domingo, 12 de setembro de 2010

"PÓS VATICANO II: MALACHI MARTIN"


  Por Prof. Pedro M. da Cruz

“... todo um sistema tradicional de vida e prática religiosa foi aparentemente eliminado com aquela rapidez, sem aviso. Uma mentalidade de séculos foi levada na enxurrada de um furacão de mudança. Em certo sentido, um determinado mundo de pensamento, sentimento e atitude deixaram de existir – o antigo mundo católico centrado na autoridade de um pontífice romano; a rígida alternativa entre apenas duas opções do dogma e da moralidade católica; o comparecimento à missa (...) a militância dos leigos católicos romanos em defesa de valores católicos tradicionais. Todo este mundo foi aniquilado, por assim dizer, da noite para o dia.” (Pg. 223)




“O comparecimento à missa diminuiu imediatamente, e em dez anos havia caído 30% nos Estados Unidos, 60% na França e na Holanda, 50% na Itália, 20% na Inglaterra e no País de Gales. Outros dez anos, e 85% de todos os católicos da França, Espanha, Itália, e Holanda nunca foram à missa. A População dos seminários teve queda vertical. Na Holanda 2.000 padres e 5.000 irmãos e freiras religiosas abandonaram seus ministérios. Existe, hoje, 1986, em média um novo padre ordenado por ano naquele país, onde antes havia uma média de dez. Quedas semelhantes foram registradas em outros países. Nos doze anos de 1965 a 1977, cerca de doze a quatorze mil sacerdotes no mundo inteiro solicitaram dispensa de seus deveres, ou simplesmente foram embora. Sessenta mil freiras deixaram seus conventos entre 1966 e 1983. A Igreja católica nunca sofrera perdas assim tão devastadoras num espaço de tempo tão curto. (...) O número de confissões, comunhões e crismas diminuiu no mundo inteiro a cada ano, de uma média de 60% de católicos praticantes em 1965 para um número situado nalgum ponto entre 25% e 30% em 1983. Conversões ao catolicismo diminuíram dois terços.” (Pg. 224)




“Mas o Concilio Vaticano II, como todo concílio, deixou um registro claro em seus documentos. E nada é mais certo do que o fato de que aquele concílio reiterou aquilo que dois concílios ecumênicos anteriores haviam proclamado, especialmente com referência à primazia e à infalibilidade do papa, ao caráter hierárquico da Igreja Romana e ao caráter sem igual do sacerdócio.” (Pg. 228)




“Não foram os documentos do Vaticano II que autorizaram os bispos a fazerem justamente o oposto do que Roma mandava (...) Os documentos do Vaticano II não deram aos teólogos carta branca para interpretar ou negar dogmas de fé como bem entendessem. O Vaticano II foi conservador em suas declarações e tradicional em sua teologia e moralidade. O Concílio não recomendou direitos dos homossexuais, dançarinos com roupas de malha dando saltos pelo santuário, bispo rezando missa vestindo calções e tênis, a abolição da clausura rígida para as ordens contemplativas, ou o uso dos bolinhos ingleses da Thomas como pão da Eucaristia.” (Pg. 229).

Referência bibliográfica:

MARTIN, Malachi. Os Jesuítas. A Companhia de Jesus e a Traição à Igreja Católica. Trad.: Luiz Carlos N. Silva. Rio de janeiro: Record, 1989. 463 pgs.

domingo, 29 de agosto de 2010

MEDITAÇÃO SOBRE A VIDA HUMANA




Por Escritos Católicos

“Esta é a vontade de Deus: vossa santificação.”[1]

 “Que é o homem para pensardes nele?”[2]

“Ele viu que tudo era muito bom.”[3]


Mais um túmulo.
Distribuídos ao redor, tantos outros.
Um corpo, dois corpos, três, quatro, cinco corpos...
Quantos seres humanos enterrados!
Silenciados pela morte.

Qualquer um que caminhasse por entre aquelas lápides, sentiria um “não sei o que” no mais íntimo do seu coração, algo indescritível, um sentimento de impotência perante a fugacidade da vida humana.

