sexta-feira, 18 de outubro de 2013

ENTREVISTA COM ACÓLITO DA MISSA TRIDENTINA EM MONTES CLAROS - MG

O acólito Lucas e Pe. Henrique Munaiz em 24/08/2013,
 um ano de retorno da Missa Tridentina em Montes Claros-MG.

Entrevista da Sociedade da Santíssima Virgem Maria (SSVM) com o confrade Lucas Silva, 16 anos de idade, acólito e obreiro da Missa Tridentina em Montes Claros-MG.


SSVM: Prezado Lucas, como conheceu a Santa Missa Tridentina?



Lucas S.: Como a maior parte dos jovens que assistem ao Rito Tridentino eu o conheci através da internet. No início do meu processo de conversão gostava muito de frequentar sites católicos, acabei me identificando com correntes mais tradicionais e conheci a beleza do rito Tridentino através deles. Lembro- me que um dia através de um desses sites tive a notícia que estava acontecendo a Missa Tridentina na minha cidade, então comecei a frequentar e como aquilo que é belo sempre atrai não deixei mais de participar dessa Missa.

SSVM: Diga para nós um pouco desta experiência de servir a Deus no altar, sobretudo pela Santa Missa no rito gregoriano.

Lucas S.: Servir a Nosso Senhor no altar no Rito Tridentino me fez abandonar aquela mentalidade ativista que eu tinha muitas vezes quando exercia funções no Rito de Paulo VI. A Missa até então era para mim um encontro com a comunidade em que cada um exerce uma função; a partir do momento que participei pela primeira vez da Missa Tridentina comecei a ver o sacrifício eucarístico como um encontro com Deus. Não vou mais a Missa apenas para exercer funções e me destacar na comunidade, vou a Missa para adorar, pedir e servir a Deus e sei que Nosso Senhor usa de mim na Missa para que ela possa acontecer e porque é o principal meio que Ele usa para derramar suas graças.

Ser acólito na Missa é ao mesmo tempo ser o Cirineu que ajuda Jesus a carregar a Cruz e a Virgem Maria e São João que estão aos pés do Senhor. A Sagrada Liturgia é o sustento da Igreja e do mundo, é o “apostolado dos apostolados” então se fizermos de tudo para que ela aconteça e seja bem celebrada (principalmente interiormente) estaremos fazendo um grande favor a Igreja e ao mundo.

SSVM: O que tem a dizer aos jovens de tua idade que não conhecem (ou conhecem só por "ouvi falar") a Missa Tridentina? E, como reconciliar a vida cotidiana (trabalho, estudos, família, amigos) com o serviço a Deus?

Lucas S.: Aos jovens como eu, gostaria de convidá-los a vivenciarem essa graça que é a Missa Tridentina. Não é uma volta ao passado ou um evento cultural para lembrar os velhos tempos; mas é a Presença viva do Cristo no meio da Sua Igreja que se entrega por nós no Altar. 

Viver a nossa vida como um prolongamento da Ação de graças depois da Missa deve ser o nosso ideal. Não devemos resumir a nossa vida de fé apenas aos momentos em que estamos na Igreja. Devemos fazer tudo por amor de Deus e por isso buscar fazer da melhor forma possível. Dedicação nos estudos, compromisso no trabalho, honrar aos pais e avós, e relacionamento com os amigos; não são obstáculos que nos impedem de irmos até Deus, se fizermos de toda a nossa vida um “trabalho para Deus”, com certeza serviremos ao Senhor com mais alegria e disposição em nossas comunidades.


SSVM: Muito obrigado caríssimo Lucas, que nossa Senhora te auxilie sempre. Fique a vontade para se despedir e mandar um recado aos leitores do blog. 

Lucas S.: Agradeço pela oportunidade, e peço a Virgem Maria que a Missa Tridentina cresça em todo o nosso Norte de Minas. Gostaria de salientar a aquelas pessoas que veem com preconceito a Missa Tridentina, de que a Missa em latim não se trata de uma bandeira ideológica usada pelos tradicionalistas daqui para tomarem o poder e derrubarem o Concílio Vaticano II. Não se trata disso; queremos dar nossa humilde e singela contribuição para que o nosso mundo volte para Deus, e sabemos que a Missa é um sinal da presença e do amor de Deus pela humanidade imersa no pecado. Assim como o médico é um sinal de esperança para as nossas doenças; nós que trabalhamos pela Missa tridentina queremos apontar ao homem pecador ao Caminho de Deus que nos ama e se entrega por nós na cruz. E além do mais queremos contribuir para a “ Reforma da Reforma” iniciada e tão desejada pelo nosso querido Papa Bento XVI.

Seria mais fácil a Terra existir sem o sol do que sem a santa Missa!” (São Pe. Pio de Pietrelcina)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

FESTA DE SANTA TERESA DE JESUS




Fulcite me floribus, stipate me malis; quia amore langueo – “Acudi-me com confortativos de flores, trazei-me pomos que me alentem, porque desfaleço de amor” (Cant 2,5).

