sábado, 17 de agosto de 2013

CONTRIÇÃO PERFEITA



Por Lucas Silva1
Ela perdoa imediatamente qualquer pecado, por grave que seja e reconcilia o pecador com Deus, já antes da confissão e mesmo sem confissão, quando esta é impossível, mas com o desejo de se confessar. Não há, porém, obrigação de se confessar sem demora, embora seja recomendável. Pode-se esperar até que urja a obrigação de comungar, porque, para isso a Igreja exige a confissão, embora se tenha contrição perfeita.

Com o estado de graça, recobram-se os méritos perdidos, a possibilidade de adquirir novos e a paz da consciência.

1) Que tesouro precioso em qualquer circunstância da vida. Alguém cai em um pecado mortal e não pode ou mesmo não quer confessar-se logo, mas acha duro e perigoso viver dias e semanas na inimizade de Deus, pode logo, com a contrição perfeita, alcançar o perdão e a paz da consciência.
Por conseguinte, depois de cair em um pecado grave, em lugar de passar um tempo considerável nesse triste e perigoso estado, em qualquer lugar, ou tempo, sem de chamar a atenção de ninguém, rezemos o ato de contrição perfeita. Infelizmente poucas são as pessoas que, por ignorância ou negligência, sabem beneficiar desse rasgo da misericórdia divina.

2) A contrição perfeita, tesouro preciosíssimo na hora da morte. Ela pode ser tábua de salvação para todos os homens, pagãos, judeus, protestantes, pecadores quaisquer, contanto que tenham o desejo sincero de fazer o que Deus manda se o conhecerem. E assim se verifica a palavra da Sagrada Escritura: Deus quer que todos os homens se salvem. E a prova desse querer é que Ele oferece a todos os que têm boa vontade esse meio de salvação. É o que faz dizer a Santo Tomás que Deus antes mandará um anjo para batizar um pagão que procura a seu Criador do que deixá-lo perder-se. Este anjo será um missionário que eventualmente se encontra ou um raio de luz divina que ilumina a alma e lhe inspira um ato de contrição perfeita que sendo um ato de caridade perfeita supre o batismo.2

Como exercitar a contrição perfeita:3

Hás de pressupor que a contrição perfeita é graça e grande graça do amor e misericórdia de Deus; e, se assim é, hás, portanto, de pedi-la com instância. Porém, não te contentes com fazê-lo somente quanto trates de excitar a contrição, porque o desejo de alcançá-la deve ser um dos mais ardentes anseios de tua alma. Pede-a, pois, dizendo: Senhor, dai-me a graça do perfeito arrependimento, da perfeita contrição dos meus pecados. E Deus não te faltará com a sua graça, se tiveres boa vontade.

Posto isto, repara como poderás facilmente conseguir a contrição perfeita. Põe-te diante de um crucifixo, na igreja ou na casa de tua habitação, ou senão imagina que o tens diante de ti, e, chorando de compaixão à vista das feridas do Senhor, pensa uns momentos com fervor: Quem é este que está pendente da Cruz e sofrendo nela?

— É Jesus, meu Deus e Salvador.
— Que sofre?
— As mais terríveis dores no corpo, tem-no ensangüentado e coberto de feridas; a alma, tem-na lacerada pelas dores e afrontas. Por que sofre tudo isso?
— Pelos pecados dos homens e... também pelos meus pecados; em meio de suas amarguradas dores, também pensa em mim, também sofre por mim, também quer expiar os meus pecados.
— Entretanto, deixa que o sangue redentor do Salvador, quente ainda, caia sobre ti, gota a gota, e pergunta a ti mesmo como tens correspondido ao teu Salvador, tão atormentado por ti.

Pensa um momento, recorda teus pecados, e esquece-te, se quiseres, do Céu, do inferno, e arrepende-te principalmente porque são eles que a tão miserando estado reduziram o teu Salvador; promete-lhe que não tornarás a crucificá-Lo com mais pecados e, por fim, reza, pausadamente e com fervor, acompanhando com sentimento interno, as palavras, a fórmula da contrição.

Esta oração ou fórmula pode ser diversa e ainda pode cada um servir-se para ela de suas próprias palavras. No fim do livrinho, encontrarás algumas; contudo juntarei aqui uma bastante vulgar:

Senhor meu e Deus meu: pesa-me, do mais íntimo do coração, de todos os pecados de minha vida, porque com eles tenho merecido que a vossa divina Justiça me castigasse na vida e na eternidade; porque tenho correspondido ao vosso amor com tanta ingratidão, sendo como Sois o meu maior benfeitor; porém, sobretudo, porque com eles Vos tenho ofendido a Vós, meu bem supremo e digno de todo o amor. Proponho firmemente emendar-me e não mais pecar. Dai-me, meu Jesus, a graça para cumpri-lo. Amém.”

