quarta-feira, 2 de outubro de 2013

FESTA DOS SANTOS ANJOS DA GUARDA

Bernhard PlockhorstAnjo da guarda
Por Santo Afonso de Ligório

Angelis suis mandavit de te, ut custodiant te in omnibus viis tuis – “Mandou os seus anjos junto de ti, para que te guardem em todos os teus caminhos” (Salmo 90, 11).

Summario: Avivemos a nossa fé e lembremo-nos de que temos continuamente ao nosso lado um anjo, que nos ama sem sombra de interesse, e sempre está solicito por nós. Este príncipe celeste assiste-nos em todos os tempos, em todos os lugares, em todas as tribulações, e nem sequer nos abandona quando nos revoltamos contra Deus. É, pois, dever nosso honrá-lo pela nossa reverência, devoção e confiança. Mas infelizmente, quantos há que vivem completamente esquecidos dele, e o obrigam pelos seus pecados infames a cobrir o rosto!

I. Diz São Bernardo que de três modos devemos honrar os santos anjos da guarda: pela reverência, pela devoção e pela confiança.
Pela reverência; pois que estes santos espíritos e príncipes celestes estão sempre conosco e nos assistem em todas as nossas ações. Por isso que em atenção ao nosso anjo da guarda devemo-nos abster de toda a ação que desagrade aos seus olhos. Santa Francisca Romana via que o anjo que a acompanhava em figura humana cobria o rosto cada vez que observava em alguma das pessoas presentes uma ação ou palavra desordenada. – Ah, meu santo Anjo da Guarda, quantas vezes pelos meus pecados vos fiz cobrir o rosto! Peço-vos perdão e suplico-vos que o alcanceis também de Deus; proponho nunca mais desgostar a Deus nem a vós, pelas minhas culpas.
Em segundo lugar, devemos honrá-lo pela nossa devoção; por causa do respeito de que é digno e do amor que nos tem. Nenhum afeto de pai, de irmão ou de amigo pode igualar o amor que nos tem o anjo da guarda. – Os amigos do mundo muitas vezes nos amam por interesse, e por isso facilmente se esquecem de nós no tempo das aflições, e muito mais quando os ofendemos. O nosso anjo da guarda ama-nos unicamente por dedicação; eis porque nos assiste mais ainda nas tribulações e não nos abandona, nem sequer quando nos revoltamos contra Deus. Procura então iluminar-nos, afim de que pelo arrependimento voltemos logo a Deus.
Oh! Quanto vos devo, ó meu bom Anjo da Guarda, pelas luzes que me haveis comunicado! Oxalá vos tivesse sempre obedecido! Continuai a esclarecer-me; repreendei-me quando cair, e não me abandoneis até o derradeiro instante da minha vida.

II. Em terceiro lugar devemos ter grande confiança no auxílio do nosso anjo da guarda. O amor do nosso Deus não se contentou com dar-nos seu Filho Jesus por nosso Redentor, e a Virgem Maria por nossa advogada, quis dar-nos também os seus anjos por nossas guardas, e lhes mandou que nos assistam em toda a nossa vida: “Mandou aos seus anjos que te guardem em todos os teus caminhos.”
Ó Deus de infinita misericórdia, que pudeste fazer mais para assegurar a minha salvação? Agradeço-Vos, ó meu Senhor. – A Vós também, ó príncipe do paraíso, o me
haverdes assistido durante tantos anos, apesar da minha pouca fidelidade e do meu pouco proveito. Eu vos esqueci; mas vós nunca deixastes de pensar em mim. Perdoai-me, meu bom Anjo, doravante não será mais assim. Proponho de hoje em diante consagrar-vos particular devoção. Quem sabe o caminho que me resta ainda a percorrer antes de entrar na eternidade? Fortalecei a minha fraqueza e continuai a proteger-me, afim de que sempre vos seja fiel.

†Anjo de Deus, que por benefício da divina providência sois meu guarda, esclarecei-me, protegei-me, dirigi-me e governai-me. Assim seja¹. – “Deus onipotente e eterno, que, por efeito da vossa inefável providência, Vos dignastes designar um dos vossos santos anjos por meu guarda, concedei-me propício que seja sempre defendido pela sua proteção e possa ir um dia gozar, no céu, da sua eterna companhia.”² – Fazei-o pelo amor de Jesus e Maria.

***
[1] Indulgências de 100 dias cada vez.
[2] Próprio da festa.
FONTE: Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Terceiro: Desde a Duodécima semana depois de Pentecostes até ao fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 370-372.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem e Consagração em Januária-MG


Está sendo realizada, junto a fiéis de Januária/MG, a preparação para Consagração a Virgem Santíssima pelo método de São Luis de Montfort. Boa parte daqueles (aproximadamente 15 fiéis católicos) devem consagrar-se a Santa Mãe de Deus no dia 12 de outubro de 2013, solenidade de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.

