 7).

Rollon, o mais temível chefe dos Normandos, que assolava as costas ocidentais da França, acabava de sofrer uma derrota perto de Chartrès. Carlos, o simples, com muita astúcia percebeu que era hora propícia para entabular negociações com o líder bárbaro. Para tal empreendimento, enviou Francon, arcebispo de Ruão. O eclesiástico dissera palavras tão belas e acertadas que logrou convencer o feroz normando. Carlos, o simples, daria a Rollon, além de terras, a mão de sua filha Gisela.

Rollon, o feroz normando, converte-se ao catolicismo. Instruído e batizado por Francon, em dado momento diz estas belíssimas palavras: “Antes de repartir as minhas pelos meus súditos, quero dar uma parte delas a Deus, à Virgem Maria e aos santos que desejo ter por meus protetores”.

O lobo transformara-se em cordeiro. Rollon povoou as cidades, restaurou igrejas, fez reflorescer a religião, entre muitos outros feitos gloriosos. Os normandos que até ali só haviam roubado e matado fundariam sólidos estabelecimentos na Inglaterra e ao sul da Itália, além de, no futuro, alcançar muita glória lutando nas cruzadas. De fato, a conversão dos normandos foi uma das grandes conquistas da Igreja no século X, tão caluniada pelos inimigos da verdadeira fé.

SS: Mater Boni Consili, ora pro nobis!

Referência: CHANTREL, J. História dos papas. II. tomo.Guimarães livraria internacional, 1878. Pg.22-23

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

OLAVO: CATÓLICOS E A INQUISIÇÃO


Segue algumas respostas via facebook do filósofo Olavo de Carvalho em referência ao ativista protestante e pró-família Júlio Severo. Este último, polemizou contra católicos conservadores nas redes sociais ao ataca-los sob pretexto dos velhos chavões quanto a Inquisição na Idade média. Vale lembrar que tanto o Júlio Severo como o Olavo de Carvalho são conservadores, publicam no Mídia Sem Mascara, moram fora do Brasil e batalham contra a revolução cultural (aborto, gayzismo, esquerdismo, feminismo, etc.). Contudo, diferentemente do filósofo, aquele é protestante, como consequência, trás consigo velhos preconceitos contra a fé católica e volta e meia faz o "fogo amigo".

São respostas informais postadas na rede social no dia 23 e 24 deste mês de Outubro de 2013, trazemos aqui porque analogamente servem para qualquer católico voltá-las aos colegas protestantes, ateus (ou até mesmo católicos) que vez ou outra objetam na lenda negra da Inquisição para justificar sua oposição a Igreja. Recordamos, nada como conhecer os bons livros e historiadores para fazer frente às superficiais e batidas acusações contra a Inquisição católica.



"É pura hipocrisia do Julio alegar que não está contra os católicos, só contra os que "defendem a Inquisição". O que está aí subentendido é que a Inquisição matou MILHÕES DE PESSOAS INOCENTES; que isso é uma realidade histórica comprovada; que negá-lo é "defender a Inquisição" e defender portanto a prática do genocídio. É uma lógica perversa que bloqueia a discussão, a averiguação dos fatos, condenando-a previamente como crime. É o mesmo raciocínio gayzista: quando acusado de homofóbico, defender-se é prova de homofobia. No entender do Julio, bons católicos são só os que aceitam condenar a Igreja como genocida por conta da Inquisição, Se você nega que houve genocídio, isto faz de você um apologista do genocídio. Quem quer que use esse truque verbal é um canalha, um vigarista em toda a linha." 

" O Julio nunca foi um homem inteligente, nem intelectualmente sério. Disse algumas verdades sobre gayzismo e aborto, mas nunca o vi fazer qualquer esforço cognitivo além do estritamente necessário para repetir argumentos de domínio público. Ser cristão, estar do lado certo, não basta para tornar você uma pessoa intelectualmente responsável, muito menos alguém digno de admiração. Se há algo de admirável no Julio é a sua coragem e persistência, mas isso não basta para fazer dele um opinador confiável e honesto. A qualidade de um ser humano não se mede pela causa que defende, mas pelos valores pessoais com que ele enriquece ou empobrece a causa. O Julio enriqueceu a causa cristã com a sua tenacidade pessoal e resistência à perseguição, mas a emporcalhou com a mentira, com a difamação de inocentes, com a ingratidão aos católicos e com a presunção de opinar sobre assuntos que desconhece." 