Summario. Consideremos o ardente amor que tinha a Deus esta seráfica Santa. Parecia-lhe impossível que pudesse haver no mundo uma pessoa que não amasse a Deus, e chegou a dizer que não teria pena de ver outros no céu mais felizes do que ela, porém que não poderia consentir em ver alguém amar a Deus mais do que ela. Pondo os seus atos em harmonia com as palavras, esforçava-se por cumprir tudo que sabia ser agradável a Deus. Se, à imitação da Santa, quisermos fazer progressos no amor, desapeguemos o nosso coração das criaturas, com a resolução de obrar e padecer por Jesus Cristo.

I. Consideremos o ardente amor que tinha a Deus esta seráfica Santa. Parecia-lhe impossível que pudesse haver no mundo uma só pessoa que não amasse a Deus, e costumava dizer: “Deus meu, não sois excessivamente amável por causa das vossas perfeições infinitas e do infinito amor que nos tendes? Como pode, pois haver alguém que não Vos ame?” Ela era muito humilde, mas, ao falar de amor, não hesitava em dizer: “Sou toda imperfeição, exceto nos desejos e no amor.” A Santa deixou-nos este excelente ensino: Desprende o teu coração de todas as coisas: busca a Deus e achá-lo-ás.

Costumava dizer, por outra parte, que é fácil para o que ama a Deus desprender-se da terra. “Ah, meu Deus!” exclamava, “só necessitamos amar-Vos deveras, para que nos torneis tudo fácil.” E em outro lugar escreve: “Já que devemos viver, vivamos para Vós; desapareçam os nossos interesses próprios. Que maior vantagem podemos conseguir, do que a de Vos agradar? Ó delícia minha e Deus meu! Que farei para Vos dar gosto?” Ela chegou até a dizer que não teria pena de ver os outros no céu mais felizes do que ela mesma, mas que não poderia consentir em ver alguém amar a Deus mais do que ela.

O que há de mais admirável em nossa Santa, é a firmeza de ânimo com que se esforçava por cumprir tudo o que sabia ser agradável a Deus: “Nada há”, dizia, “por penoso que seja, que não me animasse a empreender, se me apresentasse ocasião de o fazer”. Dali ensinava que o amor a Deus se alcança pela resolução de obrar e padecer por Deus, porque o demônio não teme as almas irresolutas. Para agradar a Deus, chegou ainda, como é sabido, a fazer o voto de executar sempre o que fosse mais perfeito. – E como o amor se conhece no sofrer por Deus, desejava ela não viver senão para sofrer. Por isso escrevia: “Parece-me que não há razão para viver, que não seja para padecer, e isto é o que mais ardentemente peço a Deus. Digo-lhe de todo o coração: Senhor, ou padecer ou morrer, só isto Vos peço para mim.” Chegou o seu amor a ser tão ardente, que Jesus Cristo lhe disse um dia: “Teresa, tu és toda minha, e eu sou todo teu”, e enviou um Serafim para lhe ferir o coração com uma seta de fogo.

II. Finalmente Teresa morreu como havia vivido, toda abrasada em amor. Aproximando-se-lhe o fim da vida, todos os seus suspiros eram por morrer, a fim de poder unir-se ao seu Deus. “Ó morte!” dizia, “não sei quem pode temer-te, porque em ti está a vida. Serve, ó minha alma, ao teu Deus e espera que ele dê remédio às tuas penas.” Por isso compôs aquela afetuosa glosa: “Vivo sem viver em mim; e tenho tamanho desejo da outra vida, que morro por não morrer.” – Quando lhe levaram o Viático, exclamou: “Ó meu Senhor, chegou, enfim, o momento por tanto tempo anelado: agora começa o tempo em que nos veremos face a face.” Depois morreu de puro amor, como ela mesma revelou depois. Foi vista voando ao céu em forma de uma pomba branca; e de seu corpo virginal se espalhou pelo mosteiro todo um suavíssimo perfume.

Ó minha seráfica Santa, regozijo-me convosco, agora que vos contemplo no céu, onde amais o vosso Deus com um amor que enche de contentamento o vosso coração, que tanto desejou amá-lo sobre a terra. Mas já que no céu o desejo de ver a Deus amado se confirmou juntamente com o amor do vosso próprio coração, assisti, ó santa Mãe, a esta minha alma miserável, que deseja, como vós, arder em santo amor desta Bondade infinita, que merece o amor de uma infinidade de corações. Dizei por mim a Jesus o que uma vez lhe dissestes por um servo seu: Senhor, tomemo-lo por amigo. Pedi-lhe que me faça tomar a resolução de lhe consagrar de uma vez para sempre a minha inteira vontade, nada mais buscando em todas as coisas senão o seu maior agrado e glória.