O grupo de estudos São Paulo Apóstolo (SSVM*), com autorização do bispo local, realizou o curso sobre o Tratado da Verdadeira Devoção em maio de 2013 na Catedral de Nossa Senhora das Dores. Desde então, como fora combinado, realiza reuniões de estudos e orientação sobre as semanas de exercícios preparatórios aos domingos deste mês de setembro, no salão paroquial.

Seguem algumas fotos:





Além da referida data, outros fiéis que acompanharam o curso deverão consagrar-se no dia 08 de dezembro de 2013.

Que Virgem Santíssima, modelo de serviço ao Altíssimo, forme almas para combater o bom combate pela Santa Igreja nos últimos tempos e no tempo presente.

Maria sempre!



* SSVM - Sociedade da Santíssima Virgem Maria

terça-feira, 3 de setembro de 2013

ELEIÇÃO DO PAPA: REPERCUSSÃO



Por Fr. Cristiano Maria da Cruz

Muito se tem falado acerca desta extraordinária eleição para a cátedra de S. Pedro. E de muitas maneiras também... Para alguns, este evento marca o início de “outra primavera” e alvorecer e de uma “autêntica renovação eclesial”. Para outros, este ocorrido é sinal inequívoco de uma igreja em crise e entregue às mãos da revolução igualitária. Será? 

Muitas são as especulações! Muitas as opiniões que se veem e se leem por aí... Algumas bem fundamentadas. Outras, nem tanto... Nesta missiva, não queremos multiplicar polêmicas estéreis, mas tão somente acentuar algumas questões que por vezes nos passam despercebidas e que, assim, “obnubilam” uma visão mais justa dos fatos. No caso em questão, do “fato” Francisco. 

Em primeiro lugar, cumpre afirmar uma verdade que tem sido “praticamente” esquecida em muitos meios: todas as funções ou ministérios que se exercem na Igreja ou a partir dela são acompanhados pelas chamadas “graças de estado”. Estas consistem em dons da Divina Providência que, de acordo com o Catecismo da Igreja Católica, nº 2004, “acompanham o exercício das responsabilidades da vida cristã e dos ministérios no seio da Igreja”. Assim sendo, ao Santo Padre Francisco são reservadas insignes luzes para guiar retamente o rebanho de Nosso Senhor. Rezemos para que ele esteja sempre aberto às mesmas. 

Tais luzes tem se mostrado evidentes se considerarmos os discursos e ensinamentos que fez ao orbe católico até o momento. Estes por vezes passam despercebidos, sobretudo pela mídia e por alguns setores (contra)eclesiais. Isso se dá porque muitos, no afã de novidades e de “deformas”(1), tem dado conotações seculares aos - em si mesmos - excelentes gestos de acolhida e de solicitude do santo padre para com as pessoas, especialmente as mais necessitadas. 

Acerca destes valiosos ensinamentos do pontífice, vale acentuar aqui alguns dos mais relevantes. O primeiro diz respeito à necessidade da acolhida da “novidade do amor de Deus”. “Novidade” no sentido de que a qualidade de nossa união com Deus nosso Senhor deve ser sempre crescente, ardorosa e comprometedora. Um amor que se renova e que deve concretizar-se em gestos concretos de testemunho. 

Esta “re-posição” da necessidade de uma vinculação mais estreita para com o Senhor exclui os compromissos fáceis com o mundo – tema sempre retomado pelo papa em seus discursos. Acerca dele, o santo padre tem destacado seu caráter provisório e falso(2). Chegou a afirmar, faz algum tempo, que com o “príncipe deste mundo não pode haver diálogo”. 

A “Igreja”(3) é outro tema que tem sido presente nos discursos do pontífice. Deve nos encher de esperança falas que unem “a identidade cristã” com uma “pertença efetiva à Igreja”. Ensina-nos Francisco que o ser cristão, mais do que pertencer “nominalmente” a uma agremiação, é ser verdadeiramente unido à Igreja de Cristo. A “pertença” é palavra forte por transcender a uma relação de mera “inclusão física”. Engloba a adesão do coração e da mente à mãe Igreja, com um zelo sempre crescente pela mesma. 

Cumpre mencionar ainda um aspecto tão largamente difundido e pouco compreendido: o incisivo apelo do papa à misericórdia de Deus (4). Esta “misericórdia” tem sido confundida com permissivismo, no que se refere aos erros e aos pecados, por parte de alguns, e com “entreguismos irênicos” ao mundo e às heresias, por parte de outros. Aqui, preferimos seguir as sendas do próprio papa: a mercê de Deus nos impele a desenvolver, por meio da dimensão missionária da Igreja, mecanismos eficientes que facilitem a chegada da verdade àqueles que claudicam nas trevas do pecado, do erro e da ignorância. 

Por isso a dimensão do “Espírito” é importante: como alma da Igreja, Ele a ajuda a extrair de seu baú coisas “novas e velhas”. Em outros termos, faz com que a Igreja, esposa imaculada do cordeiro, se encontre sempre nova e sempre fiel a seu Fundador, Mestre e Esposo. 

