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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

COMO TRATAR COM OS SUPERIORES?

Paulo III recebe as Constituições (Santuário de Loyola, Espanha)
“Nunca diga ao Superior, tratando com ele: isto ou aquilo é ou será bom assim; mas diga no condicional, se é ou se será.”

“A experiência, com o tempo, descobre muitas coisas; 
e inclusive elas mudam com o tempo.”

Nessa carta Santo Inácio escreve aos Jesuítas sobre o modo de representar aos superiores quando os subordinados achavam ser maior glória de Deus algo diferente do ordenado pelos superiores: tudo em ordem à perfeição da obediência. Poderemos observar como em tudo Inácio de Loyola conduz à humildade, inclusive no modo de os subordinados falar aos Superiores. O santo fundador experimentava desgosto com aqueles que vinham a ele com ideias formadas, sem a devida indiferença. Santo Inácio os chamava de modo aborrecido: “Decretistas”.

MODO DE TRATAR OU NEGOCIAR COM QUALQUER SUPERIOR
(Roma, 29 de Maio de 1555)

- Quem for tratar com algum Superior leve as coisas bem mastigadas e estudadas pessoalmente ou consultadas com outros, segundo forem de maior ou menor importância. Contudo, nas coisas mínimas ou de muita urgência, se não tem tempo para olhar e conferir, deixa-se à sua boa discrição se deverá ou não representá-las ao Superior sem tê-las consultado ou pensado muito.

- Assim assimiladas e bem pensadas, apresente-as dizendo: estudei este ponto pessoalmente, ou com outros, segundo for o caso; e pensei ou consideramos se seria bom assim ou assim. Nunca diga ao Superior, tratando com ele: isto ou aquilo é ou será bom assim; mas diga no condicional, se é ou se será.

- Uma vez colocadas assim as coisas, caberá ao Superior decidir ou esperar algum tempo para pensá-las, ou remetê-las àquele ou àqueles que as estudaram, ou nomear a outros para que as estudem ou decidam, segundo a coisa for mais ou menos importante ou difícil.

- Se à decisão do Superior ou àquilo que ele disser, replicar algo que lhe parecer bem, uma vez que o superior tornar a dar a sua decisão, não replique mais nem dê outras razões por enquanto.

- Depois que o Superior determinou uma coisa, se aquele que trata com ele sentir ou pensar com algum fundamento que seria melhor outra coisa, embora suspenda o sentir por enquanto, depois de três ou quatro horas ou no dia seguinte pode representar ao Superior se seria bom isto ou aquilo, conservando sempre tal modo de falar e tais palavras que não haja nem pareça haver nenhuma dissenção ou desacordo e calando diante do que for determinado naquela hora.

- Contudo, embora a coisa tenha sido já decidida uma e outra vez, depois de um mês ou mais tempo pode representar de novo o que sentir e achar da ordem dada; porque a experiência, com o tempo, descobre muitas coisas; e inclusive elas mudam com o tempo.

- Além disso, quem trata deve adaptar-se às disposições e qualidades naturais do Superior, falando claro e com voz inteligível e nos momentos oportunos, na medida do possível...” (Suprimimos o restante desta instrução contida na carta de Santo Inácio, pois tratam de normas administrativas sobre correspondência)


FONTE: CARDOSO, Armando. Cartas de Santo Inácio de Loyola. Vol. II. São Paulo: Edições               Loyola, 1990; p.137-138


MARIA SEMPRE!

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

SÃO BERNARDO E OS TEMPLÁRIOS - (II)

Bernardo replicou modestamente, mas com dignidade e energia


Segue abaixo a segunda parte do trecho do trabalho  «Em louvor da Nova Milícia», dirigido aos «Soldados do Templo» e a Hugo, seu chefe. Consta de treze capítulos além de um curto prefácio.

«Os templários compreendiam quatro classes de pessoas: os cavaleiros, que formavam a cavalaria pesada; os sargentos ou cavalaria ligeira; os lavradores, a cujo cargo se achavam as temporalidades e, os capelães que atendiam as necessidade espirituais dos seus irmãos. Constituía seu singular privilégio encontrarem-se directamente sujeitos à Santa Sé e totalmente independentes de qualquer outra autoridade eclesiástica ou civil. Semelhante favor e os bens que rapidamente se acumularam nas suas mãos, juntamente com as glórias adquiridas nos campos de batalha, provocaram considerável oposição. Não obstante, a Ordem continuou a desfrutar de exemplar prosperidade até ao começo do século catorze. Neste período, governava a França Filipe, o Belo. A cupidez era o seu pecado proeminente, e dirigiu um olhar voraz para a extensa propriedade que os templários haviam conquistado com a espada ou adquirido por doação. Necessitava de apoderar-se daquelas riquezas por meios pacíficos ou à força. Alguns membros degradados foram induzidos a acusar os seus irmãos de ofensas contra a fé e moralidade, e, apoiado nesta acusação, o monarca ordenou, no mesmo dia, 13 de Outubro de 1307, a prisão de todos os cavaleiros brancos no seu reino. Não existindo provas consistentes contra eles, foram torturados para forçá-los a confessar. Alguns pereceram sob o tormento e muitos outros proclamaram-se culpados como única forma de obterem lenitivo; mais tarde retrataram as suas confissões, o que lhes valeu serem queimados vivos, em número de cinquenta e quatro, a 12 de Maio de 1310. Tudo isto, não somente sem autorização do papa Clemente V, mas apesar da sua vigorosa oposição. Por fim, o Pontífice suspendeu os poderes dos inquisidores de Filipe e abriu um inquérito que se estendeu a todos os países cristãos. Em Portugal, Espanha, Alemanha, Itália e Chipre o carácter dos cavaleiros templários foi reabilitado triunfalmente. A parte o que se pudesse dizer aqui e ali de indivíduos isolados, a Ordem foi reconhecida inocente das acusações anteriores. Foi este o veredicto do concílio geral de Viena, em 16 de Outubro de 1311, no qual a maioria dos padres votaram pela manutenção da Ordem. No entanto, Clemente, considerando que, com tanta oposição e suspeita contra ela, a Ordem dos cavaleiros brancos, apesar de inocente, não poderia continuar a ser útil à Igreja, decretou a sua 'dissolução', não como castigo, mas como medida de prudência. 

