Cristo abraçando san Bernardo, óleo de Francisco Ribalta.
Jesus Cristo. Filho, não podes conservar-te sempre no desejo fervoroso das virtudes, nem perseverar no mais alto grau da contemplação; porém é necessário, por causa da corrupção original, que desças algumas vezes às coisas inferiores e leves, ainda que te pese e enfastie, o fardo desta vida corruptível.
Enquanto viveres neste corpo mortal, sentirás tédio e angústias de coração.
É necessário, pois, que, revestido de carne, gemas muitas vezes sob o peso da carne: porque não podes aplicar-te continuamente aos exercícios espirituais e à divina contemplação.
2. Então te convém, procurar refúgio nas ocupações exteriores e humildes e distrair-te com boas obras; esperar com firme confiança minha vinda e celestial visita; sofrer com paciência o teu desterro e aridez de alma, até que eu venha de novo visitar-te e te livre de todas as tuas inquietações.
Farte-ei à tua visita os prados das Escrituras, para que, com o coração dilatado, comeces a correr no caminho de meus mandamentos.
“Não tem proporção os sofrimentos da vida presente com a glória futura que em nós será manifestada” (Rom 8,18).
Fonte: Imitação de Cristo - Tomás de Kempis - Pág. 168.
Recebemos a alguns dias atrás, interessante e-mail contendo precioso conselho do Bispo de Guarulhos, D. Luiz Gonzaga Bergonzini, para as próximas eleições. Postamos abaixo o trecho que julgamos mais oportuno. Que a Virgem Maria nos alcance a graça de um profundo discernimento quanto aos rumos ideais para nosso país. Ouçamos o senhor bispo:
"Já na campanha eleitoral de 1996, denunciei um candidato que ofendeu pública e comprovadamente a Igreja, pois esta atitude foi uma usurpação por parte de César daquilo que é de Deus, ou seja o respeito à liberdade religiosa.
Na atual conjuntura política o Partido dos Trabalhadores (PT) através de seu IIIº e IVº Congressos Nacionais (2007 e 2010 respectivamente), ratificando o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) através da punição dos deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso, por serem defensores da vida, se posicionou pública e abertamente a favor da legalização do aborto, contra os valores da família e contra a liberdade de consciência.
Na condição de Bispo Diocesano, como responsável pela defesa da fé, da moral e dos princípios fundamentais da lei natural que - por serem naturais procedem do próprio Deus e por isso atingem a todos os homens -, denunciamos e condenamos como contrárias às leis de Deus todas as formas de atentado contra a vida, dom de Deus,como o suicídio, o homicídio assim como o aborto pelo qual, criminosa e covardemente, tira-se a vida de um ser humano, completamente incapaz de se defender. A liberação do aborto que vem sendo discutida e aprovada por alguns políticos não pode ser aceita por quem se diz cristão ou católico. Já afirmamos muitas vezes e agora repetimos: não temos partido político, mas não podemos deixar de condenar a legalização do aborto. (confira-se Ex. 20,13; MT 5,21).
Isto posto, recomendamos a todos verdadeiros cristãos e verdadeiros católicos a que não dêem seu voto à Senhora Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam tais “liberações”, independentemente do partido a que pertençam.
Evangelizar é nossa responsabilidade, o que implica anunciar a verdade e denunciar o erro, procurando, dentro desses princípios, o melhor para o Brasil e nossos irmãos brasileiros e não é contrariando o Evangelho que podemos contar com as bênçãos de Deus e proteção de nossa Mãe e Padroeira, a Imaculada Conceição. "
O video acima apresenta a feliz iniciativa de um católico ao enumerar palavras ditas por Nosso Senhor, e profundas meditações realizadas por alguns de seus santos.Como se poderá constatar com facilidade, tudo é, realmente, muito edificante. De fato,o contéudo é marcado por intensa piedade cristã e profunda ortodoxia.Possa este trabalho suscitar em nós um desejo sincero de santidade.
Virgem de Guadalupe, rogai por nós!
Poucos sabem, mas o segundo país a legalizar e realizar abortos foi à Alemanha Nazista de Hitler (1935) como um modo de seu regime eugênico (Lei para prevenção para as doenças da hereditariedade posterior), mas que posteriormente atingia até crianças arianas e depois de nascidas como forma de controle, uma eutanásia para bebês. Só não o fez primeiro do que a Rússia de Lênin (Regime Comunista) ano de 1920 quando desde1913 o ditador já vinha defendendo a legalização. Médicos que visitaram a União Soviética no período para estudar sobre o aborto afirmaram que em 1930 um abortório com 4 médicos realizava 57 abortos em menos de 3 horas. Escala industrial...