Três porquês contém esta oração, e a cada porquê acompanha um motivo de contrição, primeiro da imperfeita, depois da perfeita; pois, da imperfeita se passa mais facilmente para a perfeita e é por isto conveniente unir as duas espécies de contrição. Em outras palavras, convém que se excite em primeiro lugar a contrição imperfeita e depois a perfeita. Dize, pois:

1— “porque com eles, tenho merecido...” Isto é ainda contrição imperfeita.
2— “porque tenho correspondido...” Esta vai já se aproximando da contrição perfeita e até se reduz a ela; porque, se deveras sinto ter correspondido com ingratidão e com pecados ao amor e bondade de Deus, necessariamente hei de querer ressarcir com amor esta ingratidão; e o sentir por amor a ofensa do benfeitor, a quem até agora se desconhecia, é já contrição perfeita, contrição de caridade para com Deus.
3— “porém, sobretudo, porque com eles Vos tenho ofendido...”

Para consegui-lo mais facilmente, podes acrescentar, mentalmente ou por palavras, o que segue: “porém, sobretudo, porque com eles Vos tenho ofendido a Vós, meu bem supremo e digno de todo o amor. Salvador meu que, por meus pecados, morrestes na Cruz”.

Depois vem o propósito: “Proponho...” — Porém, padre, dir-me-ás talvez — para outros, será isso muito fácil, mas para mim, é coisa muito difícil, quase impossível.
— Parece-te isso? Pois não o julgues tal, Deus te dará a graça para perseverar e diminuir as ocasiões de pecado. Não é impossível, visto que se tem a ajuda da graça.

Podes fazer esse exercício depois da confissão ou do exame de consciência, e faça-o muitas vezes, para evitar o quanto mais de cair em pecado mortal.

MARIA SEMPRE!


1 – O autor é residente na cidade de Montes Claros-MG, estudante secundário e acólito na Santa Missa Tridentina.
2- O pequeno Missionário, dos Missionários da Congregação da Missão, editora Vozes, Petrópolis, 8ª edição, 1958

3- Texto baseado no livro “A contrição perfeita – Uma chave de ouro para o céu”, por J. Driesch.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

ESCRAVIDÃO A NOSSA SENHORA-Parte 2



Prof. Pedro Maria da Cruz


“Escravo de Cristo, sim! Mas, de Maria?”


“Livre em relação a todos eu me fiz escravo de todos.” (I Cor. 9,19)

Passemos, entretanto, ao cerne de nossa reflexão: Vimos que é correto tomar a palavra “escravidão” em sentido positivo. Porém, e a expressão “Escravidão a Maria” não seria um exagero? 

Antes de tudo, citemos uma realidade incontestável: se for de fato possível essa escravidão, que boa senhora teremos... 

No entanto, sejamos “Bíblicos”, como pedem alguns:

Disse Jesus: “Se alguém dentre vós quer ser o primeiro, eu vos digo, que seja o escravo de todos.” (Mc. 10,44). Ora, “todos” significa “todos”; portanto, incluamos também aqui Maria Santíssima. Poderão retorquir: “Mas Nosso Senhor falava ao grupo dos apóstolos!” Ao que responderemos: não é verdade que as palavras de Cristo se aplicam de algum modo à generalidade dos homens, e exatamente por isso foram escritas? Ademais, está dito que toda Escritura é útil para ensinar (II Tm. 3,16). Deste modo, devo ser escravo de todos, inclusive da Virgem. Quem condenará então a expressão “Escravo de Maria”?

Além do mais, em outra parte está escrito: “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que também eles estejam em nós.” (Jo. 17,21). Entendemos bem o que foi lido? Cristo pede ao Pai (e com certeza é atendido), para que todos nós estejamos Neles da mesma forma como Ele e o Pai estão presentes um no outro; ou seja, tendo posse em comum de tudo que lhes pertence. A conseqüência é lógica: Se estamos em Cristo e somos um com Ele, então todos os escravos de Cristo são nossos escravos, e todo o amor que Cristo dedica a eles também nós (Senhores e Escravos) o dedicaremos. Porém, sabemos muito bem que o grau de unidade com o Senhor depende do grau de nossa identificação voluntária com Ele, caso contrário Deus ofenderia a liberdade por Ele mesmo criada em nós. 

Ora, quem mais se identificou com Deus que Nossa Senhora, a cheia de graça e bendita entre todas as mulheres? (Lc.1,28.42). Alguém ousaria supor que a Mãe de Cristo, a quem todas as gerações chamarão bem aventurada (Lc.1,48), não tenha se tornado um com Ele? Caríssimo leitor, uma vez que Maria tornou-se “um” com Ele, então todos os escravos de Cristo são também escravos de Maria, e num sentido mais profundo pela unidade excepcional que a Mãe bendita tem com o Filho de Deus. Deste modo, os que se dizem “Escravos de Cristo” terão que dizer-se também, sem medo e com júbilo, “Escravos de Maria”.

Por não podermos nos alongar demais no curto espaço desse artigo, paremos nessa argumentação. Estamos cientes de que sendo “um” com o Redentor participamos de tudo o que lhe pertence, inclusive de sua divindade (II Pd. 1,4). Estimados leitores, se participamos da própria divindade do Filho de Deus, por que não participaríamos de seu senhorio de amor sobre as almas? Que Deus nos ensine a mística alegria da Escravidão.

“Mas, Maria está morta!”