O concílio de Troyes não foi o único nesta época ilustrado pela sabedoria de Bernardo. Assistiu também, bastante contra a sua vontade, aos de Arras, Châlons, Cambrai e Laon. As fortes medidas adoptadas por estas assembleias indicam claramente a sua influência. O concílio de Arras, efectuado em Maio de 1128, ordenou a dispersão de uma comunidade religiosa que se tornara incorrigivelmente descuidada; em Châlons, () bispo de Verdun, acusado de Simonia e má administração, foi forçado a abandonar a sua sé; em Cambrai, o abade Fulbert de_ Santo Sepulcro teve de demitir-se. O povo atribuiu estas severas determinações ao abade de Claraval como se fosse ele o único responsável. Claro que o facto excitou bastante a amargura e ressentimento daqueles que haviam sido punidos pelo
São Bernardo de Claraval (1090-1153)
concílio. Foi denunciado a Roma como entremetido oficioso, homem de ideias ambiciosas, amigo de aparecer em público. Como o papa Honório se encontrava então no seu leito de morte (faleceu a 14 de Fevereiro de 1130), o Cardeal Haimeric, chanceler da Santa Sé, enviou-lhe em nome do Sagrado Colégio uma áspera censura. A carta do cardeal não chegou até nós; todavia, podemos formar uma ideia do seu conteúdo pela resposta de Bernardo. Afigura-se-nos que a comparação do abade santo com uma rã impudente (que salta do seu lodaçal para perturbar a paz do mundo com o seu rouco coaxar) não pertence, na realidade, a Haimeric, mas ao próprio Bernardo. O chanceler certamente nunca teria pensado em empregar linguagem tão violenta para se dirigir a quem tanto estimava. A prova de que estimava o abade de Claraval está bem patente nos termos utilizados para com ele numa carta a formular uma petição a favor dos monges beneditinos de São Benigno, Dijon, no ano de 1126. "Os meus amigos conhecem perfeitamente o muito que me amais, e principiarão a invejar-me a felicidade se eu tentar conservar somente para mim todo o benefício dela resultante (escreve o santo), Os monges de Dijon são-me muito queridos; agradar-me-ia lhes permitísseis ver que o amor não é vão, tanto o vosso por mim como o meu por eles, desde que, evidentemente, não brigue com os interesses da justiça, em cujo caso seria censurável pedir coisa alguma mesmo a um amigo". Fora igualmente ao chanceler que Bernardo dedicara a sua dissertação acerca do amor de Deus, de que mais adiante falaremos. Podemos, pois, inferir, pelo menos, que a carta de censura foi elaborada polidamente; a severidade do seu tom dificilmente pode ser negada, embora expressasse menos as ideias do próprio cardeal do que as dos seus irmãos. Bernardo replicou modestamente, é certo, mas com dignidade e energia __ pois não se tratava de uma defesa própria, mas de justificar os actos de concílios provincianos, alguns dos quais haviam sido presididos pelo Cardeal Legado Mateus. 

"O quê? (exclama). Até os pobres e desprotegidos deverão encontrar oposição para salvaguarda da verdade? Nem na própria miséria haverá refúgio da inveja? Deverei lamentar-me ou alegrar-me, visto eu próprio haver conseguido inimigos ao pronunciar a verdade? Deverei dizer: falo verdade ou procedo de acordo com a verdade? Isto por vós deverá ser decidido: quem contra a prescrição da lei amaldiçoara o surdo (Lav., 19, 14) e, apesar do conselho do profeta, chamará mal ao bem e bem ao mal (Is., 5, 20)".

A Ordem desfrutou de prosperidade
 até ao começo do século XIV.
A seguir expõe as faltas de que é acusado: a deposição do bispo de Verdun, a deposição do abade Fulbert e a supressão do convento de São João. Não considera que haja merecido censura por estes actos, e isto por dois motivos: em primeiro lugar, porque os actos em questão, longe de serem culpáveis, merecem antes louvor; em segundo, porque não eram de sua autoria. "Se são meus, mereci elogios; se não o são, não mereci censuras... A recriminação imerecida preocupa-me pouco, e os louvores que não me são devidos, recuso-me a aceita-los. Não produz em mim a menor diferença a forma como julgais essas medidas das quais não Sou o autor. Por uma delas (a deposição do bispo), o povo poderá louvar, se desejar, ou censurar, se se atrever, o cardeal legado; por outra (o afastamento de Fulbert), o bispo de Reims; e pela terceira (a supressão do convento), o arcebispo de Seus juntamente com o bispo de Laon e o rei, além de outras numerosas pessoas veneráveis, que não repudiarão a responsabilidade do que foi feito... A única acusação contra mim será haver estado presente, em vez de permanecer na obscuridade do meu lar onde eu podia ser juiz, acusador e árbitro apenas para mim próprio? Não nego haver presenciado esses concílios, mas compareci sob compulsão e não de livre vontade. Se o facto desagradou aos meus amigos, foi igualmente desagradável para mim. Deus não tivesse permitido que eu seguisse para lá! Deus não permita que eu volte lá novamente! Detesto intervir em assuntos que não me dizem directamente respeito. Mas, não obstante isto, sou arrastado para eles. Meu querido senhor cardeal, não existe outra pessoa da qual eu possa razoavelmente esperar libertação desta tirania além de vós. Tendes o poder, como eu sempre soube, e a boa vontade, como ultimamente descobri. Regozija_me saber que estais desgostado com a minha intervenção em assuntos que não pertencem a monges. Mostrais aqui a vossa prudência e, igualmente, amizade por mim. Providenciai, pois, para que tanto a vossa vontade como a minha fiquem satisfeitas. Proibi que, de futuro, estas ruidosas e incomodativas rãs saiam dos seus lodaçais. Que o seu coaxar jamais torne a ser escutado nas salas de concílios ou nos palácios de reis. Que nenhuma necessidade ou autoridade tenha poder para determinar a sua interferência em contendas ou assuntos públicos de qualquer natureza. Talvez assim o vosso amigo escape à acusação de presumido. No entanto, ignoro como me posso haver exposto a ela, pois sempre constituiu minha determinação nunca abandonar o convento, excepto por assuntos da Ordem ou por solicitação de um legado da Santa se ou do meu diocesano, a nenhum dos quais posso em consciência desobedecer, a não ser por privilégio de uma autoridade superior. Se vossa eminência se dignar obter para mim esse privilégio, então desfrutarei indubitavelmente, de paz e deixarei os outros tranquilos».


Fonte:
LUDDY, Ailbe J. Bernardo de Claraval. Lisboa: Editorial Aster, 1953, p.168-171.

Primeira parte aqui.



MARIA SEMPRE!

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

SÃO BERNARDO E OS TEMPLÁRIOS - (I)


"Combinavam as funções do monge com as do guerreiro."


"O trabalho sob o título «Em louvor da Nova Milícia», é dirigido aos «Soldados do Templo» e a Hugo, seu chefe. Consta de treze capítulos além de um curto prefácio.


O capítulo de abertura expõe as vantagens desfrutadas pelos soldados da «nova milícia», que havia surgido na própria terra consagrada pela vida e sofrimentos do Redentor, com a missão de banir os filhos das trevas onde Ele outrora banira o seu soberano.

Aqueles cavaleiros de Cristo combinavam as funções do monge com as do guerreiro, eram igualmente peritos na utilização das armas materiais e espirituais, mantinham guerra permanente contra os inimigos visíveis e invisíveis, eram invulneráveis a todos excepto a si próprios, pois não receavam ferimento algum além do pecado, caminhavam para a batalha com a certeza infalível da vitória - vitória se vencessem o adversário, vitória mais gloriosa se tombassem na peleja.