Agora, minha Santa, volvei-vos à divina Mãe que tudo pode; e já que ela se gloria de ser a Mãe do belo amor, dizei-lhe que me abrase todo nestas santas chamas. Dizei-lhe também que pelas suas mãos espero receber a salvação eterna; e que de hoje em diante lance sobre mim, como protegido vosso, os seus mais piedosos olhos. Como esta grande Rainha é minha poderosa advogada junto de Jesus, vós também, ó Teresa, sede minha advogada junto de Maria. – “E Vós, ó Senhor, concedei-me que, como me comprazo em celebrar a memória da vossa bem-aventurada virgem Teresa, seja nutrido pelo pão da sua celeste doutrina e penetrado pelo sentimento de uma terna devoção.” 

MARIA SEMPRE!

Obs.: Grifos nossos.

FONTE: Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Terceiro: Desde a Duodécima semana depois de Pentecostes até ao fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 377-379.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

"COISAS DE NOSSA SENHORA..." - Consagração à Virgem Santíssima em Januária-MG



"Um livro precioso: escrito por um santo, meditado pelos santos e que possui a bela missão de formar os santos de Deus..."



No dia 12 de outubro de 2013, a primeira turma do curso do Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem pelo método de São Luis de Montfort na cidade de Januária/MG realizou sua Consagração após os 30 dias preparatórios.



Dezessete fiéis se estregaram INTEIRAMENTE, COMO ESCRAVOS PERPÉTUOS POR AMOR a Nosso Senhor Jesus Cristo pelas mãos de Maria Santíssima, como uma renovação das promessas do Batismo após a santa comunhão na Missa em pleno dia da Padroeira do Brasil.

O grupo de estudos São Paulo Apóstolo - SSVM (1) foi responsável pela organização das catequeses do "Livrinho de Ouro", como é apelidado carinhosamente o famoso 'Tratado da Verdadeira Devoção a Virgem Santíssima', de são Luís.

A celebração foi presidida pelo reverendo Pe. Natelson Coutinho que surpreendeu aos fiéis consagrando-se também e dando o seu testemunho:"_Que por Maria nos tornemos mais semelhantes a Jesus Cristo!" - exclamou o sacerdote dirigindo-se aos fiéis e relatando como a Providência Divina o conduziu à Consagração, embora uma relutância anterior em fazer a mesma.


Seguem algumas fotos do ato:


    
  



Quem deseja obter mais informações sobre esta Consagração, procure os membros do São Paulo Apóstolo - SSVM ou mesmo em vários apostolados pelo Brasil (2).



Ad Majorem Dei Gloriam!

Que a Virgem Santíssima nos auxilie!



(1) Grupo de estudos pertencente a Sociedade da Santíssima Virgem Maria;
(2) Vide: http://consagrate.com/ .

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

FESTA DOS SANTOS ANJOS DA GUARDA

Bernhard PlockhorstAnjo da guarda
Por Santo Afonso de Ligório

Angelis suis mandavit de te, ut custodiant te in omnibus viis tuis – “Mandou os seus anjos junto de ti, para que te guardem em todos os teus caminhos” (Salmo 90, 11).

Summario: Avivemos a nossa fé e lembremo-nos de que temos continuamente ao nosso lado um anjo, que nos ama sem sombra de interesse, e sempre está solicito por nós. Este príncipe celeste assiste-nos em todos os tempos, em todos os lugares, em todas as tribulações, e nem sequer nos abandona quando nos revoltamos contra Deus. É, pois, dever nosso honrá-lo pela nossa reverência, devoção e confiança. Mas infelizmente, quantos há que vivem completamente esquecidos dele, e o obrigam pelos seus pecados infames a cobrir o rosto!

I. Diz São Bernardo que de três modos devemos honrar os santos anjos da guarda: pela reverência, pela devoção e pela confiança.
Pela reverência; pois que estes santos espíritos e príncipes celestes estão sempre conosco e nos assistem em todas as nossas ações. Por isso que em atenção ao nosso anjo da guarda devemo-nos abster de toda a ação que desagrade aos seus olhos. Santa Francisca Romana via que o anjo que a acompanhava em figura humana cobria o rosto cada vez que observava em alguma das pessoas presentes uma ação ou palavra desordenada. – Ah, meu santo Anjo da Guarda, quantas vezes pelos meus pecados vos fiz cobrir o rosto! Peço-vos perdão e suplico-vos que o alcanceis também de Deus; proponho nunca mais desgostar a Deus nem a vós, pelas minhas culpas.
Em segundo lugar, devemos honrá-lo pela nossa devoção; por causa do respeito de que é digno e do amor que nos tem. Nenhum afeto de pai, de irmão ou de amigo pode igualar o amor que nos tem o anjo da guarda. – Os amigos do mundo muitas vezes nos amam por interesse, e por isso facilmente se esquecem de nós no tempo das aflições, e muito mais quando os ofendemos. O nosso anjo da guarda ama-nos unicamente por dedicação; eis porque nos assiste mais ainda nas tribulações e não nos abandona, nem sequer quando nos revoltamos contra Deus. Procura então iluminar-nos, afim de que pelo arrependimento voltemos logo a Deus.
Oh! Quanto vos devo, ó meu bom Anjo da Guarda, pelas luzes que me haveis comunicado! Oxalá vos tivesse sempre obedecido! Continuai a esclarecer-me; repreendei-me quando cair, e não me abandoneis até o derradeiro instante da minha vida.

