terça-feira, 20 de abril de 2010

Uma oração profunda e verdadeira





 Por Prof. Pedro M. da Cruz



“Rezamos com a porta fechada quando invocamos, sem descerrar os lábios, Aquele que não leva em consideração as palavras, mas olha o coração.” (J. Cassiano)

A oração é um encontro amoroso, íntimo e profundo entre o homem e Deus; é colocar-se intensa e suavemente na presença divina; arrancar todas as máscaras; revestir-se de santa humildade. Não penses que ela consista propriamente em “muito falar[1], pois, na realidade é, antes de tudo, consciência e verdade; uma lembrança incessante de Deus acompanhada da visão sincera de si mesmo. 

Só um louco pretenderia enganar a Deus; ora, isso seria impossível. Nenhuma criatura está invisível ante os olhos do Senhor, tudo está nú e descoberto perante sua face.[2] Sendo assim, por que nos cansarmos tanto com o infrutuoso trabalho de nos escondermos do Criador, qual Adão no paraíso?[3] Por que continuarmos a imaginar que seria mais sensato ocultarmos fatos de nossa vida como matéria indigna da oração? O Homem só é plenamente ele mesmo quando está, de fato, na presença de Deus; dizemos “de fato” porque, talvez estejamos mais ausentes do que podemos imaginar. “Ser” e “Estar” se fundem; assim, à medida que mais intensamente “estamos” aos pés do Altíssimo, mais “somos” nós mesmos. Alí, na oração, todas as nossas virtudes, assim como, todas as nossas imperfeições, desfilam perante os olhos do Senhor; e não há o que temer, pois, Deus se alegra com nossa sinceridade.

A persistência em ocultar qualquer defeito e limitação que seja na Vida Espiritual é grande impedimento para a felicidade. Perante Deus, portanto, há que se abrir o coração! Mesmo que esse ato de amor custe à nossa alma e venha acompanhado de forte dor e lágrimas.[4] Fala, pois, de seus medos, e não encubras suas mazelas e desejos, mesmo os mais mesquinhos; descreva-os com detalhes, sem receios; afirme-os como seus, só seus, todo seus. Fala dos traumas, daqueles fatos mais dolorosos, daquilo que te escraviza, sim, daquilo que te envergonha. Isso, se feito com sabedoria e discernimento - tenha certeza - acarretará grande proveito espiritual. 

Esse “falar”, muitas vezes, não implica necessariamente em palavras, mas sim, em “saber-se”, sentir-se como tal. É no calor do abraço divino que se derretem nossas imperfeições e se desfazem nossas formas indevidas. Uma oração verdadeira e profunda é mais densa que prolixa.[5] O silêncio, intensificado pelo desejo, mesmo que não pareça, é mais ativo e eficaz que a mera conversação vazia a que tantos insensatos pretendem nos obrigar. As palavras, porém, quando realmente carregadas de sentido, são, na verdade, a roupagem do silêncio... no entanto, deixemos para outro momento este aspecto da oração para nos fixarmos mais propriamente naquilo que temos abordado. 

Disse Jesus: “Ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai que vê o oculto te recompensará.”[6] Este era o conselho que o divino Mestre dava aos seus seguidores com firme propósito de que vencessem a hipocrisia e o orgulho. Bom, mas que recompensa seria esta a que se referia o Redentor? Não seria também o progresso na Vida Espiritual? E, se “primeiro vem o homem, depois o santo” como alguns costumam se expressar, então torna-se claro que esta recompensa de que nos fala o Salvador alcançará o ser humano em sua totalidade, integrando-o em sua relação consigo mesmo, mas, também, com os outros, tudo isso, obviamente, numa concomitante e progressiva inter-relação entre ele e Deus. 

Veja, caro leitor, que a prática da oração pessoal, se profunda e verdadeira, tem como conseqüência certa, a transformação total da vida do indivíduo em suas várias relações. Creio, que se nos perguntassem, por exemplo, o motivo de a sociedade atual encontrar-se em tal estado de letargia e desordem em que a vemos, poderíamos responder, e com toda a sinceridade, que é devido ao abandono de um verdadeiro exercício espiritual. Poucos rezam muito, e muitos desses poucos rezam mal. 

Eleva, pois, sua mente a Deus; toma consciência da “amável presença” e revele-se perante a Santíssima Trindade. Assim, serás qual barro nas mãos do oleiro, e o divino Espírito poderá fazer de ti aquilo que bem entender. Verás, que no silêncio da oração tudo pode acontecer! 

Finalmente, não queremos ser causa de desânimo para ninguém: seja qual for o grau a que chagares em suas buscas o que importa é prosseguir decididamente na prática espiritual.[7] Que Nossa Senhora do Bom Conselho, exemplo de terna intimidade para com Deus, possa guiar-nos com segurança nessas misteriosas veredas do Espírito Santo, amém. 




