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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

SER PAI - IR ALÉM DO NATURALISMO

Resultado de imagem para paternidade espiritual
Ser pai é, sobretudo, um Dom!
 Logo, é uma dádiva que os homens que se casam não devem evitar
Por João S. de O. Junior *

Conforme calendário civil, no segundo domingo de Agosto comemora-se o dia dos Pais, data trazida para o Brasil com fins publicitários [1]. Na liturgia da Igreja, nesse mesmo mês, recorda-se de modo especial o tema vocações. Coincidências à parte, foi conveniente reservar um dia do ano para lembrar daquele que, junto à mãe, gera e cuida da prole. 

A realidade do casal gerar um ser humano, sangue do seu sangue, é como cultivar um outro "eu" para se perpetuar nesta vida pelas gerações, assim concordam os poetas e os iletrados, os cristãos e os pagãos. Convicção esta que aumenta com a experiência paterna concretizada. 

Podemos afirmar que a geração e o cuidado para com os filhos está na Lei Natural física (para os seres irracionais também) e Lei Natural moral [2], no caso dessa última, posta por Deus no coração dos seres humanos para consecução de suas finalidades [3]. Logo, de modo geral, a paternidade e muitas de suas implicações são inatas ao homem. 

Até aqui, nada de novo. Mas, meus irmãos, atenção! Eis este mundo marcado pelo pecado original. E não pense que nos referiremos aos maus pais, àqueles que prestarão contas no dia do Juízo pelos "órfãos de pais vivos", não. Se a paternidade é algo natural e bom, chamaremos atenção para o Naturalismo, tão presente e maléfico em nosso tempo.
Como corrente filosófica desde o séc. XIX, complementar a outras como o Materialismo e o Positivismo, “(...) a corrente Naturalista sustenta que a natureza é formada pela totalidade das realidades físicas existentes e, por conseguinte, é o princípio único e absoluto do real. Para o naturalismo filosófico, todo o real é natural e vice-versa. Não existe outra realidade que não a natureza. (...)” [4]

O Naturalismo é um sistema filosófico que destaca
a natureza como sendo o primeiro princípio da realidade
Esse conceito é perceptível com a realidade paterna contemporânea, não? Um pai que faz de sua função apenas dar o alimento e sustento corporal aos seus filhos, ou mesmo uma "educação" unicamente voltada para este mundo material, está sendo naturalista. Por mais que tenha afeto verdadeiro pela prole, o pai que não enxergar um propósito maior como tal, a não ser advindo da natureza humana, é naturalista. Percebam: mesmo que não falte amor aos filhos, os pais que, na prática, não vislumbram a transcendência daqueles, dotados de corpo e alma espiritual e imortal, estão sendo naturalistas. E, por isso, não estão sendo bons pais, de fato.

Isto vos escandaliza? Como católicos não podemos permitir que os ditames de filosofias vãs prevaleçam. Devemos, sim, propagar a sã doutrina que, embasada na Revelação Divina, nos dá outra perspectiva, mesmo na paternidade. Ser pai é, sobretudo, um Dom! Logo, é uma dádiva que os homens que se casam não devem evitar. É a graça de uma participação especial na obra do Criador[5], é para povoar o Céu! E isto, meus irmãos, é a excelência de nosso chamado.

Os sacerdotes são nossos pais espirituais
Não por acaso, o sacerdote católico, que transmite a Vida da Graça aos Fiéis através dos Sacramentos, é chamado de padre (termo latino que significa "Pai"). Os grandes propagadores de nossa Fé nos primeiros séculos da Igreja, pelo testemunho e defesa contra as heresias, são denominados Pais da Igreja. E, com sentido carinhoso em termo grego (papai), o Vigário de Cristo na Terra é o... Papa! [6] 

Se hoje, para muitos, o fato de ser pai se resume em "pagar pensão", na doutrina católica, a principal Missão deles se dará pela Educação dos filhos. E esta começa por iniciá-los e ajudá-los a dar os primeiros passos da Fé, fazê-los conhecer a sã doutrina[7], crida, professada e que seja vivida exemplarmente. [8] 

Para concluir o que afirmamos, o Catecismo de São Pio X, sucintamente, explana sete deveres dos pais para com os filhos: 

"Os pais têm o dever de amar, cuidar e alimentar seus filhos, de prover à sua educação religiosa e civil, de dar-lhes o bom exemplo, de afastá-los das ocasiões de pecado, de corrigi-los nas suas faltas, e de auxiliá-los a abraçar o estado para o qual são chamados por Deus." [9] 
Num Mundo naturalista, materialista, relativista, cada vez mais moralmente liberal, onde até parte da hierarquia e membros de nossa Madre Igreja se "contaminam", é de questionar se mesmo os ditos "católicos praticantes" estão observando estes deveres em destaque. Diante da crise, o maior ato heroico de um pai, além de se salvar, e como condição para tal, será trabalhar pela salvação eterna de seus filhos.

MARIA SEMPRE!

    * O autor é o atual Presidente da SSVM. 
Aqui no batismo de João Henrique, seu filho
Notas e Referências:

[2] - Bettencourt, Dom Estevão. "Lei Natural: o que é? Existe mesmo?", revista Pergunte e Responderemos, disponível em: http://www.pr.gonet.biz/index-read.php?num=565
[3]-Fedeli, Dr. Orlando. " Os três princípios da Lei Natural", artigo disponível em: http://www.montfort.org.br/bra/cartas/doutrina/20040821155008/
[4] - Vide: "Conceito de Naturalismo", disponível em: http://conceito.de/naturalismo.
[5] Catecismo da Igreja Católica, 1982, Da ordenação da família a fecundidade, parágrafo 1652.
[6] - Artigo "Qual é a origem da Palavra 'Papa', disponível em: http://pt.aleteia.org/2014/01/22/qual-e-a-origem-da-palavra-papa/
[7] - Vide Catecismo de São Pio X, questão 6.
[8] - Catecismo da Igreja Católica, 1982, Parágrados 2225-2226.
[9] - Catecismo de São Pio X, questão 403.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

REFLEXÃO: A IGREJA E OS PECADORES

“Ó Deus, relembramos a vossa misericórdia
 no interior de vosso Santo Templo.” (Sl. 47,10)

Prof. Pedro Maria da Cruz

Resplandecente em sua beleza refulge a glória da única e verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo! Mas, me perguntareis, onde está esta beleza da qual te ufanas, se vejo Imorais, Pedófilos, Avarentos e Abortistas dizendo-se Católicos? Se vejo sacrilégios, apatia ante o santo sacrifício da missa, relativismo, hedonismo, e ignorância religiosa? Acaso tudo isso não existe qual fumaça negra, tomando todo o sagrado recinto, impregnando de fétido odor toda a dita glória que cantas, e impedindo a visão desta grandeza de que te gabas? Não será esta, a fumaça de Satanás, o sinal de um fogo devorador, que fará ruir todo o templo?