Para onde rumaram, quando em vida, aquelas criaturas?
O que buscaram?
É como aquele rapaz que, depois de haver passado anos a fio preparando-se para a riqueza, a fortuna, a fama... como se fora seu fim último, descobre que terá apenas três meses a mais sobre a face da terra.

De que lhe serviu tanto esforço?
O que lhe valerá agora todos os sacrifícios suportados?
Os que desconhecem o verdadeiro sentido da vida, correm o risco de perder-se no caminho da infelicidade, labirinto de ilusões.

Em relação ao infinito, esta vida presente, toda a história passada, e inclusive, o próprio futuro da humanidade ainda por vir, com todo o complexo de suas mais variadas realizações, tudo isso, é semelhante a um ponto ínfimo na  pequeníssima superfície dum minúsculo grão de areia.

O que é então o homem?
Se todo o universo - para usarmos de outra comparação - com todas as suas galáxias ainda não descobertas, perdidas na assombrosa imensidão do cosmo, ele, em comparação a um único “instante da eternidade”, caberia folgado na ponta irrisória, quase invisível, de um simples alfinete, o que pensar de nós, caro leitor, em relação à mesma eternidade? 

Bem se vê, que a grandeza do ser humano está  para além de onde comumente se tem procurado. Seu valor não se encontra na aparência ou tamanho físico. Afinal, olhando por este aspecto, o que é ele perante as imensas montanhas que nos cercam? A importância do indivíduo não se mede também pelo que possui material e economicamente. Acaso poderia subornar a morte na hora derradeira? Em relação à corporeidade bem que impressiona a complexidade do organismo humano, porém, ainda não está ai a nota singular a que pretendemos referir. Não! O que distingue o homem, de modo tão particular, é incomparavelmente superior a tudo isso. É, em certo sentido, imponderável. Quase que chega mesmo a nos parecer um deleitoso absurdo, se assim podemos nos expressar.

O ser humano é a imagem e a semelhança do próprio Deus. Partícipe, pelo batismo, da natureza divina, é filho, em Cristo, do Pai Celeste. Um portento, um estrondo magnificente da graça sobrenatural. Alegria dos anjos! Júbilo da Trindade!

O que podemos dizer a mais? As palavras nos faltam...
Na verdade, é impossível descreve-lo em toda a sua plenitude.  
Recordemos a criatura humana antes da água batismal: como é grande em seu chamado! Agora, porém, fitemo-lo redimido: como é retumbante, magnífico o seu estado! “De glória e honra o coroastes[4], cantara o rei Davi.

Grande por sua inteligência, grande pelo poder de sua vontade, ainda que degradadas pelo Pecado Original, o fato é, que o homem auxiliado pela divina graça, robustecido para além do que podia nos tempos de outrora, torna-se o terror dos demônios, um exímio construtor do reino prometido.

Muitos são os que perderam o sentido desta vida. Esqueceram-se de que, criados por Deus, devem a Ele retornar por um ato livre de sua vontade. Decepcionados consigo mesmos, por não vencerem seus tantos pecados, são, na verdade, escravos infelizes de vícios tenebrosos. Vivem entregues a quedas e ilusões. Ah, meu Deus, quem lhes dará o remédio devido? Quem apresentará aos homens a resposta para suas indagações? Bem escrevera o profeta Jeremias, que iriam viver confusos todos aqueles que Vos abandonassem.[5]

Eis, caríssimos, a resposta, tão simples quanto eficaz, a toda esta complicação: “Voltar-se para Cristo!” Confessar os próprios pecados; deixar-se salvar. Viver à luz do evangelho, implica ser tomado pela força extraordinária do divino Espírito Santo. É a graça, auxílio indispensável contra todo o pecado. Sem ela, quase nada podemos fazer...

Que esta singela reflexão possa fecundar em nossa alma a consciência da grandeza humana; assim como, das alturas a que fomos chamados.  Maria Santíssima, rogai por nós.



[1] I Tes. 4,3

[2] Sal. 8,5

[3] Gen. 1,31

[4] Sal. 8,5-7

[5] Jer. 17,13

domingo, 22 de agosto de 2010

E A DILMA CORREU! CLARO...