“Deus não é Deus dos mortos, mas de vivos; são todos vivos para ele.” (Mt. 20,38)

Aos que fazem esse tipo de afirmação (de que Maria esteja morta¹ e, portanto, impossibilitada de agir em relação ao mundo) perguntamos: mas, os que partem desta vida não estão com Cristo? (Fil. 1,23). E, de tal modo estão vivos que podem, inclusive, clamar a Deus (Apo. 6,9-11). Quem não se recordaria do diálogo entre Jesus e o falecido Moisés na transfiguração? (Mt.17,3). Já nos esquecemos das preocupações do rico após sua morte? (Lc.16,19-31) “Mas essa era apenas uma parábola!” Comentará alguém. Sim, reconhecemos. O que não invalida a mensagem que estamos passando. Afinal, Nosso Senhor jamais se utilizaria de um erro para anunciar a verdade.

Infelizmente, muitos se encontram com visões equivocadas sobre textos do Antigo Testamento; como aquele de Eclesiastes que afirma: “Os mortos não sabem coisa alguma. Pra eles já não há mais recompensa.” Recordemos, no entanto, do que afirmara o Novo Testamento: “Até aos mortos foi anunciada a boa nova”. (I Pd. 4,6). Sim, o apóstolo Pedro afirmara com clareza que Jesus Cristo fora pregar o Evangelho inclusive aos espíritos desencarnados (I Pd. 3,19). Como alguém poderia então continuar pensando que os mortos não sabem de nada? Se não sabiam no Antigo Testamento, agora já o sabem. O Eclesiastes cumpriu sua função pedagógica...

O fato é: mesmo depois que Nossa Senhora foi habitar com Cristo no céu ela continua viva, “vivíssima!”, clamando a Deus; e, à medida que seu Criador o permita (pois, é “um” com Ele), ela age em favor daqueles que ainda peregrinam nesta terra, os seus escravos - porque escravos de Cristo.

Finalmente, alguém ousaria imaginar que a Mãe de Jesus Cristo tenha sido condenada ao inferno? Impossível, pois todas as gerações a deverão chamar Bem Aventurada (Lc 1,48), e Deus jamais ordenaria tratar assim alguém que se tenha desgraçado na eternidade do inferno. 

Alegremo-nos! Maria Santíssima vive no céu - como todos os eleitos já falecidos - e podemos ser seus escravos. Afinal, como já vimos, assim nos permite as palavras do próprio Cristo. Deste modo, estaremos inclusive imitando ao Senhor que assumira a condição de escravo (Fil.2,7). Não é verdade que devemos imitá-lo?

E não pensemos que na escravidão a Maria reine o medo, porque se me faço escravo por amor (e só dessa forma se deve fazer-se escravo) então, já não há mais temor em mim. O perfeito amor lança fora essa imperfeição (I Jo. 4,18).

Caríssimos, a escravidão a Nossa Senhora torna-se uma conseqüência lógica de todo aquele que se lhe submete amorosamente. Afinal, como dissera São Pedro, se é escravo “daquilo pelo qual se é dominado” (II Pd. 2,19). Abandonamos a escravidão do pecado (Rm. 6,6) e nos oferecemos a Maria Santíssima para lhe obedecer, tornando-nos assim, por conseqüência escravos daquela a quem obedecemos (Rm. 6,16).

Virgem de Guadalupe, rogai por nós! 

Maria Sempre! 

[1] Não trataremos aqui sobre a passagem de Nossa Senhora desta vida para o céu, mas somente de modo geral e sem maiores detalhes sobre a possibilidade de ela, estando entre os mortos, poder ou não agir em relação aos da terra.

domingo, 28 de julho de 2013

O QUE É PERDOAR

Santa Maria Madalena - representação no filme "A Paixão de Cristo (2004)"
À diferença do ressentimento produzido por certas ofensas, o perdão não é um sentimento. Perdoar não equivale a deixar de sentir. Há quem se considere incapaz de perdoar certos agravos porque não pode eliminar os seus efeitos: não pode deixar de experimentar a ferida, nem o ódio, nem o desejo de vingança. Daqui podem derivar complicações no âmbito da consciência moral, especificamente se se tem em conta que Deus espera que perdoemos para que Ele nos perdoe (cfr.  Mt 6, 12).

A incapacidade de deixar de sentir o ressentimento, no nível emocional, pode ser, efetivamente, insuperável, ao menos em curto prazo. No entanto, se se compreende que o perdão está situado num nível diferente do ressentimento, isto é, no nível da vontade, descobrir-se-á o caminho que leva à solução.


O empregado que foi despedido injustamente da empresa, o cônjuge que sofreu a infidelidade do seu consorte, os pais a quem seqüestraram um filho podem decidir perdoar – apesar do sentimento adverso que experimentam necessariamente. Porque o perdão é um ato volitivo e não um ato emocional. Entender esta diferença, entre sentir uma emoção e tomar uma decisão já é um passo importante para esclarecer o problema.


Muitas vezes na vida devemos agir no sentido inverso ao daquele que os nossos sentimentos nos marcam, e de fato o fazemos porque a nossa vontade se sobrepõe às nossas emoções (1). Por exemplo, quando sentimos desânimo por algum fracasso que tivemos na realização de uma tarefa e, ao invés de abandoná-la, nos sobrepomos e continuamos em frente até concluí-la; quando alguém implicou conosco e sentimos o impulso de agredi-lo, mas decidimos controlar-nos e ser pacientes; quando em certo momento do dia temos um acesso de preguiça e, no entanto, optamos por trabalhar. Em todos estes casos, manifesta-se a capacidade da vontade para dominar os sentimentos. O mesmo se passa quando perdoamos, apesar de emocionalmente nos sentirmos inclinados a não o fazer.