" Henry Kamen, historiador judeu, diz que não descobriu nenhum processo onde os inquisidores mostrassem má-fé ou sanha em condenar. A Inquisição é culpada de injustiças, como por exemplo a condenação de Joana d'Arc por crimes que não cometera, ou de João Huss por doutrinas que não eram dele. Mas em geral era muito mais prudente e criteriosa, ao lançar acusações de heresia do que qualquer desses garotos da Monfort. E decerto mais idônea na busca da verdade do que o Julio Severo. Grandes santos da Igreja foram inquisidores, como S. Bernardo de Clairvaux, S. Pedro Mártir e S. Roberto Belarmino. Se "a Igreja Católica", uma instituição universal, não tem autoridade para falar contra o aborto, que autoridade terá o Julio para falar desses homens?" 

" Até mesmo na imagem popular das fogueiras da Inquisição a falsidade domina. Todo mundo acredita que os condenados "morriam queimados", entre dores horríveis. As fogueiras eram altas, mais de cinco metros de altura, para que isso jamais acontecesse. Os condenados (menos de dez por ano em duas dúzias de países) morriam sufocados em poucos minutos, antes que as chamas os atingissem." 

" Outro fato fundamental é que, na imaginação popular, a Inquisição julgava civis inermes, por "delito de opinião". As heresias, ao contrário, eram geralmente movimentos de rebelião armada e, no total, mataram muito mais gente do que todas as inquisições somadas. Só a rebelião dos taboritas, na Checoslováquia, ganha longe." 

" Já avisei que, em vista da situação do Julio Severo, exilado e perseguido, não me sinto animado a polemizar com ele. Apenas coloquei aqui umas notas breves para dar ciência de que o ataque dele aos católicos não passou despercebido. Mas não proíbo ninguém de entrar na briga em defesa da Igreja Católica. Só peço encarecidamente aos eventuais defensores do Julio que não insistam nessa conversa boba de que ele não atacou os católicos, mas só os "defensores da Inquisição". Desde logo, os termos "ataque" e "defesa" são impróprios quando se fala de uma entidade extinta, tão impossibilitada de argumentar em causa própria quanto de agir de qualquer outra maneira, para o mal ou para o bem. Em segundo lugar, não faz sentido um católico submeter-se ao julgamento de um protestante que se acha habilitado a separar pontificalmente os "maus" e os "bons" católicos, admitindo entre estes últimos somente aqueles que consintam em fazer-lhe coro acusando a Igreja dos mesmos crimes que ele lhe imputa. Presunção tanto mais insultuosa e demencial porque, no mesmo ato, já condena como "defensores da Inquisição", portanto como cúmplices "ex post facto" dos crimes imputados a essa entidade, todos aqueles que tenham o desplante de levar em conta o estado atual da pesquisa historiográfica que impugnou a quase totalidade dessas acusações; e porque, num paroxismo de fanatismo acusatório, proíbe antecipadamente, como "defesa da Inquisição" toda tentativa de comparar a violência dos inquisidores com a dos heréticos que eles combatiam, os quais ficam assim admitidos implicitamente como vítimas inermes, quando na verdade mataram mais gente em poucos anos (só na Alemanha e na Tchecoslováquia, por exemplo) do que todas as inquisições somadas mataram em quatro séculos numa dúzia de países. O ataque empreendido por Julio Severo não se volta assim contra uma entidade extinta, mas contra os católicos atuais que ousem, na esteira da melhor historiografia contemporânea, tentar desfazer uma "lenda negra" que, esta sim, tem servido de instrumento mortífero nas mãos de tiranos e genocidas desde há mais de dois séculos, e serve ainda. Julio Severo não tem perdão enquanto não pedir perdão." 


" O problema do Julio é simples: ele não tem consciência clara das suas limitações intelectuais, não faz um esforço para transcendê-las e por isso acaba emitindo julgamentos sobre coisas que estão acima do seu alcance. Ele não é mais errado, nisso, do que a maioria dos opinadores brasileiros. Sua fé e sua coragem indiscutíveis falam em favor dele, mas não o elevam acima do grau 3 da escala Kohlberg."

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

ENTREVISTA COM ACÓLITO DA MISSA TRIDENTINA EM MONTES CLAROS - MG

O acólito Lucas e Pe. Henrique Munaiz em 24/08/2013,
 um ano de retorno da Missa Tridentina em Montes Claros-MG.

Entrevista da Sociedade da Santíssima Virgem Maria (SSVM) com o confrade Lucas Silva, 16 anos de idade, acólito e obreiro da Missa Tridentina em Montes Claros-MG.


SSVM: Prezado Lucas, como conheceu a Santa Missa Tridentina?



Lucas S.: Como a maior parte dos jovens que assistem ao Rito Tridentino eu o conheci através da internet. No início do meu processo de conversão gostava muito de frequentar sites católicos, acabei me identificando com correntes mais tradicionais e conheci a beleza do rito Tridentino através deles. Lembro- me que um dia através de um desses sites tive a notícia que estava acontecendo a Missa Tridentina na minha cidade, então comecei a frequentar e como aquilo que é belo sempre atrai não deixei mais de participar dessa Missa.