   Emissoras de televisão de inspiração católica (TV Canção Nova e a Rede Aparecida) promovem o primeiro debate com temas pertinentes à Igreja Católica como aborto, uso de células troncoembrionárias e utilização de símbolos religiosos em locais públicos. O debate acontece no dia 23/8 (Segunda-feira) às 22h, no auditório da Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, e será transmitido ao vivo para todo o Brasil. O público estimado é de 100 milhões de pessoas. Brasileiros residentes em outros países poderão assistir através do portal da Canção Nova e por meio das emissoras da TVCN no exterior.

   “Nossa intenção é dar oportunidade ao telespectador de conhecer melhor cada candidato, suas ideias e soluções para nossa sociedade não apenas no âmbito católico, mas em relação a todas as demandas da sociedade”, analisa Ana Paula Guimarães, superintendente da TV Canção Nova.

   “cada vez mais os católicos estão interessados em refletir e contribuir com os rumos do país. Essa iniciativa da TV Canção Nova e da Rede Aparecida corrobora a ideia de que o católico tem interesse na reflexão e no conteúdo”.
(Debatedor - jornalista Martin Andrada, editor-chefe do telejornal Século News, da TV Século XXI)

"... o católico terá a oportunidade de comparar os candidatos e tomar a melhor decisão”

domingo, 8 de agosto de 2010

O BEM DAS SIMPLES OCUPAÇÕES

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Cristo abraçando san Bernardo, 
óleo de Francisco Ribalta.


  1.  Jesus Cristo. Filho, não podes conservar-te sempre no desejo fervoroso das virtudes, nem perseverar no mais alto grau da contemplação; porém é necessário, por causa da corrupção original, que desças algumas vezes às coisas inferiores e leves, ainda que te pese e enfastie, o fardo desta vida corruptível.
Enquanto viveres neste corpo mortal, sentirás tédio e angústias de coração. 
É necessário, pois, que, revestido de carne, gemas muitas vezes sob o peso da carne: porque não podes aplicar-te continuamente aos exercícios espirituais e à divina contemplação.

     2. Então te convém, procurar refúgio nas ocupações exteriores e humildes e distrair-te com boas obras; esperar com firme confiança minha vinda e celestial visita; sofrer com paciência o teu desterro e aridez de alma, até que eu venha de novo visitar-te e te livre de todas as tuas inquietações.
          Farte-ei à tua visita os prados das Escrituras, para que, com o coração dilatado, comeces a correr no caminho de meus mandamentos.
“Não tem proporção os sofrimentos da vida presente com a glória futura que em nós será manifestada” (Rom 8,18).

Fonte: Imitação de Cristo - Tomás de Kempis - Pág. 168.
Paumape - São Paulo - Rio de Janeiro

quarta-feira, 28 de julho de 2010

ELEIÇÕES 2010




Recebemos a alguns dias atrás, interessante e-mail contendo precioso conselho do Bispo de Guarulhos, D. Luiz Gonzaga Bergonzini, para as próximas eleições. Postamos abaixo o trecho que julgamos mais oportuno. Que a Virgem Maria nos alcance a graça de um profundo discernimento quanto aos rumos ideais para nosso país. Ouçamos o senhor bispo:

"Já na campanha eleitoral de 1996, denunciei um candidato que ofendeu pública e comprovadamente a Igreja, pois esta atitude foi uma usurpação por parte de César daquilo que é de Deus, ou seja o respeito à liberdade religiosa.

Na atual conjuntura política o Partido dos Trabalhadores (PT) através de seu IIIº e IVº Congressos Nacionais (2007 e 2010 respectivamente), ratificando o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) através da punição dos deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso, por serem defensores da vida, se posicionou pública e abertamente a favor da legalização do aborto, contra os valores da família e contra a liberdade de consciência.