[1] Conf. Mat. 6, 7. “A oração é uma ‘conversação’ do espírito com Deus.” (Evágrio Pôntico)
[2] Conf. Heb. 4, 13
[3] Conf. Gen. 3, 8-10
[4] De Cristo se diz: “Nos dias de sua vida mortal, dirigiu preces e súplicas, entre clamores e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, e foi atendido pela sua piedade. Embora fosse filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve.”(Hebr.5,7-8)
[5] “Por oração, não entendo o que está apenas nos lábios, mas a que brota do fundo do coração.(J. Crisóstomo)
[6] Conf. Mat. 6, 6
[7] Conf. Fil. 3,16

sexta-feira, 16 de abril de 2010

MEU BENTO XVI


 
 

Por Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Auxliar de Aracajú


     Nunca escondi meu profundo amor por Joseph Ratzinger. É antigo: desde 1981. Em novembro daquele ano, seminarista em férias, li um texto seu. Lá havia uma frase do então Cardeal Arcebispo de Munique: “Ninguém é maduro de verdade até que tenha enfrentado sua própria solidão!” Meus olhos marejaram (como marejam agora, neste momento). Pensei: quem afirma isto só pode ser um homem de verdade, só pode ser alguém que tem uma profunda experiência de Cristo! Eis aqui um homem de Igreja que continuou homem, com um coração, com sensibilidade, com retidão!

Um ano depois, dei com uma entrevista do Cardeal, agora nomeado Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Ele afirmava: “O primeiro dever do Bispo é defender a fé dos pequenos contra a prepotência de alguns teólogos...” Vibrei de alegria! O homem era realmente católico em cada fibra: sabia que a fé supera a razão e que o Mistério não se apreende em profundidade a não ser de joelhos e bebendo a límpida fé da Mãe Igreja, fé que se manifesta sobretudo nos pequenos, nos simples, no Povo de Deus em seu dia-a-dia.

Ratzinger tornou-se para mim uma referência. Doíam-me tanto as calúnias contra ele, as afirmações de muitos adeptos da Teologia da Libertação, que deformavam a imagem e o pensamento do Cardeal de modo vergonhosamente desonesto. Lembro-me das declarações pervertidas de Leonardo Boff e companhia a respeito do Cardeal Prefeito que, generosamente, ajudara ao próprio Boff nos tempos de estudo na Alemanha... Aqui no Brasil, as editoras católicas o censuravam metodicamente... Se algum seu escrito perdido aparecia, era dos menos expressivos e importantes... A imprensa só falava do Cardeal para criticá-lo, insuflada por certos setores da Igreja no nosso País...

A coisa intensificou-se quando da doença de João Paulo II. Agora era preciso queimar de vez o Cardeal da Inquisição, o Desumano, o Ditador... Foi uma pesada campanha dentro e fora da Igreja, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa... As pessoas nunca leram nada de Ratzinger, mas o antipatizavam de todo o coração. Recordo do conhecido jornalista Alexandre Garcia, que confessou ter comprado livros de Ratzinger e lido seus textos. Tomou um susto: o homem que escrevera aquelas coisas não era nada daquele monstro que diziam... Eis: o preconceito, filho da ignorância e irmão da má-fé!

E veio o Conclave. Aquele que no céu tem o seu trono riu-se dos planos dos homens e zombou dos grandes e sabidos deste mundo. Ratzinger tornou-se Bento XVI! Ouvi entrevistas, vi matérias na imprensa nacional e internacional simplesmente vergonhosas, vi entrevistas de teólogos – recordo de um da PUC de São Paulo à TV alemã – simplesmente revoltantes: mentirosas, desonestas, caluniadoras, sem caridade...

E aí está Bento XVI: amado por seu rebanho e por tantas pessoas de boa vontade, pela gente simples, cristã, de DNA católico; homem profundo, mergulhado em Cristo, nele alicerçado; homem doce e ao mesmo tempo tão firme; homem que não tem medo de proclamar a verdade, sem gritar, sem impor, mas sem jamais escondê-la: mostra-a inteira, límpida, serena, cortante, libertadora!

