Depois da última postagem, da qual tratamos do "Heroi", Che Guevara, um de nossos leitores nos sugeriu um video que trata de uma entrevista em que a apresentadora e jornalista de origem cubana Marlen Gonzalez fez com o ator Benicio del Toro no programa Primer Plano, do canal 41 Noticias, de Miami.Por acharmos extremamente pertinente, resolvemos posta-lo agora. Segue aos caros leitores a dita entrevista. Façam Bom proveito!
“Método que envolve alguma habilidade e um tanto de safadeza.”[1]
“‘Che’... não passa de uma peça de propaganda encoberta.”
“Uma manobra ágil e perfeitamente desonesta.”
Ao organizar revistas antigas que guardo em meus arquivos encontrei interessante reportagem sobre Che Guevara. [2] Logo de cara, julguei um desperdício não partilha-la com nossos amigos do Blog. A começar pelo título, em si, altamente informativo: “Só o mito, e nada do homem”, da autora Isabela Boscov.
Ora, “salta aos olhos” a forma superficial como é tratada a imagem, assim como, a mensagem desse comandante revolucionário. Segundo a autora (que comenta sobre o lançamento do filme “Che”, interpretado por Benício Del Toro) o diretor Steven Soderbergh “... ilustra bem o método pelo qual o mito de Guevara segue sendo reiterado em certos círculos – método que envolve alguma habilidade e um tanto de safadeza.”
O filme “Che”, segundo Isabela Boscov, “respalda suas omissões numa estrutura dramática que trata do ‘sonho’ (ou seria pesadelo?) revolucionário, e assim fica livre para descartar a crescente atrocidade de Guevara e o barbarismo em que caíram os movimentos sociais que adotaram a luta armada.”
É claro que o filme permite uma “espiadela nos pés de barro do santo” mostrando alguns dos horrores praticados por Che Guevara, entretanto, todo ele não deixa de ser aos olhos de certos críticos como mais uma desonesta propaganda encoberta em favor do comandante que, por exemplo, determinou a execução de centenas de pessoas enquanto diretor da prisão La Cabana.
São filmes como este que levam nossa juventude, tão desinformada, a “endeusar” um personagem que trouxe tanto mal ao seu tempo. Lutar contra determinadas injustiças não pode nos levar a praticar outras piores. De fato, “os fins não justificam os meios.”
Mãe do Bom Conselho, rogai por nós!
[1] Estas três citações são de Isabela Boscov : a autora – Veja.
Na plenitude dos tempos, quando a hostilidade de um mundo absorto em trevas, gelava a alma dos homens, cuja vida era marcada pela angustia da dor e da miséria, de viver num mundo sem a luz concreta do amor e da fé representada pela criatura desnutrida, manchada e imperfeita, resultante da rebeldia dos primeiros pais.
Apesar da força das trevas, que reinava nas sendas desse mundo, no íntimo do coração humano havia uma ardente esperança no cumprimento da palavra de Seu Senhor. Que não deixaria sua criatura desamparada pelas sendas da eternidade, mas a surpreenderia com uma profunda dose de amor e misericórdia cuja obra superaria a obra da criação: a monumental obra da salvação. A esperança era no Amor de Deus. E de fato fora o que realmente acontecera. Deus ama o mundo de tal maneira, que envia seu filho único, para que todo o que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna. [1]
O Verbo divino, anunciado angelicamente a uma criatura humilíssima, puríssima, castíssima, virtuosíssima, e toda singular, se faz carne, nasce e habita entre nós. Como no inicio dos tempos, os três sujeitos, um homem, uma mulher e um anjo (a serpente infernal), pela desobediência colaborariam para a ruína dos homens, na plenitude dos tempos, também, um homem (homem-Deus), uma mulher, e um anjo, colaborariam para a construção do novo homem. Sublime desígnio da divina Vontade!
A máxima demonstração do amor do Pai aos homens. Cristo menino habita no meio de nós. Rejubila o gênero humano, alegram-se todas as criaturas, os ares, as montanhas, os rios e mares, as arvores e os animais, pois passa a estar contado os dias para o fim do julgo da escravidão do homem pelo pecado, e da tirania do inimigo de Deus.