O perdão é um ato da vontade porque consiste em uma decisão. Qual é o conteúdo desta decisão? O que é que decido quando perdôo? Quando perdôo, opto por cancelar a dívida moral que o outro contraiu comigo ao ofender-me e, portanto, liberto-o enquanto devedor.


Não se trata, evidentemente, de suprimir a ofensa cometida, de eliminá-la e fazer que nunca tenha existido, porque não temos esse poder. Só Deus pode apagar a ação ofensiva e conseguir que o ofensor volte à situação em que se encontrava antes de cometê-la. Mas nós, quando perdoamos realmente, desejaríamos que o outro ficasse completamente eximido da má ação que cometeu. Por isso, “perdoar implica pedir a Deus que perdoe, pois só assim a ofensa é aniquilada” (2). [...]

***



MARIA SEMPRE!


Notas:

(1) “A vontade, que pode mover o entendimento no seu exercício, pode mover também despoticamente outras potências, especialmente as motrizes: pode dar ordens aos braços e às pernas, comandar a direção do olhar, o movimento da língua, as operações das mãos... Mas não lhe foi dado mover dessa maneira os apetites, sentimentos ou moções sensíveis, os quais gozam de uma certa autonomia. Cabe à vontade, com a ajuda do entendimento, exercer um governo político, persuasivo ou de convencimento sobre as tendências sensíveis do ser humano e a isso tem de circunscrever-se: quando não as pode orientar para o bem, deve transcendê-las, passar por cima delas” (Carlos Llano, Formación de la inteligencia, la voluntad e el carácter, Trillas,México,1983. pág. 142).

(2) Leonardo Polo, Quién es el hombre?, Rialp, Madrid, 1983, pág. 140.

Livro: Do Ressentimento ao Perdão
Autor: Francisco Ugarte - Tradução de Roberto Vidal da Silva Martins
Editora: Quadrante 
Páginas: 36-38

quarta-feira, 26 de junho de 2013

ESCRAVIDÃO A NOSSA SENHORA-Parte 1

São Luís Maria Grignion de Montfort

Prof. Pedro Maria da Cruz
 

“Escravidão”? Que absurdo!

Prezados leitores, o que propomos aqui é uma simples reflexão de base, incipiente, e sem maiores desdobramentos, para preparar a mente e o coração de pessoas com preconceitos infundados predispondo-as a maiores esclarecimentos. Com efeito, se não respondermos a certas interrogações que servem “de alicerce” e vagueiam aqui e acolá na mente de algumas pessoas, jamais poderemos levantar nelas com solidez o restante do edifício especulativo.

As questões aqui apresentadas poderão parecer sem importância para católicos que partem do pressuposto de que elas sejam evidentes em si mesmas; porém, outros, feridos pela ignorância e pelo ensino heterodoxo que receberam, as terão como de grande relevância. Firmemos as bases primeiríssimas de determinado aspecto da busca pelo conhecimento e construamos a posteriori com solidez e beleza o restante do edifício.

 

“Escravidão” na Bíblia
 “Cristo assumiu a condição de escravo.” (Fil. 2,7)

É comum vermos filhos da Igreja confusos perante críticas levantadas por determinadas pessoas acerca da “Escravidão a Nossa Senhora” proposta por São Luiz Maria Grignion de Montfort. Alguns chegam mesmo a evitar essa expressão por medo de ao dizê-la estarem indo contra o Evangelho e com isso cometerem um grande pecado. Afinal – comentam – a Bíblia parece desabonar essa prática. Com efeito, está escrito:

1) “É para sermos livres que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos sujeiteis de novo ao jugo da escravidão.” (Gal.5,1)

2)  “Alguém pagou o preço de vosso resgate, não vos torneis escravos dos homens”. (I Cor. 7,23)

3)  Não recebeste espírito de escravidão.” (Rom. 8,15)

4)  Já não és mais escravo, mas filho.” (Gal. 4,7)

Entre outros textos...

Porém, interroguemo-nos:

Que escravidão é condenada nesses textos? A Sagrada Escritura critica todo e qualquer tipo de escravidão? Tomemos cuidado com algumas generalizações. Algumas...

Por exemplo, na mesma Bíblia em que se encontram aqueles versículos supracitados podemos ler também:

1)  Escravos, obedecei aos vossos senhores desse mundo com temor e tremor.” (Efe. 6,6)

2)  Quem era livre por ocasião do chamado de Deus fez-se escravo de Jesus Cristo.” (I Cor. 7,22)

3)    “Cristo assumiu a condição de escravo.” (Fil. 2,7)

4)  “Libertados do pecado e feitos escravos de Deus, produzis os frutos que conduzem à santificação” (Rm. 6,22).

Vemos aqui algo extremamente interessante: saímos de uma escravidão para cair em outra com arroubos de felicidade... Ora, é fato que Cristo nos libertou da escravidão da morte (Heb. 2,15); todavia, isso não significa que não possamos ser escravos sob outros aspectos mais sublimes, espirituais, como as cartas apostólicas nos sugerem.

