quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

INQUISIÇÃO: Mito e realidade histórica

     A verdade é bem diferente da ficção que se divulga sobre a Inquisição. Há necessidade de analisá-la com serenidade, com base na ciência histórica e dentro do contexto da época de sua existência.               
Prof. Dr. Roman Konik, da Polônia
O Prof. Dr. Roman Konik, nascido em 1968, além de publicista e comentarista de fatos quotidianos de seu país, é doutor em filosofia, professor adjunto da cátedra de estética na Faculdade de Filosofia da Universidade de Wroclaw (Polônia). É autor do livro Em Defesa da Santa Inquisição. A obra suscitou muita polêmica, e apesar do boicote sofrido por parte de livrarias — devido à legenda negra que se criou em torno do tema, apontando os inquisidores como “carniceiros”, torturadores, etc. –– despertou bastante interesse, já tendo sido vendidos mais de 35 mil exemplares. Com a polêmica, o jovem professor vem sendo convidado para conferências em diversas cidades de seu país, a fim de expor sua visão objetiva e bem documentada sobre o assunto, oposta aos mitos criados por certa literatura liberal contra o Tribunal do Santo Ofício.
Na entrevista concedida ao Sr. Leonardo Przybysz, nosso correspondente em Cracóvia (Polônia), comprova-se como os fatos — alicerçados na realidade histórica, e que se tornaram patentes mediante rigorosas pesquisas — diferem inteiramente das fantasias criadas e das detrações anti-Inquisição, embora não se negue que tenha havido certos abusos cometidos por alguns poucos inquisidores.
* * *
Catolicismo — Em seu livro Em defesa da Santa Inquisição, o Sr. explica que a Inquisição não era a responsável pela execução das penas de morte, mas sim os tribunais leigos. Não será esse ponto de vista semelhante às opiniões de alguns historiadores judeus, que dizem não ter sido o Sinédrio o responsável pela morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas o Tribunal Romano?

São Pio V antevendo a batalha de Lepanto. 
Antes de ser Papa ele foi inquisidor-mor na Itália.
   
Prof. Konik — Sempre que tocamos no assunto do funcionamento da Inquisição, precisamos considerá-la sob o prisma da época em que ela atuou. Na Idade Média, a Religião constituía a garantia e o fator de coesão do Estado. Sempre que tentamos delimitar o Direito civil e o eclesiástico, encontramos dificuldades. Os leitores das crônicas de Gall Anonim (monge beneditino que escreveu a história da Polônia desde o início até o século XII; não se conhece seu nome; alguns dizem que vinha da Gália, daí o nome Gall Anônimo) muitas vezes fazem a pergunta: quebrar os dentes publicamente com um pedaço de pau, devido à quebra ostensiva do jejum, constituía uma pena civil ou eclesiástica? Na verdade, era uma pena civil à qual a Igreja se opunha.
Na Idade Média, os problemas criminais, civis e religiosos se interpenetravam. Lendo os autos dos processos inquisitoriais, mais de uma vez encontramos bandidos comuns que, surpreendidos pela polícia no ato de violação, de roubo, de assalto à mão armada, rapidamente inventavam uma motivação religiosa para explicar o seu procedimento. Por quê? Simplesmente para cair na esfera da justiça da Inquisição e não da justiça civil ou temporal. Pois a justiça inquisitorial garantia pelo menos uma investigação, em vez da pena de fogueira imediata, a qual — como a pena de morte ou o decepamento da mão — não foi absolutamente invenção dos inquisidores.
Lembremo-nos de que nesse período histórico aplicava-se a pena de morte até pela falsificação de dinheiro ou pela ofensa à majestade real. Analogamente aceitava-se o fato de que a ofensa dirigida a alguém superior ao rei, ou seja, a Deus, só poderia ser punida da mesma forma. Os hereges pertinazes, mais freqüentemente os heresiarcas (isto é, os autores de heresias) e que se recusavam a abandonar o erro eram tratados como rebelados comuns. Isso se compreende, considerando-se que a atuação de herejes como os cátaros destruía a ordem social. Eles não aceitavam o funcionamento da sociedade civil e eclesiástica, incitavam à renúncia da medicina e à completa abstinência sexual, inclusive no casamento, ou ao ritual chamado endura (morte voluntária pela extenuação do organismo, ou morte pela fome). Promoviam o aborto, acreditando ser melhor uma criança não nascer neste "vale de lagrimas", e ir assim diretamente para o Céu. Grupos de hereges revoltosos atraíam os pobres para suas fileiras, sob a promessa de que, roubando aos ricos, contribuíam para criar uma igreja nova, na qual as chances seriam iguais para todos. Isso não era uma contravenção estritamente religiosa, razão pela qual muitas vezes, após o julgamento e definição do grau de heresia, os rebeldes eram entregues ao braço civil para que se procedesse ao devido processo penal que dizia respeito a questões criminais: roubo ou violação. Freqüentemente acabava em pena de morte, mas a responsabilidade dos inquisidores em relação ao direito era igual à de cada cidadão. Uma situação equivalente, hoje em dia, consistiria em a Igreja concluir de acordo com o Direito Canônico um processo de sacerdote por crime de pedofilia, e em seguida entregar o caso à Procuradoria para que concluísse a investigação e aplicasse a devida pena.
A maior parte das heresias nascidas na Idade Média atingia sobretudo a justiça civil. Vale a pena lembrar que o tribunal inquisitorial, entregando o herege à autoridade civil, incluía uma carta recomendando prudência na decisão.