De fato, essa era a missão do menino, procurar e salvar o que estava perdido [2]. A vida que nos fora tirada pela desobediência de um só, nos será devolvida também pela obediência de um só, traduzida depois de 33 anos no madeiro da cruz.
Louvemos irmãos e irmãs, o Perfeitissimo amor de Deus por nós.
Esse é o verdadeiro significado do Natal para os homens. Não há Natal sem Luz! Não há Natal sem Cristo!
Eu sou a Luz do Mundo, quem me segue não andará nas trevas, mas terá a Luz da Vida. [3]
Entrevista concedida ao nosso Blog pelo jovem Helmer Ézion Silva Souza. 20 anos, Solteiro. Cursando licenciatura Plena em Teatro pela Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES - tem se apresentado como amigo de nosso espaço virtual.
Blog: Fale um pouco de sua história pessoal.
Helmer: Sou de berço católico, e, desde muito jovem, sempre fui assíduo aos trabalhos de minha comunidade paroquial, porém de forma, um tanto quanto, leviana, devido aos exemplos de um catolicismo “por hábito”, superficial, costumeiro, que eu recebera. Por viver inserido nesta realidade, eu não tinha consciência da inautenticidade daquela vivência e via-me, deste modo, como um bom católico.
Durante minha permanência num grupo de coroinhas tive a oportunidade de tomar conhecimento do catecismo da Igreja Católica de um modo mais profundo e embasado, o que me fez sentir um privilegiado, pois pouquíssimos tinham acesso a estes conhecimentos na comunidade. A partir daí, pude perceber as falhas doutrinais e metodológicas presentes em outros grupos e pastorais, advindas inclusive devido a uma má formação realizada pelos próprios padres, o que era muito de se estranhar.
Blog: Que tipos de incoerências você encontrava durante este processo de conscientização pessoal?
Helmer: Por exemplo, na catequese infantil (pela qual eu mesmo passei) pude perceber que além de se ensinar de forma incorreta certos pontos de doutrina, este ensinamento, ainda por cima, era feito de forma insuficiente. O fato, é que este cargo de catequistas era outorgado a pessoas despreparadas. Mas eu não as culpo, pois este fato - julgo eu - é uma irresponsabilidade e incompetência (quem sabe maliciosa) por parte de quem tinha autoridade para escolher as pessoas que exerceriam esta função. Os que tinham autoridade de escolha eram os preparados, ou, pelo menos, deveriam se-lo.
Outro exemplo que eu poderia citar eram as Missas; estas não eram celebradas com “mística” e piedade. O rito parecia perder a sacralidade em minha paróquia. Os sacerdotes permitiam este sistema de coisas e demonstravam agradar-se delas.
Blog: Mas, algum sacerdote em particular “se salvava” nesta bagunça toda? (Risos)
Helmer: Em minha comunidade?
Blog: Sim.
Helmer: Sinceramente? Penso que em certos momentos alguns padres demonstravam luz e ortodoxia; mas, eram como lapsos; logo depois voltavam aos seus discursos progressistas. Aliás, isso é muito comum nos tempos de hoje. Basta conferirmos alguns documentos da Igreja para percebermos claramente a incompatibilidade entre os discursos de alguns padres e os ensinamentos tradicionais da Igreja Católica. Graças a Deus, existem alguns sacerdotes que se esforçam para agir em conformidade com a Tradição, porém, por estarem inseridos num meio progressista acabam por fazer uma grande confusão entre a voz da Igreja e os clamores dos grupos a que pertencem. Para mim isso gera um desnorteamento no meio laical.
Blog: Você se considera hoje um católico conservador?
Helmer: Eu professo a fé tradicional da Igreja Católica e me esforço por viver de acordo com a mesma. A meu ver não existe um catolicismo diferente deste. Ou se aceita todo o ensinamento do Magistério ou não; mas, fazendo assim estaríamos nos colocando, por nós mesmos, fora do espírito do cristianismo.