O que todo mundo já sabe é que o Nazismo provocou o genocídio de 6 milhões de judeus em campos de concentração durante a 2ª guerra mundial, ato conhecido como o Holocausto (Shoá), o qual ainda hoje, nós Homens indagamos no que a loucura e avidez humana puderam chegar a fazer. Já o Comunismo, matou em torno de 100 milhões de pessoas somando todos os países em que tal regime totalitário esteve presente, da antiga União Soviética (7 milhões de Ucranianos mortos de fome em 1 ano), Iuguslávia, Camboja, Coréia do Norte, a China do ditador Mao e vários outros países, inclusive na ilha “paraíso do Fidel”, onde próprios cubanos (milhares) foram fuzilados no el paredon, exemplificando. Tais dados relacionados à história comunista são conhecidos embora pouco divulgados devido à simpatia que muitos “fornecedores de informações” têm pelo marxismo, base principal do regime.
Temos ciência, olhando para os dias de hoje, é que o genocídio continua não simplesmente porque há ainda vítimas adultas nos países comunistas (como na coréia do Norte), mas porque cerca de 50 milhões de crianças no mundo todo são abortadas anualmente. De fato, um imenso new Shoá (Nazista-Comunista), relativamente silencioso, no qual se passa indiferente e tolerante para uma mentalidade moderna. Curioso também é que a maioria dos Governos que permitem, incentivam ou ampliam as ocasiões de abortos, além de abrirem mão de princípios cristãos católicos, normalmente são contaminados por ideologia Socialista (Comunista) na qual o termo igualitarismo é comumente usado para o direito de matar crianças no ventre materno, mas para direito de nascer, não. Tenha certeza de que o eufemismo recente que mais se ouvirá quanto ao tema aborto será “questão de saúde pública”, idéia de cunho marxista para maquiar a monstruosidade.
Logo, embora não adentraremos em todos os pontos relacionados e nem teremos espaço e tempo para especificar todos os dados num estudo mais amplo sobre características de tais ideologias totalitárias com suas conseqüências, não é preciso muito esforço para concluir:
Nazismo-Comunismo → Genocídio-Abortismo
Tão próximos e relacionados, tão evidenciados mas pouco constatados. Muitas vezes se passam despercebidos embora presentes, ora mais ora menos, camufladamente condescendentes. Sim, árvores podres têm muitas semelhanças e condizem com seus frutos.
“As mesmas misérias levam alguns para o céu, e outros para o inferno.”
“No sofrimento Deus se torna devedor ao homem.”
“É preciso sofrer e todos têm de sofrer”
“Antes pecar do que sofrer.” Eis o lema de muitos jovens, escravos do egoísmo. Submetidos a instintos corrompidos, amigos do Pecado Original, vivem ao sabor de impulsos desordenados, desejos mesquinhos, distantes de toda grandeza a que foram chamados. Em contrapartida, um jovem discípulo de São João Bosco clamava heroicamente: “Quero fazer uma guerra impiedosa ao pecado mortal.”, “Antes morrer do que pecar.” Quanto contraste! Falamos de Domingos Sávio, o rapaz cujo único objetivo era agradar a Deus. Pio XII o reconheceu santo aos 12 de junho de 1954. E o menino nem havia chegado aos quinze anos de vida...
Peçamos, portanto, a Nossa Senhora, amor ao sofrimento. Cientes de que a dor não se esquiva dos seguidores de Cristo, que saibamos suporta-la com paciência e virilidade. E, se um dia cairmos sob o tremendo peso da Cruz, que possamos cerrar nossos ouvidos à crítica maldosa daqueles que nunca ousaram a incrível façanha de aventurar-se ao lado de Nosso Senhor.
Por que não tentar?
Façamos a experiência.
Deus estará conosco!
Ele é nossa salvação.
Auxílio na angústia, amparo na solidão.
Consolo na dor do julgamento hipócrita.
Força na luta contra os vícios e maus hábitos; estes, tantas vezes, cultivados em secreto...
Tenhamos confiança no Senhor! Deus jamais nos abandonará!
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Para melhor compreendermos o importante papel do sofrimento na vida Cristã, sentemo-nos aos pés do grande Santo Afonso de Ligório, mestre da Vida Espiritual. Que suas palavras, pelo poder do Espírito Santo, possam fecundar em nossa alma um operoso entusiasmo pelas coisas de Deus.