São Bernardo pregando as cruzadas
«Providos de armas de toda a espécie, não receiam o homem nem o demônio. A própria morte, longe de ser temida, é o objectivo do seu desejo. Na verdade, o que poderá causar qualquer alarme àquele, quer na vida quer na morte, para quem 'viver é Cristo e morrer lucro' (FiL, 1, 21)? Fiel e gostosamente viverá por Cristo; no entanto, preferiria 'ser dissolvido e estar com Cristo, coisa bastante melhor' (ibid., 23). Avante, pois, soldados de Cristo, e com corações intrépidos, ponde em fuga os inimigos da sua cruz, confiantes em que 'nem a morte nem a vida vos poderão separar da caridade de Deus que existe em Jesus Cristo' (Rom., 8, 39). Em todos os perigos repeti para convosco as palavras de São Paulo: ‘Tanto se vivermos como se morrermos somos do Senhor' (Rom., 14, 8). Oh, como será glorioso o vosso regresso se vencerdes na luta! Quão abençoado o vosso martírio, se tombardes no campo de batalha! Alegre-te, intrépido guerreiro, se víveres e conquistares no Senhor. Porém, bastante maior motivo terás para alegrar-te, se uma morte de mártir te unir ao teu Senhor. A tua vida será, sem dúvida, fecunda em bem e plena de glória, mas a morte santa é algo muito mais precioso. Porque, apesar de serem abençoados aqueles que morrem com o Senhor (Apoc, 14, 13), quão grande não será a santidade dos que morrem por Deus? Indubitavelmente, 'é preciosa aos olhos do Senhor a morte dos seus santos' (Sal. 115, 15), independentemente do lugar onde ocorra, tanto no leito como em combate; mas, morrer em combate é a forma mais preciosa de morte, por mais gloriosa. Oh vida segura do soldado cristão onde a consciência nada tem a recear! Oh vida segura do campeão da cruz para quem a morte não contém horrores, mas é antes desejada por ele com ardor e bem-vinda alegria! Oh milícia de Cristo, verdadeiramente leal e santa, livre do duplo perigo a que estão expostos os beligerantes quando Deus não é a causa da sua luta! Aquele que combate por algum interesse temporal possui frequentemente motivo para temer que, ao matar o corpo do seu inimigo, imole a sua própria alma, ou que sejam destruídos o seu corpo e alma; visto que, no entender de um cristão, a derrota e o triunfo dependem não dos acidentes da guerra, mas do sentir do coração. Se a guerra for justa, o resultado não pode ser mau, tal como nunca será bom se ela for injusta, quer na sua origem como na sua finalidade. Aquele que, numa peleja injusta, ao tentar matar, é morto, perece como um assassino; mas se sobreviver e abater o seu inimigo, vive como um assassino. Todavia, é terrível ser um assassino quer na vida ou na morte, na derrota ou na vitória. Desditosa considero essa vitória na qual, embora vencedor do adversário, se é vencido pelo demônio, e constitui presunção proclamar que se conquistou um homem».

"Cordeiros na paz e leões na guerra."
Nos três capítulos seguintes, o santo traça uma comparação entre os cavaleiros mundanos e «Quem afirmará que é ilegal para um cristão recorrer à espada, quando o precursor do Salvador não proibiu aos soldados o uso de armas, mas lhes recomendou simplesmente que se contentassem com o seu soldo? (Luc. 3, 14)» Aqui o santo opõe-se a Orígenes e Tertuliano que entenderam a guerra e a profissão das armas proibidas pelos cristãos. «Portanto, que se desembainhem ambas as espadas, a espiritual e a material, e sejam brandidas na face do inimigo 'até que se abatam todos os perigos que se ergueram contra a sabedoria de Deus' (1, Cor., 9, 4, 5), que é a fé cristã, 'para que nunca digam as nações: onde está agora o teu Deus' (Sal. 114, 2)?... Não que os pagãos devam ser imolados, se por qualquer outro meio puderem ser impedidos de perseguir e oprimir os fiéis. Mas é preferível que sejam destruídos, do que 'a vara dos pecadores caia sobre os justos' de forma 'a que os justos não estendam as suas mãos para a iniquidade' (Sal. 124, 3)». O autor prossegue, enumerando as virtudes dos templários: as suas vidas irrepreensíveis, a obediência, a simplicidade e pobreza, a sobriedade, a devoção pelo trabalho, o respeito e estima mútuos, a aversão por jogos e desportos, a discrição no falar e desprezo pelos murmúrios, a coragem indômita que nunca descansa para atacar o inimigo, a brandura e fúria marciais que os tornavam cordeiros na paz e leões na guerra.
os templários, em desfavor dos primeiros, evidentemente. O cavaleiro mundano possui maior interesse pela exibição do que pela utilidade do seu equipamento; assemelha-se mais a uma dama garrida do que a um militar ansiando pela guerra. Aliás, as pelejas nas quais estes cavaleiros seculares costumam participar têm por origem vinganças, vanglórias ou conquistas de territórios; porém, morrer ou ser morto em semelhantes refregas é igualmente perigoso para as almas. Ao contrário, os soldados de Cristo sentem-se tão seguros se se mantêm de pé como se tombam nas lutas pelo seu Salvador, pois não representa pecado mas antes
mérito e glória provocar ou sofrer a morte por Cristo.

Seguem-se nove capítulos, versando cada um os objetivos ou lugares mais sagrados na Palestina: o templo, Belém, Nazaré, o Monte Olivete e o vale de Josafá, o Jordão, o Calvário, o Santo Sepulcro, Bethfage e Betânia. São, na verdade, nove belas meditações, repletas dos pensamentos que deviam ocupar os espíritos dos templários ao contemplares os diferentes cenários consagrados pelo labor e sofrimentos do Redentor.

Estas palavras do eminente abade retumbaram através da cristandade, atraindo súbita fama a Hugo de Payens e seus companheiros. Bravo Hugo! A vossa longa e dolorosa provação acha-se no seu termo. A ameaça da extinção está removida da vossa instituição.

Doravante a vossa dificuldade consistirá em conseguir albergar todos os voluntários ansiosos provenientes dos mais afastados recantos da terra cristã. Os vossos cavaleiros brancos tornar-se-ão (...) terror dos sarracenos e o seu estandarte será o mais venerado da Europa. Durante dois séculos sustentarão o choque das Guerras Santas, repelindo com coragem desesperada e com risco de 20.000 dos seus, a onda crescente do islamismo que ameaçou, ano após ano, romper os seus laços e varrer irresistivelmente a Europa. E então, ser-lhes-á concedida a dura recompensa da prisão quando o seu principal crime for a posse de riquezas e o principal acusador um monarca cobiçoso."


Fonte:
LUDDY, Ailbe J. Bernardo de Claraval. Lisboa: Editorial Aster, 1953, p.168-171.

Continua aqui.

MARIA SEMPRE!

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

SOBRE A VISÃO ROMÂNTICA - PARTE II

 Leia a primeira parte aqui

Romantismo é a tendência a acentuar
a primazia do sentimento sobre o pensamento
Prof. Pedro Maria da Cruz

A partir de então, o homem passou a ser encarado em sua vida total. Mais que o entendimento e a vontade se impuseram o sentimento e a fantasia. Com isso, o Romantismo instalou sua pátria, predominantemente, na região artística, de maneira especial na região da poesia. Daí ter se encaminhado para uma direção irracional, em busca de um ‘viver-com-tudo’ que, ao mesmo tempo, aparece também como intuição intelectual que repele todo conceito definitivamente perfilado e acompanha a vida em seu devir que segue para o Infinito e desfaz, reiteradamente, toda forma. Excluindo e incluindo o irracional e o racional, isto é, espontaneidade, a novidade imprevisível e a força coordenadora e unificadora que tende a fazer de um caos um cosmos, o Romantismo deixa de ser um fato principalmente literário – e filosófico só por acessão – para se transformar num fato principalmente filosófico, onde não só a Literatura, mas também a Ciência, a Religião, a História se encontram conjugadas por um mesmo esforço para conquistar uma visão total da vida.”