Catolicismo — Também em seu livro o Sr. aponta a criação de um quadro negativo da Inquisição através de livros (sobretudo O Nome da Rosa, de Umberto Eco), pinturas, filmes ou exposições. Realmente, muitos artistas que retrataram a Inquisição (por exemplo, Goya) não viveram na época de sua existência. Pode-se pois perguntar se é fidedigno o que apresentaram. O Sr. conhece artistas que viveram no tempo da Inquisição atuante, que a mostraram de modo fiel?
 
São Pedro de Verona, inquisidor-mártir 
morto por ódio à fé por hereges
Prof. Konik — Na mente do homem de hoje, há uma idéia comum que considera o inquisidor como um velho monge encapuzado com inclinações sádicas, inflamado do desejo de autoridade. O melhor exemplo disso é a figura de Bernard Gui, inquisidor de Toledo, descrito pelo conhecido medievalista italiano Umberto Eco em seu livro O Nome da Rosa. Pior ainda é a imagem apresentada no filme realizado com base em tal obra. Bernard Gui, como figura histórica real, foi inquisidor de Toledo e durante 16 anos exerceu esse cargo. Julgou 913 pessoas, das quais apenas 42 ele entregou ao tribunal civil como perigosos rebeldes (reincidentes, pedófilos, criminosos), o que não significava absolutamente pena de morte para eles. Em muitos casos Gui indicava tratar-se de doença psíquica, suspeição de heresia, desistindo de interrogatórios. Segundo a visão preconceituosa dos protestantes, é certo que essas pessoas iriam para a fogueira, ao contrário da verdade histórica.
É importante registrar que escritores protestantes, pouco simpáticos à Inquisição, começaram a escrever a história dela de maneira desfavorável, apresentando-a deformada. Também nas expressões artísticas das épocas posteriores à medieval verificou-se um reflexo dessa visão caricatural. Mas basta analisar o mundo artístico medieval para observar quadros que apresentam São Domingos convertendo os hereges, São Bernardo de Claraval discutindo com eles, ou então pinturas de inquisidores-mártires morrendo nas mãos de hereges — por exemplo, o martírio de São Pedro de Verona; ou de São Pedro de Arbués, assassinado na catedral de Saragoça (Vide seção Vidas de Santos).
Exemplo de ódio radical contra a Igreja e da manipulação a que me referi é um quadro no Museu Nacional de Budapeste, apresentando uma sala de torturas, intitulado no catálogo “Inquisição”. Só depois de muitos protestos de historiadores, mostrando que o quadro apresentava cena de tortura num tribunal civil, é que o título foi mudado para “Sala de torturas”.
Lembremo-nos de que foram as descrições caricaturais de Diderot, Voltaire e até Dostoiewski que formaram na mente do homem de hoje a visão da Inquisição como um espectro. Os historiadores poloneses também não ficaram atrás dos historiadores “progressistas”. Deparando diariamente com essa visão distorcida da Inquisição, o homem comum é inclinado a aceitá-la como verdadeira.