Outra atitude tem chamado à atenção: a demasiada simplificação das cerimônias e ritos empregados pelo papa Francisco. Este ponto tem gerado muita repercussão. A princípio, parece uma concessão aos igualitarismos que tanto assolam muitos setores da Igreja, sobretudo a partir do período pós conciliar. 

Contudo, não nos esqueçamos de dois fatos que podem esclarecer algumas questões. Eis o primeiro: por ser “religioso jesuíta”, o papa Francisco trará para o pontificado as marcas ou sinais de sua consagração religiosa. E isso implica austeridade - sinal do voto de pobreza - que, segundo nos parece, compunha a vida de Sua Santidade enquanto vivia dentro dos muros da Companhia de Jesus e mesmo depois do episcopado e do cardinalato. 

O segundo fato se visibilizou sobretudo na celebração da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro. Contrastando com a euforia das manifestações favoráveis ao Santo Padre nos momentos de acolhida e nas procissões a bordo do papamóvel - onde víamos um papa aberto, caloroso e próximo das pessoas - havia o momento da celebração litúrgica. 

Ali víamos “outro Francisco”: é de se notar o apreço que tem ao silêncio e à meditação/contemplação durante o Santo Sacrifício que encerrou a JMJ. Sua discrição, piedade e modéstia contrastavam com o frenesi daqueles que compunham o presbitério e a schola cantorum (padres cantores, sobretudo) em tal celebração. 

A propósito, a presença de Francisco no Brasil nos últimos dias permite-nos conhecê-lo melhor, bem como seu programa de governo da Igreja de Cristo. Para não estender tanto nossa prolixidade nesta reflexão, cumpre mencionar alguns pontos aduzidos de seu discurso aos bispos responsáveis pelo CELAM (5). Nesta fala, a nosso ver a mais ampla deste seu pontificado, aludiu a muitos temas importantes. 

Dentre eles, citamos a necessidade de “renovação interna da Igreja” e o “diálogo com o mundo atual”. 

No que concerne à “renovação interna da Igreja” o papa acentua a necessidade da conversão pastoral. Em síntese, trata-se da necessidade de se cultivar um apostolado ardoroso e evangelizador que apresente Jesus Cristo às pessoas. A Igreja, nesse sentido, deve ser “prolongamento do dinamismo da Encarnação”. 

Já no tocante ao “diálogo com o mundo atual” é relevante mencionar a proposta de discernimento feita por Francisco. É preciso ter ciência das categorias do mau espírito, tentações que querem impedir a eficácia do apostolado evangelizador da Igreja. E cita, entre outras, a ideologização da mensagem evangélica (interpretação do evangelho contraditória ao próprio evangelho e à Igreja), mormente levada a cabo pelo tendência “reducionista socializante”; o gnosticismo (pretensa interpretação mágica, ilustrada e deturpadora da realidade), além do “funcionalismo” (igreja como instituição assistencialista) e do “clericalismo” (tanto dos clérigos quanto dos leigos). Outras questões deste discurso as abordaremos com pormenores em outra oportunidade. 

Dessa maneira, findamos esta reflexão. Esperemos e acompanhemos, sobretudo com nossas orações e sacrifícios, a trajetória de Francisco, e que seja frutuosa para a vida da Igreja nestes tempos tão difíceis que enfrentamos. 


MARIA SEMPRE!


Notas:

(1)http://www.brasildefato.com.br/node/12768 (2)http://www.vatican.va/holy_father/francesco/homilies/2013/documents/papa-francesco_20130428_omelia-cresime_po.html 
(3)http://www.vatican.va/holy_father/francesco/homilies/2013/documents/papa-francesco_20130423_omelia-san-giorgio_po.html 
(4)http://www.vatican.va/holy_father/francesco/homilies/2013/documents/papa-francesco_20130407_omelia-possesso-cattedra-laterano_po.html 
(5)http://www.vatican.va/holy_father/francesco/speeches/2013/july/documents/papa-francesco_20130728_gmg-celam-rio_po.html 

REFERÊNCIAS 

Catecismo da Igreja Católica

Vatican. Va (site oficial do Vaticano)

sábado, 17 de agosto de 2013

CONTRIÇÃO PERFEITA



Por Lucas Silva1
Ela perdoa imediatamente qualquer pecado, por grave que seja e reconcilia o pecador com Deus, já antes da confissão e mesmo sem confissão, quando esta é impossível, mas com o desejo de se confessar. Não há, porém, obrigação de se confessar sem demora, embora seja recomendável. Pode-se esperar até que urja a obrigação de comungar, porque, para isso a Igreja exige a confissão, embora se tenha contrição perfeita.

Com o estado de graça, recobram-se os méritos perdidos, a possibilidade de adquirir novos e a paz da consciência.