[1]Frases atribuídas a São Domingos Sávio. Conf.: BOSCO, Terésio. Um sonho, uma vida. A fascinante história de Dom Bosco, o santo amigo dos jovens. 4 Edição. São Paulo: Editora Salesiana, 2001. 286 pgs.
Capitulo V
A alma que ama
a Jesus Cristo
ama o sofrimento
“‘A caridade é paciente’. A terra é um lugar de merecimentos, e por isso é também um lugar de sofrimentos. O céu é nossa pátria, lá Deus nos preparou o repouso numa eterna felicidade. Passamos pouco tempo neste mundo, mas neste tempo temos muitas dores a sofrer. ‘O homem, nascido de mulher, vive pouco tempo e é cheio de muitas misérias.’[1]É preciso sofrer e todos têm de sofrer; seja justo ou pecador, cada um deve carregar sua cruz. Quem carrega com paciência, salva-se; quem a carrega com impaciência, perde-se. As mesmas misérias, diz Santo Agostinho, levam alguns para o céu, e outros para o inferno.[2] Com a prova do sofrimento se distingue a palha do trigo, na Igreja de Deus: quem se humilha nos sofrimentos e se submete à vontade de Deus é trigo destinado ao céu; quem é soberbo e fica impaciente, a ponto de voltar as costas para Deus, é palha que é destinada ao inferno.[3]
No dia do julgamento de nossa salvação, nossa vida deverá ser igual à vida de Jesus Cristo, para merecermos o Paraíso: ‘Porque os que anteriormente ele conheceu esses também predestinou a serem conformes à imagem de seu filho.’[4]
O Verbo Eterno desceu à terra para nos ensinar, com seu exemplo, a carregar com paciência as cruzes que Deus nos manda: ‘Cristo sofreu por vós, deixando-vos um exemplo, a fim de que sigais os seus passos.’[5]Jesus Cristo quis sofrer para nos encorajar no sofrimento. Qual foi a vida de Jesus Cristo? Foi uma vida de humilhações e sofrimentos: ‘Desprezado, último dos homens, homem das dores!’[6] Sim, a vida de Jesus Cristo foi toda cheia de trabalhos e dores.
O amor no sofrimento
Como Deus tratou seu Filho predileto, do mesmo modo trata a todos aqueles que ele ama e recebe como filhos: ‘O senhor castiga os que ama e aflige todo aquele que recebe como filho.’[7] Santa Teresa diz que sentiu na sua alma como se Deus lhe falasse: ‘Fica sabendo que as pessoas mais queridas de meu Pai são as que são mais afligidas com os maiores sofrimentos!’ Por essa razão, quando ela se via nos sofrimentos, dizia que não os trocaria por todos os tesouros do mundo. Conta-se que depois de sua morte ela apareceu a uma de suas companheiras e lhe revelou que recebera um grande prêmio no céu. Tinha recebido pelos sofrimentos suportados em sua vida, de boa vontade e por amor a Deus. E se desejasse por algum motivo voltar à terra, seria unicamente para poder ainda sofrer mais alguma coisa por Deus.[8]
Quem ama a Deus nos sofrimentos recebe dupla recompensa no céu. São Vicente de Paulo afirmava que se deve considerar como grande desgraça nesta vida o não ter nada a sofrer; e acrescentava que uma Congregação Religiosa ou uma pessoa que não sofre e a quem todos aplaudem, está próxima de uma queda.[9] Quando São Francisco de Assis passava um dia sem nada sofrer por Deus, temia que Deus tivesse se esquecido dele.[10]
Escreve São João Crisóstomo: Quando o Senhor concede a alguém a graça de sofrer, faz-lhe um bem maior do que se lhe desse o poder de ressuscitar os mortos, isto porque o homem que faz milagres se torna devedor ao homem, mas no sofrimento Deus se torna devedor ao homem. Quem padece alguma coisa por Deus, se não tivesse outra graça senão a de poder sofrer por amor a Deus, já deveria considerar-se muito recompensado. Por isso, dizia ele, admirava mais a graça dada a São Paulo de ser preso por Jesus Cristo, do que ser arrebatado ao terceiro céu.[11]”
(O negrito é nosso)
Referência Bibliográfica:
DE LIGÓRIO, S. Afonso. A Prática do Amor a Jesus Cristo. Trad.: Pe. Gervásio Fábri dos Anjos, C.SS.R. São Paulo: Santuário. Pgs.56-58
[8] Sta. Teresa, Mercedes de Dios, c. XXXVI, Obras, II, 64,65; Conceptos del amor de Dios, c. 6, depois do começo, Obras, V, Burgos 1917; Obras, II, append. 57
Por Plinio Maria Solimeo, em Catolicismo (fragmentos do texto original)
“Vítima do Sagrado Coração de Jesus”
Algum tempo antes dos exercícios espirituais, Nosso Senhor apareceu a Margarida Maria e lhe disse: “Eu procuro uma vítima para meu Coração, a qual queira se sacrificar como uma hóstia de imolação para o cumprimento de meus desígnios”. Ela se prosternou e lhe apresentou “diversas almas santas que correspondiam fielmente a seus desígnios”. Nosso Senhor lhe respondeu: “Não, eu não quero outra senão tu”.