SSVM: Diga para nós um pouco desta experiência de servir a Deus no altar, sobretudo pela Santa Missa no rito gregoriano.

Lucas S.: Servir a Nosso Senhor no altar no Rito Tridentino me fez abandonar aquela mentalidade ativista que eu tinha muitas vezes quando exercia funções no Rito de Paulo VI. A Missa até então era para mim um encontro com a comunidade em que cada um exerce uma função; a partir do momento que participei pela primeira vez da Missa Tridentina comecei a ver o sacrifício eucarístico como um encontro com Deus. Não vou mais a Missa apenas para exercer funções e me destacar na comunidade, vou a Missa para adorar, pedir e servir a Deus e sei que Nosso Senhor usa de mim na Missa para que ela possa acontecer e porque é o principal meio que Ele usa para derramar suas graças.

Ser acólito na Missa é ao mesmo tempo ser o Cirineu que ajuda Jesus a carregar a Cruz e a Virgem Maria e São João que estão aos pés do Senhor. A Sagrada Liturgia é o sustento da Igreja e do mundo, é o “apostolado dos apostolados” então se fizermos de tudo para que ela aconteça e seja bem celebrada (principalmente interiormente) estaremos fazendo um grande favor a Igreja e ao mundo.

SSVM: O que tem a dizer aos jovens de tua idade que não conhecem (ou conhecem só por "ouvi falar") a Missa Tridentina? E, como reconciliar a vida cotidiana (trabalho, estudos, família, amigos) com o serviço a Deus?

Lucas S.: Aos jovens como eu, gostaria de convidá-los a vivenciarem essa graça que é a Missa Tridentina. Não é uma volta ao passado ou um evento cultural para lembrar os velhos tempos; mas é a Presença viva do Cristo no meio da Sua Igreja que se entrega por nós no Altar. 

Viver a nossa vida como um prolongamento da Ação de graças depois da Missa deve ser o nosso ideal. Não devemos resumir a nossa vida de fé apenas aos momentos em que estamos na Igreja. Devemos fazer tudo por amor de Deus e por isso buscar fazer da melhor forma possível. Dedicação nos estudos, compromisso no trabalho, honrar aos pais e avós, e relacionamento com os amigos; não são obstáculos que nos impedem de irmos até Deus, se fizermos de toda a nossa vida um “trabalho para Deus”, com certeza serviremos ao Senhor com mais alegria e disposição em nossas comunidades.


SSVM: Muito obrigado caríssimo Lucas, que nossa Senhora te auxilie sempre. Fique a vontade para se despedir e mandar um recado aos leitores do blog. 

Lucas S.: Agradeço pela oportunidade, e peço a Virgem Maria que a Missa Tridentina cresça em todo o nosso Norte de Minas. Gostaria de salientar a aquelas pessoas que veem com preconceito a Missa Tridentina, de que a Missa em latim não se trata de uma bandeira ideológica usada pelos tradicionalistas daqui para tomarem o poder e derrubarem o Concílio Vaticano II. Não se trata disso; queremos dar nossa humilde e singela contribuição para que o nosso mundo volte para Deus, e sabemos que a Missa é um sinal da presença e do amor de Deus pela humanidade imersa no pecado. Assim como o médico é um sinal de esperança para as nossas doenças; nós que trabalhamos pela Missa tridentina queremos apontar ao homem pecador ao Caminho de Deus que nos ama e se entrega por nós na cruz. E além do mais queremos contribuir para a “ Reforma da Reforma” iniciada e tão desejada pelo nosso querido Papa Bento XVI.

Seria mais fácil a Terra existir sem o sol do que sem a santa Missa!” (São Pe. Pio de Pietrelcina)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

FESTA DE SANTA TERESA DE JESUS




Fulcite me floribus, stipate me malis; quia amore langueo – “Acudi-me com confortativos de flores, trazei-me pomos que me alentem, porque desfaleço de amor” (Cant 2,5).

Summario. Consideremos o ardente amor que tinha a Deus esta seráfica Santa. Parecia-lhe impossível que pudesse haver no mundo uma pessoa que não amasse a Deus, e chegou a dizer que não teria pena de ver outros no céu mais felizes do que ela, porém que não poderia consentir em ver alguém amar a Deus mais do que ela. Pondo os seus atos em harmonia com as palavras, esforçava-se por cumprir tudo que sabia ser agradável a Deus. Se, à imitação da Santa, quisermos fazer progressos no amor, desapeguemos o nosso coração das criaturas, com a resolução de obrar e padecer por Jesus Cristo.