“Ó Deus, relembramos a vossa misericórdia no interior de vosso Santo Templo.” (Sl. 47,10). Acaso não te lembras das promessas de Nosso Senhor com referência à sua Igreja? Cuidado! Tal dúvida pode ser o sinal de um coração que se afastou do mistério; de alguém, que não segue o salutar exemplo da Virgem Maria, que “... guardava todas as coisas em seu coração” (Lucas 2,51). O homem que se afasta da oração profunda e verdadeira, tende a ouvir sempre mais as mediocridades advindas da ignorância de uma razão, que julgou desnecessária a iluminação divina. “Filho, que o pensamento de Deus ocupe o teu espírito, e os preceitos do altíssimo sejam a tua conversa” (Eclo. 9,23). Digamos sempre com o salmista: “... jamais esquecerei vossas palavras.” (Sal.118,16) 

"Deixai crescer juntos, o joio e o trigo" Mt 13,30 
Disse acertadamente Nosso Senhor, que as portas do inferno jamais prevaleceriam contra sua Igreja! Sim, o disse; porém, não sejamos simplórios. Nunca poderemos julgar um versículo bíblico, fora de toda uma lógica que interliga qual rede, o discurso do Cristo; caso contrário, pecaremos contra a Hermenêutica, que nos ensina o legítimo método de interpretação dos textos Sagrados; assim, devemos ler a parte sem desprezar o todo Revelado. Deste modo, recordemos à significativa “Parábola do Joio”, onde o divino Mestre nos revela que faz parte da misteriosa vontade do Pai Celestial, deixar crescerem juntos em seu Reino, os bons e os maus; de modo, que somente chegando o final dos tempos é que serão separados uns dos outros pela Justiça do Altíssimo. “Não podemos separar ‘o Reino’, da ‘Igreja’. Com certeza que esta (a Igreja) não é fim em si própria, uma vez que se ordena ao Reino de Deus (Escatológico), do qual é princípio, sinal e instrumento. Mesmo sendo distinta de Cristo e do Reino, a Igreja, todavia está unida indissoluvelmente a ambos.”1 Assim, "o filho do homem enviará seus anjos, que retirarão de seu Reino (a Igreja e o mundo) todos os escândalos e todos os que fazem o mal...” (Mateus 13,41). “Quão saborosas são para mim vossas palavras! São mais doces que o mel à minha boca”. (Sal. 118, 103); “Vossa palavra é minha esperança.” (Sal.118, 114) 

Sim! A Palavra de Deus é uma verdadeira luz que esclarece todas as trevas de nossa vã ignorância. Na única Igreja de Cristo, Católica, Apostólica, e mil vezes Romana, crescerá junto ao Trigo, o Joio; junto ao santo, o pecador; junto ao bom, o mal; pois aprouve a Deus, no mistério de sua divina vontade, o permitir. “Quão impenetráveis são os seus juízos, e inexploráveis os teus caminhos! Quem pode compreender o caminho do Senhor? Quem jamais foi seu conselheiro?” (Rom.11,34) 

Deste modo, posso cantar a beleza da casa de Deus, casa esta cujos inimigos nunca vencerão completamente. No fim, aqueles que ousaram colocar-se contra os mandamentos do Senhor, seguindo seus instintos egoístas, perdendo-se em falsas doutrinas, receberão a paga devida por suas transgressões; e já nesta vida, com a escuridão de suas vidas e seus princípios, evidenciarão com mais beleza, contra sua vontade, obviamente, a luz que brilha radiante da Única Igreja de Cristo, “coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm.3,15), pois “a luz resplandece nas trevas...” (João 1,5).



Diante da majestade do sol, o pequeno lume de uma vela mais parece um nada; porém, na escuridão da noite, mesmo aquela acanhada chama é resplandecente em sua beleza; parece seduzir todos os olhares com o bailar gracioso de seu singelo corpo nu incandescente, conduzido pelo vento, que “sopra onde quer” (João 3,8).Quem é Santo Tomás de Aquino ante a glória da Santíssima Virgem Maria, mãe de Deus Imaculada? Entretanto mesmo aquele, em meio aos mais pérfidos pecadores iníquos, é qual fogueira que assombra o mundo; com efeito, “Uma é a claridade do sol, outra a claridade da lua, e outra a claridade das estrelas; e ainda uma estrela difere da outra na claridade.” (1 Cor. 15,41) 

Assim, até mesmo a noite torna-se para Deus qual dia luminoso, e a maldade de uns, campo aberto para a manifestação da glória divina. “Onde abundou o pecado, superabundou a graça”, diz-nos o grande São Paulo de Tarso. Realmente, a desgraça do ímpio, contribui para manifestar a justiça do Pai Celestial (Pr.16,4). Deste modo, o fogo do inferno, de forma alguma perturbará os eleitos, mas ao contrário, os aquecerá, e será causa de júbilo, por serem suas chamas semelhantes a arautos da inefável justiça do Altíssimo.