“(...) As imagens fazem bem à alma, já se havia dito nos primórdios do Romantismo; a poesia é a realidade absoluta, se acrescentará depois. Ao irromper em seu mistério, os poetas buscavam a total harmonia com a natureza, impulsionados com intensidade pelas representações do inconsciente. Para isso aniquilaram as aparências temporais, apreenderam a existência imediata como uma vida para âmbitos noturnos e oníricos, aplicaram novos significados à revelação das sensações, e assim a poesia se converteu numa forma de conhecimento ‘mágico’ que relacionava estreitamente o circundante com a vida obscura do poeta. (...) A concepção ‘analógica’ entre universo e alma se fez a tal grau consciente que, em geral, precedia à aventura lírica. E isto ensejou uma impetuosa corrente universal que confiava sua inspiração ao sonho e à noite e que ajudou a criar o conceito moderno de arte. Nesse sentido, a poesia passou a ser a interpretação dos fenômenos e dos mistérios do universo, por que é uma série de gestos mágicos realizados pelo poeta que não conhece claramente sua significação, mas que acredita firmemente que esses ritos são os elementos de uma magia soberana. E precisamente nessa humanização do divino, nesse pressentimento do Infinito nas intuições – como queria Uhland – está a essência do romântico. 

Wonder - Zena contemplando a lua.
Pintura Moderna de Alex Grey
Era o Romantismo a vitória do indivíduo sobre a disciplina moral e intelectual do Classicismo, que transformara a cultura humana, desde o século XVI, num jogo de princípios invariáveis e regras inflexíveis dentro dos quais o espírito se movia com dificuldade, e quase sem autonomia. Uma vitória, porém, imersa num halo mórbido, pois as linhas nítidas do Classicismo são substituídas pelos entretons românticos; uma indecisa religiosidade, a atração pelos aspectos indolentes da natureza, pelos crepúsculos silenciosos e pelas ruínas verdejantes, e tranquilas, uma vaga piedade por todas as matérias da terra e, ao mesmo tempo, um descontentamento permanente de tudo quanto existe, assim como uma constante exaltação pelo desconhecido e pelos grandes sacrifícios e heroísmos. Dos nevoentos fiordes nórdicos emerge a enigmática máscara de Odin: é o mal do século... 

E o Brasil foi colhido em cheio pelo Romantismo, fazendo do garoento planalto paulista seu reduto (...).” 


Fonte: VITA, Luís Washington. Panorama da Filosofia no Brasil. COLEÇÃO CATAVENTO: Série Universitária. Porto Alegre: Editora Globo, 1969; págs. 48-60

MARIA SEMPRE!

quinta-feira, 21 de julho de 2016

SOBRE A VISÃO ROMÂNTICA - PARTE I


"O Romantismo não se define: sente-se"

Prof. Pedro Maria da Cruz


Livro aqui indicado
Luís Washington Vita (1921-1968) é conhecido no meio acadêmico como historiador culturalista da Filosofia no Brasil. Seu livro “Panorama da Filosofia no Brasil” (do qual apresentamos alguns parágrafos abaixo referentes ao Romantismo), apresenta em várias partes uma crítica superficial e infundada à posição filosófica da Igreja Católica, assim como, ao papel que exerceu a Idade Média na história mundial. De facto, nesse livro específico, o autor parece reduzir o todo medieval ao período de decadência da escolástica, a qual, excluída em muito de sua rota por vários autores, acabou propiciando o surgimento de erros modernos.

Para Luís W. Vita, o termo Renascença é apropriado “(...) para sugerir a sensação que o homem de Quinhentos teve de renascer com alentos e modos de vida espiritual que, de certo modo, se haviam interrompido ou atrofiado durante séculos.” (p.10) Ainda segundo o mesmo autor, de modo um tanto reducionista, a Contra- Reforma católica teria levado Portugal a um “obscurantismo propositado” (p.12), ou, usando outra frase do livro, o Concilio de Trento “(...) se limitara a tão-somente a reforçar a cinta de ferro com que a Igreja, em nome da religião, comprimiu o cérebro da catolicidade.” (p.12) Reconhece, devemos dizê-lo, o papel da Igreja na formação intelectual do Brasil, porém, todo o tempo, demonstra clara aversão à visão católica (chamada “tirania do Homo credulus”, p.11) o que está alinhado, cremos, às suas estranhas referências à maçonaria. 

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“O movimento de cultura, e por isso mesmo também filosófico, que nasce como uma reação ao iluminismo, é o Romantismo. No Brasil foi a primeira afirmativa de nossos valores mais caros, atuando como centros irradiadores as duas faculdades de Direito existentes na primeira metade do século XIX: a de São Paulo e a do Recife. Ao lado desses dois institutos de estudos superiores também atuam as lojas maçônicas.”

Símbolo da maçonaria. Condenada pela Igreja
“(...) É o momento em que viceja a maçonaria, não apenas multiplicando lojas propriamente ditas, a partir de 1800, como inspirando a formação de grupos interessados na difusão do saber e no culto da liberdade. 

‘Nesse tempo – informa Antônio Cândido – tais associações desempenharam não apenas funções hoje atribuídas aos agrupamentos partidários, mas algumas das que se atribuem ao jornalismo, às sociedades profissionais, à universidade: congregaram e poliram aos patriotas, serviram de público às produções intelectuais, contribuíram para laicizar as atividades do espírito, formularam os problemas do país, tentando analisá-los à luz das referências teóricas da Ilustração. Foi um toque de reunir para os homens interessados na cultura e na política, corroborando o ponto de vista de Hipólito da Costa num dos seus melhores ensaios, onde analisa a necessidade e função das ‘sociedades particulares’: elas correspondem a uma necessidade de organização social – pois a marcha da civilização está ligada à diferenciação da sociedade – e condicionam o próprio funcionamento do Estado, ao se interporem entre ele e os indivíduos cujas atividades definem e coordenam. ’

E tudo fluía – acadêmicos e maçons – numa atmosfera romântica.