II. Em terceiro lugar devemos ter grande confiança no auxílio do nosso anjo da guarda. O amor do nosso Deus não se contentou com dar-nos seu Filho Jesus por nosso Redentor, e a Virgem Maria por nossa advogada, quis dar-nos também os seus anjos por nossas guardas, e lhes mandou que nos assistam em toda a nossa vida: “Mandou aos seus anjos que te guardem em todos os teus caminhos.”
Ó Deus de infinita misericórdia, que pudeste fazer mais para assegurar a minha salvação? Agradeço-Vos, ó meu Senhor. – A Vós também, ó príncipe do paraíso, o me
haverdes assistido durante tantos anos, apesar da minha pouca fidelidade e do meu pouco proveito. Eu vos esqueci; mas vós nunca deixastes de pensar em mim. Perdoai-me, meu bom Anjo, doravante não será mais assim. Proponho de hoje em diante consagrar-vos particular devoção. Quem sabe o caminho que me resta ainda a percorrer antes de entrar na eternidade? Fortalecei a minha fraqueza e continuai a proteger-me, afim de que sempre vos seja fiel.

†Anjo de Deus, que por benefício da divina providência sois meu guarda, esclarecei-me, protegei-me, dirigi-me e governai-me. Assim seja¹. – “Deus onipotente e eterno, que, por efeito da vossa inefável providência, Vos dignastes designar um dos vossos santos anjos por meu guarda, concedei-me propício que seja sempre defendido pela sua proteção e possa ir um dia gozar, no céu, da sua eterna companhia.”² – Fazei-o pelo amor de Jesus e Maria.

***
[1] Indulgências de 100 dias cada vez.
[2] Próprio da festa.
FONTE: Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Terceiro: Desde a Duodécima semana depois de Pentecostes até ao fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 370-372.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem e Consagração em Januária-MG


Está sendo realizada, junto a fiéis de Januária/MG, a preparação para Consagração a Virgem Santíssima pelo método de São Luis de Montfort. Boa parte daqueles (aproximadamente 15 fiéis católicos) devem consagrar-se a Santa Mãe de Deus no dia 12 de outubro de 2013, solenidade de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.

O grupo de estudos São Paulo Apóstolo (SSVM*), com autorização do bispo local, realizou o curso sobre o Tratado da Verdadeira Devoção em maio de 2013 na Catedral de Nossa Senhora das Dores. Desde então, como fora combinado, realiza reuniões de estudos e orientação sobre as semanas de exercícios preparatórios aos domingos deste mês de setembro, no salão paroquial.

Seguem algumas fotos:





Além da referida data, outros fiéis que acompanharam o curso deverão consagrar-se no dia 08 de dezembro de 2013.

Que Virgem Santíssima, modelo de serviço ao Altíssimo, forme almas para combater o bom combate pela Santa Igreja nos últimos tempos e no tempo presente.

Maria sempre!



* SSVM - Sociedade da Santíssima Virgem Maria

terça-feira, 3 de setembro de 2013

ELEIÇÃO DO PAPA: REPERCUSSÃO



Por Fr. Cristiano Maria da Cruz

Muito se tem falado acerca desta extraordinária eleição para a cátedra de S. Pedro. E de muitas maneiras também... Para alguns, este evento marca o início de “outra primavera” e alvorecer e de uma “autêntica renovação eclesial”. Para outros, este ocorrido é sinal inequívoco de uma igreja em crise e entregue às mãos da revolução igualitária. Será? 

Muitas são as especulações! Muitas as opiniões que se veem e se leem por aí... Algumas bem fundamentadas. Outras, nem tanto... Nesta missiva, não queremos multiplicar polêmicas estéreis, mas tão somente acentuar algumas questões que por vezes nos passam despercebidas e que, assim, “obnubilam” uma visão mais justa dos fatos. No caso em questão, do “fato” Francisco. 

Em primeiro lugar, cumpre afirmar uma verdade que tem sido “praticamente” esquecida em muitos meios: todas as funções ou ministérios que se exercem na Igreja ou a partir dela são acompanhados pelas chamadas “graças de estado”. Estas consistem em dons da Divina Providência que, de acordo com o Catecismo da Igreja Católica, nº 2004, “acompanham o exercício das responsabilidades da vida cristã e dos ministérios no seio da Igreja”. Assim sendo, ao Santo Padre Francisco são reservadas insignes luzes para guiar retamente o rebanho de Nosso Senhor. Rezemos para que ele esteja sempre aberto às mesmas. 

Tais luzes tem se mostrado evidentes se considerarmos os discursos e ensinamentos que fez ao orbe católico até o momento. Estes por vezes passam despercebidos, sobretudo pela mídia e por alguns setores (contra)eclesiais. Isso se dá porque muitos, no afã de novidades e de “deformas”(1), tem dado conotações seculares aos - em si mesmos - excelentes gestos de acolhida e de solicitude do santo padre para com as pessoas, especialmente as mais necessitadas. 