"O Juízo Final" na Capela Arena (Cappella degli Scrovegni), em Pádua
Vede irmãos, como é evidente, e coerente com a palavra de Deus, a coexistência do Santo e do pecador inveterado, na única e verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. É por esquecermos das palavras do Redentor, que não entendemos, dentro do possível, esta
realidade misteriosa; porém “quando a sabedoria penetrar em nossos corações, e o saber deleitar nossa alma, a reflexão velará sobre nós, e a razão vai nos amparar...” (Pr 2,10-11) 
Alegremo-nos! No final, “ O vencedor herdará tudo...” (AP 21, 7). Que imagem estupenda: O guerreiro em seu cavalo branco! É assim que o último escrito de São João nos apresenta o Verbo de Deus, o Cristo; “Tem olhos flamejantes. Há em sua cabeça muitos diademas (...). Está vestido com um manto tinto de sangue (...) Seguiam-no em cavalos brancos, os exércitos celestes vestidos de linho fino e de uma brancura imaculada. De sua boca sai uma espada afiada, para com ela ferir (...) Ele traz escrito no manto e na coxa: Rei dos reis, Senhor dos senhores.” (cf. Ap 19,11-21) Decididamente, irmãos, o Cristo que nos é mostrado pelo Apocalipse, é austero e viril, corajoso e voraz, aquele que vai” pisar o lagar do vinho da ardente ira do Deus dominador.” (Ap 19,15) 

Observai queridos, que não é por acaso que a Única Igreja de Cristo, enquanto caminha neste mundo rumo aos Céus é chamada de "Militante”,devendo “combater pela Fé, confiada de uma vez por todas aos Santos.” (Judas 1,3) .Verdadeiramente vivemos num contexto belicoso e revolto, pois o demônio desceu contra nós cheio de grande ira, sabendo que pouco tempo lhe resta. (Ap 12,12), além do que as próprias paixões combatem em nossos membros (Tiago 4,1), e “... há outra lei que luta contra a lei do espírito...” (Rom. 7,23). Bem disse o glorioso Apóstolo São Paulo: “Não é contra homens de carne e sangue que devemos lutar, mas contra (...) forças espirituais do mal (...) tomai (...) a espada do espírito, isto é a Palavra de Deus.” (cf. Ef 6,12-17) Em outra parte também nos dissera: "Todos os que querem viver piedosamente em Jesus Cristo, sofrerão perseguição” (IITim,3,12).

Portanto, não deveria ser estranho para nós, a existência de conflitos e combates dentro da Igreja Católica, uma vez que, inclusive, “... certos homens ímpios se introduziram furtivamente entre nós (...) eles transformam em dissolução a Graça de Deus e negam a Jesus Cristo...” (Judas 1,4). Finalmente, lembremo-nos o que disse Nosso divino Mestre: “Não vim trazer paz à terra mas sim separação”, e mais acima no mesmo texto,” Eu vim trazer fogo à terra e que tenho eu a desejar se ele já está aceso?” (Lucas 12,49-53); ainda noutra parte também dissera: “Vim trazer não a paz, mas a espada. Eu vim trazer a divisão (...) e os Inimigos do homem serão os de sua própria casa.” (cf. Mt 10,34-39).

Sim! Estamos numa guerra! Não sejamos como aquele louco, que cego e surdo, saiu em meio a um tiroteio virulento para passear... Já imaginais o que lhe aconteceu!!! Realmente, “sem a Ciência, nem mesmo o zelo é bom: quem precipita seus passos, desvia-se” (Pr19, 2). Se é verdade inexorável a vitória final da Santa Igreja Católica, como se conclui das irrevogáveis palavras de Cristo em Mateus 13,41-43, também é verdade o que está escrito no livro das revelações a respeito da Fera: “Foi-lhe dado fazer guerra aos Santos, e vencê-los” (Ap 13,7). Irmãos, a guerra já está ganha pela Fé!!! Mas as batalhas ainda não... Cair em campo ou não, depende de nossa correspondência à graça de Deus, e confiança no auxílio da Virgem Maria “... terrível como um exército...” Porém, sejamos sábios, pois uma aparente derrota pode ser, na verdade, uma astuta estratégia do Altíssimo! Não foi o que ocorreu com a gloriosa Mártir de França, Santa Joana D’arc, morta na fogueira, por culpa de seus inimigos? Bem dizia Tertuliano em sua obra “Apologético”: “Sangue de Mártires, semente de novos Cristãos.” 

 “Ele esteve comigo na hora do combate,
é natural que esteja também no momento da glória”
Santa Joana D'arc
A guerra já começou! Uns lutam, porém desistem ou são vencidos; outros, infelizmente, passam para o lado inimigo, quiçá seduzidos pela falácia dos pecadores; ainda há os que, por incrível que seja, preferem acreditar que nada está acontecendo, ou até resistem, mas preferem não atacar em legítima defesa. No entanto, graças a Deus, e confiantes na proteção indubitável de Nossa Senhora, há aqueles que lutam até a morte contra o inimigo do Senhor, combatendo o bom combate (I Tim. 6,11-12), revestidos da armadura de Deus (Ef. 6,10). Oh, Pai! Pela dolorosa paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela intercessão da Virgem Maria, Rainha do Céu e da terra, e de todos os Anjos e Santos, eu te suplico, prostrado a seus pés, que sejamos do número destes, que julgam uma honra darem a vida por vossa causa. Isso a exemplo dos grandes Mártires do início do cristianismo, e de todos os tempos, que diante do veredicto mortal dos seus algozes respondiam jubilosos: Deo gratias!!! Gostaria de continuar a desenvolver o assunto, no entanto para não parecer prolixo, termino por aqui. Este é um Mistério que cabe a nós, soldados de Cristo! O mistério da Iniqüidade. Alegrar-me-ei, no entanto, se tivermos compreendido um pouco mais, sobre a misteriosa vontade do Pai celestial de permitir a coexistência dos Santos, junto aos pecadores inveterados, até a consumação dos tempos. 


1João Paulo II, Cart.Enc.Redemptoris missio, n.18.
“O Reino é de tal modo inseparável de Cristo que, em certo sentido, identifica-se com Ele.” diz-nos a Tradição (Orígenes, Tertuliano...). Ora, Cristo é a cabeça da Igreja, que é seu corpo místico; logo, o Reino e a Igreja confundem-se também, num misterioso amplexo, onde um interpenetra o outro, fundindo-se em suas “substâncias”.



MARIA SEMPRE!


quarta-feira, 6 de abril de 2016

A CURIOSA HISTÓRIA DO CIGARRO

A data em que apareceu o primeiro cigarro
 entre os lábios do primeiro fumante perdeu-se no tempo...


Prof. Pedro Maria da Cruz

Gastão Pereira da Silva não é um autor recomendável; foi ele quem, de certo modo, popularizou a Psicanálise no Brasil. Entretanto, encontrei em um de seus livros essa interessante história do tabagismo, que servirá para entreter nossos leitores. Aos interessados recomendamos também o excelente texto: “A Igreja Católica e o Tabagismo”[1] onde encontrarão uma visão muito mais imparcial (por exemplo, a respeito da postura do papa Urbano VIII, citado abaixo) no tocante ao assunto abordado.