1) Que tesouro precioso em qualquer circunstância da vida. Alguém cai em um pecado mortal e não pode ou mesmo não quer confessar-se logo, mas acha duro e perigoso viver dias e semanas na inimizade de Deus, pode logo, com a contrição perfeita, alcançar o perdão e a paz da consciência.
Por conseguinte, depois de cair em um pecado grave, em lugar de passar um tempo considerável nesse triste e perigoso estado, em qualquer lugar, ou tempo, sem de chamar a atenção de ninguém, rezemos o ato de contrição perfeita. Infelizmente poucas são as pessoas que, por ignorância ou negligência, sabem beneficiar desse rasgo da misericórdia divina.

2) A contrição perfeita, tesouro preciosíssimo na hora da morte. Ela pode ser tábua de salvação para todos os homens, pagãos, judeus, protestantes, pecadores quaisquer, contanto que tenham o desejo sincero de fazer o que Deus manda se o conhecerem. E assim se verifica a palavra da Sagrada Escritura: Deus quer que todos os homens se salvem. E a prova desse querer é que Ele oferece a todos os que têm boa vontade esse meio de salvação. É o que faz dizer a Santo Tomás que Deus antes mandará um anjo para batizar um pagão que procura a seu Criador do que deixá-lo perder-se. Este anjo será um missionário que eventualmente se encontra ou um raio de luz divina que ilumina a alma e lhe inspira um ato de contrição perfeita que sendo um ato de caridade perfeita supre o batismo.2

Como exercitar a contrição perfeita:3

Hás de pressupor que a contrição perfeita é graça e grande graça do amor e misericórdia de Deus; e, se assim é, hás, portanto, de pedi-la com instância. Porém, não te contentes com fazê-lo somente quanto trates de excitar a contrição, porque o desejo de alcançá-la deve ser um dos mais ardentes anseios de tua alma. Pede-a, pois, dizendo: Senhor, dai-me a graça do perfeito arrependimento, da perfeita contrição dos meus pecados. E Deus não te faltará com a sua graça, se tiveres boa vontade.

Posto isto, repara como poderás facilmente conseguir a contrição perfeita. Põe-te diante de um crucifixo, na igreja ou na casa de tua habitação, ou senão imagina que o tens diante de ti, e, chorando de compaixão à vista das feridas do Senhor, pensa uns momentos com fervor: Quem é este que está pendente da Cruz e sofrendo nela?

— É Jesus, meu Deus e Salvador.
— Que sofre?
— As mais terríveis dores no corpo, tem-no ensangüentado e coberto de feridas; a alma, tem-na lacerada pelas dores e afrontas. Por que sofre tudo isso?
— Pelos pecados dos homens e... também pelos meus pecados; em meio de suas amarguradas dores, também pensa em mim, também sofre por mim, também quer expiar os meus pecados.
— Entretanto, deixa que o sangue redentor do Salvador, quente ainda, caia sobre ti, gota a gota, e pergunta a ti mesmo como tens correspondido ao teu Salvador, tão atormentado por ti.

Pensa um momento, recorda teus pecados, e esquece-te, se quiseres, do Céu, do inferno, e arrepende-te principalmente porque são eles que a tão miserando estado reduziram o teu Salvador; promete-lhe que não tornarás a crucificá-Lo com mais pecados e, por fim, reza, pausadamente e com fervor, acompanhando com sentimento interno, as palavras, a fórmula da contrição.

Esta oração ou fórmula pode ser diversa e ainda pode cada um servir-se para ela de suas próprias palavras. No fim do livrinho, encontrarás algumas; contudo juntarei aqui uma bastante vulgar:

Senhor meu e Deus meu: pesa-me, do mais íntimo do coração, de todos os pecados de minha vida, porque com eles tenho merecido que a vossa divina Justiça me castigasse na vida e na eternidade; porque tenho correspondido ao vosso amor com tanta ingratidão, sendo como Sois o meu maior benfeitor; porém, sobretudo, porque com eles Vos tenho ofendido a Vós, meu bem supremo e digno de todo o amor. Proponho firmemente emendar-me e não mais pecar. Dai-me, meu Jesus, a graça para cumpri-lo. Amém.”

Três porquês contém esta oração, e a cada porquê acompanha um motivo de contrição, primeiro da imperfeita, depois da perfeita; pois, da imperfeita se passa mais facilmente para a perfeita e é por isto conveniente unir as duas espécies de contrição. Em outras palavras, convém que se excite em primeiro lugar a contrição imperfeita e depois a perfeita. Dize, pois:

1— “porque com eles, tenho merecido...” Isto é ainda contrição imperfeita.
2— “porque tenho correspondido...” Esta vai já se aproximando da contrição perfeita e até se reduz a ela; porque, se deveras sinto ter correspondido com ingratidão e com pecados ao amor e bondade de Deus, necessariamente hei de querer ressarcir com amor esta ingratidão; e o sentir por amor a ofensa do benfeitor, a quem até agora se desconhecia, é já contrição perfeita, contrição de caridade para com Deus.
3— “porém, sobretudo, porque com eles Vos tenho ofendido...”