Catolicismo — O Sr. diz que os inquisidores eram pessoas simpáticas, esclarecidas. Mas tanto ouvimos falar deturpadamente sobre as inimagináveis e sádicas torturas...
 
São Domingos manda queimar
 livros de hereges albigenses
 
Prof. Konik — Se isso fosse verdade, então por que tantos malfeitores esforçavam-se em demonstrar que suas infrações eram de natureza religiosa, para que dependessem de juízes-inquisidores? Certamente não era porque gostassem de ser torturados... Lembremo-nos de que nesse tempo os tribunais civis em geral aplicavam torturas como forma, por exemplo, de um acréscimo de castigo, que precedia a morte. Já nos tribunais inquisitoriais as torturas, quando aplicadas, o eram somente com o objetivo de obter informações muito importantes. Na legislação medieval a aplicação de torturas era geral, mas os tribunais inquisitoriais as adotaram de forma muito abrandada. Proibiam torturar mulheres grávidas, crianças ou pessoas idosas. Para aquela época, isso era considerado inovador, pois nos tribunais civis tais pessoas não eram excluídas da possibilidade de serem torturadas. Era proibido também torturar duas vezes a mesma pessoa. A aplicação de torturas devia ser decidida por aclamação de todos os juízes — como também do defensor do réu — e com a aprovação do bispo local e de um consultor independente. Ressalto que as torturas aplicadas pela Inquisição eram raras. Na França, onde se efetuava a luta contra a seita dos albigenses, durante 200 anos só três vezes decidiu-se aplicá-la. A tortura mais freqüente era privar o condenado de alimentação, ficando ele totalmente isolado. Os tribunais da Inquisição foram os primeiros a garantir a defesa ex-ofício e o que hoje é praticado: a prisão domiciliar e a liberdade mediante caução. As informações obtidas através de torturas não podiam ser consideradas como prova e deviam ser confirmadas num período posterior de 24 horas.
Os inquisidores eram recrutados sobretudo entre os melhores religiosos, de alta formação e de fama ilibada. A idade mínima era 40 anos, devido à experiência de vida, e tendo em vista precaver-se contra decisões apressadas, próprias da juventude. Os inquisidores não podiam usar arma. Eram pessoas normais do povo, freqüentemente viajantes, intelectuais curiosos de conhecer o mundo. A autoridade do inquisidor era geral na sociedade. Após o assassinato de Pedro de Verona, um dos mais conhecidos inquisidores, a multidão bradou: santo súbito. Este fato está em clara contradição com a idéia que as pessoas hoje fazem sobre os representantes dessa “profissão”.
Também a carta dos bispos do Sínodo de Toledo causa surpresa, pedindo aos inquisidores que sejam moderados nos jogos e não fiquem até tardias horas nas praças.

Catolicismo — Será que a comparação que o Sr. faz em seu livro, das seitas heréticas com grupos comunistas, não constitui analogia um tanto exagerada?
Dr. Roman Konik autografando seu livro Em Defesa da Santa Inquisição

Prof. Konik — Mas, de fato, não foi isso (ou seja, medidas de caráter comunista) que fizeram os irmãos dulcianianos (seita medieval, muito esquerdista, liderada por Dulcian, que atuou sobretudo na Itália), os quais lutaram para introduzir a comunidade de bens, e assim privar a todos da propriedade privada? Lembremo-nos de que a atuação dos hereges não era apenas na linha da persuasão, mas freqüentemente obrigavam as pessoas ricas a “distribuírem aos necessitados” seus bens; os quais, como sempre acontece nessas situações, eram imediatamente defraudados. A semelhança também existe na esfera da propaganda: tanto a esquerda moderna como os hereges de outrora empenhavam-se em introduzir a “justiça social”, utilizando chefes carismáticos para enganar a população. É digno de nota que os movimentos heréticos nunca tentaram arregimentar membros da classe intelectual, procurando sempre apoio nas classes mais baixas, de pouca instrução. A semelhança entre os hereges medievais e a esquerda moderna é notória também pelo fato de que ambos os movimentos dirigem-se às pessoas numa linguagem que elas querem ouvir. Nas homilias dos hereges cátaros, nunca aparece o elemento de responsabilidade pessoal. Não está presente o Juízo Final, o Purgatório não existe, mas somente o Céu, e este é destinado a todos. Como no socialismo: a visão da vida na Terra sem que se assumam responsabilidades foi, é e será sempre algo que atrai.