Pontos do ensinamento Católico como a castidade, a transubstanciação, infalibilidade, os Dogmas marianos... Enfim – posso dizer- tudo o que tem sido defendido pela Igreja de Cristo desde o início (e que infelizmente tem sido esquecido, ou mesmo, negado pelos modernistas e progressistas) é, graças a Deus, um tesouro guardado em minha alma e, com toda certeza, objeto de minha defesa pessoal. Portanto, afirmo com alegria: Sim, sou um católico conservador. Porém, reconheço que devo buscar minha conversão com mais constância e ardor.
Blog: Você acredita que a Tradição tem ganhado terreno no meio da juventude? Que futuro você vê para os grupos conservadores?
Helmer: Percebo que muitas são as pessoas que carecem de uma boa formação, mas também tenho notado o surgimento de muitos jovens defensores da Tradição que tem formado grupos de excelência católica. Eles tem feito um árduo trabalho de evangelização, e, graças a Deus, submetidos a seus legítimos superiores, como é o caso deste Blog que muito me agrada visitar.
“Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos”, essa frase resume muito bem a realidade da juventude católica atual. Muitas vezes, infelizmente, até mesmo aqueles que têm acesso aos tesouros da Tradição católica, não tem correspondido a ela, e, isso, por estarem impregnados pelo espírito do progressismo modernista.
Resta aos jovens conservadores perseverarem com mais entusiasmo (apesar das grandes tribulações) na luta pela salvação das almas. Só através da luta é que estes grupos crescerão majestosamente. Acredito que Deus se agrada destes esforços premiando-os com a vitória; e, isso, não obstante os aparentes fracassos.
Blog: O que você como um católico conservador e universitário (Curso Superior de Artes) tem para contribuir de positivo neste processo a favor da Tradição?
Helmer: Esta pergunta é, de fato, muito interessante. Tenho apresentado até aqui em minhas respostas o quanto impera o progressismo em nosso meio (sem esquecer do próprio neo-paganismo citado, inclusive, por Ratzinger ainda enquanto cardeal) e o quanto é necessária a luta contra esta realidade. Ora, esta luta parte principalmente do individual, das habilidades e dons de cada um em particular, que se une formando grande exército em defesa da verdade. Portanto, eu anseio e desejo, com muita veemência, poder integrar os meus estudos e os meus dons artísticos nesta batalha.
João Paulo II afirma, categoricamente, que a Igreja necessita da Arte assim como esta necessita da Igreja (J. Paulo II. Carta aos artistas, pg. 25). Se a arte é um dom divino, então esta, em última análise, deve ser utilizada em favor do próprio Deus. Portanto, quero combater as pseudo-artes (que, por sua vez, apóiam-se em péssimas filosofias) que distorcem os conceitos estéticos assim como toda especulação ordenada sobre o nosso assunto. Pretendo sim “descobrir a profundeza da dimensão espiritual e religiosa que sempre caracterizou a arte na suas formas expressivas mais nobres.” (Obra citada, pg.26)
Tenho consciência que a arte é uma arma poderosa que deve ser devidamente utilizada para maior glória de Deus.
Blog: Helmer, muito obrigado pela honra desta entrevista. Nós do Blog, estamos imensamente satisfeitos por todo seu apoio e amizade. Gostaria de nos deixar umas últimas palavras?
Helmer: Sim. Eu agradeço a este blog por ter sido para mim um importante guia. Assim como Ananias guiou Saulo em sua cegueira, e Nóbrega incentivou Anchieta nas suas produções teatrais, este espaço virtual tem sido para mim um agradável apoio e forte referência. Desejo poder estar retribuindo aqui, e espero aliar-me ao ideal deste apostolado e seguir progredindo com Igreja.
Rogo a Nossa Senhora das Graças que interceda por todos os católicos que anunciam o reino de seu filho Jesus Cristo para que estes sejam abençoados e jamais esmoreçam. Amém.