Para consegui-lo mais facilmente, podes acrescentar, mentalmente ou por palavras, o que segue: “porém, sobretudo, porque com eles Vos tenho ofendido a Vós, meu bem supremo e digno de todo o amor. Salvador meu que, por meus pecados, morrestes na Cruz”.

Depois vem o propósito: “Proponho...” — Porém, padre, dir-me-ás talvez — para outros, será isso muito fácil, mas para mim, é coisa muito difícil, quase impossível.
— Parece-te isso? Pois não o julgues tal, Deus te dará a graça para perseverar e diminuir as ocasiões de pecado. Não é impossível, visto que se tem a ajuda da graça.

Podes fazer esse exercício depois da confissão ou do exame de consciência, e faça-o muitas vezes, para evitar o quanto mais de cair em pecado mortal.

MARIA SEMPRE!


1 – O autor é residente na cidade de Montes Claros-MG, estudante secundário e acólito na Santa Missa Tridentina.
2- O pequeno Missionário, dos Missionários da Congregação da Missão, editora Vozes, Petrópolis, 8ª edição, 1958

3- Texto baseado no livro “A contrição perfeita – Uma chave de ouro para o céu”, por J. Driesch.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

ESCRAVIDÃO A NOSSA SENHORA-Parte 2



Prof. Pedro Maria da Cruz


“Escravo de Cristo, sim! Mas, de Maria?”


“Livre em relação a todos eu me fiz escravo de todos.” (I Cor. 9,19)

Passemos, entretanto, ao cerne de nossa reflexão: Vimos que é correto tomar a palavra “escravidão” em sentido positivo. Porém, e a expressão “Escravidão a Maria” não seria um exagero? 

Antes de tudo, citemos uma realidade incontestável: se for de fato possível essa escravidão, que boa senhora teremos... 

No entanto, sejamos “Bíblicos”, como pedem alguns:

Disse Jesus: “Se alguém dentre vós quer ser o primeiro, eu vos digo, que seja o escravo de todos.” (Mc. 10,44). Ora, “todos” significa “todos”; portanto, incluamos também aqui Maria Santíssima. Poderão retorquir: “Mas Nosso Senhor falava ao grupo dos apóstolos!” Ao que responderemos: não é verdade que as palavras de Cristo se aplicam de algum modo à generalidade dos homens, e exatamente por isso foram escritas? Ademais, está dito que toda Escritura é útil para ensinar (II Tm. 3,16). Deste modo, devo ser escravo de todos, inclusive da Virgem. Quem condenará então a expressão “Escravo de Maria”?

Além do mais, em outra parte está escrito: “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que também eles estejam em nós.” (Jo. 17,21). Entendemos bem o que foi lido? Cristo pede ao Pai (e com certeza é atendido), para que todos nós estejamos Neles da mesma forma como Ele e o Pai estão presentes um no outro; ou seja, tendo posse em comum de tudo que lhes pertence. A conseqüência é lógica: Se estamos em Cristo e somos um com Ele, então todos os escravos de Cristo são nossos escravos, e todo o amor que Cristo dedica a eles também nós (Senhores e Escravos) o dedicaremos. Porém, sabemos muito bem que o grau de unidade com o Senhor depende do grau de nossa identificação voluntária com Ele, caso contrário Deus ofenderia a liberdade por Ele mesmo criada em nós. 

Ora, quem mais se identificou com Deus que Nossa Senhora, a cheia de graça e bendita entre todas as mulheres? (Lc.1,28.42). Alguém ousaria supor que a Mãe de Cristo, a quem todas as gerações chamarão bem aventurada (Lc.1,48), não tenha se tornado um com Ele? Caríssimo leitor, uma vez que Maria tornou-se “um” com Ele, então todos os escravos de Cristo são também escravos de Maria, e num sentido mais profundo pela unidade excepcional que a Mãe bendita tem com o Filho de Deus. Deste modo, os que se dizem “Escravos de Cristo” terão que dizer-se também, sem medo e com júbilo, “Escravos de Maria”.

Por não podermos nos alongar demais no curto espaço desse artigo, paremos nessa argumentação. Estamos cientes de que sendo “um” com o Redentor participamos de tudo o que lhe pertence, inclusive de sua divindade (II Pd. 1,4). Estimados leitores, se participamos da própria divindade do Filho de Deus, por que não participaríamos de seu senhorio de amor sobre as almas? Que Deus nos ensine a mística alegria da Escravidão.

“Mas, Maria está morta!”

“Deus não é Deus dos mortos, mas de vivos; são todos vivos para ele.” (Mt. 20,38)

Aos que fazem esse tipo de afirmação (de que Maria esteja morta¹ e, portanto, impossibilitada de agir em relação ao mundo) perguntamos: mas, os que partem desta vida não estão com Cristo? (Fil. 1,23). E, de tal modo estão vivos que podem, inclusive, clamar a Deus (Apo. 6,9-11). Quem não se recordaria do diálogo entre Jesus e o falecido Moisés na transfiguração? (Mt.17,3). Já nos esquecemos das preocupações do rico após sua morte? (Lc.16,19-31) “Mas essa era apenas uma parábola!” Comentará alguém. Sim, reconhecemos. O que não invalida a mensagem que estamos passando. Afinal, Nosso Senhor jamais se utilizaria de um erro para anunciar a verdade.