Na condição de Bispo Diocesano, como responsável pela defesa da fé, da moral e dos princípios fundamentais da lei natural que - por serem naturais procedem do próprio Deus e por isso atingem a todos os homens -, denunciamos e condenamos como contrárias às leis de Deus todas as formas de atentado contra a vida, dom de Deus,como o suicídio, o homicídio assim como o aborto pelo qual, criminosa e covardemente, tira-se a vida de um ser humano, completamente incapaz de se defender. A liberação do aborto que vem sendo discutida e aprovada por alguns políticos não pode ser aceita por quem se diz cristão ou católico. Já afirmamos muitas vezes e agora repetimos: não temos partido político, mas não podemos deixar de condenar a legalização do aborto. (confira-se Ex. 20,13; MT 5,21).

Isto posto, recomendamos a todos verdadeiros cristãos e verdadeiros católicos a que não dêem seu voto à Senhora Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam tais “liberações”, independentemente do partido a que pertençam.

Evangelizar é nossa responsabilidade, o que implica anunciar a verdade e denunciar o erro, procurando, dentro desses princípios, o melhor para o Brasil e nossos irmãos brasileiros e não é contrariando o Evangelho que podemos contar com as bênçãos de Deus e proteção de nossa Mãe e Padroeira, a Imaculada Conceição. "

D. Luiz Gonzaga Bergonzini
Bispo de Guarulhos

segunda-feira, 12 de julho de 2010

CITAÇÕES CATÓLICAS


   
   O video acima apresenta a feliz iniciativa de um católico ao enumerar palavras ditas por Nosso Senhor, e profundas meditações realizadas por alguns de seus santos.Como se poderá constatar com facilidade, tudo é, realmente, muito edificante. De fato,o contéudo é marcado por intensa piedade cristã e profunda ortodoxia.Possa este trabalho suscitar em nós um desejo sincero de santidade.
    Virgem de Guadalupe, rogai por nós!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

ÁRVORES PODRES

Campanha anti-aborto realizada na Polônia

Por João S. de Oliveira Júnior
Poucos sabem, mas o segundo país a legalizar e realizar abortos foi à Alemanha Nazista de Hitler (1935) como um modo de seu regime eugênico (Lei para prevenção para as doenças da hereditariedade posterior), mas que posteriormente atingia até crianças arianas e depois de nascidas como forma de controle, uma eutanásia para bebês. Só não o fez primeiro do que a Rússia de Lênin (Regime Comunista) ano de 1920 quando desde1913 o ditador já vinha defendendo a legalização. Médicos que visitaram a União Soviética no período para estudar sobre o aborto afirmaram que em 1930 um abortório com 4 médicos realizava 57 abortos em menos de 3 horas. Escala industrial...

O que todo mundo já sabe é que o Nazismo provocou o genocídio de 6 milhões de judeus em campos de concentração durante a 2ª guerra mundial, ato conhecido como o Holocausto (Shoá), o qual ainda hoje, nós Homens indagamos no que a loucura e avidez humana puderam chegar a fazer. Já o Comunismo, matou em torno de 100 milhões de pessoas somando todos os países em que tal regime totalitário esteve presente, da antiga União Soviética (7 milhões de Ucranianos mortos de fome em 1 ano), Iuguslávia, Camboja, Coréia do Norte, a China do ditador Mao e vários outros países, inclusive na ilha “paraíso do Fidel”, onde próprios cubanos (milhares) foram fuzilados no el paredon, exemplificando. Tais dados relacionados à história comunista são conhecidos embora pouco divulgados devido à simpatia que muitos “fornecedores de informações” têm pelo marxismo, base principal do regime.

Temos ciência, olhando para os dias de hoje, é que o genocídio continua não simplesmente porque há ainda vítimas adultas nos países comunistas (como na coréia do Norte), mas porque cerca de 50 milhões de crianças no mundo todo são abortadas anualmente. De fato, um imenso new Shoá (Nazista-Comunista), relativamente silencioso, no qual se passa indiferente e tolerante para uma mentalidade moderna. Curioso também é que a maioria dos Governos que permitem, incentivam ou ampliam as ocasiões de abortos, além de abrirem mão de princípios cristãos católicos, normalmente são contaminados por ideologia Socialista (Comunista) na qual o termo igualitarismo é comumente usado para o direito de matar crianças no ventre materno, mas para direito de nascer, não. Tenha certeza de que o eufemismo recente que mais se ouvirá quanto ao tema aborto será “questão de saúde pública”, idéia de cunho marxista para maquiar a monstruosidade.