Acerca destes valiosos ensinamentos do pontífice, vale acentuar aqui alguns dos mais relevantes. O primeiro diz respeito à necessidade da acolhida da “novidade do amor de Deus”. “Novidade” no sentido de que a qualidade de nossa união com Deus nosso Senhor deve ser sempre crescente, ardorosa e comprometedora. Um amor que se renova e que deve concretizar-se em gestos concretos de testemunho. 

Esta “re-posição” da necessidade de uma vinculação mais estreita para com o Senhor exclui os compromissos fáceis com o mundo – tema sempre retomado pelo papa em seus discursos. Acerca dele, o santo padre tem destacado seu caráter provisório e falso(2). Chegou a afirmar, faz algum tempo, que com o “príncipe deste mundo não pode haver diálogo”. 

A “Igreja”(3) é outro tema que tem sido presente nos discursos do pontífice. Deve nos encher de esperança falas que unem “a identidade cristã” com uma “pertença efetiva à Igreja”. Ensina-nos Francisco que o ser cristão, mais do que pertencer “nominalmente” a uma agremiação, é ser verdadeiramente unido à Igreja de Cristo. A “pertença” é palavra forte por transcender a uma relação de mera “inclusão física”. Engloba a adesão do coração e da mente à mãe Igreja, com um zelo sempre crescente pela mesma. 

Cumpre mencionar ainda um aspecto tão largamente difundido e pouco compreendido: o incisivo apelo do papa à misericórdia de Deus (4). Esta “misericórdia” tem sido confundida com permissivismo, no que se refere aos erros e aos pecados, por parte de alguns, e com “entreguismos irênicos” ao mundo e às heresias, por parte de outros. Aqui, preferimos seguir as sendas do próprio papa: a mercê de Deus nos impele a desenvolver, por meio da dimensão missionária da Igreja, mecanismos eficientes que facilitem a chegada da verdade àqueles que claudicam nas trevas do pecado, do erro e da ignorância. 

Por isso a dimensão do “Espírito” é importante: como alma da Igreja, Ele a ajuda a extrair de seu baú coisas “novas e velhas”. Em outros termos, faz com que a Igreja, esposa imaculada do cordeiro, se encontre sempre nova e sempre fiel a seu Fundador, Mestre e Esposo. 

Outra atitude tem chamado à atenção: a demasiada simplificação das cerimônias e ritos empregados pelo papa Francisco. Este ponto tem gerado muita repercussão. A princípio, parece uma concessão aos igualitarismos que tanto assolam muitos setores da Igreja, sobretudo a partir do período pós conciliar. 

Contudo, não nos esqueçamos de dois fatos que podem esclarecer algumas questões. Eis o primeiro: por ser “religioso jesuíta”, o papa Francisco trará para o pontificado as marcas ou sinais de sua consagração religiosa. E isso implica austeridade - sinal do voto de pobreza - que, segundo nos parece, compunha a vida de Sua Santidade enquanto vivia dentro dos muros da Companhia de Jesus e mesmo depois do episcopado e do cardinalato. 

O segundo fato se visibilizou sobretudo na celebração da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro. Contrastando com a euforia das manifestações favoráveis ao Santo Padre nos momentos de acolhida e nas procissões a bordo do papamóvel - onde víamos um papa aberto, caloroso e próximo das pessoas - havia o momento da celebração litúrgica. 

Ali víamos “outro Francisco”: é de se notar o apreço que tem ao silêncio e à meditação/contemplação durante o Santo Sacrifício que encerrou a JMJ. Sua discrição, piedade e modéstia contrastavam com o frenesi daqueles que compunham o presbitério e a schola cantorum (padres cantores, sobretudo) em tal celebração. 

A propósito, a presença de Francisco no Brasil nos últimos dias permite-nos conhecê-lo melhor, bem como seu programa de governo da Igreja de Cristo. Para não estender tanto nossa prolixidade nesta reflexão, cumpre mencionar alguns pontos aduzidos de seu discurso aos bispos responsáveis pelo CELAM (5). Nesta fala, a nosso ver a mais ampla deste seu pontificado, aludiu a muitos temas importantes. 

Dentre eles, citamos a necessidade de “renovação interna da Igreja” e o “diálogo com o mundo atual”. 

No que concerne à “renovação interna da Igreja” o papa acentua a necessidade da conversão pastoral. Em síntese, trata-se da necessidade de se cultivar um apostolado ardoroso e evangelizador que apresente Jesus Cristo às pessoas. A Igreja, nesse sentido, deve ser “prolongamento do dinamismo da Encarnação”. 

Já no tocante ao “diálogo com o mundo atual” é relevante mencionar a proposta de discernimento feita por Francisco. É preciso ter ciência das categorias do mau espírito, tentações que querem impedir a eficácia do apostolado evangelizador da Igreja. E cita, entre outras, a ideologização da mensagem evangélica (interpretação do evangelho contraditória ao próprio evangelho e à Igreja), mormente levada a cabo pelo tendência “reducionista socializante”; o gnosticismo (pretensa interpretação mágica, ilustrada e deturpadora da realidade), além do “funcionalismo” (igreja como instituição assistencialista) e do “clericalismo” (tanto dos clérigos quanto dos leigos). Outras questões deste discurso as abordaremos com pormenores em outra oportunidade. 