Observe-se que tratamos aqui de uma escravidão que significa total submissão espiritual àquele que possui poder absoluto sobre todas as coisas e do qual temos a mais completa necessidade em todos os aspectos. Exprimimos o que é espiritual em termos espirituais (Cor. 2,13). Tomamos textos que podem ser lidos numa perspectiva puramente histórica e o saboreamos em seu claro sentido místico; como, alias, é de praxe ocorrer na história eclesiástica.



Virgem do Bom Conselho, rogai por nós!



Maria Sempre!



domingo, 16 de junho de 2013

S. JOSÉ DE LEONISSA, DEFENSOR DA FÉ


Prof. Pedro Maria da Cruz

“Sereis odiados por causa de meu nome.”
                                                                    (Mt.10,22)

“Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos.”
                                                                                                       (Mt.10,16)

São José de Leonissa (sua cidade de origem na região do Lázio) nasceu na Itália, aos 8 de janeiro de 1556. Desde cedo fatos extraordinários manifestaram a singularidade daquela criança. Certa vez, sua mãe, adormecendo sobre ele ainda bebê, foi subitamente despertada por mão invisível que salvara da morte iminente. Noutra ocasião, quando o menino chorava, sua mãe presenciou o berço agitar-se docemente, como que embalado por misterioso anjo.

Em 1572 ingressou na Ordem dos Capuchinhos. Desde então, perde seu nome de batismo, Eufrânio, e passa a chamar-se Frei Giuseppe da Leonessa (Frei José de Leonissa). Em 24 de setembro de 1580 é ordenado sacerdote na cidade de Amélia; e, em 21 de maio de 1581 recebe a faculdade de Pregador. Torna-se, deste modo, missionário aos 26 anos de idade. Seria conhecido desde então como incansável e destemido pregador do Evangelho.

Em 1587 recebe de seu superior capuchinho a permissão para agregar-se à Missão de Constantinopla, onde poderia pregar entre bárbaros e infiéis. Durante a longa viagem, faltaram alimentos para a tripulação do barco onde viajava. Tocado pelo desespero dos marinheiros, Frei José benzeu alguns poucos pães e o alimento bastou para todo o período da travessia. Iniciava-se deste modo seu apostolado que seria marcado por verdadeiros prodígios sobrenaturais.

Devido a uma peste de que foram vítimas o superior e outros frades da missão de Constantinopla, Frei José de Leonissa foi nomeado superior e, desafiando o perigo, entrou a pregar o Evangelho aos muçulmanos. Pela coragem de afrontar o edito do Sultão Murad III, foi condenado à Pena do gancho – consistia em ser a vítima pendurada em dois ganchos presos ao patíbulo por uma das mãos e um pé. Frei José ficou pendurado sobre uma fogueira com lenha e palha umedecidos, cujo calor o faria morrer em terríveis convulsões. Porém, ao terceiro dia, foi libertado milagrosamente por um anjo.” (Cf. RESENDE, Henrique. São José de Leonissa. Pg. 5).

Em 1612, o missionário adoeceu violentamente. Nessa ocasião, em vez de quedar-se em sua cama cheio de lamentações, arrastava-se ate a Igreja para celebrar a Santa Missa. Depois, não conseguindo mais se manter de pé deslocava-se até à Igreja para comungar o Santíssimo Sacramento. A doença causava-lhe dores terríveis e tão cruéis que não mais lhe permitiam repouso. Chegando a hora da morte, o santo de Leonissa disse ao ouvir soarem os sinos: “Hoje é sábado, dia consagrado a Nossa Senhora, e sábado morreu o nosso amado São Francisco. Em um sábado morrerei também eu.” Ao recitar o Oficio divino, como fazia todos os dias, exclamou: “Deixemos o Ofício; Deus me chama a si.” Eram 21 horas do dia 4 de fevereiro de 1612. O Frei José de Leonessa contava 56 anos de idade...

O povo correu em massa para venerar e recolher relíquias do santo. O barão de Orsine e os magistrados de Amatrice deliberaram ser o corpo embalsamado e conduzido em segredo para uma Igreja. Deste modo, pretendiam evitar que os habitantes de Leonissa tomassem o corpo e levassem o consigo; tamanha a veneração que lhe manifestavam. Enquanto embalsamavam o corpo, o padre guardião conseguiu apoderar do coração. Afirmava que os corpos dos santos não precisam de recursos humanos para se manter, pois o poder divino os preserva da corrupção. Com efeito, o coração de São José de Leonissa se conserva milagrosamente intacto desde então. É guardado com grande veneração em precioso relicário. Queira Deus que, guardando também seu exemplo, possam todos os cristãos se destacar na defesa da fé católica.

São José de Leonissa, rogai por nós.

Maria Sempre!

domingo, 9 de junho de 2013

NHÁ CHICA BEATA, MUITA HONRA!



Por João S. de O. Jr.