Margarida protelava entretanto o pedido de permissão à Superiora: “Mas era em vão que eu lhe resistia, porque Ele não me deu repouso até que, por ordem da obediência, eu fosse imolada a tudo o que Ele desejava de mim, que era de me tornar uma vítima imolada a toda sorte de sofrimentos, de humilhações, de contradições, de dores e de desprezos, sem outra pretensão senão cumprir seus desígnios”.(16)
Fez sua profissão no dia 6 de novembro de 1672. Como uma esposa, Margarida deveria participar agora, de um modo mais direto, dos interesses de seu divino Esposo, que a preparava para a grande missão de sua vida: receber e propagar a devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
“Meu Coração está abrasado de amor pelos homens”
Estando diante do Santíssimo Sacramento no dia 27 de dezembro de 1673, Nosso Senhor lhe disse: “Meu divino Coração está tão abrasado de amor para com os homens, e em particular para contigo, que, não podendo já conter em si as chamas de sua ardente caridade, precisa derramá-las por teu meio, e manifestar-se-lhes para os enriquecer de seus preciosos tesouros, que eu te mostro, os quais contêm a graça santificante e as graças salutares indispensáveis para os apartar do abismo da perdição; e escolhi a ti, como abismo de indignidade e ignorância, para a realização deste grande desígnio, para que tudo seja feito por mim”.(17)
E acrescentou: “Se até agora não tomaste senão o nome de minha escrava, eu te dou o de discípula dileta do meu Coração”.
“Graças especiais onde houver imagem do Coração de Jesus”
É bem provável que a Segunda Grande Revelação — da qual, infelizmente, não se consignou a data — tenha ocorrido numa primeira sexta-feira do mês no ano de 1674.
Nosso Senhor lhe fez ver que “o ardente desejo que Ele tinha de ser amado pelos homens e de os retirar da via da perdição, onde Satanás os precipita em multidão, o havia feito formar esse desígnio de manifestar seu Coração aos homens. [...] Ele queria a imagem exposta e portada sobre mim, e sobre o coração, para aí imprimir seu amor e cumular de todos os dons de que ele estava pleno, e para nele destruir todos os movimentos desregrados; e que, em toda parte onde essa santa imagem fosse exposta para aí ser honrada, Ele aí espalharia suas graças e bênçãos; e que essa devoção era como um último esforço de seu amor, com que queria favorecer os homens nestes últimos séculos, desta redenção amorosa, para os retirar do império de Satanás”.(18)
“Excesso a que tinha chegado em amar os homens”
A data da chamada Terceira Grande Revelação não ficou registrada. Ocorreu provavelmente em 1674, num dia em que o Santíssimo Sacramento encontrava-se exposto. Margarida entrou em êxtase e viu Nosso Senhor Jesus Cristo “todo radiante de glória com suas cinco chagas, brilhantes como cinco sóis; e a sua sagrada humanidade lançava chamas de todos os lados, mas sobretudo de seu sagrado peito, que parecia uma fornalha. [...] Abrindo-o, descobriu-me seu amantíssimo e amabilíssimo Coração, que era a fonte viva daquelas chamas. Foi então que Ele me mostrou as maravilhas inexplicáveis do seu puro amor, e o excesso a que ele tinha chegado em amar os homens, de quem não recebia senão ingratidões e friezas”.(19)
“Eis o Coração que tanto amou os homens”
A mais conhecida de todas as revelações, e em certo sentido a mais importante delas, ocorreu segundo os estudiosos entre 13 e 21 de junho de 1675, dentro da Oitava da Festa do Corpo de Deus. Nosso Senhor, descobrindo-lhe o seu divino Coração, disse-lhe:
“Eis o Coração que tanto amou os homens; que a nada se poupou até se esgotar e consumir, para lhes testemunhar o seu amor. E em reconhecimento não recebo da maior parte deles senão ingratidões, pelos desprezos, irreverências, sacrilégios e friezas que têm para comigo neste Sacramento de amor. Mas o que é ainda mais doloroso é que os que assim me tratam são corações que me são consagrados. Por isso te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa particular para honrar o meu Coração, reparando a sua honra por meio dum ato público de desagravo e comungando nesse dia para reparar as injúrias que recebeu durante o tempo que esteve exposto nos altares. E Eu te prometo que o meu Coração dilatar-se-á para derramar com abundância o influxo do seu divino amor sobre aqueles que Lhe renderem esta homenagem”.(20)
Grande promessa da Comunhão reparadora
Embora fugindo à ordem cronológica da biografia de Santa Margarida Maria, parece-nos oportuno apresentar aqui a chamada Grande Promessa, revelada já no fim da vida da vidente de Paray-le-Monial: “Eu te prometo, na excessiva misericórdia de meu Coração, que seu amor todo poderoso concederá a todos aqueles que comungarem em nove primeiras sextas-feiras do mês, consecutivas, a graça da penitência final, não morrendo em minha desgraça e sem receber os sacramentos, tornando-se [meu divino Coração] seu asilo seguro no derradeiro momento”.(21)
Tantas graças da mais alta mística não podiam passar despercebidas, e refletiam-se no exterior de Margarida Maria, que andava como que transportada.