Oh Virgem Imaculada, Mãe do verdadeiro Deus e Mãe da Igreja! Tu, que demonstras tua clemência e tua compaixão a todos os que solicitam teu amparo; escuta a oração que com confiança filial a ti dirigimos e leve-a até teu Filho Jesus, nosso único Redentor. Mãe de misericórdia, Mestra do sacrifício escondido e silencioso, a Ti que vens ao socorro de nós pecadores, consagramos neste dia todo o nosso ser e todo nosso amor. A Ti consagramos também nossa vida, nosso trabalho, nossas alegrias, nossas doenças e nossos sofrimentos.
Dá paz, justiça e prosperidade a nossos povos, já que tudo o que temos e somos colocamos sob teu cuidado, nossa Senhora e Mãe.
Queremos ser totalmente teus e percorrer contigo o caminho da fidelidade plena a Jesus Cristo em sua Igreja: não nos solte de tua mão amorosa.
Virgem de Guadalupe, Mãe da América, a Ti pedimos por todos os Bispos, para que conduzam os fiéis por caminhos de intensa vida cristã, de amor e de humilde serviço a Deus e as almas. Contempla esta imensa messe e intercede para que o Senhor infunda fome de santidade em todo o povo de Deus, e lhes dê vocações abundantes de sacerdotes e de religiosos, fortes na fé e zelosos dispensadores dos mistérios de Deus.
Concede a nossos lares a graça de amar e de respeitar a vida que começa, com o mesmo amor com que concebeste em teu seio a vida do Filho de Deus. Virgem Santa Maria, Mãe do Amor Maravilhoso, protege nossas famílias, para que estejam sempre muito unidas e abençoa a educação de nossos filhos.
Esperança nossa, olha-nos com compaixão, ensina-nos a ir continuamente de encontro a Jesus e se cairmos, ajuda-nos a levantar, a voltar para Ele, mediante a confissão de nossas culpas e pecados no sacramento da penitência que trás sossego à alma.
A Ti suplicamos que nos conceda um amor muito grande a todos os santos sacramentos, que são como as pegadas que teu Filho nos deixou na terra.
Assim, Mãe Santíssima, com a paz de Deus na consciência, com os corações livres do pecado e do ódio, poderemos levar a todos a verdadeira alegria e a verdadeira paz que vem de teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, que com Deus Pai e com o Espírito Santo vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.
Sua Santidade João Paulo II
(México, janeiro de 1979. Visitando a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, em sua primeira viagem ao exterior como Papa).
Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós e por nosso apostolado.
“Estando eu em oração diante do Santíssimo Sacramento vi, de repente e sem pensar Jesus Cristo Crucificado, todo coberto de chagas e de sangue...” (S. Madalena de Canossa.)
“Enquanto recebia a Sagrada Comunhão, fui assaltada por um ímpeto de amor tão repentino – que não sei explicar.”
(S. Madalena de C.)
“Senti um desejo tão forte de morrer e do Paraíso que não sabia o que fazer para não o pedir.” (S. Madalena)
Santa Madalena de Canossa (1774 – 1835), marquesa e fundadora das filhas e filhos da Caridade, foi grandemente favorecida por Deus com muitos dons sobrenaturais (como o de Clarividência, por exemplo). Teve uma vida incansável, e amou a Igreja até as últimas fibras de sua alma.
Poderíamos relatar muitos fatos interessantes ocorridos a esta mulher extraordinária, porém, para elevar e entreter nossos amigos tomemos apenas alguns.
A Oração era para Santa Madalena de Canossa o tempo mais precioso de sua vida. Era o encontro marcado com seu Deus, o encontro com o Amado, o encontro com o seu Tudo.
Conta-nos Luiza Navoni (uma testemunha indireta das muitas experiências místicas ocorridas a Santa Madalena) que, estando a Marquesa rezando em Veneza, Isabel Olivo a viu tão imóvel, com os olhos fixos no Crucifixo, ajoelhada no chão, que ela (Isabel) passou muitas vezes em sua frente, sem que a marquesa se desse conta.
Sabe-se que este fato era muito comum entre os que conheciam Santa Madalena de Canossa, pois, de fato, Deus a havia favorecida com graças extraordinárias.