Em 04 de maio de 2013, tivemos a beatificação de Francisca de Paula de Jesus, mais conhecida como Nhá Chica, a primeira mineira oficialmente beata. Nasceu em São João Del Rei (MG), mas viveu a maior parte da sua vida em Baependi (MG). Era pobre e muito simples, leiga, virgem, decidiu não casar e ter uma vida dedicada a Religião seguindo o conselho da mãe. Filha de escravos, passou uma vida dedicada a oração dando ajuda material e sobretudo espiritual ao próximo. Analfabeta, mas tinha o dom da ciência infusa e da clarividência. Coisas assim, só na Igreja Católica...

“Eu não sou santa... Sou só uma pobre mulher analfabeta...” _repetia ela _ "...eu rezo a Deus e através dos méritos de sua Santíssima Mãe, Ele me atende”.

Veja abaixo outras informações sobre Nhá Chica, mas que não são vistas nos noticiários seculares que cobriram a beatificação:

“(...) Nhá Chica era analfabeta, pois não aprendeu a ler nem escrever, desejava somente ler as Escrituras Sagradas, mas alguém as lia para ela, e a fazia feliz. Compôs uma Novena à Nossa Senhora da Conceição e em Sua honra, construiu, ao lado de sua casa, uma Igrejinha, onde venerava uma pequena Imagem de Nossa Senhora da Conceição que era de sua mãe e, diante da qual, rezava piedosamente para todos aqueles que a ela se recomendavam. Essa Imagem, ainda hoje, se encontra na sala da casinha onde ela viveu, sobre o Altar da antiga Capela.

Em 1954, a Igreja de Nhá Chica foi confiada à Congregação das Irmãs Franciscanas do Senhor. Desde então teve início bem ao lado da Igreja, uma obra de assistência social para crianças necessitadas que vem sendo mantida por benfeitores devotos de Nhá Chica. Hoje a "Associação Beneficente Nhá Chica" (ABNC) acolhe mais de 160 crianças entre meninas e meninos.

Ao longo dos anos, a "Igrejinha de Nhá Chica", depois de ter passado por algumas reformas, é hoje o "Santuário Nossa Senhora da Conceição" que acolhe Peregrinos de todo o Brasil e de diversas partes do mundo. Muitos fiéis que visitam o lugar, pedem graças e oram com fé. Tantos voltam para agradecer e registram suas graças recebidas. Atualmente, no "Registro de graças do Santuário", podem-se ler aproximadamente 20.000 graças alcançadas por intermédio de Nhá Chica.

A Venerável morreu no dia 14 de junho de 1895, estando com 87 anos de idade, mas foi sepultada somente no dia 18, no interior da Capela por ela construída. As pessoas que ali estiveram sentiram exalar-se de seu corpo um misterioso perfume de rosas durante os quatro dias de seu velório. Tal perfume foi novamente sentido no dia 18 de junho de 1998, 103 anos depois, por Autoridades Eclesiásticas e por membros do Tribunal Eclesiástico pela Causa de Beatificação de Nhá Chica e, também, pelos pedreiros, por ocasião da exumação do seu corpo. Os restos Mortais da Venerável se encontram hoje no mesmo lugar, no interior do Santuário Nossa Senhora da Conceição em Baependi, protegidos por uma Urna de acrílico colocada no interior de uma outra de granito, onde são venerados pelos fiéis.(...)”

Estas e outras informações são vistas no site oficial de sua causa: http://www.nhachica.org.br/

Filha de Minas

O motivo da Nhá Chica ser a primeira mineira a ser elevada aos altares, honra muito nosso povo de Minas Gerais dado a religiosidade dele, tão refletida nas suas cidades e Igrejas antigas. Significativo também, pois a figura da agora beata espelha bem tantas senhoras nos interiores do Brasil e nestas Minas Gerais que, com simplicidade e muita piedade, levam a fé e a tradição adiante. Com a reza do Rosário, a devoção aos santos, a oração de novenas e assistindo a Santa Missa. Com pouco conhecimento teológico, contudo com muito respeito à fé da Igreja, pois, estão inseridas nela, fielmente.

Bento XVI diz que "há santos que só Deus conhece o nome", certamente, beata Nhá Chica foi uma que Deus permitiu o nome ser revelado para subir aos altares representado dezenas neste Brasil que não aparecerão nas mídias e, em sua maioria, mal sabem escrever o próprio nome. Porém, pela devoção a Virgem Santíssima, através santo terço, elas amam e dão glórias ao nosso Senhor.


MARIA SEMPRE!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

- "AS EXCELÊNCIAS DA SANTA MISSA" - NECESSIDADE DO SANTO SACRIFÍCIO


Se não houvesse o Sol, que seria da Terra? Oh! Tudo seria trevas, horror, esterilidade e desolação.

E se o Mundo não tivesse a Santa Missa, que seria de nós? Infelizes! Ficaríamos privados de todos os bens sobrecarregados de todos os males. Estaríamos expostos a todos os raios da cólera de Deus.

Alguns há que se admiram, e acham que, de certo modo Deus mudou a sua maneira de governar. Antigamente Ele se nomeava de Deus dos exércitos, e falava ao povo do meio das nuvens, manejando o trovão; e de fato, era com todo o rigor da justiça que castigava os pecados. Por um único adultério, mandou passar a fio de espada vinte e cinco mil homens da tribo de Benjamim. (Juiz 20,46).