* * *

Fonte: Revista Catolicismo, Setembro de 2006

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Sobre o Porco Fedorento, Uma Entrevista Imperdível

     Depois da última postagem, da qual tratamos do "Heroi", Che Guevara, um de nossos leitores nos sugeriu um video que trata de uma entrevista em que a apresentadora e jornalista de origem cubana Marlen Gonzalez fez com o ator Benicio del Toro no programa Primer Plano, do canal 41 Noticias, de Miami.Por acharmos extremamente pertinente, resolvemos posta-lo agora. Segue aos caros leitores a dita entrevista. Façam Bom proveito!
      Virgem de Guadalupe, Rogai por nós!





sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

CHE GUEVARA: Desonesta Ocultação do Real




 “Método que envolve alguma habilidade e um tanto de safadeza.” [1]

“‘Che’... não passa de uma peça de propaganda encoberta.”

“Uma manobra ágil e perfeitamente desonesta.”

     Ao organizar revistas antigas que guardo em meus arquivos encontrei interessante reportagem sobre Che Guevara. [2] Logo de cara, julguei um desperdício não partilha-la com nossos amigos do Blog. A começar pelo título, em si, altamente informativo: “Só o mito, e nada do homem”, da autora Isabela Boscov.

     Ora, “salta aos olhos” a forma superficial como é tratada a imagem, assim como, a mensagem desse comandante revolucionário. Segundo a autora (que comenta sobre o lançamento do filme “Che”, interpretado por Benício Del Toro) o diretor Steven Soderbergh “... ilustra bem o método pelo qual o mito de Guevara segue sendo reiterado em certos círculos – método que envolve alguma habilidade e um tanto de safadeza.”

     O filme “Che”, segundo Isabela Boscov, “respalda suas omissões numa estrutura dramática que trata do ‘sonho’ (ou seria pesadelo?) revolucionário, e assim fica livre para descartar a crescente atrocidade de Guevara e o barbarismo em que caíram os movimentos sociais que adotaram a luta armada.”

     É claro que o filme permite uma “espiadela nos pés de barro do santo” mostrando alguns dos horrores praticados por Che Guevara, entretanto, todo ele não deixa de ser aos olhos de certos críticos como mais uma desonesta propaganda encoberta em favor do comandante que, por exemplo, determinou a execução de centenas de pessoas enquanto diretor da prisão La Cabana.

     São filmes como este que levam nossa juventude, tão desinformada, a “endeusar” um personagem que trouxe tanto mal ao seu tempo. Lutar contra determinadas injustiças não pode nos levar a praticar outras piores. De fato, “os fins não justificam os meios.

Mãe do Bom Conselho, rogai por nós!


[1] Estas três citações são de Isabela Boscov : a autora – Veja.
[2] Veja, de 25 de março de 2009 – Cinema.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

NASCIMENTO DO VERBO ENCARNADO



Et Verbum caro factum est.
Et habitavit in nobis.