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“A história do tabagismo é muito curiosa. Deve, pois, ser contada, embora resumidamente. A data em que apareceu o primeiro cigarro entre os lábios do primeiro fumante perdeu-se no tempo. Conta-se que Cristovão Colombo, ao abordar a ilha de Cuba, vira, na boca dos índios, enormes tições acesos, que pareciam imensos cigarros feitos com folhas de tabaco.

Mas, em que se pese esse fato, o fumo só ficou conhecido depois do século XVI, com as primeiras remessas desse vegetal enviadas pelo embaixador francês João Nicot à rainha de Médicis em 1560.

João Nicot cultivava o fumo nos jardins em Lisboa, porque o julgava uma erva perfumada e dotada de propriedades terapêuticas. Apesar de Nicot haver passado à posteridade, como o introdutor do tabaco em França, um monge, chamado André Thevet, do fumo já fazia uso, dois anos antes, por presumir que os cristãos da América o usassem com o fim de destilar os humores supérfluos do cérebro... 

Contudo, a escandalosa e ambiciosa proteção de Catarina de Médicis pelo fumo celebrizou Nicot, de onde vem, hoje, nicotina. Tal importância dava a rainha ao tabaco que Buchanan lançou epigramas, nos quais dizia não se dever tocar em uma planta, oriunda de nome tão infame, e quando alguém o ouvisse, deveria tapar a boca e fechar os ouvidos...

A pouco e pouco, porém, o fumo foi sendo importado em outros centros europeus. Na Itália, por exemplo, o tabaco viu-se acatado pelo cardeal SainteCroix que o introduziu nos conventos, e nos colégios porque o supunha dotado de qualidades anafrodisíacas e, assim, aumentaria o número dos santos e dos castos!


Outros tantos predicados deram ao fumo os povos da antiguidade e, também, infinitas denominações foram-lhe consagradas. Assim: erva-sagrada, erva-santa, erva do embaixador, erva da rainha, erva de SainteCroix, remédio de todos os males, panacéia antártica, etc., etc.


Foi utilizado em pílulas, poções, pomadas, xaropes, infusões, banhos... Nicot afirma que, em Portugal, ele curou um parente de uma úlcera nasal com poucas aplicações de folhas de tabaco...

Os médicos usavam-no na asma, na escrófula, na hidropisia e no câncer.Hivernius e Fowler, notáveis esculápios, trataram várias dermatoses com folhas ligeiramente aquecidas, de fumo...

As indicações terapêuticas eram muitas e os acidentes, as intoxicações e os envenenamentos – alguns criminosos – eram, por outro lado, frequentes...

Em pouco tempo, então, levantou-se uma cruzada contra o uso do fumo, à frente da qual se viu como patrono o monarca Jacques I, de Inglaterra. Tal foi o seu ódio pelo tabaco que, dentro em pouco, esse famoso rei publicou a Mesocapnea (horror ao fumo) e fez encerrar, na Torre de Londres, a curiosa figura de Raleigh sob pretexto de complot, aprisionando-o e mais tarde decapitando-o no antigo palácio de Westminster. 
Alguns jesuítas protestaram. Escreveram trabalhos inteligentes, em oposição ao rei Jacques I. Aos seus escritos deram os religiosos o nome de anti-mesocapneos.

E a campanha continuou.

O sultão Amaraut IX ordenou cortar a ponta do nariz aos tabaquistas e os lábios aos fumantes. 

Miguel Federowich mandava aplicar 50 chibatadas na sola dos pés dos fumantes. Em seguida colocava um cigarro na boca dos desgraçados e ...enforcava-os!...

Sham Albas, soberano da Pérsia, no final de um jantar oferecido por ele aos cortesãos, deu-lhes cachimbos contendo excremento de cavalo, seco e dessecado! Nenhum dos convivas reclamou... o soberano, colérico, disse então: “Maldita seja a droga que não pode ser distinta das fezes de um animal”. 

“Queres, então, assustar uma folha levada pelo vento,
ou perseguir uma folha ressequida?” Jó 13, 25
Perguntavam os Jesuítas ao Papa Urbano VIII
O papa Urbano VIII [favor conferir o artigo citado abaixo para entender melhor o facto referido ao papa de modo tão difuso nesse texto], através de uma bula, lançada em 1649, excomungou todos aqueles que do tabaco faziam uso. Essa bula mereceu dos Jesuítas uma pergunta satírica: “Perseguir uma fôlha sêca? Levantar armas contra uma coisa que o vento leva?”
Segundo êles, a Igreja não podia condenar o fumo.
O tempo corre. Novos estudos são feitos em torno de tão importante vegetal.

E Bayllard assinala, pela primeira vez, uma quinta-essência, existente no fumo, da qual uma só gota, injetada na pele do corpo seria capaz de matar uma pessoa, na mesma hora. 

Cabe, porém, a Stass, célebre químico belga, a descoberta, verdadeiramente científica, do alcaloide do fumo, no ano de 1850. Daí por diante, a questão do tabagismo tomou outros rumos, passando do empirismo, propriamente dito, ao terreno experimental da ciência. 

Assim, já Gustavo Fougnies, envenenado por seu cunhado, o Conde de Bocarnus, provoca na época celeuma entre pesquisas médico-legais, o que dá motivo a Stass de escrever o mais vigoroso trabalho, talvez, desse gênero, empreendido na ciência do seu século.

Com o notável químico belga, o alcaloide do fumo recebeu o nome de Nicotina, e foi por ele classificado entre os venenos neuro-mióticos.”


FONTE: DA SILVA, Gastão Pereira. Vícios da Imaginação. Meios de Corrigí-los. 5 ed. revista. Rio de Janeiro: José Olympio, 1952; p. 21-24.


MARIA SEMPRE!


[1] Favor conferir o seguinte artigo: BUESCHER, John B. A Igreja Católica e o Tabagismo. Disponível em: <http://apologistascatolicos.com.br/index.php/idademedia/moral/640-a-igreja-catolica-e-o-tabagismo-uma-revisao-historica>. Traduzido por: Rafael Rodrigues. Desde: 05/05/2014 .

domingo, 15 de novembro de 2015

MANIQUEÍSMO: A RELIGIÃO GNÓSTICA

No maniqueísmo, o mundo teria dois princípios contrários , um bom e outro mau

“Mani, depois de duas ‘revelações’, recebida aos 12 e aos 24 anos de idade, por meio do anjo (...) convenceu-se de que Deus o escolhera para anunciar ao mundo a verdade.”