Dessa maneira, findamos esta reflexão. Esperemos e acompanhemos, sobretudo com nossas orações e sacrifícios, a trajetória de Francisco, e que seja frutuosa para a vida da Igreja nestes tempos tão difíceis que enfrentamos. 


MARIA SEMPRE!


Notas:

(1)http://www.brasildefato.com.br/node/12768 (2)http://www.vatican.va/holy_father/francesco/homilies/2013/documents/papa-francesco_20130428_omelia-cresime_po.html 
(3)http://www.vatican.va/holy_father/francesco/homilies/2013/documents/papa-francesco_20130423_omelia-san-giorgio_po.html 
(4)http://www.vatican.va/holy_father/francesco/homilies/2013/documents/papa-francesco_20130407_omelia-possesso-cattedra-laterano_po.html 
(5)http://www.vatican.va/holy_father/francesco/speeches/2013/july/documents/papa-francesco_20130728_gmg-celam-rio_po.html 

REFERÊNCIAS 

Catecismo da Igreja Católica

Vatican. Va (site oficial do Vaticano)

sábado, 17 de agosto de 2013

CONTRIÇÃO PERFEITA



Por Lucas Silva1
Ela perdoa imediatamente qualquer pecado, por grave que seja e reconcilia o pecador com Deus, já antes da confissão e mesmo sem confissão, quando esta é impossível, mas com o desejo de se confessar. Não há, porém, obrigação de se confessar sem demora, embora seja recomendável. Pode-se esperar até que urja a obrigação de comungar, porque, para isso a Igreja exige a confissão, embora se tenha contrição perfeita.

Com o estado de graça, recobram-se os méritos perdidos, a possibilidade de adquirir novos e a paz da consciência.

1) Que tesouro precioso em qualquer circunstância da vida. Alguém cai em um pecado mortal e não pode ou mesmo não quer confessar-se logo, mas acha duro e perigoso viver dias e semanas na inimizade de Deus, pode logo, com a contrição perfeita, alcançar o perdão e a paz da consciência.
Por conseguinte, depois de cair em um pecado grave, em lugar de passar um tempo considerável nesse triste e perigoso estado, em qualquer lugar, ou tempo, sem de chamar a atenção de ninguém, rezemos o ato de contrição perfeita. Infelizmente poucas são as pessoas que, por ignorância ou negligência, sabem beneficiar desse rasgo da misericórdia divina.

2) A contrição perfeita, tesouro preciosíssimo na hora da morte. Ela pode ser tábua de salvação para todos os homens, pagãos, judeus, protestantes, pecadores quaisquer, contanto que tenham o desejo sincero de fazer o que Deus manda se o conhecerem. E assim se verifica a palavra da Sagrada Escritura: Deus quer que todos os homens se salvem. E a prova desse querer é que Ele oferece a todos os que têm boa vontade esse meio de salvação. É o que faz dizer a Santo Tomás que Deus antes mandará um anjo para batizar um pagão que procura a seu Criador do que deixá-lo perder-se. Este anjo será um missionário que eventualmente se encontra ou um raio de luz divina que ilumina a alma e lhe inspira um ato de contrição perfeita que sendo um ato de caridade perfeita supre o batismo.2

Como exercitar a contrição perfeita:3

Hás de pressupor que a contrição perfeita é graça e grande graça do amor e misericórdia de Deus; e, se assim é, hás, portanto, de pedi-la com instância. Porém, não te contentes com fazê-lo somente quanto trates de excitar a contrição, porque o desejo de alcançá-la deve ser um dos mais ardentes anseios de tua alma. Pede-a, pois, dizendo: Senhor, dai-me a graça do perfeito arrependimento, da perfeita contrição dos meus pecados. E Deus não te faltará com a sua graça, se tiveres boa vontade.

Posto isto, repara como poderás facilmente conseguir a contrição perfeita. Põe-te diante de um crucifixo, na igreja ou na casa de tua habitação, ou senão imagina que o tens diante de ti, e, chorando de compaixão à vista das feridas do Senhor, pensa uns momentos com fervor: Quem é este que está pendente da Cruz e sofrendo nela?

— É Jesus, meu Deus e Salvador.
— Que sofre?
— As mais terríveis dores no corpo, tem-no ensangüentado e coberto de feridas; a alma, tem-na lacerada pelas dores e afrontas. Por que sofre tudo isso?
— Pelos pecados dos homens e... também pelos meus pecados; em meio de suas amarguradas dores, também pensa em mim, também sofre por mim, também quer expiar os meus pecados.
— Entretanto, deixa que o sangue redentor do Salvador, quente ainda, caia sobre ti, gota a gota, e pergunta a ti mesmo como tens correspondido ao teu Salvador, tão atormentado por ti.