Infelizmente, muitos se encontram com visões equivocadas sobre textos do Antigo Testamento; como aquele de Eclesiastes que afirma: “Os mortos não sabem coisa alguma. Pra eles já não há mais recompensa.” Recordemos, no entanto, do que afirmara o Novo Testamento: “Até aos mortos foi anunciada a boa nova”. (I Pd. 4,6). Sim, o apóstolo Pedro afirmara com clareza que Jesus Cristo fora pregar o Evangelho inclusive aos espíritos desencarnados (I Pd. 3,19). Como alguém poderia então continuar pensando que os mortos não sabem de nada? Se não sabiam no Antigo Testamento, agora já o sabem. O Eclesiastes cumpriu sua função pedagógica...

O fato é: mesmo depois que Nossa Senhora foi habitar com Cristo no céu ela continua viva, “vivíssima!”, clamando a Deus; e, à medida que seu Criador o permita (pois, é “um” com Ele), ela age em favor daqueles que ainda peregrinam nesta terra, os seus escravos - porque escravos de Cristo.

Finalmente, alguém ousaria imaginar que a Mãe de Jesus Cristo tenha sido condenada ao inferno? Impossível, pois todas as gerações a deverão chamar Bem Aventurada (Lc 1,48), e Deus jamais ordenaria tratar assim alguém que se tenha desgraçado na eternidade do inferno. 

Alegremo-nos! Maria Santíssima vive no céu - como todos os eleitos já falecidos - e podemos ser seus escravos. Afinal, como já vimos, assim nos permite as palavras do próprio Cristo. Deste modo, estaremos inclusive imitando ao Senhor que assumira a condição de escravo (Fil.2,7). Não é verdade que devemos imitá-lo?

E não pensemos que na escravidão a Maria reine o medo, porque se me faço escravo por amor (e só dessa forma se deve fazer-se escravo) então, já não há mais temor em mim. O perfeito amor lança fora essa imperfeição (I Jo. 4,18).

Caríssimos, a escravidão a Nossa Senhora torna-se uma conseqüência lógica de todo aquele que se lhe submete amorosamente. Afinal, como dissera São Pedro, se é escravo “daquilo pelo qual se é dominado” (II Pd. 2,19). Abandonamos a escravidão do pecado (Rm. 6,6) e nos oferecemos a Maria Santíssima para lhe obedecer, tornando-nos assim, por conseqüência escravos daquela a quem obedecemos (Rm. 6,16).

Virgem de Guadalupe, rogai por nós! 

Maria Sempre! 

[1] Não trataremos aqui sobre a passagem de Nossa Senhora desta vida para o céu, mas somente de modo geral e sem maiores detalhes sobre a possibilidade de ela, estando entre os mortos, poder ou não agir em relação aos da terra.

domingo, 28 de julho de 2013

O QUE É PERDOAR

Santa Maria Madalena - representação no filme "A Paixão de Cristo (2004)"
À diferença do ressentimento produzido por certas ofensas, o perdão não é um sentimento. Perdoar não equivale a deixar de sentir. Há quem se considere incapaz de perdoar certos agravos porque não pode eliminar os seus efeitos: não pode deixar de experimentar a ferida, nem o ódio, nem o desejo de vingança. Daqui podem derivar complicações no âmbito da consciência moral, especificamente se se tem em conta que Deus espera que perdoemos para que Ele nos perdoe (cfr.  Mt 6, 12).

A incapacidade de deixar de sentir o ressentimento, no nível emocional, pode ser, efetivamente, insuperável, ao menos em curto prazo. No entanto, se se compreende que o perdão está situado num nível diferente do ressentimento, isto é, no nível da vontade, descobrir-se-á o caminho que leva à solução.


O empregado que foi despedido injustamente da empresa, o cônjuge que sofreu a infidelidade do seu consorte, os pais a quem seqüestraram um filho podem decidir perdoar – apesar do sentimento adverso que experimentam necessariamente. Porque o perdão é um ato volitivo e não um ato emocional. Entender esta diferença, entre sentir uma emoção e tomar uma decisão já é um passo importante para esclarecer o problema.


Muitas vezes na vida devemos agir no sentido inverso ao daquele que os nossos sentimentos nos marcam, e de fato o fazemos porque a nossa vontade se sobrepõe às nossas emoções (1). Por exemplo, quando sentimos desânimo por algum fracasso que tivemos na realização de uma tarefa e, ao invés de abandoná-la, nos sobrepomos e continuamos em frente até concluí-la; quando alguém implicou conosco e sentimos o impulso de agredi-lo, mas decidimos controlar-nos e ser pacientes; quando em certo momento do dia temos um acesso de preguiça e, no entanto, optamos por trabalhar. Em todos estes casos, manifesta-se a capacidade da vontade para dominar os sentimentos. O mesmo se passa quando perdoamos, apesar de emocionalmente nos sentirmos inclinados a não o fazer.