Notas:
16. Monastère de la Visitation – Paray-le-Monial, Vie et oeuvres de Sainte Marguerite-Marie, Éditions Saint-Paul, Paris-Fribourg, 1990, tomo 2, Lettres de la Sainte, Lettre CXXXIII, au R.P. Croiset, pp. 470 e ss.
17. Autobiografia, p. 53.
18. Lettres de la Sainte, Lettre CXXXIII au R.P. Croiset, 3 novembre 1689, Ms. d’Avignon, pp. 477 a 479.
19. Autobiografia, p. 55.
20. Cláudio la Colombière, Notas Íntimas e Outros Escritos Espirituais, prefácio e tradução de Joaquim Abrances, S.J., Editorial A.O., Braga, 1983, pp. 150-151.
Na Cidade Eterna, avançava para seu final a noite calma e silenciosa. Após mais uma jornada na qual conduzira com valor a Barca de Pedro, o Sumo Pontífice descansava por algumas horas, para retomar seu posto aos primeiros clarões da aurora.
Nem todos, porém, repousavam naquela madrugada de 1544. A célebre Via Ápia, outrora palmilhada nessas horas pelos vigias de César e por cristãos que procuravam refúgio nas catacumbas, presenciava agora os passos de um humilde fiel chamado Filipe Néri, então com 29 anos de idade. Percorreu pouco mais de três quilômetros até a ponta da escadaria da Catabumba de São Sebastião, seu local predileto de oração e recolhimento.
O pentecostes de São Filipe
A Santa Igreja atravessava as conturbações religiosas do século XVI. Preparavam-se em Trento as seções do grande Concílio e o mundo cristão vivia uma encruzilhada histórica, de desfecho pouco previsível. Posto nessa situação, Filipe erguia do funda daquelas úmidas e escuras galerias uma prece que se confundia com o clamor dos mártires: “Enviai, Senhor, o Vosso Espírito, e renovareis a face da terra”.
Enquanto rezava, sentiu seu coração encher-se “de grande e inusitada alegria, uma alegria feita de amor divino, mais forte e veemente que qualquer outra sentida antes”. Uma bola de fogo – símbolo do Espírito Santo – refulgiu diante dele, entrou por sua boca e pousou em seu coração. Num instante, viu-se tomado de excepcional amor e entusiasmo pelas coisas divinas, bem como de uma incapacidade incomum de comunicá-los. Sua constituição física, não podendo contar o ímpeto da ação sobrenatural, modelou-se milagrosamente a ela: o coração aumentou de tamanho e buscou lugar entre a quarta e a quinta costelas, as quais se arquearam docilmente para dar-lhe um maior espaço.
Esse episódio miraculoso, ocorrido na vigília de Pentecostes, passaria para a Historia como “o pentecostes de São Filipe Néri”. E os frutos de tamanho prodígio não se fizeram esperar: “É assim que esse homem”, admirável pela doçura, a persuasão e o fogo da caridade, começou essa santa renovação social pela qual regenerará os povos da Itália; sublime obra de humildade, paciência e devotamento, que ele realizou antes de morrer, e sua congregação continuou depois tão gloriosamente.