No tocante à vida moral do clero, menos de um mês antes de ser eleito Papa, na via-sacra do Coliseu, afirmou sem meias palavras, desgostando a muita gente: “E que dizer da terceira queda de Jesus sob o peso da cruz? Pode talvez fazer-nos pensar na queda do homem em geral, no afastamento de muitos de Cristo, caminhando à deriva para um secularismo sem Deus. Mas não deveríamos pensar também em tudo quanto Cristo tem sofrido na sua própria Igreja? Quantas vezes se abusa do Santíssimo Sacramento da sua presença, frequentemente como está vazio e ruim o coração onde Ele entra! Tantas vezes celebramos apenas nós próprios, sem nos darmos conta sequer d’Ele! Quantas vezes se distorce e abusa da sua Palavra! Quão pouca fé existe em tantas teorias, quantas palavras vazias! Quanta sujeira há na Igreja, e precisamente entre aqueles que, no sacerdócio, deveriam pertencer completamente a Ele! Quanta soberba, quanta autossuficiência! Respeitamos tão pouco o sacramento da reconciliação, onde Ele está à nossa espera para nos levantar das nossas quedas! Tudo isto está presente na sua paixão. A traição dos discípulos, a recepção indigna do seu Corpo e do seu Sangue é certamente o maior sofrimento do Redentor, o que Lhe trespassa o coração. Nada mais podemos fazer que dirigir-Lhe, do mais fundo da alma, este grito: Kyrie, eleison – Senhor, salvai-nos (cf. Mt 8, 25)".

Um homem assim não passa despercebido: ou é amado ou profundamente odiado! E há muitos que odeiam este santo e bendito Papa! Foi ele que, logo ao assumir, suspendeu o Padre Marcial Maciel, sacerdote famoso e muito apreciado por João Paulo II (o Papa João Paulo desconfiava muitíssimo de acusações na área de pedofilia, porque os comunistas poloneses utilizavam muitas acusações falsas como modo de desmoralizar o clero polaco. Isto criou em João Paulo II uma tendência a não dar muito crédito às acusações. Sempre que via um padre zeloso ser acusado, a tendência era logo recordar as mentiras dos comunistas poloneses... daí, a lentidão do processo do Pe. Macial. Foi um erro compreensível, mas um erro). Bento XVI não! Suspendeu o Pe. Maciel e determinou que vivesse seu fim de vida de modo recluso e sem contato algum com os fieis, numa vida de oração e penitência. O mesmo com o conhecidíssimo italiano Pe. Luigi (Gino) Burresi. Sua punição foi severíssima. Aos Bispos sempre recomendou tolerância zero com a pedofilia. Em seus pronunciamentos sobre o tema, nunca, Papa algum foi tão direto, claro e radical: na Igreja não há lugar para pedófilos. Os pedófilos devem ser demitidos do estado clerical e os Bispos devem comunicar à justiça comum! Tanto que em seu pontificado os casos de pedofilia desabaram...

Mas, nada disso interessa à imprensa, sobretudo aos jornais anticatólicos como New York Times, La Repubblica, El País, Spiegel... Para estes não interessa a verdade: interessam os fatos distorcidos, as meia verdades que, somadas, dão uma enorme mentira, uma triste difamação, uma calúnia monstruosa... O mesmo fizeram com Pio XII... Qual o objetivo? Desautorizar um Papa incômodo, cuja única preocupação é testemunhar o Cristo com toda a inteireza da fé católica. E nada é tão incômodo e antipático quanto isto! Por isso mesmo, tudo quanto este Papa diga ou faça é distorcido, deformado e, depois, duramente criticado, até ao paroxismo...

Mas, Bento XVI seguirá seu caminho! No meu primeiro encontro com ele como Bispo novo com o Sucessor de Pedro, disse-lhe: “Santo Padre, o Povo de Deus lhe quer bem! Nós rezamos por Vossa Santidade, nós estaremos sempre ao lado de Vossa Santidade!” Ele sorriu aquele sorriso tímido, mas tão humilde e franco e disse: “Obrigado! Muito obrigado! Eu preciso tanto do vosso sustento!” Só quem não o conhece poderia pensar que ele se dobra! Ninguém é tão perigosamente livre, é tão docemente forte quanto o homem que fez de Cristo o seu refúgio, a sua luz, a sua certeza! Bento XVI – santo Bento XVI, bendito Bento XVI! – é assim.

Hoje, 29 anos depois daquele 1981, quando, de coração apertado, imagino a dor e a solidão deste homem de Deus, consolo-me pensando no gigante que ele é e vem-me forte, mansa, decidida, certa, a sua palavra: “Ninguém é maduro de verdade até que tenha enfrentado sua própria solidão!” Bento XVI é maduro, Bento XVI não tem medo da própria solidão, pois ela é toda povoada por Cristo!

Deus o abençoe sempre, Padre Santo! Deus o abençoe e o livre das mãos de seus ferozes e maldosos inimigos!