Por Renato C. Diniz

     Na plenitude dos tempos, quando a hostilidade de um mundo absorto em trevas, gelava a alma dos homens, cuja vida era marcada pela angustia da dor e da miséria, de viver num mundo sem a luz concreta do amor e da fé representada pela criatura desnutrida, manchada e imperfeita, resultante da rebeldia dos primeiros pais.
     Apesar da força das trevas, que reinava nas sendas desse mundo, no íntimo do coração humano havia uma ardente esperança no cumprimento da palavra de Seu Senhor. Que não deixaria sua criatura desamparada pelas sendas da eternidade, mas a surpreenderia com uma profunda dose de amor e misericórdia cuja obra superaria a obra da criação: a monumental obra da salvação. A esperança era no Amor de Deus. E de fato fora o que realmente acontecera. Deus ama o mundo de tal maneira, que envia seu filho único, para que todo o que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna. [1]
     O Verbo divino, anunciado angelicamente a uma criatura humilíssima, puríssima, castíssima, virtuosíssima, e toda singular, se faz carne, nasce e habita entre nós. Como no inicio dos tempos, os três sujeitos, um homem, uma mulher e um anjo (a serpente infernal), pela desobediência colaborariam para a ruína dos homens, na plenitude dos tempos, também, um homem (homem-Deus), uma mulher, e um anjo, colaborariam para a construção do novo homem. Sublime desígnio da divina Vontade!
     A máxima demonstração do amor do Pai aos homens. Cristo menino habita no meio de nós. Rejubila o gênero humano, alegram-se todas as criaturas, os ares, as montanhas, os rios e mares, as arvores e os animais, pois passa a estar contado os dias para o fim do julgo da escravidão do homem pelo pecado, e da tirania do inimigo de Deus.
     De fato, essa era a missão do menino, procurar e salvar o que estava perdido [2]. A vida que nos fora tirada pela desobediência de um só, nos será devolvida também pela obediência de um só, traduzida depois de 33 anos no madeiro da cruz.
      Louvemos irmãos e irmãs, o Perfeitissimo amor de Deus por nós.
     Esse é o verdadeiro significado do Natal para os homens. Não há Natal sem Luz! Não há Natal sem Cristo!
     Eu sou a Luz do Mundo, quem me segue não andará nas trevas, mas terá a Luz da Vida. [3]


Vivat Christus Rex!


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[1] - Evangelho segundo São João 3,16
[2] - Evangelho segundo São Lucas 19,10
[3] - Evangelho segundo São João 8,12

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

ENTREVISTA

Entrevista concedida ao nosso Blog pelo jovem Helmer Ézion Silva Souza. 20 anos, Solteiro. Cursando licenciatura Plena em Teatro pela Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES - tem se apresentado como amigo de nosso espaço virtual.


Blog: Fale um pouco de sua história pessoal.

Helmer: Sou de berço católico, e, desde muito jovem, sempre fui assíduo aos trabalhos de minha comunidade paroquial, porém de forma, um tanto quanto, leviana, devido aos exemplos de um catolicismo “por hábito”, superficial, costumeiro, que eu recebera. Por viver inserido nesta realidade, eu não tinha consciência da inautenticidade daquela vivência e via-me, deste modo, como um bom católico.

Durante minha permanência num grupo de coroinhas tive a oportunidade de tomar conhecimento do catecismo da Igreja Católica de um modo mais profundo e embasado, o que me fez sentir um privilegiado, pois pouquíssimos tinham acesso a estes conhecimentos na comunidade. A partir daí, pude perceber as falhas doutrinais e metodológicas presentes em outros grupos e pastorais, advindas inclusive devido a uma má formação realizada pelos próprios padres, o que era muito de se estranhar.  


Blog: Que tipos de incoerências você encontrava durante este processo de conscientização pessoal?

Helmer: Por exemplo, na catequese infantil (pela qual eu mesmo passei) pude perceber que além de se ensinar de forma incorreta certos pontos de doutrina, este ensinamento, ainda por cima, era feito de forma insuficiente. O fato, é que este cargo de catequistas era outorgado a pessoas despreparadas. Mas eu não as culpo, pois este fato - julgo eu - é uma irresponsabilidade e incompetência (quem sabe maliciosa) por parte de quem tinha autoridade para escolher as pessoas que exerceriam esta função. Os que tinham autoridade de escolha eram os preparados, ou, pelo menos, deveriam se-lo.

Outro exemplo que eu poderia citar eram as Missas; estas não eram celebradas com “mística” e piedade. O rito parecia perder a sacralidade em minha paróquia. Os sacerdotes permitiam este sistema de coisas e demonstravam agradar-se delas.

Blog: Mas, algum sacerdote em particular “se salvava” nesta bagunça toda? (Risos)

Helmer: Em minha comunidade?

Blog: Sim.

Helmer: Sinceramente? Penso que em certos momentos alguns padres demonstravam luz e ortodoxia; mas, eram como lapsos; logo depois voltavam aos seus discursos progressistas. Aliás, isso é muito comum nos tempos de hoje. Basta conferirmos alguns documentos da Igreja para percebermos claramente a incompatibilidade entre os discursos de alguns padres e os ensinamentos tradicionais da Igreja Católica. Graças a Deus, existem alguns sacerdotes que se esforçam para agir em conformidade com a Tradição, porém, por estarem inseridos num meio progressista acabam por fazer uma grande confusão entre a voz da Igreja e os clamores dos grupos a que pertencem. Para mim isso gera um desnorteamento no meio laical.

