Blog: Fale um pouco de sua história pessoal.
Helmer: Sou de berço católico, e, desde muito jovem, sempre fui assíduo aos trabalhos de minha comunidade paroquial, porém de forma, um tanto quanto, leviana, devido aos exemplos de um catolicismo “por hábito”, superficial, costumeiro, que eu recebera. Por viver inserido nesta realidade, eu não tinha consciência da inautenticidade daquela vivência e via-me, deste modo, como um bom católico.
Durante minha permanência num grupo de coroinhas tive a oportunidade de tomar conhecimento do catecismo da Igreja Católica de um modo mais profundo e embasado, o que me fez sentir um privilegiado, pois pouquíssimos tinham acesso a estes conhecimentos na comunidade. A partir daí, pude perceber as falhas doutrinais e metodológicas presentes em outros grupos e pastorais, advindas inclusive devido a uma má formação realizada pelos próprios padres, o que era muito de se estranhar.
Blog: Que tipos de incoerências você encontrava durante este processo de conscientização pessoal?
Helmer: Por exemplo, na catequese infantil (pela qual eu mesmo passei) pude perceber que além de se ensinar de forma incorreta certos pontos de doutrina, este ensinamento, ainda por cima, era feito de forma insuficiente. O fato, é que este cargo de catequistas era outorgado a pessoas despreparadas. Mas eu não as culpo, pois este fato - julgo eu - é uma irresponsabilidade e incompetência (quem sabe maliciosa) por parte de quem tinha autoridade para escolher as pessoas que exerceriam esta função. Os que tinham autoridade de escolha eram os preparados, ou, pelo menos, deveriam se-lo.
Outro exemplo que eu poderia citar eram as Missas; estas não eram celebradas com “mística” e piedade. O rito parecia perder a sacralidade em minha paróquia. Os sacerdotes permitiam este sistema de coisas e demonstravam agradar-se delas.
Blog: Mas, algum sacerdote em particular “se salvava” nesta bagunça toda? (Risos)
Helmer: Em minha comunidade?
Blog: Sim.
Helmer: Sinceramente? Penso que em certos momentos alguns padres demonstravam luz e ortodoxia; mas, eram como lapsos; logo depois voltavam aos seus discursos progressistas. Aliás, isso é muito comum nos tempos de hoje. Basta conferirmos alguns documentos da Igreja para percebermos claramente a incompatibilidade entre os discursos de alguns padres e os ensinamentos tradicionais da Igreja Católica. Graças a Deus, existem alguns sacerdotes que se esforçam para agir em conformidade com a Tradição, porém, por estarem inseridos num meio progressista acabam por fazer uma grande confusão entre a voz da Igreja e os clamores dos grupos a que pertencem. Para mim isso gera um desnorteamento no meio laical.
Blog: Você se considera hoje um católico conservador?
Helmer: Eu professo a fé tradicional da Igreja Católica e me esforço por viver de acordo com a mesma. A meu ver não existe um catolicismo diferente deste. Ou se aceita todo o ensinamento do Magistério ou não; mas, fazendo assim estaríamos nos colocando, por nós mesmos, fora do espírito do cristianismo.
Pontos do ensinamento Católico como a castidade, a transubstanciação, infalibilidade, os Dogmas marianos... Enfim – posso dizer- tudo o que tem sido defendido pela Igreja de Cristo desde o início (e que infelizmente tem sido esquecido, ou mesmo, negado pelos modernistas e progressistas) é, graças a Deus, um tesouro guardado em minha alma e, com toda certeza, objeto de minha defesa pessoal. Portanto, afirmo com alegria: Sim, sou um católico conservador. Porém, reconheço que devo buscar minha conversão com mais constância e ardor.
Blog: Você acredita que a Tradição tem ganhado terreno no meio da juventude? Que futuro você vê para os grupos conservadores?
Helmer: Percebo que muitas são as pessoas que carecem de uma boa formação, mas também tenho notado o surgimento de muitos jovens defensores da Tradição que tem formado grupos de excelência católica. Eles tem feito um árduo trabalho de evangelização, e, graças a Deus, submetidos a seus legítimos superiores, como é o caso deste Blog que muito me agrada visitar.
“Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos”, essa frase resume muito bem a realidade da juventude católica atual. Muitas vezes, infelizmente, até mesmo aqueles que têm acesso aos tesouros da Tradição católica, não tem correspondido a ela, e, isso, por estarem impregnados pelo espírito do progressismo modernista.
Resta aos jovens conservadores perseverarem com mais entusiasmo (apesar das grandes tribulações) na luta pela salvação das almas. Só através da luta é que estes grupos crescerão majestosamente. Acredito que Deus se agrada destes esforços premiando-os com a vitória; e, isso, não obstante os aparentes fracassos.
Blog: O que você como um católico conservador e universitário (Curso Superior de Artes) tem para contribuir de positivo neste processo a favor da Tradição?
Helmer: Esta pergunta é, de fato, muito interessante. Tenho apresentado até aqui em minhas respostas o quanto impera o progressismo em nosso meio (sem esquecer do próprio neo-paganismo citado, inclusive, por Ratzinger ainda enquanto cardeal) e o quanto é necessária a luta contra esta realidade. Ora, esta luta parte principalmente do individual, das habilidades e dons de cada um em particular, que se une formando grande exército em defesa da verdade. Portanto, eu anseio e desejo, com muita veemência, poder integrar os meus estudos e os meus dons artísticos nesta batalha.
João Paulo II afirma, categoricamente, que a Igreja necessita da Arte assim como esta necessita da Igreja (J. Paulo II. Carta aos artistas, pg. 25). Se a arte é um dom divino, então esta, em última análise, deve ser utilizada em favor do próprio Deus. Portanto, quero combater as pseudo-artes (que, por sua vez, apóiam-se em péssimas filosofias) que distorcem os conceitos estéticos assim como toda especulação ordenada sobre o nosso assunto. Pretendo sim “descobrir a profundeza da dimensão espiritual e religiosa que sempre caracterizou a arte na suas formas expressivas mais nobres.” (Obra citada, pg.26)
Tenho consciência que a arte é uma arma poderosa que deve ser devidamente utilizada para maior glória de Deus.
Blog: Helmer, muito obrigado pela honra desta entrevista. Nós do Blog, estamos imensamente satisfeitos por todo seu apoio e amizade. Gostaria de nos deixar umas últimas palavras?
Helmer: Sim. Eu agradeço a este blog por ter sido para mim um importante guia. Assim como Ananias guiou Saulo em sua cegueira, e Nóbrega incentivou Anchieta nas suas produções teatrais, este espaço virtual tem sido para mim um agradável apoio e forte referência. Desejo poder estar retribuindo aqui, e espero aliar-me ao ideal deste apostolado e seguir progredindo com Igreja.
Rogo a Nossa Senhora das Graças que interceda por todos os católicos que anunciam o reino de seu filho Jesus Cristo para que estes sejam abençoados e jamais esmoreçam. Amém.