Fonte: http://costa_hs.blog.uol.com.br/arch2010-03-21_2010-03-27.html


Data da publicação: 30/03/2010

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Clima artificial de pânico moral - Sobre os casos de pedofilia na Igreja




Por Rafael Navarro-Valls
Suspeito de que há um clima artificial de “pânico moral” em criação, de que faz parte certa pandemia midiática ou literária centrada nos “desvios sexuais do clero”, convertido numa espécie de pântano moral
Um tribunal de Haia decidiu em julho de 2006 que o partido pedófilo “Diversidade, Liberdade e Amor Fraternal” (PNVD na sigla em holandês) “não pode ser proibido, já que tem o mesmo direito de existir que qualquer outro grupo”. Os objetivos desse partido político eram: reduzir a idade de consentimento para relações sexuais a 12 anos, legalizar a pornografia infantil, a exibição de material pornográfico pesado na televisão em horários diurnos e autorizar a zoofilia. Digo que eram porque o tal partido fechou esta semana. Ao que parece, um fator decisivo para isso foi a “dura campanha” levada a cabo em todas as frentes, inclusive na internet, pelo sacerdote católico F. Di Noto, implacável na sua luta contra a pedofilia.

Essa boa notícia – cujo protagonista é um sacerdote católico – coincide com outra ruim, também protagonizada por sacerdotes. Refiro-me à tempestade midiática desencadeada pelos abusos sexuais cometidos por alguns clérigos contra menores de idades. Eis os dados: 3.000 casos de sacerdotes diocesanos envolvidos em delitos cometidos nos últimos cinquenta anos, embora nem todos tenham sido declarados culpados pela lei. Segundo Charles J. Sicluna – como que um fiscal geral do organismo da Santa Sé encarregado desses delitos –: “60% dos casos são de «efebofilia», ou seja, de atração sexual por adolescentes do próprio sexo; 30% são de relações heterossexuais, e 10%, de atos de pederastia verdadeira e própria, isto é, casos de atração sexual por crianças impúberes. Estes últimos somam trezentos aproximadamente. Um já seria muito, mas também temos de reconhecer que o fenômeno não é tão difundido como dizem”.

Com efeito, se levarmos em conta que hoje existem cerca 500.000 sacerdotes diocesanos e religiosos, os números – sem deixar de ser tristes – constituem uma porcentagem em torno de 0,6%. O estudo científico mais sólido que conheço feito por um autor não católico é o do professor Philip Jenkins, Pedophiles and Priest - Anatomy of a Contemporary Crisis (Oxford University Press). Sua tese é de que a proporção de clérigos com desordens sexuais é menor na Igreja Católica que em outras confissões. Sobretudo, é muito menor que em outros modelos institucionais de convivência organizada. Se tais comportamentos chamam mais a atenção na Igreja Católica hoje do que antes, é porque a organização de Roma permite recolher informações, contabilizar e conhecer os problemas com mais rapidez que em outras instituições e organizações, confessionais ou não.

Há dois exemplos recentes que confirmam as análises de Jenkins. Os dados fornecidos pelas autoridades austríacas indicam que, num mesmo período de tempo, os casos de abusos sexuais ocorridos em instituições vinculadas à Igreja foram 17, ao passo que em outros ambientes foram 510. Segundo um informe publicado por Luigi Accatoli (um clássico do Corriere della Sera), dos 210.000 casos de abusos sexuais registrados na Alemanha desde 1995, apenas 94 estão relacionados com pessoas e instituições da Igreja Católica, o que representa 0,045% do total.

Suspeito de que há um clima artificial de “pânico moral” em criação, de que faz parte certa pandemia midiática ou literária centrada nos “desvios sexuais do clero”, convertido numa espécie de pântano moral. Não deixa de ser uma prática já conhecida, mas que nos últimos dias passou dos limites quando vieram a público os crimes cometidos na Alemanha, na Áustria e na Holanda. A campanha faz lembrar as lendas negras sobre o tema na Europa Medieval, na Inglaterra dos Tudor, na França revolucionária ou na Alemanha nazista.

Concordo com a observação de Jenkins: “a propaganda permanente da pedofilia foi um dos meios de propaganda e perseguição utilizados pelos políticos alemães na sua tentativa de destruir o poder da Igreja católica, especialmente no âmbito da educação e dos serviços sociais”. Himmler fez a acusação de que “nenhum crime cometido pela Igreja carecia de perjúrio, do incesto ao assassinato sexual”, comentando ainda que ninguém sabe ao certo o que se passa “por detrás das paredes dos mosteiros e da fileiras de Roma”. Como então, hoje também misturam dados e fatos com insinuações e equívocos intencionais. No final das contas, a impressão é que a única culpada dessa triste situação é a Igreja católica e sua moral sexual.

Assim, fica evidente que o problema é grave o suficiente para que abordá-lo diretamente. Encontremos as suas causas. Devo admitir que me chamou a atenção a ênfase que Bento XVI pôs nas suas repetidas condenações desses abusos durante sua viagem aos Estados Unidos. Os analistas esperavam alguma referência ao tema. Mas o fato de ele aludir quatro vezes aos escândalos me surpreendeu. Na verdade, essa questão tem suas raízes nos anos sessenta e setenta, mas eclode no começo do novo milênio, com os pedidos de indenização por parte das vítimas. Algo, pensava eu, pertencente ao passado. A um passado que coincidiu com os calores da revolução sexual dos anos sessenta. Foi então que se descobriu entre outras “filias” e fobias, a “novidade” da pedofilia, mirando, entre outros objetivos, da demolição das “muralhas” levantadas para impedir o contato erótico entre adultos e menores. Quem não se lembra – naqueles anos – de Mrs. Robinson e Lolita...? Se cavarmos um pouco descobriremos que alguns dos mais inflexíveis “moralistas” atuais, foram apóstolos ativos da liberação sexual dos anos sessenta e setenta.