Outra testemunha (agora, direta), Ana Rizzi, relata: “Certo dia, antes de entrar no Instituto, eu me encontrava diante de uma imagem de Maria, em Veneza, no convento de Santa Luzia. Lá, vi a marquesa com o rosto iluminado e com os olhos fixos nessa imagem. Chamei-a, a sacudi para ver se sentia, porém, foi tudo em vão, porque nada sentia. Quando voltou a si começou a rir. Eu queria fazer-lhe perguntas sobre isso, mas não consegui tirar-lhe nada, porque levou-me a caminhar e tudo fez para me fazer esquecer o que havia visto, de modo que não tive mais coragem de tocar no assunto.”
Para alguns, Deus concede essas graças particulares, porém, elas não são necessárias para santificação. O que santifica é nossa gradativa identificação com a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Poderíamos até afirmar, com toda certeza, que santo é aquele que cumpre a vontade de Deus, a pesar de todos os sofrimentos.
A Marquesa Madalena de Canossa cumpriu a vontade de Deus, identificou-se com Cristo sob o manto Virginal de Maria Santíssima, por isso, foi Santa. Admiremos, entretanto, essas e muitas outras graças, que o Bom Deus, quiçá para “elevar-nos”, concedeu a seus amigos bem amados, alguns, até muito indignos das mesmas.
(Os relatos acima foram retirados dos comentários presentes na obra citada)
Se há um produto chileno conhecido no Brasil, é o vinho. “O Chile é responsável por 32% do mercado brasileiro”, diz o enólogo Jorge Lucki, critico de vinhos, e autor do recém lançado ‘ A Experiência do Gosto’. Leia abaixo trechos da entrevista que Lucki concedeu a um jornal. (Folha - Quinta-Feira, 2 de Dezembro de 2010 – Turismo F7)
“Folha – Por que o Chile se destaca na produção de vinhos na América Latina?
Jorge Lucki – Quando um país se destaca na produção de vinhos, é porque tem condições naturais propícias, como uma diversidade de microclimas, o que a gente chama de ‘terroirs’, que envolve clima, solo e topografia.
O Chile tem uma diversidade de microclimas que não só faz com que tenha condições de produzir grandes vinhos, mas como diferentes qualidades de vinhos. A argentina, por exemplo, tem a malbec, mas também não sai muito daí. Não tem clima para produzir os brancos, diferentes tintos.
Folha - Quais são as condições?
Jorge Lucki - O Chile é uma ‘lingüiça’ longo e estreito. A parte onde estão localizadas as regiões vinícolas, mais central, deve ter uns 140 Km de largura. De um lado tem o Pacífico, e do outro, a Cordilheira dos Andes. E isso propicia uma diversidade de microclimas, é uma diferença grande, depende se as vinhas estão mais próximas do Pacifico, da cordilheira, se estão eqüidistantes.
Folha - A uva carménère só restou mesmo no Chile?
Jorge Lucki - A Rigor, só sobrou no Chile. Ainda tem um pouco em Bordeaux. Ela foi trazida para o Chile em 1860, 1870, junto com todas as outras uvas, cabernet, malbec. Na hora de catalogar, classificaram a carménère junto com a merlot. A praga que atacou todos os vinhedos europeus acorreu depois que as mudas tinham sido trazidas ao Chile.
Foi só em 1994, quando houve um congresso internacional de viticultura no Chile, que questionaram o fato de algumas uvas em um mesmo vinhedo amadurecerem mais tarde, e perceberam que a uva não era merlot, mas carménère. Estavam todas misturadas. Sobrou muito pouca carménère em Bourdeaux, na França.”
O autodomínio é um dos “requisitos” básicos para o progresso na Vida Espiritual – Esta tem seu “ponto culminante” na Visão Beatífica – por isso, o cristão deve se esforçar por praticá-lo com empenho.
Na reflexão que pretendemos desenvolver a seguir, iremos acentuar, em linhas gerais, a definição deste importante atributo, bem como, a necessidade de buscar sua prática para um reto desenvolvimento da vida cristã.