Schelling (1775–1854)
Problema prévio apaixonante, e por isso mesmo controvertido, é o da definição do Romantismo. Já na sua origem, em 1801, afirmava Sébastien Mercier que ‘o romantismo não se define: sente-se’. Para alguns o Romantismo é uma constante espiritual do homem, contraposta ao Classicismo: é a tendência a acentuar a primazia do sentimento sobre o pensamento, da intuição sobre o conceito, do dinâmico sobre o estático, do orgânico sobre o mecânico, do alusivo sobre o presente, do expressivo sobre o plástico. Assim, romântico seria o dionisíaco enquanto que o clássico seria o apolíneo, e acompanha a humanidade desde sua gênese. A esta concepção se opõe a teoria historicista, que afirma ser o Romantismo uma forma de vida humana e, por isso, constitui uma etapa da História, isto é, um dos modos de ser do homem num dado instante de sua evolução. (...) admite Roger Picard, ainda que com algumas restrições, que o Romantismo ‘foi uma época histórica’, daí explicar-se sua integração com o movimento das ideias, das reivindicações e das lutas sociais. Quer isto dizer que mais que um momento da Filosofia ou da Arte, foi o Romantismo um momento da cultura europeia, que vai precisamente dos fins do século XVIII até a metade do século XIX, e que explica seus motivos mais característicos na sua reação ao Iluminismo, que o precede. Ao império da razão e das regras opõe a exaltação da genialidade e espontaneidade do espírito nos seus aspectos a-racionais, intuitivos, sentimentais, fideístas. E à Filosofia coube interpretar esse momento espiritual nos grandes sistemas de Fichte, Schelling e Hegel, nos quais é feita a tentativa grandiosa de mostrar a fecundidade de um princípio espiritual (respectivamente, Eu, Absoluto e Ideia), no qual se integra numa unidade todo o sistema do universo. Identificando os contrários, fundindo todos os aspectos da realidade e da cultura num princípio único, e defendendo a tese da igualdade essencial da Filosofia, da Ciência, da Arte e da Religião, encontrou o Romantismo seu filósofo máximo em Schelling, que lhe imprimiu o tom peculiar de sua forma mentis.


Continua aqui.


Fonte: VITA, Luís Washington. Panorama da Filosofia no Brasil. COLEÇÃO CATAVENTO: Série Universitária. Porto Alegre: Editora Globo, 1969; págs. 48-60


MARIA SEMPRE!

domingo, 26 de junho de 2016

RUSSELL NORMAN CHAMPLIN E CIA...


A Igreja Católica sempre defendeu a doutrina da intercessão dos santos.

“(...) destruímos os raciocínios presunçosos e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus. Obrigamos toda inteligência a obediência a Cristo”1

Por Prof. Pedro Maria da Cruz

Muitos estudiosos protestantes têm se aproximado pouco a pouco da fé católica. A coerência interna e a solidez da doutrina, guardada pela Igreja romana e confirmada por milagres incontestáveis, iluminam as inteligências humildes que não põem obstáculos à graça.

“Estão sempre aprendendo sem jamais
chegar ao conhecimento da verdade
Todavia, o coração empedernido coadjuvado por uma inteligência vigorosa, mas perdida numa selva de teorias estranhas - conhecidas, tão somente, por ceder ao “prurido de novidades”2 - pode até vislumbrar a “terra prometida” onde brilha a verdade; entretanto, jamais tomará posse dela em sua totalidade. Confuso entre mil visões diferentes e contraditórias encantar-se-á com um ponto luminoso, mas logo em seguida preferirá tal ou tal conclusão imperfeita para não ceder a nada nem a ninguém que lhe tire o gosto da multiplicidade de ideias, ainda que incoerentes.

Para o orgulhoso tal postura lhe confere certo status de pesquisador inflexível, segundo ele, muito acima do dogmatismo de crentes ignorantes, sem rigor epistemológico ou gosto pelos estudos. A ciência o incha e cega 3. Desse modo, torna-se incapaz de ver os absurdos a que muitos de seus raciocínios o conduzem se levados às últimas consequências. E não os vendo, continua a deleitar-se em suposições e ideias que abarrotam seu ego de auto complacência. “Estão sempre aprendendo sem jamais chegar ao conhecimento da verdade” 4.

Em meio às pesquisas que fizemos para o aprofundamento da fé, acabamos por deparar-nos, há tempos atrás, com a figura do professor Russell Norman Champlin (nascido em 1933, Salt Lake City, EUA), protestante de origem Batista. Ele parece ajustar-se em várias características apresentadas acima. Ademais, seus escritos acusam tendências espíritas, esotéricas, católicas e, obviamente, protestantes, para não citarmos outros aspectos. Uma verdadeira miscelânea de pensamentos, variados e desconexos entre si, os quais ele pretende harmonizar em conclusões desbaratadas. Tudo isso o torna mal quisto inclusive nos meios protestante, como é fácil deduzir.

Para conferirmos um pouco como Russell N. Champlin utiliza-se de argumentos católicos sem, contudo, inferir as devidas conclusões, acompanhemos seu texto abaixo:

Russell Norman Champlin-
 autor protestante
“Não é errado lembrar os heróis da fé; e também não é mister fazer cuidadosas distinções, entre os santos, quanto às denominações cristãs a que eles pertenceram. E apesar de não ser correto usar o termo “santo” para distinguir uma alma humana altamente desenvolvida, que se eleva acima de seus irmãos (tanto nesta vida quanto na outra), é indiscutível que há almas que estão acima das demais. Mas todas as pessoas remidas são santas, ou seja, foram separadas para o Senhor Deus, por estarem em Cristo; e todas essas pessoas merecem o epíteto.

Porém, tal como sucede nesta vida terrena, assim sucederá na existência após-túmulo; algumas almas remidas terão um grau mais elevado de transformação segundo a imagem de Cristo. É correto termos tais pessoas como objetos de admiração e emulação, pois nos servem de bons exemplos. Mas é um erro transformar tais pessoas em objetos de culto (...).

Assim afirmado, não nego que tais almas possam ajudar as outras, com base na comunhão dos santos. De fato, espero que assim suceda, porquanto precisamos de toda ajuda que pudermos obter tanto para promoção de nossa suficiência material quanto para a promoção de nosso progresso espiritual. Se anjos ministram àqueles que são os herdeiros da salvação (Heb.1,14), não vejo motivos para duvidar que os santos de Deus, já do outro lado da existência, tanto os maiores (assim reconhecidos) quanto os menores (nossos parentes e amigos crentes, etc.) possam prestar-nos sua ajuda, sem que para tanto tenhamos de prestar-lhes culto. (...) se um espírito remido chegar a mostrar interesse por minha vida, e eu puder detectá-lo, então poderei dizer-lhe: 'Alegro-me em vê-lo! Faça o que puder!'. Em outras palavras, creio que tais espíritos podem ministrar, da mesma forma que o fazem os anjos. Ocasionalmente, ouve-se o relato de alguma cura especial, operada por um espírito, dentro dos limites de uma família. Nesse caso, Deus pode ter enviado tal espírito como seu delegado e todos os delegados de Deus são bem vindos. Nem por isso, entretanto, devo prostrar-me a venerar os delegados de Deus. Acredito que o amor entre os membros de uma família continua para além da morte biológica; e que o amor pode cruzar as fronteiras entre o céu e a terra, realizando muitos feitos notáveis (...) “5 (CHAMPLIN, R.N.,1995)

Suplicamos a Nossa Senhora que interceda por todos que buscam a verdade. É preciso coragem para abandonar antigas negociatas, reconhecer-se equivocado e submeter a inteligência à verdade que exige o obséquio da razão. Ora - afirmara Santo Tomás de Aquino - algo é tanto mais compreendido pela razão quanto o contrário é mais grave e mais repugnante a ela; sendo assim, cabe a nós mostrar também a feiura do erro e o absurdo de suas afirmações. Desse modo, auxiliados pela intercessão da Virgem e socorridos por nosso esforço missionário (tudo isso, junto aos imperscrutáveis lances da Divina Providência), não poucos verão o brilho da verdade e, convertidos, dirão “sim” à única e verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo: Católica, Apostólica e Romana.