Pensa um momento, recorda teus pecados, e esquece-te, se quiseres, do Céu, do inferno, e arrepende-te principalmente porque são eles que a tão miserando estado reduziram o teu Salvador; promete-lhe que não tornarás a crucificá-Lo com mais pecados e, por fim, reza, pausadamente e com fervor, acompanhando com sentimento interno, as palavras, a fórmula da contrição.

Esta oração ou fórmula pode ser diversa e ainda pode cada um servir-se para ela de suas próprias palavras. No fim do livrinho, encontrarás algumas; contudo juntarei aqui uma bastante vulgar:

Senhor meu e Deus meu: pesa-me, do mais íntimo do coração, de todos os pecados de minha vida, porque com eles tenho merecido que a vossa divina Justiça me castigasse na vida e na eternidade; porque tenho correspondido ao vosso amor com tanta ingratidão, sendo como Sois o meu maior benfeitor; porém, sobretudo, porque com eles Vos tenho ofendido a Vós, meu bem supremo e digno de todo o amor. Proponho firmemente emendar-me e não mais pecar. Dai-me, meu Jesus, a graça para cumpri-lo. Amém.”

Três porquês contém esta oração, e a cada porquê acompanha um motivo de contrição, primeiro da imperfeita, depois da perfeita; pois, da imperfeita se passa mais facilmente para a perfeita e é por isto conveniente unir as duas espécies de contrição. Em outras palavras, convém que se excite em primeiro lugar a contrição imperfeita e depois a perfeita. Dize, pois:

1— “porque com eles, tenho merecido...” Isto é ainda contrição imperfeita.
2— “porque tenho correspondido...” Esta vai já se aproximando da contrição perfeita e até se reduz a ela; porque, se deveras sinto ter correspondido com ingratidão e com pecados ao amor e bondade de Deus, necessariamente hei de querer ressarcir com amor esta ingratidão; e o sentir por amor a ofensa do benfeitor, a quem até agora se desconhecia, é já contrição perfeita, contrição de caridade para com Deus.
3— “porém, sobretudo, porque com eles Vos tenho ofendido...”

Para consegui-lo mais facilmente, podes acrescentar, mentalmente ou por palavras, o que segue: “porém, sobretudo, porque com eles Vos tenho ofendido a Vós, meu bem supremo e digno de todo o amor. Salvador meu que, por meus pecados, morrestes na Cruz”.

Depois vem o propósito: “Proponho...” — Porém, padre, dir-me-ás talvez — para outros, será isso muito fácil, mas para mim, é coisa muito difícil, quase impossível.
— Parece-te isso? Pois não o julgues tal, Deus te dará a graça para perseverar e diminuir as ocasiões de pecado. Não é impossível, visto que se tem a ajuda da graça.

Podes fazer esse exercício depois da confissão ou do exame de consciência, e faça-o muitas vezes, para evitar o quanto mais de cair em pecado mortal.

MARIA SEMPRE!


1 – O autor é residente na cidade de Montes Claros-MG, estudante secundário e acólito na Santa Missa Tridentina.
2- O pequeno Missionário, dos Missionários da Congregação da Missão, editora Vozes, Petrópolis, 8ª edição, 1958

3- Texto baseado no livro “A contrição perfeita – Uma chave de ouro para o céu”, por J. Driesch.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

ESCRAVIDÃO A NOSSA SENHORA-Parte 2



Prof. Pedro Maria da Cruz


“Escravo de Cristo, sim! Mas, de Maria?”


“Livre em relação a todos eu me fiz escravo de todos.” (I Cor. 9,19)

Passemos, entretanto, ao cerne de nossa reflexão: Vimos que é correto tomar a palavra “escravidão” em sentido positivo. Porém, e a expressão “Escravidão a Maria” não seria um exagero? 

Antes de tudo, citemos uma realidade incontestável: se for de fato possível essa escravidão, que boa senhora teremos... 

No entanto, sejamos “Bíblicos”, como pedem alguns:

Disse Jesus: “Se alguém dentre vós quer ser o primeiro, eu vos digo, que seja o escravo de todos.” (Mc. 10,44). Ora, “todos” significa “todos”; portanto, incluamos também aqui Maria Santíssima. Poderão retorquir: “Mas Nosso Senhor falava ao grupo dos apóstolos!” Ao que responderemos: não é verdade que as palavras de Cristo se aplicam de algum modo à generalidade dos homens, e exatamente por isso foram escritas? Ademais, está dito que toda Escritura é útil para ensinar (II Tm. 3,16). Deste modo, devo ser escravo de todos, inclusive da Virgem. Quem condenará então a expressão “Escravo de Maria”?

Além do mais, em outra parte está escrito: “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que também eles estejam em nós.” (Jo. 17,21). Entendemos bem o que foi lido? Cristo pede ao Pai (e com certeza é atendido), para que todos nós estejamos Neles da mesma forma como Ele e o Pai estão presentes um no outro; ou seja, tendo posse em comum de tudo que lhes pertence. A conseqüência é lógica: Se estamos em Cristo e somos um com Ele, então todos os escravos de Cristo são nossos escravos, e todo o amor que Cristo dedica a eles também nós (Senhores e Escravos) o dedicaremos. Porém, sabemos muito bem que o grau de unidade com o Senhor depende do grau de nossa identificação voluntária com Ele, caso contrário Deus ofenderia a liberdade por Ele mesmo criada em nós. 