Peculiar vocação
Filipe Romolo Néri nasceu num bairro popular de Florença, a 22 de julho de 1515. Aos 18 anos, seu pai, Francesco Néri, o enviou à casa de um tio, em San Germano, a fim de aprender o ofício de comerciante. Da bela cidade onde nascera, que deixava para sempre, haveria de conservar como um tesouro a formação religiosa recebida dos dominicanos do Convento de São Marcos: “Tudo quanto tenho de bom, recebi dos padres de São Marcos”3, repetirá ao longo da vida.
Sua vocação, porém, não era mercantil. Desapontado com as perspectivas de um lucro que hoje se conquista e amanhã se perde, ele se interessava muito mais por acumular tesouros no Céu, “onde não consomem a traça nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam” (Mt 6,20). Partiu para Roma no ano seguinte, abandonando o tio e os negócios.
O problema de uma vocação “oficial” não se pôs para este jovem, já decidido a entregar-se a Deus. Não quis ser padre, nesse então, nem ir para um convento, nem integrar qualquer instituição eclesial da época. Entretanto, dificilmente encontraremos entre o clero, nos claustros ou confrarias daquele século, pessoa mais devota do que ele. Desde sua juventude, Filipe teve a característica de escapar dos esquemas habituais, para mostrar que a única regra perfeita em si mesma é a caridade, e nenhuma disciplina tem valor quando se afasta da obediência a Jesus Cristo.
Com efeito, levava no mundo uma vida espiritual admirável! Tendo recebido asilo na casa de um nobre florentino, estabelecido na cidade Eterna, ali passou vários anos em isolamento, oração e severa penitência. Freqüentava com avidez a Roma antiga, deixando –se ficar longas horas em oração nos sagrados lugares. Alguns anos mais tarde, sentiu-se atraído a estudar Filosofia e Teologia, e os mestres da Sapienza e do Studium, agostiniano se assombraram perante o vôo intelectual desse homem que vivia como um mendigo.
Tais anos de estudo foram altamente fecundos, a ponto de lhe valerem para o resto da vida e darem-lhe a justificada fama de possuir uma sabedoria em nada inferior à dos maiores teólogos que essa época conheceu. São Tomás de Aquino será para sempre seu mestre; a Suma Teológica , seu livro de cabeceira.
Difundia a alegria da santidade
Em pouco tempo, por toda a Urbe, comentava-se a santidade desse peregrino de vida edificante. Solidificado na virtude, pelo longo período de recolhimento, ele sentiu ter chegado a hora de iniciar sua obra evangelizadora Para isso, escolheu as regiões mais pobres e “em todos os bairros, mesmo nos de pior fama, pregava ao ar livre a ouvintes benévolos e obtinha conversões extraordinárias”4. Sua fórmula para interpelar um pecador consistia em pousar a mão em seu ombro, no lugar onde o encontrasse, e dizer: “Vamos ver, irmão, é hoje que nos decidimos a comportar-nos bem”.5
Dotado de grande atrativo pessoal, Filipe Néri difundia ao seu redor a alegria da santidade, perto da qual a satisfação efêmera do pecado não passa de grotesca caricatura. Todos queriam estar perto dele e receber o transbordamento de seu amor a Deus. Os jovens se comprimiam ao seu redor, para ouvi-lo falar das coisas do Céu e brincarem juntos, em ruidosa algazarra. A um adulto ranzinza que reclamava do barulho, respondeu com um só argumento: “Ele não comentem nenhum pecado!”6. Com efeito, no inovador método de evangelização desse apostolo leigo, tudo era permitido, menos o pecado e a tristeza.
Assim era a amizade desses santos...
Lançando-se num incansável apostolado junto aos leitos dos doentes, Filie livrou do desespero e conduziu à morte santa muitos moribundos. No ano de 1548 fundou, juntamente com seu confessor, Persiano Rosa, a Confraria da Santíssima Trindade, destinada a atender os enfermos e peregrinos.
Santo Inácio de Loyola percebia o valor de Filipe e fez-lhe reiterados convites para ingressar na Companhia de Jesus, mas este preferiu continuar na condição de pietoso lazzarone (piedoso mendigo).
“Admirado pela legião de pessoas que, movidas por suas palavras, abraçavam a vida consagrada, Santo Inácio o cognominou de “o Sino”, dando a seguinte explicação:” Assim como um sino de paróquia, que chama todo mundo a igreja e permanece no seu lugar , este homem apostólico faz os outros entrarem na vida religiosa e permanece de fora”.7 Em contrapartida, Filipe – que se sentia chamado para suscitar religiosos, mas não para ser um deles – manifestava grande entusiasmo pelo convertido de Manresa; chegou a afirmar que nunca contemplava sua fisionomia sem vê-lo resplandecente como um Anjo de Luz. Assim era a amizade de tais santos!