“A salvação consistirá, pois, em tomar conhecimento (gnose) de nossa origem celeste e em libertar-nos dos laços da matéria.”

“(...) Deus tentará libertar a ‘alma divina’, isto é, libertar-se a si mesmo
do processo evolutivo da matéria.”


Por Editores do Blog

É comum a muitas religiões a ideia de “libertação” (Religiões de Libertação), que supõe encontrar-se o homem colocado em uma situação degradante ou ao menos constrangedora, e se propõe libertá-lo da mesma mediante certos meios éticos ou técnicos. Esse é o caso do Maniqueísmo, que chegara a seduzir ao próprio Agostinho de Hipona, antes de sua conversão ao catolicismo. Em se tratando de curiosidades: o Cristianismo é classificado habitualmente entre as Religiões de Salvação, segundo o Pe. Waldomiro O. Piazza, autor do texto que apresentamos abaixo.

A RELIGIÃO DE MANI

A mais característica das religiões de ‘libertação’ é o ‘maniqueísmo’, fundado por Mani (Manes, Maniqueus), personagem histórico, nascido no início do século terceiro de nossa era, em um vilarejo perto de Babilônia (215-275, em Ctesifonte). Como movimento religioso, tem raízes mais profundas, que se prendem ao dualismo irânico e ao orfísmo grego, com eventuais tinturas cristãs.

Mani, fundador do maniqueísmo
Mani, ao que tudo indica, fez parte do grupo dos mandei, chamados também ‘batizadores’, seita religiosa do Iraque e do Irã meridional, que foi conhecida no passado como ‘cristãos de João Batista’ (At.19,3), talvez porque davam especial importância às abluções rituais. O termo manda, designa os textos rituais da chamada ‘cabana do culto’, recinto fechado onde se encontrava um pequeno lago com água corrente para os fins rituais do batismo. Alguns textos eram reservados aos ‘sacerdotes’ batizadores: contêm interpretações místicas do universo e da divindade, por meio de dois princípios complementares, um chamado ‘Pai’ e outro a ‘Mãe’, o primeiro criador e ativo, o segundo recebedor e passivo. O ‘Pai’ é puro espírito, a ‘Mãe’ é matéria. A união mística dos dois elementos dá origem ao ‘homem cósmico’, também chamado ‘homem primordial’ (Urmensch), de cujos membros é feito o mundo material e cuja coroa é o mundo divino. Cada homem repete no microcosmo esta concepção macrocósmica do homem primordial. 

Mani, depois de duas ‘revelações’, recebida aos 12 e aos 24 anos de idade, por meio do anjo at-Taum (o companheiro), ou do Espirito Santo, conforme outra versão, convenceu-se de que Deus o escolhera para anunciar ao mundo a verdade. Descendente de um príncipe iraniano, cuja família se estabelecera na Mesopotâmia, começou a pregar na Índia, no atual Belecistan, e depois na corte do imperador Shapur, do Irã, onde foi bem acolhido, e daí irradiou a sua doutrina, mas não conseguiu torná-la oficial do império. Por morte de Shapur, assumiu o imperador Bahran que, instigado pelos ‘magos’, lançou Mani na prisão, onde ele morreu aos 60 anos de idade.

Mani anunciou que era o último sucessor de uma longa série de mensageiros divinos, a começar de Adão, passando por Zoroastro, Buda e Jesus. Considerou-se o ‘profeta sublime’, o ‘iluminado’ pelo Paráclito, prometido por Cristo, a fim de anunciar o fim do mundo.

Sua pregação tem três características:

- é universal: a igreja de Mani não se dirige só aos habitantes do Irã, como a de Zoroastro, nem só ao Oriente, como Buda, nem só ao Ocidente, como Jesus (Sic.), mas é uma verdade total que se dirige a todos os homens.

- é uma pregação missionária: que obriga todos os seus membros a operar a conversão do próximo...

- é uma ‘religião do livro’: Mani atribui a ruína das religiões passadas ao fato de não terem sido ‘escritas', e por isso empenhou-se em escrever ele mesmo a sua doutrina, deixando-nos sete livros ‘canônicos’...

- por fim, é uma religião sincretista: pois reúne elementos de outras religiões, como do budismo e do cristianismo, sem falar do dualismo persa.

Sua doutrina é fundamentalmente ‘gnóstica’, pelo fato de ensinar que a salvação consiste em uma progressiva ‘libertação’ do espírito humano da condição material, sem intervenção de uma ‘graça divina’...

Ensina que no início de tudo estão dois princípios contrários, um bom e outro mau, um todo luz e outro todo trevas, que lutam entre si.

Representação artística do dualismo presente no maniqueísmo
Em uma primeira fase, o ‘reino do bem’, tendo à frente o ‘Pai’ com seus ‘leões’ e as ‘cinco habitações’ lutam em uma região de essências abstratas contra o ‘reino do mal’, chefiado pelo ‘príncipe das trevas’ com seus ‘archontes’, ‘demônios’ e ‘cinco abismos’. 

Em uma segunda fase, Deus resolve combater pessoalmente contra o mal e faz entrar no campo da luta a sua ‘alma’, personificada no ‘homem primordial’. Mas este é vencido, atirado ao abismo e os seus cinco filhos, que constituem a sua armadura luminosa, são devorados pelos demônios. Desta forma, uma parte da substância luminosa, isto é, da ‘alma divina’, mistura-se com a obscuridade da matéria e lhe fica sujeita. Daqui em diante, Deus tentará libertar a ‘alma divina’, isto é, libertar-se a si mesmo do processo evolutivo da matéria. Para tanto, envia ao mundo um novo ser, o ‘amante da luz’, que emana do ‘grande arquiteto’, o qual, por sua vez, gera o ‘espírito vivente’. Com o seu auxilio, o ‘homem primordial’ dilacera as trevas que o cercam e sobe à ‘pátria celeste’. Com o auxilio do ‘espírito vivente’, põe-se a ordenar o mundo material, libertando as ‘partículas’ de luz, misturadas com as trevas. Mas a matéria, temendo ficar sem ‘vida’, concentra toda a ‘luz’ que lhe resta em dois seres novos, um masculino, ‘Adão’, e outro feminino, ‘Eva’. Por isso, a descendência de Adão e Eva leva em si mesma a contradição desta luta, entre a luz e as trevas.