MARIA SEMPRE!

Referências:
1) IICor. 10, 4-5 
2) IITm 4,3 
3) ICor. 8,1 
4) II Tm.3,7 
5) CHAMPLIN, R.N.; BENTES, J.M.. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 3 ed. Volume VI. Editora Candeia, São Paulo, 1995; págs. 117-118

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

BLAISE PASCAL - "O AMOR PRÓPRIO"


"(...) não fazemos outra coisa senão nos enganarmos e adularmos mutuamente."

Postado por editores do Blog

Blaise Pascal (1623-1662)
Segue abaixo uma reflexão feita por Blaise Pascal (1623-1662) a respeito do homem na sociedade. Filósofo, físico, matemático, moralista e teólogo, este pensador francês, infelizmente, morreu defendendo a heresia jansenista que tanto mal causou a inúmeros cristãos ignorantes. Em sua obra podemos perceber muitas vezes o rigor exagerado, e forte pessimismo que marcava os fautores deste erro doutrinal. Os jansenistas chegavam a pregar o absurdo da predestinação. Entretanto, não podemos negar a beleza, profundidade e acerto de muitas observações feitas por Pascal a respeito das interações humanas. 


†††



"A natureza do amor-próprio e desse eu humano é não amar senão a si e não considerar senão a si. A que pode levar? Não impedira que esse objeto que ama não esteja cheio de defeitos e misérias: quer ser grande e se vê pequeno; quer ser feliz e se vê miserável; quer ser perfeito e se vê cheio de imperfeições; quer ser o objeto do amor e da estima dos homens, e vê que seus defeitos só merecem deles aversão e desprezo. Esse embaraço em que se acha produz nele a mais injusta e criminosa paixão que se possa imaginar; pois concebe um ódio mortal contra essa verdade que o repreende e o convence de seus defeitos. Desejaria aniquilar essa verdade, e, não podendo destruí-la em si mesmo, ele a destrói, tanto quanto pode, em seu conhecimento e no dos outros; isto é, põe todo o seu cuidado em encobrir os próprios defeitos a si mesmo e aos outros, e não pode suportar que o façam vê-los, nem que os vejam.

É sem dúvida um mal ter tantos defeitos; mas é ainda um mal maior estar cheio deles e não querer reconhecê-los, pois é ajuntar-lhes ainda o de uma ilusão voluntária. Não queremos que os outros nos enganem; não achamos justo que queiram ser estimados por nós mais do que merecem; não é, portanto, justo também que nós os enganemos e queiramos que nos estimem mais do que merecemos.

"É sem dúvida um mal ter tantos defeitos; mas é ainda
 um mal maior estar cheio deles e não querer reconhecê-los(...)"
Assim, quando só descobrem em nós imperfeições e vícios, que na realidade temos, é claro que não cometem uma ofensa, pois não são eles os causadores, e nos fazem um benefício, pois nos ajudam a nos livrarmos desse mal que é a ignorância das imperfeições. Não nos devemos zangar pelo fato de eles as conhecerem e de nos desprezarem, pois é justo que nos conheçam pelo que somos, e que nos desprezem se somos desprezíveis. Tais seriam os sentimentos naturais em um coração cheio de equidade e de justiça. Que devemos dizer do nosso, vendo nele uma disposição tão contrária? Pois não é verdadeiro que odiamos a verdade e aqueles que no-la dizem, e que gostamos que se enganem a nosso favor, e que desejamos que nos tomem por outro que não somos na realidade?

A religião católica não nos obriga a revelar nossos pecados indiferentemente a todo mundo: permite que os ocultemos de todos os outros homens; mas excetua alguém ao qual ordena que abramos o fundo do coração, e que o mostremos tal qual é.

Somente a esse único homem, no mundo, ela nos ordena confessar, mas obriga a um segredo inviolável, que faz com que o seu conhecimento de nossos pecados permaneça nele como se não existisse.

Será possível imaginar algo mais caritativo e mais suave? E, contudo, é tal a corrupção do homem que acha ainda dureza nessa lei; e foi uma das principais razões que fizeram grande parte da Europa se revoltar contra a Igreja. Tão injusto e desarrazoado é o coração do homem que lhe parece um mal ser obrigado a fazer, em relação a um só homem, o que seria justo, de certa maneira, que fizesse em relação a todos os homens! Pois será justo os enganarmos?

"Ninguém fala de nós em nossa presença
 como se fala em nossa ausência."
Há diferentes graus nessa aversão à verdade; mas pode se dizer que até certo ponto ela existe em todos, porque é inseparável do amor próprio. Assim essa falsa delicadeza que obriga os que estão na necessidade de repreender os outros a escolherem tantos rodeios e manejos para não ferí-los. Precisam diminuir os nossos defeitos, fingir desculpá-los, misturar louvores e testemunhos de afeição e de estima. E, mesmo assim, essa medicina não deixa de ser amarga ao amor próprio. Tomamos dela o menos que podemos, e sempre com desgosto, e muitas vezes com secreto despeito contra os que no-la oferecem. Por isso acontece que, quando alguém tem interesse, em ser amado por nós, foge de prestar-nos um serviço que sabe ser-nos desagradável; trata-nos como desejamos ser tratados: odiamos a verdade, a verdade nos é ocultada; desejamos ser adulados, adula-nos; gostamos de ser enganados, engana-nos. Donde, ao mesmo tempo que nos eleva no mundo da sorte, os afasta da verdade, pois teme-se mais ferir aquele cuja afeição é mais útil e cuja aversão é mais perigosa.

Um príncipe pode tornar-se o divertimento de toda a Europa, e ser o único a ignorá-lo. Não me admira: a verdade é útil àquele a quem é dita, mas desvantajosa para os que a dizem, porque se tornam odiosos. Ora, os que vivem com os príncipes preferem os seus interesses aos do príncipe que servem; e por isso não se preocupam em lhe proporcionar uma vantagem prejudicando-se a si mesmos. Essa infelicidade é sem dúvida maior e mais comum nas fortunas mais avantajadas; mas as menores não estão isentas dela, porque há sempre algum interesse em se tornar amável. Assim a vida humana nada mais é que uma perpétua ilusão; não fazemos outra coisa senão nos enganarmos e adularmos mutuamente. Ninguém fala de nós em nossa presença como se fala em nossa ausência. A união existente entre os homens assenta apenas nesse mútuo engano; e poucas amizades subsistiriam se todos soubessem o que dizem deles os amigos quando não estão presentes; mesmo quando falam com sinceridade e sem paixões.

O homem não passa, pois, de disfarce, mentira e hipocrisia, tanto ante si próprio como em relação aos outros. Não quer que lhe digam verdades e evita dizê-las aos outros (...)"


MARIA SEMPRE!