Essa revolução marcou uma cultura e a sua época, deixou um sulco profundo, que contagiou também certos ambientes clericais. Assim, algumas Universidades católicas da América e da Europa passaram a transmitir conceitos equivocados da sexualidade humana e da teologia moral. Como aconteceu com toda uma geração, alguns seminaristas não ficaram imunes a isso e acabaram por agir indignamente. João Paulo II combateu essa podridão com energia, revogando a licença de alguns professores dessas Universidades, dentre eles Charles Curran, expoente icônico da corrente.

Bento XVI, não obstante as raízes antigas do problema, decidiu tratar com tolerância zero uma questão que mancha a honra do sacerdócio e a integridade das vítimas. Por isso, as muitas referências ao tema nos Estados Unidos e a sua rápida reação, convocando em Roma os responsáveis assim que o problema eclodiu nalgumas dioceses irlandesas. De fato, acaba de tornar-se pública uma dura carta à Igreja na Irlanda em que o Papa chama de “traidores” os culpados dos abusos e anuncia, entre outras medidas, uma rigorosa inspeção em dioceses, seminários e organizações religiosas.

Acaba sendo sarcástica a tentativa de envolver em escândalos sexuais algum dos sacerdotes da diocese governada pelo então arcebispo Ratzinger. Ainda mais quando sabemos ter sido justamente o cardeal Ratzinger que, como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, assinou em 18 de maio de 2001 a circular “De delictis gravioribus” (“Sobre os crimes mais graves”) que previa duras medidas contra esse tipo de comportamento. O próprio fato de reservar à Santa Sé o julgamento a respeito dos casos de pedofilia (e também dos atentados contra os sacramentos da Eucaristia e da Confissão) reforça a gravidade em que ele os têm, bem como a determinação de que o juízo não seja “condicionado” por outras instâncias locais, potencialmente mais influenciáveis.

Além do mais, em todos os ambientes há ovelhas negras. Nigel Hamilton escreveu o seguinte sobrea presidência dos EUA: “Na Casa Branca já tivemos estupradores, galinhas, e, usando um eufemismo, pessoas com preferências sexuais pouco habituais. Tivemos assassinos, escravagistas, corruptos, alcoólatras, viciados em jogo e em todo o tipo de coisa. Quando um amigo perguntou ao presidente Kennedy por que permitia que a luxúria dessa gente interferisse na segurança nacional, ouviu: “Não posso evitar”.

A Igreja é uma das poucas instituições a não fechar janelas nem portas diante do problema até passar a tormenta. Não se encolheu sobre si mesma “até que os bárbaros voltem aos bosques”. Encarou o problema, endureceu a sua legislação, pediu perdão às vítimas, pagou indenizações e foi implacável com os agressores. Denunciemos os erros, sempre, mas sejamos justos com aqueles que querem sim – diferentemente de Kennedy – evitá-los.
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Fonte: http://www.quadrante.com.br/
Rafael Navarro-Valls
Catedrático da Universidade Complutense e Acadêmico da Real Academia de Jurisprudência e Legislação
 

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Apologética Católica - Verdade Irrefutável

 Por Renato Cesar.


Às almas enamoradas de Cristo bendito, mando-lhes este video, fruto de um trabalho delicado com o intuito de mostrar a todos com humildade e piedade a verdade da autenticidade da nossa fé Católica. Bom proveito!

segunda-feira, 29 de março de 2010

ORAÇÃO À MÃE DE DEUS

 
 
Sub tuum praesidium
À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades; mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita.
R. Amen.

Sub tuum praesidium confugimus, sancta Dei Genetrix; nostras deprecationes ne despicias in necessitatibus nostris, sed a periculis cunctis libera nos semper, Virgo gloriosa et benedicta.
R. Amen.