Logo, embora não adentraremos em todos os pontos relacionados e nem teremos espaço e tempo para especificar todos os dados num estudo mais amplo sobre características de tais ideologias totalitárias com suas conseqüências, não é preciso muito esforço para concluir:

Nazismo-Comunismo → Genocídio-Abortismo

Tão próximos e relacionados, tão evidenciados mas pouco constatados. Muitas vezes se passam despercebidos embora presentes, ora mais ora menos, camufladamente condescendentes. Sim, árvores podres têm muitas semelhanças e condizem com seus frutos.

Qualquer semelhança seria mera coincidência?

quarta-feira, 23 de junho de 2010

IMPORTÂNCIA DO SOFRIMENTO




Por Prof. Pedro M. da Cruz

“As mesmas misérias levam alguns para o céu, e outros para o inferno.”

“No sofrimento Deus se torna devedor ao homem.”

“É preciso sofrer e todos têm de sofrer”


“Antes pecar do que sofrer.” Eis o lema de muitos jovens, escravos do egoísmo. Submetidos a instintos corrompidos, amigos do Pecado Original, vivem ao sabor de impulsos desordenados, desejos mesquinhos, distantes de toda grandeza a que foram chamados. Em contrapartida, um jovem discípulo de São João Bosco clamava heroicamente: “Quero fazer uma guerra impiedosa ao pecado mortal.”, “Antes morrer do que pecar.” Quanto contraste! Falamos de Domingos Sávio, o rapaz cujo único objetivo era agradar a Deus. Pio XII o reconheceu santo aos 12 de junho de 1954. E o menino nem havia chegado aos quinze anos de vida...
Peçamos, portanto, a Nossa Senhora, amor ao sofrimento. Cientes de que a dor não se esquiva dos seguidores de Cristo, que saibamos suporta-la com paciência e virilidade. E, se um dia cairmos sob o tremendo peso da Cruz, que possamos cerrar nossos ouvidos à crítica maldosa daqueles que nunca ousaram a incrível façanha de aventurar-se ao lado de Nosso Senhor.
Por que não tentar?
Façamos a experiência.
Deus estará conosco!
Ele é nossa salvação.
Auxílio na angústia, amparo na solidão.
Consolo na dor do julgamento hipócrita.
Força na luta contra os vícios e maus hábitos; estes, tantas vezes, cultivados em secreto...
Tenhamos confiança no Senhor! Deus jamais nos abandonará!


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Para melhor compreendermos o importante papel do sofrimento na vida Cristã, sentemo-nos aos pés do grande Santo Afonso de Ligório, mestre da Vida Espiritual. Que suas palavras, pelo poder do Espírito Santo, possam fecundar em nossa alma um operoso entusiasmo pelas coisas de Deus.

[1] Frases atribuídas a São Domingos Sávio. Conf.: BOSCO, Terésio. Um sonho, uma vida. A fascinante história de Dom Bosco, o santo amigo dos jovens. 4 Edição. São Paulo: Editora Salesiana, 2001. 286 pgs.


 

Capitulo V


A alma que ama

a Jesus Cristo

ama o sofrimento


“‘A caridade é paciente’. A terra é um lugar de merecimentos, e por isso é também um lugar de sofrimentos. O céu é nossa pátria, lá Deus nos preparou o repouso numa eterna felicidade. Passamos pouco tempo neste mundo, mas neste tempo temos muitas dores a sofrer. ‘O homem, nascido de mulher, vive pouco tempo e é cheio de muitas misérias.’[1] É preciso sofrer e todos têm de sofrer; seja justo ou pecador, cada um deve carregar sua cruz. Quem carrega com paciência, salva-se; quem a carrega com impaciência, perde-se. As mesmas misérias, diz Santo Agostinho, levam alguns para o céu, e outros para o inferno.[2] Com a prova do sofrimento se distingue a palha do trigo, na Igreja de Deus: quem se humilha nos sofrimentos e se submete à vontade de Deus é trigo destinado ao céu; quem é soberbo e fica impaciente, a ponto de voltar as costas para Deus, é palha que é destinada ao inferno.[3]
No dia do julgamento de nossa salvação, nossa vida deverá ser igual à vida de Jesus Cristo, para merecermos o Paraíso: ‘Porque os que anteriormente ele conheceu esses  também predestinou a serem conformes à imagem de seu filho.’[4]
O Verbo Eterno desceu à terra para nos ensinar, com seu exemplo, a carregar com paciência as cruzes que Deus nos manda: ‘Cristo sofreu por vós, deixando-vos um exemplo, a fim de que sigais os seus passos.[5]Jesus Cristo quis sofrer para nos encorajar no sofrimento. Qual foi a vida de Jesus Cristo? Foi uma vida de humilhações e sofrimentos: ‘Desprezado, último dos homens, homem das dores!’[6] Sim, a vida de Jesus Cristo foi toda cheia de trabalhos e dores.