Em uma terceira fase, depois de uma calamidade apocalíptica, segue-se o Juízo final. As ‘partículas de luz’, que ainda se possam salvar, subirão ao céu. O mundo será aniquilado e os demônios sepultados em um grande túmulo. A salvação consistirá, pois, em tomar conhecimento (gnose) de nossa origem celeste e em libertar-nos dos laços da matéria. Os que praticarem uma ascese rigorosa, principalmente uma castidade integral, conhecerão a paz do nirvana. Os outros terão de renascer, para, através de várias transmigrações, purificar-se completamente da matéria e de sua concupiscência. 

Daí a rigorosa ascese maniqueísta: não gerar, não fornicar, não possuir, não cultivar, não colher, não comer, não beber vinho... ascese que inspirou alguns movimentos sectários dentro do cristianismo, como os priscilianos, os cátaros, e influiu grandemente na ascese da Idade Média. Como só poucos podiam praticar uma ascese tão rigorosa, Mani previu que a grande massa dos aderentes podia salvar-se sustentando os ‘perfeitos’ com seus recursos financeiros. 

A religião de Mani alcançou notável sucesso e, apesar de perseguida pelos Sassânidas, que declararam o Masdeísmo religião oficial, constituiu sério problema para o cristianismo, pois lançou muita confusão sobre os seus dogmas. Depois do século IV começou a declinar e desapareceu como movimento religioso independente.

Fonte: PIAZZA, Waldomiro. Religiões da Humanidade. 2ª ed. São Paulo: Loyola, 1991; p.                    227-229. (O negrito é nosso)



MARIA SEMPRE!



quarta-feira, 14 de outubro de 2015

IDEOLOGIA DE GÊNERO vs. BIOLOGIA

A biologia supera os argumentos falaciosos da ideologia de gênero

Postado por editores do Blog

Segue abaixo interessante reflexão do filósofo e escritor José Ramón Ayllón a respeito dos conflitos entre uma Ideologia esquerdista (que se quer sobrepor tanto à natureza quanto a legítima Tradição) e a Biologia (com suas regras e leis instituídas pelo Criador). Num mundo onde tantos homens pretendem entronizar a liberdade desvinculada da razão e da verdade, serão bem vindas as palavras do autor que insiste em defender o que desde sempre foi ensinado e comprovado pela observação mais elementar: “Pode-se opinar o que se queira, mas o que opinemos é irrelevante quando é a biologia que tem a última palavra.” 

Desejamos sinceramente que as palavras do autor auxiliem aos amigos da Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM, assim como a todos os visitantes de nosso Blog, em suas lutas pela defesa da Fé e da Moral Católicas. Mãe do Bom Conselho! Rogai por nós! 

IDEOLOGIA CONTRA A BIOLOGIA 

“Por um elementar respeito pela linguagem sobre o qual se fundamenta a possibilidade de comunicação inteligente, a humanidade tem costumado chamar pão ao pão e vinho ao vinho, e matrimônio à união conjugal de um homem e uma mulher. Também é verdade que sempre existiram Quixotes que chamaram gigantes aos moinhos, castelos às estalagens e castas donzelas às moçoilas de aldeia. 

Hoje, uma moderna escola quixotesca, conhecida como ideologia de gênero, empenha-se em chamar matrimônio a outras ligações, contradizendo a evidência mais irrefutável; dizem que essas combinações poderiam gerar filhos se fosse possível fecundá-las, mas que a biologia lhes nega essa possibilidade. A obsessão da ideologia de gênero é talvez o último cartucho da luta de classes marxista, disparado pelo lobby cor-de-rosa. 

A citada escola quer fazer-nos acreditar que o matrimônio é pura convenção, regulada pelo Direito para dar um verniz de honorabilidade às relações sexuais estáveis entre adultos de diferentes sexos. Mas a verdade é que, em todos os tempos e em todos os lugares – desde os homens da caverna de Altamira até o século XXI - se protegeu essa união por estar diretamente associada à origem da vida e à sobrevivência da espécie, por ser a instituição que nos traz mais riqueza humana, laços de solidariedade e qualidade de vida. 

Família: União estável e fecunda
entre homem e mulher
A introdução artificial – por reprodução assistida ou adoção – de uma criança na casa de duas pessoas do mesmo sexo não converte essas pessoas em casadas nem os três em família. Dois homens podem ser bons pais, mas nunca serão uma mãe, nem boa nem má; duas mulheres podem ser duas boas mães, mas nunca serão um pai, nem bom nem mau. “Não desejo a nenhuma criança o que não desejei para mim mesma”, diz a psicóloga Alejandra Vallejo-Nágera: “Gosto, sempre gostei, de ter um pai e uma mãe. Qualquer outra combinação de progenitores parece-me incompleta e imperfeita”. 

Mais do que um tema jurídico ou religioso, mais do que uma questão de tolerância ou liberdade, mais do que um assunto progressista ou retrógrado, estamos diante de um problema basicamente biológico. Pode-se opinar o que se queira, mas o que opinemos é irrelevante quando é a biologia que tem a última palavra. 

Apesar disso, a ideologia de gênero - tão amiga da quadratura do círculo - diz-nos que a sexualidade masculina e feminina é opcional, não determinada pela condição biológica do homem e da mulher. Por isso, ao atribuir à liberdade um poder que não tem, ao confrontá-la tão violentamente com a biologia, torna inevitáveis sérios conflitos, morais e psicológicos, dos quais não se livram as possíveis crianças adotadas. 

A Associação Mundial de Psiquiatria sublinhou que uma criança ‘paternizada’ por um casal de homens entrará necessariamente em conflito com as outras crianças, comportar-se-á psicologicamente como uma criança em luta constante com o seu ambiente e com os outros, incubará frustração e agressividade. 

Que caminho percorreu o feminismo até chegar à ideologia de gênero? A pretensão do primeiro feminismo – nos tempos da Revolução francesa – foi legítima e positiva: a equiparação de direitos entre homem e mulher. Mas aos direitos seguiram-se as funções, e o feminismo começou a exigir a eliminação da tradicional distribuição de papéis, considerada como um arbítrio. Assim se chegou a rejeitar a maternidade, o casamento e a família. 