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quarta-feira, 24 de março de 2010

PADRE ANTÔNIO

Por Gustavo Corção

Numa cidadezinha perdida e esquecida, lá nos confins deste tão imenso Brasil, existe uma igreja quase sem existir. Em torno, mil ou duas mil almas mais ou menos desalmadas; dentro, um velho vigário a fazer contas intermináveis, e um padre coadjutor, na sacristia, a olhar o morro, a linha férrea lá longe, o rio, talvez o céu.
Já traz cinzas na cabeça e uma curvatura nas costas, mas naquele momento o que mais lhe pesa é a solidão que cerca a velhice que se aproxima. Está ali. Não é nada. Não sente forças para fazer nada pela vila indiferente que quer viver sua vida rotineiramente encaminhada para a morte. Sente-se inútil a mais não poder. Quer que ele celebre a única missa da féria, e com uma só porta apenas entreaberta. Precaução aliás inútil porque ninguém mais aparece nas missas dos dias da semana. O povo não gostou quando o vigário tirou os santos que há mais de cem anos povoavam a velha igrejinha. Diminuiu a assistência à missa, diminuíram as confissões. A conversa com o vigário, na hora do jantar, reduz-se a monossílabos.
Padre Antônio torna a pensar nas coisas que se perderam: a água benta, a oração do terço à noite, os santinhos que dava aos moleques na rua com magnanimidade, e tudo o mais que fazia companhia, que cercava a alma da gente nas igrejinhas da roça. Por que esta devastação? O vigário não gosta de abordar o assunto. Sofre a seu modo, com a tenacidade obtusa dos animais feridos. Cerra os dentes. Não pensa. Não fala. Faz o que o bispo mandou fazer e encerra-se num mutismo quase vegetal. Às vezes parece ter gosto de transmitir seu sofrimento fazendo um outro sofrer. É seu modo de conversar, e quem paga é padre Antônio.
Um dia padre Antônio não encontrou sua velha batina e teve de pedir uma explicação a d. Ana e ao vigário. Explicaram-lhe que estava imprestável. Ganharia nova batina? Não. Clergy-man também é muito caro. Padre Antônio deveria comprar na loja do João Mansur umas calças de lonita e duas camisas esporte. E é com esta roupa pobre que padre Antônio agora se debruça na janela e consulta o infinito. Pobre, pobre padre Antônio. Ele nunca foi propriamente vaidoso e preocupado com a roupa que haveria de vestir, como aconselha Nosso Senhor. Mas essa história da batina doía-lhe ainda como se estivesse em carne viva, como se 1he tivessem arrancado a pele. E o pior é pensar que é com esta roupa por baixo, esta roupa de rua, esta roupa sem bênçãos que deve celebrar a Santa Missa. Disseram-lhe que era mais prático usar uma só alva por cima do traje esporte. E esta alva não era mais daquelas antigas, rendadas e compridas. Padre Antônio não queria as rendas para si, já que era desgracioso e escuro: queria-as para enfeitar o louvor de Deus. Mesmo porque, descontada alguma andorinha, nenhum ser vivo aparecia para assistir ao Sacrifício de nosso Salvador. Nem valia a pena bater a campainha. As novas alvas não têm rendas. São ordinárias e curtas, sim, curtas, porque o importante é aparecerem as calças para todo o mundo ver que o padre é homem, como outro homem qualquer.
Está na hora de preparar a missa da tarde, e padre Antônio sente a tristeza aumentar. Está só. Está só. Não tem com quem falar. Poderá conversar na farmácia com a turma do gamão do Frederico, mas depois a volta para a casa é ainda mais pesada. Poderá perguntar a d. Emília se está melhor do reumatismo, e a d. Maria se o marido já voltou do Rio. Mas não tem ninguém com quem possa falar, com quem possa desabafar, a quem possa explicar a desmedida tristeza de vestir por cima das calças uma alva sem rendas, e a quem possa dizer a saudade que tem da batina preta, a batina bendita em que um dia amortalhara o homem velho para viver em Cristo Nosso Senhor. E não tem ninguém a quem possa perguntar tremendo: «O que é que está acontecendo em nossa Igreja? E o Papa?» Ou então alguém, um irmão, um padre, a quem possa dizer com medida indignação: «Não pode ser! Não pode ser! As portas do inferno não prevalecerão!»
Padre Antônio olhou mais uma vez para o horizonte que a noite já escondia. O mundo começava além daquela serra... O mundo! Padre Antonio curvou a cabeça como um condenado. Estava preso! Estava preso! Abriu então as duas mãos grandes e magras que considerou com triste ternura: um dia elas tinham recebido o poder de consagrar o Pão e o Vinho, e de trazer assim ao mundo, como a Virgem Santíssima, o Corpo de Deus. Mãos grandes, mãos nervosas e escuras, mãos consagradas. Ao menos esta pele não lhe arrancam, esta marca não lhe tiram.
Num desamparo infinito padre Antônio contemplava as duas mãos frementes, tão poderosas e tão inúteis. Turvava-se o espírito, vacilava a razão e a fé. Estão ali as mãos. E o resto. E a água benta? o Latim? as coisas da Igreja? As palmas inúteis não respondiam às suas indagações, e até pareciam pedir-lhe uma resolução, uma decisão, já que a mão foi feita mais para fazer do que para pensar... O que é isto? O que é isto nas palmas das mãos? Estará chovendo? Padre Antônio, padre Antônio, o senhor está chorando. Quem foi que falou? Ninguém. Ninguém. É o próprio padre Antônio que tomou o costume de falar com o padre Antônio.
Juntam-se as mãos. E das profundezas dos abismos que todos trazemos, mesmo debaixo de uma camisa esporte, subiu um clamor de aflição: «Usquequo exaltabitur inimicus meus super me? Respice et exaudi me! Respice et exaudi me! Respice et exaudi me, Domine Deus meus...».
E então, neste momento infinito, padre Antônio teve a incomparável certeza de que não estava só.
(15-2-69)  