O homem, após a perda do estado de justiça original [1] sempre foi, em maior ou menor grau, afetado pelo pecado ao longo dos tempos. Desordens incríveis grassaram (e grassam) entre os seres racionais e livres que habitam este mundo que, por sua vez, dão largas às mesmas sem cerimônias nem escrúpulos. A maioria dessas desordens tem raiz também no descontrole dos impulsos, instintos, e “pulsões”, para utilizarmos terminologia freudiana, ainda na moda.
A esse respeito, Santo Tomás de Aquino (1977, p. 205), afirma que
“(...) a consequência do pecado [que surge com a perda do já citado estado de justiça original] foi que, tendo sido a vontade humana desviada da sujeição a Deus,desaparecesse aquela perfeita sujeição das forças interiores à razão e, do corpo, à alma. Seguiu-se, então, que o homem sentisse, no apetite sensitivo interior, movimentos desordenados de concupiscência, de ira e de paixões, não conforme a ordem da razão, mas muito mais a repelindo e obscurecendo.” (p. 205)
Nesse sentido, para controlar os movimentos supracitados, é necessário, a fim de o ser humano manter-se com retidão no propósito da beatitude, cultivar (com o auxílio da graça) o autodomínio. Este é como que um desdobramento da virtude da temperança, que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio nos bens criados, conquanto, segundo o Catecismo da Igreja Católica (CIC), ajuda a fazer prevalecer a vontade sobre os instintos e desejos, mantendo estes dentro dos limites da honestidade [2]. É, de fato um hábito que deve ser alcançado pelos que querem agradar a Deus, e isso por vários motivos.
Primeiro, porque dominar a si mesmo é uma das recomendações lapidares do evangelho. Nosso Senhor,embora fosse já confirmado em graça e com as paixões plenamente reguladas por sua vontade firme, aplicou-se na mortificação, a fim de nos dar o exemplo para o controle pessoal, jejuando, silenciando-se nos momentos oportunos, disciplinando-se na oração e conseguindo suportar desconfortos sem murmurar, nem reclamar. Sabia também tratar com docilidade seus interlocutores,e até com “dureza”, quando necessário, sempre dentro das normas da caridade e da justiça.
Por outro lado, no homem comum o autodomínio ajuda a refrear as paixões e vícios mais grosseiros da alma, que são a porta de entrada para o pecado. Por vezes, surpreendemo-nos com atitudes virulentas, estúpidas e relapsas em nós e nos outros. A raiz desses problemas reside na falta de equilíbrio interno e externo. Daí ser necessário o controle e domínio de si, que se solidifica na alma pela graça divina, e deve ser acompanhada pelo esforço pessoal de cada um.
Por fim, a virtude de que ora discorremos – autodomínio - , torna- nos mais sociáveis e educados. Sociáveis no referente ao contato com o outro. Faz-nos vê-lo com olhos espirituais e tratá-lo melhor e com paciência. Ajuda-nos a sermos mansos, misericordiosos e educados no que tange a utilização ordenada dos dons de Deus, fazendo-nos moderados no comer e beber; no vestir, na utilização dos divertimentos modernos e até no “gastar”...
Estas são, portanto, as reflexões que fomos motivados a fazer acerca do tema. Percebemos o quão necessário se faz o cultivo e a assimilação de tal virtude na nossa vida para que possamos ser melhores aos olhos do Pai Celeste, trilhando o caminho da vida reta, pura e virtuosa.
“O domínio de si mesmo é um trabalho, a longo prazo. Nunca deve ser considerado definitivamente adquirido. Supõe um esforço a ser retomado em todas as idades da vida. O esforço necessário pode ser mais intenso em certas épocas, por exemplo, quando se forma a personalidade, durante a infância e a adolescência.” (Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Loyola, 1998, n. 2347, p. 607)
NOTAS
1 O Aquinate, na obra Compêndio de Teologia, acentua o fato de que o estado de justiça original produzia, dentre outros, o efeito de fazer com que “(...) no homem, as partes inferiores se submetessem às superiores sem dificuldade de espécie alguma. (cf. p. 202)
2 Cf. n. 1809, p. 487
REFERÊNCIAS
AQUINO,Santo Tomás. Compêndio de Teologia. Riode Janeiro:Presença, 1977
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. São Paulo: Loyola, 1998, n. 2347, p. 607