Simone de Beauvoir (1908 - 1986)
Encontramos na base desta nova pretensão as ideias de Simone de Beauvoir, publicadas em 1949 no seu revolucionário livro ‘O segundo sexo’. Beauvoir previne contra a ‘trapaça da maternidade’, anima a mulher a libertar-se dos ‘grilhões da sua natureza’ e recomenda que se passe a educação dos filhos para a sociedade, que se fomentem as relações lésbicas e a prática do aborto. 

Hoje, os promotores do feminismo radical de gênero lutam pelo
triunfo de novos modelos de família, educação e relações, em que o masculino e o feminino estejam abertos a todas as opções possíveis. Nos livros de texto de alguns países sobre a disciplina ‘Educação para a Cidadania’, não se fala em nenhum caso da verdade, nem do bem, nem da consciência; em pouquíssimas ocasiões se fala em família e dos pais. Em contrapartida, reivindica-se em dezenas de lugares a liberdade de orientação afetivo-sexual.” 

FONTE: AYLLÓN, J. Ramón. Mitologias modernas. Trad.: Emérico da Gama – São Paulo: Quadrante, 2011; p. 29-33. (Temas cristãos; 145)



MARIA SEMPRE!


terça-feira, 1 de setembro de 2015

SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA E O DISSOLUTO-FUTURO MÁRTIR

Santo Antônio de Pádua (1191-1231)
Por editores do Blog

Os desígnios de Deus são misteriosos. Mas é fato que Ele nunca desiste de nenhum de nós por causa de Sua infinita misericórdia. Ao longo dos tempos, Deus suscita almas santas que "servem" para santificar as outras, gerando histórias que são verdadeiros tesouros da Cristandade. Segue abaixo uma destas magníficas histórias, protagonizada por Santo Antônio de Pádua.


Relicário que guarda a 
 "bendita" língua de Santo Antônio
Sempre que encontrava na rua um certo homem de vida dissoluta, Santo Antônio de Pádua tirava o chapéu, fazia uma genuflexão e o saudava respeitosamente.
Aborrecido com a cena que assim se repetia, o crápula um dia tirou da bainha a espada e gritou para o Santo:
— Pare com essa palhaçada, ou então vou lhe mostrar a força desta arma!
Com profundo respeito, Santo Antônio respondeu:
— Glorioso mártir do Senhor, lembre-se de mim quando estiver sendo atormentado.
A resposta foi uma gargalhada, pois o comentário parecia provir de um louco. Anos depois, em viagem comercial à Palestina, foi tocado pela graça divina, converteu-se e passou a pregar a fé cristã aos sarracenos, sendo então martirizado.

Fonte: Nair Larc. - Grandes Anedotas da História-Cultrix, SP, 1977, 301 p.




MARIA SEMPRE!


segunda-feira, 27 de julho de 2015

IMAGEM DE SATANÁS EXPOSTA NO EUA


Imagem de Baphomet
 ladeada por duas crianças
Por editores do blog

O mundo parece caminhar a passos largos para um sempre mais vergonhoso estado de apostasia. É sabido por muitos o triste fato ocorrido nos Estados Unidos da América: Uma Imagem de Baphomet, símbolo do Satanismo, foi exposta para apreciação popular (25/07/2015 - Detroit).

Houve tempo em que a filosofia do evangelho reinava em todos os espaços e instituições de modo louvável. Hoje em dia, onde o laicismo impera e o relativismo parece ter seu trono erguido em incontáveis corações, estes tempos áureos mais parecem um sonho longínquo pronto a perder-se nas trevas do esquecimento. Nós, pela fé, alimentamos a certeza de que a sociedade cristã será restaurada por católicos valorosos que, auxiliados pela graça e genuflexos aos pés da Santíssima Virgem Maria, varrerão da Terra todos os indícios do satanismo e instaurarão o reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nossa Senhora esmaga a cabeça da serpente,
um dos símbolos baldeados pelo satanismo.

Rezemos pela conversão de todos os homens e pela mais completa ruína de Satanás! Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria! Nós temos confiança em Vós!


MARIA SEMPRE!


sábado, 20 de junho de 2015

INTERESSANTE! HERÁLDICA CATÓLICA

Escudo heráldico pontifício
Basílica Lateranense - Roma

Postado por Paulo Oliveira e Prof. Pedro M. da Cruz
A heráldica é a ciência ou arte dos brasões de armas de famílias, indivíduos e grupos, de suas estruturas e significados. Parece indiscutível que o uso organizado e codificado de símbolos heráldicos apenas se verificou a partir do século XII, como resultado da evolução de símbolos e marcas de posse muito mais antigas. Seu uso já se verificava nos inícios da Idade Média como forma de identidade dos contendores em guerras e também em torneios medievais.[1] Desde o século XIII, regista-se o uso de brasões de armas por parte de mulheres, o que comprova que os mesmos eram já verdadeiros emblemas pessoais, e não uma simples transposição das armas de combate dos cavaleiros.

Cruz de Jerusalém

A cruz de Jerusalém foi o brasão de armas adotado por Godofredo de Bulhão para o Reino Latino de Jerusalém, que existiu por cerca de duzentos anos após a Primeira Cruzada. A cruz maior simboliza a Jesus Cristo, e as quatro cruzes gregas nos cantos os quatro Evangelhos, ou as quatro direções nas quais a Palavra de Cristo se espalhou a partir de Jerusalém. Outra significação seria das cinco cruzes como as cinco chagas de Cristo durante a Paixão.

Águia heráldica 

A águia, símbolo da latinidade e ave de primeira categoria na heráldica, representa a audácia, a firmeza, o vôo para alturas, a força, a grandeza. A águia heráldica apresenta grandes garras e cauda estilizada, posta de frente e com a cabeça voltada para a destra. São João foi cognominado de Águia de Patmos; Bossuet, Águia de Meaux. Símbolo do Sacro Império, a vemos no túmulo de Carlos Magno. O seu uso nos brasões vem desde o séc. XI. 