“Roma será a tua índia”
Mas se o fundador dos jesuítas não conseguiu atrai-lo para a Companhia, seu filho espiritual, Francisco Xavier, despertou no pietoso lazzarone imensodesejo de partir para a Índia, a fim de conquistar maior numero de almas para Cristo,
As cartas do Apostolo do Oriente estavam na ordem do dia, nos ambientes eclesiásticos romanos. Filipe reunira em torno de si um núcleo de discípulos mais próximos para auxiliá-lo no apostolado – os futuros sacerdotes da Congregação do Oratório, que ele fundaria em 1575 -, com os quais fundamentava as narrativas vindas da Índia, lamentando-se: “Que lástima existirem tão poucos operários para recolher semelhante colheita! Porque não vamos também nós ajuda-los?”.8
Em insistente oração, eles imploravam luzes sobrenaturais para decidir sobre a viagem. A resposta veio pela palavra do abade cisterciense de The Fontane, a quem São Filipe consultara: “Roma será a tua Índia”.9 Compreendeu nosso Santo que sua vocação era ser missionário na Cidade Eterna, onde o aguardavam sofrimentos, fadigas e sacrifícios, como talvez nem na Índia encontraria.
A peregrinação das sete igrejas
Em 23 de maio de 1551, recebeu a ordenação sacerdotal. Contava 36 anos, e agora executaria, como ministro do Senhor, os trabalhos de sua vinha. No exercício do ministério sacerdotal, aos discípulos pobres se juntariam nobres. Burgueses, artistas e cardeais. Qual o principal método de atuação escolhido por São Filipe para atrai-los? “A originalíssima peregrinação às sete igrejas.”
O programa da “peregrinação” começava na Basílica de São Pedro, onde após a leitura espiritual, fazia-se uma exposição doutrinaria. Os participantes meditavam, comentavam, e Padre Filipe tirava a conclusão. Em seguida, todos se levantavam e se dirigiam hinos e salmos em compenetrada devoção. Ali chegando, ouviam uma nova conferencia sobre a Historia da Igreja, a vida dos santos ou a bíblia. E assim prosseguiam até o meio-dia, quando assistiam à Missa e comungavam na Igreja de São Sebastião ou na de São Estevão.
Em seguida, servia-se uma refeição nos jardins da redondeza, sempre animada pela contagiante alegria de São Filipe. A “peregrinação” recomeçava com novo cortejo musical, passando por outros templos veneráveis. O numero de conversões ultrapassava todas as expectativas.
Membros de importantes famílias, como as do Médici e a dos Borromeu, estiveram, lado a lado, com crianças órfãs e humildes artesãos nesse exercício que, por seu favor, censurava os cristãos tibios e ao mesmo tempo os conclamava. Poderemos contar até mil pessoas peregrinando juntas num mesmo dia, entre elas quatro futuros papas – Gregório XVIII, Gregório XIV. Clemente VIII, e Leão XI – e o genial compositor Giovanni Pierluigi da Palestrina. São Filipe, porém dava pouca importância aos cargos e talentos, se discernia nas almas a fealdade do pecado. Ele cumpria sua missão de purificá-las e toma-las humildes, quaisquer que fossem.
Ao cair da tarde, findava a meditação na Basílica de Santa Maria Maior, todos voltavam para casa carregados de bons propósitos e, o que é mais importante, com força para cumpri-los.
Santas peripécias
Entre historiadores que retrataram a figura deste insigne Santo, alguns o descreveram com traços inexatos, como se ele fosse um comediante, interessado apenas em despertar o riso com seus ditos jocosos. Na verdade, a alegria deste varão sobrenatural provinha de sua união com Deus, do sentir em seu interior a presença consoladora do Espírito Santo e poder comunicá-la ao mundo. Melhor que ninguém, conhecia a imensa riqueza que significa a posse do estado de graça, bem preciosissimo, em comparação com o qual nada tem valor. A consideração dos mistérios divinos o cumulava de imensa felicidade, e desta brotava a peculiaridade de sua atividade evangelizadora.
Seus métodos pitorescos e cheios de vivacidade, ele os empregava com muito critério e na hora certa, sempre visando extirpar ou ridicularizar o erro conduzir a virtude e, por vezes, ocultar sua santidade ou seus dons sobrenaturais. Assim, por exemplo, se um penitente omitia na confissão algum pecado, ele dizia: “falta tal pecado”. Mas se alguém lhe perguntasse: ”Como sabes que cometi também esse pecado”?”““, sua resposta seria: “Pela cor do teu cabelo”!. 10 Evitava assim revelar o dom de discernimento dos espíritos com o qual a providencia o dotara.