O amor no sofrimento


Como Deus tratou seu Filho predileto, do mesmo modo trata a todos aqueles que ele ama e recebe como filhos: ‘O senhor castiga os que ama e aflige todo aquele que recebe como filho.[7] Santa Teresa diz que sentiu na sua alma como se Deus lhe falasse: ‘Fica sabendo que as pessoas mais queridas de meu Pai são as que são mais afligidas com os maiores sofrimentos!’ Por essa razão, quando ela se via nos sofrimentos, dizia que não os trocaria por todos os tesouros do mundo. Conta-se que depois de sua morte ela apareceu a uma de suas companheiras e lhe revelou que recebera um grande prêmio no céu. Tinha recebido pelos sofrimentos suportados em sua vida, de boa vontade e por amor a Deus. E se desejasse por algum motivo voltar à terra, seria unicamente para poder ainda sofrer mais alguma coisa por Deus.[8]
Quem ama a Deus nos sofrimentos recebe dupla recompensa no céu. São Vicente de Paulo afirmava que se deve considerar como grande desgraça nesta vida o não ter nada a sofrer; e acrescentava que uma Congregação Religiosa ou uma pessoa que não sofre e a quem todos aplaudem, está próxima de uma queda.[9] Quando São Francisco de Assis passava um dia sem nada sofrer por Deus, temia que Deus tivesse se esquecido dele.[10]
Escreve São João Crisóstomo: Quando o Senhor concede a alguém a graça de sofrer, faz-lhe um bem maior do que se lhe desse o poder de ressuscitar os mortos, isto porque o homem que faz milagres se torna devedor ao homem, mas no sofrimento Deus se torna devedor ao homem. Quem padece alguma coisa por Deus, se não tivesse outra graça senão a de poder sofrer por amor a Deus, já deveria considerar-se muito recompensado. Por isso, dizia ele, admirava mais a graça dada a São Paulo de ser preso por Jesus Cristo, do que ser arrebatado ao terceiro céu.[11]


(O negrito é nosso)

Referência Bibliográfica:

DE LIGÓRIO, S. Afonso. A Prática do Amor a Jesus Cristo. Trad.: Pe. Gervásio Fábri dos Anjos, C.SS.R. São Paulo: Santuário. Pgs.56-58



[1] Jó 14,1
[2] Sto. Agostinho, Sermo 52. N.4.ML 39-1845
[3] Sto. Agostinho, De Civitate Dei, 1,1 c. 8,n. 2 – ML 41-21; Sermo 252, c. 5 – ML 38-1174, 1175
[4] Rm. 8,29
[5] I Pd. 2,21
[6] Is. 53,3
[7] Hb.12,6
[8] Sta. Teresa,  Mercedes de Dios, c. XXXVI, Obras, II, 64,65; Conceptos del amor de Dios, c. 6, depois do começo, Obras, V, Burgos 1917; Obras, II, append. 57
[9] Abelly. Vie, Ed. 1881,1.3,c.22
[10] Bartolomeu de Pisa, De conformitate vitae. Mediolani 1513, f 28, col.2
[11] In Epist. Ad Philip., hom. 4,n.3:MG 62-208,209; In Epist. Ad Ephes., hom. 8, n. 1:MG 62-55, 56, 57; Ad pop. Antioch., hom. 16,n.3;MG 49-164,165.