O perdão é um ato da vontade porque consiste em uma decisão. Qual é o conteúdo desta decisão? O que é que decido quando perdôo? Quando perdôo, opto por cancelar a dívida moral que o outro contraiu comigo ao ofender-me e, portanto, liberto-o enquanto devedor.


Não se trata, evidentemente, de suprimir a ofensa cometida, de eliminá-la e fazer que nunca tenha existido, porque não temos esse poder. Só Deus pode apagar a ação ofensiva e conseguir que o ofensor volte à situação em que se encontrava antes de cometê-la. Mas nós, quando perdoamos realmente, desejaríamos que o outro ficasse completamente eximido da má ação que cometeu. Por isso, “perdoar implica pedir a Deus que perdoe, pois só assim a ofensa é aniquilada” (2). [...]

***



MARIA SEMPRE!


Notas:

(1) “A vontade, que pode mover o entendimento no seu exercício, pode mover também despoticamente outras potências, especialmente as motrizes: pode dar ordens aos braços e às pernas, comandar a direção do olhar, o movimento da língua, as operações das mãos... Mas não lhe foi dado mover dessa maneira os apetites, sentimentos ou moções sensíveis, os quais gozam de uma certa autonomia. Cabe à vontade, com a ajuda do entendimento, exercer um governo político, persuasivo ou de convencimento sobre as tendências sensíveis do ser humano e a isso tem de circunscrever-se: quando não as pode orientar para o bem, deve transcendê-las, passar por cima delas” (Carlos Llano, Formación de la inteligencia, la voluntad e el carácter, Trillas,México,1983. pág. 142).

(2) Leonardo Polo, Quién es el hombre?, Rialp, Madrid, 1983, pág. 140.

Livro: Do Ressentimento ao Perdão
Autor: Francisco Ugarte - Tradução de Roberto Vidal da Silva Martins
Editora: Quadrante 
Páginas: 36-38

quarta-feira, 26 de junho de 2013

ESCRAVIDÃO A NOSSA SENHORA-Parte 1

São Luís Maria Grignion de Montfort

Prof. Pedro Maria da Cruz
 

“Escravidão”? Que absurdo!

Prezados leitores, o que propomos aqui é uma simples reflexão de base, incipiente, e sem maiores desdobramentos, para preparar a mente e o coração de pessoas com preconceitos infundados predispondo-as a maiores esclarecimentos. Com efeito, se não respondermos a certas interrogações que servem “de alicerce” e vagueiam aqui e acolá na mente de algumas pessoas, jamais poderemos levantar nelas com solidez o restante do edifício especulativo.

As questões aqui apresentadas poderão parecer sem importância para católicos que partem do pressuposto de que elas sejam evidentes em si mesmas; porém, outros, feridos pela ignorância e pelo ensino heterodoxo que receberam, as terão como de grande relevância. Firmemos as bases primeiríssimas de determinado aspecto da busca pelo conhecimento e construamos a posteriori com solidez e beleza o restante do edifício.

 

“Escravidão” na Bíblia
 “Cristo assumiu a condição de escravo.” (Fil. 2,7)

É comum vermos filhos da Igreja confusos perante críticas levantadas por determinadas pessoas acerca da “Escravidão a Nossa Senhora” proposta por São Luiz Maria Grignion de Montfort. Alguns chegam mesmo a evitar essa expressão por medo de ao dizê-la estarem indo contra o Evangelho e com isso cometerem um grande pecado. Afinal – comentam – a Bíblia parece desabonar essa prática. Com efeito, está escrito:

1) “É para sermos livres que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos sujeiteis de novo ao jugo da escravidão.” (Gal.5,1)

2)  “Alguém pagou o preço de vosso resgate, não vos torneis escravos dos homens”. (I Cor. 7,23)

3)  Não recebeste espírito de escravidão.” (Rom. 8,15)

4)  Já não és mais escravo, mas filho.” (Gal. 4,7)

Entre outros textos...

Porém, interroguemo-nos:

Que escravidão é condenada nesses textos? A Sagrada Escritura critica todo e qualquer tipo de escravidão? Tomemos cuidado com algumas generalizações. Algumas...

Por exemplo, na mesma Bíblia em que se encontram aqueles versículos supracitados podemos ler também:

1)  Escravos, obedecei aos vossos senhores desse mundo com temor e tremor.” (Efe. 6,6)

2)  Quem era livre por ocasião do chamado de Deus fez-se escravo de Jesus Cristo.” (I Cor. 7,22)

3)    “Cristo assumiu a condição de escravo.” (Fil. 2,7)

4)  “Libertados do pecado e feitos escravos de Deus, produzis os frutos que conduzem à santificação” (Rm. 6,22).