Fonte: http://gustavocorcao.permanencia.org.br/Artigos/padreantonio.htm

quarta-feira, 17 de março de 2010

PODE O CATÓLICO AJOELHAR-SE DIANTE DE IMAGENS DE NOSSA SENHORA E DOS SANTOS?


Por P. C. Oliveira


 
  Para entrar nesta questão, vejamos primeiramente o que ensina a Igreja a respeito do culto às santas imagens:

 "Nós definimos com todo o rigor e cuidado que, à semelhança da representação da cruz preciosa e vivificante, assim as venerandas e sagradas imagens pintadas quer em mosaico quer em qualquer outro material adaptado, devem ser expostas nas santas igrejas de Deus, nas alfaias sagradas, nos paramentos sagrados, nas paredes e mesas, nas casas e ruas; sejam elas a imagem do Senhor Deus e Salvador nosso, Jesus Cristo, ou a da Imaculada Senhora nossa, a Santa Mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos justos. Quanto mais os fiéis contemplarem essas representações, mais serão levados a se recordar dos modelos originais, a se voltar para eles, a lhes testemunhar... uma veneração respeitosa, sem que isso seja adoração, pois esta só convém, segundo a nossa fé, a Deus".” (1)

Vemos então que o culto às imagens é amplamente permitido e incentivado pela Igreja, pois elas estimulam a nossa oração(2),” são objetos de instrução religiosa, lembram-nos das pessoas dos santos e das virtudes que estes praticaram, incitam-nos a imitar-lhes o exemplo, a virtude e a santidade”(3),”contribuem para dar aos lugares de culto um aspecto sagrado, e convidam ao recolhimento e à oração(8)”, entre diversos outros benefícios.

“... a exposição de um ícone figurativo permite àqueles que o contemplam ter acesso aos mistérios da Salvação mediante a vista.” (1)

“O II Concílio de Nicéia não se limita a afirmar a legitimidade das imagens, mas procura ilustrar a sua utilidade para a piedade cristã: ´´Com efeito, quanto mais frequentemente estas imagens forem contempladas, tanto mais os que as virem serão levados à recordação e ao desejo dos modelos originários e a tributar-lhes, beijando-as, respeito e veneração´´(4)

“As imagens, os ícones e as estátuas de Nossa Senhora, presentes nas casas, nos lugares públicos e em inúmeras igrejas e capelas, ajudam os fiéis a invocar a sua presença constante e o seu misericordioso patrocínio nas diferentes circunstâncias da vida.”(4)

“Deve ser encorajado, portanto, o uso de expor as imagens de Maria nos lugares de culto e noutros edifícios, para sentir a sua ajuda nas dificuldades e o apelo a uma vida cada vez mais santa e fiel a Deus.”(4)

Mas o que vem a ser culto?

“É o complexo de atos com que exprimimos, em particular ou em público, com a alma só ou com toda a nossa pessoa, as nossas relações com Deus. O culto a Deus se chama culto de latria ou de adoração. O culto aos Anjos e Santos se diz culto de dulia ou de veneração aos servos de Deus(do grego dúlos: servos). Devido ao excepcional privilégio de Mãe de Deus, a Virgem Santíssima recebe o culto de hiperdulía, ou seja, de especialíssima veneração devida à mais santa das criaturas de Deus.”(6)

Mas não seria errado ajoelhar-se diante de imagens da Mãe de Deus, dos Anjos e Santos, visto que eles não representam Deus para nós? No Catecismo da Igreja Católica encontramos o seguinte ensinamento:

“O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos.De fato, ‘a honra prestada a uma imagem se dirige ao modelo original’, e ‘quem venera a imagem venera a pessoa que nela está pintada’.A honra prestada às santas imagens é uma ‘veneração respeitosa’, e não uma adoração, que só compete a Deus: O culto da religião não se dirige às imagens em si como realidades, mas as considera em seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado.Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não termina nela, mas tende para a realidade da qual é a imagem.”(5)

“O Concílio Niceno II, portanto, reafirmou solenemente a distinção tradicional entre ´a verdadeira adoração (latria)´ que, ´segundo a nossa fé, é devida somente à natureza divina´ e ´a prosternação de honra´ (timetiké proskynesis), que é prestada aos icones, porque ´aquele que se prostra diante do icone, prostra´se diante da pessoa (a hipóstase) daquele que na figuração é representado´.”(1)