Flor-de-lis

A flor-de-lis simboliza características ligadas à famílias, pessoas e locais, além de ter sido ela o símbolo da monarquia francesa. Na heráldica, é símbolo de poder e soberania, assim como de pureza de corpo e alma, candura e felicidade. Seu desenho era colocado no manto de reis já na época pré-cruzada. No século XIV começou a ser usada também para representar a Santíssima Trindade: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.

Serpente ou Biscione medieval
A serpente (ou biscione) é uma figura heráldica medieval adotada como brasão de armas da família Visconti, que deu à Igreja o Papa Beato Gregório X (1210-1276). É o símbolo da prudência, como se depreende das palavras do próprio Cristo (Mt X, 16), assim como da cura (Nm XXI, 9) e da vitalidade redentora do Divino Salvador (Jo III, 14), motivo pelo qual, provavelmente, satanás tenha tentado usurpar para si este símbolo escriturístico.

Leão rampante

O leão é uma das figuras mais empregadas na heráldica, sendo encontrado nos brasões de várias famílias e nas armas de diversos países. A presença do leão na heráldica representa a força, grandeza, coragem e nobreza, virtudes estas tão conformes ao ideal medieval; também caracteriza domínio e proteção, condições que deve ter um superior sobre os subordinados. A figura acima, mostra o chamado  "Leão rampante", sempre em pé e com suas garras e dentes à mostra

Cruz pátea

Cruz Pátea (do francês croix pattée, significando cruz patada), mais do que uma cruz específica, é uma categoria de cruzes caracterizadas por terem pontas mais amplas no seu perímetro do que no centro. Acima, na sua configuração mais conhecida, está representada com as bordas das pontas côncavas. Inicialmente, foi usada pela Ordem dos Cavaleiros Templários na cor vermelha (cruz de goles). É o símbolo do guerreiro cristão.



MARIA SEMPRE!



[1] “O uso de armaduras completas e, muito particularmente, dos elmos que cobriam completamente o rosto tornou necessário um sistema de identificação claro e facilmente visível de longe. Um cavaleiro medieval dentro da sua armadura era virtualmente impossível de distinguir, no calor de uma batalha ou desde a bancada de um torneio, de qualquer outro com uma armadura semelhante; os reis e chefes militares eram difíceis de identificar e seguir; durante um combate, amigos e inimigos confundiam-se. Estes fatores levaram, desde meados do século XII, ao uso de emblemas pessoais pintados nos escudos e elmos e, por vezes, nas roupas do cavaleiro ou na cobertura da montada. Nos torneios, os elmos eram, quase sempre, encimados por uma figura em relevo (frequentemente uma peça do escudo), o timbre, que mais facilitava a identificação dos contendores.” Disponível em: http://www.heraldicaeclesiastica.com.br/introducao/.

domingo, 19 de abril de 2015

A MAÇONARIA E A IGREJA CATÓLICA


O pensamento maçônico é incompatível com a Tradição Católica.


Por Editores do Blog

Livro indicado neste artigo

Dom João Evangelista Martins Terra, em seu livro “Maçonaria e Igreja Católica”, faz interessantes explanações sobre a incompatibilidade entre o catolicismo e o pensamento maçônico. A certa altura de seu escrito o autor cita Dom Boaventura Kloppenburg e o elenco que este apresenta de princípios maçônicos claramente contrários à Tradição cristã. Leiamos atentamente cada um deles e peçamos a Deus, pela intercessão da Virgem Maria, força na luta contra tudo que se levanta em oposição a obra de Nosso Senhor Jesus Cristo.


"I) O principio da existência de uma “força superior”, reconhecida sob a denominação de Grande Arquiteto do Universo. Trata-se de um “Deus” deísta, vago, indefinido, impessoal, uma “força construtora, ordenadora, e evolutiva”. Os maçons não podem admitir a existência do Deus da revelação cristã.

II) O princípio do livre-pensamento: direito universal e absoluto de crer no que se queira e como se queira.

III) O princípio da tolerância: tolerância em relação à verdade. Não se podem impor dogmas. A única coisa que não se pode discutir são os “dogmas maçônicos”. 

IV) O princípio da autonomia da razão. “A maçonaria não reconhece outras verdades além das fundadas na razão e na ciência.” No grau 19 se impõe o seguinte juramento: “ Juro e prometo não reconhecer outro guia senão a razão.” Eis aí o “pecado grave contra a virtude da fé”. Não se pode aceitar a Revelação divina.

V) O princípio da liberdade de culto: é o próprio indivíduo que deve regular suas relações com o Ser Supremo e o modo de cultuá-lo. A Igreja fica sobrando.

VI) O princípio da liberdade de consciência: qualquer coação ou influência externa, mesmo de ordem moral, no sentido de dirigir ou orientar a consciência do indivíduo, é um atentado contra o direito natural da pessoa. Pergunta: será que a própria maçonaria não comete este atentado?

VII) O princípio do indiferentismo religioso. Neutralidade: não hostilizar nem favorecer religião alguma. Supõe que jamais houve Revelação divina. Nega Jesus Cristo como o Verbo revelador e Deus salvador.


Leão XIII condenou a Maçonaria (Humanum Genus, 1884)

VIII) O princípio do Estado neutro. A sociedade deve manter-se neutra perante qualquer religião. Os poderes públicos podem desviar-se das leis divinas. Esse laicismo extremo leva inevitavelmente ao anticlericalismo.


IX) O princípio do ensino leigo: o ensino público, mantido pelo estado, deve ser absolutamente neutro em assuntos religiosos. De fato, a escola laica, promovida pelos maçons, transforma-se em educação atéia. Os maçons lutam para formar agnósticos, mesmo quando proclamam a existência de um inoperante, impessoal e vago Grande Arquiteto do Universo. 

X) O princípio da Moral independente: a Moral não deve estar ligada a nenhuma crença religiosa nem fundar-se em pretensas revelações divinas.

XI) O princípio da religião natural: a religião oficial e pública da humanidade deve manter-se nos limites da religião natural.

XII) O princípio da imanência: a maçonaria ignora a Transcendência da pessoa humana, a graça divina, a justificação cristã, a ressurreição, a vida eterna, a consumação soteriológica, a visão beatífica, a comunhão dos santos. É um puro pelagianismo naturalista."


MARIA SEMPRE!

Fonte: TERRA,D.João E.Martins.Maçonaria e Igreja Católica.São Paulo:Santuário,1996; p.103-106