Filipe obtinha de Deus o favor de muitos milagres, que o povo não deixava de relacionar com a eficácia de suas preces. Para evitar isso, ele arranjou uma grande bolsa, onde afirmava estarem preciosas relíquias. Tocava os enfermos com ela, e quando alguém se curava, atribuía o fato ao poder das relíquias. Esse argumento convenceu a muitos, até o dia em que se fez uma grande descoberta: a sacola estava vazia!
Em certa ocasião, dois padres do Oratório tiveram um serio desentendimento e não queriam se reconciliar. Filipe chamou-os a sua presença e, em nome da santa obediência, mandou cada um deles cantar e dançar uma música folclórica para o outro. Com esse inusitado espetáculo, operou-se a reconciliação.
Numa “peregrinação às sete igrejas, São Filipe notou a presença de certa dama da nobreza que ostentava um aparato do vestido, jóias e imenso penteado”. Percebendo não estar à senhora tão preocupada com as coisas de Deus quanto sua aparência pessoal, o Santo pendurou-lhe no nariz seus próprios óculos. O público estalou em sonoras risadas. Ela entendeu a lição e terminou com devoto recolhimento o exercício começado com frivolidade.
Poderíamos multiplicar indefinidamente o relato de episódios como estes todos surpreendentes, cheios de candura e de presença de espírito.
“Eis a fonte de toda a minha alegria!”
São Filipe Néri deixou este mundo aos 80 anos. Segundo o Cardeal Ângelo Bagnasco, viveu numa época na qual “a Igreja conheceu um inaudito florescimento – “seria melhor dizer uma” verdadeira concentração” – de santos e santas que por numero e qualidade dificilmente se encontra na Historia da Igreja. 11 Nesse contexto, seu papel não foi pequeno.
Seu amor à Santa Igreja, sua entranhada devoção à Santa Missa e à Santíssima Virgem, somados à disposição de servir o próximo, produziram copiosos frutos. Sofreu o inenarrável por causa de uma frágil saúde, perseguições e invejas, sem por isso perder o sorriso, quase sempre mantido com heroísmo. No dia de sua morte, 26 de maio de 1595, ele ainda celebrou Missa, atendeu várias confissões e manteve com os padres do Oratório umas últimas horas de convívio. Ao receber o Viático, pronunciou estas palavras, resumitivas de sua existência: "Eis a Fonte de toda a minha alegria!”. 12
A Congregação por ele fundada, inovadora sob muitos aspectos, assumiu a missão de continuar sua obra baseada na caridade, isenta de rígidas normas que poderiam cercear uma atividade evangelizadora a ser exercida no meio do mundo, em benefício das almas imersas nas preocupações mundanas.
Conservam-se ainda hoje, como eloqüentes testemunhas do “pentecostes de São Filipe, suas duas costelas arqueadas: uma no Oratório de Roma e a outra no de Nápoles”. Essas preciosas relíquias parecem proclamar a seus filhos espirituais e a todas as almas chamadas à atividade apostólica: "Os homens que deixam seu coração moldar-se pela ação do Espírito Santo são os que verdadeiramente colaboram para renovar a face da Terra".
Notas:
1 CAPECELATRO, CO, Alfonso. The life of Saint Philip Neri, Apostle of Rome. 2.ed. London: Burns & Oates, 1894, p.127. 2 GUÉRIN, Paul. Le petit bollandistes. 7.ed. Paris: Bloud et Barral, 1876, v.VI, p.210. 3 PRODI, Paolo. Filippo Néri. In: Il grande libro dei santi. San Paolo: Cinisello Balsamo, 1998, v.I, p.684. 4 DANIEL-ROPS, Henri. A Igreja da Renascença e da Reforma - A Reforma Católica. São Paulo: Quadrante, 1999, p.141. 5 Idem, ibidem. 6 GUÉRIN. Op. cit., p.213. 7 Idem, p.212. 8 Idem, p.213. 9 GALLONIO, CO, Antonio. The life of Saint Philip Neri. San Francisco: Ignatius, 2005, p.57. 10 DANIEL-ROPS, Henri. Op. cit., p.140. 11 BAGNASCO, Angelo. Testimonianze. In: Annales Oratorii, Roma: 2007, n.6. 12 GUÉRIN. Op. cit., p.219.
Fonte: (Revista Arautos do Evangelho, Maio/2010, n. 101, p. 34 a 37)