O ato de se ajoelhar, embora seja “por excelência o gesto litúrgico de adoração a Deus”(6), emprega-se também “como sinal de veneração”(7) diante de pessoas ou coisas sagradas”(6). Todos os santos da Igreja rezavam ajoelhados diante das imagens; papas rezam ajoelhados diante dos túmulos de santos(9) e diante da imagem da Mãe de Deus(10).Também bispos e padres de todo o mundo em sinal de veneração se ajoelham aos pés do Papa ao se aproximarem dele para lhe pedir a bênção. Entendemos então que para a Igreja não existe nenhuma proibição quanto ao referido ato, e que ele, como já vimos anteriormente, contribui de diversos modos para o crescimento na vida cristã.

(1) Carta Apostólica Duodecim Saeculum sobre a veneração de Imagens.
(2) Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 1162.
(3) Livro “Na Luz Perpétua’’, vol.1, pg 366.
(4) Audiência geral do Papa João Paulo II de 29 de outubro de 1998.
(5) C.I.C., parágrafo 2132.
(6) Missal cotidiano – Dicionário Litúrgico - D. Gaspar Lefebvre
(7) Veneração: Culto prestado aos servos de Deus
(8) Artigo sobre as sagradas imagens do site www.seminario-campos.org.br – na Bíblia, cf. Ex. 25,22; 1 Reis 6,23 a 28.
(9) Cf. como exemplo a foto da contra-capa do livro O Segredo do Rosário – São Luiz Maria Grignion de Montfort
(10) Cf. foto do livro Aos Sacerdotes, filhos prediletos de Nossa Senhora, do Movimento Sacerdotal Mariano, pg. 1137

segunda-feira, 15 de março de 2010

"Poucos são os que o encontram..."



Por P. C. Oliveira 

Existem no Evangelho passagens que, de um modo todo particular, nos dizem algo de muito especial. É claro que todo o Evangelho é obra perfeita e belíssima, mas certos versículos tendem a sobrelevarem-se na nossa identidade espiritual. Desde muito tempo, um destes versículos é para mim o que se encontra no número 14 do capítulo 7 do Evangelho de Mateus. Jesus, ao falar dois caminhos – um que leva à vida e outro à morte – arremata dizendo do caminho que leva à vida: “poucos são os que o encontram”.

Lembro-me da primeira vez que me deparei com este versículo. Um misto de surpresa e conscientização tomou o meu coração. Minha vontade inicial era de, sem perder mais um segundo sequer, sair a anunciar a todos os homens que eles precisariam ser do número dos eleitos, e que estes eleitos seriam poucos, a minoria do mundo! É óbvio que Deus quer a salvação de todos (cf. I Tim 2,4), e, se poucos se salvam, só se pode imputar àqueles que não se salvam o peso de culpa por não terem querido a própria salvação, visto que Nosso Senhor não se agrada com a perdição de ninguém, nem precipita alguém à ela. Se Nosso Deus quer que todos se salvem, é porque pode levar todos à salvação, visto que Ele não pode querer algo que não pode fazer, nem fazer algo que não pode querer...

Mas somos livres. E a nossa liberdade, grandioso dom, é a ferramenta que usamos para decidirmos nosso caminho. Sei que é racionalmente desconfortável pensar que alguém não queira ser salvo, mas sei também que seria uma pobre presunção pensar que nosso limitadíssimo intelecto é capaz de entender toda a realidade presente, dada as conseqüências do pecado original e da nossa própria natureza. Assim, a condenação eterna existe, é uma verdade assim como é verdadeiro o fato de que muitos optam com maior ou menor consciência, mas nunca sem culpa, por herdá-la.

Porém, a palavra final não pertence à morte e à decepção, mais sim à vida e à esperança. Ao pensarmos que uma eternidade de glória está reservada àqueles esforçados do tempo presente, todas as dores e penas momentâneas não conseguem resistir. O que são 70 ou 80 anos em comparação com uma vida que não passa? Acho que os católicos pensam muito pouco no Céu. Oxalá se fossemos como uma Santa Teresa D´ávila, que ao badalar das horas do relógio exclamava: “Menos uma hora!”. Há muitas vezes um apego quase doentio pelos bens presentes. Sei que poderiam me objetar dizendo: ”mas os bens presentes não são ruins!”. Eu complementaria: sim, em si mesmos não são absolutamente! Porém, percebe-se que aqueles que melhor uso fazem deles são os que mais se dedicam a entrar para o Céu. Isto porque são livres, sabendo viver – nos dizeres de São Paulo – na riqueza e na carestia. Esforcemo-nos pois, irmãos, porque pela nossa salvação só podemos responder nós mesmos diante de Deus.

MARIA SEMPRE!