Blog: Você se considera hoje um católico conservador?

Helmer: Eu professo a fé tradicional da Igreja Católica e me esforço por viver de acordo com a mesma. A meu ver não existe um catolicismo diferente deste. Ou se aceita todo o ensinamento do Magistério ou não; mas, fazendo assim estaríamos nos colocando, por nós mesmos, fora do espírito do cristianismo.

Pontos do ensinamento Católico como a castidade, a transubstanciação, infalibilidade, os Dogmas marianos...  Enfim – posso dizer- tudo o que tem sido defendido pela Igreja de Cristo desde o início (e que infelizmente tem sido esquecido, ou mesmo, negado pelos modernistas e progressistas) é, graças a Deus, um tesouro guardado em minha alma e, com toda certeza, objeto de minha defesa pessoal. Portanto, afirmo com alegria: Sim, sou um católico conservador. Porém, reconheço que devo buscar minha conversão com mais constância e ardor.

Blog: Você acredita que a Tradição tem ganhado terreno no meio da juventude? Que futuro você vê para os grupos conservadores?

Helmer: Percebo que muitas são as pessoas que carecem de uma boa formação, mas também tenho notado o surgimento de muitos jovens defensores da Tradição que tem formado grupos de excelência católica. Eles tem feito um árduo trabalho de evangelização, e, graças a Deus, submetidos a seus legítimos superiores, como é o caso deste Blog que muito me agrada visitar.

 “Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos”, essa frase resume muito bem a realidade da juventude católica atual. Muitas vezes, infelizmente, até mesmo aqueles que têm acesso aos tesouros da Tradição católica, não tem correspondido a ela, e, isso, por estarem impregnados pelo espírito do progressismo modernista.

Resta aos jovens conservadores perseverarem com mais entusiasmo (apesar das grandes tribulações) na luta pela salvação das almas. Só através da luta é que estes grupos crescerão majestosamente. Acredito que Deus se agrada destes esforços premiando-os com a vitória; e, isso, não obstante os aparentes fracassos.

Blog: O que você como um católico conservador e universitário (Curso Superior de Artes) tem para contribuir de positivo neste processo a favor da Tradição?

Helmer: Esta pergunta é, de fato, muito interessante. Tenho apresentado até aqui em minhas respostas o quanto impera o progressismo em nosso meio (sem esquecer do próprio neo-paganismo citado, inclusive, por Ratzinger ainda enquanto cardeal) e o quanto é necessária a luta contra esta realidade. Ora, esta luta parte principalmente do individual, das habilidades e dons de cada um em particular, que se une formando grande exército em defesa da verdade. Portanto, eu anseio e desejo, com muita veemência, poder integrar os meus estudos e os meus dons artísticos nesta batalha.

João Paulo II afirma, categoricamente, que a Igreja necessita da Arte assim como esta necessita da Igreja (J. Paulo II. Carta aos artistas, pg. 25). Se a arte é um dom divino, então esta, em última análise, deve ser utilizada em favor do próprio Deus. Portanto, quero combater as pseudo-artes (que, por sua vez, apóiam-se em péssimas filosofias) que distorcem os conceitos estéticos assim como toda especulação ordenada sobre o nosso assunto. Pretendo sim “descobrir a profundeza da dimensão espiritual e religiosa que sempre caracterizou a arte na suas formas expressivas mais nobres.” (Obra citada, pg.26)

Tenho consciência que a arte é uma arma poderosa que deve ser devidamente utilizada para maior glória de Deus.

Blog: Helmer, muito obrigado pela honra desta entrevista. Nós do Blog, estamos imensamente satisfeitos por todo seu apoio e amizade. Gostaria de nos deixar umas últimas palavras?

Helmer: Sim. Eu agradeço a este blog por ter sido para mim um importante guia. Assim como Ananias guiou Saulo em sua cegueira, e Nóbrega incentivou Anchieta nas suas produções teatrais, este espaço virtual tem sido para mim um agradável apoio e forte referência. Desejo poder estar retribuindo aqui, e espero aliar-me ao ideal deste apostolado e seguir progredindo com Igreja.