Fonte: MAURIAC, François. O pensamento vivo de Pascal. São Paulo: Martins, 1941; p.109-112.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

GNOSTICISMO: DESPREZO PELA CRUZ


A gnose tem ludibriado a muitos...

“(...) o ‘gnosticismo’ é um fenômeno típico da decadência do paganismo antigo, sob a influência da espiritualidade judaica, que já se fazia sentir no Ocidente, de mistura com elementos esotéricos da região iraniana.”

“(...) desvaloriza a redenção de Cristo, pois nega a sua humanidade, o que provocou a reação do Evangelista João: O Verbo se fez carne.”


Por editores do Blog

Segue abaixo uma apresentação do gnosticismo feita pelo Pe. Waldomiro O. Piazza, SJ, em seu livro “Religiões da Humanidade”. Esperamos que o texto sirva como fonte de pesquisa para os amigos do blog “Escritos Católicos”, assim como, de referência para os membros dos grupos de estudos da SSVM que, auxiliados por outros autores, poderão chegar a uma síntese esclarecedora. 

O GNOSTICISMO

“O termo ‘gnose’ (conhecimento) é usual na literatura cristã dos primeiros séculos, tanto canônica como apócrifa.

Designa dois movimentos religiosos, de tendências contrárias. A ‘gnose autêntica’ é um ‘conhecimento aprofundado dos mistérios divinos’, revelados por Deus, e contemplados com as luzes do Espírito Santo: logo, um ‘conhecimento carismático’.

A chamada ‘gnose herética’ é também um ‘conhecimento aprofundado dos mistérios divinos’ mas sob as luzes da reflexão filosófica: logo, um conhecimento natural, e, não raro, puramente fantasioso...

Dá-se o nome genérico de ‘gnosticismo’ ao movimento pseudo-cristão que procurou explicar os mistérios divinos segundo estes princípios naturais, dispensando os dados da Revelação, e ensinando um dualismo radical entre matéria e espírito, que valia por uma negação da Redenção cristã. 

A gnose apresenta variadas facetas
Costuma-se, hoje, distinguir várias modalidades de ‘gnose’, a saber:

_ Gnose cristã: É muito confusa, porque varia segundo a diversidade de autores, desde Simão, o Mago, a Valentiniano. No entanto, pode-se dizer que o seu elemento distintivo é um duplo dualismo: 


- dualismo metafísico ou cósmico: princípio do bem identificado com o espírito, e principio do mal identificado com a matéria (hyle). 

- dualismo antropológico: absoluta distinção entre alma e corpo...

Este dualismo, aplicado ao cristianismo, desvaloriza a redenção de Cristo, pois nega a sua humanidade (docetismo), o que provocou a reação do Evangelista João: O Verbo se fez carne (sarx).

Parece que a origem desta ‘gnose herética’ está no dualismo órfico, por sua vez devedor do dualismo iraniano, e que influenciou o próprio dualismo de Platão (alma e corpo). H. CH. Puech assim explica a situação psicológica do gnóstico: ‘Sente-se na terra oprimido de todos os lados pelo peso tirânico do destino (a ‘moira’ dos gregos), sujeito aos limites do tempo, do corpo e da matéria, abandonado às suas tentações e humilhações... A necessidade sentimental de redenção torna-se assim uma exigência metafísica, que deve ser atendida, ao menos ideologicamente, a fim de que o homem tome consciência de seu destino na terra... ’.

Desta forma, na elaboração do gnosticismo a salvação é menos um ato moral (uma opção), do que um conhecimento místico da própria situação neste mundo (cura psicanalítica?).

Os próprios ritos e mistérios cristãos são interpretados de forma fantasiosa e exaltada, como se verifica no maniqueísmo.

Houve tempo em que o cristianismo foi tido como um produto mais equilibrado do gnosticismo (Bultmann, um protestante, tinha o 4ª Evangelho na conta de livro gnóstico). Hoje, com mais razão, pensa-se que o ‘gnosticismo’ é um fenômeno típico da decadência do paganismo antigo, sob a influência da espiritualidade judaica, que já se fazia sentir no Ocidente, de mistura com elementos esotéricos da região iraniana (dualismo persa). Assim afirma R.M. Grant, no seu livro: ‘A gnose e as origens cristãs’.

Gnose: ligada ao paganismo
- Gnose pagã: segundo A. J. Festugière, a gnose puramente pagã é de origem egípcia, e se prende ao hermetismo oriental (grupos fechados que se dedicavam a especulações de caráter cosmológico). A chamada ‘revelação’ de Hermes Trismegisto supunha um deus cósmico, impessoal, insondável, mas cheio de misteriosos desígnios, que os ‘iniciados’ procuravam descobrir através de cálculos e combinações fantasiosas, a que não estavam alheias a astrologia da Mesopotâmia e a cabala dos judeus.

- Gnose dos judeus: Enquanto a gnose pagã tem um caráter nitidamente cósmico, a judaica é fortemente moralista, fiel às suas origens bíblicas. É monoteísta, mas cultiva um conhecimento fantasioso de Deus, principalmente quanto ao mistério da ‘glória’ de Javé (Kadhoch). Nesta concepção verdadeiramente gnóstica, toda a criação está inscrita no ‘ trono de Javé’, de modo que basta conhecer esta espécie de ‘decreto da criação’ para saber tudo o que vai acontecer. Nesta ‘gnose’, os números e as esferas celestes desempenham importante papel, permitindo as mais estranhas especulações (cf. A esfinge, de Pierre Weil). 

- Cristo na gnose: A perspectiva cósmica ou metafísica de uma queda original e de uma redenção da mesma natureza, é doutrina básica de toda a ‘gnose’. Cristo, dentro desta concepção gnóstica, representa um princípio cósmico, um ‘eon’ luminoso, que desce do ‘pleroma divino’ para dar a conhecer às almas espirituais a sua origem divina e conduzi-las aos espaços siderais. Para isso assume um corpo aparente (docetismo), ou um corpo real, mas só por um momento (Jesus Histórico?). A redenção, portanto, assume um caráter formal, que nada tem a ver com a morte da Cruz (Bultmann?). Nesta ‘gnose’ nega-se a Revelação histórica e a salvação dissolve-se em um misticismo monista, que lembra a salvação na doutrina budista... 

A gnose se opõe a toda 
doutrina cristã da redenção.
Conclusão: A. M. di Nola, em seu artigo ‘Gnosi e Gnosticismo’, na Enciclopédia delle Religioni (T. III, col. 473), chega à seguinte conclusão:

‘A noção de ‘gnose’, independentemente de sua origem histórica e de suas várias manifestações (gnose cristã, gnose pagã), designa um verdadeiro e próprio módulo religioso sempre que se insere em uma forma de experiência religiosa, na qual a conotação de ‘conhecimento’ toma um sentido próprio, ou seja, uma função salvífica que só nele se justifica. 