Por um leve pecado de orgulho de Davi em computar o povo, enviou Ele uma peste tão terrível que, em poucas horas pereceram setenta mil pessoas (II Sam. 24,15).

Por um só olhar curioso e desrespeitoso dos betsamitas, fez que cinqüenta mil deles perecessem. (I Sam. 6, 19).

E agora suporta, com paciência, não só vaidades e irreverências, mas adultérios, os mais vergonhosos, escândalos gravíssimos, e tantas blasfêmias horríveis que muitos cristãos vomitam contra Seu Nome Santíssimo.

Porque assim acontece? Por que tão grande mudança de conduta? Serão as ingratidões dos homens mais escusáveis hoje do que outrora? Bem ao contrário, são muito mais culpáveis, já que os imensos benefícios de Deus se multiplicam cada dia.

A verdadeira razão desta clemência espantosa é a Santa Missa, pela qual esta grande Vítima, que se chama Jesus, se oferece ao Eterno Pai. Eis aí o sol da Santa Igreja que dissipa as nuvens e torna sereno o céu.

Eis aí o arco-íris que detém os raios da Divina Justiça. Creio para mim que, não fosse a Santa Missa, o Mundo estaria já no abismo, incapaz de suportar o imenso fardo de suas iniqüidades.

A Santa Missa é o poderoso sustentáculo que lhe permite subsistir.

Pe. Henrique Munaiz, SJ.
 Celebração no Rito Tridentino

Concluí, de tudo isto, quanto este divino Sacrifício é necessário; assim então, sabei aproveitá-lo o máximo que for possível.

Para isto, quando participamos da Santa Missa, devemos imitar Afonso de Albuquerque. Achando-se, com sua frota, em perigo de naufragar numa horrível tempestade, teve uma inspiração: tomou nos braços uma criança que viajava em sua nau, e, elevando-a ao alto, exclamou: “Se todos somos pecadores, esta criaturinha é certamente sem mácula, Ah! Senhor por amor deste inocente compadecei-vos dos culpados!” Acreditareis? A vista dessa criança inocente agradou tanto a Deus, que Ele acalmou o mar e devolveu a alegria àqueles infelizes, gelados já pelo terror da morte certa.

Ora, qual pensais seja a atitude do Eterno Pai, quando o sacerdote, levantando a Santa Hóstia, lhe apresenta o Divino Filho? Ah! Seu amor não pode resistir à vista do inocente Jesus; Ele se sente forçado a acalmar nossas tormentas, e acudir a todas as nossas necessidades. Sem esta santa vítima, portanto, sem Jesus sacrificado por nós, primeiro sobre a Cruz, e todos os dias sobre nossos altares, estaríamos perdidos, e poderia cada um dizer a seu companheiro: “Até à vista no inferno! Sim, sim, no inferno, no inferno! Até à vista no inferno!”

Mas, com este tesouro da Santa Missa a nosso alcance, nossa esperança renasce; e se não opusermos obstáculos, teremos assegurado o Paraíso.

Deveríamos, portanto, beijar nossos altares, perfumá-los de incenso, e sobretudo honrá-los com nosso máximo respeito, pois que deles nos vêm tantos bens.

Juntai as mãos e agradecei a Deus Pai que nos deu o mandamento tão doce de oferecer-Lhe muitas vezes a Vítima celeste. Agradecei-Lhe, sobretudo, pelo imenso proveito que dela recebeis, se sois fiel não somente em oferecê-la, mas de fazê-lo para os fins a que nos foi concedido este dom tão precioso.[...]


Oração a Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento

Ó Virgem Maria, Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, glória do povo cristão, alegria da Igreja Universal e salvação do Mundo, rogai por nós e despertai em todos os fiéis a devoção à Santíssima Eucaristia, para que se tornem dignos de comungar todos os dias. Amém . 3 Ave marias...



Fonte: Livro: As Excelências da Santa Missa - Frei Leonardo de Porto-Maurício

segunda-feira, 13 de maio de 2013

MENSAGEM DE N. SRA. DE FÁTIMA

De modo geral, a Mensagem de Fátima não é complicada. Os seus pedidos são de oração, reparação, arrependimento, sacrifício e desistência do pecado. Antes de Nossa Senhora aparecer aos três pastorinhos, Lúcia, Francisco e Jacinta, o Anjo da Paz visitou-os O Anjo preparou-os para receber a Santíssima Virgem Maria, e as suas instruções são um aspecto importante da Mensagem, a que muitas vezes não se dá a devida atenção.



O Anjo demonstrou aos pastorinhos a maneira fervente, atenta e respeitosa como deviam rezar, e a reverência que se devia ter para com Deus na oração. Explicou-lhes também a grande importância de rezar e sacrificar-se em reparação pelas ofensas cometidas contra Deus. E disse-lhes: " De tudo o que puderdes, oferecei a Deus sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e súplica pela conversão dos pecadores." Na sua terceira e última aparição aos pastorinhos, o Anjo deu-lhes a Sagrada Comunhão, e demonstrou a maneira correta de receber a Nosso Senhor na Eucaristia: as três crianças ajoelharam-se para receber a Comunhão; Lúcia recebeu a Sagrada Hóstia na língua, e o Anjo partilhou o Sangue do Cálice com Francisco e Jacinta.