Rogo a Nossa Senhora das Graças que interceda por todos os católicos que anunciam o reino de seu filho Jesus Cristo para que estes sejam abençoados e jamais esmoreçam. Amém.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

NOSSA SENHORA DE GUADALUPE

     
     Oh Virgem Imaculada, Mãe do verdadeiro Deus e Mãe da Igreja! Tu, que demonstras tua clemência e tua compaixão a todos os que solicitam teu amparo; escuta a oração que com confiança filial a ti dirigimos e leve-a até teu Filho Jesus, nosso único Redentor. Mãe de misericórdia, Mestra do sacrifício escondido e silencioso, a Ti que vens ao socorro de nós pecadores, consagramos neste dia todo o nosso ser e todo nosso amor. A Ti consagramos também nossa vida, nosso trabalho, nossas alegrias, nossas doenças e nossos sofrimentos.

Dá paz, justiça e prosperidade a nossos povos, já que tudo o que temos e somos colocamos sob teu cuidado, nossa Senhora e Mãe.

Queremos ser totalmente teus e percorrer contigo o caminho da fidelidade plena a Jesus Cristo em sua Igreja: não nos solte de tua mão amorosa.

Virgem de Guadalupe, Mãe da América, a Ti pedimos por todos os Bispos, para que conduzam os fiéis por caminhos de intensa vida cristã, de amor e de humilde serviço a Deus e as almas. Contempla esta imensa messe e intercede para que o Senhor infunda fome de santidade em todo o povo de Deus, e lhes dê vocações abundantes de sacerdotes e de religiosos, fortes na fé e zelosos dispensadores dos mistérios de Deus.

Concede a nossos lares a graça de amar e de respeitar a vida que começa, com o mesmo amor com que concebeste em teu seio a vida do Filho de Deus. Virgem Santa Maria, Mãe do Amor Maravilhoso, protege nossas famílias, para que estejam sempre muito unidas e abençoa a educação de nossos filhos.

Esperança nossa, olha-nos com compaixão, ensina-nos a ir continuamente de encontro a Jesus e se cairmos, ajuda-nos a levantar, a voltar para Ele, mediante a confissão de nossas culpas e pecados no sacramento da penitência que trás sossego à alma.

A Ti suplicamos que nos conceda um amor muito grande a todos os santos sacramentos, que são como as pegadas que teu Filho nos deixou na terra.

Assim, Mãe Santíssima, com a paz de Deus na consciência, com os corações livres do pecado e do ódio, poderemos levar a todos a verdadeira alegria e a verdadeira paz que vem de teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, que com Deus Pai e com o Espírito Santo vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.

Sua Santidade João Paulo II

(México, janeiro de 1979. Visitando a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, em sua primeira viagem ao exterior como Papa).

Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós e por nosso apostolado. 
Amém.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

SANTA MADALENA DE CANOSSA



Por Prof. Pedro M. da Cruz

“Estando eu em oração diante do Santíssimo Sacramento vi, de repente e sem pensar Jesus Cristo Crucificado, todo coberto de chagas e de sangue...” (S. Madalena de Canossa.)

“Enquanto recebia a Sagrada Comunhão, fui assaltada por um ímpeto de amor tão repentino – que não sei explicar.”
(S. Madalena de C.)

“Senti um desejo tão forte de morrer e do Paraíso que não sabia o que fazer para não o pedir.” (S. Madalena)


Santa Madalena de Canossa (1774 – 1835), marquesa e fundadora das filhas e filhos da Caridade, foi grandemente favorecida por Deus com muitos dons sobrenaturais (como o de Clarividência, por exemplo). Teve uma vida incansável, e amou a Igreja até as últimas fibras de sua alma.

Poderíamos relatar muitos fatos interessantes ocorridos a esta mulher extraordinária, porém, para elevar e entreter nossos amigos tomemos apenas alguns.

A Oração era para Santa Madalena de Canossa o tempo mais precioso de sua vida. Era o encontro marcado com seu Deus, o encontro com o Amado, o encontro com o seu Tudo.

Conta-nos Luiza Navoni (uma testemunha indireta das muitas experiências místicas ocorridas a Santa Madalena) que, estando a Marquesa rezando em Veneza, Isabel Olivo a viu tão imóvel, com os olhos fixos no Crucifixo, ajoelhada no chão, que ela (Isabel) passou muitas vezes em sua frente, sem que a marquesa se desse conta.