Isto é: ao lado de religiões de tipo ético ou profético, nas quais o comportamento humano, que leva à salvação ou dá segurança neste mundo, se funda na observância de atos rituais e sacrificais, ou na adesão a uma série de mandamentos, que formam um plano divino (cf. hebraísmo, islamismo, nas suas formas mais ortodoxas), existem religiões que propõem uma série de verdades, de iluminações ou de revelações, as quais, sendo conhecidas pelos seus destinatários, determinam neles um processo de salvação pelo simples fato de serem conhecidas, pois comportam uma total transformação do fiel. ’” 


Fonte: PIAZZA, Waldomiro. Religiões da Humanidade. 2ª ed. São Paulo: Loyola, 1991; p. 230-232. (O negrito é nosso)


MARIA SEMPRE!


terça-feira, 6 de outubro de 2015

ALBERT CAMUS: SEM DEUS, NONSENSE


“Sem Deus e sem um mestre, o peso dos dias é terrível.”[1]


Postado por editores do Blog


Albert Camus foi um filósofo, romancista, jornalista, ativista, ensaísta e dramaturgo[2] nascido na Argélia [3] (1913), então colônia francesa, e morto (1960) vítima de um acidente automobilístico. Há quem afirme ter ele sido assassinado por ordem de Moscou; com efeito, era crítico do comunismo soviético - motivo pelo qual sofrera desentendimentos com Sartre (1905-1980) também comunista. 

Albert Camus (1913-1960)
Marcado por densas experiências pessoais[4], Camus fez do absurdo, da tragédia, do desespero, do suicídio, e do sofrimento, entre outros temas afins, o universo de seus conflitos interiores e reflexões filosóficas. Para ele, o homem é um revoltado no tocante à sua condição contra a qual deve ser mais forte, um estrangeiro solitário nesse mundo (onde nada teria valor ou sentido), destituído de qualquer moral ou verdade, e sempre angustiado perante o nada: veem-se aqui traços de suas notas existencialistas. 

Albert Camus foi e continua sendo um homem confuso. Apresentado por muitos como descrente, anti-teísta ou cético, não há quem deixe de taxá-lo pura e simplesmente "ateu", ou mesmo agnóstico para quem a questão de Deus é insolúvel; o que talvez explique sua estranha afirmação: “Eu não acredito em Deus e não sou ateu”. Interessante o fato de que em certo momento pensara em ser Dominicano... Foi seduzido em muitos pontos pelo cristianismo (admirava a pessoa de Jesus - mesmo lhe negando a ressureição -, Santo Agostinho, São Francisco de Assis e Pascal); o facto é que se deixava transformar pelo universo cristão, mas não converter (pensemos em "Albert Camus e o Teólogo", de Howard Mumma). Um ponto é claro: o argelino optou por uma existência sem Deus e crítica da Religião:

“A crítica do cristianismo de Camus é largamente tributária de Nietzsche. Assim como ele, Camus se vê ‘fiel à terra’. Ele critica os ‘mundos do além’ que oferecem a ilusão de uma outra vida, quando conta apenas a existência presente (...). Quanto à Igreja institucional, Camus reprova (...) sua aliança com as ‘forças conservadoras’”[5]

José Ramón Ayllón,
Bom, não alonguemos ainda mais essas notas introdutórias. Nossa intenção foi tão somente preparar o leitor para compreender melhor o texto abaixo escrito pelo filósofo José Ramón Ayllón. Que esse artigo nos anime na luta apostólica, a fim de que, mostrando aos outros a beleza e o amor de Deus, possamos livrá-los dos caminhos de trevas que perigam perder as almas. Albert Camus foi um filho de seu tempo e, infelizmente, nos revela até onde poder chegar o homem quando distante da graça de Deus e subjugado por seu próprio ego. Virgem de Guadalupe, Rogai por nós! 

O CÉU NÃO RESPONDE

“Depois de termos visto por alto alguns motivos que levam o ser humano a procurar a Deus necessariamente, compreendemos que Hegel tenha dito que não perguntar-se sobre Deus equivale a dizer que não se deve pensar. Mas também sabemos – como Albert Camus – que qualquer dia a peste pode acordar de novo os seus ratos e enviá-los a uma cidade feliz para dizimá-la.

Os biógrafos de Camus, prêmio Nobel de literatura em 1957, atribuem a sua profunda incredulidade a uma ferida que as garras do mal lhe causaram na adolescência e que nunca cicatrizou. Vivia em Argel, tinha quinze ou dezesseis anos e passeava com um amigo à beira-mar. Depararam com um rebuliço de gente. No chão, jazia o cadáver de um menino árabe, esmagado por um ônibus. A mãe chorava em altos gritos e o pai soluçava em silêncio. Depois de uns momentos, Camus apontou para o cadáver, levantou os olhos ao céu e disse ao amigo: ‘Veja, o céu não responde’.

‘Veja, o céu não responde’.
A partir de então, cada vez que tentava superar esse impacto, levantava-se nele uma onda de rebeldia. Parecia-lhe que toda a solução religiosa tinha que ser uma falácia, uma forma de escamotear uma tragédia que nunca deveria ter ocorrido. Daí em diante, o futuro escritor dá as costas a Deus e abraça a religião da felicidade. ‘Todo o meu reino é deste mundo’, dirá. E também: ‘Desejei ser feliz como se não tivesse outra coisa que fazer”.

Mas, ataca-o o golpe brutal de uma doença. Dois focos de tuberculose truncam a sua
carreira universitária e obscurecem o horizonte azul de um jovem que reconhece a sua paixão hedonista pelo sol, pelo mar e por outros prazeres naturais. Instala-se o absurdo numa vida que só queria cantar. E é então que o escritor faz Calígula dizer uma verdade tão simples, tão profunda e tão dura: ‘Os homens morrem e não são felizes’.

Para Camus, a felicidade será a disciplina sempre deixada para trás no currículo da humanidade. Para ele uma vida destinada à morte converte a existência humana num sem-sentido e faz de cada homem um absurdo. É contra esse destino que Camus escreverá ‘O mito de Sísifo’, em que a sua solução voluntarista se resume numa linha: ‘É preciso imaginar Sísifo feliz’. E a felicidade de seu Sísifo – que bem pode ser Mersault, o protagonista de O estrangeiro – é a autossugestão de julgar-se feliz.

O romance ‘A peste’ será uma nova tentativa de tornar possível a vida feliz num mundo mergulhado no caos e destinado à morte. Mais que um romance, é a radiografia da geração que viveu a Segunda Guerra Mundial. Camus já não fala do seu sofrimento individual, mas dessa imensa vaga de dor que submergiu o mundo a partir de 1939. Nas suas páginas finais, recorda-nos que as guerras, as doenças, o sofrimento dos inocentes, a maldade com que o homem trata o homem... só conhecem tréguas incertas, após as quais recomeçará o ciclo do pesadelo.” 

FONTE: AYLLÓN, J. Ramón. Mitologias modernas. Trad.: Emérico da Gama – São Paulo: Quadrante, 2011; p. 54-56. (Temas cristãos; 145)




MARIA SEMPRE!





[2] Em 1957 Albert Camus conquistou o Prêmio Nobel de Literatura
[3] Pertencera ao partido comunista e a grupos de resistência politica
[4] A doença, a guerra, a morte, a fome e a pobreza.
[5] Conferir: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/noticias-anteriores/30891-albert-camus-e-sensivel-a-humanidade-de-cristo