I. Consideremos o ardente amor que tinha a Deus esta seráfica Santa. Parecia-lhe impossível que pudesse haver no mundo uma só pessoa que não amasse a Deus, e costumava dizer: “Deus meu, não sois excessivamente amável por causa das vossas perfeições infinitas e do infinito amor que nos tendes? Como pode, pois haver alguém que não Vos ame?” Ela era muito humilde, mas, ao falar de amor, não hesitava em dizer: “Sou toda imperfeição, exceto nos desejos e no amor.” A Santa deixou-nos este excelente ensino: Desprende o teu coração de todas as coisas: busca a Deus e achá-lo-ás.

Costumava dizer, por outra parte, que é fácil para o que ama a Deus desprender-se da terra. “Ah, meu Deus!” exclamava, “só necessitamos amar-Vos deveras, para que nos torneis tudo fácil.” E em outro lugar escreve: “Já que devemos viver, vivamos para Vós; desapareçam os nossos interesses próprios. Que maior vantagem podemos conseguir, do que a de Vos agradar? Ó delícia minha e Deus meu! Que farei para Vos dar gosto?” Ela chegou até a dizer que não teria pena de ver os outros no céu mais felizes do que ela mesma, mas que não poderia consentir em ver alguém amar a Deus mais do que ela.

O que há de mais admirável em nossa Santa, é a firmeza de ânimo com que se esforçava por cumprir tudo o que sabia ser agradável a Deus: “Nada há”, dizia, “por penoso que seja, que não me animasse a empreender, se me apresentasse ocasião de o fazer”. Dali ensinava que o amor a Deus se alcança pela resolução de obrar e padecer por Deus, porque o demônio não teme as almas irresolutas. Para agradar a Deus, chegou ainda, como é sabido, a fazer o voto de executar sempre o que fosse mais perfeito. – E como o amor se conhece no sofrer por Deus, desejava ela não viver senão para sofrer. Por isso escrevia: “Parece-me que não há razão para viver, que não seja para padecer, e isto é o que mais ardentemente peço a Deus. Digo-lhe de todo o coração: Senhor, ou padecer ou morrer, só isto Vos peço para mim.” Chegou o seu amor a ser tão ardente, que Jesus Cristo lhe disse um dia: “Teresa, tu és toda minha, e eu sou todo teu”, e enviou um Serafim para lhe ferir o coração com uma seta de fogo.

II. Finalmente Teresa morreu como havia vivido, toda abrasada em amor. Aproximando-se-lhe o fim da vida, todos os seus suspiros eram por morrer, a fim de poder unir-se ao seu Deus. “Ó morte!” dizia, “não sei quem pode temer-te, porque em ti está a vida. Serve, ó minha alma, ao teu Deus e espera que ele dê remédio às tuas penas.” Por isso compôs aquela afetuosa glosa: “Vivo sem viver em mim; e tenho tamanho desejo da outra vida, que morro por não morrer.” – Quando lhe levaram o Viático, exclamou: “Ó meu Senhor, chegou, enfim, o momento por tanto tempo anelado: agora começa o tempo em que nos veremos face a face.” Depois morreu de puro amor, como ela mesma revelou depois. Foi vista voando ao céu em forma de uma pomba branca; e de seu corpo virginal se espalhou pelo mosteiro todo um suavíssimo perfume.

Ó minha seráfica Santa, regozijo-me convosco, agora que vos contemplo no céu, onde amais o vosso Deus com um amor que enche de contentamento o vosso coração, que tanto desejou amá-lo sobre a terra. Mas já que no céu o desejo de ver a Deus amado se confirmou juntamente com o amor do vosso próprio coração, assisti, ó santa Mãe, a esta minha alma miserável, que deseja, como vós, arder em santo amor desta Bondade infinita, que merece o amor de uma infinidade de corações. Dizei por mim a Jesus o que uma vez lhe dissestes por um servo seu: Senhor, tomemo-lo por amigo. Pedi-lhe que me faça tomar a resolução de lhe consagrar de uma vez para sempre a minha inteira vontade, nada mais buscando em todas as coisas senão o seu maior agrado e glória.

Agora, minha Santa, volvei-vos à divina Mãe que tudo pode; e já que ela se gloria de ser a Mãe do belo amor, dizei-lhe que me abrase todo nestas santas chamas. Dizei-lhe também que pelas suas mãos espero receber a salvação eterna; e que de hoje em diante lance sobre mim, como protegido vosso, os seus mais piedosos olhos. Como esta grande Rainha é minha poderosa advogada junto de Jesus, vós também, ó Teresa, sede minha advogada junto de Maria. – “E Vós, ó Senhor, concedei-me que, como me comprazo em celebrar a memória da vossa bem-aventurada virgem Teresa, seja nutrido pelo pão da sua celeste doutrina e penetrado pelo sentimento de uma terna devoção.” 

MARIA SEMPRE!

Obs.: Grifos nossos.

FONTE: Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Terceiro: Desde a Duodécima semana depois de Pentecostes até ao fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 377-379.