Sabe-se que este fato era muito comum entre os que conheciam Santa Madalena de Canossa, pois, de fato, Deus a havia favorecida com graças extraordinárias.

Outra testemunha (agora, direta), Ana Rizzi, relata: “Certo dia, antes de entrar no Instituto, eu me encontrava diante de uma imagem de Maria, em Veneza, no convento de Santa Luzia. Lá, vi a marquesa com o rosto iluminado e com os olhos fixos nessa imagem. Chamei-a, a sacudi para ver se sentia, porém, foi tudo em vão, porque nada sentia. Quando voltou a si começou a rir. Eu queria fazer-lhe perguntas sobre isso, mas não consegui tirar-lhe nada, porque levou-me a caminhar e tudo fez para me fazer esquecer o que havia visto, de modo que não tive mais coragem de tocar no assunto.”

Para alguns, Deus concede essas graças particulares, porém, elas não são necessárias para santificação. O que santifica é nossa gradativa identificação com a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Poderíamos até afirmar, com toda certeza, que santo é aquele que cumpre a vontade de Deus, a pesar de todos os sofrimentos.

A Marquesa Madalena de Canossa cumpriu a vontade de Deus, identificou-se com Cristo sob o manto Virginal de Maria Santíssima, por isso, foi Santa. Admiremos, entretanto, essas e muitas outras graças, que o Bom Deus, quiçá para “elevar-nos”, concedeu a seus amigos bem amados, alguns, até muito indignos das mesmas.

(Os relatos acima foram retirados dos comentários presentes na obra citada)

Bibliografia:

POLLONARA, Elda. Madalena de Canossa, Memórias. Trad. Cecília Maríngolo. Roma, 1990. 448 pgs.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

VINHOS CHILENOS , ALEGRIA LATINA!

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Por Escritos Católicos

     Se há um produto chileno conhecido no Brasil, é o vinho. “O Chile é responsável por 32% do mercado brasileiro”, diz o enólogo Jorge Lucki, critico de vinhos, e autor do recém lançado ‘ A Experiência do Gosto’. Leia abaixo trechos da entrevista que Lucki concedeu a um jornal. (Folha -  Quinta-Feira, 2 de Dezembro de 2010 – Turismo F7)
“Folha – Por que o Chile se destaca na produção de vinhos na América Latina?
 Jorge Lucki – Quando um país se destaca na produção de vinhos, é porque tem condições naturais propícias, como uma diversidade de microclimas, o que a gente chama de ‘terroirs’, que envolve clima, solo e topografia.
O Chile tem uma diversidade de microclimas que não só faz com que tenha condições de produzir grandes vinhos, mas como diferentes qualidades de vinhos. A argentina, por exemplo, tem a malbec, mas também não sai muito daí. Não tem clima para produzir os brancos, diferentes tintos.
Folha - Quais são as condições?
Jorge Lucki -  O Chile é uma ‘lingüiça’ longo e estreito. A parte onde estão localizadas as regiões vinícolas, mais central, deve ter uns 140 Km de largura. De um lado tem o Pacífico, e do outro, a Cordilheira dos Andes. E isso propicia uma diversidade de microclimas, é uma diferença grande, depende se as vinhas estão mais próximas do Pacifico, da cordilheira, se estão eqüidistantes.
Folha - A uva carménère só restou mesmo no Chile?

 Jorge Lucki - A Rigor, só sobrou no Chile. Ainda tem um pouco em Bordeaux. Ela foi trazida para o Chile em 1860, 1870, junto com todas as outras uvas, cabernet, malbec. Na hora de catalogar, classificaram a carménère junto com a merlot. A praga que atacou todos os vinhedos europeus acorreu depois que as mudas tinham sido trazidas ao Chile.

Foi só em 1994, quando houve um congresso internacional de viticultura no Chile, que questionaram o fato de algumas uvas em um mesmo vinhedo amadurecerem mais tarde, e perceberam que a uva não era merlot, mas carménère. Estavam todas misturadas. Sobrou muito pouca carménère em Bourdeaux, na França.”
Louvemos Jesus e Maria Santíssima!