Vemos aqui algo extremamente interessante: saímos de uma escravidão para cair em outra com arroubos de felicidade... Ora, é fato que Cristo nos libertou da escravidão da morte (Heb. 2,15); todavia, isso não significa que não possamos ser escravos sob outros aspectos mais sublimes, espirituais, como as cartas apostólicas nos sugerem.

Observe-se que tratamos aqui de uma escravidão que significa total submissão espiritual àquele que possui poder absoluto sobre todas as coisas e do qual temos a mais completa necessidade em todos os aspectos. Exprimimos o que é espiritual em termos espirituais (Cor. 2,13). Tomamos textos que podem ser lidos numa perspectiva puramente histórica e o saboreamos em seu claro sentido místico; como, alias, é de praxe ocorrer na história eclesiástica.



Virgem do Bom Conselho, rogai por nós!



Maria Sempre!



domingo, 16 de junho de 2013

S. JOSÉ DE LEONISSA, DEFENSOR DA FÉ


Prof. Pedro Maria da Cruz

“Sereis odiados por causa de meu nome.”
                                                                    (Mt.10,22)

“Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos.”
                                                                                                       (Mt.10,16)

São José de Leonissa (sua cidade de origem na região do Lázio) nasceu na Itália, aos 8 de janeiro de 1556. Desde cedo fatos extraordinários manifestaram a singularidade daquela criança. Certa vez, sua mãe, adormecendo sobre ele ainda bebê, foi subitamente despertada por mão invisível que salvara da morte iminente. Noutra ocasião, quando o menino chorava, sua mãe presenciou o berço agitar-se docemente, como que embalado por misterioso anjo.

Em 1572 ingressou na Ordem dos Capuchinhos. Desde então, perde seu nome de batismo, Eufrânio, e passa a chamar-se Frei Giuseppe da Leonessa (Frei José de Leonissa). Em 24 de setembro de 1580 é ordenado sacerdote na cidade de Amélia; e, em 21 de maio de 1581 recebe a faculdade de Pregador. Torna-se, deste modo, missionário aos 26 anos de idade. Seria conhecido desde então como incansável e destemido pregador do Evangelho.

Em 1587 recebe de seu superior capuchinho a permissão para agregar-se à Missão de Constantinopla, onde poderia pregar entre bárbaros e infiéis. Durante a longa viagem, faltaram alimentos para a tripulação do barco onde viajava. Tocado pelo desespero dos marinheiros, Frei José benzeu alguns poucos pães e o alimento bastou para todo o período da travessia. Iniciava-se deste modo seu apostolado que seria marcado por verdadeiros prodígios sobrenaturais.

Devido a uma peste de que foram vítimas o superior e outros frades da missão de Constantinopla, Frei José de Leonissa foi nomeado superior e, desafiando o perigo, entrou a pregar o Evangelho aos muçulmanos. Pela coragem de afrontar o edito do Sultão Murad III, foi condenado à Pena do gancho – consistia em ser a vítima pendurada em dois ganchos presos ao patíbulo por uma das mãos e um pé. Frei José ficou pendurado sobre uma fogueira com lenha e palha umedecidos, cujo calor o faria morrer em terríveis convulsões. Porém, ao terceiro dia, foi libertado milagrosamente por um anjo.” (Cf. RESENDE, Henrique. São José de Leonissa. Pg. 5).

Em 1612, o missionário adoeceu violentamente. Nessa ocasião, em vez de quedar-se em sua cama cheio de lamentações, arrastava-se ate a Igreja para celebrar a Santa Missa. Depois, não conseguindo mais se manter de pé deslocava-se até à Igreja para comungar o Santíssimo Sacramento. A doença causava-lhe dores terríveis e tão cruéis que não mais lhe permitiam repouso. Chegando a hora da morte, o santo de Leonissa disse ao ouvir soarem os sinos: “Hoje é sábado, dia consagrado a Nossa Senhora, e sábado morreu o nosso amado São Francisco. Em um sábado morrerei também eu.” Ao recitar o Oficio divino, como fazia todos os dias, exclamou: “Deixemos o Ofício; Deus me chama a si.” Eram 21 horas do dia 4 de fevereiro de 1612. O Frei José de Leonessa contava 56 anos de idade...

O povo correu em massa para venerar e recolher relíquias do santo. O barão de Orsine e os magistrados de Amatrice deliberaram ser o corpo embalsamado e conduzido em segredo para uma Igreja. Deste modo, pretendiam evitar que os habitantes de Leonissa tomassem o corpo e levassem o consigo; tamanha a veneração que lhe manifestavam. Enquanto embalsamavam o corpo, o padre guardião conseguiu apoderar do coração. Afirmava que os corpos dos santos não precisam de recursos humanos para se manter, pois o poder divino os preserva da corrupção. Com efeito, o coração de São José de Leonissa se conserva milagrosamente intacto desde então. É guardado com grande veneração em precioso relicário. Queira Deus que, guardando também seu exemplo, possam todos os cristãos se destacar na defesa da fé católica.

São José de Leonissa, rogai por nós.

Maria Sempre!