Ora, quem mais se identificou com Deus que Nossa Senhora, a cheia de graça e bendita entre todas as mulheres? (Lc.1,28.42). Alguém ousaria supor que a Mãe de Cristo, a quem todas as gerações chamarão bem aventurada (Lc.1,48), não tenha se tornado um com Ele? Caríssimo leitor, uma vez que Maria tornou-se “um” com Ele, então todos os escravos de Cristo são também escravos de Maria, e num sentido mais profundo pela unidade excepcional que a Mãe bendita tem com o Filho de Deus. Deste modo, os que se dizem “Escravos de Cristo” terão que dizer-se também, sem medo e com júbilo, “Escravos de Maria”.

Por não podermos nos alongar demais no curto espaço desse artigo, paremos nessa argumentação. Estamos cientes de que sendo “um” com o Redentor participamos de tudo o que lhe pertence, inclusive de sua divindade (II Pd. 1,4). Estimados leitores, se participamos da própria divindade do Filho de Deus, por que não participaríamos de seu senhorio de amor sobre as almas? Que Deus nos ensine a mística alegria da Escravidão.

“Mas, Maria está morta!”

“Deus não é Deus dos mortos, mas de vivos; são todos vivos para ele.” (Mt. 20,38)

Aos que fazem esse tipo de afirmação (de que Maria esteja morta¹ e, portanto, impossibilitada de agir em relação ao mundo) perguntamos: mas, os que partem desta vida não estão com Cristo? (Fil. 1,23). E, de tal modo estão vivos que podem, inclusive, clamar a Deus (Apo. 6,9-11). Quem não se recordaria do diálogo entre Jesus e o falecido Moisés na transfiguração? (Mt.17,3). Já nos esquecemos das preocupações do rico após sua morte? (Lc.16,19-31) “Mas essa era apenas uma parábola!” Comentará alguém. Sim, reconhecemos. O que não invalida a mensagem que estamos passando. Afinal, Nosso Senhor jamais se utilizaria de um erro para anunciar a verdade.

Infelizmente, muitos se encontram com visões equivocadas sobre textos do Antigo Testamento; como aquele de Eclesiastes que afirma: “Os mortos não sabem coisa alguma. Pra eles já não há mais recompensa.” Recordemos, no entanto, do que afirmara o Novo Testamento: “Até aos mortos foi anunciada a boa nova”. (I Pd. 4,6). Sim, o apóstolo Pedro afirmara com clareza que Jesus Cristo fora pregar o Evangelho inclusive aos espíritos desencarnados (I Pd. 3,19). Como alguém poderia então continuar pensando que os mortos não sabem de nada? Se não sabiam no Antigo Testamento, agora já o sabem. O Eclesiastes cumpriu sua função pedagógica...

O fato é: mesmo depois que Nossa Senhora foi habitar com Cristo no céu ela continua viva, “vivíssima!”, clamando a Deus; e, à medida que seu Criador o permita (pois, é “um” com Ele), ela age em favor daqueles que ainda peregrinam nesta terra, os seus escravos - porque escravos de Cristo.

Finalmente, alguém ousaria imaginar que a Mãe de Jesus Cristo tenha sido condenada ao inferno? Impossível, pois todas as gerações a deverão chamar Bem Aventurada (Lc 1,48), e Deus jamais ordenaria tratar assim alguém que se tenha desgraçado na eternidade do inferno. 

Alegremo-nos! Maria Santíssima vive no céu - como todos os eleitos já falecidos - e podemos ser seus escravos. Afinal, como já vimos, assim nos permite as palavras do próprio Cristo. Deste modo, estaremos inclusive imitando ao Senhor que assumira a condição de escravo (Fil.2,7). Não é verdade que devemos imitá-lo?

E não pensemos que na escravidão a Maria reine o medo, porque se me faço escravo por amor (e só dessa forma se deve fazer-se escravo) então, já não há mais temor em mim. O perfeito amor lança fora essa imperfeição (I Jo. 4,18).

Caríssimos, a escravidão a Nossa Senhora torna-se uma conseqüência lógica de todo aquele que se lhe submete amorosamente. Afinal, como dissera São Pedro, se é escravo “daquilo pelo qual se é dominado” (II Pd. 2,19). Abandonamos a escravidão do pecado (Rm. 6,6) e nos oferecemos a Maria Santíssima para lhe obedecer, tornando-nos assim, por conseqüência escravos daquela a quem obedecemos (Rm. 6,16).

Virgem de Guadalupe, rogai por nós! 

Maria Sempre! 

[1] Não trataremos aqui sobre a passagem de Nossa Senhora desta vida para o céu, mas somente de modo geral e sem maiores detalhes sobre a possibilidade de ela, estando entre os mortos, poder ou não agir em relação aos da terra.