Em todas as Suas aparições, Nossa Senhora sublinhou a importância de rezar o Terço, pedindo aos pastorinhos que rezassem o Terço todos os dias por intenção da paz. Outra parte principal da Mensagem de Fátima é a devoção ao Imaculado Coração de Nossa Senhora, horrivelmente ultrajado e ofendido pelos pecados da humanidade; somos convidados com amor a consolá-La por meio de uma reparação. Nossa Senhora mostrou aos pastorinhos o Seu Coração, rodeado de espinhos (que representavam os pecados contra o Seu Imaculado Coração), e eles compreenderam que os seus sacrifícios podiam ajudar a consolá-La.

Os pastorinhos viram também que Deus está horrivelmente ofendido pelos pecados da humanidade, e que deseja que cada um de nós e toda a humanidade abandone o pecado e faça reparação pelos seus crimes através de orações e sacrifícios. Nossa Senhora pediu, com tristeza: "Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido!"Também disse aos pastorinhos que rezassem e se sacrificassem pelos pecadores, para os salvar do inferno. E mostrou-lhes uma breve visão do inferno, e em seguida disse-lhes: "Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer do mundo a devoção a Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz."


Nossa Senhora acrescentou que, se as pessoas não deixassem de ofender a Deus, Ele castigaria severamente o mundo por meio da guerra, fome, perseguições à Igreja, e perseguição do Santo Padre. Para evitar estes castigos, Nossa Senhora ofereceu um remédio: voltaria para pedir a Consagração da Rússia ao Seu Imaculado Coração e a Comunhão de Reparação dos Cinco Primeiros Sábados. Se os Seus pedidos fossem atendidos, haveria paz. Em caso contrário, os erros da Rússia espalhar-se-iam pelo mundo, causando guerras e perseguições contra a Igreja, o Santo Padre teria muito que sofrer, os bons seriam martirizados e várias nações seriam aniquiladas.


Nossa Senhora indicou-nos a raiz específica de todos os problemas do mundo, a que causa guerras mundiais e tanto sofrimento terrível: o pecado. E depois apresentou uma solução, primeiro para todas as pessoas, e depois para os responsáveis da Igreja. Deus pede a cada um de nós que deixe de O ofender.


Devemos rezar, especialmente o Rosário. Pela oração frequente do Rosário, obteremos as graças de que precisamos para vencer o pecado. Deus quer que tenhamos devoção ao Imaculado Coração de Maria e que façamos por espalhar esta devoção por todo o mundo. Nossa Senhora disse: "O Meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus." Se quisermos ir para Deus, temos um caminho seguro, através de uma devoção verdadeira ao Imaculado Coração da Sua Mãe.


Quando a Irmã Lúcia perguntou a Nosso Senhor porque é que Ele não convertia a Rússia sem a consagração pública, solene e específica dessa nação, Jesus respondeu: Porque quero que toda a Minha Igreja reconheça a Consagração como um triunfo do Imaculado Coração, para que, mais tarde, coloquem a devoção ao Seu Imaculado Coração ao lado da devoção ao Meu Sagrado Coração.


Vemos, assim, que a conversão da Rússia não pode ter lugar, a menos que o Papa e os Bispos consagrem especificamente a Rússia, porque Deus reservou esta graça – esta graça especial – a este acto especial de honra e reparação ao Imaculado Coração de Maria. Jesus assim decidiu porque quer estabelecer em todo o mundo, nos corações e nas mentes dos fiéis, a importância da devoção ao Imaculado Coração de Sua Mãe.


A devoção ao Imaculado Coração é o ponto central da Mensagem de Fátima. Deus determinou que a Consagração da Rússia e a Comunhão de Reparação dos Cinco Primeiros Sábados fosse o meio de implementar esta devoção por todo o mundo, e encarregou o Papa, os Bispos e as almas individuais de praticar e promover esta devoção.


Para nos aproximar mais d’Ela, e portanto do Seu Filho, Nossa Senhora insistiu na importância de rezar pelo menos cinco dezenas do Rosário todos os dias. Pediu-nos para usar o Escapulário Castanho. E devemos fazer sacrifícios, especialmente o sacrifício de cumprir o nosso dever quotidiano, em reparação dos pecados cometidos contra Nosso Senhor e Nossa Senhora. Ela também insistiu na necessidade de orações e sacrifícios para salvar do inferno os pobres pecadores. A Mensagem de Fátima, para as almas individuais, resume-se a estas coisas.


Além destes temas gerais, dados na Mensagem de Fátima ao longo dos seis meses das aparições, Nossa Senhora confiou aos pastorinhos um Segredo em 13 de Julho de 1917. Este Segredo destinava-se a todos os Católicos, mas ser-lhes-ia revelado mais tarde (o mais tardar, em 1960), porque em 1917 ninguém estava preparado para o compreender todo.


Nas suas Terceira e Quarta Memórias, ambas escritas em 1941, a Irmã Lúcia revelou a uma audiência mais alargada as duas primeiras partes do Segredo. A terceira parte do Segredo – ou, como se costuma dizer, o Terceiro Segredo – foi escrita pela primeira vez entre 2 e 9 de Janeiro de 1944.